Surf em terras Incas (2003)

Em 2003 fui para o Peru com uns amigos. Era uma surf-trip, mas claro que a barraca e afins estavam na mochila para fazer a caminhada até Machu Picchu.

Chegamos no dia 28 de Julho, dia da independência peruana e as ruas estavam um caos. Fomos direto até Punta Hermoza, praia que utilizamos como base para explorar a região. Cada dia era uma praia, com ondas para todos os gostos. De manhã bem cedo sempre encontrávamos um senhor, Paco Del Castillo, que ficamos sabendo mais tarde ser um dos pioneiros a surfar no Peru. Ficamos amigos dele e do seu filho, Roberto, que sempre estava na água.  Revesávamos entre as ondas de “Herradura”, “Caballeros”, “Señoritas”, “Punta Hermoza” e nossa predileta,  “Punta Rocas”, que estava grande. Bem, pelo menos achávamos até então. Com a ondulação chegando, a gigantesca onda de “Pico Alto” começou a “funcionar”. Mas segundo nosso amigo local, Roberto, com aquele vento o lugar ideal era a tal de “Peñascal”.  Pegamos o ônibus sentido sul, e lembro de olhar a praia e pensar, “é até que tem onda”. Mas ele riu, falando que não era aquela “ondinha”. Apontou lá para o fundo, onde devido a distância não dava para ter noção do tamanho da onda, mas já imaginava que era a maior onda que já tinha encontrado até ali.

Punta Hermoza

Punta Hermoza

Como é um blog de viagens, não de surf, não vou entrar em detalhes, só contar que literalmente quase morri. A cordinha arrebentou, quase me afoguei, lutando contra a corrente durante mais de meia hora, ainda tendo que pisar em ouriços para sair do mar. Pelo menos peguei uma ou outra onda com mais de 10 pés!

Com aquela ondulação chegando, decidimos ir mais ao norte do Peru. Um amigo do Paco alugaria um carro por um preço camarada se o Roberto fosse junto. Topamos na hora, mas como ele não sabia dirigir, mal sabíamos da encrenca que estávamos nos metendo.

Mal sabíamos o que vinha pela frente...

Mal sabíamos o que vinha pela frente…

Fomos extorquidos a cada posto policial, na ida e na volta. Parecia que combinavam e passavam um radio para o posto seguinte “tem uns trouxas brasileiros indo…”. Tínhamos verificado que não era necessária a carteira de motorista internacional, mas eles alegavam que precisava. Nas cidades maiores parávamos para verificar e confirmávamos que tínhamos razão. De nada adiantava, teve um guarda que disse que a regra tinha mudado na “semana anterior”. Tentávamos de tudo, mas no final só eramos liberados deixando um dinheirinho.

Fomos até Pacasmayo, passando antes em “Chicama”, uma das ondas mais compridas do mundo. Apesar do estresse com os policiais, foi uma road-surf-trip muito divertida!

Nesta internet recebi informações que meu sobrinho tinha nascido.

Nesta internet, no meio do nada, recebi informações que meu sobrinho tinha nascido.

Após devolver o carro em Punta Hermoza na volta, ainda exploramos Lima e pegamos umas baladinhas. Uma coisa que achávamos muito engraçado era que o cobradores iam empurrando as pessoas do ponto para dentro do ônibus falando “Lima, lima, Lima” sendo que muitas vezes elas nem queriam ir para lá.

Chegava ao fim a etapa litoral da viagem e partimos para as montanhas, em um voo até Cusco. Naquela época, não tinha tanta informação quanto hoje. Não era só entrar na internet e saber bem certinho sobre como ir até Machu Picchu. Eu tinha amigos que tinham feito a trilha Inca na década de 90. Tinha que carregar tudo, falavam da dificuldade de encontrar o inicio da trilha e tal…

Chegando em Cusco. A mesma mochila me acompanha até hoje!

Chegando em Cusco. A mesma mochila me acompanha até hoje!

Cusco

Cusco

Mas tudo tinha mudado. Minha barraca, fogareiro e equipamentos em geral pareciam supérfluos.  Para chegar até Mache Picchu somente através de agencias. Não era o ideal, mas tudo bem, fomos atrás. Nos surpreendemos quando vimos que estava tudo lotado para as próximas semanas. Mas não desistimos tão facilmente. Depois de revirar Cusco atrás de um pacote, sem sucesso, encontramos uma guia Quechua, que se dispôs a nos ajudar.  Fomos com ela encarar filas em um escritório oficial de turismo, e depois de uma longa tarde saímos com as autorizações. Tudo certo então? Mais ou menos. A trilha liberada era outra, portanto tínhamos só 3 dias (2 noites) e não 4 (3 noites) para chegar até Machu Picchu.

Início da Trilha Inca

Início da Trilha Inca

Combinamos com a guia que tentaríamos passar os postos de controle da trilha original, e aumentaríamos o ritmo, para ganhar um dia. A desculpa que demos era que que na trilha do trem (que tínhamos autorização) haviam muitas cobras , não sei como, colou e seguimos pela trilha desejada. Na longa caminhada íamos conhecendo pessoas, mas deixando para trás, para poder completar o percurso a tempo. Até que não foi ruim acampar em um lugar sozinhos, ainda mais quando saiu uma lua cheia que iluminava os picos nevados. Quem diria que todo o equipamento que eu levei seria utilizado, já que não fizemos parte de nenhum grupo, com carregadores de barracas, comidas, etc,

A trilha é muito legal, realmente vale a pena! A incrível paisagem, os passes que chegam a 4200 metros e os diversos sítios arqueológicos  (Runkurakay, Phuyupatamarca…) todo o conjunto é tão legal quanto Macchu Pichu em si.

