Suazilândia, a última monarquia absolutista da África.

Nas regiões rurais do continente africano ainda existem centenas, talvez milhares de pequenos reinados. Apesar da população local se submeter às decisões dos monarcas, as leis oficiais dos países são regidas por governos centrais. A “realeza” em muitos destes lugares é somente um titulo. Não que não exista um status financeiro e político gigantesco comparado com a população em geral, mas não existe abundancia como em um reinado imaginário.

São poucos os reinados absolutistas no mundo todo, mas existe uma pequena nação no sul da África que funciona desta maneira. A Suazilândia, um dos menores países da África, está espremida entre a África do Sul e o Moçambique. Lá o Rei Mswati III é literalmente “Rei”, tendo o direito de escolher o primeiro ministro, mudar leis e fazer o que bem entender do seu reinado. Não que estas ações não sejam feitas por ditaduras em outros países, mas neste caso isto é oficial, a forma de governo escolhida.

Todos os anos, no Festival Umhlanga (que dura 8 dias), também chamado de Swazi Reed Dance, o rei pode escolher uma nova noiva. O rei tira seu terno e se veste com roupas tradicionais para ver milhares de mulheres virgens dançando de top-less. Para muitas meninas é a forma de mudar completamente o seu futuro. Assim ele escolhe uma nova esposa para fazer parte do seu harém. Ele só se casa depois que elas engravidam, provando a sua fertilidade.  Hoje são quinze esposas e pelo menos trinta filhos. Após a cerimonia ele pendura as roupas tradicionais e vai para casa brincar com sua coleção de carros de luxo e cuidar da sua fortuna de mais de 200 milhões de dólares (segundo a Forbes).

Para chegar na Suazilândia eu pequei uma “Kombi” em Durban. Impressionante como o transporte publico é subestimado na África do Sul. Estrangeiros pagam fortunas por serviços como o Baz buz, micro-onibus que te levam de hostel em hostel em dias marcados, quando existem lotações muito mais baratas. As vezes parece difícil para as pessoas saírem da bolha…

A estação YMCA em Durban não é muito movimentada, e tem até uma ou outra barraquinha vendendo sanduíches de ovo enquanto você aguarda a van sair. A que ia para a Suazilândia era uma Sprinter novinha, bastante confortável. As estradas nesta parte da África do Sul são perfeitas, pistas largas nos dois sentidos, com asfalto de qualidade. Infraestrutura muito melhor do que no Brasil.

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No controle de passaporte da saída da África do Sul tive um problema com meu passaporte. Eu tinha carimbado a entrada do país, mas o oficial não havia lançado no sistema. Acabou demorando um pouco, mas nada demais. Isto chamou a atenção de outro estrangeiro que estava na van e começamos a conversar.  Inicialmente em inglês mas depois rimos quando descobrimos que os dois éramos brasileiros. O Jaime mora nos EUA faz muito tempo, e estava iniciando sua viagem de dois meses pela região sul da África. Inicialmente iria somente atravessar a Suazilândia a caminho do Moçambique, mas resolveu seguir comigo para conhecer um pouco do país.

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Vales da Suazilândia

A Suazilândia fica perto do Kruger, safari mais famoso da África do Sul. Isto faz com que o país receba uma quantidade razoável de turistas, pelo menos os que tem uns dias a mais. Desde a época do Apartheid, quando o turismo na África do Sul era boicotado, a Suazilândia já vinha se desenvolvendo nesta área. Estava meio sem saber para onde ir quando cheguei na pequena Manzini, cidade que é o centro econômico da Suazilândia. O Vale Ezulwini pode ter boas caminhadas, mas sabia que me irritaria demais com todos os casinos e spas que tem na região. Acabamos indo para o Vale Malkerns, onde nos hospedamos no Sondzela Backpackers. Um casarão colonial,antigo dentro da reserva particular Mlilwane Wildlife Sanctuary.

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Mlilwane wildlife Sanctuary

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Faltou o calor, mas tinha até uma piscina

Café da manhâ

Café da manhã

Existem algumas trilhas para caminhadas tranquilas na companhia de antílopes, zebras, gnus e javalis, tudo isto com jacarandás floridas e belas colinas ao fundo. Os macacos ficam ali perto da casa mesmo, nos arredores da piscina, talvez buscando algum resto do jantar que é servido ao redor da fogueira. Por falar em jantar, os próprios animais da reserva são abatidos e antílope foi o prato da primeira noite.

