Que país é este?! – Índice dos países com reconhecimento limitado

São 193 os Estados Membros da ONU, porem existem outras nações “de facto” independentes mas com reconhecimento limitado. Alguns são bem acessíveis para viajar, outros nem tanto. Sempre importante lembrar que países onde o Brasil não tem relações diplomáticas você não tem assistência nenhuma em caso de dificuldades.

1- República da Transnístria

Lenin

Lenin

Reconhecimento: 3 estados não membros da ONU

Capital: Tiraspol

Moeda: Rublo da Transnístria

Visto: Emitido na fronteira, necessita de registro caso fique mais de 12 horas

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

2- Kosovo

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Reconhecimento: 109 estados membros da ONU

Capital: Pristina

Moeda: Euro

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

3- República da Abecásia

Novi Afon

Novi Afon

Reconhecimento: 4 Estados da ONU e 3 não membros

Capital: Sukhumi

Moeda: Rublo e Aspar da Abecásia (não muito utilizado)

Visto: Autorização de entrada pode ser solicitada por e-mail, visto necessário para a saída emitido no Ministério das Relações Exteriores

Relato: (Clique aqui)

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4- Chipre do Norte

Porto

Porto Girne

Reconhecimento: 1 estado membro da ONU

Capital: Nicósia

Moeda: Lira turca, Euro e Libra esterlina

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

5- República de Nagorno-Karabakh

Mesquita

Mesquita em Agdam

Reconhecimento: 3 estados não membros da ONU

Capital: Stepanakert

Moeda: Dram armênio

Visto: Emitido no Ministério das relações exteriores e necessário para sair do país (para entrar não precisa)

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6- República da Somalilândia

Memorial de guerra

Memorial de guerra

Reconhecimento: Sem reconhecimento internacional

Capital: Hargesia

Moeda: Shilling da Somalilândia

Visto: Emitido na fronteira ou com antecedência em uma das ” Embaixadas”

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7- Palestina

Free Palestine

Free Palestine

Reconhecimento: 138 estados membros da ONU

Capital: Jerusalem Oriental (ocupada), Ramallah (provisória)

Moeda: Shekel

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

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8- Saara Ocidental (República Árabe Sarauí)

Bases militares por todos os lados

Bases militares por todos os lados

Reconhecimento: 84 estados membros da ONU

Capital:  Laayoune (ocupada), Bir Lehlou (provisória)

Moeda: Dirham

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

9- República da Ossétia do Sul

RSO- República da Ossétia do Sul

RSO- República da Ossétia do Sul

Reconhecimento: 4 estados da ONU e 3 não membros

Capital: Tskhinval

Moeda: Rublo

Visto: Autorização de entrada pode ser solicitada por e-mail com um mês de antecedência, visto necessário para a saída emitido no Ministério das Relações Exteriores

Relato: Devido a uma queda de barreira na estrada não pude visitar

Dos países “de facto” independentes ainda tem Taiwan, reconhecido somente por 21 estados membros da ONU, mas que eu ainda não visitei.

Existem muitas outras regiões que já foram ou gostariam de ser independentes, mas hoje fazem parte de outros países, portanto não sendo “de facto” independentes. Algumas foram transformadas em regiões autônomas (ou semi-autônomas) e Repúblicas, outras mantém governo no exílio.

Algumas destas regiões por onde eu já viajei:

Tibet

Relato: (Clique aqui)

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Curdistão

Relato: (Clique aqui)

no centro da cidade

Citatel de Erbil

República da Chechênia

Relato: (Clique aqui)

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República de Karakalpak

Relato: (Clique aqui)

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República da Ossétia do Norte

Relato: (Clique aqui)

Dargavs

Dargavs

Caxemira

Relato: (clique aqui)

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Xinjiang (Turquestão Oriental)

Relato: (Clique aqui)

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República da Inguchétia

Relato: (Clique aqui)

Torres Inguches

Torres Inguches

"O fato de que poucas pessoas vão,
é uma das razões mais fortes para viajar para um lugar"
- Paul Theroux
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Pelas montanhas de Nagorno-Karabakh

Alguns conflitos entre a Armênia e Azerbaijão na disputa pelo Nagorno-Karabakh quase adiaram minha ida para lá. Um helicóptero derrubado, atiradores fazendo suas vitimas e campos de refugiados completando 20 anos… A região é mais um daqueles conflitos congelados. Historicamente o Nagorno-Karabakh – também chamada de Alto Karabakh em português – já teve autonomia, mas culturalmente é muito ligada à Armênia. Geograficamente para quase todo o mundo  faz parte do Azerbaijão, que dominava a região desde o final da primeira guerra mundial (dizem ter ligações étnicas com o povo original da região, mas isto é outra história). Já tiveram azeris morando lá (como minorias), mas desde a guerra de independência, quase todos foram expulsos ou mortos.

Um pouco de estudo e vimos que se não nos aproximássemos da “linha de frente”, divisa com o Azerbaijão, não teríamos problemas. Se é para explorar, resolvemos fazer bem feito. Nada de entrar pela “popular” rota Goris-Stepanakert. Usamos um caminho vindo do norte, atravessando o passe Sotk, por uma nova estrada que atravessa as montanhas. Nagorno significa “montanha” em Russo, Kara “Negro” em turco e Bakh “jardim”em persa, então com certeza valeria a pena o visual da “montanha do jardim negro”.

