Que país é este?! – Índice dos países com reconhecimento limitado

São 193 os Estados Membros da ONU, porem existem outras nações “de facto” independentes mas com reconhecimento limitado. Alguns são bem acessíveis para viajar, outros nem tanto. Sempre importante lembrar que países onde o Brasil não tem relações diplomáticas você não tem assistência nenhuma em caso de dificuldades.

1- República da Transnístria

Lenin

Lenin

Reconhecimento: 3 estados não membros da ONU

Capital: Tiraspol

Moeda: Rublo da Transnístria

Visto: Emitido na fronteira, necessita de registro caso fique mais de 12 horas

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

2- Kosovo

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Reconhecimento: 109 estados membros da ONU

Capital: Pristina

Moeda: Euro

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

3- República da Abecásia

Novi Afon

Novi Afon

Reconhecimento: 4 Estados da ONU e 3 não membros

Capital: Sukhumi

Moeda: Rublo e Aspar da Abecásia (não muito utilizado)

Visto: Autorização de entrada pode ser solicitada por e-mail, visto necessário para a saída emitido no Ministério das Relações Exteriores

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

4- Chipre do Norte

Porto

Porto Girne

Reconhecimento: 1 estado membro da ONU

Capital: Nicósia

Moeda: Lira turca, Euro e Libra esterlina

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

5- República de Nagorno-Karabakh

Mesquita

Mesquita em Agdam

Reconhecimento: 3 estados não membros da ONU

Capital: Stepanakert

Moeda: Dram armênio

Visto: Emitido no Ministério das relações exteriores e necessário para sair do país (para entrar não precisa)

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

6- República da Somalilândia

Memorial de guerra

Memorial de guerra

Reconhecimento: Sem reconhecimento internacional

Capital: Hargesia

Moeda: Shilling da Somalilândia

Visto: Emitido na fronteira ou com antecedência em uma das ” Embaixadas”

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

7- Palestina

Free Palestine

Free Palestine

Reconhecimento: 138 estados membros da ONU

Capital: Jerusalem Oriental (ocupada), Ramallah (provisória)

Moeda: Shekel

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

8- Saara Ocidental (República Árabe Sarauí)

Bases militares por todos os lados

Bases militares por todos os lados

Reconhecimento: 84 estados membros da ONU

Capital:  Laayoune (ocupada), Bir Lehlou (provisória)

Moeda: Dirham

Visto: Brasileiros não precisam

Relato: (Clique aqui)

Vídeo:

9- República da Ossétia do Sul

RSO- República da Ossétia do Sul

RSO- República da Ossétia do Sul

Reconhecimento: 4 estados da ONU e 3 não membros

Capital: Tskhinval

Moeda: Rublo

Visto: Autorização de entrada pode ser solicitada por e-mail com um mês de antecedência, visto necessário para a saída emitido no Ministério das Relações Exteriores

Relato: Devido a uma queda de barreira na estrada não pude visitar

Dos países “de facto” independentes ainda tem Taiwan, reconhecido somente por 21 estados membros da ONU, mas que eu ainda não visitei.

Existem muitas outras regiões que já foram ou gostariam de ser independentes, mas hoje fazem parte de outros países, portanto não sendo “de facto” independentes. Algumas foram transformadas em regiões autônomas (ou semi-autônomas) e Repúblicas, outras mantém governo no exílio.

Algumas destas regiões por onde eu já viajei:

Tibet

Relato: (Clique aqui)

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Curdistão

Relato: (Clique aqui)

no centro da cidade

Citatel de Erbil

República da Chechênia

Relato: (Clique aqui)

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República de Karakalpak

Relato: (Clique aqui)

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República da Ossétia do Norte

Relato: (Clique aqui)

Dargavs

Dargavs

Caxemira

Relato: (clique aqui)

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Xinjiang (Turquestão Oriental)

Relato: (Clique aqui)

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República da Inguchétia

Relato: (Clique aqui)

Torres Inguches

Torres Inguches

"O fato de que poucas pessoas vão,
é uma das razões mais fortes para viajar para um lugar"
- Paul Theroux
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Kosovo: Não-País ou Quase-País?

Dos países com reconhecimento parcial, Kosovo tem uma posição privilegiada. Digamos que está mais para um Quase-País do que para um Não-País. Tem o reconhecimento de 108 estados membros da ONU (Só perde para a Palestina, que tem o reconhecimento de 134 membros, além de ser Estado Observador da ONU), faz parte do FMI, do Banco Mundial dentre outras associações internacionais. Sua grande força é que a maioria dos membros da União Européia o reconhecem como país (somente 5 não reconhecem). Para o governo brasieirol, se você for para o Kosovo, estará indo para a Sérvia, que já não tem nenhum controle sobre a região.