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Zebras

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África

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Jacarandá

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Visual

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Wild Beast

Existiam outros hospedes, dentre eles o Thomas e sua família. Ele é belga, mas se criou na França. Trabalha para o Medico sem Fronteiras e morou em diversos países, como Afeganistão, Burkina Faso e Haiti. Ficou fascinado pelas minhas viagens e pelo meu ultimo livro, “Uma Viagem pelos Países que não existem”.  Sua esposa é taiwanesa, e pedia para que ele traduzisse o que estava escrito. Ele lê português, então deixei um livro de presente. Segundo eles, seus filhos estão bem adaptados à vida na Suazilândia. A sogra veio de Taiwan para ajudar com o recém-nascido, que tem 3 meses.  Ao jogar pingue-pongue com eles falaram que eu segurava a raquete como os chineses. Não sei bem o que isto quis dizer.

Pose para a foto com os livros

Pose para a foto com os livros

Na Suazilândia existem diversas “Vilas Tradicionais”, locais montados para os turistas irem tirar fotos com swazis com suas roupas típicas e quem sabe tentar dançar musica folclórica. Já fui a lugares parecidos com estes em outros países, mas agora normalmente passo este tipo de “experiência”.

Numa noite, após o jantar, me avisaram que uma van nos aguardava para levar a um Lodge que fica dentro do mesmo parque. Teria uma apresentação de musica e dança típica. Eu e o Jaime nos juntamos à família belga-taiwanesa e outros turistas (sul-africanos e europeus) que vinham de uma excursão da África do Sul. O motorista colocou uma musica eletrônica, psy-trance a todo o volume. No caminho deu carona para sua irmã e outros dois rapazes, que caminhavam pelas ruas de terra que davam acesso ao Lodge. Eles eram os dançarinos que se apresentariam naquela noite. Vestidos com roupas comuns, levavam as “Roupas tradicionais” numa mochila da Adidas, provavelmente fabricada na China. Viva a globalização.

Sentamos nos troncos ao redor da fogueira e esperávamos os hospedes do Lodge terminarem seus jantares a luz de vela para a apresentação começar. Iniciou uma ventania forte e o tempo mudou completamente. Nuvens chegaram rápido e cobriram as estrelas e a lua que estava quase cheia. Acabou a luz. Torcemos para a van chegar antes da chuva, e foi o que aconteceu. Voltamos para nosso dormitório e a musica mais tradicional que escutamos foi a do (provável) Dj israelense, que fez a trilha sonora daquela noite, combinando com os raios e trovoadas.

No domingo, antes do Jaime seguir para o Moçambique e eu para o Zimbábue (via Joanesburgo), decidimos passar na igreja. Segundo o Thomas, nada mais típico na Suazilândia que um domingo na igreja. Já no transporte publico podíamos observar mulheres com seus melhores vestidos e pastores (os de pessoas, não de animais) com seus cajados. Queríamos ir a uma missa da Igreja de Zion, mas acabamos em uma Igreja Anglicana mesmo. Igreja lotada e o coral muito bonito. Os hinos africanos em geral são muito bonitos. Foi uma boa despedida da Suazilândia. Pegar transporte foi fácil, o pátio parecia que tinham mais “Kombis” que pessoas.

Igreja

Igreja

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Patio dos transportes

Na ultima parada antes da imigração fui num quiosque gastar meus últimos Emalangeni. Ele tem o valor equiparado ao Rand (que também é aceito na Suazilândia), mas não é aceito fora do país. Comprei dois bolinhos e a moça me deu um terceiro, o ultimo (que já estava meio quebrado). O seu irmão apareceu nesta hora. “Você não vai tomar café?” Expliquei que só estava gastando o restante de dinheiro antes de entrar na África do Sul. Eu te pago, disse ele antes de me servir. Ele tinha acabado de voltar de uma temporada de trabalhos no Canada. Juntou dinheiro e voltou para a Suazilândia para empreender. Me conte, como é viajar com a mochila nas costas, insistia. A conversa não se prorrogou muito, pois o meu transporte estava para sair. Trocamos os contatos de facebook e parti.

Música, dança e palácios!

