Videos da viagem – Africa e Peninsula Arabica

Pois e, os videos de viagem ficaram prontos, e alguns amigos puderam ver a pre estreia!rs

Gostamos da recepcao, e como falamos, acredito que junto com o blog, fotos e conversas, o video ajuda a entender a viagem. O video foi postado justamente no dia em que voltamos da nossa primeira viagem depois de chegar ao Brasil. Voces nao imaginam a saudades que da ao vermos estas imagens…

 

 

O primo rico

O Omã era muito poderoso, muitas das batalhas que houveram na Africa dos Árabes com os Portugueses eram eles. O Sultão dominava ate Zanzibar, e foram muito ativos no trafego de escravos. Hoje e um pais muito rico, devido ao petróleo e ao gás. O Omã e um Sultanato, e o Sultão manda em tudo. Apesar de grandes riquezas, não existe uma divisão de dinheiro com a população, que os deixa descontentes (Outros países pagam “mesadas”para seus cidadãos).

Ainda no Iêmen, voamos da Ilha Socotra para Mukalla. O aeroporto e bem afastado da cidade, e pistas modernas mostravam que nada de muito antigo por aqui. A cidade e cortada por um canal, e tem um morro bem no meio. Totalmente diferente de Sanaa, desde o clima, que e bem mais quente, ate todo o estilo, que e mais moderno. Fomos direto numa cia de ônibus, para comprar a passagem para o dia seguinte. Chegamos la e só tinha três ônibus por semana. Não tínhamos tempo para esperar. tinha um ônibus que ia ate outra cidade, a poucas horas da fronteira que saia naquela noite. Parecia perfeito, mas só tinha um lugar e não estavam aceitando nossa autorização da policia de Sanaa, tinha que ter carimbo da policia de Mukalla. Segundo eles, só abriria as 8 da manha do dia seguinte. Falaram de outra cia e fomos tentar. Tinha lugar, e comentaram que a policia tinha um plantão 24 hs. Fomos la e rapidinho conseguimos a autorização. Deu tempo para tomar um sorvete em uma sorveteria dividida em área para homens, mulheres e famílias. Notei que todos os lugares que estávamos indo eram só para homem, por isto não tinha divisão. Estrada muito boa, beirando a costa. Viajamos a noite toda e de manha chegamos em Al-Gaydah (nome sugestivo). Uma batalha para se fazer entender. Parecia que não tinha transporte ate a fronteira, e não tínhamos como contratar um só para nos. Fomos ate um hotel, para tomar um cafe e encontrar alguém que falasse inglês. Conversa com um, com outro e descobrimos uma van de Sauditas que sairia dali a pouco. A van chegou, cheia de pessoas vestidas com trajes típicos, parecia que seria tenso. Não demorou 5 min e tava todo mundo cantando, batendo palmas, super divertido. Já a algum tempo tinha deixado de ser plano e passávamos por montanhas e tuneis, mas agora viajávamos na beira do desfiladeiro, e não tinha como não comparar com a paisagem da Califórnia 1. Asfalto perfeito, e placas indicando lugares para banho, crianças, tartarugas, mergulho. Muuito estranho. No meio do nada, lugar que nunca recebe ninguém, nem locais, mas a estrutura ta pronta. Visual muito bonito ate a fronteira. Chegando no pequeno posto de imigração, peguei meu visto mas queriam que eu pagasse com a moeda local. Comentei que não tinha nem entrado no pais, mas que tinha USD. Ele aceitou mas não tinha troco. O motorista acabou pagando e acertei com ele depois.

Mukalla

Mukalla

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Vista da estrada

Em Omã a paisagem de montanhas continuava, agora ate mais altas, chegando ate a ter alguma vegetação. Perto de 3 hs depois estávamos passando pelas famosas praias de Salalah. Esta região fica cheia na época das monções. A região fica mais fria, verde nas montanhas, e um verdadeiro oásis. Os Sauditas vem aos montes, assim como o pessoal da capital, Muscat. Salalah e estranha, espalhada, com construções e quadras desorganizadas. Foi nosso primeiro contato com Omã, e deu para ver que os preços eram estilo europeus, se não mais caros. Um Rial vale 2,5 USD. Para poder circular dinheiro de menos valor, não dividem o Rial em centavos, e sim em Mil!! Tivemos boa parte da manha e toda a tarde para conhecer o lugar, mas como não era época de monções, decidimos pegar um ônibus já no dia seguinte para Muscat. Jardins, postes, praças, monumentos e imponentes Mesquitas mostravam que o dinheiro tava sobrando por aqui…

