A rota menos percorrida, muita praia e o descanso merecido

Muito dos que voam para a Ilha de Flores, vão para o Parque nacional de Komodo para ver os Dragões de Komodo e voam de volta. Algumas atrações estão sendo descobertas, aumentando o numero de visitantes. Mas não e só a ilha de Flores que e esquecida pelo turismo convencional. Entre Lombok e Flores esta a ilha de Sumbawa. Aqueles lugares que ate guias como o Lonly Planet (que deveriam ser para viajantes independentes) falam que é bem legal, mas complicado viajar por lá, devido a falta de infra estrutura, transportes irregulares, etc. Ate os barcos que vem de Bali ou Lombok, passando por varias ilhas, até terminar em flores, pulam Sumbawa, não entendemos porque.

O Ferry de Labumbajo/Flores ate Sape/Leste de Sumbawa foi tranquilo. Foram aproximadamente oito horas de viagem, mas com espaço, sem stress e uma ótima paisagem. Pudemos ver aquelas “ilhas vulcões” de outro ângulo. A Bibi aproveitou para botar o sono em dia, indo para a primeira classe e se espichando nas poltronas almofadadas que estavam vazias, nem percebendo o barulho da TV que passava o filme do Wolverine. Eu fiquei lendo na terceira classe, que inacreditavelmente não estava lotada. Tinha uma cafeteria que servia pequenas refeições alem de muitos curiosos que vinham conversar. Ao chegar, dezenas de carregadores subiram no ferry para ajudar os passageiros a carregar suas caixas e bagagens em troca de algumas moedas. Mais carregadores que mercadoria, acabou saindo uma briga, a primeira que presencio desde o inicio da viagem. Esperamos os ânimos se acalmarem e saímos do ferry, em direção aos micronibus para continuar viagem. Eles estavam saindo, e quase que ficamos presos ali, pois transporte só no dia seguinte. No inicio passamos por algumas montanhas, arrozais, mas não demorou muito e o relevo mudou, ficando bem mais plano. O ônibus estava lotado, cheio de coisas no corredor, mas logo chegamos na rodoviária de Bina. As duas primeiras cidades de Sumbawa nos impressionaram. Havíamos lido sobre o subdesenvolvimento da ilha, baixíssimo IDH, mas não víamos esta pobreza toda, pelo menos próximo das estradas que circulávamos e principais cidades. Gostaríamos de explorar mais Sumbawa, mas nosso tempo estava curto. Decidimos não arriscar por causa do escasso transporte e seguir para o outro lado da ilha, onde estaríamos pais perto de Lombok/Bali, destino final da nossa viagem. Tivemos um intervalo ate o próximo ônibus, e a Bibi foi para um mercadinho comprar sanduíche para mudar um pouco a comida. Eu achei uma tiazinha com um carrinho que parecia de pipoca. Comi um delicioso Nasigoreng (não, eu não enjoo!!), talvez o melhor da viagem. Ficamos sentados na estera estendida na calcada, comendo e esperando nosso ônibus. O senhor sentado ao lado com seu filho ate tentava se comunicar, mas trocávamos sinais e muitas risadas. O outro ônibus que pegamos era super bom, tinha ate banheiro!! Poltrona reclinava bastante e conseguimos dormir. Como chegaríamos em Pota Tano no meio da madrugada, e muita gente nos falou que não existiam hotéis por la, estávamos considerando ficar em Sumbawa Besar, capital da ilha, que ficava algumas horas antes. Tentei falar com o motorista algumas vezes,  mas ele fazia sinal de que não me entendia e não falava comigo. Acordei com as luzes de Sumbawa Besar, e com rápidas paradas para passageiros descerem. Achei que o motorista nos deixaria numa área central. Quando fomos nos afastando do “movimento” (a cidade e pequena, mesmo sendo uma capital), a esperança era que parássemos na rodoviária, muitas vezes afastada do centro. Paramos, mas num restaurante, para o jantar, que estava incluso na passagem. Eram quase 2 da manha e tinha um pequeno buffet a nossa disposição, com arroz, frango, verduras e mais algumas coisinhas. Arranjei alguém que fala inglês, ou algo parecido, e la vou eu reclamar com o motorista. Ele apontou para mototaxis, que poderiam nos levar ate o hotel la mais perto do centro. Juntou mais alguns curiosos e falavam que eu deveria ir para Pota Tano, pois cedo já tinha transporte de lá para Maluk, a praia que queríamos ir. Mesmo com medo de ficar no meio da rua sem transporte, decidimos arriscar. Dormimos novamente e acordamos com o cobrador quase nos jogando para fora do ônibus. Saímos correndo para pegar as mochilas no bagageiro e nisso a Bibi esqueceu uma sacola com roupas molhadas dentro do ônibus (só foi reparar depois). Estávamos no cruzamento que ia para o porto, lugar escuro, só iluminado pela luz de uma guarita com 3 pessoas e uma moto ao lado. A vontade era de falar ”que merda!”, mas antes que as palavras saíssem da minha boca, passou uma van lotada de coisas perguntando para onde íamos. Eu falava Maluk, Maluk e eles só fizeram sinal para subir. O pessoal com cara de sono, de acordar tao cedo para trabalhar, ainda conseguiram sorrir para nos e  ajudar a arranjar lugar para nossas mochilas. Algumas paradas para deixar o pessoal em seus trabalhos, e chamou atenção uma delas, cheia de gente, muitos com capacete. Descobriram uma mina de cobre e ouro nesta região a alguns anos atras e hoje e muito movimentada, explorada por uma empresa americana. Logo chegamos a Maluk, e nos deixaram a poucas quadras do único hotel que tínhamos nome. Já não era mais tarde, e sim cedo. Para nossa sorte tinha uma pessoa acordada e nos mostrou as 3 opções de quarto. Depois de tanto tempo viajando, decidimos pela melhor delas, com aircon e ate frigobar. Demos aquela merecida dormida e depois fomos conhecer a praia, que ficava bem pertinho. Praia bonita, uma baia em forma de ferradura. Uma pequena estrutura de bares/restaurantes cheia de locais, uma praça e parque para crianças. Fomos para o canto da praia, num barzinho de estrutura rustica, mas não tinha almoço. Resolvemos tomar alguma coisa e já veio uma pessoa falar com a gente, sentando na nossa mesa, mesmo sem ser convidado. Acabamos comendo um delicioso peixe assado na “praça de alimentação” entre os pequenos restaurantes. Não preciso nem comentar a dificuldade de comunicação, mas a mimica já esta boa. Era domingo e estava cheio de locais aproveitando a estrutura.Demos uma pequena caminhada e ficamos largados na areia conversando e tomando banho de mar, com aquela parte da praia só para nos. Final de tarde já estávamos indo para pousada quando vimos que o por de sol seria daqueles. Sentamos na areia e ficamos vendo o sol se por, todas aquelas cores, enquanto pessoas tomavam banho de mar de roupa e um arco-iris se formava no lado oposto.

