A rota menos percorrida, muita praia e o descanso merecido

Muito dos que voam para a Ilha de Flores, vão para o Parque nacional de Komodo para ver os Dragões de Komodo e voam de volta. Algumas atrações estão sendo descobertas, aumentando o numero de visitantes. Mas não e só a ilha de Flores que e esquecida pelo turismo convencional. Entre Lombok e Flores esta a ilha de Sumbawa. Aqueles lugares que ate guias como o Lonly Planet (que deveriam ser para viajantes independentes) falam que é bem legal, mas complicado viajar por lá, devido a falta de infra estrutura, transportes irregulares, etc. Ate os barcos que vem de Bali ou Lombok, passando por varias ilhas, até terminar em flores, pulam Sumbawa, não entendemos porque.

O Ferry de Labumbajo/Flores ate Sape/Leste de Sumbawa foi tranquilo. Foram aproximadamente oito horas de viagem, mas com espaço, sem stress e uma ótima paisagem. Pudemos ver aquelas “ilhas vulcões” de outro ângulo. A Bibi aproveitou para botar o sono em dia, indo para a primeira classe e se espichando nas poltronas almofadadas que estavam vazias, nem percebendo o barulho da TV que passava o filme do Wolverine. Eu fiquei lendo na terceira classe, que inacreditavelmente não estava lotada. Tinha uma cafeteria que servia pequenas refeições alem de muitos curiosos que vinham conversar. Ao chegar, dezenas de carregadores subiram no ferry para ajudar os passageiros a carregar suas caixas e bagagens em troca de algumas moedas. Mais carregadores que mercadoria, acabou saindo uma briga, a primeira que presencio desde o inicio da viagem. Esperamos os ânimos se acalmarem e saímos do ferry, em direção aos micronibus para continuar viagem. Eles estavam saindo, e quase que ficamos presos ali, pois transporte só no dia seguinte. No inicio passamos por algumas montanhas, arrozais, mas não demorou muito e o relevo mudou, ficando bem mais plano. O ônibus estava lotado, cheio de coisas no corredor, mas logo chegamos na rodoviária de Bina. As duas primeiras cidades de Sumbawa nos impressionaram. Havíamos lido sobre o subdesenvolvimento da ilha, baixíssimo IDH, mas não víamos esta pobreza toda, pelo menos próximo das estradas que circulávamos e principais cidades. Gostaríamos de explorar mais Sumbawa, mas nosso tempo estava curto. Decidimos não arriscar por causa do escasso transporte e seguir para o outro lado da ilha, onde estaríamos pais perto de Lombok/Bali, destino final da nossa viagem. Tivemos um intervalo ate o próximo ônibus, e a Bibi foi para um mercadinho comprar sanduíche para mudar um pouco a comida. Eu achei uma tiazinha com um carrinho que parecia de pipoca. Comi um delicioso Nasigoreng (não, eu não enjoo!!), talvez o melhor da viagem. Ficamos sentados na estera estendida na calcada, comendo e esperando nosso ônibus. O senhor sentado ao lado com seu filho ate tentava se comunicar, mas trocávamos sinais e muitas risadas. O outro ônibus que pegamos era super bom, tinha ate banheiro!! Poltrona reclinava bastante e conseguimos dormir. Como chegaríamos em Pota Tano no meio da madrugada, e muita gente nos falou que não existiam hotéis por la, estávamos considerando ficar em Sumbawa Besar, capital da ilha, que ficava algumas horas antes. Tentei falar com o motorista algumas vezes,  mas ele fazia sinal de que não me entendia e não falava comigo. Acordei com as luzes de Sumbawa Besar, e com rápidas paradas para passageiros descerem. Achei que o motorista nos deixaria numa área central. Quando fomos nos afastando do “movimento” (a cidade e pequena, mesmo sendo uma capital), a esperança era que parássemos na rodoviária, muitas vezes afastada do centro. Paramos, mas num restaurante, para o jantar, que estava incluso na passagem. Eram quase 2 da manha e tinha um pequeno buffet a nossa disposição, com arroz, frango, verduras e mais algumas coisinhas. Arranjei alguém que fala inglês, ou algo parecido, e la vou eu reclamar com o motorista. Ele apontou para mototaxis, que poderiam nos levar ate o hotel la mais perto do centro. Juntou mais alguns curiosos e falavam que eu deveria ir para Pota Tano, pois cedo já tinha transporte de lá para Maluk, a praia que queríamos ir. Mesmo com medo de ficar no meio da rua sem transporte, decidimos arriscar. Dormimos novamente e acordamos com o cobrador quase nos jogando para fora do ônibus. Saímos correndo para pegar as mochilas no bagageiro e nisso a Bibi esqueceu uma sacola com roupas molhadas dentro do ônibus (só foi reparar depois). Estávamos no cruzamento que ia para o porto, lugar escuro, só iluminado pela luz de uma guarita com 3 pessoas e uma moto ao lado. A vontade era de falar ”que merda!”, mas antes que as palavras saíssem da minha boca, passou uma van lotada de coisas perguntando para onde íamos. Eu falava Maluk, Maluk e eles só fizeram sinal para subir. O pessoal com cara de sono, de acordar tao cedo para trabalhar, ainda conseguiram sorrir para nos e  ajudar a arranjar lugar para nossas mochilas. Algumas paradas para deixar o pessoal em seus trabalhos, e chamou atenção uma delas, cheia de gente, muitos com capacete. Descobriram uma mina de cobre e ouro nesta região a alguns anos atras e hoje e muito movimentada, explorada por uma empresa americana. Logo chegamos a Maluk, e nos deixaram a poucas quadras do único hotel que tínhamos nome. Já não era mais tarde, e sim cedo. Para nossa sorte tinha uma pessoa acordada e nos mostrou as 3 opções de quarto. Depois de tanto tempo viajando, decidimos pela melhor delas, com aircon e ate frigobar. Demos aquela merecida dormida e depois fomos conhecer a praia, que ficava bem pertinho. Praia bonita, uma baia em forma de ferradura. Uma pequena estrutura de bares/restaurantes cheia de locais, uma praça e parque para crianças. Fomos para o canto da praia, num barzinho de estrutura rustica, mas não tinha almoço. Resolvemos tomar alguma coisa e já veio uma pessoa falar com a gente, sentando na nossa mesa, mesmo sem ser convidado. Acabamos comendo um delicioso peixe assado na “praça de alimentação” entre os pequenos restaurantes. Não preciso nem comentar a dificuldade de comunicação, mas a mimica já esta boa. Era domingo e estava cheio de locais aproveitando a estrutura.Demos uma pequena caminhada e ficamos largados na areia conversando e tomando banho de mar, com aquela parte da praia só para nos. Final de tarde já estávamos indo para pousada quando vimos que o por de sol seria daqueles. Sentamos na areia e ficamos vendo o sol se por, todas aquelas cores, enquanto pessoas tomavam banho de mar de roupa e um arco-iris se formava no lado oposto.

