Ano novo chines na terra dos livres.

A Tailândia, passou por diversas guerras e invasões no passado, quando ainda era chamada de reino do Sião. Eram batalhas com o Império Kremer, hoje Cambodja, e com a Birmânia, alem dos chineses. Tudo isto, junto com a grande esperteza do rei, fez com a Tailândia moderna nunca fosse colonizada por países europeus, ao contrario de todos os seus vizinhos. Não e a toa que e chamada de terra dos livres (Thai + Land). Com isto, a cultura do pais e unica, e não segue os padrões ocidentais.

Existe uma grande tolerância para as diferenças, e um fato muito interessante e a integração dos LadyBoys na sociedade. O país é o numero um na cirurgia de troca de sexo, e os ladyboys atendem nos restaurantes, caixas e em qualquer cargo publico ou privado, sem nenhuma discriminação.

O rei, que com sua hábil negociação, cedeu algumas terras para um, fez acordos com outros, e foi se acertando com todo mundo. Depois de mais de 60 anos no poder ele continua quase uma unanimidade. Na verdade existe uma oposição, mas a massa o adora e existem posteres e quadros dele em qualquer biboquinha. Teoricamente ele só tem um poder figurativo, assim como a rainha do Reino Unido, mas na pratica não e bem assim. Em 2006 o exercito deu um golpe de estado, derrubando o primeiro ministro, que não se acertava muito com o rei. Adivinhem quem comanda o Exercito? Pode não ser algo muito democrático, mas que todos os tailandeses devem muito a vossa majestade, devem, e eles sabem disto.

O voo de Yangon era para Bangkok, mas só faríamos uma conexão seguindo para Chiang Mai. A espera no aeroporto acabou sendo muito prazerosa, pois encontramos o Vicente, sócio da Pati na Pulp e nosso amigo ha muuitos anos. Ele estava vindo do Vietnã, rumo a Hong Kong e deu tempo de almoçarmos juntos e batermos papo. Nos meus links da para ir direto para os videos de viagem da Pulp, que são muito legais, cliquem la.

Nos com o Vicente almoçando no aeroporto de BKK

Em Chiang Mai, do aeroporto ate a pousada foi tranquilo, pois já era a terceira vez que chegava na cidade. Ficamos na mesma pousada que fiquei em 2004, com um super jardim e musica ambiente. A pousada e bacana, uma quadra do Thapa Gate. Um ponto desagradável, mas curioso, foi que um rato roeu a mochilinha da Bibi para pegar comida que tinha dentro. Quando a Bibi foi reclamar para o dono ele falou que tinha ratos sim, devido tanto mato no jardim, mas a linha do Budismo que ele seguia, fazia com que não pudesse praticar nenhum mal contra os animais. Contou que antes tinham cobras, e ele tinha que conversar com elas para irem embora.

Foram dias tranquilos, aproveitando o Festival das Flores que estava acontecendo, e com isto a feirinha de final de semana estava muito maior, e tinha ate um palco com apresentação de danças. As comidas da feirinha são algo a parte. Dezenas de pratos diferentes a preços baixíssimos. A partir de 30 centavos de real já dava para comer alguma coisa. Aproveitei para ir em mais uma luta de Muay Thai, mas não era num ginásio próprio, e sim no meio de bares, onde turistas bebiam e se preparavam para a noitada. Nesta região de bares vi os insetos fritos para vender, que degustei na primeira vez que vim para cá. Se engana quem acha que tem em tudo que e canto. O lugar mais fácil de achar e justamente onde estão os estrangeiros bêbados, provavelmente os maiores comedores de insetos da Tailândia!!

Comida boa!

Comida de bêbado!