Praia so nossa

Por do sol em Maluk

Outro dia nos limitamos a uma caminhada ate o canto da praia, onde na “temporada seca” tem uma super onda chamada Supersuck, mas que agora parecia uma piscina. Grande parte do dia ficamos sentados num restaurante simpático, conversando com as pessoas que trabalhavam lá, mostrando fotos. Tava muito bom ficar largado ali, mas ouvimos dizer que em sengkonkang, poucos Km mais ao sul era melhor ainda. Arranjamos umas mototaxis e fomos ate uma pousada que nos indicaram. Estrutura simples, na beira da areia. Uma praia muito bonita, com bastante vegetação e cercada com morros. Tinham alguns outros estrangeiros na pousada, que já estavam a algumas semanas ali, devido as constantes ondas de Yoyo’s. O lugar parece uma comunidade, com todo mundo comendo junto, batendo papo, cantando em volta da fogueira. O pessoal que trabalha la super gente boa, ambiente show. A comida, principalmente nos jantares, era uma atracão a parte. Horas e horas gastas na parte da frente da pousada, que carinhosamente chamávamos de “escritório”. Redes, mesinhas, “refeitório”, mesa de ping-pong, tudo a poucos metros da areia. Uma torre com sirenes mostrava que mesmo nas praias mais isoladas, a Indonésia se preparou para próximos tsunamis.

Isto que e vida!!