Praia so nossa

Por do sol em Maluk

Outro dia nos limitamos a uma caminhada ate o canto da praia, onde na “temporada seca” tem uma super onda chamada Supersuck, mas que agora parecia uma piscina. Grande parte do dia ficamos sentados num restaurante simpático, conversando com as pessoas que trabalhavam lá, mostrando fotos. Tava muito bom ficar largado ali, mas ouvimos dizer que em sengkonkang, poucos Km mais ao sul era melhor ainda. Arranjamos umas mototaxis e fomos ate uma pousada que nos indicaram. Estrutura simples, na beira da areia. Uma praia muito bonita, com bastante vegetação e cercada com morros. Tinham alguns outros estrangeiros na pousada, que já estavam a algumas semanas ali, devido as constantes ondas de Yoyo’s. O lugar parece uma comunidade, com todo mundo comendo junto, batendo papo, cantando em volta da fogueira. O pessoal que trabalha la super gente boa, ambiente show. A comida, principalmente nos jantares, era uma atracão a parte. Horas e horas gastas na parte da frente da pousada, que carinhosamente chamávamos de “escritório”. Redes, mesinhas, “refeitório”, mesa de ping-pong, tudo a poucos metros da areia. Uma torre com sirenes mostrava que mesmo nas praias mais isoladas, a Indonésia se preparou para próximos tsunamis.

Isto que e vida!!

Nossa “comunidade”

Por melhor que seja ficar largado por aqui, fazer caminhadas, o ponto alto e o surf. Yoyo’s e uma onda bem constante, e a ondulação tava entrando bem quando cheguei. Consegui uma prancha com uma das pessoas que trabalhava la, emprestada, não alugada. Como alguns estrangeiros tinham ido surfar em Scareef (vários KM para o norte), outros se preparavam para o swell do dia seguinte, fui surfar sozinho. A Bibi ficou na areia e eu tentando achar a melhor maneira de passar por aqueles corais, muitas vezes com ouriços. Já tinha tido a oportunidade de surfar quase sem ninguém em Madagascar, mas agora estava sozinho, com altas ondas. Aquelas que você olha quebrar uma vez, outra, e são praticamente todas iguais. Como nada e perfeito, o lugar e muito raso, e apesar do coral não ser tao afiado por aqui, com certeza causaria um estrago. Ficava la no fundo, só esperando as maiores, para não correr o risco de nenhuma quebrar em cima de mim também. A serie vinha batendo na pedra do morro, que cheia de tuneis e cavernas fazia um barulho super alto. A adrenalina subia, mas depois do “buraco” inicial a onda era muito fácil. Difícil era surfar naquela água transparente vendo os corais. Acertei o pé rapidinho, e fiquei com dor na perna de tanto que surfei. Surfei mais num dia que nos últimos anos (praticamente não surfava mais). Como as ondas perto da praia já não estavam pequenas, e eu estava bem para o fundo, a Bibi não me via. Resolveu voltar por causa do sol forte e preocupada foi perguntar para alguém se o lugar não tinha perigo. O pia respondeu, que tinha um monte de tubarão, que era para ela pedir ajuda. Ela ficou super preocupada, mas o pessoal da pousada a acalmou, explicando que o pia era meio lesado da cabeça  ate eu chegar já com o sol se pondo. Não foi difícil decidir que ficaríamos mais tempo la, naquela rotina “chata”. Mas um dia tínhamos que sair, e voltar para nossa saga dos transportes. O pessoal da pousada nos deu carona ate Maluk, devido a falta de transporte coletivo. De la pagamos um ônibus de volta para Pota Tano, Ferry para Lombok, onibus para Mataram, mototaxi para Senggigi. Parada para comer, sacar dinheiro e descobrir que de la para as Gili Islands so no dia seguinte. Como queríamos ir direto para a ilha, descobrimos um carro indo para Bangsal, de onde pegaríamos o barco para Gili Air. Parecia simples, mas os barcos públicos só saem quando cheios e isto também seria no dia seguinte. Varias pessoas na rua se ofereciam para nos ajudar, mas com aquela cara de que iam nos passar a perna. Nos guias falavam para não ir para esta cidade, pois o pessoal era agressivo e tentava passar a perna. Como não tínhamos outra opção, e também não levamos muito a serio o falho guia, ali estávamos. Sei que nos ofereceram um barco, que iria dali a algumas horas com outros estrangeiros. Cada hora um falava uma coisa, um preço, um horário. Certo momento acabei entrando numa discução para desespero da Bibi. Fomos praticamente expulsos do bar/restaurante onde a negociação estava sendo feita, e quase que sai um Muaythaizinho…hehe

Sentamos em outra mesa de bar e acertamos com um dos caras, que aparentava ser gente boa, mas que depois descobrimos ter mentido sobre os horários e nos feito esperar por horas. Final de tarde finalmente conseguimos partir para Gili Air. As 3 ilhas Gili ficam bem perto de Lombok e entre elas. Uma e famosa por suas festas e noitadas, outra pelo isolamento total, e a que fomos e considerada um meio termo. Lugar para casal, mas com varias opções.

Íamos ficar alguns dias ali e ir comemorar o meu aniversario na Ilha das festas, mas acabamos não conseguindo sair de Gili Air. Dizem que o difícil de não fazer nada e que nunca sabemos quando acabamos. Foi mais ou menos assim. Dias largados, de férias da viagem, de se movimentar. Primeiro dia ate demos a volta na ilha, coisa que não demorou mais que uma hora. Depois disto era só se movimentar da pousada ate uma das casinhas na frente da praia, para o café da manha. Ficar horas deitado, lendo, conversando. Mergulho para refrescar o grande calor. Procurar outro lugar de frente para o mar pro almoço. Repetir a rotina, ate a hora do jantar. Varias opções de lugares para comer, todos com almofadas, estilosos, com boa musica. As praias bonitas, mas o melhor delas era dentro da água. Com os corais a água ficava transparente, e estes rodeavam boa parte da ilha. Na parte com areia era azul. Muitos peixes, tartarugas e a Bibi já esta intima do Snorkling. Pensou ate em fazer curso de mergulho, mas daí não estaríamos fazendo nada, nosso objetivo. Teve comemoração do aniversario em alto estilo, num lounge na frente da praia, com muita pipoca e cerveja, e me sinto mais jovem do que nunca!!haha

Vida dura!

