Benelux com criança

Benelux é uma organização de livre comercio entre três países europeus, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. O tratado foi assinado no final da Segunda Guerra, mas entrou em vigor somente nos anos sessenta. Foi um embrião do que hoje se tornou a União Europeia.

Segunda vez que o Gabriel foi para a Europa e segunda vez utilizando a KLM. O tratamento com crianças é excepcional. Mesmo ele não cabendo mais no berço, nos forneceram os acentos confort da primeira fila. Mais espaço para nossos pés, para ele brincar, e até montaram uma caminha no chão.

Do aeroporto de Amsterdam fomos direto para Lisse, uma pequena cidade onde nos encontraríamos com meus pais, irmãs e respectivas famílias. Na verdade esta primeira etapa da viagem foi idealizada pelos meus pais, uma viagem de barco pelos canais dos Países Baixos (Holanda).

Eles já estavam viajando há uns dois dias, já entendendo bem sobre o funcionamento do barco. Um barco grande, com 4 suítes,  para três pessoas cada. Tinha que ser assim, estávamos em oito adultos, um adolescente, uma criança e dois bebes.

Barco atracado em um espaço publico.

Nesta primeira cidade já está uma das grandes atrações do interior da Holanda, o Parque Keukenhof, também conhecido como “Parque das Tulipas” ou “Jardim da Europa”. Dizem ser o maior jardim de fores do mundo, com quase 8 milhões de flores plantadas todos os anos. Não sei se é verdade, mas que é belíssimo isto eu posso garantir. Diversas cores e estilos, tornam um passeio muito agradável. Não é nenhum segredo, e como só florescem numa estação do ano, pode ter certeza que terá muita gente.

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Ótima infraestrutura para (Europa Ocidental, né?!), no meio do parque tem até brinquedos e uma “fazendinha” para as crianças brincarem com os animais. O Gabriel que mora em chácara se sentiu em casa.

A viagem de barco é lenta, mas muito bonita. A velocidade media não passa de 10 km, então muitas vezes passávamos um período inteiro viajando ( manhã ou tarde). A vantagem é passar por pequenas cidades que numa viagem para as “Capitais” normalmente acharíamos muito longe, por não terem tantas “atrações”. Não adianta, sempre o interior dos países acaba surpreendendo.

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Gabriel no comando

Para dormir, as vezes parávamos numa “Marina”, outras em espaços públicos mesmo. A vantagem das marinas é que tinham banheiros (não que no barco não tivesse). Os chuveiros, sempre automáticos, funcionavam com 0,50 de Euro e já tinham a temperatura regulada. Nada de funcionários para limpeza, um pequeno rodo para quem usasse mantivesse seco. Estavam sempre impecáveis.

Foi uma delicia explorar Gouda à noite, procurando um lugar para comer e beber alguma coisa. A calmaria da noite não se repetiu no dia seguinte. Era quinta-feira, dia de feira na cidade. Barraquinhas vendendo o famoso queijo Gouda e encenações dos leilões de queijo que acontecem há centenas de anos. Tudo muito animado.  Os Stroopwafels, “bolachinhas” que ficam em cima do chá derretendo com o vapor é outra gostosura da cidade.

Gouda

Gabriel esperando o leilão de queijos Gouda

Antiga prefeitura, no estilo Gotico

Como nos outros dias, após uma noite e uma manhã, era hora de pegar a estrada, ou melhor, o canal. Além da velocidade baixa, diversas comportas e dezenas de pontes estão pelo caminho. Isto torna a viagem mais lenta, no entanto mais interessante. As comportas são miniaturas das do Canal do Panamá. Elevam ou baixam o barco na altura do canal adiante. Existem diversos tipos de pontes. As que abrem de lado, as levadiças que abrem ao meio, as que levantam inteiras, outras que simplesmente passamos por baixo sem ter que esperar. Algumas têm um botão para avisar quando alguém chega, outras têm horário marcado. Existem ainda as que têm um funcionário para abrir. Ele fica numa cabine e lança um tamanco holandês amarrado numa cordinha para colocarmos o pedágio dentro depois que ele libera a passagem.

Tropa reunida

Viagem em família

Algumas vezes chegamos antes do horário marcado para abrir. Sem problemas, da para encostar  à beira do canal e sair para conhecer as cidadezinhas, a pé ou de bicicleta. Boa hora para se abastecer para as refeições seguintes ou torar um sorvete e/ou cerveja também. A área externa do barco é uma delicia, mas acabamos usando pouco, pois a primavera holandesa estava muito fria.