Nossa “comunidade”

Por melhor que seja ficar largado por aqui, fazer caminhadas, o ponto alto e o surf. Yoyo’s e uma onda bem constante, e a ondulação tava entrando bem quando cheguei. Consegui uma prancha com uma das pessoas que trabalhava la, emprestada, não alugada. Como alguns estrangeiros tinham ido surfar em Scareef (vários KM para o norte), outros se preparavam para o swell do dia seguinte, fui surfar sozinho. A Bibi ficou na areia e eu tentando achar a melhor maneira de passar por aqueles corais, muitas vezes com ouriços. Já tinha tido a oportunidade de surfar quase sem ninguém em Madagascar, mas agora estava sozinho, com altas ondas. Aquelas que você olha quebrar uma vez, outra, e são praticamente todas iguais. Como nada e perfeito, o lugar e muito raso, e apesar do coral não ser tao afiado por aqui, com certeza causaria um estrago. Ficava la no fundo, só esperando as maiores, para não correr o risco de nenhuma quebrar em cima de mim também. A serie vinha batendo na pedra do morro, que cheia de tuneis e cavernas fazia um barulho super alto. A adrenalina subia, mas depois do “buraco” inicial a onda era muito fácil. Difícil era surfar naquela água transparente vendo os corais. Acertei o pé rapidinho, e fiquei com dor na perna de tanto que surfei. Surfei mais num dia que nos últimos anos (praticamente não surfava mais). Como as ondas perto da praia já não estavam pequenas, e eu estava bem para o fundo, a Bibi não me via. Resolveu voltar por causa do sol forte e preocupada foi perguntar para alguém se o lugar não tinha perigo. O pia respondeu, que tinha um monte de tubarão, que era para ela pedir ajuda. Ela ficou super preocupada, mas o pessoal da pousada a acalmou, explicando que o pia era meio lesado da cabeça  ate eu chegar já com o sol se pondo. Não foi difícil decidir que ficaríamos mais tempo la, naquela rotina “chata”. Mas um dia tínhamos que sair, e voltar para nossa saga dos transportes. O pessoal da pousada nos deu carona ate Maluk, devido a falta de transporte coletivo. De la pagamos um ônibus de volta para Pota Tano, Ferry para Lombok, onibus para Mataram, mototaxi para Senggigi. Parada para comer, sacar dinheiro e descobrir que de la para as Gili Islands so no dia seguinte. Como queríamos ir direto para a ilha, descobrimos um carro indo para Bangsal, de onde pegaríamos o barco para Gili Air. Parecia simples, mas os barcos públicos só saem quando cheios e isto também seria no dia seguinte. Varias pessoas na rua se ofereciam para nos ajudar, mas com aquela cara de que iam nos passar a perna. Nos guias falavam para não ir para esta cidade, pois o pessoal era agressivo e tentava passar a perna. Como não tínhamos outra opção, e também não levamos muito a serio o falho guia, ali estávamos. Sei que nos ofereceram um barco, que iria dali a algumas horas com outros estrangeiros. Cada hora um falava uma coisa, um preço, um horário. Certo momento acabei entrando numa discução para desespero da Bibi. Fomos praticamente expulsos do bar/restaurante onde a negociação estava sendo feita, e quase que sai um Muaythaizinho…hehe

Sentamos em outra mesa de bar e acertamos com um dos caras, que aparentava ser gente boa, mas que depois descobrimos ter mentido sobre os horários e nos feito esperar por horas. Final de tarde finalmente conseguimos partir para Gili Air. As 3 ilhas Gili ficam bem perto de Lombok e entre elas. Uma e famosa por suas festas e noitadas, outra pelo isolamento total, e a que fomos e considerada um meio termo. Lugar para casal, mas com varias opções.

Íamos ficar alguns dias ali e ir comemorar o meu aniversario na Ilha das festas, mas acabamos não conseguindo sair de Gili Air. Dizem que o difícil de não fazer nada e que nunca sabemos quando acabamos. Foi mais ou menos assim. Dias largados, de férias da viagem, de se movimentar. Primeiro dia ate demos a volta na ilha, coisa que não demorou mais que uma hora. Depois disto era só se movimentar da pousada ate uma das casinhas na frente da praia, para o café da manha. Ficar horas deitado, lendo, conversando. Mergulho para refrescar o grande calor. Procurar outro lugar de frente para o mar pro almoço. Repetir a rotina, ate a hora do jantar. Varias opções de lugares para comer, todos com almofadas, estilosos, com boa musica. As praias bonitas, mas o melhor delas era dentro da água. Com os corais a água ficava transparente, e estes rodeavam boa parte da ilha. Na parte com areia era azul. Muitos peixes, tartarugas e a Bibi já esta intima do Snorkling. Pensou ate em fazer curso de mergulho, mas daí não estaríamos fazendo nada, nosso objetivo. Teve comemoração do aniversario em alto estilo, num lounge na frente da praia, com muita pipoca e cerveja, e me sinto mais jovem do que nunca!!haha

Vida dura!