Mais Muay Thai

Tínhamos vindo pra Chiang Mai para dar entrada no visto para a Índia, pois o consulado aqui era bem mais tranquilo que a Embaixada em Bangkok. Mesmo o motorista do tuk tuk tendo se perdido com a mudança de endereço do consulado, conseguimos chegar cedo la e encaminhar tudo. Demoraria 5 dias uteis, portanto uma semana. Pegamos o primeiro ônibus que conseguimos para Pai, um cidadezinha mais ao norte do pais, já próxima da tríplice fronteira (Tailândia-Myanmar-Laos). Pai já foi um daqueles segredos, cidadezinha super gostosa no meio das montanhas, mas foi descoberta, e esta crescendo bastante. Hoje e bem turística, mas preserva seu charme. Muitos estrangeiros vem para cá e ficam, portanto virou meio que um lugar Hippie. Muitos vivem de pintura, musica, artesanato e por ai vai. Cada um se vira como pode e vai ficando. Lojinhas descoladas estão surgindo aos montes, e os padrões dos hotéis também estão aumentando com o fluxo de turismo. O ponto alto do lugar e a natureza, pois o visual e incrível. Todos vem para fazer treking, rafting, visitar vilas de minorias étnicas, cachoeiras, etc. Nos tínhamos outros planos. Eu já tinha entrado em contato com o campo de treinamento de Muay Thai e ficaria treinando boa parte do dia. A Bibi ia fazer yoga e para não ficar entediada arranjamos uns cursos para ela. Meu dia a dia era treinar, descansar e treinar de novo. O da Bibi era Yoga e curso de culinária tailandesa, Yoga e curso de massagem tailandesa, ou Yoga e mais Yoga. Claro que de noite dávamos umas voltas pelo centrinho, que e todo movimentado, mas nada de dormir tarde. O treino era bom, mas bem menos puxado que os que fiz da outra vez, mas mesmo assim passava de cinco horas de treino diarios. São vários treinadores, sendo que o principal já foi campeão no Lumpinee em Bkk. Tinha desde iniciantes que estavam tendo o primeiro contato com o Boxe Tailandês, ate lutadores profissionais que vieram aprimorar suas técnicas. Claro que eu não tava na melhor forma física, pois na viagem não pratico nenhum esporte regular, mas me empenhei. Pra ser sincero depois de uns dias, com os muculos todos doloridos, e já sem os pelos na canela, pensei: Porque estou me empenhando tanto se poderia só me preocupar com a parte técnica? Até dei uma relaxada depois disto. No sábado é dia de sparring, coisa que não e muito comum nos treinos tailandeses (pois eles lutam muito e não podem estar machucados), mas devido ao grande numero de estrangeiros que tem por aqui. Fui lá e foi bacana. Só teve um lutador francês que quis “ver o lado”, e posso dizer que ele ganhou o que queria…haha Comecei a soltar o jogo e o pessoal elogiou bastante. Ponto alto para quando derrubei o treinador ex-campeão duas vezes. Recebi uma proposta firme para ficar dando aula de MMA e BJJ ali, mas recusei. Mandei um email para alguns amigos no Brasil, para ver se alguém se candidata, mas ate agora nada. Não sabem o que estão perdendo…

treino duro

Lugar astral

Rango da hora!!

Sera que aprendeu?

No meio das montanhas…

Etapa treino superada, os deliciosos chás de gengibre que sempre tomávamos a noite foram trocados por geladas cervejas. Voltamos pelas dezenas de curvas ate Chiang Mai, para o Ano Novo Chines. E o terceiro ano novo que passo em menos de cinco meses (ano novo etíope, o nosso e agora o chines). O ano novo chines tem calendário móvel, pois e baseado nas fases da lua. A Tailândia segue outro calendário, mas devido o grande numero de imigrantes e descendentes chineses, comemoram o evento aqui também. Nosso visto para a Índia ficou pronto e deu para se despedir da comida tailandesa com as trocentas opções da feirinha. Ficamos mais um dia para eu ver dois dos meus companheiros de treino lutarem. Em tantas lutas que tinha assistido aqui, ainda não tinha apostado nenhuma vez, pratica muito comum. Já tinha gastado um dinheirinho em cerveja quando decidi recuperar numa aposta na luta principal da noite. Quando não tava colocando dinheiro, estava acertando todos os palpites, baseado na aparência dos lutadores e pelo primeiro round. Na ultima luta conhecia o irlandês, que lutaria com um tailandês. Não que achasse ele um super lutador, mas tinha nocauteado nas suas duas ultimas. Apostei nele só por ter treinado junto, e perdi!! A cerveja que eu queria “recuperar” acabou saindo o dobro…haha Como a Bibi citou o livro da Elizabet Gilbert “Comer rezar e amar”, não tive como não lembrar do livro “versão masculina” “Beber, jogar e foder”. Depois que o cara descobre que e corno vai para a Irlanda para beber, Las Vegas para jogar e Tailândia para o resto. Mal ele sabia que poderia fazer os três na Tailândia!!hahaha

Muvuca na rua

Se não tivéssemos que pegar o visto para a Índia, poderíamos ter ido direto de Pai para o Laos já que era pertinho. De qualquer forma não estávamos muito longe, e pegamos um ônibus até a fronteira, onde passaríamos a noite.