Devido a altitude, muitas vezes o ritmo da caminhada era lento e as subidas pareciam intermináveis. A segunda noite se aproximava e ainda estávamos longe do ultimo local permitido para acamparmos (onde inclusive tem uma construção). Fui com a guia na frente ver se conseguíamos  um lugar para a barraca e meus dois amigos ficaram para trás. No final das contas acabou anoitecendo e ficaram perdidos no meio da trilha. Víamos somente algumas luzes das lanternas no alto da montanha, contrastando com a escuridão do lugar. O jeito foi contratar um guia para ir resgatar eles e outros retardatários. Pelo menos eles estavam caminhando ha umas 17 horas, mas não fugiram das minhas piadas. rs

Mas nem todas as dificuldades haviam sido superadas. Como não tínhamos autorização para estar nesta trilha, não tínhamos lugar para acampar, pois estava tudo lotado. Acabamos dormindo nas escadarias, junto aos carregadores, que pouco mais tarde nos acordaram, quando o refeitório foi liberado. Quando todos das excursões foram para suas barracas, aproveitamos para entrar e dormir nos bancos entre as mesas. Sono profundo mais curto, pois quando arrumavam o café da manhã para o pessoal tivemos que acordar (a caminhada inicia as 4 da manhã).

Comemos o pouco que restava das comidas que carregávamos e não encaramos os altos preços do cardápio. Quando o pessoal saiu para a trilha, alguns carregadores logo foram pegando as sobras. Nos ofereceram claro que não negamos. A sorte é que tinha sobrado muita comida!

Seguimos a trilha e logo estávamos chegando na Puerta Del Sol, avistando Machu Picchu pela primeira vez!! Depois de tento esforço, acho que acabamos valorizando ainda mais aquele super visual!

Primeiro contato com Machu Picchu

Primeiro contato com Machu Picchu

Não só as ruínas, mas todo o lugar da um astral.

Não só as ruínas, mas todo o conjunto é um astral.

Caminhada até lá com a sensação de dever cumprido, visita guiada pelas ruínas e um merecido descaço no gramado. Incrível todas as construções e conhecimentos que os Incas tinham!  Ficamos curtindo o lugar e eu ainda encarei uma subida até Wayna Picchu! Novamente valeu muito a pena!

Em Aguas Calientes tomamos aquele banho quente nas termas e mal reclamávamos do cheiro de enxofre. Dormimos feito pedras e pela manhã pegamos um trem de volta até Cusco. Depois de uma boa noite de sono (mais ou menos, rolou uma baladinha!) exploramos mais a bela cidade.

Já tínhamos explorado Ollantaytambo e o vale sagrado, então foi bom passar mais uns dias em Cusco, cidade muito interessante.  Além das atrações mais obvias, gente do mundo inteiro para bater papo, ruelas e mercados para andar sem destino.

Logo estávamos pegando o voo para Lima, onde ficamos uma noite na casa de amigos de amigos. Voltando para o Brasil, já fazia planos para uma próxima viagem, melhor forma de curar uma ressaca pós viagem!

A rota menos percorrida, muita praia e o descanso merecido

Muito dos que voam para a Ilha de Flores, vão para o Parque nacional de Komodo para ver os Dragões de Komodo e voam de volta. Algumas atrações estão sendo descobertas, aumentando o numero de visitantes. Mas não e só a ilha de Flores que e esquecida pelo turismo convencional. Entre Lombok e Flores esta a ilha de Sumbawa. Aqueles lugares que ate guias como o Lonly Planet (que deveriam ser para viajantes independentes) falam que é bem legal, mas complicado viajar por lá, devido a falta de infra estrutura, transportes irregulares, etc. Ate os barcos que vem de Bali ou Lombok, passando por varias ilhas, até terminar em flores, pulam Sumbawa, não entendemos porque.