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Salalah

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Mesquita em Salalah

A Viagem ate Muscat, depois que se afasta de Salalah, e monótona, deserto de areia dos dois lados, KM e mais KM sem alterar. Deu para adiantar bastante o novo livro que estou lendo, What is the What (historia da trajetória de um refugiado do Sudão ate o Exílio na Etiópia, Quênia e EUA). Um bom tempo depois, já perto de Muscat, iniciavam as autopistas, cheias de anéis rodoviários, tudo com velocidade de 120 km/h permitida, mesmo perto da cidade. Jardins, praças, e tudo mais instalados e sendo implementados. Logo apareceram Mc, Pizza Hut, papa Jones, Hardees, Star B, Subway Burger K, e tudo mais que tinha direito. Passamos ao lado da grande mesquita, onde esta o maior tapete sem emendas do mundo (adoro estas manias de grandeza…hehe). Chegamos no centrão, parte comercial. Tudo novo, não ocidental, mas sem estilo. Vimos que nenhumas das solicitações de couchsurfing tinham sido atendidas., então saímos em busca de hotéis. Não foi fácil, mesmo os mais simples (que aqui tem ate ar condicionado) estavam fora do nosso orçamento. Um pouco mais afastado achamos um que poderia ser uma opção, mas decidimos comer algo e checar o Couchsurfing de novo. Estávamos sentados na rua e acabamos conversando com um Paquistanês (ta cheio de indiano, paquistanês e filipino) que deu dica de 3 hotéis baratos perto da marina. Fomos para la e os hotéis não eram mais barato que o que tínhamos achado, mas a região bem mais simpática, entre morros com fortes antigos, e perto do mercado tradicional de Muscat. Tudo reformado, com cara de novo e iluminação colorida. Muito artificial para o meu gosto, faltava um pouco de vida, mas tinha que reconhecer que a região era muuito melhor para ficar.

Disfarcado...hehe

Dia seguinte cedo fui fazer a barba, que não cortava desde Nairóbi. Enquanto isto o Guru entrou em contato com um Couchsurfer que foi nos buscar e nos levou para cima e para baixo. Conhecemos o que restou da cidade velha, um dos palácios do Sultão, algumas praias e fomos almoçar num restaurante indiano. Ele e indiano mas mora aqui já faz mais de 15 anos. Fomos ate a casa do Suresh para conhecer a família e ficamos conversando um tempo. Ele tem uma boa condição de vida e viaja com bastante frequência, tinha se cadastrado no CS uma semana atras. Fomos para uma praia mais Up Market e paramos no Star B. caffe. Tinha perguntado sobre vilas de pescadores, algum lugar charmoso. Ele me levou numa “vila” onde 90% das casas são novas, com bons carros na garagem. Ser pescador aqui e fácil… Teve um ciclone a alguns anos atras e o governo construiu novas casas para todos os afetados, e não e coab não!! Ainda visitamos o mercado tradicional, que fora na época do final do Ramadan, e bem pra turista, e tomamos um suco no calcadão.

Noite em Muscat

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Roupas de Praia

Parece que ele gostou de ajudar agente, e arrumou um funcionário para nos buscar cedo para nos levar ate a área das embaixadas, pois o Guru tinha que buscar uns vistos. Neste meio tempo outro CS respondeu nossa mensagem e combinamos de nos encontrar. Desta vez era um Omani mesmo, que veio no seu mais tradicional traje tipico. Começamos a conversar e ele adorou nossas historias, na verdade nos achou uns malucos. Ligou para outro amigo dele, bem gente boa, que viaja bastante. Acabamos fazendo outro tour com eles, visitando nascentes de água quente que são canalizadas para banhos públicos, comendo o nosso “espetinho de gato” que e comida tipica por aqui, indo nos bares com musica onde os árabes enchem a cara sem ninguém reclamar, alem de monumentos e outras atrações mais previsíveis. Os dois são umas figuras, e tao fazendo aula de Salsa, só pra interagir com a mulherada. Haha Não adianta, no mundo inteiro e a mesma coisa, as mulheres vão dançar porque gostam e os homens por causa delas…