O folclore letoniano, também chamado de Dainas, foi uma das mais importantes formadas de manter a cultura e identidade do povo que viveu nesta região. São mais de 1,2 milhões de textos e 30 mil melodias, alguns com mais de mil anos.  Assim como na Estônia, muita mitologia envolvida, e é muito interessante como povos com identidades próprias, demoraram tanto tempo para constituir um país.

Entramos na Letônia atravessando uma pequena ponte de madeira, vindo do interior da Estônia. Estávamos bem perto da fronteira da Rússia, portanto teríamos que praticamente atravessar o país para chegar na capital, Riga. A chuva tinha voltado, e a estrada A2 não era tão boa quanto imaginávamos. Longe de ser “padrão União Europeia”. Muitos reflorestamentos ao longo da estrada e os caminhões carregados com toras tornavam o transito mais lento. Torcíamos para que o tempo melhorasse quando chegássemos a Singula, cidadezinha na beira do Parque Nacional Gauja. Infelizmente o tempo só piorou. Chovia forte, e só paramos mesmo para tomar uma café e comprar fraldas para o Gabriel, pois já estavam acabando nestas alturas. Até tentamos procurar alguns dos castelos, mas mal dava para enxergar. Achamos que as trilhas, cavernas  e visual ficaria para outro dia, mas acabou ficando para outra viagem.

Já que o tempo não ajudava, fomos para Riga, uns 50 quilômetros dali. Transito bastante congestionado, mas sobrevivemos e chegamos no AirB&B que havíamos alugado no centro antigo da cidade. Era um ático bem charmoso, todo reformado, por um bom preço. Só não tinha cortinas e blackout, o que atrapalha no meio do verão, onde anoitece depois das onze da noite. Improvisando penduramos cobertores e toalhas para escurecer o ambiente e garantir o sono do Gabriel. A anfitriã, muito simpática, nos deu muitas dicas e ficou conversando bastante quando nos recebeu.

Gabriel feliz no nosso quarto

Gabriel feliz no nosso quarto

Interessante como nos referimos aos “Bálticos” como se fossem países parecidos. Ali a língua era outra, e Riga completamente diferente de Tallinn (o mesmo aconteceria com Vilnius).

Old Riga

Old Riga

Aproveitei uma trégua da chuva, e os dias longos, para me localizar na cidade velha. Estávamos hospedados em um lugar super central, o que facilitou bastante conhecer tudo, e até voltar para casa quando achássemos necessário.

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Nos dias seguintes nos surpreendemos com a melhora do tempo. Pudemos aproveitar até dias de sol. Muito melhor, ainda mais com as feiras de rua, musica e danças típicas que estavam por todos os cantos. O Gabriel continuava adorando passear de carrinho. Quando ele dormia aproveitávamos para comer em algum restaurante ou aproveitar alguns dos muitos cafés.

Danças tipicas

Danças tipicas

Folclore

Folclore

Apesar de não ter a aparecia medieval de Tallinn, gostei muito do estilo de Riga. A arquitetura dos prédios, as belas igrejas e até mesmo o astral me pareceu um pouco mais autentico. Também estava cheio de turistas, mas as apresentações folclóricas, as musicas e danças davam um astral para o lugar. Experimentamos algumas comidas típicas num restaurante, e nos abastecemos nas feirinhas para os piqueniques que estavam por vir.

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Depois de dois dias na capital, fomos para o interior, conhecer alguns dos mais bonitos palácios do país. Primeiro foi o Mezotne Pils, um dos melhores representantes do classicismo letoniano.  O Gabriel continuou sendo um ótimo companheiro de viagem, mas aproveitou mesmo o passeio pelos jardins do palácio. Parte do palácio foi transformada em hotel, e o restante em museu para visitação.

Pils

Mezotne Pils

Pils

Jardins do Mezotne Pils

 

Paisagem rural e estradas de terra até chegar a Pilsrundale, onde está o palácio mais bonito do país.

Interior da Letônia

Interior da Letônia

Rundale impressiona já de fora, com seus imponentes portões.  Antes de entrar aproveitamos para fazer um piquenique gostoso com as guloseimas que havíamos comprado, e complementamos com morangos e cerejas locais. No palácio não pode circular com o carrinho de bebe, e as escadas também não ajudam. A Bibi foi conhecer alguns dos quase 150 cômodos, e eu fiquei com o Gabriel pelos jardins. Se no Mezotne Pils os jardins tinham aquele clima de fazenda, com arvores altas e muita sombra, no Rundale era todo florido, planejado, com chafarizes, tuneis e paisagismo caprichado.