Nova estrada pelo Passe Sostk

Nova estrada pelo Passe Sostk

Nagorno-Karabakh

Nagorno-Karabakh

Desde o inicio já percebemos a influencia que a Armênia exerce na região. É como se fosse uma província armênia, idioma, placas, povo. Talvez tenha faltado um pouco o contato com karabakhs separatistas para ter uma ideia mais geral (com azeris já tínhamos conversado). Nem mesmo controle de imigração tivemos para entrar no país por esta estrada. Contornamos belas montanhas, seguimos pequenos riachos e uma hora ou outra aparecia um amontoado de casas. Tanques abandonados na beira da estrada e pequenos memoriais lembravam um pouco da guerra não tão distante.

Memoriais na beira da estrada

Memoriais na beira da estrada

Mas foi em Dadivank que fizemos nossa primeira parada mais longa. Um monastério incrível, construído entre os séculos 9 e 13, perdido no meio das montanhas! Foi fundado pelo Santo Dadi, que está sepultado na igreja principal. Existe um lento trabalho de restauração, mas parece meio abandonado. De qualquer maneira foi uma grata surpresa.

Primeira vista de Dadivank

Primeira vista de Dadivank

Monastério

Monastério

Mais estrada de terra, viajando por regiões remotas do norte do Nagorno-Karabakh (provincia de Shahumian). Já estávamos “quebrados” da viagem quando chegamos em Vank, uma das grandes atrações de NK. Lá que está o monastério Gandzasar (significa tesouro da montanha), um dos mais sagrados do país. Encontramos inclusive outros turistas estrangeiros por lá. A igreja principal é em homenagem ao São João Batista e possui algumas figuras talhadas na pedra.

Gandzasar

Gandzasar

No passado um morador local tentou a sorte na Russia e se deu bem. Quer dizer, mais ou menos. Enriqueceu muito, mandou dinheiro para a região, construiu um hotel bizarro, mas acabou sendo preso por se envolver na Mafia russa. Não preciso nem falar que por aqui ele é herói né?! Alem do hotel, restaurante e quase um “parque temático” ele ajudou na infraestrutura local. É possível de se observar novamente as marcas da guerra. Um longo muro coberto com as placas dos carros azeris é exposto com orgulho. Estes sinais aparecem em todos os lugares.

Placas dos carros azeris exibidas como troféus

Placas dos carros azeris exibidas como troféus

Algumas das bizarrisses do mafioso Karabakh-Russo

Algumas das bizarrices do mafioso Karabakh-Russo

Já bem mais perto de Stepanakert, capital de Nagorno-Karabakh, cabos aéreos ligam uma montanha a outra para impedir que aviões voem abaixo do radar. Mas o clima não é tenso, pelo menos não na capital. Uma cidade pequena, ruas arborizadas, praças floridas com wi-fi gratuito e cheia de pessoas.

A capital Stepanakert

A capital, Stepanakert

Chegada em Stepanakert

Chegada em Stepanakert

Depois de passar no Ministério de Relações exteriores para nos registrarmos e pegarmos o visto, pudemos caminhar tranquilamente e até tomar uma cerveja curtindo o entardecer de Stepanakert. Nosso motorista, Arman, é um franco-armênio, mas não conseguimos achar muito de francês nele. Tinha ideias bem radicais, quase fascistas eu diria. Tenho certeza que ele não gostou muito de algumas perguntas provocativas que fiz, mas bem ou mal acabava respondendo.

Ministério das relações exteriores

Reconhecido por poucos, mas é um país! Ou não?!

Florida

Flores e o palácio presidencial

Acabamos indo dormir na casa dele em Shushi, poucos quilômetros dali. Shushi já foi uma grande cidade, mas foi destruída na guerra. Lá era o centro da cultura azeri no Nagorno-Karabakh, portanto a sua população reduziu drasticamente. Algumas atrações como o antigo forte, igrejas e até uma mesquita valem a visita.

O apartamento do Arman é em um bloco soviético, estava meio que caindo aos pedaços, mas ele via como uma grande oportunidade. Tinha outros apartamentos e pretendia reformar para turistas. Morava com sua mulher a a pequena filha, que era um terror. Maltratou um gato da hora que chegamos até irmos embora, uma verdadeira peste! Dava pena. Ao contrario do gato, fomos bem tratados e alimentados. Um bom jantar regado a vinho era o que precisávamos para fechar o longo dia.

Jantar em Shushi

Jantar em Shushi

Vista do nosso quarto em Shushi

Vista do nosso quarto em Shushi

Mas nossas aventuras não tinham terminado. Logo cedo tentamos convencer o Armen a nos levar até Agdam. Não foi nem uma discussão longa, ele dizia Não, Não e Não. Impossível! Agdam é uma cidade fantasma, totalmente devastada e saqueada. Fica bem próxima da fronteira, na linha de combate, portanto proibida para estrangeiros. Ele alegava se nos pegassem ele poderia se complicar. Tentamos montar um plano B e falamos com um taxista. Ele aceitou nos levar, mas no inicio do caminho já começou com as regras: não pararia, não poderíamos baixar a janelas e não poderíamos tirar fotos. Regras demais para nosso gosto! Pedimos para nos deixar no patio dos transportes em Stepanakert mesmo. Lá fui negociar com o motorista do Lada mais velho que encontrei. Com certeza ele gostaria de fazer uma corrida mais longa. E eu estava certo! A comunicação não foi muito fácil, mas já ofereci um preço justo e fechamos negocio. Saindo de Stepanakert passamos por mais tanques abandonados, uma ou outra base militar e não demorou muito até nosso motorista nos avisar que estávamos em Agdam. Serio? Não tinha nada, só uns montes de pedra. Ele entrou no meio da “cidade” e existiam poucos vestígios das construções. Uma cidade de mais de 100 mil habitantes foi colocada abaixo. Saquearam as ruínas e retiraram tudo que poderia ser aproveitado em outro lugar. Sobrou pouco até mesmo do parque de diversões. Passamos por um ou outro posto de controle mas não nos pararam. A hora de maior adrenalina foi quando a nosso pedido ele nos levou até a antiga mesquita. Está destruída, mas os dois minaretes (Torres da mesquita) se mantem em pé, e podem ser visto de longe. Uma base militar fica logo atrás, portanto ele me vetou quando na empolgação pedi para descer. Eu queria escalar o minarete, mas realmente talvez não fosse uma boa ideia.