O Kosovo proclamou independência no início de 2008. Os albaneses, maioria da população do Kosovo, vinham sendo massacrados pelos Sérvios, comandados pelo louco do Milosevic. O Exército de libertação do Kosovo já foi taxado de terrorista pelo ocidente no passado, mas em uma espécie de nova guerra fria (Servia tinha a Russia como grande aliada), EUA e a OTAN (se sentindo culpados por terem deixado os Sérvios massacrarem os Bósnios anos antes), resolveram apoia-los. Com os bombardeios da OTAN, as forças Sérvias recuaram e desde então a região tem autonomia e busca o reconhecimento como país. Para conseguir o feito existem algumas barreiras. A Russia, membro do conselho de segurança é extremamente contra. Países europeus, querem a garantia de que minorias servias na região sejam protegidas e tem medo do sentimento de vingança que os kosovares-albaneses possam ter, já que  milhares de albaneses foram expulsos de suas terras (quase 1 milhão de refugiados) e tiveram suas famílias massacradas (tentaram fazer uma limpeza étnica).

Eu já havia visitado todos os vizinhos do Kosovo, inclusive ensaiado uma ida para lá. Nunca escondi meu interesse pelos Bálcãs, na minha opinião uma das regiões mais interessantes da Europa! Depois de uma noite (mal) dormida no aeroporto de Istambul, cheguei em Pristina, capital do Kosovo. O avião sobrevoou  as belas montanhas, todas enrugadas, como se buscasse um vale para poder pousar. Depois da imigração, revistaram toda a minha mochila, fizeram algumas perguntas e perguntaram quanto dinheiro eu tinha. Acostumado com oficiais corruptos, fiquei com medo mostrar muito dinheiro, mas não era o caso. Eles acharam pouco, ainda perguntaram um “mas você tem um cartão de crédito pelo menos, né?!” antes de me liberarem e solar um “somente rotina, bem vindo ao Kosovo!”

Tinha sido alertado sobre a “síndrome do carro branco”, referencia à cor dos carros da ONU, que fazem o preço dos produtos e serviços subir consideravelmente devido à presença de expatriados com altos salários. Como não existe transporte público do aeroporto para o centro, o jeito foi atravessar a saguão do aeroporto desviando dos taxistas, passar por outro grupo deles lá fora e ficar parado como se esperasse alguém. Ofereceram táxi e eu disse que já tinha um pré agendado. Apos uns minutos disse que iria com um deles se cobrassem o valor que eu já havia combinado (com o táxi que não existia), 30% do valor que estavam pedindo. Aceitaram na hora!

O aeroporto não era tão perto e deu para conversar bastante com o motorista no caminho. Ele não falava inglês muito bem, mas era comunicativo e foi bastante proveitoso. Conheceria Pristina depois, meu foco naquele momento era Prizren, cidade cerca de duas horas de distância. Na verdade não fica muito longe, mas a estrada passa por pequenas vilas e muitas curvas entra as montanhas. Ótimo para ver o dia a dia pela janela alem de poder bater papo com os outros passageiros. Os kosovares estão acostumados com estrangeiros, que normalmente estão a trabalho lá, então não iniciam tanto as conversas, mas se você puxa papo, não param de falar! Como eu já havia viajado pela região albanesa da Macedônia (Tetovo) além da Albânia, eles me viam com bastante curiosidade e tínhamos bastante assunto.

Interior

Interior

Prizren foi uma antiga capital do reino da Servia. Tem sua maioria esmagadora da população kosovar-albanesa, sendo que os poucos sérvios que moravam lá fugiram após o conflito. A cidade velha está muito bem preservada, somente o bairro sérvio e as igrejas que foram bastante destruídos. Mas os tempos de guerra ficaram para trás e quem quer reconhecimento interacional tem que buscar outra postura. Com muita ajuda internacional, o lugar estava pulsando. Cheio de turistas, muitos deles do próprio Kosovo mas também bastante estrangeiros, se espalhavam nos cafés ao redor do Shadervan, antiga fonte de água em um calçadão. Cheguei em pleno festival de filme da cidade e o dia a dia parecei ainda mais vivo.

Centro

Centro

Prizren

Cidade velha com a cidadela ao fundo

Prizren

Prizren

Longas caminhada entre os diversos prédios históricos, mesquitas e igrejas eram intercaladas com repouso em algum café para olhar o movimento e a viada acontecer ao redor. Uma cidade muito gostosa, adorei o tempo gasto por ali. A quantidade de gente, que por um lado dava vida ao local, com o tempo irritou um pouco, queria ter sentido o lugar em um dia comum também. Para compensar isto caminhei bastante por bairros um pouco mais afastados. Comi um delicioso Tave e tomei uma bebida tipica chamara Boza, feita do milho.

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Minaretes

Minaretes

Igrejas destruídas e protegidas com arame farpado

Igrejas destruídas e protegidas com arame farpado

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Acabei nem indo para Peje, cidadezinha mais ao norte do Kosovo, pois acabaria ficando muito corrido. Segui pela mesma estrada de volta para Pristina, passando pelos diversos memoriais de guerra e pela bandeiras do Kosovo ao lado das da Albânia.

Apesar de ser a capital, Pristina não tem tantas atrações. É um lugar movimentado, com tantos estrangeiros e ajuda interacional acabou desenvolvendo uma série de opções de lugares para sair e comer. Um contraste de lugares sofisticados com apartamentos em forma de blocos da era comunista. Um enorme calçadão, chamado Madre Teresa, é uma das regiões mais movimentadas da cidade.

Blocos

Blocos

Calçadão Madre Teresa

Calçadão Madre Teresa

A Madre Teresa nasceu em Skopje, que hoje fica na Macedônia mas na época fazia parte do Kosovo, uma subdivisão do Império Otomano. Existe um grande santuário para ela no centro de Pristina, na esquina das avenidas George Bush com Bill Clinton.