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Mais CSfers

Neste meio tempo passei num escritório da Emirates, para comprar passagem para Malasia, via Dubai, desta forma pegaria o mesmo voo que a Bibi. Eles comentaram que se a espera para conexão fosse maior que 8 horas, eu teria direito a transporte, refeição, hotel e eles providenciariam o visto. Que beleza. Na verdade nunca tive interesse em conhecer Dubai, mas “de graça ate ônibus errado…”

Minhas pesquisas na internet apontavam preços mais baixos que na “loja”. Ao questionar porque, falaram que deveria ser pela taxa de administração, e que na internet eles sempre tinham promoções. O preço estava bom, e comprei pela net. Chegaria em Dubai as 5:50 da manha e o voo para Malasia seria as 3:10 da madruga do dia seguinte. Fui num voo vazio para Dubai. Nem me preocupei quando não tinham o tal Voucher no chek in, pois falaram que tinha um guichê especifico la na chegada.

Paraíso desconhecido

Socotra e uma ilha que geograficamente, ou “tecnicamente”,  está na África, pois esta perto da Somália (250 km), mas politicamente pertence a Asia, ou oriente médio  pois pertence ao Iêmen. Separada e isolada do resto do mundo a milhões de anos, possui uma paisagem unica, alem de uma grande quantidade de especies endêmicas. Já foi chamada de Galápagos do Oriente, mas eu odeio comparações. Patrimônio da Unesco, mas pouco conhecida e visitada. Ainda bem…

Cuidado para nao se perder...

Saímos de Sanaa de madrugada, pois o voo era as 6 da manhã. Tava ate um friozinho. Nada comparado com Curitiba, mas para a região e frio. Sanaa esta no alto das montanhas, então a temperatura aqui e amena. Pegamos o voo com rápida escala em Al-Mukalla.   Depois de mais uma hora de voo estávamos sobrevoando a Ilha de Socotra, com varias montanhas, e aquela água azul transparente (oceano indico e f…).

To chegando

Não existe transporte publico na ilha, e de carona da para ir só para uma ou outra vila. Tínhamos alugado um carro com motorista ja de Sanaa para otimizar o nosso tempo. Ao lado da pista de pouso vários canhões e tanques apontando para o mar. Fiquei pensando quem invadiria aqui. Fomos para a “capital” Hadubo, que não fica muito longe dali. No trajeto ja deu para ver que as estradas eram muito boas, e a costa de tirar o folego. A cidade decepcionou. Super sem graça  não vale a pena perder tempo lá. Passamos rápido para comprar frutas e água e pegamos estrada. Como tava muito quente não demorou muito para fazermos a primeira parada, para dar um merecido mergulho na praia de Deleatia. Ficamos um tempo la, e só saímos quando estávamos satisfeitos. Nada de relógio por aqui…

Primeiro mergulho

Mais um pouco de estradas bem conservadas e tivemos que pegar uma trilha montanha acima, só possível com 4×4. Buraqueira, chacoalha, e a paisagem de montanha começou a aparecer, assim como uma bela vista. Vimos as primeiras Arvores “Dragon Blood”, tipicas da região. Elas tem este nome pois sua resina e vermelha. Esta e uma das especies que só é encontrada em Socotra.

SOCOTRA!!!!

Chegamos num “camping” super simples, praticamente sem estrutura. Sentamos em esteras na sombra para fazermos nossa primeira refeição  Eu que esperava um peixe, ou uma comida tipica fui surpreendido por arroz, feijão (enlatado) e Atum. Pra piorar não era aquele precinho camarada de Sanaa (1 USD por refeição). Pelo menos a quantidade era boa…hehe