Mission Burma

Existia uma banda punk dos anos 80 chamada Mission of Burma. Acho que foi assim que eu escutei sobre o país a primeira vez. Pode-se pensar que nada em comum tem uma banda punk com um país do sudeste asiático,  mas a revolta daqueles adolescentes é algo bem comum como a oprimida população da “Birmânia”.

A Birmânia assim como tantos outros países, teve seu primeiro contato com os europeus através dos portugueses  mas estes não conseguiram colonizar a região. Após algumas tentativas foram os ingleses que se estabeleceram por aqui. Foi uma colonia bem extrativista, não tendo deixado muita influencia e infraestrutura a não ser alguns casarões e, para variar, uma estrada de ferro. Favoreceram a entrada de indianos e chineses para trabalharem na construção e comercio. O controle era linha dura, e existia muita repressão.  Como sempre os monges estavam a frente dos protestos da população, e sofriam a violência dos britânicos.

Na segunda guerra, um grupo que buscava a independência do pais, teve apoio do Japão  e conseguiu expulsar os ingleses do seu território.  Não contentes com a postura do Japão após esta ação, mudaram de lado no final da guerra e lutaram, junto com os aliados, contra os japoneses. Finalmente a Birmânia se tornou independente. Nas primeiras eleições  o partido de Bogyoke Aung San, líder revolucionário, ganhou a maioria dos votos, mas foi assassinado junto com as pessoas que assumiriam os postos políticos  Paralelo com a independência veio um caos politico não resolvido ate hoje. Na região  moram diferentes etnias, com culturas, línguas  religiões e tradições completamente diferentes. O novo governo iniciou uma serie de perseguições que continuam ate hoje, o que resultou na fuga de algumas etnias para os países vizinhos, como apontei no post da Tailândia.

Na década de 60 houve um golpe militar de esquerda e o comunismo foi instituído  “congelando” o país ate hoje. A unica coisa que mudou foi o nome, que deixou de ser Birmânia e passou a ser Myanmar. Claro que com o colapso da URSS, seguindo o mesmo rumo de diversos países, o país criou seu próprio estilo de comunismo. Após diversos protestos, e milhares de mortes (novamente os monges estavam a frente da população) , finalmente eleições foram marcadas. O partido da filha do B. Aung San venceu com mais de 85% dos votos, mas não pode assumir os postos pois Aung San Suu Kyi foi presa. Desde então ela e solta e presa de tempos em tempos, e atualmente esta em prisão domiciliar. Foi dada a ela a escolha de ir para o exílio  mas se recusou a deixar seu pais. Foi vencedora do premio nobel da paz em 1991, e deve sair novamente da prisão no final deste ano, logo após novas eleições presidenciais acontecerem. Detalhe que nestas eleições só vai haver um partido, o da atual ditadura. Alguém duvida que não demora muito para ela ser presa novamente? A população local tem certeza disso, e fala que e só um jogo para não haver tanta pressão internacional. A três anos atras a violência se repetiu, e mais centenas de mortes. Algumas filmagens vazaram, e o ocidente pode ver a população fazendo uma barreira humana para proteger os monges politizados, que eram alvos de tiros dos militares. Por que não existe uma ação mais efetiva contra uma ditadura tao brutal? Interesses comerciais da Índia  de matéria prima, drogas para a China, e militar para a Russia. Dos países emergentes BRIC, só o Brasil não esta apoiando. Quem iria se opor?