Santuário

Santuário Madre Teresa

Pode parecer estranho um antigo país comunista, de maioria muçulmana, ter esta proximidade com os EUA, mas ela é visível por todos os lados. Bandeiras americanas ao lado das albanesas e do Kosovo sã bem comuns. Eles se mostram muito agradecidos pela decisão dos EUA liderarem a Otan no ataque contra os Sérvios (contrariando a ONU). Pertinho da loja “Hilary Clinton” pude ver a estátua que ergueram em homenagem ao Bill Clinton, no minimo curioso.

Estatua Bill Clinton

Estatua Bill Clinton

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Outdoor

Mesquitas e igrejas

Mesquitas e igrejas

Depois de explorar bem a cidade, tanto a parte nova como a antiga, estava pronto para seguir viagem. Seguiria minha jornada pelos #PaísesQueNãoExistem com a certeza de que o Kosovo não só existe, como já foi descoberto pelos turistas!

Novo projeto: Países que não existem

Um novo projeto está em fase de planejamento, se chama “Países que não existem”. O nome é um tanto provocativo, pois é claro que eles existem! Muitos deles tem autonomia total do território, presidente, moeda, passaporte dentre outras coisas. O que falta é basicamente o reconhecimento internacional.

Países "De Facto"independentes mas que ainda não tem o reconhecimento internacional

Países “De Facto”independentes mas que ainda não tem o reconhecimento internacional

Na pagina onde falo sobre por onde andei (Clique aqui) questiono um pouco sobre o que são países.

Para o direito internacional está bem claro, para ser um país precisa:

1- População permanente

2- Território definido

3- auto-governo

4- se relacionar com outros países

Mas a questão não é tão simples. Na antiguidade os estados se formavam por ocupação ou por conquista. As regras foram mudando ao longo dos seculos e só após as barbaridades da Segunda Guerra, os estados tentaram se organizar e criar regras (até mesmo para guerras). Com o tempo surgiu a ONU, “Organizações das Nações Unidas”. O problema é que para se tornar independente agora, teoricamente não poderia lesar um estado membro da ONU. Existem as declarações unilaterais, onde os novos países buscam reconhecimento dos estados membros da ONU, mas é um processo longo e complicado.

A ONU reconhece 193 países, além do Estado observador do Vaticano. Recentemente a Palestina também foi elevada ao titulo de Estado Observador da ONU. Pelo menos 10 Estados são “de facto” independentes (alguns falam em 14).

São eles:

1- Palestina – Estado Observador da ONU, membro da Unesco, reconhecido por 134 países da ONU

2- Saara Ocidental – Também chamado de Republica Árabe Sarauí, membro da União Africana, reconhecido por 84 países da ONU.

3- Kosovo – Somente três dos cinco estados membros do conselho de segurança da ONU votaram a favor da independência (Qualquer um tem direito a veto), no entanto é reconhecido por 109 países membros da ONU

4- Somalilândia – Controla seu território desde 1991, tem presidente, exercito, moeda própria, visto de entrada, escritórios de representação, mas não é reconhecida por nenhum país.

5- Transnístria – Reconhecida somente por três estados não membros da ONU

6- Norte do Chipre – Reconhecido somente por um estado membro da ONU

7- Abkhazia – Reconhecida por quatro países da ONU e três não membros

8- Ossétia do Sul – Reconhecida por quatro países da ONU e três não membros

9- Nagorno-Karabakh – Reconhecido somente por três estados não membros da ONU

10- Taiwan – Inacreditavelmente reconhecido somente por 21 países da ONU.

Alguns destes países são de mais fácil acesso, outros tem fronteiras fechadas e vistos complicados de se conseguir. Vamos ver quais eu consigo visitar. Se alguém de uma embaixada que não reconhece algum destes países estiver lendo, não se preocupem que não farei nada ilegal 😉

Gostaria de fazer filmagens, para depois lançar meus vídeos de viagem (Clique aqui). Se tiver bastante conteúdo quem sabe não lanço em episódios ou um Vlog. Se alguma produtora se interessar é só entrar em contato! 😉

Agora vem a parte que os leitores podem colaborar! Estou disponibilizando 100 cópias do meu ultimo livro, De Istambul a Nova Délhi: Uma Aventura pela Rota da Seda” por 30 reais cada. Valido até dia 15/Ago. É um desconto de 25% no preço que as livrarias estão cobrando (Clique aqui). Valor com postagem para todo o Brasil.

Para quem não comprou, é uma ótima oportunidade para adquirir o seu! Pode comprar para dar de presente para aquele amigo que gosta de viajar, pode encomendar vários para colaborar com o projeto e desfrutar de estórias e fotografias no blog, sem custo nenhum 😉

Capa

Capa

Fiquem de olho no blog, na pagina do Facebook e no Instagram para saber como anda a parte burocrática pré-viagem.

Republica Shqiperia e um novo pais!

