Benelux com criança

Benelux é uma organização de livre comercio entre três países europeus, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. O tratado foi assinado no final da Segunda Guerra, mas entrou em vigor somente nos anos sessenta. Foi um embrião do que hoje se tornou a União Europeia.

Segunda vez que o Gabriel foi para a Europa e segunda vez utilizando a KLM. O tratamento com crianças é excepcional. Mesmo ele não cabendo mais no berço, nos forneceram os acentos confort da primeira fila. Mais espaço para nossos pés, para ele brincar, e até montaram uma caminha no chão.

Do aeroporto de Amsterdam fomos direto para Lisse, uma pequena cidade onde nos encontraríamos com meus pais, irmãs e respectivas famílias. Na verdade esta primeira etapa da viagem foi idealizada pelos meus pais, uma viagem de barco pelos canais dos Países Baixos (Holanda).

Eles já estavam viajando há uns dois dias, já entendendo bem sobre o funcionamento do barco. Um barco grande, com 4 suítes,  para três pessoas cada. Tinha que ser assim, estávamos em oito adultos, um adolescente, uma criança e dois bebes.

Barco atracado em um espaço publico.

Nesta primeira cidade já está uma das grandes atrações do interior da Holanda, o Parque Keukenhof, também conhecido como “Parque das Tulipas” ou “Jardim da Europa”. Dizem ser o maior jardim de fores do mundo, com quase 8 milhões de flores plantadas todos os anos. Não sei se é verdade, mas que é belíssimo isto eu posso garantir. Diversas cores e estilos, tornam um passeio muito agradável. Não é nenhum segredo, e como só florescem numa estação do ano, pode ter certeza que terá muita gente.

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Ótima infraestrutura para (Europa Ocidental, né?!), no meio do parque tem até brinquedos e uma “fazendinha” para as crianças brincarem com os animais. O Gabriel que mora em chácara se sentiu em casa.

A viagem de barco é lenta, mas muito bonita. A velocidade media não passa de 10 km, então muitas vezes passávamos um período inteiro viajando ( manhã ou tarde). A vantagem é passar por pequenas cidades que numa viagem para as “Capitais” normalmente acharíamos muito longe, por não terem tantas “atrações”. Não adianta, sempre o interior dos países acaba surpreendendo.

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Gabriel no comando

Para dormir, as vezes parávamos numa “Marina”, outras em espaços públicos mesmo. A vantagem das marinas é que tinham banheiros (não que no barco não tivesse). Os chuveiros, sempre automáticos, funcionavam com 0,50 de Euro e já tinham a temperatura regulada. Nada de funcionários para limpeza, um pequeno rodo para quem usasse mantivesse seco. Estavam sempre impecáveis.

Foi uma delicia explorar Gouda à noite, procurando um lugar para comer e beber alguma coisa. A calmaria da noite não se repetiu no dia seguinte. Era quinta-feira, dia de feira na cidade. Barraquinhas vendendo o famoso queijo Gouda e encenações dos leilões de queijo que acontecem há centenas de anos. Tudo muito animado.  Os Stroopwafels, “bolachinhas” que ficam em cima do chá derretendo com o vapor é outra gostosura da cidade.

Gouda

Gabriel esperando o leilão de queijos Gouda

Antiga prefeitura, no estilo Gotico

Como nos outros dias, após uma noite e uma manhã, era hora de pegar a estrada, ou melhor, o canal. Além da velocidade baixa, diversas comportas e dezenas de pontes estão pelo caminho. Isto torna a viagem mais lenta, no entanto mais interessante. As comportas são miniaturas das do Canal do Panamá. Elevam ou baixam o barco na altura do canal adiante. Existem diversos tipos de pontes. As que abrem de lado, as levadiças que abrem ao meio, as que levantam inteiras, outras que simplesmente passamos por baixo sem ter que esperar. Algumas têm um botão para avisar quando alguém chega, outras têm horário marcado. Existem ainda as que têm um funcionário para abrir. Ele fica numa cabine e lança um tamanco holandês amarrado numa cordinha para colocarmos o pedágio dentro depois que ele libera a passagem.

Tropa reunida

Viagem em família

Algumas vezes chegamos antes do horário marcado para abrir. Sem problemas, da para encostar  à beira do canal e sair para conhecer as cidadezinhas, a pé ou de bicicleta. Boa hora para se abastecer para as refeições seguintes ou torar um sorvete e/ou cerveja também. A área externa do barco é uma delicia, mas acabamos usando pouco, pois a primavera holandesa estava muito fria.

Tentando aproveitar a área externa

Chegamos já no final de tarde em Oudewater, onde resolvemos passar a noite. Mesmo tendo jantado no barco, encaramos o frio da noite para caminhar pelas ruazinhas da pequena cidade. Gostamos bastante dali. Diz a lenda que está cheia de bruxas. Existe até hoje um museu na casa onde pesavam mulheres para saber se eram bruxas. Pela noite até que procuramos, mas não vimos nenhuma.