Mesquita

Mesquita de Agdam, uma das poucas construções em pé

Adgan, a cidade fantasma

Adgan, a cidade fantasma

De volta a Stepanakert, paramos novamente no monumento Papik Talik, e demos mais uma passeada pelo centro. Mais uma rápida passagem por Sushi e pegamos a estrada para a Armênia. Um zigue-zague pelas belas montanhas, novas discussões com nosso motorista radical, e chegamos no controle de imigração, onde entregamos nosso registro e fomos liberados.

Papik-

Papik-Talik, uma homenagem aos povos ancestrais das montanhas de NK

Stepanakert

Stepanakert

Stepanakert

Stepanakert

Propaganda por todos os lados

Propaganda por todos os lados

Registro

Registro

Depois de voltar para o Brasil, publiquei algumas fotos do Nagorno-Karabakh na internet. Não demorou muito para eu fazer parte de uma “lista negra”de pessoas que viajaram para lá. Oficialmente o Azerbaijão proíbe visitar a região que não controla. A fronteira que utilizamos é considerada ilegal. Seria a mesma coisa que entrar na Abecásia via Russia e a Geórgia ficasse sabendo. Uma pena, espero que não atrapalhe futuras visitas para lá, pois gostaria de conhecer o enclave Nakhchivan, que fica entre Armênia e Turquia.

Marcado

Na lista negra!

República da Transnístria!

Lenin

Lenin

Com o colapso da União soviética, a Transnístria proclamou independência da então República Socialista Soviética da Moldávia (para um maior entendimento da região, ler sobre a Bessarábia também). A própria Moldávia, apesar de ter autonomia sobre a região, só conseguiu independência da URSS mais tarde. Foi quando se estabilizou como republica e aderiu às Nações Unidas que tentou reanexar a Transnístria. Uma guerra que se estendeu por mais alguns anos. A Transnístria, de maior parte da população eslava e língua russa, não se identificava tanto com os romenos da Moldávia. Com o apoio da Rússia, venceram a guerra e conseguiram se manter De facto independentes, apesar de não ter o reconhecimento internacional de nenhum país membro da ONU.

Não lembro ao certo quando escutei a primeira vez sobre esta república, só sei que passei a sonhar com um país congelado no tempo, um pedacinho da União Soviética que tinha sobrevivido. Depois de tanto viajar este era um destino que dava o famoso frio na barriga, muitas duvidas e poucas informações sobre o lugar.

No hostel em Chisinau-Moldávia me perguntaram se eu tinha certeza que iria para lá sozinho. Um conhecido, de um clube de viagens, alertou para eu ter cuidado com os guardas na Transnístria, famosos pela corrupção. Costumo ser um pouco cético quanto aos comentários das pessoas que nunca foram para um lugar, mas tem fortes opiniões sobre o destino. Confesso que me preparei psicologicamente para o pior, deixei até um dinheiro separado em um bolso para uma ultima tentativa de liberdade caso fosse necessário.

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Brasão da Transnístria

 

Existem microonibus saindo com bastante frequência de Chisinau para Tiraspol, capital da Transnístria. A viagem é rápida e me surpreendi quando o controle de imigração foi antes do rio. Teoricamente Transnístria significa “Depois do (Rio) Dnester”, mas parece que o exército deles teve sucesso em conquistar lugares estratégicos. Um grande brasão com a foice e o martelo mostravam a entrada deste país que não existe. Na imigração, o oficial tentava me explicar em russo, que eu teria que me registrar caso ficasse mais que dez horas lá. Peguei o documento e respondi um “Sem problemas!” em português mesmo, pois percebi que ele não entendia nada de inglês. Soldados na beira da estrada e tanques camuflados protegiam a ponte que dava acesso para Tiraspol. Uma larga avenida passava por prédios alinhados, diversas propagandas em outdoors e bandeiras nas cores da Transnístria e da Rússia. Alguns monumentos e parques depois e começamos nos afastar da cidade novamente, até chegar no ponto final, em frente da velha estação de trem.