Viva a juventude!!haha

As fotos de Gili eu tirava deitado, tamanha era minha preguiça

Os dias passaram e tínhamos que voltar para Bali para pegar o voo para Jakarta e seguir para o Vietnã. Quando pedi a conta do hotel, o já considerado antipático “gerente” me passou um punhado de notas, não esperando que eu fosse conferir. Na primeira olhada vi que o prato predileto da Bibi estava com o preço mais caro que o do cardápio e tinha uma refeição que não havíamos feito. Questionei amigavelmente sobre aquela refeição. Ele me explicou com detalhes, que a Bibi não estava junto, tinha ido caminhar, e eu comi no meio da tarde, junto com três suecas (se fosse verdade eu tinha caído do burro!!!haha). Como não ficamos separados por mais de 5 min, e não lembrava de nenhuma sueca, fui buscar meu diário no quarto. A refeição em questão era no primeiro dia, portanto difícil de lembrar. Comecei a ler para ele nosso dia, e depois de almoçar tínhamos ficado ate a metade da tarde largados ate o tempo melhorar, só depois fomos dar a volta na ilha. Isto derrubava a teoria dele, pois estávamos bem longe na hora que ele indicava. Ele ficou nervoso e já começou a me chamar de desonesto e tal. O nervosismo trocou de lado e fiquei puto da vida. Só pequei o cardápio e fui mostrar os preços errados que ele tava cobrando. Ele desesperadamente virou a conta de ponta cabeça e falava que era para eu pagar logo, que nem precisava pagar aquela refeição. Claro que fiz ele passar a maior vergonha na frente de todo mundo, alterando todos os preços. A audiência já não era pequena para desespero da Bibi. Acabamos perdendo o café da manha no dia seguinte, com medo que viesse com bonus…

Barco para Bangsal, van ate Lembar, horas de ferry para Sanur/Bali e finalmente van para Kuta. Tava muito quente, e mesmo no deck do ferry estávamos derretendo. Conseguimos ficar numa das poucas sombras existentes, e nos largamos no chão torcendo para que o vento aumentasse. A velocidade do ferry não ajudava muito também. Bom que eu estava empolgado com meu novo livro usado que comprei em Gili. O ferry tava cheio de mochileiros do mundo inteiro, maior concentração que vimos desde Kuta. Boa parte deveria estar vindo de Gili Travangan, a ilha da festa.

Outro ferry do estilo do nosso

Praia em Senggigi

Chegamos tarde em Kuta e só deu tempo de me preocupar um pouco por não ter conseguido sacar dinheiro em 8 caixas eletrônicos diferentes. Tudo resolvido depois de uma ligação via Skype para o Brasil enquanto a Bibi visitava as lojas.

Ainda teríamos que acordar cedo para viajar para Jakarta, passar algumas horas no aeroporto para pegar o voo para Ho Chi Minh, no Vietna. Neste meio tempo eu não tinha como não pensar o quanto gostaria de voltar para a Indonésia. Voltar para muitos lugares que passei, mas também para Sumatra e Papua, ilhas que estão na minha lista faz tempo, mas merecem um bom tempo para serem exploradas.

A ilha Hindu no pais Muçulmano.

A Indonésia, devido a sua grande população, e o maior pais muçulmano do mundo. Aqui o Islamismo e um pouco diferente dos outros países. Apesar dos princípios básicos serem os mesmos, foi muito influenciado pelos costumes locais, alem de outras religiões que já estavam presentes nas ilhas antes da chegada do Islamismo. Praticas amenistas são muito comuns e se misturam com as religiões. Uma ilha, o antigo reino de Bali, conseguiu conservar a religião Hindu, e toda uma cultura e tradições tipicas desta ilha.