O Ferry de Labumbajo/Flores ate Sape/Leste de Sumbawa foi tranquilo. Foram aproximadamente oito horas de viagem, mas com espaço, sem stress e uma ótima paisagem. Pudemos ver aquelas “ilhas vulcões” de outro ângulo. A Bibi aproveitou para botar o sono em dia, indo para a primeira classe e se espichando nas poltronas almofadadas que estavam vazias, nem percebendo o barulho da TV que passava o filme do Wolverine. Eu fiquei lendo na terceira classe, que inacreditavelmente não estava lotada. Tinha uma cafeteria que servia pequenas refeições alem de muitos curiosos que vinham conversar. Ao chegar, dezenas de carregadores subiram no ferry para ajudar os passageiros a carregar suas caixas e bagagens em troca de algumas moedas. Mais carregadores que mercadoria, acabou saindo uma briga, a primeira que presencio desde o inicio da viagem. Esperamos os ânimos se acalmarem e saímos do ferry, em direção aos micronibus para continuar viagem. Eles estavam saindo, e quase que ficamos presos ali, pois transporte só no dia seguinte. No inicio passamos por algumas montanhas, arrozais, mas não demorou muito e o relevo mudou, ficando bem mais plano. O ônibus estava lotado, cheio de coisas no corredor, mas logo chegamos na rodoviária de Bina. As duas primeiras cidades de Sumbawa nos impressionaram. Havíamos lido sobre o subdesenvolvimento da ilha, baixíssimo IDH, mas não víamos esta pobreza toda, pelo menos próximo das estradas que circulávamos e principais cidades. Gostaríamos de explorar mais Sumbawa, mas nosso tempo estava curto. Decidimos não arriscar por causa do escasso transporte e seguir para o outro lado da ilha, onde estaríamos pais perto de Lombok/Bali, destino final da nossa viagem. Tivemos um intervalo ate o próximo ônibus, e a Bibi foi para um mercadinho comprar sanduíche para mudar um pouco a comida. Eu achei uma tiazinha com um carrinho que parecia de pipoca. Comi um delicioso Nasigoreng (não, eu não enjoo!!), talvez o melhor da viagem. Ficamos sentados na estera estendida na calcada, comendo e esperando nosso ônibus. O senhor sentado ao lado com seu filho ate tentava se comunicar, mas trocávamos sinais e muitas risadas. O outro ônibus que pegamos era super bom, tinha ate banheiro!! Poltrona reclinava bastante e conseguimos dormir. Como chegaríamos em Pota Tano no meio da madrugada, e muita gente nos falou que não existiam hotéis por la, estávamos considerando ficar em Sumbawa Besar, capital da ilha, que ficava algumas horas antes. Tentei falar com o motorista algumas vezes,  mas ele fazia sinal de que não me entendia e não falava comigo. Acordei com as luzes de Sumbawa Besar, e com rápidas paradas para passageiros descerem. Achei que o motorista nos deixaria numa área central. Quando fomos nos afastando do “movimento” (a cidade e pequena, mesmo sendo uma capital), a esperança era que parássemos na rodoviária, muitas vezes afastada do centro. Paramos, mas num restaurante, para o jantar, que estava incluso na passagem. Eram quase 2 da manha e tinha um pequeno buffet a nossa disposição, com arroz, frango, verduras e mais algumas coisinhas. Arranjei alguém que fala inglês, ou algo parecido, e la vou eu reclamar com o motorista. Ele apontou para mototaxis, que poderiam nos levar ate o hotel la mais perto do centro. Juntou mais alguns curiosos e falavam que eu deveria ir para Pota Tano, pois cedo já tinha transporte de lá para Maluk, a praia que queríamos ir. Mesmo com medo de ficar no meio da rua sem transporte, decidimos arriscar. Dormimos novamente e acordamos com o cobrador quase nos jogando para fora do ônibus. Saímos correndo para pegar as mochilas no bagageiro e nisso a Bibi esqueceu uma sacola com roupas molhadas dentro do ônibus (só foi reparar depois). Estávamos no cruzamento que ia para o porto, lugar escuro, só iluminado pela luz de uma guarita com 3 pessoas e uma moto ao lado. A vontade era de falar ”que merda!”, mas antes que as palavras saíssem da minha boca, passou uma van lotada de coisas perguntando para onde íamos. Eu falava Maluk, Maluk e eles só fizeram sinal para subir. O pessoal com cara de sono, de acordar tao cedo para trabalhar, ainda conseguiram sorrir para nos e  ajudar a arranjar lugar para nossas mochilas. Algumas paradas para deixar o pessoal em seus trabalhos, e chamou atenção uma delas, cheia de gente, muitos com capacete. Descobriram uma mina de cobre e ouro nesta região a alguns anos atras e hoje e muito movimentada, explorada por uma empresa americana. Logo chegamos a Maluk, e nos deixaram a poucas quadras do único hotel que tínhamos nome. Já não era mais tarde, e sim cedo. Para nossa sorte tinha uma pessoa acordada e nos mostrou as 3 opções de quarto. Depois de tanto tempo viajando, decidimos pela melhor delas, com aircon e ate frigobar. Demos aquela merecida dormida e depois fomos conhecer a praia, que ficava bem pertinho. Praia bonita, uma baia em forma de ferradura. Uma pequena estrutura de bares/restaurantes cheia de locais, uma praça e parque para crianças. Fomos para o canto da praia, num barzinho de estrutura rustica, mas não tinha almoço. Resolvemos tomar alguma coisa e já veio uma pessoa falar com a gente, sentando na nossa mesa, mesmo sem ser convidado. Acabamos comendo um delicioso peixe assado na “praça de alimentação” entre os pequenos restaurantes. Não preciso nem comentar a dificuldade de comunicação, mas a mimica já esta boa. Era domingo e estava cheio de locais aproveitando a estrutura.Demos uma pequena caminhada e ficamos largados na areia conversando e tomando banho de mar, com aquela parte da praia só para nos. Final de tarde já estávamos indo para pousada quando vimos que o por de sol seria daqueles. Sentamos na areia e ficamos vendo o sol se por, todas aquelas cores, enquanto pessoas tomavam banho de mar de roupa e um arco-iris se formava no lado oposto.