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Cartão da imigração – Valido por 10 horas sem registro

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Propaganda da independência

Estação de trem

Estação de trem

 

Logo fui em um guichê para trocar dinheiro, lá só aceitam o Rubro da Transnístria. Peguei o pequeno mapa, tentando não mostrar para ninguém, me localizei mais ou menos e parti para a caminhada. As ruas estavam desertas e uma vez ou outra passava um ônibus caindo aos pedaços. Entrei em um parque para fotografar uma igreja e ficava olhando para os lados com medo que alguém visse. Mesmo sem querer, acabei pegando a “neura” de pessoas que nunca tinham ido para lá.  Tentei me controlar, mas veio a lembrança um artigo sensacionalista que havia lido, que falava sobre a economia local ser basicamente contrabando de armas e trafico de mulheres. Duas quadras para frente, paro antes de atravessar a rua e vejo um Porsche vindo na outra direção. Me aproximando do centro noto que a quantidade de Mercedes é maior que dos antigos Lada. A cidade fica mais movimentada, não chega a ser viva, mas tem um dia a dia mais intenso. Ok, pode ter mafia-russa, afinal até uma base do exercito russo tem lá, mas com certeza as histórias da região são bastante aumentadas, e algumas viram “lendas-urbanas”. Passo por ruas com nome “Karl Marxa”, “25 de Outubro”e “Lenina”. Estatuas do Lenin também não são difíceis de serem observadas. Existe um grande culto ao passado, mas o presente não aponta nada para o comunismo.

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Banco

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Igreja ortodoxa

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Parque Kirov

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Ônibus velhos contrastando com Mercedes e Porche

Mal tinha iniciado meu tour pela região e me deparo com uma agencia dos correios. Não tive duvidas e entrei para ver se tinha algum cartão postal ou coisa do tipo. Na pior das hipóteses seria divertido explicar o que queria. E foi! Peguei fila e quando chegou a minha vez a senhora me olhou com cara de impaciente por não me entender – e eu não entender ela. Uma outra senhora sentada em uma mesa veio na minha direção e me atendeu em outro local. Conseguiu uns cartões postais e me ajudou a preencher, de forma que eles entendessem. Enviei dois cartões postais, que não tinha certeza se chegariam. Lembrei que nunca recebi os cartões que mandei do Iraque e do Turcomenistão, mas não custava tentar.

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Cartões postais no correio da Transnístria

Poucas quadras dali tinha um pequeno museu que contava a história dos conflitos da Transnístria. Poderia ser um ótimo lugar para entender a história, mas todos os documentos estavam em russo, a simpática senhora que atendia ficava me acompanhando, apontava para um lado e para outro, mas a comunicação era zero. No final rimos muito, ela me abraçou e meu deu um tapinha nas costas me mostrando o caminho da saída.

Logo me deparei com a primeira loja, depois a fábrica da Kvint, antiga produtora (1897) de destilados, orgulho nacional, presente até numa nota do Rublo da Transnístria! Mais ou menos como se a Caninha 51 fosse estampada em uma nota de Real! Estranho para nós, mas não para um país onde o primeiro presidente  (governou por 10 anos) se chamava Igor Smirnov! Brincadeiras a parte, nenhuma relação com a Smirnoff.

 

Os produtos Kvint também podem ser encontrados nos supermercados Sheriff. A estrela, simbolo do “Sheriff” é facilmente visualizada. Só não se confunda, Sheriff também é marca de posto de gasolina, de hotel e até de clube de futebol!! Por mais que criem muitas histórias sobre o lugar, da para entender da onde tiraram a “ideia” que uma mafia controla tudo em Tiraspol. O clube de futebol Sheriff tem uma arena super moderna, alem de um centro esportivo bem completo, definitivamente “padrão Fifa”.

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Estadio do Sheriff

Avenidas largas e arborizadas , muita propaganda nacional, algumas igrejas e um mercado de rua improvisado onde vendiam de tudo. Comi alguma coisa na rua mesmo e quando percebi já tinha “desencanado” bastante do lugar. Passei por mais alguns prédios soviéticos, palácio presidencial e cheguei até o cemitério dos heróis, um memorial dos mortos na guerra, com as devidas homenagens e chama eterna. Já estava fotografando tanque de guerra sem olhar (muito) para os lados.

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Catedral da Natividade vista de longe

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Senhora vendendo roupas com a estatua do General Suvorov atrás

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Palácio presidencial

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1792 – ano da vitória sobre os Otomanos

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Memorial de guerra

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Chama eterna em homenagem aos mortos

Deu tempo de me perder, andar sem destino, explorando a cidade. Aleatoriamente acabei passando na frente das embaixadas da Ossétia do Sul e da Abkhazia, países (que não existem) que reconhecem a República da Transnístria como país. Funciona quase como um clube dos excluídos, onde um apoia o outro (a República de Nagorno-Karabakh também reconhece).

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Embaixada da Abkhazia e Ossétia do Sul

Presenciei também um casamento movimentado, jovens tomando sorvete, amigos bebendo, pessoas fazendo compras, crianças brincando, um casal brigando dentre tantas cenas comum do dia a dia. Por mais que se fantasie um país que não existe como algo do outro mundo, no final das contas as pessoas acabam tendo uma vida bem normal. Cada um com seus problemas.

Eslavos do Sul

As nações da região dos Bálcãs, ficavam bem no meio da encruzilhada oriente x ocidente, sempre sob domínio de grandes impérios (ficava bem no meio do Império Austro-Húngaro e Otomano).  No final do seculo 19 começaram a ter certa autonomia, mas depois das grandes guerras que seu futuro mudou drasticamente. Após a primeira guerra mundial, conquistaram territórios dominados pelos Otomanos e formaram o Reino dos Servos, Croatas e Eslovenos, mais tarde alterado para Reino da Iugoslávia, que significava “Reino dos eslavos do sul”. Foram invadidos por Nazistas e Fascistas na segunda guerra e sua força de resistência liderada pelo Josip Tito, os Partisans, instaurou uma republica socialista após os Nazi-Fascistas serem derrotados.

