Novo Livro: Países que não Existem

O novo livro está quase pronto! Faltam somente mais alguns detalhes e o novo livro vai para a gráfica. Um tema bastante atual e grandes aventuras por países que muitos nem imaginariam que existem: ” Uma viagem pelos Países que não Existem”.

Com prefacio do jornalista Guga Chacra (GloboNews/Estadão), um livro que não pode faltar na coleção dos amantes de viagem.

Países que não Existem

Uma viagem pelos Países que não Existem

Pré-venda com valores promocionais até 011/08. Garanta seu exemplar clicando aqui, e receba seu livro em casa.

Livro a venda nas principais livrarias do Brasil, na Like store da Pulp Edições ou direto comigo.

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Destinos Invisíveis: Fora da rota turística

A Indústria do Turismo movimenta cerca de um trilhão de dólares anuais. Alguns países recebem mais de 80 milhões de turistas estrangeiros todos os anos. Não necessariamente estes são os lugares mais interessantes do mundo, são apenas mais conhecidos devido a diversos fatores, como proximidade, facilidade, estabilidade política e até mesmo divulgação feita pela mídia. Existem incontáveis lugares interessantíssimos, mas que não estão estampados nos cartazes das agencias de turismo. Esta viagem pretende mostrar um pouco das curiosidades, pontos turísticos e cultura de “Destinos Invisíveis” para a Indústria turística.

#DestinosInvisíveis

#DestinosInvisíveis

Ano passado fiz vendas de livros diretamente pelo blog, através de depósito em conta bancaria. Desta vez, para facilitar quem quer apoiar este projeto (e comprar livros!), resolvi montar um Crowdfunding (financiamento coletivo), que possui diversas formas de pagamento.

Quem quiser colaborar, ganhar livros e ler aqui no blog sobre Niger. Burkina-Faso, Benin, Togo e Ghana é só clicar em  http://www.kickante.com.br/campanhas/destinos-invisiveisfora-da-rota-turistica

Quem já tem o livro pode comprar para dar de presente, viu 😉

Deve mudar, mas este é o roteiro

Deve mudar, mas este é o roteiro

E ai, vamos para o Oeste da África?!

Que país é este?! – Índice dos países com reconhecimento limitado

São 193 os Estados Membros da ONU, porem existem outras nações “de facto” independentes mas com reconhecimento limitado. Alguns são bem acessíveis para viajar, outros nem tanto. Sempre importante lembrar que países onde o Brasil não tem relações diplomáticas você não tem assistência nenhuma em caso de dificuldades.

1- República da Transnístria

Lenin

Lenin

Reconhecimento: 3 estados não membros da ONU

Capital: Tiraspol

Moeda: Rublo da Transnístria

Visto: Emitido na fronteira, necessita de registro caso fique mais de 12 horas

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

2- Kosovo

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Reconhecimento: 109 estados membros da ONU

Capital: Pristina

Moeda: Euro

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

3- República da Abecásia

Novi Afon

Novi Afon

Reconhecimento: 4 Estados da ONU e 3 não membros

Capital: Sukhumi

Moeda: Rublo e Aspar da Abecásia (não muito utilizado)

Visto: Autorização de entrada pode ser solicitada por e-mail, visto necessário para a saída emitido no Ministério das Relações Exteriores

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

4- Chipre do Norte

Porto

Porto Girne

Reconhecimento: 1 estado membro da ONU

Capital: Nicósia

Moeda: Lira turca, Euro e Libra esterlina

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

5- República de Nagorno-Karabakh

Mesquita

Mesquita em Agdam

Reconhecimento: 3 estados não membros da ONU

Capital: Stepanakert

Moeda: Dram armênio

Visto: Emitido no Ministério das relações exteriores e necessário para sair do país (para entrar não precisa)

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

6- República da Somalilândia

Memorial de guerra

Memorial de guerra

Reconhecimento: Sem reconhecimento internacional

Capital: Hargesia

Moeda: Shilling da Somalilândia

Visto: Emitido na fronteira ou com antecedência em uma das ” Embaixadas”

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

7- Palestina

Free Palestine

Free Palestine

Reconhecimento: 138 estados membros da ONU

Capital: Jerusalem Oriental (ocupada), Ramallah (provisória)

Moeda: Shekel

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

8- Saara Ocidental (República Árabe Sarauí)