Praia so nossa

Por do sol em Maluk

Outro dia nos limitamos a uma caminhada ate o canto da praia, onde na “temporada seca” tem uma super onda chamada Supersuck, mas que agora parecia uma piscina. Grande parte do dia ficamos sentados num restaurante simpático, conversando com as pessoas que trabalhavam lá, mostrando fotos. Tava muito bom ficar largado ali, mas ouvimos dizer que em sengkonkang, poucos Km mais ao sul era melhor ainda. Arranjamos umas mototaxis e fomos ate uma pousada que nos indicaram. Estrutura simples, na beira da areia. Uma praia muito bonita, com bastante vegetação e cercada com morros. Tinham alguns outros estrangeiros na pousada, que já estavam a algumas semanas ali, devido as constantes ondas de Yoyo’s. O lugar parece uma comunidade, com todo mundo comendo junto, batendo papo, cantando em volta da fogueira. O pessoal que trabalha la super gente boa, ambiente show. A comida, principalmente nos jantares, era uma atracão a parte. Horas e horas gastas na parte da frente da pousada, que carinhosamente chamávamos de “escritório”. Redes, mesinhas, “refeitório”, mesa de ping-pong, tudo a poucos metros da areia. Uma torre com sirenes mostrava que mesmo nas praias mais isoladas, a Indonésia se preparou para próximos tsunamis.

Isto que e vida!!

Nossa “comunidade”

Por melhor que seja ficar largado por aqui, fazer caminhadas, o ponto alto e o surf. Yoyo’s e uma onda bem constante, e a ondulação tava entrando bem quando cheguei. Consegui uma prancha com uma das pessoas que trabalhava la, emprestada, não alugada. Como alguns estrangeiros tinham ido surfar em Scareef (vários KM para o norte), outros se preparavam para o swell do dia seguinte, fui surfar sozinho. A Bibi ficou na areia e eu tentando achar a melhor maneira de passar por aqueles corais, muitas vezes com ouriços. Já tinha tido a oportunidade de surfar quase sem ninguém em Madagascar, mas agora estava sozinho, com altas ondas. Aquelas que você olha quebrar uma vez, outra, e são praticamente todas iguais. Como nada e perfeito, o lugar e muito raso, e apesar do coral não ser tao afiado por aqui, com certeza causaria um estrago. Ficava la no fundo, só esperando as maiores, para não correr o risco de nenhuma quebrar em cima de mim também. A serie vinha batendo na pedra do morro, que cheia de tuneis e cavernas fazia um barulho super alto. A adrenalina subia, mas depois do “buraco” inicial a onda era muito fácil. Difícil era surfar naquela água transparente vendo os corais. Acertei o pé rapidinho, e fiquei com dor na perna de tanto que surfei. Surfei mais num dia que nos últimos anos (praticamente não surfava mais). Como as ondas perto da praia já não estavam pequenas, e eu estava bem para o fundo, a Bibi não me via. Resolveu voltar por causa do sol forte e preocupada foi perguntar para alguém se o lugar não tinha perigo. O pia respondeu, que tinha um monte de tubarão, que era para ela pedir ajuda. Ela ficou super preocupada, mas o pessoal da pousada a acalmou, explicando que o pia era meio lesado da cabeça  ate eu chegar já com o sol se pondo. Não foi difícil decidir que ficaríamos mais tempo la, naquela rotina “chata”. Mas um dia tínhamos que sair, e voltar para nossa saga dos transportes. O pessoal da pousada nos deu carona ate Maluk, devido a falta de transporte coletivo. De la pagamos um ônibus de volta para Pota Tano, Ferry para Lombok, onibus para Mataram, mototaxi para Senggigi. Parada para comer, sacar dinheiro e descobrir que de la para as Gili Islands so no dia seguinte. Como queríamos ir direto para a ilha, descobrimos um carro indo para Bangsal, de onde pegaríamos o barco para Gili Air. Parecia simples, mas os barcos públicos só saem quando cheios e isto também seria no dia seguinte. Varias pessoas na rua se ofereciam para nos ajudar, mas com aquela cara de que iam nos passar a perna. Nos guias falavam para não ir para esta cidade, pois o pessoal era agressivo e tentava passar a perna. Como não tínhamos outra opção, e também não levamos muito a serio o falho guia, ali estávamos. Sei que nos ofereceram um barco, que iria dali a algumas horas com outros estrangeiros. Cada hora um falava uma coisa, um preço, um horário. Certo momento acabei entrando numa discução para desespero da Bibi. Fomos praticamente expulsos do bar/restaurante onde a negociação estava sendo feita, e quase que sai um Muaythaizinho…hehe

Sentamos em outra mesa de bar e acertamos com um dos caras, que aparentava ser gente boa, mas que depois descobrimos ter mentido sobre os horários e nos feito esperar por horas. Final de tarde finalmente conseguimos partir para Gili Air. As 3 ilhas Gili ficam bem perto de Lombok e entre elas. Uma e famosa por suas festas e noitadas, outra pelo isolamento total, e a que fomos e considerada um meio termo. Lugar para casal, mas com varias opções.

Íamos ficar alguns dias ali e ir comemorar o meu aniversario na Ilha das festas, mas acabamos não conseguindo sair de Gili Air. Dizem que o difícil de não fazer nada e que nunca sabemos quando acabamos. Foi mais ou menos assim. Dias largados, de férias da viagem, de se movimentar. Primeiro dia ate demos a volta na ilha, coisa que não demorou mais que uma hora. Depois disto era só se movimentar da pousada ate uma das casinhas na frente da praia, para o café da manha. Ficar horas deitado, lendo, conversando. Mergulho para refrescar o grande calor. Procurar outro lugar de frente para o mar pro almoço. Repetir a rotina, ate a hora do jantar. Varias opções de lugares para comer, todos com almofadas, estilosos, com boa musica. As praias bonitas, mas o melhor delas era dentro da água. Com os corais a água ficava transparente, e estes rodeavam boa parte da ilha. Na parte com areia era azul. Muitos peixes, tartarugas e a Bibi já esta intima do Snorkling. Pensou ate em fazer curso de mergulho, mas daí não estaríamos fazendo nada, nosso objetivo. Teve comemoração do aniversario em alto estilo, num lounge na frente da praia, com muita pipoca e cerveja, e me sinto mais jovem do que nunca!!haha

Vida dura!