Tentando aproveitar a área externa

Chegamos já no final de tarde em Oudewater, onde resolvemos passar a noite. Mesmo tendo jantado no barco, encaramos o frio da noite para caminhar pelas ruazinhas da pequena cidade. Gostamos bastante dali. Diz a lenda que está cheia de bruxas. Existe até hoje um museu na casa onde pesavam mulheres para saber se eram bruxas. Pela noite até que procuramos, mas não vimos nenhuma.

Chegando em Oudewater

Simpática Oudewater

Uma das poucas cidades grandes que passaríamos era Utrecht. Calculando melhor o tempo achamos melhor não ir. Atrapalharia um pouco a logística. Deixar o barco, pegar táxis para o centro, tudo isto para ficar pouco tempo, achamos não valer a pena. Acabamos aproveitando uma parada ali perto, em Maarssen, onde caminhamos e encontramos um delicioso restaurante.

Maarssen

Os canais logo se tornariam bem mais largos, verdadeiros rios onde passam embarcações que mais parecem navios. Correnteza torna as manobras mais difíceis e é preciso tomar cuidado, pois os barcos grandes não têm como te ver.

Ultima noite já na marina, para entregar o barco pela manhã cedo. Em uma semana foram 225 quilômetros viajando pelos canais, passando por 13 comportas e 76 pontes

Clichê holandês: Canais, Barcos, Bicicletas e Moinho

Ainda teríamos um dia em Amsterdã com a “Big Family”. Eu tinha conhecido na cidade quase duas décadas antes, mas era a primeira vez da Bibi. Não deu para fazer muita coisa, nem era o objetivo. Passeamos rapidamente pela cidade e ainda de tempo de ir no museu da Annie Frank.

Um gostoso jantar de despedida, onde no dia seguinte cada um faria uma viagem diferente. Antes do sol nascer, Eu a Bibi e o Gabriel estávamos a caminho da estação central de trem. Um bom trem de Amsterdã para a Antuérpia (já na Bélgica) onde faríamos uma rápida conexão em um trem comum para Bruges. O Gabriel aprovou o novo meio de transporte e quando não estava dormindo ficava todo animado com a movimentação.

Ficamos muito bem localizados em Bruges, o que facilitou bastante para conhecer a cidade. Não da para dizer que as calçadas de pedra são as mais apropriadas para carrinhos pequenos de bebe, mas tudo correu bem.

Praça do mercado

Parlamento

Canais

A Bibi ficou encantada com a cidade, e realmente é muito charmosa e bem preservada. Canais, pontes, igrejas, construções antigas e o palácio. Onde quer que você olhe tem estilo.

Curtimos com calma, revezando entre cafés, cervejas, chocolates e restaurantes, tudo com calma. O ritmo numa viagem com filhos é outro, e a pressão interna para conhecer algum lugar é nula. Apenas vive-se.

Apesar de ensolarados, teve um dia que fez bastante frio. Acabou dando um febrão no Gabriel, mas nada de mais. Dia seguinte ele já estava bom. Uma comida simples, rápida e barata disponível em diversos cantos da cidade são os “Copos de macarrão”. Se escolhe a massa e molho, uma boa quantidade por cerca de 5 Euros. Salva qualquer fome que possa aparecer numa criança (ou adulto)  quando não tem um restaurante em vista.

Final do dia nas costas do pai

Canais

Tinha visto algumas possibilidades de cidadezinhas para visitar no interior da Bélgica, mas acabamos optando por viajar por menos cidades e passar mais tempo nelas.  Dinant, Veurne e Ghent ficariam para uma próxima, pois tínhamos um voo saindo de Luxemburgo.

Trem de Bruges para Bruxelas e outro até Luxemburgo. Um grupo escolar de crianças descontraiam o vagão, mas um senhor não gostou e pediu silencio. Não atenderam e foi ele que teve que se retirar. Paisagem bonita e aquela tranquilidade que é viajar de trem.

Ficamos num hotel bem próximo da estação de trem. Facilitou a chegada, mas no final do dia descobriríamos que não era das melhores regiões. Muitos bêbados, drogas e prostituição nos arredores, num ambiente nem um pouco familiar.