Na aterrizagem em Yangon, lembro da Bibi falar, “para onde que você ta me levando?”. Realmente a visão é chocante, parecíamos ter entrado numa maquina do tempo. A região ao redor do aeroporto parece uma vila, e vista de cima só da para ver algumas casas de madeira, entre palmeiras e pagodas (templos budistas). O primeiro contato com o povo daqui foi ótimo. Quando vimos que os carregadores de mala e taxistas não são nem um pouco insistentes, já imaginamos que era um lugar tranquilo. Mas quando notamos que alem de tudo eram simpáticos e tentavam nos ajudar, tínhamos certeza que era um povo especial. Ainda no avião me dei conta que, com a correria dos últimos dias da Tailândia  não havia trocado dinheiro suficiente (inicialmente ficaríamos menos tempo no Myanmar). Normalmente saco nos caixas eletrônicos  mas em Myanmar não existem caixas automáticos  e os cartões de credito não são aceitos. La fomos nos para um hotel de luxo, onde fazem uma transação no exterior e fornecem dólar a uma taxa de 7.5%! Fazer o que, nossa unica opção se quisessemos ficar bastante tempo lá.  Fomos para perto do centro onde íamos ficar e o estilo da cidade foi nos conquistando. Esta e a melhor parte de não sobreplanejar uma viagem. Eu sempre leio a respeito de todos os lugares, tenho uma ideia geral dos países muito boa, mas não consigo entender quem vai ate o Google earth para saber o caminho a ser percorrido numa cidade, por exemplo. Pra mim pode servir para matar a curiosidade, mas não para planejar viagem. O efeito surpresa e importante e nesse caso foi ótimo.  Yangon e uma cidade grande, em torno de 7 milhões de habitantes, e tem um estilo próprio.  Casarões antigos e decadentes, monges andando com suas vasilhas para recolher o alimento do dia, procissão hindu. Só faltou encontrar um hotel um pouco mais rápido. Mas isto fez que nos afastássemos um pouco do centro e fracassemos num hotel legal, com pouca experiencia com estrangeiros, o que resultou num tratamento vip. Entramos numa “lua de mel” com o pais, que demoraria muitos dias.

Prédios do centro

Celulares ate existem, mas são caríssimos. O negocio e utilizar os telefones na rua!

Transporte publico

Descobri que a alguns anos Yangon não e mais a capital do pais, e sim Naypyidaw. Confesso que não tinha a menor ideia da mudança  Nossos primeiros dias la foram de caminhada pelas ruas empoeiradas, por prédios históricos, taxis Mazda estilo “pau de arara”, e uma cultura muito diferente. Espremido entre China, Tailândia,  Índia e Bangladesh, com tantas etnias próprias  e colonizados por ingleses, digamos que tiveram muitas influencias, de todos os tipos. Fomos na Swedagon Pagoda, e tivemos a sensação de que não precisamos mais ver templos dourados depois disto. E uma super estupa, com dezenas de outras ao redor, numa região alta da cidade. Lugar de muita fé  e ponto obrigatório de peregrinação dos budistas do Myanmar (que são 90% da população . Templos, estatuas, sinos e devoção  muita devoção.  Para se chegar ao topo existe uma escadaria muito grande, por um “túnel;” de madeira, com desenhos da historia de Buda. A lenda desta Pagoda não e medos interessante. Conta que dois irmãos de Myanmar estiveram em contato com Buda ainda em vida, e que este deu fios de cabelos para ele, e trouxeram para presentear o rei, que construiu a primeira pagoda aqui, e que só foi aumentando. Na ponta da estupa existem mais de 3000 sinos de ouro, 79000 diamantes alem de outras pedras preciosas, que ao anoitecer passam a brilhar e refletir. Um dos grandes negócios do Myanmar são as pedras preciosas, exportadas para o mundo todo. Passamos horas ali, e com certeza a melhor parte foi quando a noite chegou. Estávamos indo embora quando uns aprendizes de monge puxaram papo e acabamos indo jantar com eles(eles não podem comer depois do meio dia, mas tomaram chá).

Jarros com a “água benta budista” na pagoda Sule Paya

Budaworld!

Mau gosto também tem por aqui! Budas com luzes piscando…

Novos amigos

Myanmar não e um pais pequeno, e a condição das estradas faz com que viagens (de ônibus  de 300 km possam levar mais que 10 horas. Existe as alternativas de voos domésticos (que já não somos muito fans), de trens (que seria muito bacana) e uma região até de barco, mas como todos estes transportes são controlados pelo governo ditatorial, décimos “fazer na nossa parte” e boicotar, dando o dinheiro para o povo, que precisa mais. A rodoviária  bem afastada do centro e caótica  e muuito empoeirada. O primeiro destino seria Inle Lake. Os primeiros km de estrada surpreenderam, e percebemos que tinha alguma coisa estranha quando passamos por um “moderno” pedágio e logo após teve um controle de documentos/passaportes. Chegamos numa cidade com ruas largas, modernas, iluminadas ate demais. Lojas de pedras preciosas, resorts e ate campos de golf. Ate praça com chafariz! Estávamos na nova capital, construída só para o governo. Ate as embaixadas foram obrigadas a ficar em Yangon, e as casas aqui tem que seguir um tamanho e padrao pre-determinado. Nada de comercio pé de chinelo. Nada funciona sem autorização  e parceria.do governo. Muito pouco depois de cidade, inicia a realidade. A estrada fica esburacada, ate virar estrada de terra. Em um momento vira ate estrada de mão unica, sem acostamento. Como Inle Lake fica na região das montanhas, as curvas iniciam e não param mais. Chegamos de madrugada, e tava muito frio. Da parada do ônibus ainda tivemos que arranjar transporte para os próximos 13 km, ate chegar em Nyaungshwe, onde ficaríamos.