Viva a juventude!!haha

As fotos de Gili eu tirava deitado, tamanha era minha preguiça

Os dias passaram e tínhamos que voltar para Bali para pegar o voo para Jakarta e seguir para o Vietnã. Quando pedi a conta do hotel, o já considerado antipático “gerente” me passou um punhado de notas, não esperando que eu fosse conferir. Na primeira olhada vi que o prato predileto da Bibi estava com o preço mais caro que o do cardápio e tinha uma refeição que não havíamos feito. Questionei amigavelmente sobre aquela refeição. Ele me explicou com detalhes, que a Bibi não estava junto, tinha ido caminhar, e eu comi no meio da tarde, junto com três suecas (se fosse verdade eu tinha caído do burro!!!haha). Como não ficamos separados por mais de 5 min, e não lembrava de nenhuma sueca, fui buscar meu diário no quarto. A refeição em questão era no primeiro dia, portanto difícil de lembrar. Comecei a ler para ele nosso dia, e depois de almoçar tínhamos ficado ate a metade da tarde largados ate o tempo melhorar, só depois fomos dar a volta na ilha. Isto derrubava a teoria dele, pois estávamos bem longe na hora que ele indicava. Ele ficou nervoso e já começou a me chamar de desonesto e tal. O nervosismo trocou de lado e fiquei puto da vida. Só pequei o cardápio e fui mostrar os preços errados que ele tava cobrando. Ele desesperadamente virou a conta de ponta cabeça e falava que era para eu pagar logo, que nem precisava pagar aquela refeição. Claro que fiz ele passar a maior vergonha na frente de todo mundo, alterando todos os preços. A audiência já não era pequena para desespero da Bibi. Acabamos perdendo o café da manha no dia seguinte, com medo que viesse com bonus…

Barco para Bangsal, van ate Lembar, horas de ferry para Sanur/Bali e finalmente van para Kuta. Tava muito quente, e mesmo no deck do ferry estávamos derretendo. Conseguimos ficar numa das poucas sombras existentes, e nos largamos no chão torcendo para que o vento aumentasse. A velocidade do ferry não ajudava muito também. Bom que eu estava empolgado com meu novo livro usado que comprei em Gili. O ferry tava cheio de mochileiros do mundo inteiro, maior concentração que vimos desde Kuta. Boa parte deveria estar vindo de Gili Travangan, a ilha da festa.

Outro ferry do estilo do nosso

Praia em Senggigi

Chegamos tarde em Kuta e só deu tempo de me preocupar um pouco por não ter conseguido sacar dinheiro em 8 caixas eletrônicos diferentes. Tudo resolvido depois de uma ligação via Skype para o Brasil enquanto a Bibi visitava as lojas.

Ainda teríamos que acordar cedo para viajar para Jakarta, passar algumas horas no aeroporto para pegar o voo para Ho Chi Minh, no Vietna. Neste meio tempo eu não tinha como não pensar o quanto gostaria de voltar para a Indonésia. Voltar para muitos lugares que passei, mas também para Sumatra e Papua, ilhas que estão na minha lista faz tempo, mas merecem um bom tempo para serem exploradas.

A ilha “católica” e a outra ali do lado com dragões de verdade!

Apesar de quase toda a Indonésia ter sido colonizada pela Holanda, uma ilha no seculo 16 foi território português. Encantados com a beleza do lugar, os portugueses chamaram de “Flores”. O domínio português não durou, e o controle passou para os holandeses, que mantiveram o catolicismo. Até hoje Flores é uma ilha Católica, apesar de suas crenças serem bem peculiares.

Tivemos sorte que eu sou neurótico com a questão de horários. Chegamos cedo no aeroporto e nosso voo tinha sido adiantado uma hora. Imagine se chegasse só uma hora antes do horário marcado e o avião não estivesse mais la! Dentre diversas ilhas que sobrevoávamos, não muito tempo depois de ter levantado voo, passaram a aparecer vulcões que saiam diretamente do mar. Uma destas “ilhas vulcões” tinha um belo lago dentro. Por mais que fossem esperadas, as belezas naturais da Indonésia surpreendiam a cada etapa da viagem. Não demorou muito e chegamos a Labunbajo, na costa oeste de Flores. Rápido transporte para a pequena cidade, e fomos procurar hotel para ficarmos. Logo percebemos que a qualidade das poucas opções da cidade eram inferiores as que estávamos ficando, e os preços não acompanhavam a queda da qualidade.

Vulcão no mar, visto do avião

Achamos um lugar agradável, e a Bibi ficou lendo e escrevendo enquanto eu fui rodar a cidade. Percorri a rua principal, fui no mercado de peixes e parei na frente do pequeno porto, onde tinha vista para a baia, cercada de ilhas com diversas montanhas. Tentei descobrir mais sobre o transporte na região, e voltei para conversar com a Bibi sobre nossa programação para os próximos dias. Final de tarde fomos para um dos dois restaurantes para turistas, onde tem Wi Fi. Era só para tomar alguma coisa curtindo o por de sol mas acabamos nos empolgando com o Skype e jantamos por ali mesmo.

Labbjo

Na ilha existem dois tipos de transporte. O ônibus comum, estilo pau-de-arara, que só sai quando cheio (lotado) e vai parando toda hora, e um micro ônibus, um pouco mais ajeitado, que passa ate para pegar você no hotel se agendar com antecedência. Decidimos pela segunda opção e bem cedo já estávamos saindo. Engana-se quem esta imaginando um ônibus para turista, com ar condicionado e tal. Ônibus com bagageiro lotado em cima, diversas caixas no corredor, viajando com as 2 portas abertas para ventilar (apesar dos dois ventiladores de teto).