Viva a juventude!!haha

As fotos de Gili eu tirava deitado, tamanha era minha preguiça

Os dias passaram e tínhamos que voltar para Bali para pegar o voo para Jakarta e seguir para o Vietnã. Quando pedi a conta do hotel, o já considerado antipático “gerente” me passou um punhado de notas, não esperando que eu fosse conferir. Na primeira olhada vi que o prato predileto da Bibi estava com o preço mais caro que o do cardápio e tinha uma refeição que não havíamos feito. Questionei amigavelmente sobre aquela refeição. Ele me explicou com detalhes, que a Bibi não estava junto, tinha ido caminhar, e eu comi no meio da tarde, junto com três suecas (se fosse verdade eu tinha caído do burro!!!haha). Como não ficamos separados por mais de 5 min, e não lembrava de nenhuma sueca, fui buscar meu diário no quarto. A refeição em questão era no primeiro dia, portanto difícil de lembrar. Comecei a ler para ele nosso dia, e depois de almoçar tínhamos ficado ate a metade da tarde largados ate o tempo melhorar, só depois fomos dar a volta na ilha. Isto derrubava a teoria dele, pois estávamos bem longe na hora que ele indicava. Ele ficou nervoso e já começou a me chamar de desonesto e tal. O nervosismo trocou de lado e fiquei puto da vida. Só pequei o cardápio e fui mostrar os preços errados que ele tava cobrando. Ele desesperadamente virou a conta de ponta cabeça e falava que era para eu pagar logo, que nem precisava pagar aquela refeição. Claro que fiz ele passar a maior vergonha na frente de todo mundo, alterando todos os preços. A audiência já não era pequena para desespero da Bibi. Acabamos perdendo o café da manha no dia seguinte, com medo que viesse com bonus…

Barco para Bangsal, van ate Lembar, horas de ferry para Sanur/Bali e finalmente van para Kuta. Tava muito quente, e mesmo no deck do ferry estávamos derretendo. Conseguimos ficar numa das poucas sombras existentes, e nos largamos no chão torcendo para que o vento aumentasse. A velocidade do ferry não ajudava muito também. Bom que eu estava empolgado com meu novo livro usado que comprei em Gili. O ferry tava cheio de mochileiros do mundo inteiro, maior concentração que vimos desde Kuta. Boa parte deveria estar vindo de Gili Travangan, a ilha da festa.

Outro ferry do estilo do nosso

Praia em Senggigi

Chegamos tarde em Kuta e só deu tempo de me preocupar um pouco por não ter conseguido sacar dinheiro em 8 caixas eletrônicos diferentes. Tudo resolvido depois de uma ligação via Skype para o Brasil enquanto a Bibi visitava as lojas.

Ainda teríamos que acordar cedo para viajar para Jakarta, passar algumas horas no aeroporto para pegar o voo para Ho Chi Minh, no Vietna. Neste meio tempo eu não tinha como não pensar o quanto gostaria de voltar para a Indonésia. Voltar para muitos lugares que passei, mas também para Sumatra e Papua, ilhas que estão na minha lista faz tempo, mas merecem um bom tempo para serem exploradas.

E a capital do Burundi é …?

Pois é, estávamos indo num ótimo minibus, com DVD e tela plana para o Burundi. No ônibus não foi difícil de reparar a gigantesca cicatriz na cabeça do Sr que sentava logo a frente e na mão da mulher algumas poltrona ao lado. As marcas dos sobreviventes são psicológicas e físicas  e nem temos como saber se são de Ruanda ou Burundi, pois ambos os países passaram por imensos problemas de violência.

No Burundi, ao contrario de Ruanda, os Hutus não conseguiram assumir o poder apos a independência  mesmo ganhando as eleições  O exercito era formado praticamente por Tutsis, e depois do genocídio selecionado de 1972 ficou totalmente formado por Tutsis. Listar todos os golpes de estado seria perda de tempo, pois foi um atras do outro. A guerra só terminou em 2004/2005, quando as Nações Unidas mandaram tropas para garantir as eleições  Com as eleições realizadas, e a vontade da maioria expressa, os Hutus tomaram o poder. Alguns rebeldes ainda tentaram fazer oposição, mas a guerra civil estava com seus dias contados.

Viajar para o Burundi e uma coisa nova, pois ha muito tempo não e um lugar seguro. Confesso que gosto de viajar para lugares inusitados, mesmo que não exista uma atracão do tipo ” tem que ver”. Só de estar num lugar destes, entender o que se passou ja e mais do que suficiente para mim. Para reforçar minha vontade, esta rota por Burundi era a melhor opção logística, com as melhores estradas, tendo em vista que as estradas do noroeste da Tanzânia são péssimas, e a viagem ate Kigoma demoraria dias.

Bienvenue au Burundi!

Bienvenue au Burundi!