Alguem gosta de ler Brazil com “Z”? Que tal Brasile, Bresil ou Brasilien? Todo mundo quer o Brasil assim como chamamos no nosso pais! Por isto o titulo: Republica Shqiperia, a forma como os Albanese chamam o seu pais! A lingua albanesa vem dos ilirios (assim como o proprio povo) uma das grandes potencias europeias do passado. E um povo muito orgulhoso (nao tanto quanto os macedonios, que chegam a “niveis argentinos”) e citam facilmente nomes dos albaneses que foram Papas, lideres Otomanos e pessoas importantes na politica mundial atual. Foi um pais fechado, muito fechado, um comunismo fortissimo, que chegou a romper com a Iuguslavia, URSS e China por achar que eles estavam pegando leve. Durante muito tempo foi o pais mais pobre da Europa, e todo o isolamento parece ainda nao ter acabado. Dizem que 9 entre 10 mafiosos do mundo sao albaneses, inclusive na Italia!

Mesmo com a pouca frequencia e falta de transporte da Macedonia para a Albania, nossa viagem foi super tranquila. O candidato a Dervishe (Hussem), veio com um motorista nos buscar em Ohrid, e nos levou ate a fronteira, onde o Baba estava nos esperando. Toda historia comecou quando ainda estavamos em Tetova, e falamos que iriamos para a Albania. O Baba não gostou quando falamos que iriamos sozinhos e de onibus. Preocupacao tipo de pai. Ele afirmava que um pais que não teve religiao por tanto tempo não tinha coracao, e de nada adiantou narrarmos diversas das nossas aventuras em outros paises. Para ele, que viveu a repressao, a questao da Albania e incomparevel. Como ele vai todas as semanas para la, para cuidar dos monasterios, dar consenhos, fazer vizitas e trabalhar, se ofereceu para nos mostrar o pais. Claro que aceitamos, pois teriamos uma outra perspectiva. Ainda perto da fronteira, proximo ao lago Ohrid, mas do lado albanes, paramos na primeira Tekke, e o Baba se mostrou muito abil com as plantas arquitetonicas da reforma e comandando o pessoal. Depois de outras paradas, chegamos a Korca, uma cidade um pouco maior da regiao, onde nos hospedariamos. La nos despedimos deles, pois tinham que ir a outros Tekkes alem de encontrar com mais pessoas. Ficamos com um motorista a nossa disposicao, alem de estarmos num dos melhores hoteis da cidade. Insisti em pagar, mas nao deixaram. Na verdade eles tambem nao estavam pagando, eram trocas de favores, e como existem muitos bektaishis na Albania, vimos que nao teriamos muito o que nos preocupar. Ainda fomos ate Voskopoja, vila que ja foi uma importante cidade dos Balcas, onde existem duas duzias de igrejas, monasterios, alem de casas de pedra e um clima que nada nos lembrava a Europa, pelo menos nao a dos dias de hoje.

Auto estrada europeia!!

A europa nao e so Paris...

Este clima nao mudou nos primeiros dias de viagem. Seguimos por uma pequena estrada, sem acostamento, passando pelo meio de altas e impressionantes montanhas, com campos, pastores e regioes extremamente rurais. Pequenas vilas, e uma ou outra cidade, como Erseka e Permeti, que mesmo assim nao tinham nem meia duzia de ruas paralelas. O que nao faltavam eram os antigos blocos de apartamentos comunistas e estatuas de altos e fortes soldados, mostrando que a “propaganda” nao era fraca. Ao lado da estrada centanas de “bunkers iglus” estavam colocados em posicao estrategicas. Em todo o pais chegou a ter 700.000 bunkers destes, sendo que a populacao da Albania chega somente a tres milhoes de pessoas. Feitos de concreto pesado, teriam sido bem mais uteis se utilizados para a infraestrutura do pais, mas hoje estao abandonados parecendo mais como OVNIS. No mapa a viagem parecia que seria curta, mas devido a tantas montanhas, eram muitas curvas e sobe e desce, portanto foi bem demorado. Mas adoramos, um super visual!! Dormimos em Girocastra, antiga cidade (da Unesco), com suas casa de telhado de pedra e arquitetura tipica, alem de um grande forte no topo de uma montanha. Tinha um guia nos esperando (bektaishi e claro) e nada de pagar entradas nem hotel! Tiramos varias duvidas, aprendemos sobre a regiao e visitamos a casa onde morou o Hoxha, ditador da Albania por mais de 40 anos. Pegamos uma praia em Saranda, lugar que poderia estar na Grecia, e na verdade quase esta. Enseada em forma de ferradura, mar adriatico, bem astral, quase na frente da ilha grega de Corfu. Ficamos algumas horas ali, e ainda fomos mais para o sul, no Parque nacional de Butrini, que tambem e da Unesco. La existem restos de cidades que um dia foram dos Ilirios, Romanos, Gregos, Otomanos e por ai vai. Tinha mais turista de cruzeiros de navios do que pedra sobre pedra dos sitios arqueologicos. Iniciamos nossa subida rumo a Vlora, por um litoral todo recortado, cheio de curvas e uma super subida numa montanha que tinha uma otima vista. Viagem gostosa, do lado voltado para o mar era quase so pedras e bunkers e do outro tinham florestas de pinus cobrindo de verde todas as montanhas.

Bunkers por todos os lados!