Demos uma descansada e saímos para caminhar. Sabíamos que não tínhamos tempo para fazer uma trilha mais longa, e resolvemos seguir o vale, pois não teríamos dificuldade de achar o caminho de volta. Formações rochosas muito interessantes, e mais arvores diferentes. Muitas ” Desert roses”, infelizmente não floridas. Arvores “gordinhas” que lembram uma Baobab. Alguns poços com água  e um pequeno riacho, que a certa altura formou uma especie de Oasis, com palmeiras e vegetação mais densa. Logo chegamos a uma super paisagem. Um paredão de pedra, o final do canion, e aquela vista para a praia, la em baixo. Olhando para trás era montanha para todos os lados. Eu e o Guru sentamos separados. Ficamos um bom tempo em silencio, só contemplando a paisagem, e agradecendo a Deus por estar ali. O tempo foi passando, e nem eu nem ele nos mexíamos  Só resolvemos voltar quando já estava bem escuro, já com estrelas brilhando. Voltamos com calma, devagar pelo vale, tentando achar o caminho de volta, que não foi muito difícil. No nosso acampamento tinha uma Tcheca e um Alemão. Ela trabalha na ONU em Sanna, e ele veio visita-la. Ficamos conversando, tomando chá sob aquele céu estrelado, onde a Via Lactea estava tão visível que parecia que ia cair em cima da gente. Ela contou da burocracia que e trabalhar no Yemen, e de todas as dificuldades que tem para desenvolver projetos. Contou que todo dia usa burca. No inicio tentou não usar, mas recebia muitos olhares quando tava sozinha, muitas vezes faziam comentários em árabe  e chegaram até a jogar pedras numa região mais isolada. Mais fácil se adequar a cultura local.

Encosta

Ao lado do camping

Da para perder um tempo aqui ou nao?

Dormimos cedo, pois sem luz não tem como prolongar muito. Tava sentindo falta de acampar, ainda mais com um super visual daqueles. De noite ficou estranhamente úmido, e o orvalho cobriu a barraca. Qualquer coisa encostada na lona ficou bem molhada. De manhã tem que acordar com o sol, que e bem cedo. Mais um longo chá   boas conversas e arrumamos as coisas. A mochila foi com o carro, que nos encontraria la em baixo, perto da praia Wadi Shifa, no final da trilha pelo vale.

Desert Rose, pena nao estar florida

Fomos caminhando devagar, sem pressa nenhuma, parando curtindo o lugar. Quando começou a descida brusca tínhamos que achar o melhor caminho, e já no plano estávamos espremidos entre cercas e o rio. Tentávamos acompanhar o pequeno rio pelas laterais, mas muitas vezes as cercas e palmeiras não deixavam. Íamos pulando pelas pedras, dando um jeito. Caminhada muito boa, e quando estávamos chegando muitas crianças saíram correndo, fugindo de nós. Resmungamos algumas poucas palavras em árabe  provavelmente pronunciadas todas errado e elas começaram a aparecer de novo, falando Bye, bye…

Caminhada

Queríamos mergulhar ali na frente, mas o motorista falou que não nos arrependeríamos de esperar. Foi difícil, vendo aquele mar do nosso lado, água transparente com golfinhos a uns 30 metros da praia. La chegamos em Dehameri, praia inteira so para nos. Tinham “barracas de praia” com almofadas e esteiras, que fizeram a gente abandonar as barracas tradicionais para ficar ali. Fomos mergulhar e felizmente a água estava refrescante. Fizemos snorkling  ali perto, e surpreendeu muito. Muitas especies de corais, peixes de todos os tamanhos e cores, gigantescos cardumes apareciam de vez em quando e uma arraia de mais de um metro de diâmetro parou bem perto de onde eu estava. Boa visibilidade, melhor que muito scubadiving. Final de tarde os morros vermelhos logo a frente iam mudando de cor, e a brisa refrescava o calor que tava. Subi no morro e fiquei ate escurecer novamente, só curtindo o lugar.