Viagem longa, quase 10h, com direito a pequena parada para almoço. As curvas iniciaram logo na saída e seguiram por todo o trajeto. Impressionante, e um sobe e desce e curvas toda hora, por paisagens deslumbrantes. Acho que por poucas vezes tivemos 100 a 200 metros de reta. E uma montanha ao lado da outra. No mesmo ônibus estava um casal de canadenses, Rob e Natasha, com quem no final da viagem começamos a conversar e dividir ideias sobre o melhor roteiro em Flores. As vezes o mato fechado se abria e era possível avistar algum vulcão ou o mar. Chegamos em Bajawa e pegamos um transporte até o hotel indicado. Como estávamos nas montanhas, a temperatura baixou bastante, o que foi comemorado por todos. Eu e o Rob fomos vendo como faríamos para visitar os lugaras que queríamos, e descobrimos que se alugássemos um carro, o preço seria quase o mesmo que o do transporte publico. Final de tarde conhecemos a Marlinda, Holandesa, que se juntou a nós. Alem de ter ficado mais barato, conseguimos otimizar o tempo. Com transporte publico viajaríamos um dia, faríamos uma atividade em outro, e poderíamos viajar só no terceiro dia. Com o carro tudo ficaria mais agilizado(apesar de perder o contato com as pessoas). Como tínhamos prorrogado a saída da Indonésia, eu e a Bibi tínhamos tempo, mas o outro pessoal tava com os dias contados. Jantamos todos juntos para acertar os detalhes, e de manha cedo estávamos indo conhecer as vilas da região.

A primeira vila era bem na base de um vulcão. Um pequeno aglomerado de casas tipicas e não muita gente. Enquanto os homens construíam novas casas para a vila, as mulheres cuidavam do dia a dia da vila. Tinham poucas crianças, e os jovens não moravam mais ali, pois se mudavam para a cidade para estudar. Eles tem o costume de enterrar as pessoas importantes da vila e colocar suas lapides no meio dela. Já tínhamos notado que mesmo nas cidades as vezes enterravam os parentes no quintal. A Natasha distribuiu balas para as crianças, o que me revoltou muito. Depois de ter passado por tantos lugares, uns turísticos e outros não, é fácil de ver o que um simples e “inocente” ato destes vai gerar. Uma geração de pedintes. Os próximos turistas que forem lá, vão ser cercados por crianças pedindo balas, mais para frente dinheiro… Cria-se uma cultura de pedir, mesmo o que não precisa. Passam a pedir qualquer coisa, independente da necessidade. Um lugar que e extremamente agradável se tornara algo insuportável. Turismo irresponsável. Não sou do perfil que fala as coisas, ainda mais por ter achado eles muito gente boa.

As lapides na vila e o vulcão ao fundo

Em algumas casas da vila tinham Posters de Jesus. Sim, esta vila tradicional era “Católica”. Bem, Católica da sua maneira, pois apesar do cristianismo estar presente, tem uma maneira bem peculiar. Eles continuam seguindo tradições de sacrifícios de animais para comemorar o nascimento ou morte de alguém, termino de uma casa, inicio ou fim do período de colheita e assim vai. No centro da vila tem construções de madeira que representam os antepassados. Todos este rituais amenistas andam lado a lado com o catolicismo por aqui, muito interessante.

Conversamos um pouco mais sobre as tradições do local, quando vimos uma senhora sentada na varanda de uma das casas. Fomos tirar uma foto e ela mascava uma folha com uma nos dentro. E o estimulante local. Eu e a Bibi mascamos, e logo estávamos com aquele liquido marrom e amargo na boca que não se pode engolir. Ate que da um efeito leve, se ficar o dia todo mascando deve acabar com o cansaço mesmo.

Caminhamos ate uma outra vila, esta bem maior. Ela não era tao legal quanto a outra, mas bem interessante. Tinha um pessoal tocando musica, mas como o lugar era maior, a interação não foi tao grande. O ponto positivo era um lugar com vista fenomenal no final da vila. De la fomos almoçar e pegamos estrada para Moni. Estrada continuava maravilhosa, e com suas curvas e sobe e desce. Paramos para caminhar um trecho perto de plantações de arroz. E muito interessante a primeira reação das crianças, que fogem da gente. Beiramos o mar e as praias com areia preta devido a atividade de vulcões e passamos por Ende, com seus vulcões, antes de continuar a viagem. Moni e uma agradável cidadezinha nas montanhas, com temperatura amena, e pouca estrutura.

Praia próxima a Ende, com vulcões ao fundo

Criançada indo para a escola

Acordamos cedo para subir o Kewlimutu. Queriamos estar lá em cima antes do céu nascer. São três crateras, todas com lagos coloridos. Duas delas tinham lagos verdes e uma preto. As cores mudam de acordo com os minerais liberados, e as vezes tem lago azul, vermelho, dentre outras cores. Muito bonito o lugar e surpreendentemente vazio. Alem do nosso grupo tinham só 2 estrangeiros, além de um senhor que vendia chá e café quente, bem apreciado por nós. Isto que se trata de uma das maiores atracões de toda a ilha de Flores. Interessante que aqui, se fala pouco Bahasa Indonésio, a língua oficial do pais, imaginem então o inglês. Para se pedir um simples café não e tarefa fácil. Na Indonésia falam mais de 700 línguas. Quando perguntam do Brasil e temos que responder que só se fala o português (ok, mais ou menos), dentre tantas outras línguas que existiam, que percebemos o assassinato cultural que ocorreu no nosso pais.

Lago verde

Lago preto

O bom de acordar tao cedo e que o dia rende. Já pegamos estrada para voltar para Bajawa. No caminho vimos uma van com muitas galinhas penduradas, bodes e cachorros amarrados no teto. Fiquei brincando que seria nosso almoço, pois cachorro e um prato muito apreciado por aqui.

Distribuidora de carne!

Muitas horas de viagem e chegamos em Bajawa. Estávamos mortos de fome e as meninas foram comer no restaurante em frente a pousada enquanto eu e o Rob fomos conferir o tao apreciado “prato tipico”. Chegamos no restaurante e pedimos cachorro para comer. O cara tirou uns pedaços do freezer e começou a preparar. Na espera para ficar pronto, para a van da estrada e entrega algumas galinhas e os dois cachorros pulguentos dentro de sacos. Não foi nada agradável, e a consciência começou a pesar. Logo chegou nosso prato. Pedaços de carne com ossos numa tigela, e arroz e verduras em outra. Experimentei o primeiro pedaço e me surpreendi. Carne macia como um corte nobre de carne de boi. Ta certo que o fato de estar perto do osso ajuda, mas tava muito bom, e o molho também. O que atrapalhou um pouco foram uns pelos nojentos que vinham junto. Tentava lembrar que em feijoada tem pedaços de carne com pelo também, mas não adianta, o psicológico pega. Cortava as gorduras com pelo para comer só a carne. Deixei só um pedaço, mas não foi a melhor experiencia que já tive. O dia todo ficava lembando dos pobres cachorros sarnentos em cima da van…

De estomago cheio e “ arrotando cachorro”, fomos para umas águas termais que não ficavam muito longe dali. Estrutura simples, uma piscina natural e o rio quente ao lado. Água bem quente, acentuada ainda mais pela fina chuva que caia. Ficamos la largados, aproveitando o único banho quente que tomamos em toda a ilha de Flores.