Girocastra

Mar Adriatico

Vlora nao nos seduziu. Cidade praiana movimentada, feiona, onde foi proclamada a independencia do pais em 1912. Incrivel a quantidade de bandeiras dos EUA em todo o pais. Sao os grandes aliados da Albania, desde a independencia, e depois do comunismo, e claro. Outra mania nacional sao as casas de apostas. Sao como casinos, mas basicamente para jogos esportivos. Tem em tudo que e canto! A proxima parada foi em outra cidade da Unesco, Berati. Provavelmente um dos lugares que mais gostamos da Albania (tirando a parte da natureza). Cidade antiquissima, com diversos bairros, arquitetura, igrejas e mesquitas por todos os lados. Mais uma fortaleza na montanha (viraram piada, pois quase toda cidade tem!), mas esta tem dentro um bairro onde as pessoas ainda moram nos casaroes antigos. Comemos um carneiro com iugurte ao forno sensacional. Na praca principal, uma igreja de um lado e uma mesquita do outro. As religioes parecem se darem bem aqui, e ate se dao, mas o problema e que nao tem forca nenhuma. Com tantos anos de proibicao, hoje poucos sao religiosos.

Berati

50 anos sem direito a propriedade! Agora 7 a cada 10 carros sao Mercedes!!

Dentre suas andancas pelos monasterios da Macedonia, Kosovo e Albania, encontramos com o Baba novamente e fomos juntos ate o Monte Tomori, local sagrado para os Bektaishis. Mais um monasterio esta em reforma la, e a 2500 metros e o mais alto do pais. No topo da montanha tem uma “capela” para um dos Imans muculmanos. Na mesma caminhonete que estavamos, foi uma ovelha amarrada, que logo descobrimos que seria oferecida para sacrificio. Ela foi degolada, e depois do sangue escorrer, um pouco foi passado nas nossas testas, seguido de oracoes. A carne nao e desperdicada, e cada parte e doada a um grupo da sociedade. A carne de ovelha estava saborosa, mas pareceu estrana depois de ter presenciado o sacrificio da “prima” dela…

Sacrificio

Com o Baba

Vista do Monte Tabor

Demos uma esticada ate Tirana, com paradas em Durresi e outros lugares para o Baba se encontrar e orienter pessoas. Desde doentes ate pessoas que necessitavam de conselhos espirituais. Nao preciso nem falar que todo o tempo de viagem que tinhamos com ele aproveitamos bastante para conversar sobre o assunto. Tirana tem uma mistura interessante, com predios de colonia Italiana ao lado dos monstros comunistas. La nos despedims do Baba que nao parou, eram quase meia noite quando nos deixou num hotel e seguiu viagem por mais algumas horas ate seu proximo destino. Fomos ate Kruja, outra cidade antiga, com forte, e que uma familia estava nos esperando para mostrar a regiao e onde tivemos um super almoco. Acabamos ate recebendo um convite para o casamento antes de irmos embora. Aprendemos um pouco mais sobre o Skanderbeg, heroi Albanes, que depois mais de 20 anos como soldado escravo dos otomanos se rebelou e desertou, para voltar e proteger seu pais. Mais algumas cidades e fortes, mas so de passagem. Mesmo em Shkodra, que parecia interessante, acabamos nao explorando muito. O final de tarde se aproximava, e a estrada ate a fronteira com Montenegro era demorada e esburacada. Nos despedimos do simpatico motorista (cristao ortodoxo) que nos acompanhou, e deixamos uns presentinhos para todos. Inicialmente era para termos so passado pela Albania, mas acabamos estendendo nossa estada.

A Tirana italiana...

e a Tirana Comunista

Predio velho, pintura nova!

Propganda

Montenegro e um dos paises mais novos. Ate pouco tempo fazia parte da Servia-Montenegro, que nada mais era que a Iuguslavia, depois de ter perdido Eslovenia, Croacia, Bosnia e Macedonia. Sabiamos que era um pequeno pais, com magnificas paisagens naturais, mas nos surpreendemos com a sua rapida caminhada para a Uniao Europeia.

Mesmo sendo uma fronteira da Europa, e ate que desafiadora. Nada de transporte publico, e uma estradinha vagabunda. O oficial da imigracao de Montenegro estava com dor de barriga ou bravo por causa da profissao de sua mae, e nao foi nem um pouco simpatico. A noite ja chegava, e nao tivemos outra opcao a nao ser esticar o dedao e pedir carona. Vantagem que com a parada para mostrar passaportes, ja tinhamos selecionado alguns carros, e tentato conversar com alguns deles.

Um cara muito simpatico iria ate 10 km antes de Podgorica, capital e nosso destino. Ao chegar em sua cidade, acho que se comoveu, e sabia que nao teria onibus no dia, e nos levou ate Podgorica. Ate iamos ficar la, mas quando vimos a qualidade do quarto que estavam nos oferecendo por um preco nem tao amigo assim, resolvemos emendar a viagem ate a Baia de Kotor, onde teriamos um descanso merecido. Chegamos em Kotor ja era quase uma da manha, e para agravar, e epoca de carnaval la. O pessoal na rua, festando, e nos com as mochilas, procurando algum lugar para dormir. Sabiamos que nao achariamos o melhor lugar, entao caminhamos para dentro da cidade velha murada, andamos pelos corredores estreitos e pegamos a primeira opcao que nao estava lotada, para procurar um lugar com calma no outro dia.