Na imigração foi tudo rápido.  Não tínhamos comprado o visto com antecedência  e no pequeno escritório da imigração estavam sem recibo. Como resolver esta situação.  Pegaram uma folha de papel sulfite, escreveram a mão mesmo, em seguida carimbaram, uma carta para a imigração em Bujumbura. Ah sim, Bujumbura e a capital do Burundi, o que fui descobrir apenas algumas semanas antes de vir para a Africa, isto que eu gosto de um mapa. Quando comentei com o Piter/Varesca, casal sul-africano que viajei, que o Burundi estaria no meu ” caminho” se desse uma volta no Lesta da Africa, falaram que eu estaria morto se passasse por la. Quanta falta de informação…

Carta para a imigracao

Carta para a

imigração. Após a fronteira a paisagem foi mudando. Muitas áreas queimadas, por diversos KM, e inacreditavelmente planas. Em pouco tempo voltamos as colinas, e passamos a descer, descer. As vilas eram paupérrimas, o que contrastava com o bom asfalto que percorríamos  Com o tempo apareceram alguns buracos, mas nada demais. O que chamou a atenção foi a quantidade de bananeiras. Era uma do lado da outra, o verdadeiro pais das bananas. Muitos cachos gigantescos na cabeça das pessoas que perambulavam pelas ruas das pequenas vilas que paramos no caminho. A medida que fomos descendo, e nos aproximando do Lago Tanganika, a temperatura foi aumentando, aumentando, ate ficar muito quente. A Bibi ficou de papo com uma guria que tava sentado no bando da frente. Eu também troquei e-mails com um Sr que e técnico Agro-florestal…

Chegando em Bujumbura foi aquele choque, pois vinhamos da bonita Kigali, se bem que esperávamos depois de tantos anos de guerra. O Samson, nosso anfitrião do Couchsurfing estava nos esperando. Muito gente boa, comunicativo, nos levou para almoçar e depois da ciesta (levada a serio aqui) passamos rapidamente na imigração onde em 2 minutos conseguimos o visto de transito, somente 3 dias. Tudo bem, não iriamos explorar o pais, só passar um tempo na capital e seguir para Tanzânia – Kigoma.

Bujumbura

Bujumbura

O cara tinha tudo programado, super anfitrião  mas com o tempo incomoda um pouco. Como viajamos de forma independente, não e fácil se prender a programas, horários e tal, parece quase um tour. Mas valeu pelo contato de uma pessoa local.

Como o Samson tinha acabado de se mudar, sua casa não tinha nem banheiro, então ofereceu para ficarmos na casa do irmão dele, soldado das Nações Unidas. Homem, 25 anos, morando sozinho já viu… Era uma casa super simples, num subúrbio  lugar que no Brasil chamaríamos de favela. Poucos metros antes da casa tinha uma barraca do exercito, onde soldados garantiam a segurança do local. Uma arvore na frente da avenida que vinha do centro chamava a atenção pela quantidade de morcegos gigantes pendurados. Casa simplérrima  e meio sujinha, e a Bibi já torceu o nariz. Não dava para falar que não íamos ficar, pois ele tava sendo super gente boa. Teríamos um quarto só para nos, relativamente grande e com internet.

Morcegos

Morcegos

Fomos até um subúrbio mais afastado, onde o Samson construía sua casa. Era quase no limite com a região rural, área de predominância Hutu, e portanto muito afetada nos anos de guerra. Muitas casas em ruínas apresentavam diversos buracos de bala. Mais barracas do exercito para garantir a segurança  Depois de conhecer a esposa e os filhos, fomos para um barzinho ali perto junto com alguns amigos. No canto do bar tinha um bode pendurado com uma churrasqueira ao lado. Se pedisse o espetinho, o churrasqueiro abanava as moscas, cortava a carne, espetava, assava e servia. Tomamos umas cervejas, mas estavam quente. Andamos um bom caminho de volta (ate pegarmos o transporte), pelas ruas sem iluminação da região.  A população se surpreendia em ver os Muzungos andando por ali. Alem de estarmos com os locais, o Samson conhece todo mundo, parece vereador. Cumprimentava os soldados e policiais que encontrávamos  além de metade da população  Ele e muito conhecido pois trabalha com projetos sociais e vive só de doações da comunidade. No período de guerra, existia o toque de recolher, e depois que escurecia as ruas ficavam vazias. Com o fim da guerra em 2004/2005 foram estendendo o horário ate chegar a meia-noite. Hoje teoricamente não existe mais toque de recolher, mas como o transporte publico para cedo, existe um toque de recolher teórico  pelo menos para quem não tem transporte próprio  Para os que tem, Bujumbura possui uma grande seleção de lugares para sair, que variam desde simples bares ate danceterias e restaurantes. São os resquícios de uma geração que achou que ia morrer e agora quer curtir ate a morte…

Buracos de bala

Buracos de bala

Barracas do exercito para garantir a seguranca

Barracas do exercito para garantir a segurança

Chegando na casa vimos que não ficaríamos mais no quarto grande e sim num minusculo. A Bibi demorou para dormir, e ficamos parcialmente protegidos pela tela mosquiteira e pelo ventilador. Fazia muuito calor e os mosquitos estava por todo lado. A certa altura da madrugada, acordamos com uma mulher, nossa vizinha, chorando. Não demorou muito e a energia acabou, nos deixando cozinhando ali dentro. Um maldito mosquito entrou dentro da tela e nos azucrinou. Eu com a lanterna tentando matar, abrindo a porta para ventilar e tentando acalmar a Bibi que ja chorava nestas alturas. Final das contas deu tudo certo. Dia seguinte arrumamos todas as coisas e abri a porta p/ arejar a casa quando o galo entrou e deu um trabalhão para tocar o maldito para fora. Quando o Samson chegou falei que nos mudaríamos porque a Bibi estava naqueles dias, precisava tomar vários banhos, e não se sentia muito a vontade. Tudo tranquilo. Fomos para a cidade, demos uma geral caminhando e depois fomos para a casa do Samson onde sua esposa nos esperava com um belo almoço.  Depois do almoço pegamos as coisas e não demoramos muito para achar um hotel. Encontramos com a amiga da Bibi do ônibus  um Polonês que ficaria na casa do Samson (tínhamos encontrado ele em Nyamata-Ruanda), e junto com o Samson fomos até uma praia do lago Tanganika.