A volta para Labuanbajo, novamente com transporte publico, foi longa, não muito confortável mas muito prazerosa. Ao chegar tivemos que ficar em outro hotel, pois o que havíamos ficado antes estava lotado com um grupo de estudantes indonésios. Jantamos todos juntos como despedida, pois não encontraríamos mais o Rob e Natasha. A Marlinda iria junto com a gente para o Parque Nacional de Komodo.

As intermináveis montanhas

Pegamos um barco cedo sentido Rinca, uma das ilhas do parque nacional. Não e muito perto, e demora um tempinho para chegar lá. A Bibi e a Marlinda, psicologas, engataram num papo e não pararam mais. Eu arranjei um lugar na proa do barco e fiquei só curtindo o visual de mar azul, ilhas e montanhas. Chegamos numa pequena bahia, onde atracamos na ilha. Andamos pelo trapiche e poucos metros dali estava o primeiro Dragão de Komodo. Não muito grande, pois ainda era um filhote. O cara do barco, com um pedaço de pau em forma de forquilha, não muito maior que uma vassoura, falou que não tinha problema, que seguraria o “Dragão” com seu bastão. Caminhamos receosos pelo caminho ate o centro de informações. Pegamos as entradas e fomos ate um alojamento encontrar com nosso guia. Em baixo dos alojamentos, entre as palafitas, já tinham muitos dragões, que são atraídos pelo cheiro de peixe da cozinha. Tava muito quente, bem mais que Labunbajo, que já era difícil. A vegetação aqui também era totalmente diferente, e muito mais seco. Impressionante como pode mudar tanto de uma ilha tao perto da outra. Com este calor todo muitos dos dragões estavam imoveis. Os que andavam eram assustadores. Eles não rastejam como crocodilos, e sim caminham com uma considerável altura do chão. Depois de convencer a Bibi a passar entre duas casas cheias de dragões em baixo, iniciamos nossa trilha. O senhor que era nosso guia também carregava uma vara, que falava que era magica para proteger contra ataques. Durante um bom tempo de caminhada ficamos escutando casos de ataques a humanos, desde um guarda atacado dentro do alojamento ate turistas ao irem no banheiro sozinhos no mato. Acho que e um pouco de folclore, e querem dar um “clima” para o lugar. Se bem que se quisessem, seriamos presas fáceis. Os Dragões de Komodo passam de 3 metros de comprimento, e pesam algumas centenas de quilos. Correm relativamente rápido, os pequenos sobem em arvores, e nadam ate 500 metros da praia (as fortes corrente fazem com que não consigam ir para outras ilhas). Uma maquina de caçar, mas sua especialidade e outra. Eles atacam grandes presas, como veados e búfalos. No caso de búfalos, muitas vezes dão só uma mordida e recuam, para não serem feridos. A sua saliva possui tantas bactérias que a mordida causa uma grande infecção. O Dragão segue a vitima durante dias, ate que esteja tao debilitada que não possa mais reagir. A infecção passa a exalar um cheiro podre, que atrai mais dragões, que juntos atacam a vitima.

Dragão de Komodo

Embaixo da casa

Vimos alguns dragões pela trilha, inclusive duas fêmeas em buracos cuidando de seus ovos. Eles são canibais, e se a fêmea não proteger, outros dragões comem os ovos. A própria fêmea come alguns filhotes depois que nascem, por isto eles tem que se virar sozinhos desde pequenos. Pode parecer estranho, mas a mãe natureza sabe o que faz. A população de dragões de komodo é estável, não aumenta nem diminui a anos. Depois de um rápido almoço tivemos que nos despedir desta fantástica ilha com a certeza que dragões não soltam fogo nem voam, mas que existem, existem.

Na volta fomos até uma ilha para mergulhar. Ate la o papo de psicologia e astrologia rolou solto…

Chegamos na ilha, e já tinham vários barcos. Era uma sexta-feira, final de semana para os muçulmanos, e tinham muitas pessoas curtindo o dia livre. Muita musica e banho de mar de roupa. Na hora que a Marlinda e a Bibi foram ficar de bikini, todos olharam para elas. Fiz a Bibi entrar de shorts na água. Água azul, muito limpa, transparente. Tínhamos levado mascara, e deu para ver bastante coisa, mesmo com o fundo de areia, apenas com poucas pedras e corais. Na hora de sair, a areia parecia uma arquibancada, de tanta gente esperando as estrangeiras saírem da água de bikini. Para desespero geral, elas resolveram ir até o barco pela água e eu fui buscar as coisas na areia.

Entardecer em Labumbajo

De volta a Labumbajo passada rápida no hotel e fomos jantar no nosso restaurante preferido. Duas ratazanas passaram entre as mesas, mas nem ligamos pois o lugar era muito charmoso e a comida deliciosa. Passagens para o ferry compradas, fomos dormir pois o dia seria longo. Não e que no meio da noite acaba a eletricidade e o ventilador para de funcionar. O calor estava insuportável, estava muito abafado. Resolvemos abrir a porta e passamos a ser atacados por muitos mosquitos. A Bibi tratou de extermina-los a toalhada. Noite mal dormida, rápido café e fomos para o porto, de onde saria nosso ferry.

A ilha Hindu no pais Muçulmano.

A Indonésia, devido a sua grande população, e o maior pais muçulmano do mundo. Aqui o Islamismo e um pouco diferente dos outros países. Apesar dos princípios básicos serem os mesmos, foi muito influenciado pelos costumes locais, alem de outras religiões que já estavam presentes nas ilhas antes da chegada do Islamismo. Praticas amenistas são muito comuns e se misturam com as religiões. Uma ilha, o antigo reino de Bali, conseguiu conservar a religião Hindu, e toda uma cultura e tradições tipicas desta ilha.