Ficamos novos depois de uma longa noite de sono. Nem parecia que estavamos tao perto do “carnaval” deles. Saimos a procura de uma casa, e conseguimos mais um “achado” daqueles. Como temos sorte com isto. Uma casa bem perto da cidade velha, mas num lugar super calmo. Um jardim com arvores frutiferas, e uma varanda coberta com um “parreiral de kiwi”, onde tomavamos cafe da manha todos os dias. Descobrimos uma pequena praia, e nossa rotina foi praia-casa-praia, durante uns dias, esquecendo que estavamos perto da cidade antiga. A bahia de Kotor e cercada por altas montanhas, dando todo um contorno diferente. Inacreditavelmente navios de cruzeiros chegam ate ali, e o movimento era grande por isto.

Tudo aqui ja foi parte dos venezianos, portanto o carnaval deles e mais original que o nosso.

Um final de tarde, depois de andarmos pela cidade, resolvi enfrentar a caminhada ate o topo de uma montanha, acampanhando as muralhas da cidade, onde existe um antigo forte. E uma boa caminhada, mas a vista vai melhorando a medida que se sobe, o que e um otimo incentivo. La de cima e que se tem ideia da dimensao dos fiords, e a (maravilhosa!) vista fica completa. Fiquei la ate quase o anoitecer, e na descida as badaladas dos sinos das igrejas davam o clima para o lugar. Em outro dia subi novamente, mas desta vez com a Bibi. Andamos mais pela cidade velha, que e muito pequena, entao acabavamos dando voltas e voltas pelos mesmos lugares. Para acalmar o calor, so na base de sorvete e cerveja.

Kotor Bay

A algum tempo atras tivemos que marcar nossa passagem de volta. Como vamos utilizar milhagem, nao tivemos muita opcao, entao nos restou antecipar um pouco a volta. Com isto Kosovo e Servia estavam descartados, pois mesmo que fosse rapido tirar o visto, perderiamos um tempo precioso de final de viagem. Queriamos ir para o parque nacional de Durmitor, no norte de Montenegro, mas ao descobrir que tinha um onibus direto para Sarajevo de Kotor, achamos melhor ir para a Bosnia-Herzegovina e deixar o norte do pais para a proxima viagem para a regiao, junto com o que faltou dos Balcas. Apesar de na placa da rodoviaria mostrar dois horarios, so queriam me vender para o primeiro deles, nao adiantou insistir. Era complicado, pois chegariamos no meio da madrugada, mas nao tivemos o que fazer. Depois de aproveitarmos nosso ultimo dia, fomos para a rodoviaria, e nos surpreendemos ao saber que nosso onibus estava lotado! Tiraram nossas mochilas do bagageiro e foram embora nos deixando com os bilhetes na mao. Simples assim! Uns noruegueses falaram que o mesmo aconteceu com eles dias antes. Achamos que teriamos que esperar o outro dia, quando o pessoal achou uma solucao depois de alguns telefonemas. Nos colocaram no onibus mais tarde, aquele que eu nao quiseram me vender a passagem. De quebra me devolveram um pouco do dinheiro, pois era mais barato!! Que beleza!

Atras da cortina de ferro

A minha geração talvez tenha sido a ultima a aprender conceitos de primeiro mundo, comunismo e terceiro mundo no ginásio. Hoje os países são desenvolvidos ou em desenvolvimento. A maior parte dos países que passamos seriam considerados de “terceiro mundo” naquela época. Entrando pelo Leste Europeu, estaríamos experimentando algo diferente (ok passamos por países comunistas e ex-comunistas antes), mas seria o grande exemplo do “segundo mundo”. E, mas chegamos uns 20 anos mais tarde. A Bulgária já faz parte da União Europeia, mostrando que muitas mudanças já aconteceram por ali. Sim, muitas mudanças ocorreram, mas ainda e muito diferente da Europa Ocidental. A imigração e feita no trem, com oficiais com lap top, e nem precisa se preocupar com corrupção ou visto, mas sabe aquelas velhinhas que ficavam esperando o pessoal chegar na estacão de trem para oferecer um quarto baratinho? Pois e, elas ainda estão por ali, e por 5 euros se consegue uma cama num quarto particular. Foi assim nossa chegada em Plovdiv. Se a principio a arquitetura e a população em geral dava uma cara mais de Europa, com o tempo observamos que o desenvolvimento da Bulgária deixava um pouco a desejar, e questionei os critérios da UE, pois a Turquia parecia ser bem mais desenvolvida, pelo menos aparentemente. E um dos países com a maior quantidade de ciganos da Europa, e vivem como uma minoria. Plovdiv e uma cidade universitária, a segunda maior cidade da Bulgária. Possui uma bela cidade antiga no topo das colinas, e um calcadão com restaurantes e cafés onde e fácil se perder no tempo. A senhora que nos hospedou lavou algumas roupas, costurou, enquanto curtimos restaurantes, cafés, sorvetes a preços mais baratos que no Brasil.