A figura de Tito se mistura com a da Iugoslávia. Quando ele era vivo, o país formado por diversas nações, era unido e tinha importância no senário mundial. Lembram aquela história do mundo ser dividido entre primeiro mundo e comunistas, além do terceiro mundo que não era alinhado com ninguém? Pois é, a Iugoslávia era um dos países que lideravam o “Terceiro mundo”ou países não alinhados (mesmo sendo comunista).

Com a morte do Tito, iniciaram vários movimentos nacionalistas, e os Sérvios, centro do poder e com minorias em diversas nações foram cruéis. A Iugoslávia ainda se manteve por uma década, mas com o fim do comunismo, novas guerras sanguentas acontecerem e ela foi se despedaçando ao longo da década de 90. O líder da Sérvia Milosevic foi acusado de diversos crimes de guerra e genocídio e Belgrado foi bombardeada elos sérvios terem desafiado até a ONU. Na minha ultima viagem pela região (clique aqui) não não fomos para Sérvia. Já não tínhamos muito tempo (passagem para o Brasil comprada) e naquela época brasileiros precisavam de visto para entrar no país. Facinado pela região dos Bálcãs, quando a Bibi decidiu participar de um congresso em Viena-Áustria, não tive duvida em marcar meu voo para Belgrado, para só depois encontrar com ela.

No aeroporto de Belgrado, um taxista simpaticíssimo me levou até o Hostel. Em meio a conversas sobre Tito e a Iugoslávia, ao saber que eu era brasileiro, me mostrou um adesivo no carro  escrito “AS”. Ele tinha acabado de voltar de Ímola, onde foi prestar homenagens no aniversário da morte de Ayrton Senna. Não era um fanático por F1, era um fanático por Ayrton Senna! Não preciso nem dizer que a conversa sobre a Iugoslávia-Tito se encerraram…

Nas notícias eu lia que a Sérvia passava por uma das maiores enchentes dos últimos tempos. Quando cheguei a chuva não estava pesada e para minha sorte a previsão era de dar uma trégua. Por causa do mau tempo o hostel estava vazio. Nada mal ter um quarto só para você por 12 EUR com café da manhã!

Belgrado não é um grande centro turístico, mas é uma cidade agradável, daquelas que você vai descobrindo e vai gostando cada vez mais. É uma cidade grande, movimentada e está se reinventando. Famosa por sua vida noturna, dizem que a cidade bombardeada está “Bombando”.

Da para percorrer boa parte da cidade a pé, mas se cansar o tram 2 faz um circulo na parte mais central (compre o bilhete antes de entrar). Caminhei muito, já no primeiro dia de viagem estava com bolhas no pé. Fui conhecer a cena independente que está florescendo na cidade. O BIGZ, antigo prédio, daqueles blocos gigantes comunistas, foi invadido e hoje tem artistas, pequenos espaços para shows e até um centro cultural brasileiro. Incrível como a pratica do Squat é popular na Europa. Com paredes todas pichadas,  difícil de acreditar que atrás das portas tenham lojas, artistas, pequenos empreendedores e até jazz no terraço. O mesmo acontece atrás das portas metálicas da região de Savamala.

Grafites

Grafites

A gigantesca catedral ortodoxa de St Sava, é muito bonita por fora, mas quem quer observar os ícones ortodoxos deve passar pela St Mark’s Chunrch, pois St Sava ainda esta em obras no seu interior. Caminhando pela avenida Kneza Milosa, onde estão as embaixadas, você vai dar de cara com prédios bombardeados, que foram propositalmente deixados no meio da cidade reconstruída. Independente da terrível posição/ação da Sérvia nos conflitos com seus vizinhos, numa guerra muitos inocentes vão morrer e isto também aconteceu em Belgrado.

Catedral ortodoxa

Catedral ortodoxa

Prédios bombardeados

Prédios bombardeados

A larga avenida Kralja Milana te leva de volta para o centro histórico, Stari Grad, com a praça da república, o museu e o teatro nacional no seu limite. No calçadão Kneza Mihaila, lojas, muita gente e até uma exposição apresentando as cidades sede da Copa do Mundo no Brasil.

#vaitercopa

#vaitercopa

Mas a grande coroa de Belgrado é o parque Kalemegdan, com vista para o encontro dos rios Danúbio e Sava. O antigo forte, uma grande Cidadela, possui diversos monumentos, belos portões, torres, museus e  igrejas. Os locais gostam de passear por ali e se misturam com os turistas. Barraquinhas vendendo velharias, crianças brincando e pessoas fazendo exercício mostram que a vida diurna da cidade também é intensa.

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Clock Gate e tower

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Kalemegdan

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St Petka

Se o tempo tiver bom, vale alugar uma bicicleta ao lado da academia do tenista Djokovic, um pouco para fora do estremo norte do parque. Dá para percorrer as ciclovias até a região de Zenun. Como o tempo não estava dos melhores, resolvi ir de ônibus mesmo (ônibus 84, perto de Mc Donalds). É um alívio andar pelas calmas ruas de pedra ao redor da Millenium tower. Só não ache que vai conseguir informação fácil perguntando por este nome. Só quando falei “Gardosu”é que as pessoas na rua entendiam onde eu queria ir. Aquele clima mais de bairro, com senhoras ortodoxas com lenço na cabeça, parecia interior, mesmo estando na capital do país.

ruas de pedra

ruas de pedra em Zenun

Torre

Torre Gardosu

Construída ainda no final do seculo 19, em cima de fortificações mais antigas. A região é habitada há pelo menos 7000 anos! De cima da torre tem uma bela vista para Belgrado e os rios Sava/Danúbio. Ótimo lugar para um final de tarde.

vista

Vista para o Danúbio

Nas minhas andanças pela cidade acabei perdendo o horário e não fui no mausoléu do Tito e no Museu da Iugoslávia, que fecha as 16hs. Uma pena! (É só pegar o tram 41 em frente ao parque dos estudantes).