Luxemburgo é uma cidade pequena, capital do país homônimo, um dos menores da Europa. Conhecido por ter uma das maiores rendas per capita do mundo. Pelas fotos que tínhamos visto, criamos certa expectativa. Ainda mais nós que adoramos cidades pequenas. Mas sempre existe um grande perigo nas expectativas, e acabamos não gostando tanto assim de lá. Tentamos, ficamos duas noites, exploramos o centrinho da cidade mais de uma vez. É bonito, fotogênico com certeza, mas parado, não tem alma nem personalidade.

Luxemburgo

Luxemburgo

Luxemburgo

Refletindo chegamos à conclusão que está mais para uma fotografia do que para um filme. Enfim, aproveitamos o visual da corniche, as casemates, caminhamos da cidade alta (Ville Haute) até a baixa (Grund). Elevador público (e gratuito) leva de volta até cidade alta.

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O país é um Grão Ducado e o Gabriel adorou ver a marcha da troca da guarda no Palácio Ducal. Para nós nada de muito impressionante. Bem mais marcante o café ali na frente (Chocolate House Bonn), com colher de madeira e chocolate na ponta para fazer o capuchino, além de ver o Gabriel imitar os guardas batendo o pé, é claro.

Imitando os guardas

Pegamos um voo para Londres, já que as passagens estavam bem mais baratas que as de trem. Ficamos uns dias com minha irmã Gi, com o Dan e meu sobrinho Alfredo. Nada de turismo, a ideia era mesmo curtir eles. Mas isto já é outra historia, ou melhor, outra viagem.

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Suazilândia, a última monarquia absolutista da África.

Nas regiões rurais do continente africano ainda existem centenas, talvez milhares de pequenos reinados. Apesar da população local se submeter às decisões dos monarcas, as leis oficiais dos países são regidas por governos centrais. A “realeza” em muitos destes lugares é somente um titulo. Não que não exista um status financeiro e político gigantesco comparado com a população em geral, mas não existe abundancia como em um reinado imaginário.

São poucos os reinados absolutistas no mundo todo, mas existe uma pequena nação no sul da África que funciona desta maneira. A Suazilândia, um dos menores países da África, está espremida entre a África do Sul e o Moçambique. Lá o Rei Mswati III é literalmente “Rei”, tendo o direito de escolher o primeiro ministro, mudar leis e fazer o que bem entender do seu reinado. Não que estas ações não sejam feitas por ditaduras em outros países, mas neste caso isto é oficial, a forma de governo escolhida.

Todos os anos, no Festival Umhlanga (que dura 8 dias), também chamado de Swazi Reed Dance, o rei pode escolher uma nova noiva. O rei tira seu terno e se veste com roupas tradicionais para ver milhares de mulheres virgens dançando de top-less. Para muitas meninas é a forma de mudar completamente o seu futuro. Assim ele escolhe uma nova esposa para fazer parte do seu harém. Ele só se casa depois que elas engravidam, provando a sua fertilidade.  Hoje são quinze esposas e pelo menos trinta filhos. Após a cerimonia ele pendura as roupas tradicionais e vai para casa brincar com sua coleção de carros de luxo e cuidar da sua fortuna de mais de 200 milhões de dólares (segundo a Forbes).

Para chegar na Suazilândia eu pequei uma “Kombi” em Durban. Impressionante como o transporte publico é subestimado na África do Sul. Estrangeiros pagam fortunas por serviços como o Baz buz, micro-onibus que te levam de hostel em hostel em dias marcados, quando existem lotações muito mais baratas. As vezes parece difícil para as pessoas saírem da bolha…

A estação YMCA em Durban não é muito movimentada, e tem até uma ou outra barraquinha vendendo sanduíches de ovo enquanto você aguarda a van sair. A que ia para a Suazilândia era uma Sprinter novinha, bastante confortável. As estradas nesta parte da África do Sul são perfeitas, pistas largas nos dois sentidos, com asfalto de qualidade. Infraestrutura muito melhor do que no Brasil.

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No controle de passaporte da saída da África do Sul tive um problema com meu passaporte. Eu tinha carimbado a entrada do país, mas o oficial não havia lançado no sistema. Acabou demorando um pouco, mas nada demais. Isto chamou a atenção de outro estrangeiro que estava na van e começamos a conversar.  Inicialmente em inglês mas depois rimos quando descobrimos que os dois éramos brasileiros. O Jaime mora nos EUA faz muito tempo, e estava iniciando sua viagem de dois meses pela região sul da África. Inicialmente iria somente atravessar a Suazilândia a caminho do Moçambique, mas resolveu seguir comigo para conhecer um pouco do país.