Bases militares por todos os lados

Bases militares por todos os lados

Reconhecimento: 84 estados membros da ONU

Capital:  Laayoune (ocupada), Bir Lehlou (provisória)

Moeda: Dirham

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

9- República da Ossétia do Sul

RSO- República da Ossétia do Sul

RSO- República da Ossétia do Sul

Reconhecimento: 4 estados da ONU e 3 não membros

Capital: Tskhinval

Moeda: Rublo

Visto: Autorização de entrada pode ser solicitada por e-mail com um mês de antecedência, visto necessário para a saída emitido no Ministério das Relações Exteriores

Relato: Devido a uma queda de barreira na estrada não pude visitar

Dos países “de facto” independentes ainda tem Taiwan, reconhecido somente por 21 estados membros da ONU, mas que eu ainda não visitei.

Existem muitas outras regiões que já foram ou gostariam de ser independentes, mas hoje fazem parte de outros países, portanto não sendo “de facto” independentes. Algumas foram transformadas em regiões autônomas (ou semi-autônomas) e Repúblicas, outras mantém governo no exílio.

Algumas destas regiões por onde eu já viajei:

Tibet

Relato: (Clique aqui)

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Curdistão

Relato: (Clique aqui)

no centro da cidade

Citatel de Erbil

República da Chechênia

Relato: (Clique aqui)

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República de Karakalpak

Relato: (Clique aqui)

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República da Ossétia do Norte

Relato: (Clique aqui)

Dargavs

Dargavs

Caxemira

Relato: (clique aqui)

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Xinjiang (Turquestão Oriental)

Relato: (Clique aqui)

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República da Inguchétia

Relato: (Clique aqui)

Torres Inguches

Torres Inguches

"O fato de que poucas pessoas vão,
é uma das razões mais fortes para viajar para um lugar"
- Paul Theroux

Novo projeto: Países que não existem

Um novo projeto está em fase de planejamento, se chama “Países que não existem”. O nome é um tanto provocativo, pois é claro que eles existem! Muitos deles tem autonomia total do território, presidente, moeda, passaporte dentre outras coisas. O que falta é basicamente o reconhecimento internacional.

Países "De Facto"independentes mas que ainda não tem o reconhecimento internacional

Países “De Facto”independentes mas que ainda não tem o reconhecimento internacional

Na pagina onde falo sobre por onde andei (Clique aqui) questiono um pouco sobre o que são países.

Para o direito internacional está bem claro, para ser um país precisa:

1- População permanente

2- Território definido

3- auto-governo

4- se relacionar com outros países

Mas a questão não é tão simples. Na antiguidade os estados se formavam por ocupação ou por conquista. As regras foram mudando ao longo dos seculos e só após as barbaridades da Segunda Guerra, os estados tentaram se organizar e criar regras (até mesmo para guerras). Com o tempo surgiu a ONU, “Organizações das Nações Unidas”. O problema é que para se tornar independente agora, teoricamente não poderia lesar um estado membro da ONU. Existem as declarações unilaterais, onde os novos países buscam reconhecimento dos estados membros da ONU, mas é um processo longo e complicado.

A ONU reconhece 193 países, além do Estado observador do Vaticano. Recentemente a Palestina também foi elevada ao titulo de Estado Observador da ONU. Pelo menos 10 Estados são “de facto” independentes (alguns falam em 14).

São eles:

1- Palestina – Estado Observador da ONU, membro da Unesco, reconhecido por 134 países da ONU

2- Saara Ocidental – Também chamado de Republica Árabe Sarauí, membro da União Africana, reconhecido por 84 países da ONU.

3- Kosovo – Somente três dos cinco estados membros do conselho de segurança da ONU votaram a favor da independência (Qualquer um tem direito a veto), no entanto é reconhecido por 109 países membros da ONU

4- Somalilândia – Controla seu território desde 1991, tem presidente, exercito, moeda própria, visto de entrada, escritórios de representação, mas não é reconhecida por nenhum país.

5- Transnístria – Reconhecida somente por três estados não membros da ONU

6- Norte do Chipre – Reconhecido somente por um estado membro da ONU

7- Abkhazia – Reconhecida por quatro países da ONU e três não membros

8- Ossétia do Sul – Reconhecida por quatro países da ONU e três não membros

9- Nagorno-Karabakh – Reconhecido somente por três estados não membros da ONU

10- Taiwan – Inacreditavelmente reconhecido somente por 21 países da ONU.