Chegamos Dempasar  (capital de Bali) já tarde, e não tinha transporte publico para Ubud. O americano e a alemã que tínhamos conhecido no ônibus decidiram mudar seus planos e em vez de ir pra praia primeiro, iriam com a gente. Desta forma dividimos um táxi, que eu negociei ate ter um preço justo. A partir deste momento passei a dar dicas de negociação para o casal, que não imaginavam que os preços podiam ser tao mais barato que o primeiro preço ofertado. Ubud não fica longe, Bali e uma ilha pequena. Chegamos la sob uma chuva torrencial, para não esquecermos que estamos na temporada chuvosa. Procurar hotel tarde, debaixo de água, não foi muito agradável. Na segunda opção conseguimos um lugar bem bacana, cercado de plantações de arroz, mesmo na cidade. Quartos decorados, alem de um cafe da manha que mudava todos os dias. Se eles já estavam impressionados com a negociação, desta vez passaram a me idolatrar…

De noite já tínhamos achado o lugar descolado, apesar de estar quase tudo fechado quando chegamos, mas de dia nos impressionamos com o lugar. Tínhamos a referencia do lugar como uma vila, centro da cultura balinesa. Na verdade não e uma vila, e super desenvolvida, mas sem perder o charme. Nada de grandes construções, mas muitas lojas, tanto de artigos locais como de marcas internacionais. Uma ampla opção de restaurantes e cafés, para todos os gostos. Passamos o dia inteiro andando para cima e para baixo. A Bibi ficou louca com as lojas. No meio da tarde teve uma parada, que se repetiu no dia seguinte, mas ninguém conseguiu nos explicar direito o que era. A noite jantamos com nossos novos amigos num restaurante descolado e ficamos batendo papo e tomando uma cerveja.

Comemoração, não souberam explicar do que

Como não sou nem um pouco de loja, enquanto a Bibi passeava eu já aluguei uma scooter. Desta forma bem cedo já pudemos sair cedo para explorar a região. Ubud esta crescendo bastante, e os arredores já estão cheio de lojas de artesanato. Mas não demora muito para ficar uma estrada totalmente vazia, com paisagens que variam de terraços de arroz a mata mais fechada. Por todo o caminho postes enfeitam a região. Pequenas vilas, tao perto do turismo e parece que seus moradores nem se envolvem. Levam aquela vida calma… Pequenos templos por todos os lados, alem de decorações e oferendas com flores.

Terraços de Arros

Quase não vimos o tempo passar e logo estávamos de frente para o vulcão Batur. Muito legal, pois estávamos numa estrada fechada pelas arvores, de repente estávamos numa parte alta, com o vulcão e um grande lago ao lado. Tudo em volta do vulcão ainda esta queimado, devido a sua ultima erupção em 99. Descemos ate o lago, passando por pequenos povoados, e tivemos uma vista de outro angulo. Ficamos conversando com um cara que queria nos levar para sua vila onde não enterram os mortos, mas penduram numa arvore que não da cheiro. Achamos meio macabro e resolvemos pular esta atividade…

Vulcão Batur

Escolhemos um lugarzinho para ficar tomando alguma coisa e curtindo o visual, ate cansar e resolver voltar. Na volta fomos parando em algumas vilas. Era final do horário de escola, e as ruas estavam cheias de crianças com seus uniformes e chapéus típicos. Sobrou tempo para a Bibi ver mais algumas lojas, mas eu adotei a tática do “te encontro mais tarde” para não ter que acompanhar toda a hora. Aproveitei para ver como que iriamos para as outras ilhas.

Rua decorada e a criançada

De noite teve um apagão, mas conseguimos achar um bom e barato restaurante. A falta de luz só aumentou o numero de velas, que já são utilizadas diariamente.

Ubud e aquele lugar que e difícil de ir embora, então mesmo sem ter muitos planos, resolvemos ficar mais, para curtir o lugar. Ficar de bobeira por ali, não e nem um pouco difícil. Final de tarde num cafe, conhecemos uma Ucraniana que puxou papo com a gente. Aos 35 anos, largou emprego, vendeu casa, e saiu para viajar, sem data para voltar. Eu achei ela meio mala, mas a Bibi se deu bem, pois dentre psicologia, astrologia e espiritualidade se entenderam. Acabamos indo jantar juntos.

Infelizmente tínhamos que partir. Já tínhamos ate trocado nossa passagem de saída da Indonésia, pois a chuva não estava atrapalhando em nada a viagem, e tínhamos muita coisa para ver. Fomos para Kuta, no litoral, centro do turismo em Bali. Chegamos naquela muvuca, e tentamos ficar o menos tempo possível. Deixei a Bibi numa internet com as mochilas e fui arrumar um carro. Em 40 minutos estava com um Susuki, que aluguei por menos de 8 usd por dia. Foi só olhar o mapa e se mandar dali, para as praias mais calmas da península. Paramos em Dreamland, praia famosa para o surf, que ate pouco tempo tinha vários warungs e barzinhos estilosos de frente para praia, mas infelizmente agora tem um resort estilo “elefante branco”. Praia legal, com água verde, mas nada de onda, pois não e a época certa.

Dreamland. Infelizmente agora parte de um resort

Mergulhamos, pegamos praia, mas logo apareceram umas nuvens escuras. A chuva não veio, mas fez com que saíssemos da praia para procurar um lugar para ficar. Rodamos um pouco, para se localizar na região. Tudo e perto, e com carro, não importava muito onde ficaríamos. Não achamos o sonhado lugar de frente para a praia, mas arranjamos uma pousada super legal, em cima das falésias, com uma piscina infinita, e uma super vista. Ficamos tomando banho de piscina ate tarde. Apareceu um Neo Zelandês que deu umas dicas sobre o surf da região, e deu a boa noticia que um Swell estava entrando, portanto teríamos ondas no dia seguinte. Indicou um ótimo restaurante ali perto, que conferimos e aprovamos.

Não e um trabalho fácil, mas alguém tem que fazer…

Para não perder tempo indo de praia em praia, fomos direto para Uluwatu, onde o surf era garantido. Estacionamos e la de cima dava para ver as linhas das ondas. O mar tava bom! Descemos entre as dezenas de surfshop e restaurantes, comemos alguma coisa e eu já aluguei uma prancha. Coitada da Bibi, pois na verdade quase não tem praia. A pequena faixa de areia fica quase toda escondida por pedras. Tem uns 5 metros entre pedras que e onde entra no mar. Me joguei e a correnteza puxou para o lado. Remadeira básica ate chegar no pico. Passei um tempo meio de lado, sentindo o lugar. Tinha um tamanho ali, quase 2 metros. Peguei uma, outra e com isto confiança. Resolvi remar para o “pico”, onde tinham ondas maiores. Não demorou muito para eu conhecer os corais de perto. E muito raso!! Mas tranquilo, segurei um pouco o impeto e curti bastante.