Praia de Dehameri

Vista

Vista lateral do meu "quarto"

Voltando comemos arroz, molho de batata e 2 peixes beem servidos. Como o Guru e vegetariano ficou tudo para mim. Com o lampião deu para ler um pouco antes de dormir, e as estrelas iluminavam as frestas do teto de palha. O dia começa cedo, e por isto passa devagar, ainda bem. Deu para caminhar, mergulhar, curtir o lugar o quanto quisemos até partir. Desta vez rodamos um pouco mais, quase sempre pelo bom asfalto. Fomos até Diksen, outro canion, muito bonito. Como tivemos problemas com as datas dos voos, nao pudemos fazer caminhadas ali, mas ficamos um bom tempo curtindo o lugar. Mais estrada, desta vez sobe e desce pelas montanhas e beirando a praia, ate chegar no vilarejo de Galancia. As vilas aqui não tem muito charme, amontoados de pedra, tudo seco, desértico  Passamos por mais canhões e tanques antigos perto da praia, ate chegar no topo de um morro, com vista para duas praias. De um lado uma com um paredão, uma lagoa natural transparente feita pela maré, e um mar espetacular. Praia deserta, que pegaríamos um caminho contornando uns morros para chegar. A praia de Ditwah é espetacular, fantástica, e novamente so para nós. Aqueles lugares que você não sabe o que faz primeiro, tipo criança perdida no meio dos brinquedos que acabou de ganhar no natal.

Canion

Uma das praias de Galancia

Tanques antigos

O lugar mais obvio para o primeiro mergulho era na lagoa, ali na nossa frente. O problema e que andávamos e não ficava fundo, no máximo meio metro. Vi uma arraia, outra, de repente tava contando mais de 10. Num certo momento tinham perto de 20, 5o em volta da gente. Ficamos bem mais cautelosos para andar, para não pisar no ferrão de uma delas. Sorte que a água era transparente. Uma pequena faixa de areia e estávamos no mar. Para mergulhar tínhamos que praticamente desviar das centenas de siris de areia que tinham. Eles constroem tantos tuneis que o pé vai afundando na areia a medida que se anda. A vista do mar não era menos impressionante, com tantas montanhas, lagoa, dunas…

Esta praia e minha!!

Em protesto a extorsão no preço da comida fomos até a vila para comer. Achamos um pequeno restaurante, único lugar aberto, onde passava um filme indiano antigo e tinha uma boa audiência  Comemos, tentamos interagir apesar da dificuldade da língua e demos muita risada. De volta a praia dormimos nas almofadas, dispensando as barracas  novamente.

De manhã não recebemos chá, que sempre é oferecido com bastante frequência, acho que não gostaram que não jantamos ali. Consegui pegar água quente, e sempre carrego chá e cafe, então tava tudo bem. Mais caminhadas, banho de mar, tudo beeem devagar, curtindo o lugar, e parecia que sobrava tempo. Que lugar!!

Lado Sul

Lado Norte

Nem vou colocar todas as praias, mas olha a agua.

Só tínhamos que nos preocupar com o voo que era as 16 hs. Indo para o aeroporto, demos carona para algumas pessoas. Um senhor já de idade, que acompanhou nosso motorista na parada para rezar, e um estudante, que tentava falar inglês mas só entendiamos algumas palavras soltas.

O voo atrasou um pouco, e acabamos conhecendo um funcionário do aeroporto que vinha dar as noticias para nos. Tivemos longas discussoes se vinho era ou não prejudicial para a saúde e porque os muçulmanos podiam mascar Qat (na Arabia Saudita é proibido)  e não podem tomar vinho. Bem gente boa.

Socotra e daqueles lugares mágicos, únicos. Fora as boas estradas não tem nenhuma estrutura para turismo. Existem poucos simples hotéis em Hadubo, mas nem uma pousada, por mais simples que seja nas áreas de interesse. Talvez Socotra não seja para todo mundo, mas foi feita sob medida para mim!

O tempo parou?

Como tudo conspirava para não pegarmos o barco não o pegamos. As noticias mostravam que os protestos pela separação do sul do Iêmen se intensificavam com a proximidade do dia da independência (antes eram 2 países  que se unificaram em 1990). Chegou a ter ate alguns atos de violência  O tempo mudou bruscamente, e chegou a chover um pouco, mas o grande problema era o vento. Passar 14 hs num barco com mais de 300 vacas com tempo ruim não parecia muito agradável  isto se o barco saísse.  Não podíamos esperar mais, tínhamos que acabar com o “Groundhog Day” (filme dia da marmota, onde todo dia acontece a mesma coisa), então pegamos um avião de Djibuti para Sanaa.