Plovdiv

Já em Sofia resolvemos fazer couchsurfing. O Stefan foi nos buscar na rodoviária e nos levou na casa da Gerie, amiga dele onde ficaríamos. Ela esta reformando o apartamento para transformar num B&B, e esta quase pronto. Fica naqueles blocos de apartamento bem no estilo comunista. Para o centro da cidade são poucas estacoes no velho trem, que já tem um leitor digital de cartões, mas o furador antigo dos bilhetes de papel ainda funciona. No centro as largas avenidas arborizadas se transformaram. Hoje alem dos trens muita gente anda de bicicleta, a pé, e ainda tem espaço para cafés e restaurantes ate chegar na calcada. Mc Donalds, lojas e muito consumismo se misturam aos grandes e esquisitos prédios da era comunista. A cidade estava relativamente vazia, pois no verão muitos vão para as praias do Mar Negro. Cheio estavam os parques e praças, com o pessoal bebendo cerveja de dois litros e meio em garrafas plasticas, e foi assim que terminamos o nosso primeiro dia, depois de muitas andanças. Se em alguns lugares da Africa uma coca-cola era mais barata que água mineral, aqui a cerveja era mais barata que refrigerante! A Bulgária já foi um reino de grande importância. Na época que a Europa estava praticamente dividida entre Impérios Romano e Bizantino ela já estava la, firme e forte. Existem diversas igrejas ortodoxas, algumas muito impressionantes (são independentes, não ligada aos gregos ortodoxos). A cidade e relativamente pequena, aconchegante, e outras vezes nos vimos em praças e parques escutando musica ao vivo.

Em conversa com o nosso anfitrião, decidimos não ir no famoso monastério Rila pois, devido as férias, estaria muito cheio de gente. Optamos por ir de carro ate as montanhas dos Bálcãs, e conhecer vilas e estradas do interior, alem de monastérios menores. Paramos para tomar banho de rio, comer comidas tipicas, e no bonito monastério dos Sete Altares a Bibi já queria ficar para passar a noite. Mas acabamos indo até o monastério de São Jorge, que fica no topo de uma montanha, com uma vista muito legal. O monge que cuida de la e meio maluco, mas nos tratou bem, apesar de ter nos acordado no meio da noite com suas cantorias, depois de tanto vinho. O monastério e do seculo 13, muito bonito, com seus telhados de pedra. A vista do nosso quarto dava direto para as montanhas verdes. Alias, como vimos verde na Bulgária. Entrou uma frente fria durante a noite, mas não impediu que fosse fazer trilha ate uma caverna que não fica muito longe. O lugar e cheio de historias e lendas, e um túnel de alguns quilômetros liga o monastério ate a vila que fica lá em baixo nos pés da montanha. Quando voltamos para Sofia, não tínhamos nosso plano do próximo destino muito certo, mas sabíamos que teríamos que decidir isto num dos parques da cidade, comendo as mega fatias de pizza que eles tem.

Monastério Ortodoxo

Carona ate a Macedônia, ônibus pela rota sul perto da Grécia, uma parada no monastério de Rila, as opções eram muitas. O Stefan gosta de viajar, já veio do Japão ate a Europa de carro (com uma maquina de lavar no porta malas!), e quando viu que o preço do ônibus daria para ele dirigir ate a Macedônia (o carro dele e a gás), se ofereceu para nos levar, e a Garie topou na hora em ir junto. Somente poucos metros antes da bifurcação da estrada e que decidimos qual o caminho que seguiríamos. Optamos por ir para Skopje, capital da Macedônia, para ir em alguns lugares no norte do pais, mesmo parte da estrada não sendo tao bonita quanto a outra. A principal estrada entre os dois países, de pista simples e sem acostamento, fez esquecer que estávamos na Europa. Entrando na Macedônia, com campos verdes, pastores de ovelhas com montanhas ao fundo (do outro lado, a 20km, fica Kosovo), e carros Yugo, foi possível imaginar como era a Iugoslávia. Mais para a frente veio uma “auto estrada” com pedágio, mas que não nos cobraram por não termos a moeda local. A Macedônia é um país novo. Por mais que queiram que associemos a Macedônia dos tempos Bíblicos, ou do Alexandre o Grande, ela não e bem esta. Aquela Macedônia podia englobar todas estas terras, mas politicamente era a Grécia, e por isto os Gregos não ficaram nem um pouco felizes com a criação da Macedônia após se separarem da Iugoslávia. Tínhamos ouvido falar mal de Skopje, e não sei se e porque a expectativa era baixa, mas acabamos gostando. O centro e estranho, com um calcadão de pedestres, prédios comunistas misturados com cafés e um prédio moderno coberto com neon azul. A frente a ponte de pedra que leva para o forte e o antigo mercado Otomano, onde hoje fica a minoria Albanesa da Macedônia. Alias, a Madre Teresa de Calcuta não e de Calcuta, mas de Skopje (na verdade e nascida em Kosovo). Não era tao tarde, mas as ruas estreitas estavam vazias e restaurantes e lojas fechadas. Acho que no verão o pessoal não gosta muito de cidade. Como nos também preferimos lugares menores, já cedo fomos para o Lago Mataka, que não fica muito longe dali. E um lago formado por uma pequena hidroelétrica. No inicio tem bastante concreto, mas passando a represa o rio e transparente, refletindo as montanhas e todo o verde que tem ao redor. A trilha e beirando a rocha cortada, e tem ate cordas em alguns pontos para ajudar. Caminhamos bastante e aproveitamos o lugar, conhecemos a antiga Igreja ortodoxa de St Andre, com pinturas muito bacanas em todas as paredes. Para o almoço fomos ate outro monastério, com bonitos jardins, aos pés das montanhas.