Uluatu

Sai da água cançado e feliz da vida. Ficamos num dos warungs e decidimos ir para outra praia. Os vendedores arranham um pouco de português, de tanto turista que vem para cá. Chegamos em “impossibles”, onde também tem que descer por entre as pedras. Esta tem uma praia com um pouco mais de areia, com algumas pessoas largadas, entre elas alguns brasileiros. Tava tendo onda pro lado esquerdo do morro, indo pra Padang Padang. Ondas bonitas, mas muito raso, quase só gente de body board. Eu tava tranquilo, então fiquei com a Bibi na areia. Depois repetimos a dose piscina e restaurante gostoso.

nosso carro na frente de ” impossibles”

Não sei se o swell inverteu, mas não teve muita onda no outro dia. O negocio foi curtir piscina e depois praia em Impossibles. Mesmo sem onda um pessoal se amontoava para esperar uma ou outra que vinha na serie. Ainda deu tempo de passar em Jimbadam Bay para tomar um suco e conhecer a praia e região. Fomos para Kuta e tivemos que procurar um lugar pra ficar antes de devolver o carro. Um stress, transito, engarrafamento, muvuca de gente. Parava o carro e a Bibi ia dar uma olhada nos hotéis. Ela arranjou um, que só depois fomos ver que não funcionava as coisas direito. Na verdade um muquifo. Na pressa e com óculos de sol ela acabou resolvendo ficar, talvez pelo jardim, unica coisa boa do hotel. Fomos ate a praia, cheia de adolescentes (outros nem tanto) bêbados esperando o por de sol. Mesmo na teoricamente baixa temporada, tudo estava lotado, cheio de gente. Demos umas voltas, mas não da para dizer que curtimos muito o lugar. Tentamos aproveitar da forma que deu. Noite sem balada, pois tínhamos que acordar cedo para pegar o voo para ilha de Flores.

Belezas e desastres naturais

Existe aquela clássica piada de que quando Deus criou o Brasil, fez tudo bonito, mas não colocou nenhum desastre natural. Já na Indonésia, a coisa foi diferente. Se recapitularmos só alguns incidentes vamos ver que teve o Tsunami em 2004, um terremoto em Nias 3 meses depois, outro em 2006 em Yogyacarta, e mais um tsunami em Java. Em 2007, mais da metade de Jakarta (capital do pais, com 10 milhões de habitantes) ficou debaixo da água, devido a enchentes causadas por fortes chuvas. Poucos meses atras novo terremoto na ilha de Sumatra, que fez com que desistíssemos desta região. Isto sem contar com os atentados a bomba em 2002 e 2005, que não foram nada naturais. O problema de todos estes desastres naturais e que o pais e muito populoso (quarta maior população do mundo), e pobre (apesar de ter uma taxa de crescimento duas vezes maior que a do Brasil). Um terremoto aqui tem consequências muito mais graves que um no Japão, por exemplo.

A Indonésia era um pais que eu sempre quis visitar. Talvez fosse o lugar que eu iria caso tivesse que escolher só um pais. Para conhecer a Indonésia, da forma que gostaria, precisaria de pelo menos uns 3 meses. O transporte fora da região turística e lento, muitos ferris tem horários alterados devido as condições climáticas, mas como na Africa, e tudo muito recompensador. As praias são mundialmente famosas, pela beleza e por suas ondas. Existem vulcões, montanhas, lagos, templos, muita cultura e diversas tribos e línguas. Tudo isto espalhado pelo maior arquipélago do mundo, com suas mais de 13000 ilhas.

Como não tinha tanto tempo disponível só para cá, tivemos que adaptar o roteiro. Estaríamos viajando também no inicio da temporada de chuvas, o que poderia complicar (ou não, com tantas variações climáticas).

De Borneo viajamos para Jakarta, uma super metrópole com tudo que uma cidade deste porte pode te oferecer, de bom e de ruim. Não era bem o que nos interessava, portanto já tínhamos um voo direto para Yogyacarta, algumas horas depois. Chegamos no aeroporto, pegamos uma pequena fila para o visto, que da para tirar na hora. Pagamos, fomos com o comprovante no outro guichê para carimbar. O oficial pediu estranhamente 5 USD por passaporte, pois como era a primeira vez que entravamos no pais, tinham que colocar os dados no computador. Só olhei para a Bibi, fui pegando o dinheiro mas ia pedir um recibo. Nisto apareceram outras pessoas no guichê, e eu fiz questão de mostrar bem o dinheiro. O oficial falou desesperadamente para eu ir embora, que tava tudo certo. Quase que ele perde o emprego. Na hora de carimbar a entrada, novamente o cidadão me pede uma “lembrança” do Brasil. Falei que não tinha e ele pediu um dinheiro brasileiro. Não tínhamos papel, mas oferecemos uma moeda. Ele olhou e falou que não, queria dinheiro, ou podia ser USD, Euro… Eu ri, como se ele tivesse brincando e fomos saindo. Depois de pegar a bagagem, ao sair pelo portão de desembarque, fomos cercados por pessoas oferecendo táxi, hotel, troca de dinheiro… Confesso que o primeiro contato com o pais não foi dos melhores.

Tinha um fuso horário de uma hora a menos, fato que não estava marcado na nossa passagem. Já estava perto da maia noite, e como nosso check in era as 4 da manha, resolvemos ficar no aeroporto mesmo. Fomos ate o outro terminal, que ficava a poucos km de onde estávamos, e nos surpreendemos ao encontrar tudo fechado. Tinham alguns bancos que logo se transformaram em camas. Ja tava achando que em Borneo a Bibi tava entrando no esquema da viagem, mas agora tive certeza. Eu dei umas cochiladas, mas a Bibi capotou. Bem cedo estávamos aterrissando em Yogyakarta. Não fomos para a conhecida região mochileira de Sosrowijayan mas para Prawirotaman, rua com pousadas um pouco melhorzinhas. Depois de uma noite no aeroporto, merecíamos um lugar melhor, e tínhamos uma boa indicação. Pousada descolada, cheia de decoração, piscina grande e um gostoso jardim com mesas para o cafe da manha. Claro que tudo isto só seria usufruído depois, pois precisávamos dormir.

Hora de dormir

Saímos para comer alguma coisa e conhecer o Kraton, “casa” do sultão, que e só uma figura simbólica por aqui, sem muitos poderes, e veneração apenas regional. Interessante o lugar, muitos objetos expostos, em pequenas salas-museu. Depois nos falaram de uma ala que tinha musica alem de outras coisas interessantes, mas quando perguntei falaram que estava em reforma, o que parece que não era verdade. Ali tivemos nosso primeiro momento de “famosos” quando pediram para tirar fotos com a gente. Paramos para almoçar propriamente e descobrimos que e possível comer bem por menos de 1 USD por aqui. A simpatia do povo começou a aparecer também, e batemos altos papos com o rapaz que nos atendeu no restaurante. Ainda fomos para o Palácio das Águas, antiga piscina do Sultão, e andamos pelas ruazinhas, curtindo o novo lugar. Paramos num lugar onde produzem marionetes de madeira ou de couro, muito famosos por aqui. A Bibi estava encantada com o lugar e de noite tomamos uma cerveja para brindar a chegada.