Almoco

Almoço

Amigos

Amigos

Praia no Tanganika

Praia no Tanganika

Lago Tanganika

Lago Tanganika

O Lago Tanganika e o segundo maior da Africa, ficando atras somente do Lago Victoria. Este lago também e o segundo mais profundo do mundo, chegando a ter inacreditáveis 1400 metros de profundidade!!! Chegamos de DalaDala e o tempo não tava muito bom. Sentamos na beira da praia para tomar uma cerveja. Era uma praia estruturada, não com o aspecto selvagem como as do Malawi, mas era bonita também  Ventava tanto que tinha ate pequenas ondas.Ficamos batendo papo, tipo clube do bolinha, mulheres para um lado, homens do outro. O polonês esta fazendo a viagem inversa da minha. Veio do norte (desde o Egito) indo para o sul, então tínhamos muitas dicas e informações para trocar. Tiramos umas fotos e de repente apareceu um pia com uma câmera pedindo se ele podia tirar fotos. Não fui eu que falei com ele, ate achei que era conhecido. Tiramos algumas fotos e este pia tirou uma impressora HP da sua velha mochila, colocou o cartão de memoria e imprimiu rapidamente as fotos!!! Haha eu chorava de rir tamanho era meu espanto.

Impressora HP na praia

Impressora HP na praia

Voltamos para o hotel e a Bibi tinha convidado as 2 amigas para jantar. Só não sabíamos que aqui quem convida e quem paga. Gentilmente pedimos desculpas pelo mal entendido e explicamos que não tínhamos entendido. Acabamos indo jantar só eu e a Bibi. Aqui, assim como na Ruanda, não da para sacar dinheiro em caixas automáticos  então tem que ter uns dólares para trocar nas milhares casas de cambio. Como era noite, pegamos um táxi para o restaurante, mesmo sendo poucas quadras. Conversando com o gerente do restaurante, ele fez questão de na volta nos acompanhar a pé para mostrar o quanto Bujumbura era segura a noite.

Paz!!!

Paz!!!

No Burundi, assim como na Uganda e na Ruanda, esta uma das nascentes do Rio Nilo. Não muito impressionante, mas talvez a mais longa. Existe também a discussão se foi aqui ou na Tanzânia que a expedição do Stanley encontrou o Dr Livingstone, missionário desaparecido a muitos anos (talvez o maior explorador da Africa, depois comentarei mais sobre ele).

Bem cedo, antes do sol nascer, estávamos pegando uma van para a Tanzânia  A Bibi me questionava se não tinha ônibus  mas o pior e que não tinha. Encontramos 2 estudantes de medicina irlandeses, que também viajariam para Kigoma-Tanzânia. Os irlandeses e o polonês foram os únicos brancos que vimos em todo o Burundi, mesmo na rua.

Para fechar o porta malas o cobrador dava uns chutes. Foi bem cheia a van, mas dentro do limite de pessoas. A saída ao sul me chamou atenção  Ao invés de bananeiras como na entrada do pais, passamos por diversas cruzes, num cemitério improvisado. Passamos por muitas barreiras do exercito, que nos paravam, conferiam todos os itens de segurança  inclusive limpador de para-brisas e pisca, antes de nos liberar. Se nos outros países nos acostumamos com AK-47, aqui eram aquelas surpreendentes metralhadoras com tripe que estavam por todos os lados. A estrada foi piorando, quando bem para o sul passamos por dois resorts, no meio do nada. Fácil de entender pela beleza do lugar, difícil de entender quando e porque foi construído ali.

Olha a cor da agua

Já perto da fronteira as curvas começaram  assim como o sobe desce. O asfalto terminou, e numa pequena vila paramos para fazer a imigração  numa casa que mais parecia residencial. Um sr me chamou tirando sarro para ir comer com eles. Comiam Ugali (polenta deles) e peixes muito pequenos (uns 2 cm) com cebola. Agradeci, sentei e comi junto com eles, amassando o ugali com a mão  assim como eles fazem. Eles riram da cena e nos divertimos muito.

Andamos mais um pouco ate a imigração da Tanzânia  O processo foi meio lento e tivemos que comprar outros vistos, o que não estava correto de acordo com o tratado da comunidade do Leste da Africa. Uma outra van, caindo aos pedaços  nos esperava a não muitos metros dali. Todos os passageiros que estavam na outra van, alem de outros estavam la. Estava apertado, eu com duas mochilas no colo que serviram de encosto para a Bibi, porque o banco dela tava sem encosto. Cachos de banana, galinha e caixa com pintinhos também faziam parte da carga. O cobrador não conseguiu fechar a porta, então fechou por fora e se lançou pela janela, onde ficou com o corpo totalmente para fora durante as horas que seguiram pela empoeirada estrada. Varias vezes coloquei empoeirada estrada nos meus posts, mas esta ganhava de todas, e de lavada… Sabe aquela terra roxa do norte do Parana? Então  aquele estilo. A poeira entrava pelas janelas, frestas, buracos. A estrada era terrível  e todos se mantinham de olhos fechados ou com lenços na cabeça. A Bibi ria sem parar, mostrando que desenvolveu um ótimo senso de humor desde o inicio da viagem.