Yugo!

Skopje

Lago Mataka

O Stefan e a Gerie tinham que votar para a Bulgária, mas resolveram nos levar ate Tetovo, lugar onde teoricamente só passaríamos o dia. Quando falei de uma mesquita pintada resolveram ir dar uma olhada rapidinho, adiando um pouco o retorno. A mesquita e pequena, arquitetonicamente nada de mais, mas num lugar bonito, ao lado de uma praça com um riacho e toda pintada. Por fora ela já chama atenção, mas por dentro que ela se diferencia mesmo das outras. Muuito bonita, toda enfeitada, nunca foi repintada, pois como não acendem velas, a pintura se preserva muito melhor. Na parte da frente uma grande estrela de Davi mostra que o simbolo não era de exclusividade Judaica antes (ate a bandeira do Marrocos tinha uma estrela de Davi, mas foi alterada depois da criação do estado de Israel). Estávamos para nos despedir deles mas com a informação que o Tekke, Monastério Sufista, não era longe dali, então foram juntos. O guardião nos explicava a historia do lugar e não batia muito com as informações que eu tinha. A Bibi já me cobrava por ser um lugar destruído por conflitos, em pedaços, quando achamos o casarão onde ficam os muçulmanos sufis da ordem dos Bektaishis. Conhecemos um pouco sobre eles e ficamos sabendo que o Baba, líder espiritual deles iria nos receber. Resumindo a historia, o papo se prolongou, fomos convidados para jantar e dormir la. O Stefan e Gerie não tiveram como recusar e só pegaram estrada no dia seguinte. A ordem dos Bektaishis surgiu no Irã, se desenvolveu na Turquia (também são Dervishes como os que vimos la, mas com outros princípios), e hoje tem seu centro mundial na Albânia. Tetova fica na Macedônia, mas a maioria esmagadora da população e albanesa. Aqui as fronteiras étnicas não obedecem as fronteiras politicas, e por isto existem tantas guerras nesta região. O Baba Mondi que nos acolheu, e o segundo da ordem na hierarquia mundial. No local também vive um Dervishe e um “candidato a Dervishe”, o qual era chamado de candidato. Pare se entrar na ordem tem que levar vários “nãos” antes. Eles aceitam qualquer religião, e mesmo sendo muçulmanos não seguem muitas regras digamos “tradicionais” dos seus companheiros de religião. Consideram uma taca de vinho como alimento, e as rezas no meio do dia são dispensadas, pois acreditam no trabalho duro. Ficamos chocados com a recepção que tivemos. Pensavam em tudo para nos agradar, e acabamos ficando mais uns dias por ali, já estando nos sentindo em casa. Não podíamos pensar em pagar nada, de transporte ate o lanchinho da noite que foram buscar quando a Bibi comentou que estava com fome. Mesmo sendo misticos, grande parte das conversas eram no plano pratico e direto, muito direto. Final dos dias estávamos exaustos de tanta informação. Chegamos ali meio que por acaso, e foi muito especial. Não vou me prolongar muito, mas o assunto daria para escrever um post especifico.

Mesquita toda pintada

Novos amigos, os Bektaishis

O Tekke

A Macedônia e um país bem pequeno, mas algumas viagens podem demorar (relativo as pequenas distancias) por causa das montanhas e condicoes das estradas. Os ônibus com horários infrequentes também atrasam um pouco, somado com o pouco inglês que se fala na região, se tem alguns desafios por ali. Pegamos um ônibus para Struga e depois um minibus para Ohrid, pois tínhamos perdido o ônibus direto. Ao chegar,depois de ter dado uma volta completa no centro o motorista só nos olhou com uma cara “vocês não vão descer?”. Foi a unica coisa que entendemos vindo do motorista. Pulamos do minibus e logo achamos um lugar barato para ficar. Ohrid fica na beira de um lago, com uma cidade velha tombada pela Unesco. Imaginávamos um lugar calmo (não sei porque) mas ao chegarmos la em alta temporada estava muito, mas muito movimentado. Festivais, Djs, muita coisa programada para os próximos dias. O lago cercado com montanhas e muito bonito, mas inicialmente ficamos um pouco decepcionados com o lugar, muita calcada, camelos e turistas. Pegamos uma praia, não menos movimentada, e com musica alta e muvuca. Nosso sentimento do lugar só começou a mudar quando fomos para a cidade velha. Suas pequenas ruas, igrejas que não acabam, e um forte no topo da montanha. Achamos uma pousada simpaticíssima mas não tinha lugar, então só tomamos um chá. Com aquela vista decidimos que teríamos que nos mudar para aquela região para aproveitar melhor. Acabamos num quarto quitinete na casa de um motorista de ambulância aposentado e de sua esposa. Tomamos um café com eles e conversamos longamente sobre os (bons segundo ele) tempos de Iugoslávia. Foram muito simpáticos. Depois de alguns dias em Ohrid já estávamos prontos para pegar a estrada novamente. A Albânia estava ali do lado, e não viajaríamos sozinhos!

Ainda bem que tem placa bilíngue!!