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Vales da Suazilândia

A Suazilândia fica perto do Kruger, safari mais famoso da África do Sul. Isto faz com que o país receba uma quantidade razoável de turistas, pelo menos os que tem uns dias a mais. Desde a época do Apartheid, quando o turismo na África do Sul era boicotado, a Suazilândia já vinha se desenvolvendo nesta área. Estava meio sem saber para onde ir quando cheguei na pequena Manzini, cidade que é o centro econômico da Suazilândia. O Vale Ezulwini pode ter boas caminhadas, mas sabia que me irritaria demais com todos os casinos e spas que tem na região. Acabamos indo para o Vale Malkerns, onde nos hospedamos no Sondzela Backpackers. Um casarão colonial,antigo dentro da reserva particular Mlilwane Wildlife Sanctuary.

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Mlilwane wildlife Sanctuary

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Faltou o calor, mas tinha até uma piscina

Café da manhâ

Café da manhã

Existem algumas trilhas para caminhadas tranquilas na companhia de antílopes, zebras, gnus e javalis, tudo isto com jacarandás floridas e belas colinas ao fundo. Os macacos ficam ali perto da casa mesmo, nos arredores da piscina, talvez buscando algum resto do jantar que é servido ao redor da fogueira. Por falar em jantar, os próprios animais da reserva são abatidos e antílope foi o prato da primeira noite.

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Zebras

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África

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Jacarandá

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Visual

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Wild Beast

Existiam outros hospedes, dentre eles o Thomas e sua família. Ele é belga, mas se criou na França. Trabalha para o Medico sem Fronteiras e morou em diversos países, como Afeganistão, Burkina Faso e Haiti. Ficou fascinado pelas minhas viagens e pelo meu ultimo livro, “Uma Viagem pelos Países que não existem”.  Sua esposa é taiwanesa, e pedia para que ele traduzisse o que estava escrito. Ele lê português, então deixei um livro de presente. Segundo eles, seus filhos estão bem adaptados à vida na Suazilândia. A sogra veio de Taiwan para ajudar com o recém-nascido, que tem 3 meses.  Ao jogar pingue-pongue com eles falaram que eu segurava a raquete como os chineses. Não sei bem o que isto quis dizer.

Pose para a foto com os livros

Pose para a foto com os livros

Na Suazilândia existem diversas “Vilas Tradicionais”, locais montados para os turistas irem tirar fotos com swazis com suas roupas típicas e quem sabe tentar dançar musica folclórica. Já fui a lugares parecidos com estes em outros países, mas agora normalmente passo este tipo de “experiência”.

Numa noite, após o jantar, me avisaram que uma van nos aguardava para levar a um Lodge que fica dentro do mesmo parque. Teria uma apresentação de musica e dança típica. Eu e o Jaime nos juntamos à família belga-taiwanesa e outros turistas (sul-africanos e europeus) que vinham de uma excursão da África do Sul. O motorista colocou uma musica eletrônica, psy-trance a todo o volume. No caminho deu carona para sua irmã e outros dois rapazes, que caminhavam pelas ruas de terra que davam acesso ao Lodge. Eles eram os dançarinos que se apresentariam naquela noite. Vestidos com roupas comuns, levavam as “Roupas tradicionais” numa mochila da Adidas, provavelmente fabricada na China. Viva a globalização.

Sentamos nos troncos ao redor da fogueira e esperávamos os hospedes do Lodge terminarem seus jantares a luz de vela para a apresentação começar. Iniciou uma ventania forte e o tempo mudou completamente. Nuvens chegaram rápido e cobriram as estrelas e a lua que estava quase cheia. Acabou a luz. Torcemos para a van chegar antes da chuva, e foi o que aconteceu. Voltamos para nosso dormitório e a musica mais tradicional que escutamos foi a do (provável) Dj israelense, que fez a trilha sonora daquela noite, combinando com os raios e trovoadas.