Aqui é só para comprar a passagem, ainda no centro. A rodoviária fica mais afastada, e bem mais caótica!

Ficamos numa pousada muito legal, com pessoas simpaticíssimas  Para se ter uma ideia, toda vez que chegávamos no final de tarde, batiam na porta e nos traziam uma limonada. A região e calma, rural, e muito bonita. Fizemos passeio de canoa por pequenos canais ate rustico monastério para ver o por de sol, e rodamos muito a região de bicicleta, primeiro com mapas e depois sem destino. Como estávamos perto de um grande lago, nada melhor para conhecer a região que um barco. Saímos cedo, passando por canais ate chegar ao lago propriamente dito. Grande, cercado de montanhas, com uma nevoa devido ao horário  Lugar muito bonito e de uma paz incrível.  Pescadores com suas redes e armadilhas, naquela que era só mais uma segunda-feira para eles. A região funciona como um WaterWorld. As casas são sobre palafitas, onde só se chega de barco. As plantações são em elevados no meio do lago. Voltamos a terra firme, numa vila onde acontecia o mercado do dia. Carnes, verduras, mantimentos e flores, muitas flores. Alguns vendedores de artesanatos nos fizeram lembrar que eramos estrangeiros. Rodamos km e km ao sul, passando por mais vilas suspensas  alem de jardins flutuantes, onde cultivam as flores. Alguns monastérios  sendo que em um deles as mulheres não podem se aproximar do altar principal. Existem algumas paradas que são para turista ver, como fabrica de cigarro local, tecido feito de resina de uma planta local, fabricarem barcos, etc. Algumas coisas ate são interessantes, mas e tudo montado com uma loja junta. Perdemos a ilusão de que Myanmar era perfeito, ideia que tínhamos até então. Passamos por uma loja de a artesanato das “mulheres girafas” que com certeza não estão em melhor situação que as refugiadas na Tailândia.  Voltamos cansados para o hotel, depois de um longo e produtivo dia. Inle Lake fica no estado de Shan. Shan e um povo que tem nesta região  cruza a fronteira e tem em boa parte do norte da Tailândia  Queria muito poder voltar para a Tailândia por terra, mas as áreas são controladas, e o governo marca direitinho onde os estrangeiros podem ir. Ao norte do estado de Shan, existem diversos conflitos. Shan com o exercito do governo, com guerrilhas Mon, Mon com o governo. Meio terra de ninguém.  Aparentemente conflitos étnicos  mas na verdade financiados por carteis de Opio e Heroína.

Andando de canoa

Final de tarde

Muita paz de espirito

Flores no mercado

Congestionamento para chegar em terra firme!

Mundo Aquático!!

Anos de perseguição

Vista de quem anda de bicicleta por aqui…

O aniversario da Bibi se aproximava, e ainda tínhamos que seguir outra longa estrada para Mandalay, antiga capital. Não vou nem citar o “antiga capital” novamente, pois ao redor de Mandalay fui para diversas outras “antigas capitais”. No ônibus passavam vídeo clips de bandas locais que faria qualquer “Emo” se suicidar. Nada de aparecer os cantores, só historias de amor, muitas delas com finais trágicos. Filmagens totalmente amadoras, e alguns dos passageiros cantando baixinho junto. De mais!! Ficamos indignados com um alemão que se levantou e fechou as janelas sem perguntar para os passageiros. Depois pediu para não reclinarmos tanto os bancos, pois estavam atrás de nos. Foi estranho dividir um táxi ate o hotel com eles, acabar ficando no mesmo hotel, e até tomar café da manha na mesma mesa, por falta de lugar.

Madagascar, ir ou não ir?