Piquenique

Piquenique

Portões do Pilsrundale

Portões do Pilsrundale

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Esta região dos palácios fica no extremo sul da Letônia, já bem perto da fronteira com a Lituânia, então com uma curta viagem já estávamos no ultimo país que conheceríamos nesta viagem.

Estônia, terra de pagãos!

A Estônia só se estabeleceu como país após a primeira Guerra Mundial, e mesmo assim logo foi ocupada. Antes disto eram povos,  sempre tentando uma  identidade como nação. Foram dominados por finlandeses, suecos, dinamarqueses, alemães e russos, cada um deixando suas marcas. O cristianismo foi imposto aos então pagãos que moravam lá. Primeiro os católicos, depois os luteranos e por fim os ortodoxos. As belas construções ficaram, mas a religião não. Menos de 15% dos estonianos se dizem religiosos, sendo apontando como o país menos religioso do mundo. Por outro lado, existem novas ondas de espiritualidade neo-pagãs.  A adoração da natureza remete ao inicio da identidade e ao folclore estoniano. Existe uma rica mitologia que tem sido resgatada como forma de identidade nacional e negação dos invasores do passado. Num país coberto por florestas não é difícil de “adorar” uma arvore. O feriado mais importante do país é o Jaanipaev, onde dançam e cantam ao redor de fogueiras, no dia que chamam de “metade do verão” (solstício-noite mais longa do ano). Dizem que teve origem na queda de um meteoro a mais de 4 mil anos atrás. Assim como o dia 25 de dezembro (solstício de inverno, noite mais curta) foi incorporado pelo cristianismo, o Jaanipaev também foi. Chamam de São João, e tem muita gente no Brasil comemorando a data mesmo sendo no inverno, cantando e dançando nas fogueiras de festa Junina, sem nem imaginar que estão praticando “paganismo estoniano”.

Chegamos à capital da Estônia, Talin, de ferry. O porto fica próximo do centro antigo, onde iriamos nos hospedar. Com uma bagagem a mais do que estamos acostumados, mais um bebe e um carrinho, achamos melhor aceitar a oferta dos donos do AirB&B em nos buscar. Cobrariam somente 5 Euros e nos levariam até o nosso apartamento.

Ficamos hospedados a uma quadra de um dos portões de entrada da cidade velha, numa rua secundária, bem calma. Uma localização excelente, mas uma pena que a rua que dava acesso até a praça central estava em reforma.

A cidade murada de Talin é linda. Num estilo medieval, faz jus a fama de ser uma das mais bem preservadas da Europa. Quem diz que parece que ela saiu de um conto de fadas também não está mentindo. As ruas de pedra, a arquitetura e as torres das igrejas (a igreja de São Olavo foi a construção mais alta do mundo na Idade Média)  encantam qualquer um. Patrimônio da Unesco, as construções de pedra sobreviveram ao tempo, e a cidade também contou com a sorte de não ter sido bombardeada na Segunda Gerra.

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Chegamos num domingo e tinha até uma feirinha na praça central. Estava tudo movimentado, bem movimentado. Verão na Europa tem destas coisas, tinha turistas para todos os lados. Talvez o fato da cidade ser pequena dê um aspecto de cheia mais facilmente.

Junto com os turistas vem as pessoas tentando vender algo ou te convencer a entrar nos restaurantes. Nada de muito insistente, mas com certeza quebrou um pouco o clima, assim como algumas pessoas posando para fotos com armaduras para ganhar uns trocados.

Ma isto foi mais a primeira impressão, nos outros dias nos acostumamos e acho que as coisas ficaram mais calmas também.  Colocamos à prova o carrinho guarda-chuva que compramos para a viagem. Foi o menor e mais barato que encontramos na internet, e compramos no site de um supermercado. Ele aguentou bem as ruas de pedras da cidade. Trepidava bastante, e o Gabriel achando que era embalo acabava dormindo.

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Mesmo anoitecendo muito tarde, respeitamos o horário de dormir do Gabriel. Também comprávamos coisas no supermercado e fazíamos comida para ele. Podia comer em casa ou a marmita que levávamos e esquentávamos nos restaurantes. Não foi desta vez que ele experimentou a comida estoniana. Eu também fiquei adiando para comer a sopa de rena e acabei esquecendo. Fica para uma próxima.