Desde a primeira vez que tinha visto uma foto da Old Sanaa, sabia que um dia iria para la. De repente estava eu chegando na capital do Iêmen. Sobrevoando me pareceu bem mais moderna que esperava,  afinal se trata do mais pobre dos países árabes. No aeroporto já tivemos o primeiro choque cultural, quando vimos que todos usavam seus turbantes e grandes facas na cintura. Por outro lado, no estacionamento tinham bons carros, e uma impecável avenida de 4 pistas que nos levou ate a parte velha da cidade. Saímos da pista que havia ficado abaixo do nível da cidade para entrar num dos acessos da cidade velha. Fomos andando por ruas estreitas ate que o taxista falou que o carro não passava mais. Fomos a pé, andando entre aquelas construções  com uma meia luz, muito show. Fomos num hotel indicado mas resolvemos olhar outros ao lado. Os preços não eram dos melhores, mas como já era tarde resolvemos ficar num deles. Hotel antigo, numa construção antiquérrima, mas cheia de estilo. Portas de um metro e meio e pé direito do quarto de uns três metros e meio. Vitrais em todos os quartos. Muito bacana.

Predio em Old Sanaa

Dia seguinte tomamos café cedo e partimos para explorar Old Sanaa. Muito bom andar sem destino, só seguindo pelas ruelas. As construções a primeira vista parecem todas iguais, o que torna fácil de se perder. Que bom! E a melhor forma de conhecer um lugar. Tínhamos combinado de fazer o check out as duas, então voltamos correndo para o hotel, pegamos nossas mochilas, e caminhamos ate Tahrir, no inicio da cidade nova. Aqui, diferente da maioria dos lugares, a parte nova da cidade e mais barata. Não demoramos para achar um hotel bacana muito barato. Fomos na região das embaixadas pois o Guru precisa de visto para entrar em Omã, nosso provável próximo destino. Brasileiros só carimbam na fronteira, mas foi bom para confirmar a informação  Legal passear na parte mais nova da cidade. Mesmo não sendo a minha preferida, faz parte da cultura local. Mesmo os táxis sendo muito baratos, resolvemos pegar micro-ônibus  só pela diversão.  Teríamos que fazer conexão e tudo, e ninguém falava inglês  muito menos nos falávamos árabe. Foi muito divertido! Legal de ver a hospitalidade das pessoas. Mesmo sem falar uma palavra em inglês vinham nos ajudar, se empenhavam. Nossa ideia rendeu boas risadas, tanto nossas quanto deles. Voltamos para a parte velha da cidade para curtir o final de tarde na região de um grande mercado. Muito show!

Detalhes

Nosso primeiro dia foi tao corrido que nem deu tempo de ir na policia nos registrar. Então no outro dia foi a primeira coisa que fizemos. Só o visto não adianta, tem que ir la, deixar copias do passaporte e visto, alem do endereço do hotel. Burocrático mais simples. Voltamos para as embaixadas e o Guro conseguiu convencer em receber o visto na hora e não em 2 semanas como estava propondo. Na embaixada do Iram foram muito atenciosos. Ele solicitou visto aqui e vai retirar em Muscat, capital de Omã. Brasileiro novamente não precisa.

Traje tipico

Devido a não frequência de ônibus e burocracia da policia, resolvemos alugar um carro com motorista para conhecer os arredores de Sanaa. Para isto visitamos varias agencias e negociamos bastante. Acabamos acertando com a agencia recomendada pelo embaixador do Brasil na Etiópia  que entendeu nosso “estilo” de viagem e nos deu vários descontos. No topo do hotel que ficava a agencia tinha um terraço com uma super vista. Tomamos um cafe e ficamos curtindo as chamadas das mesquitas que parecia uma sinfonia. Andamos para o outro lado da Old Sanaa até o portão principal. Subimos num local e ficamos vendo a movimentação do pessoal, alem das rodas de pessoas mascando Khat. Todos se vestem igual aqui. “Saia”, que e uma canga, lenço/turbante e cinto com faca. Para ver se alguém e mais rico não se olha a roupa, joias e sim o estilo da faca. Poucos usam o que chamaríamos de roupas ocidentais. Quando não estão com as roupas típicas estão usando ternos de veludo. Muito estilosos. Outro final de tarde gostoso e beem devagar.