No domingo, antes do Jaime seguir para o Moçambique e eu para o Zimbábue (via Joanesburgo), decidimos passar na igreja. Segundo o Thomas, nada mais típico na Suazilândia que um domingo na igreja. Já no transporte publico podíamos observar mulheres com seus melhores vestidos e pastores (os de pessoas, não de animais) com seus cajados. Queríamos ir a uma missa da Igreja de Zion, mas acabamos em uma Igreja Anglicana mesmo. Igreja lotada e o coral muito bonito. Os hinos africanos em geral são muito bonitos. Foi uma boa despedida da Suazilândia. Pegar transporte foi fácil, o pátio parecia que tinham mais “Kombis” que pessoas.

Igreja

Igreja

trans

Patio dos transportes

Na ultima parada antes da imigração fui num quiosque gastar meus últimos Emalangeni. Ele tem o valor equiparado ao Rand (que também é aceito na Suazilândia), mas não é aceito fora do país. Comprei dois bolinhos e a moça me deu um terceiro, o ultimo (que já estava meio quebrado). O seu irmão apareceu nesta hora. “Você não vai tomar café?” Expliquei que só estava gastando o restante de dinheiro antes de entrar na África do Sul. Eu te pago, disse ele antes de me servir. Ele tinha acabado de voltar de uma temporada de trabalhos no Canada. Juntou dinheiro e voltou para a Suazilândia para empreender. Me conte, como é viajar com a mochila nas costas, insistia. A conversa não se prorrogou muito, pois o meu transporte estava para sair. Trocamos os contatos de facebook e parti.

Música, dança e palácios!

O folclore letoniano, também chamado de Dainas, foi uma das mais importantes formadas de manter a cultura e identidade do povo que viveu nesta região. São mais de 1,2 milhões de textos e 30 mil melodias, alguns com mais de mil anos.  Assim como na Estônia, muita mitologia envolvida, e é muito interessante como povos com identidades próprias, demoraram tanto tempo para constituir um país.

Entramos na Letônia atravessando uma pequena ponte de madeira, vindo do interior da Estônia. Estávamos bem perto da fronteira da Rússia, portanto teríamos que praticamente atravessar o país para chegar na capital, Riga. A chuva tinha voltado, e a estrada A2 não era tão boa quanto imaginávamos. Longe de ser “padrão União Europeia”. Muitos reflorestamentos ao longo da estrada e os caminhões carregados com toras tornavam o transito mais lento. Torcíamos para que o tempo melhorasse quando chegássemos a Singula, cidadezinha na beira do Parque Nacional Gauja. Infelizmente o tempo só piorou. Chovia forte, e só paramos mesmo para tomar uma café e comprar fraldas para o Gabriel, pois já estavam acabando nestas alturas. Até tentamos procurar alguns dos castelos, mas mal dava para enxergar. Achamos que as trilhas, cavernas  e visual ficaria para outro dia, mas acabou ficando para outra viagem.

Já que o tempo não ajudava, fomos para Riga, uns 50 quilômetros dali. Transito bastante congestionado, mas sobrevivemos e chegamos no AirB&B que havíamos alugado no centro antigo da cidade. Era um ático bem charmoso, todo reformado, por um bom preço. Só não tinha cortinas e blackout, o que atrapalha no meio do verão, onde anoitece depois das onze da noite. Improvisando penduramos cobertores e toalhas para escurecer o ambiente e garantir o sono do Gabriel. A anfitriã, muito simpática, nos deu muitas dicas e ficou conversando bastante quando nos recebeu.

Gabriel feliz no nosso quarto

Gabriel feliz no nosso quarto

Interessante como nos referimos aos “Bálticos” como se fossem países parecidos. Ali a língua era outra, e Riga completamente diferente de Tallinn (o mesmo aconteceria com Vilnius).

Old Riga

Old Riga

Aproveitei uma trégua da chuva, e os dias longos, para me localizar na cidade velha. Estávamos hospedados em um lugar super central, o que facilitou bastante conhecer tudo, e até voltar para casa quando achássemos necessário.

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Nos dias seguintes nos surpreendemos com a melhora do tempo. Pudemos aproveitar até dias de sol. Muito melhor, ainda mais com as feiras de rua, musica e danças típicas que estavam por todos os cantos. O Gabriel continuava adorando passear de carrinho. Quando ele dormia aproveitávamos para comer em algum restaurante ou aproveitar alguns dos muitos cafés.