Chegando em Oudewater

Simpática Oudewater

Uma das poucas cidades grandes que passaríamos era Utrecht. Calculando melhor o tempo achamos melhor não ir. Atrapalharia um pouco a logística. Deixar o barco, pegar táxis para o centro, tudo isto para ficar pouco tempo, achamos não valer a pena. Acabamos aproveitando uma parada ali perto, em Maarssen, onde caminhamos e encontramos um delicioso restaurante.

Maarssen

Os canais logo se tornariam bem mais largos, verdadeiros rios onde passam embarcações que mais parecem navios. Correnteza torna as manobras mais difíceis e é preciso tomar cuidado, pois os barcos grandes não têm como te ver.

Ultima noite já na marina, para entregar o barco pela manhã cedo. Em uma semana foram 225 quilômetros viajando pelos canais, passando por 13 comportas e 76 pontes

Clichê holandês: Canais, Barcos, Bicicletas e Moinho

Ainda teríamos um dia em Amsterdã com a “Big Family”. Eu tinha conhecido na cidade quase duas décadas antes, mas era a primeira vez da Bibi. Não deu para fazer muita coisa, nem era o objetivo. Passeamos rapidamente pela cidade e ainda de tempo de ir no museu da Annie Frank.

Um gostoso jantar de despedida, onde no dia seguinte cada um faria uma viagem diferente. Antes do sol nascer, Eu a Bibi e o Gabriel estávamos a caminho da estação central de trem. Um bom trem de Amsterdã para a Antuérpia (já na Bélgica) onde faríamos uma rápida conexão em um trem comum para Bruges. O Gabriel aprovou o novo meio de transporte e quando não estava dormindo ficava todo animado com a movimentação.

Ficamos muito bem localizados em Bruges, o que facilitou bastante para conhecer a cidade. Não da para dizer que as calçadas de pedra são as mais apropriadas para carrinhos pequenos de bebe, mas tudo correu bem.

Praça do mercado

Parlamento

Canais

A Bibi ficou encantada com a cidade, e realmente é muito charmosa e bem preservada. Canais, pontes, igrejas, construções antigas e o palácio. Onde quer que você olhe tem estilo.

Curtimos com calma, revezando entre cafés, cervejas, chocolates e restaurantes, tudo com calma. O ritmo numa viagem com filhos é outro, e a pressão interna para conhecer algum lugar é nula. Apenas vive-se.

Apesar de ensolarados, teve um dia que fez bastante frio. Acabou dando um febrão no Gabriel, mas nada de mais. Dia seguinte ele já estava bom. Uma comida simples, rápida e barata disponível em diversos cantos da cidade são os “Copos de macarrão”. Se escolhe a massa e molho, uma boa quantidade por cerca de 5 Euros. Salva qualquer fome que possa aparecer numa criança (ou adulto)  quando não tem um restaurante em vista.

Final do dia nas costas do pai

Canais

Tinha visto algumas possibilidades de cidadezinhas para visitar no interior da Bélgica, mas acabamos optando por viajar por menos cidades e passar mais tempo nelas.  Dinant, Veurne e Ghent ficariam para uma próxima, pois tínhamos um voo saindo de Luxemburgo.

Trem de Bruges para Bruxelas e outro até Luxemburgo. Um grupo escolar de crianças descontraiam o vagão, mas um senhor não gostou e pediu silencio. Não atenderam e foi ele que teve que se retirar. Paisagem bonita e aquela tranquilidade que é viajar de trem.

Ficamos num hotel bem próximo da estação de trem. Facilitou a chegada, mas no final do dia descobriríamos que não era das melhores regiões. Muitos bêbados, drogas e prostituição nos arredores, num ambiente nem um pouco familiar.

Luxemburgo é uma cidade pequena, capital do país homônimo, um dos menores da Europa. Conhecido por ter uma das maiores rendas per capita do mundo. Pelas fotos que tínhamos visto, criamos certa expectativa. Ainda mais nós que adoramos cidades pequenas. Mas sempre existe um grande perigo nas expectativas, e acabamos não gostando tanto assim de lá. Tentamos, ficamos duas noites, exploramos o centrinho da cidade mais de uma vez. É bonito, fotogênico com certeza, mas parado, não tem alma nem personalidade.

Luxemburgo

Luxemburgo

Luxemburgo

Refletindo chegamos à conclusão que está mais para uma fotografia do que para um filme. Enfim, aproveitamos o visual da corniche, as casemates, caminhamos da cidade alta (Ville Haute) até a baixa (Grund). Elevador público (e gratuito) leva de volta até cidade alta.

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O país é um Grão Ducado e o Gabriel adorou ver a marcha da troca da guarda no Palácio Ducal. Para nós nada de muito impressionante. Bem mais marcante o café ali na frente (Chocolate House Bonn), com colher de madeira e chocolate na ponta para fazer o capuchino, além de ver o Gabriel imitar os guardas batendo o pé, é claro.

Imitando os guardas

Pegamos um voo para Londres, já que as passagens estavam bem mais baratas que as de trem. Ficamos uns dias com minha irmã Gi, com o Dan e meu sobrinho Alfredo. Nada de turismo, a ideia era mesmo curtir eles. Mas isto já é outra historia, ou melhor, outra viagem.

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