Gostei de Belgrado, cidade acolhedora, comida boa e barata (um Pljeskavica custa pouco mais que 1 EUR), fácil de se locomover. Pena o pessoal do Couchsurfing não ter aparecido na minha ultima noite, antes de eu pegar o ônibus para Zagreb. Achei um barzinho/restaurante bem bacana, com um jardim interno e cobertores para espantar o frio e o tempo passou voando, até a hora de  eu caminhar para a rodoviária e embarcar para meu próximo destino.

Pa-pa (até logo) Belgrado!

Pela (ex)Iugoslavia.

Lá na Bósnia! Quem já não usou esta expressão para se referir a algo que esta muito longe? Virou referencia para a faculdade que era longe, o trabalho ou o lugar que alguém morava. A gíria surgiu nos anos 90, quando teve a guerra na região.  Não tínhamos muita informação (ou não buscávamos , eram questões complicadas que poucos tentavam esclarecer ou entender. Pareciam ser coisas terríveis,  genocídio, campo de concentração (a poucos anos do seculo 21!), mas tudo parecia estar muito distante, lá na Bósnia…

Mapa da Ex-Iugoslavia

De Kotor fomos acompanhando a magnifica bahia e algum tempo depois estávamos na imigração.  O oficial da Bósnia-Herzegovina recolheu passaportes de todos e ao olhar o meu me pediu o visto. Eu falei que não precisava, e ele mandou eu o acompanhar. Já devia ser mais de meia noite, e só me faltava dar algum problema. Ele foi ate uma salinha, e me mandou esperar do lado de fora. Depois de um tempo voltou e me mandou para o ônibus.  Os passaportes foram distribuídos novamente quando chamaram o “brasila” para ajudar a identificar os dados no meu passaporte. Ufa, deu tudo certo!

Muitas curvas e dava para ver um pouco de mato no meio da escuridão da estrada. Tinham bancos sobrando e deu para se esticar para dormir. Chegamos quase de manha na rodoviária  que e longe do centro de Sarajevo. Não tivemos outra opção a não ser pegar um táxi. Uma discussão quando nos levaram num albergue onde estavam indo os noruegueses, e o lembrei de que o acordo era outro. Quando nos afastávamos do centro velho, resolvemos mudar de ideia – para desespero do motorista- e pedimos para nos deixar no centro que nos viraríamos  Muita gente deve achar loucura ir procurar lugar para ficar as seis da manha. Ok, concordo que os quinze minutos de caminhada foram perrengue, mas se vissem o quarto que achamos (sorte ou faro?) qualquer um ia querer trocar seu hotel ou albergue por ele!! Muito show, uma casa antiga 4 quadras do centrinho, quarto gigante, tudo limpo, muito bacana.

Ja na nossa chegada nos encantamos por Sarajevo. Que cidade bonita, que estilo (mistura de prédios Otomanos e Austro-Hungaros só podia sair algo único!). Difícil imaginar que 15 anos atrás estava em ruínas. A guerra foi feia por aqui, e a cidade ficou sob estado de sitio por quase 3 anos. Um gigantesco túnel foi cavado para que alimento e água pudesse chegar a cidade, pessoas saíssem e soldados se movimentarem. Muita coisa já foi reconstruída, mas os buracos de bala em muitos prédios mostram que as feridas dentro das pessoas ainda estão abertas, muito abertas.

Podem reconstruir, mas marcas vão ficar…

Sarajevo já foi chamada de Jerusalém da Europa, por ter as três religiões monoteístas bem representadas ali. Cristãos Ortodoxos e Católicos, Muçulmanos e Judeus. Os Judeus foram acolhidos quando esta região ainda fazia parte do Império Otomano, e haviam sido expulsos dos reinados cristãos de Portugal e Espanha. Viveram pacificamente com as outras crenças ate a segunda guerra mundial, quando fascistas croatas passaram a persegui-los, e com o domínio da Alemanha tudo se desandou, e vocês sabem a triste historia. Hoje existe uma pequena comunidade judaica, mas muito reduzida considerando o tamanho que já foi. Andamos pelo antigo bairro judeu, sinagogas, que ficam quase ao lado das Igrejas e Mesquitas. Alias as mesquitas são a maioria, e os minaretes dão todo um charme para o lugar. O centro velho e formado por calçadões, lotados de cafés, restaurantes e lojas. Em muitas paredes a foto do Tito, ex-líder da Iugoslávia, era exposta com orgulho e saudosismo, mostrando que assim como nos outros países da região, ele e muito querido. A continuação da Ferhadija, um dos principais calçadões, e a Tita, onde já iniciam as lojas e cafés mais moderninhos. Tava muito movimentado, cheio de turista (até demais), cidade muito viva. Mas algumas cenas nos chocavam. Num entardecer vimos algo refletir no topo das colinas verdes ao redor da cidade, e ao repararmos melhor, eram varias criptas! Tudo virou cemitério. Qualquer metro quadrado serviu para enterrar alguém. No centro, em uma praça publica, crianças jogavam bola entre as tumbas. Inacreditável!  Incompreensível!!