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Quando íamos em lugares mais longe, ou que precisaria subir escadas, eu levava o Gabriel no “Canguru”. Quando queria chegar rápido em um lugar também, sempre com o carrinho dobrado na mão.

Adoramos caminhar pela cidade, esperar os grupos de turistas passarem para curtir um pouco os lugares sozinhos. O ritmo da viagem foi mais lento, sentávamos para comer, tomar uma cerveja ou café e ver a vida passar com ainda mais frequência que em outras viagens. O Gabriel adorava tudo. Estava super animado e sorridente todas as horas. Já se mostrava um grande companheiro de viagem, só tínhamos que respeitar seu ritmo e suas necessidades.

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Inicialmente o nosso plano era de viajar pela costa da Estônia até a Letônia, beirando o Mar Báltico. De ultima hora decidimos fugir do fluxo de turistas e explorar um pouco o interior. Sabíamos que não tinham grandes atrações, mas quem sabe encontraríamos belas paisagens e vilarejos na região rural.

Não foi uma decisão acertada. Tivemos azar com o tempo e pegamos muita chuva. O país inteiro é plano (ponto mais alto tem 300 metros!), então a paisagem muda pouco. A estrada até Tartu é praticamente uma reta. Pouco pudemos conhecer da cidade, que é a mais antiga do país. Uma cidade universitária, com um belo centro antigo, mas vamos mesmo é lembrar da chuva torrencial que caía. No trecho até Voru melhorou um pouco, saiu um sol e céu azul, dando até para curtir um pouco mais a viagem.

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É uma região com cultura e línguas próprias, com casarões de madeira antigos e prédios soviéticos.  Ali perto está Rouge, a cidadezinha que estávamos buscando. Muitas colinas com uma serie de  lagos, com vendedores de morangos na beira da estrada. A região mais bonita que encontramos no interior da Estônia. Depois disto foi uma aventura, por estradas de terra que nem pareciam estar dentro da União Europeia. Uma pequena ponte de madeira e uma placa indicavam que estávamos entrando na Latvia (Letônia) onde pegaríamos um pouco mais de chuva, pelo menos no primeiro dia.

Novo Livro: Países que não Existem

O novo livro está quase pronto! Faltam somente mais alguns detalhes e o novo livro vai para a gráfica. Um tema bastante atual e grandes aventuras por países que muitos nem imaginariam que existem: ” Uma viagem pelos Países que não Existem”.

Com prefacio do jornalista Guga Chacra (GloboNews/Estadão), um livro que não pode faltar na coleção dos amantes de viagem.

Países que não Existem

Uma viagem pelos Países que não Existem

Pré-venda com valores promocionais até 011/08. Garanta seu exemplar clicando aqui, e receba seu livro em casa.

Livro a venda nas principais livrarias do Brasil, na Like store da Pulp Edições ou direto comigo.

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Finlândia, a primeira viagem com bebê

Nunca imaginaria que a nossa primeira viagem com o Gabriel seria para Helsinque, a capital da Finlândia. Ele tinha acabado de completar 7 meses, e precisava conhecer terras mais distantes. Sonhamos com Ilhas Mauricios, mas não apareceu nenhuma promoção. Dai fomos mudando de destinos até que surgiu uma ótima oportunidade para os Países Bálticos, antigo sonho de viagem. De quebra a melhor passagem era para Helsinque, de onde pegaríamos um ferry para seguir viagem.

Viajar com bebê é bem diferente, mas depois de ver tantos pais com crianças na estrada, confesso que já não assustava tanto. Aquela história de que é preciso viajar antes de ter filhos já não fazia sentido há muito tempo.

Minha irmã, expert em viagem com filhos ( Viajo com filhos), sempre conta a história de quando o pediatra falou para ela que existem crianças no mundo todo, então não tem o que temer. A Finlândia, país com uma das melhores qualidades de vida do mundo, com certeza é um destino para se viajar de olhos fechados.