Marionetes

Como o aluguel de uma scooter aqui e em torno de 2 USD por dia, nada de pegar ônibus para visitar os templos, saímos cedo de moto! Borobudur, o maior templo Budista da Indonésia, fica a uns 40 km de onde estávamos. Chegamos sem muita dificuldade, mas com muita cautela, pois são centenas de motocicletas nas ruas. Já mais perto do templo, aquele clima de região rural, com plantações e montanhas ao fundo, que dava todo um clima para o lugar.

Borobudur e impressionante. São 9 níveis, que representam o mundo material, espiritual e o nirvana. O templo deve ser percorrido no sentido horário, de forma ascendente. Muitas gravuras entalhadas na pedra vão contando a historia de Buda. Pegamos um guia para entender melhor os detalhes e valeu muito a pena. No nível que representa o Nirvana não existem gravuras, só estupas. E um “vazio”, muito bonito. Apesar de ser Budista, outras religiões visitam o tempo, e alguns ate veneram, devido a forte energia do lugar. O calor era muito forte e o sol estava nos cozinhando. Gostaríamos de ficar mais, mas era humanamente impossível. A Bibi ate alugou uma sombrinha para se proteger do sol forte. A entrada custa para os estrangeiros 15 vezes mais caro que para os indonésios. Para não ficar tao chato nos colocam numa sala vip, com ar condicionado, água gelada e cafe.

Borobudur!!

Estupas

Passamos num outro templo ali perto, e tinha um Buda bem grande, bonito, mas depois de Borobudur, muitos templos vão perder a graça.Voltamos para Yogya e pegamos o contorno da cidade, para ir no Prabanam, templo Hindu bem perto da cidade. Parada para abastecer ao lado da estrada, onde tem garrafas de vodka absolut com gasolina.

Abastecendo a “poderosa”

O Prambanam também e imponente, mas infelizmente esta bem destruído, devido a terremotos. O ultimo deles, em 2006, foi logo apos uma restauração. Das 240 torres existentes, hoje só existem 18. A principal delas e um templo de Shiva, com templos de Vishnu e Brahma ao lado, alem de seus veículos de locomoção na frente. Mesmo na Índia são pouquíssimos templos de Brahma, Deus não muito venerado. Nosso guia tinha bastante conhecimento, não só da religião Hindu, mas das tradições javanesas e de outras religiões. Ficamos discutindo vários assuntos e nossa visita se prolongou ate o final do dia. Novamente algumas pessoas pediram para tirar foto comigo e com a Bibi, tanto homens como mulheres. São pessoas que vem de cidades do interior e só viram ocidentais na tv. Lembro que quando estive no Tibet, no bairro budista, eu queria tirar fotos dos monges e eles de mim… O final de tarde com aquele céu rosado e só a sombra do Prabanam, foi show. Voltamos para o centro, no meio das chamadas das iluminadas mesquitas. Só tinha um mapa turístico, aqueles com desenhos, e foi fácil de se perder. Tivemos que parar varias vezes para pedir informação.

Buda

Prambanam

Chegando no hotel estávamos muito cansados para continuar fazendo coisas. Íamos numa apresentação de dança tipica mas conversamos e decidimos ficar um dia a mais. Foi bom pois no outro dia deu para organizarmos melhor o roteiro do viagem, pegar uma piscina, rodar o centro e de noite ir no Balett Purawisata. Como choveu foi num lugar coberto. Todos os artistas com mascaras ou muito bem pintados, interpretando uma historia local. Movimentos rápidos e lentos, tudo com musica tipica tocada por um batalhão de pessoas. Normalmente não sou muito deste tipo de apresentação, mas esta estava muito bem montada e com certeza valeu a pena. Pra quem gosta, e imperdível.

Apresentação Purawisata

De Yogya fomos para o leste de Java, sentido a Probolinggo. Viagem não das mais agradáveis, pois tava muito quente. Metade da população da Indonésia mora em Java, e no trajeto deu para perceber, pois era uma cidade do lado da outra, quase não tinha estrada, parecia uma megalópole. Conhecemos vários estrangeiros, que assim como nos iriam no vulcão Bromo, mas depois cada um tinha destinos diferentes. Tinha tudo que e tipo de gente, dos gente fina aos “ malas”. Paramos o microonibus e fomos divididos em vans. A medida que íamos se afastando da cidade e subindo a montanha ia torcendo para que o hotel fosse ok, para a Bibi não reclamar. Não era nada de especial, mas longe de ser ruim. Já separamos as roupas de frio, pois como estávamos a já alguma altitude, e sairíamos de madrugada, tínhamos que nos preparar.

As 4 da manha já estávamos indo de Jeep montanha acima. Decidimos ir no vulcão só depois, e um mirante seria nossa primeira parada. Logo vimos que não estaríamos sozinhos. Dezenas de Jeepes de todas as cores, numa fila continua, parados dos dois lados da estradinha. Quando não deu para ir mais de carro, fomos a pé, e vimos que alem de muitos turistas, tinham ainda mais indonésios. Chegamos a conclusão que era por causa do final do semana. No tal mirante, muito bonito, não tinha espaço para ninguém. Tivemos que esperar as pessoas cansarem e saírem de seus lugares para podermos aproveitar. Já tava claro, mas deu para ver o sol ainda bem baixo. O Vulcão Bromo ali na frente, saindo ate fumaça, com montanhas ao redor davam todo um clima para o lugar. Depois desta vista de cima, fomos ate a base, onde subimos o vulcão. A Bibi teve que fazer um esforço extra, mas ate que se saiu bem. Aquela fumaça tinha um cheiro forte de enxofre, e ficamos na beira da cratera. Fomos entrevistados por curiosos adolescentes e ficamos conversando ate chegar a hora de mais fotos. Contamos para eles que no Brasil existem lugares para sair a noite que se chamam Bali Hai e Warung, eles davam risada.

Vulcão Bromo e sua “fumacinha”…

De volta a pousada deu tempo de tomar o famoso cafe javanes (não tao bom quanto o etíope, mas saboroso), um banho quente, arrumar as coisa e pegar estrada. Um casal americano/alemã pegou o mesmo ônibus que agente e conversamos um pouco sobre a viagem e sobre como foi largar a rotina nos respectivos países, coisa que também fizeram. Muitos Km depois estávamos no ferry que liga a Ilha de Java ate a Ilha de Bali.