Alguns destes países são de mais fácil acesso, outros tem fronteiras fechadas e vistos complicados de se conseguir. Vamos ver quais eu consigo visitar. Se alguém de uma embaixada que não reconhece algum destes países estiver lendo, não se preocupem que não farei nada ilegal 😉

Gostaria de fazer filmagens, para depois lançar meus vídeos de viagem (Clique aqui). Se tiver bastante conteúdo quem sabe não lanço em episódios ou um Vlog. Se alguma produtora se interessar é só entrar em contato! 😉

Agora vem a parte que os leitores podem colaborar! Estou disponibilizando 100 cópias do meu ultimo livro, De Istambul a Nova Délhi: Uma Aventura pela Rota da Seda” por 30 reais cada. Valido até dia 15/Ago. É um desconto de 25% no preço que as livrarias estão cobrando (Clique aqui). Valor com postagem para todo o Brasil.

Para quem não comprou, é uma ótima oportunidade para adquirir o seu! Pode comprar para dar de presente para aquele amigo que gosta de viajar, pode encomendar vários para colaborar com o projeto e desfrutar de estórias e fotografias no blog, sem custo nenhum 😉

Capa

Capa

Fiquem de olho no blog, na pagina do Facebook e no Instagram para saber como anda a parte burocrática pré-viagem.

Vizinhos esquecidos?!

Quando se fala em América do Sul, muitas vezes nem lembramos dos nossos vizinhos do norte. Não mencionamos que no nosso continente o inglês, holandês e francês também são línguas oficiais. São países isolados do resto da America do Sul, tendo maior ligação com o países caribenhos. No caso do Suriname, nem estrada pela fronteira terrestre existe. Já a Guiana francesa é território francês até hoje, onde regem leis francesas, além do euro. Este isolamento geográfico/linguístico/cultural acaba sendo um grande atrativo!

Próximo destino

Guianas

De Georgetown fui seguindo pela estrada litorânea, parando em alguns postos policiais para controle de passaporte, em algumas pequenas cidades para comprarmos comida em feiras,  até chegamos a Corriverton, na margem do rio Corentyne, onde carimbei a saída da Guiana e aguardei o ferry para atravessar para o Suriname.  Uma senhora tentava carregar uma mala gigante e me pediu para ajudar. Antes de passar na imigração fiz questão de avisar que só estava ajudando, deu aquele medo de estar cheia de ouro, diamantes ou drogas. Quando acomodei a mala no ferry ela queria me pagar pelo serviço, e quando recusei, queria me pagar algo para beber de qualquer maneira. Não aceitei, mas fui conversando com ela e outros passageiros que viajam com bastante frequência nesta rota, levando mercadorias para vender de um lado e outro da fronteira.

Arredores de Nova Amsterdã - Guiana

Arredores de Nova Amsterdã – Guiana

Chegando no Suriname

Chegando no Suriname

A viagem não foi longa e logo depois estávamos formando longas filas para passar na imigração do Suriname. O equipamento utilizado e leitores de passaportes eram bem mais modernos comparados com os das fronteiras anteriores, o que agilizou um pouco, apesar do grande número de pessoas e carros.

Do outro lado vans esperavam os passageiros para levarem até Paramaribo. É possível inclusive deixar agendado o trajeto inteiro, sem ter que se preocupar se terá transporte na chegada. A imigração fica num local bem isolado, na beira do rio. Não existe uma cidade ou vila que ofereça infraestrutura para o local. Até deve ser possível atravessar sem o ferry, buscando um pequeno barco, mas acredito que terá problemas para conseguir seguir viagem depois.

Uma pequena estrada, de boa qualidade, ia beirando plantações com dutos e sistema de irrigação, que facilmente lembravam o interior da Ásia. Nas primeiras paradas já deu para perceber que se tratava de um país bem mais desenvolvido que a Guiana. Se na Guiana era fácil ver a influência dos imigrantes indianos, agora era a vez de ver muitos indonésios, com seus “warungs” (restaurantes) espalhados por todos os lados. Aproveitei para pegar um nasi goreng e matar a saudades da comida de lá também. Ainda é possível ver a influencia de indianos, mas no Suriname eles tem uma porção menor da sociedade. Javaneses  e chineses dividem a influência asiática, enquanto os negros completam a sociedade.