Na nossa primeira viagem internacional (o Gabriel tinha feito um voo nacional com 2 meses) desrespeitamos uma regra mencionada em diversos blogs de viagem, a de fazer voos curtos ou sem escala. Foi justamente o único problema que tivemos em toda a viagem. Se bem que não sei se o problema foi o tempo de voo, pois ele chorou no inicio da viagem. Moramos em uma chácara e ele dorme em um silencio absoluto, apenas com musica de fundo. No avião com tantas pessoas, luzes e televisões, existiam estímulos demais para que pegasse no sono. Por sorte a KLM nos forneceu o assento na primeira fila, com direito a bercinho e tudo (reservei gratuitamente antes).

O berço no avião ajuda muito!

O berço no avião ajuda muito!

Chegamos em Helsinque depois de uma longa viagem, e optamos por pegar um Uber em vez de trem ou ônibus. Logo estávamos no nosso apartamento, reservado pelo AirB&B. A Bibi começou a ver vantagens em viajar com bebê.

Não tenho muita pratica com reservas, normalmente escolhemos hotéis na estrada mesmo, e esta foi uma das grandes mudanças desta viagem, tudo reservado (ok, Europa Ocidental reservamos antes). O apartamento era minusculo, mas tinha uma pequena cozinha, então dava para preparar comida para o Gabriel. Era só levar e pedir para alguém esquentar em um restaurante ou café.

Ficamos no bairro de Kallio, antigo bairro industrial, hoje foi tomado por estudantes buscando preços mais baixos. Dezenas de pubs e pequenos restaurantes. Não é um lugar tão família, é bem jovem, mas bem localizado e com bons preços.

Kallio

Kallio

O transporte publico é super eficiente, mas é caro para bilhetes individuais. A saída é comprar os passes mais longos (24hs) se for usar bastante o metrô. Para bilhete simples, fica mais barato pegar um Uber se estiver em duas pessoas.

Não existem catracas no metro

Não existem catracas no metro

Tivemos azar com o tempo. A temperatura estava variando entre 10 e 15 graus, o que não é ruim, mas o problema foi a chuva, que não deu trégua. Caminhamos um pouco, mas acabamos mais é revezando entre cafés e restaurantes. Helsinque não é uma cidade cheia de atrações, quando eu pensava em viagens para a Finlândia, sempre sonhava com o norte do país, mas não deixou de ser um ótimo lugar pára nos adaptarmos.

Pinturas imitando pinturas rupestres em uma estação de metrô

Pinturas imitando pinturas rupestres em uma estação de metrô

Dois cafés e uma agua para a mamadeira

Dois cafés e uma água para a mamadeira, por favor…

Criança se adapta muito melhor que adultos. No segundo dia o Gabriel já dormiu a noite toda, enquanto nós estávamos acordados sentindo a diferença de fuso horário (6 horas). Para complicar, o verão na região tem noites muito curtas. O sol se punha as 22:50 e amanhecia às 3:50.

A Finlândia é famosa pela sua politica de bem estar social. Cobra altos impostos, o que reflete diretamente nos preços, mas possui os serviços básicos de saúde e educação de excelente qualidade. Isto acaba atraindo imigrantes, e nos divertimos e surpreendemos pessoas de Gana, Irã e Somália quando contamos de nossas viagens por lá. Ao perguntar sobre a vida na Finlândia todos tiveram a mesma resposta. Não da para ficar rico, mas pelo menos temos uma boa vida, trabalho e sabemos que sempre teremos o que comer!

Helsinque

Helsinque

Catedral Uspenski

Catedral Uspenski

Catedral Luterana

Catedral Luterana

Numa tregua da chuva

Numa trégua da chuva

Uma coisa que nos chamou atenção nas nossas visitas aos supermercados é que na nota vem discriminado separado o valor de um suco/água da embalagem. Tipo suco 80 centavos, lata 10 centavos. Uma maquina recolhe embalagens vazias e dá credito para gastar no estabelecimento.

Com a chuva deixamos o piquenique em Soumenlinna para uma próxima vez, e pegamos o ferry para Talim, capital de Estônia. Umas três horas de viagem, mas o Gabriel pouco se importava, estava mesmo é gostando de ter a atenção dos pais 24 horas por dia!

Partida do ferry

Partida do ferry

 

Espaço para crianças brincarem no ferry

Espaço para crianças brincarem no ferry

Encontramos um microondas para esquentar a comida que tínhamos preparado

Encontramos um microondas para esquentar a comida que tínhamos preparado