Danças tipicas

Danças tipicas

Folclore

Folclore

Apesar de não ter a aparecia medieval de Tallinn, gostei muito do estilo de Riga. A arquitetura dos prédios, as belas igrejas e até mesmo o astral me pareceu um pouco mais autentico. Também estava cheio de turistas, mas as apresentações folclóricas, as musicas e danças davam um astral para o lugar. Experimentamos algumas comidas típicas num restaurante, e nos abastecemos nas feirinhas para os piqueniques que estavam por vir.

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Depois de dois dias na capital, fomos para o interior, conhecer alguns dos mais bonitos palácios do país. Primeiro foi o Mezotne Pils, um dos melhores representantes do classicismo letoniano.  O Gabriel continuou sendo um ótimo companheiro de viagem, mas aproveitou mesmo o passeio pelos jardins do palácio. Parte do palácio foi transformada em hotel, e o restante em museu para visitação.

Pils

Mezotne Pils

Pils

Jardins do Mezotne Pils

 

Paisagem rural e estradas de terra até chegar a Pilsrundale, onde está o palácio mais bonito do país.

Interior da Letônia

Interior da Letônia

Rundale impressiona já de fora, com seus imponentes portões.  Antes de entrar aproveitamos para fazer um piquenique gostoso com as guloseimas que havíamos comprado, e complementamos com morangos e cerejas locais. No palácio não pode circular com o carrinho de bebe, e as escadas também não ajudam. A Bibi foi conhecer alguns dos quase 150 cômodos, e eu fiquei com o Gabriel pelos jardins. Se no Mezotne Pils os jardins tinham aquele clima de fazenda, com arvores altas e muita sombra, no Rundale era todo florido, planejado, com chafarizes, tuneis e paisagismo caprichado.

Piquenique

Piquenique

Portões do Pilsrundale

Portões do Pilsrundale

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Esta região dos palácios fica no extremo sul da Letônia, já bem perto da fronteira com a Lituânia, então com uma curta viagem já estávamos no ultimo país que conheceríamos nesta viagem.

Estônia, terra de pagãos!

A Estônia só se estabeleceu como país após a primeira Guerra Mundial, e mesmo assim logo foi ocupada. Antes disto eram povos,  sempre tentando uma  identidade como nação. Foram dominados por finlandeses, suecos, dinamarqueses, alemães e russos, cada um deixando suas marcas. O cristianismo foi imposto aos então pagãos que moravam lá. Primeiro os católicos, depois os luteranos e por fim os ortodoxos. As belas construções ficaram, mas a religião não. Menos de 15% dos estonianos se dizem religiosos, sendo apontando como o país menos religioso do mundo. Por outro lado, existem novas ondas de espiritualidade neo-pagãs.  A adoração da natureza remete ao inicio da identidade e ao folclore estoniano. Existe uma rica mitologia que tem sido resgatada como forma de identidade nacional e negação dos invasores do passado. Num país coberto por florestas não é difícil de “adorar” uma arvore. O feriado mais importante do país é o Jaanipaev, onde dançam e cantam ao redor de fogueiras, no dia que chamam de “metade do verão” (solstício-noite mais longa do ano). Dizem que teve origem na queda de um meteoro a mais de 4 mil anos atrás. Assim como o dia 25 de dezembro (solstício de inverno, noite mais curta) foi incorporado pelo cristianismo, o Jaanipaev também foi. Chamam de São João, e tem muita gente no Brasil comemorando a data mesmo sendo no inverno, cantando e dançando nas fogueiras de festa Junina, sem nem imaginar que estão praticando “paganismo estoniano”.

Chegamos à capital da Estônia, Talin, de ferry. O porto fica próximo do centro antigo, onde iriamos nos hospedar. Com uma bagagem a mais do que estamos acostumados, mais um bebe e um carrinho, achamos melhor aceitar a oferta dos donos do AirB&B em nos buscar. Cobrariam somente 5 Euros e nos levariam até o nosso apartamento.

Ficamos hospedados a uma quadra de um dos portões de entrada da cidade velha, numa rua secundária, bem calma. Uma localização excelente, mas uma pena que a rua que dava acesso até a praça central estava em reforma.