Canais e plantações no interior

Canais e plantações no interior

A chegada em Paramaribo foi uma grata surpresa. Sabia que era patrimônio da Unesco, mas me surpreendi com a cidade. Muito charmosa, organizada e limpa. Toda uma arquitetura holandesa, com este caldeirão de raças e culturas, tudo isto na América do Sul.

Fiquei numa pousada que era um casarão antigo, em uma rua que facilmente poderia confundir com algum bairro de Amsterdã. Da janela do meu quarto dava para avistar a bela catedral, toda em estrutura de madeira. A cidade estava viva, com shows a noite, corais de Natal. Uma cidade muito tranquila e segura, onde é possível caminhar a noite sem nenhum problema.

Se é de origem holandesa, nada melhor que explorar a cidade de bicicleta, que são facilmente alugadas. Fácil de percorrer a cidade, é possível inclusive colocar num barco e ir ao outro lado do rio, onde tem florestas e clima menos urbano. Dentre os diversos cassinos, você vai encontrar uma imponente Sinagoga, do seculo 18, bem ao lado da Mesquita. Já é possível encontrar um número bem maior de turistas, grande parte europeus, muitos deles somente de passagem para visitar as tão faladas e preservadas florestas do interior. Aldeias indígenas e vilas Maroons (espécie de Quilombos) também estão no circuito turístico.

Sinagoga e Mesquita

Sinagoga e Mesquita são vizinhas em Parbo

Se a cidade sendo mais organizada e rica que Georgetown, perde um pouco em vida. provavelmente menos musical também. Por outro lado ganha muito mais opções de comida também. O calor continuava grudento, mas além de sucos tinha o Dawat para refrescar, feito com água de coco misturado com grosélia.

Para pegar transporte para a Guiana Francesa, tentei os táxis coletivos que ficam na frente do movimentado mercado público. Não adiantou chegar cedo, pois demorou para chegar outros passageiros. Fiquei conversando com os motoristas e pedindo para eles me ensinarem Sranan Togo, língua bastante falada, junto com o holandês. Outras línguas menos faladas são o  inglês, hindi, urdu, maroon, mandarin, linguas indigenas…

A viagem até Albina foi tranquila, por várias paisagens rurais. Quer dizer, houveram algumas paradas de emergência, pois acho que abusei da comida de rua e pimenta, mas nada que não tenha valido a pena. Albina não é uma cidade agradável, clima meio pesado, de cidade de fronteira. Dezenas de pessoas querendo pegar a tua mochila e te levar até uma das canoas que faz a travessia. Grande parte das pessoas que estão ali atravessam de forma ilegal, pois ficam só do outro lado do rio e retornam. Eu passei pela imigração, local um pouco mais afastado e bem mais calmo, e peguei uma canoa para St Laurent du Maroni, do outro lado do rio Maroni.

St - Tecnicamente na França

St Laurente du Maroni – Tecnicamente na França

Somente eu no pequeno posto de imigração. O oficial, como todo bom francês, não falava inglês, ou pelo menos fingia que não. Tentei jogar umas poucas palavra de francês soltas, misturadas com portunhol, para descobrir de onde saiam os “colectiv” para Cayenne. Mesmo tento entrado na França, o clima da cidade também não era dos melhores. Caminhei até o local onde chegavam todas as canoas com o pessoal que não passava pela imigração, e encontrei uma van que sairia quando lotada. Tinham somente dois índios do Amapá, que diziam ser brasileiros, mas falavam um português um pouco melhor que meu francês. Viviam na Guiana Francesa a tanto tempo que nem lembravam mais. O mais velho, bêbado, dormiu a maior parte do tempo, só acordando para dar umas mordidas no pedaço de pão que estava em uma sacola. Estava muito quente, eu suava, e não tinha sinal de aparecer mais pessoas. Não existia nenhuma outra alternativa, então relaxei e fiquei batendo papo com o pessoal que fazia as travessias.