Cristãos

Judeus

Muçulmanos

Que a nova geração seja mais tolerante!

Sarajevo sempre foi uma cidade pobre, estava tentando se erguer, inclusive com os jogos olímpicos de inverno de ’84, mas ai tudo se desandou de vez nos anos 90. Agora, finalmente parece ter achado seu caminho, mas as marcas continuam. Estávamos ali no primeiro dia de Ramadam. Fomos a uma mesquita no anoitecer, para ver o final do jejum diário, e acabamos ganhando doces também. ( A Bibi escreveu um artigo muito legal sobre o Islamismo.  http://tambemsai.wordpress.com/2010/07/10/compreendendo-o-islamismo/ )

Todos estes povos que lutaram na guerra civil, Bósnios-sérvios (cristãos ortodoxos); Bósnios-Croatas (cristãos católicos) e Bósnios-Muçulmanos são da mesma “raca”, os Eslavos. Portanto esta historia de limpeza étnica quando os sérvios mataram os muçulmanos e a maior balela! Foi uma guerra ou politica ou religiosa, com cristãos massacrando muçulmanos em plenos anos 90, inclusive com campos de concentração!  Se um louco muçulmano mata gente por algum motivo e por causa da religião,  mas se e um cristão, sempre tem que inventar outro motivo. Não estou defendendo que todas são guerras religiosas, muito pelo contrario, mas não se pode usar dois pesos e duas medidas. Porque todos lamentam só o 11 de setembro e não o que aconteceu na Bósnia?

A Bósnia respira conflitos, e foi ali que se iniciou a primeira guerra mundial, apos o assassinato do Franz Ferdinand (não a banda!) herdeiro do império Austro-Húngaro, a guerra foi declarada contra a Servia e a partir dai as alianças da WWI foram se formando. No exato local do disparo fizeram um pequeno museu a respeito da época Austro-Hungara de Sarajevo. Caminhamos bastante pela cidade, que e relativamente pequena. A rotina de sorvete e o prato tipico que parece um pão com linguiça e cebola estava incorporada ao nosso dia a dia.

Nosso próximo destino ficava na parte Herzegovina do pais. Fomos de trem, pelas belas e muito verdes montanhas. O trem e cedo, mas vale o esfôrço de sair da cama ao amanhecer. São curvas e tuneis intermináveis  numa super paisagem ate chegar em Mostar. A cidade ficou famosa por uma bonita ponte, que foi destruída nos conflitos, dividindo a cidade entre Bósnios-Croatas e Bósnios-Muçulmanos (eles lutaram lado a lado no inicio da guerra contra os Bósnios-Sérvios, mas depois acabaram guerreando entre si). Cada um para um lado da cidade. Se por acaso estivesse do lado errado, azar o teu, ficaria assim por anos, ate o conflito acabar. A cidade foi posta ao chão, mas assim como a ponte, foi reconstruída. O turismo (a proximidade com a Croácia facilita) tem trazido dinheiro para a região, mas o assunto da guerra ainda e um tabu. Novamente obtivemos poucas respostas para nossas perguntas.

Cidade e bem pequena, com um bairro antigo legal, mas muitas lojinhas e muita gente. O calor tava grande e fomos tomar banho de rio (que e gelado!) bem próximo a ponte histórica. Ha, não preciso nem falar que conseguimos uma casa super legal, né?! Caminhamos só mais pelo final de tarde, quando o sol já estava mais fraco. Apesar da altura, alguns locais pulam da ponte em troco de algumas moedas. Jantamos de frente para o rio, tentando entender muita coisa que aconteceu ali, mas como nos falaram, só quem estava ali para saber, pois por mais detalhes que se tenha, e impossível de imaginar.

A destruição da ponte na foi só física, mas simbólica. Que a reconstrução também seja!

Mostar

Nosso ônibus era de Mostar para Split-Croácia, mas parou uma hora em Medugorje, um pouco mais ao sul. Cidade de grande peregrinação cristã, pois supostamente Nossa Senhora apareceu para algumas crianças ali nos anos 80. Assim como nas cidades de Lourdes e Fátima, a Igreja Católica ainda não confirma a aparição. Os fieis só aumentaram com a guerra, pois mesmo estando na área de conflito, a região foi surpreendentemente muito pouco afetada.

Na fronteira com a Croácia foi rapidinho e logo estávamos passando por lagos no meio de montanhas ate chegar no famoso litoral croata. A estrada ia beirando o mar, num relevo todo recortado ate chegarmos a Split. Rodoviária, estação de trem e porto são todos juntos. Desistimos de passar a noite ali ao ver o calor, a muvuca e os preços não muito amigáveis. Tinha alguns nomes de ilhas, mas o planejamento final ainda estava para ser feito.

A Croácia e a sensação do verão europeu. Escutamos de varias pessoas que a Grécia e coisa do seculo passado, que já faz 10 anos que todo mundo só quer vir para a Croácia (imaginem com a crise e os protestos atuais da Grécia). Deu para perceber, tava tudo lotado, ferry cheios (principalmente italianos), cartazes de festas. O barco que passa em diversas ilhas durante uma semana estava descartado. Queríamos achar um lugar sossegado, então foi fácil descobrir as ilhas que não iriamos – as das festas e Djs. Algumas horas navegando entre as ilha croatas, já anoitecia quando chegamos a Korcula. Tínhamos ouvido falar bem da ilha, mas ainda não tinha a paz que buscávamos. Tinham me recomendado duas ilhas mais afastadas, bem para dentro do Mar Adriático. O mesmo barco estava indo para uma delas, Lastovo (a outra era Bisevo), e ao confirmarmos as informações sobre a ilha com um jovem casal italiano, seguimos viagem. O tempo passou rápido pois fomos conversando com o casal, que ate tentou arranjar uma casa com a pessoa que tinha alugado para eles. Não deu certo, mas na frente do porto tinha um centro de informação, que com um telefonema arranjou um apartamento de frente para o mar, e com um precinho especial! Trocamos contatos com os italianos e depois de jantar, fomos dormir sem colocar despertador para o dia seguinte!