Chegamos Dempasar  (capital de Bali) já tarde, e não tinha transporte publico para Ubud. O americano e a alemã que tínhamos conhecido no ônibus decidiram mudar seus planos e em vez de ir pra praia primeiro, iriam com a gente. Desta forma dividimos um táxi, que eu negociei ate ter um preço justo. A partir deste momento passei a dar dicas de negociação para o casal, que não imaginavam que os preços podiam ser tao mais barato que o primeiro preço ofertado. Ubud não fica longe, Bali e uma ilha pequena. Chegamos la sob uma chuva torrencial, para não esquecermos que estamos na temporada chuvosa. Procurar hotel tarde, debaixo de água, não foi muito agradável. Na segunda opção conseguimos um lugar bem bacana, cercado de plantações de arroz, mesmo na cidade. Quartos decorados, alem de um cafe da manha que mudava todos os dias. Se eles já estavam impressionados com a negociação, desta vez passaram a me idolatrar…

De noite já tínhamos achado o lugar descolado, apesar de estar quase tudo fechado quando chegamos, mas de dia nos impressionamos com o lugar. Tínhamos a referencia do lugar como uma vila, centro da cultura balinesa. Na verdade não e uma vila, e super desenvolvida, mas sem perder o charme. Nada de grandes construções, mas muitas lojas, tanto de artigos locais como de marcas internacionais. Uma ampla opção de restaurantes e cafés, para todos os gostos. Passamos o dia inteiro andando para cima e para baixo. A Bibi ficou louca com as lojas. No meio da tarde teve uma parada, que se repetiu no dia seguinte, mas ninguém conseguiu nos explicar direito o que era. A noite jantamos com nossos novos amigos num restaurante descolado e ficamos batendo papo e tomando uma cerveja.

Comemoração, não souberam explicar do que

Como não sou nem um pouco de loja, enquanto a Bibi passeava eu já aluguei uma scooter. Desta forma bem cedo já pudemos sair cedo para explorar a região. Ubud esta crescendo bastante, e os arredores já estão cheio de lojas de artesanato. Mas não demora muito para ficar uma estrada totalmente vazia, com paisagens que variam de terraços de arroz a mata mais fechada. Por todo o caminho postes enfeitam a região. Pequenas vilas, tao perto do turismo e parece que seus moradores nem se envolvem. Levam aquela vida calma… Pequenos templos por todos os lados, alem de decorações e oferendas com flores.

Terraços de Arros

Quase não vimos o tempo passar e logo estávamos de frente para o vulcão Batur. Muito legal, pois estávamos numa estrada fechada pelas arvores, de repente estávamos numa parte alta, com o vulcão e um grande lago ao lado. Tudo em volta do vulcão ainda esta queimado, devido a sua ultima erupção em 99. Descemos ate o lago, passando por pequenos povoados, e tivemos uma vista de outro angulo. Ficamos conversando com um cara que queria nos levar para sua vila onde não enterram os mortos, mas penduram numa arvore que não da cheiro. Achamos meio macabro e resolvemos pular esta atividade…

Vulcão Batur

Escolhemos um lugarzinho para ficar tomando alguma coisa e curtindo o visual, ate cansar e resolver voltar. Na volta fomos parando em algumas vilas. Era final do horário de escola, e as ruas estavam cheias de crianças com seus uniformes e chapéus típicos. Sobrou tempo para a Bibi ver mais algumas lojas, mas eu adotei a tática do “te encontro mais tarde” para não ter que acompanhar toda a hora. Aproveitei para ver como que iriamos para as outras ilhas.

Rua decorada e a criançada

De noite teve um apagão, mas conseguimos achar um bom e barato restaurante. A falta de luz só aumentou o numero de velas, que já são utilizadas diariamente.

Ubud e aquele lugar que e difícil de ir embora, então mesmo sem ter muitos planos, resolvemos ficar mais, para curtir o lugar. Ficar de bobeira por ali, não e nem um pouco difícil. Final de tarde num cafe, conhecemos uma Ucraniana que puxou papo com a gente. Aos 35 anos, largou emprego, vendeu casa, e saiu para viajar, sem data para voltar. Eu achei ela meio mala, mas a Bibi se deu bem, pois dentre psicologia, astrologia e espiritualidade se entenderam. Acabamos indo jantar juntos.