Sempre quis conhecer Madagascar, mas devido aos incidentes do inicio do ano, onde dezenas, talvez centenas de pessoas morreram, achei que não seria desta vez. A situação mudou um pouco. Existe um governo transitório por golpe de estado, mas muitos países ainda não aceitam o novo governo. O presidente deposto vive no exílio e tenta voltar, enquanto um antigo presidente tenta entrar na onda das mudanças e voltar para o poder. As informações da Embaixada do Reino Unido não eram muito animadoras, mas os residentes insistiam que nunca um estrangeiro seria afetado, a não ser que participasse de alguma manifestação. As próprias manifestações não estavam mais acontecendo, pois os políticos finalmente sentaram para conversar.

Abaixo as informações que o governo do Reino Unido passam para os britânicos viajantes.

There has been political unrest in Madagascar since January 2009, which has resulted in a number of deaths.  The political situatiuon remains fluid and subject to unexpected change. For further information plse see the Political Situation and Local Travel sections.

  • We advise against travel to the centre of Antananarivo unless absolutely necessary.  While most of the demonstrations have now ceased the situation remains unstable and visitors should avoid any crowds or political gatherings which may occur particularly around the Ambohijatovo, Lac Anosy, Ankorondrano and the Mahamasima areas.
  • In June, two artisanal bombs exploded in the centre of Antananarivo and a number of others were defused.  There were no reported injuries. On 18 July, one man was killed and two others injured when an explosive device they were carrying went off prematurely in their vehicle. It is unclear who is responsible for these attacks.
  • We advise visitors to Madagascar to travel with established organisations or travel firms who have the capacity to monitor the local media and warn of possible trouble.  If travelling independently we advise that you monitor the local media closely and keep abreast of the situation for the duration of your visit.  Business travellers should take similar precautions.
  • You should remain vigilant and maintain a low profile while moving around. You should remain alert to the possibility of acts of disorder by elements of the security forces and avoid any actions that might antagonise them, e.g. taking photographs.  You should also carry an ID at all times.  Avoid travelling at night.  If it is essential that you travel at night, do so with care and lock vehicle doors.

Como confiamos mais nas pessoas que vivem no país, que nos engravatados que recomendam que e melhor escovar os dentes com água mineral quando visitar o Brasil, não tivemos dificuldade em escolher Madagascar quando a Bibi adiou em 2 semanas sua volta para o Brasil.

Madagascar e diferente de tudo. E uma ilha que faz parte da Africa, foi povoada por povos da Malásia e Indonésia e colonizada pela Franca. Esta mistura cultural da um resultado fantástico, e ainda acrescentado por um isolamento geográfico de milhares de anos, o que proporcionou uma fauna e flora unica, quase que na sua totalidade endêmica. Pais com montanhas, desertos, praias paradisíacas, vilas intocadas. E um destino para agradar qualquer viajante. Desde o turista que só quer sol e água fresca (junto com ótima comida e praia) ate os mais exploradores e aventureiros. Esportistas? Sim, é possível mergulhar no mar azul, surfar, fazer trekking, percorrer o pais de bicicleta…

Os preços também variam bastante. Pode se viajar gastando entre 10 e 15 USD por dia (excluindo a passagem ate Madagascar) ou nos super hotéis, que são caríssimos e para poucos (podendo passar dos 1000 USD por dia).

O destino mais famoso e o Norte, muito conhecido pelos europeus (praticamente franceses e italianos) que invadem a ilha de Nosy Be. Confesso que estávamos pensando em iniciar a viajem por la, mas ao comprar um guia no aeroporto, não precisei passar do primeiro paragrafo da descrição para achar o destino muito “previsível”. Os estrangeiros usam muito as agencias turísticas, que recomendam voar por causa das longas distancias e estradas ruins. Ruins? Soube que tem ate asfalto… Conversei com a Bibi e mudamos os planos (que planos?). Em vez do norte, iriamos para o sul, passando por alguns parques nacionais e cidades interessantes ate chegar a praia. Transporte? Taxi-brouse, os Daladala/Matatu daqui, que claro que não são recomendados pelas agencias, mas que já estamos bem acostumados.

Chegamos no aeroporto de Antananarivo e tivemos a grata surpresa de que não precisa mais pagar pelos vistos. Tentativa desesperada de recuperar o turismo que desapareceu este ano devido aos incidentes políticos.