Vista geral de Sanaa

Já tínhamos rodado bastante Sanaa e era hora de conhecer seus arredores. Fomos com nosso motorista ate um palácio que fica a uns 40 km do centro de Sanaa. Ele fica em cima de uma pedra. Bonito de se ver e com uma super vista la de cima. Passamos por diversas vilas, Thulla, Hababah eKawkaban, de onde andamos montanha abaixo ate Shiban. Todas com suas construções antigas, suas cisternas e historias. Em muitas delas existiam os bairros judeus, e as estrelas de Davi ainda estão nos vitrais e portas ate hoje. Os judeus do Iêmen também foram retirados numa super operação de Israel, chamada ” Operação tapete Magico”, e foram levados até a terra prometida. Algumas famílias judias ainda vivem em Sanaa.

Palacio

Sanaa e uma das cidades mais antigas do mundo, com povoamento constante. Dizem que foi construída por um dos filhos de Noé, logo apos o diluvio. Toda esta região foi parte do império de Axum da Etiópia, antes de serem conquistados pelos Árabes Muçulmanos.

Nosso voo para Socotra estava lotado e teríamos que esperar mais alguns dias por aqui. Fomos tentar pegar informação sobre os ônibus para Omã, mas a comunicação foi impossível. Sempre falavam que não tinham ônibus, indicavam outro lugar mas nunca dava certo. Frustrados fomos encontrar com o ED, jornalista canadense que mora aqui, que conhecemos no Couchsurfing. Batemos um papo e fomos ate o apartamento que ele divide com outros jornalistas. Ficamos no terraço  com Aquela vista de Sanaa, conversando sobre o pais e viagens. Ele e recém formado em Fotojornalismo, e morou os últimos 4 anos em diferentes países do oriente médio  Muito bom o bate papo, e pudemos ter um pouco mais de informações  pois a  dificuldade da língua estava nos privando disto. Ate então todas as informações que tínhamos era de pessoas ligadas ao turismo.

Fomos ate a policia pegar autorização para viajar por terra para Omã. Tudo com data certa e devidas copias que ficam nos controles ao longo da estrada. Fomos ate a agencia acertar mais um passeio, pois conseguimos marcar o voo só mais para frente.

Desta vez fomos para sudoeste de Sanaa, uns 100 km de viagem, passando pelas Montanhas Haraza ate chegar em Al-Hutyaib, Al-Hajarah e a fantástica Manakaha. Cidadezinhas paradas no tempo, penduradas nas montanhas. Em todas estas cidades encontrávamos alguém que falava inglês, e ficávamos conversando durante as caminhadas.

O tempo parou por aqui!!Mais de 3000 anos de ocupacao continua...

Que lugar!!

Toda a burocracia policial tem um porque. Tirando o sul que tenta uma independência de forma civilizada, existem 2 áreas de conflitos no Iêmen. Ao norte, perto da Arabia Saudita, na região de Sadah, existe uma guerra, entre o governo e grupos radicais islâmicos  Não se pode nem sair de Sanaa na estrada que leva a este local. Diariamente víamos aviões de guerra saindo de Sanna. Dificil saber o que acontece, pois reportes também são proibidos naquela região  mas provavelmente o governo esta bombardeando os extremistas, que tem apoio de outros países islâmicos  Já nas Montanhas Hadramout, rebeldes ligados a Al Qaeda tem feito guerrilha, e o governo tem dificuldade de controlar. São locais muito longe de onde vou passar, por isto não se preocupem. Turistas desavisados ou imprudentes foram vitimas destas guerrilhas. Poucos meses atras houve sequestro seguido de mortes de turistas alemães  Estes grupos radicais são contra o “ocidente’, por isto tem turistas como alvo, alem da mídia que atraem. O Iêmen teve um grande numero de participantes nos atentados de 11 de setembro.

Iêmen é um pais pobre, com um povo super tradicional e hospitaleiro. Existe uma previsão de terminar a água potável da região em poucos anos, o que causa um desespero geral na nação  O pouco petróleo que ainda resta também está no fim. Pena um país tão interessante culturalmente e bonito naturalmente, ser tão instável.