Conforto?!

Conforto?!

Depois de algumas horas, a poucos Km de Kigoma, a Van para. Passam a descarregar toda a mercadoria que estava abarrotada no teto. Haviam ate parado para comprar uma corda para amarrar tudo, mas agora tava tudo no chão  Ofereceram o equivalente a uns 30 centavos de real para 2 passageiros seguirem a pé  Eles prontamente aceitaram e seus lugares foram preenchidos com as mochilas e mercadorias. Nem 500 metros depois fomos parados pela policia, que conferiu se tava tudo em ordem. Logo chegamos em Kigoma, e parecia que estávamos fantasiados.

4000 KM depois

Depois de rodar mais de 4000 km na África do Sul, cheguei ao parque Kalagadi, na tríplice fronteira  A.Sul-Botsuana-Namíbia. Ficamos alguns dias fazendo Games (Safaris) e logo vimos que não era tao fácil ver os principais animais. Tem que ter muito paciência, principalmente nestes parques grandes onde não tem uma superpopulação de animais.

Kalagadi Park

Kalagadi Park

Entramos na Namibia pela fronteira Mata-Mata, e após rodar alguns KM, acampamos ao lado da estrada mesmo.

Camping na estrada

Camping na estrada

Atravessamos o que restava do Kalahari, todo o deserto do Karoo acampando onde dava, pois praticamente não tinham cidades. A Namíbia é um pais muito grande, com uma população de pouco mais de 2 milhões de habitantes. As poucas cidades que tinham, eram minúsculas, portanto não podia fazer nenhum contato com o Brasil, o que me deixou preocupado.

O deserto do Karoo é um plato, onde o horizonte se perde em todas as direções, e que muda muito ao se aproximar do deserto da Namibia, todo montanhoso e com dunas.  Já no deserto da Namíbia acampamos o mais perto possível de Sossiusvlei, um dos cartões postais mais famosos da Namíbia, com suas dunas vermelhas intermináveis. Show de bola!!!

Dunas

Dunas

Dunas

Dunas

Depois de passar um tempo nesta região, saímos rumo a Swakopomund, mas a Landy estragou novamente (estava indo tão bem…) perto de Solitaire (procurem no Google Earth). Uma “cidade” com umas 5 casas, um Lodge, um posto de gasolina e uma padaria. Tinha uma lua cheia incrível, e não foi tao ruim ficar no Deserto mais uma noite.

Lua Cheia em Solitaire

Lua Cheia em Solitaire

Agoniado pois não tinha como passar notícias para a Bibi, pensei em abandonar a “expedição” pela primeira vez, tinha decidido que se não saíssemos no dia seguinte (parecia um problema sério) seguiria de carona, pois não tinha transporte coletivo. Inacreditavelmente deu tudo certo, o que surpreendeu até ao Piter.

Landy funcionando!!!

Passamos por uns Pass muito bonitos, e chegamos a uma reta interminável, totalmente plana, mas ainda com estrada de terra. Rodamos muitos KM até chegarmos em Swakopomund. Os ventos gelados do atlântico sul, ao encontrarem com o deserto, causam um fog muito forte. Ficou tudo nublado, e  frio, parecendo o leste europeu em Janeiro.

Mas as coincidências não param por aí. Até a primeira guerra mundial, a Namíbia era parte da Alemanha, e se chamava German South West Africa (ficou sob o domínio da Af. do Sul depois disto até a independência em 1990), portanto possui incríveis semelhanças com a Alemanha. Entendi plenamente o que o Lula quis dizer  ” … Nem parece Africa,” quando se referia a Namíbia.

Arquitetura toda europeia, ruas todas limpas, tudo organizado. Claro que nao se pode generalizar ” Africa ” como um todo, mas muitas cidades aqui parecem com a Europa e não com a Africa. Ou vcs acham que Blumenau é a cara do Brasil?

Swakopomund

Swakopomund

Dizem que Luderitz e ainda mais tradicional, mas acabamos não passando por lá. Foi de lá que Almyr Klink saiu com seu barco a remo para atravessar o atlântico (Cem dias entre o céu e o Mar).

Termino este post com uma frase dele, inspiração para qualquer viajante:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”
Amyr Klink

Road Trip 2? Não, Off Road!!

Inicialmente eu e o Grahan iríamos comprar um carro velho e vender na Zâmbia ou quem sabe na Tanzânia  Por causa da burocracia nas fronteiras, desistimos da idéia. Um pouco depois conheci o Piter, um sul-africano que ia via jar com sua namorada por alguns países e buscava cia para dividir custos. Perfeito!! Era o que precisávamos para viajar pela Namíbia e Botsuana, onde não existe muito transporte público nas áreas de maior interesse. O Tomas que vinha viajando com agente desde Coffee Bai iria junto. Encontramos o Piter em  Joburg e fomos direto para Klerksdorp, cidade pouco jurística, mas que pudemos observar o way of life dos Africaners. Esperamos 2 dias até a Land Rover ano 71 sair da oficina, e enquanto isto compramos os mantimentos. Tudo pronto, e no dia que iriamos sair, o carro não funcionou. Não seria fácil.

Antes de Sair

Antes de Sair