A cidade murada de Talin é linda. Num estilo medieval, faz jus a fama de ser uma das mais bem preservadas da Europa. Quem diz que parece que ela saiu de um conto de fadas também não está mentindo. As ruas de pedra, a arquitetura e as torres das igrejas (a igreja de São Olavo foi a construção mais alta do mundo na Idade Média)  encantam qualquer um. Patrimônio da Unesco, as construções de pedra sobreviveram ao tempo, e a cidade também contou com a sorte de não ter sido bombardeada na Segunda Gerra.

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Chegamos num domingo e tinha até uma feirinha na praça central. Estava tudo movimentado, bem movimentado. Verão na Europa tem destas coisas, tinha turistas para todos os lados. Talvez o fato da cidade ser pequena dê um aspecto de cheia mais facilmente.

Junto com os turistas vem as pessoas tentando vender algo ou te convencer a entrar nos restaurantes. Nada de muito insistente, mas com certeza quebrou um pouco o clima, assim como algumas pessoas posando para fotos com armaduras para ganhar uns trocados.

Ma isto foi mais a primeira impressão, nos outros dias nos acostumamos e acho que as coisas ficaram mais calmas também.  Colocamos à prova o carrinho guarda-chuva que compramos para a viagem. Foi o menor e mais barato que encontramos na internet, e compramos no site de um supermercado. Ele aguentou bem as ruas de pedras da cidade. Trepidava bastante, e o Gabriel achando que era embalo acabava dormindo.

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Mesmo anoitecendo muito tarde, respeitamos o horário de dormir do Gabriel. Também comprávamos coisas no supermercado e fazíamos comida para ele. Podia comer em casa ou a marmita que levávamos e esquentávamos nos restaurantes. Não foi desta vez que ele experimentou a comida estoniana. Eu também fiquei adiando para comer a sopa de rena e acabei esquecendo. Fica para uma próxima.

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Quando íamos em lugares mais longe, ou que precisaria subir escadas, eu levava o Gabriel no “Canguru”. Quando queria chegar rápido em um lugar também, sempre com o carrinho dobrado na mão.

Adoramos caminhar pela cidade, esperar os grupos de turistas passarem para curtir um pouco os lugares sozinhos. O ritmo da viagem foi mais lento, sentávamos para comer, tomar uma cerveja ou café e ver a vida passar com ainda mais frequência que em outras viagens. O Gabriel adorava tudo. Estava super animado e sorridente todas as horas. Já se mostrava um grande companheiro de viagem, só tínhamos que respeitar seu ritmo e suas necessidades.

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Inicialmente o nosso plano era de viajar pela costa da Estônia até a Letônia, beirando o Mar Báltico. De ultima hora decidimos fugir do fluxo de turistas e explorar um pouco o interior. Sabíamos que não tinham grandes atrações, mas quem sabe encontraríamos belas paisagens e vilarejos na região rural.

Não foi uma decisão acertada. Tivemos azar com o tempo e pegamos muita chuva. O país inteiro é plano (ponto mais alto tem 300 metros!), então a paisagem muda pouco. A estrada até Tartu é praticamente uma reta. Pouco pudemos conhecer da cidade, que é a mais antiga do país. Uma cidade universitária, com um belo centro antigo, mas vamos mesmo é lembrar da chuva torrencial que caía. No trecho até Voru melhorou um pouco, saiu um sol e céu azul, dando até para curtir um pouco mais a viagem.

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É uma região com cultura e línguas próprias, com casarões de madeira antigos e prédios soviéticos.  Ali perto está Rouge, a cidadezinha que estávamos buscando. Muitas colinas com uma serie de  lagos, com vendedores de morangos na beira da estrada. A região mais bonita que encontramos no interior da Estônia. Depois disto foi uma aventura, por estradas de terra que nem pareciam estar dentro da União Europeia. Uma pequena ponte de madeira e uma placa indicavam que estávamos entrando na Latvia (Letônia) onde pegaríamos um pouco mais de chuva, pelo menos no primeiro dia.

Novo Livro: Países que não Existem

O novo livro está quase pronto! Faltam somente mais alguns detalhes e o novo livro vai para a gráfica. Um tema bastante atual e grandes aventuras por países que muitos nem imaginariam que existem: ” Uma viagem pelos Países que não Existem”.

Com prefacio do jornalista Guga Chacra (GloboNews/Estadão), um livro que não pode faltar na coleção dos amantes de viagem.

Países que não Existem

Uma viagem pelos Países que não Existem

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Livro a venda nas principais livrarias do Brasil, na Like store da Pulp Edições ou direto comigo.

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