Nos surpreendemos ainda mais no dia seguinte, quando pudemos desfrutar da vista do lugar! Fantástico! Na frente da onde estávamos não tinha praia, só uma “lage” com as pedras e aquele mar azul. Aproveitamos bastante ali, e não tínhamos horário para nada. Um dia fui caminhar para uma vila ali perto, onde já tinha um movimento um pouco maior, mas que mesmo assim se restringia a umas casas, um hotel e uma duzia de barcos. Um final de tarde incrível, e com o sol se pondo na frente da nossa janela. Caminhamos também para o outro lado, onde tem uma enseada calma, no final de uma pequena trilha. Encontramos com os italianos para um happy hour com o sol se pondo e combinamos de passear um dia. Fomos no ponto mais alto da ilha, com vista para toda a região e ilhas. Passamos por enseadas tao fechadas que ate pareciam lagos. Todas elas tem pelo menos um barco a velas. Íamos parando e mergulhando, gastando mais tempo nas que gostávamos mais. A noite resolvemos fazer um peixe na grelha e camarão com macarrão e a festa foi ate tarde. Estávamos de ferias, e nossa maior preocupação do dia a dia era ir ate o mercado para comprar alguma coisa para comer. O tempo ia passando devagar, cada dia íamos para uma praia diferente, mergulhávamos das pedras, caminhávamos e o tempo foi passando. Nos despedimos dos nossos amigos italianos, e nos incomodávamos com o fato de que a viagem estava no final. Algumas vezes quando caminhava vinha o filme da viagem na cabeça, e pensava, “porque voltar”?! Conversamos um pouco sobre o assunto também. Por mais que tentássemos curtir o presente, a proximidade da data nos atrapalhava.

Vista do quarto, da varanda ainda tinha outra!

Ok, acho que deu para ter uma ideia da “nossa” ilha..!

Bibi com barquinho que alugamos!! hehe

Ficamos muito contentes com a nossa ilha. Era bem o que buscávamos. Alugamos uma scooter e percorremos as poucas estradas que existem lá. Bahias e lagoas azuis, muitas delas desertas. O que é a paisagem da Croácia…

Nossa ida para Dubrovnik não foi tao simples como imaginávamos, pois não tinha ferry direto para la. Tivemos que ir para Vela Luka, esperar os poucos ônibus e muitas curvas ate Korcula, atravessar de ferry até Orebic e seguir pela península, e bonita costa toda recortada ate Dubrovnik. Mesmo a viagem não sendo curta, o corredor do ônibus estava lotado de pessoas viajando a pé. Na rodoviária tinham varias pessoas oferecendo quartos, mas logo vimos que muitos deles eram bem afastados. Conseguimos um num casarão antigo, muito gostoso e com o quarto todo reformado. Estrategicamente entre a cidade velha e o ferry que pegaríamos para ir para a Itália. Temos visto muitas cidades velhas, mas Dubrovnik e muito linda! Murada, na beira do mar, realmente impressionante. Ainda tivemos a sorte de ser lua cheia na segunda noite que fomos la. Andamos pelas ruazinhas meio que sem direção, tomamos sorvetes para aliviar o calor e curtimos uma musica ao vivo. O lugar tava cheio de gente, mas lotado mesmo. Tava tendo um festival de verão, com atrações, musica e programações diferentes. Fomos numa exposição fotográfica chamada War Photo Limited  (  http://www.warphotoltd.com/ ), que achávamos ser sobre a guerra dos Balcãs. Na verdade também era, tinha uma cobertura super boa sobre os tristes eventos da região (Servia X Bósnia e Croácia, MacedôniaXAlbania…), mas era ainda mais completa. Tinham bonitas e horríveis fotos sobre Paquistão, Afeganistão, Iraque, Líbano X Israel, Palestina X Israel, Sudão, Serra Leoa, Uganda (e outros lugares com crianças soldados), Maoistas da Índia, tudo com as informações dos pontos de vista dos fotojornalistas que acompanharam estes eventos. Muito impressionante e chocante.

Lua cheia em Dubrovnik

Mais alguns cafés, cervejas e restaurantes e estávamos nos despedindo de Dubrovnik. Embarcamos no ferry para Bari, na Itália, e a oficial da imigração fez até piada com o passaporte da Bibi, que já ta com todas as folhas lotadas (eu fiz um novo na Malásia), e tem que procurar lugar para estampar. Ficamos no deck, alem de mais barato, as cabines já estavam lotadas mesmo. A Bibi capotou no chão, entre um banco e uma mesa, só com um cobertor e lençol, e eu tive que acorda-la na hora que chegamos. O que um bom tempo de viagem não faz!!!haha. Eu acordei um pouco antes, com o nascer do sol, e fiquei tomando um cafe e olhando nossa lenta aproximação até a Itália!!

Confortável!