Infelizmente tínhamos que partir. Já tínhamos ate trocado nossa passagem de saída da Indonésia, pois a chuva não estava atrapalhando em nada a viagem, e tínhamos muita coisa para ver. Fomos para Kuta, no litoral, centro do turismo em Bali. Chegamos naquela muvuca, e tentamos ficar o menos tempo possível. Deixei a Bibi numa internet com as mochilas e fui arrumar um carro. Em 40 minutos estava com um Susuki, que aluguei por menos de 8 usd por dia. Foi só olhar o mapa e se mandar dali, para as praias mais calmas da península. Paramos em Dreamland, praia famosa para o surf, que ate pouco tempo tinha vários warungs e barzinhos estilosos de frente para praia, mas infelizmente agora tem um resort estilo “elefante branco”. Praia legal, com água verde, mas nada de onda, pois não e a época certa.

Dreamland. Infelizmente agora parte de um resort

Mergulhamos, pegamos praia, mas logo apareceram umas nuvens escuras. A chuva não veio, mas fez com que saíssemos da praia para procurar um lugar para ficar. Rodamos um pouco, para se localizar na região. Tudo e perto, e com carro, não importava muito onde ficaríamos. Não achamos o sonhado lugar de frente para a praia, mas arranjamos uma pousada super legal, em cima das falésias, com uma piscina infinita, e uma super vista. Ficamos tomando banho de piscina ate tarde. Apareceu um Neo Zelandês que deu umas dicas sobre o surf da região, e deu a boa noticia que um Swell estava entrando, portanto teríamos ondas no dia seguinte. Indicou um ótimo restaurante ali perto, que conferimos e aprovamos.

Não e um trabalho fácil, mas alguém tem que fazer…

Para não perder tempo indo de praia em praia, fomos direto para Uluwatu, onde o surf era garantido. Estacionamos e la de cima dava para ver as linhas das ondas. O mar tava bom! Descemos entre as dezenas de surfshop e restaurantes, comemos alguma coisa e eu já aluguei uma prancha. Coitada da Bibi, pois na verdade quase não tem praia. A pequena faixa de areia fica quase toda escondida por pedras. Tem uns 5 metros entre pedras que e onde entra no mar. Me joguei e a correnteza puxou para o lado. Remadeira básica ate chegar no pico. Passei um tempo meio de lado, sentindo o lugar. Tinha um tamanho ali, quase 2 metros. Peguei uma, outra e com isto confiança. Resolvi remar para o “pico”, onde tinham ondas maiores. Não demorou muito para eu conhecer os corais de perto. E muito raso!! Mas tranquilo, segurei um pouco o impeto e curti bastante.

Uluatu

Sai da água cançado e feliz da vida. Ficamos num dos warungs e decidimos ir para outra praia. Os vendedores arranham um pouco de português, de tanto turista que vem para cá. Chegamos em “impossibles”, onde também tem que descer por entre as pedras. Esta tem uma praia com um pouco mais de areia, com algumas pessoas largadas, entre elas alguns brasileiros. Tava tendo onda pro lado esquerdo do morro, indo pra Padang Padang. Ondas bonitas, mas muito raso, quase só gente de body board. Eu tava tranquilo, então fiquei com a Bibi na areia. Depois repetimos a dose piscina e restaurante gostoso.

nosso carro na frente de ” impossibles”

Não sei se o swell inverteu, mas não teve muita onda no outro dia. O negocio foi curtir piscina e depois praia em Impossibles. Mesmo sem onda um pessoal se amontoava para esperar uma ou outra que vinha na serie. Ainda deu tempo de passar em Jimbadam Bay para tomar um suco e conhecer a praia e região. Fomos para Kuta e tivemos que procurar um lugar pra ficar antes de devolver o carro. Um stress, transito, engarrafamento, muvuca de gente. Parava o carro e a Bibi ia dar uma olhada nos hotéis. Ela arranjou um, que só depois fomos ver que não funcionava as coisas direito. Na verdade um muquifo. Na pressa e com óculos de sol ela acabou resolvendo ficar, talvez pelo jardim, unica coisa boa do hotel. Fomos ate a praia, cheia de adolescentes (outros nem tanto) bêbados esperando o por de sol. Mesmo na teoricamente baixa temporada, tudo estava lotado, cheio de gente. Demos umas voltas, mas não da para dizer que curtimos muito o lugar. Tentamos aproveitar da forma que deu. Noite sem balada, pois tínhamos que acordar cedo para pegar o voo para ilha de Flores.