Me surpreendi quando chegaram três outros passageiros e o motorista foi saindo. Cheguei a pensar que iríamos vazios, mas ele já tinha combinado com outras pessoas e fomos buscar na casa delas. A pequena cidade tem certo estilo, com algumas construções históricas, mas nada que chame muito a atenção. Viagem no meio de florestas até Korou, cidade onde no mesmo dia de madrugada tinham lançado um foguete com o satélite Gaia. Confesso que mesmo não tendo tanto interesse em conhecer o Centro Espacial Europeu, gostaria bastante de ter visto este lançamento. Korou é um dos locais mais turísticos da Guiana Francesa. Além do Centro Espacial, ali na frente estão as famosas ilhas que funcionaram como prisão por tanto tempo, e foram imortalizadas pela história da fuga do Papillon.

De Korou até Cayenne é rapidinho. Se Georgetown e Paramaribo já eram pequenas, com menos de 300 mil habitantes, a capital da Guiana Francesa mais parece uma vila. Sua população é de 80 mil habitantes, mas seu centro é bem compacto. Alguns prédios coloniais bem cuidados e muito organizada. É possível escutar português nas ruas devido ao grande número de brasileiros que tentam a sorte por ali.

Eu fiquei em um bairro mais afastado, fazendo Couchsurfing na casa de três franceses que se mudaram para lá em busca de sossego e dos incentivos que a frança dá para quem mora neste “Território Ultra Marinho Francês.

Conversamos bastante, capricharam no jantar, tomamos vinho, já estava me sentindo em casa. Fomos para a cidade, conheci uns barzinhos e acabei aproveitando mais Cayenne do que imaginava.

Couchsurfing!

Couchsurfing!

Para viajar pelo interior seria complicado, pois os táxis coletivos praticamente só tem ligação com a capital, então exigiria idas e vindas. Mas sempre é bom contar com um pouco de sorte. Em vez de pegar o “colectiv” direto para St George, fronteira com o Brasil, resolvi pegar carona. Para garantir 6:30 já estava indo para a estrada, pois caso eu não conseguisse, ainda daria tempo de buscar um táxi coletivo. Acabei pegando carona com uma van do correio, que foi parando nas (poucas) pequenas cidades do interior da Guiana Francesa. Uma que eu estava ansioso para conhecer era Cacao, cidade de imigrantes do Laos e Vietnã. Impressionante como através dos seus colonizadores, indianos (Guiana), indonésios (Suriname) e agora laosianos e vietnamitas foram parar do outro lado do mundo!

Amazônia Francesa

Amazônia Francesa

Aproveitei para comer um delicioso croasant de chocolate em Régina antes de encarar a estrada fantasma e chuvosa até o rio Oyapoque. Acho que não encontramos nenhum carro em todo o percurso. A estrada asfaltada é boa, e corta a floresta verde. Em uma ponte vi um barco com um pescador com a camisa do flamengo. As fronteiras definitivamente não são muito respeitadas por aqui.

De carona com a Van do correio

De carona com a Van do correio

Em St George chovia torrencialmente. Decidi esperar meu amigo entregar as encomendas no correio e me deixar na imigração, que fica um pouco afastada. Depois do passaporte carimbado foi só pegar um pequeno barco para o Brasil. Passamos debaixo da moderna ponte que está pronta mas ainda não funciona, devido a problemas do lado brasileiro, é claro.

Com tempo gostaria de ter visitado o Parque Nacional do Cabo Orange, mas precisa de autorização prévia e demora algumas horas de barco. Por sorte consegui um “pirata”caminhonete que faz o transporte levando mercadorias e pessoas. O ônibus viajaria a noite toda e as notícias da estrada não eram muito animadoras. Um caminhão estava encalhado a muitas horas e não parava de chover.

Barcos em Oiapoque, com a nova ponte pronta ao fundo, mas não funcionando.

Barcos em Oiapoque, com a nova ponte pronta ao fundo, mas não funcionando.

De dia deu para aproveitar melhor a paisagem, da estrada enlamaçada que passa pelas terras indígenas de Galibi e Uaçá. Até chegar o asfalto foram longas horas de viagem, muito pior que no interior da Guiana. Talvez porque ali a temporada de chuva chegou antes. Teve um trecho de 40 km que demoramos quase duas horas para percorrer! Uma caminhonete que saiu um pouco antes que nós se perdeu em uma curva escorregadia e bateu. Mesmo quando a estrada não tem buracos, não adianta querer ir rápido. Em Macapá eu estava em casa, pois já fui várias vezes a trabalho para lá. Caminhei e jantei na beira do rio Amazonas, antes de ir para o aeroporto, cheio de idéias e sensações novas.