Estava sacando dinheiro num caixa automático quando um japonês veio perguntar se queríamos dividir um táxi ate o centro. Topamos e fomos junto com sua amiga, também japonesa. Acabamos indo todos para o hotel que eles iam, e desistimos de ir para o que nos tínhamos escolhido. No aeroporto muitas pessoas ofereceram carros para alugar, e passamos o endereço do hotel para conversarmos mais tarde.

O caminho ate o hotel mexeu comigo. Nunca fiquei tao empolgado ao chegar numa cidade. Talvez meu sentimento na chegada em Katmandu-Nepal e Chiang Mai-Tailandia possa ser comparado, mas naquelas vezes eu vinha do Brasil, o que causava um choque muito maior. O hotel era super simples e super barato. Saímos para caminhar e buscar alguma coisa para comer. Queijos, paes, doces de confeitaria se misturavam com frutas, comidas africanas. A cidade, com seu tom avermelhado, espalhada por colinas com suas construções de bela arquitetura. Soube em uma fracão de segundo que estávamos certos de estar ali.

Tana

Tana

 

Bairros

Bairros

 

Arquitetura

Arquitetura

 

Taxi

Taxi

Pegamos algumas coisas para comer e voltamos para o hotel para discutir o plano da viagem, tudo com uma vista magnifica de Tana (apelido da cidade). Os japoneses (que agora eram 3, pois encontraram outra no hotel) mudaram seus planos para ir com a gente. Depois de uma longa negociação com um dos caras que ofereceram carro no aeroporto, decidimos alugar um carro com motorista. A ausência de estrangeiros no pais derrubou todos os preços e resolvemos aproveitar.

E a capital do Burundi é …?

Pois é, estávamos indo num ótimo minibus, com DVD e tela plana para o Burundi. No ônibus não foi difícil de reparar a gigantesca cicatriz na cabeça do Sr que sentava logo a frente e na mão da mulher algumas poltrona ao lado. As marcas dos sobreviventes são psicológicas e físicas  e nem temos como saber se são de Ruanda ou Burundi, pois ambos os países passaram por imensos problemas de violência.

No Burundi, ao contrario de Ruanda, os Hutus não conseguiram assumir o poder apos a independência  mesmo ganhando as eleições  O exercito era formado praticamente por Tutsis, e depois do genocídio selecionado de 1972 ficou totalmente formado por Tutsis. Listar todos os golpes de estado seria perda de tempo, pois foi um atras do outro. A guerra só terminou em 2004/2005, quando as Nações Unidas mandaram tropas para garantir as eleições  Com as eleições realizadas, e a vontade da maioria expressa, os Hutus tomaram o poder. Alguns rebeldes ainda tentaram fazer oposição, mas a guerra civil estava com seus dias contados.

Viajar para o Burundi e uma coisa nova, pois ha muito tempo não e um lugar seguro. Confesso que gosto de viajar para lugares inusitados, mesmo que não exista uma atracão do tipo ” tem que ver”. Só de estar num lugar destes, entender o que se passou ja e mais do que suficiente para mim. Para reforçar minha vontade, esta rota por Burundi era a melhor opção logística, com as melhores estradas, tendo em vista que as estradas do noroeste da Tanzânia são péssimas, e a viagem ate Kigoma demoraria dias.

Bienvenue au Burundi!

Bienvenue au Burundi!

Na imigração foi tudo rápido.  Não tínhamos comprado o visto com antecedência  e no pequeno escritório da imigração estavam sem recibo. Como resolver esta situação.  Pegaram uma folha de papel sulfite, escreveram a mão mesmo, em seguida carimbaram, uma carta para a imigração em Bujumbura. Ah sim, Bujumbura e a capital do Burundi, o que fui descobrir apenas algumas semanas antes de vir para a Africa, isto que eu gosto de um mapa. Quando comentei com o Piter/Varesca, casal sul-africano que viajei, que o Burundi estaria no meu ” caminho” se desse uma volta no Lesta da Africa, falaram que eu estaria morto se passasse por la. Quanta falta de informação…

Carta para a imigracao

Carta para a

imigração. Após a fronteira a paisagem foi mudando. Muitas áreas queimadas, por diversos KM, e inacreditavelmente planas. Em pouco tempo voltamos as colinas, e passamos a descer, descer. As vilas eram paupérrimas, o que contrastava com o bom asfalto que percorríamos  Com o tempo apareceram alguns buracos, mas nada demais. O que chamou a atenção foi a quantidade de bananeiras. Era uma do lado da outra, o verdadeiro pais das bananas. Muitos cachos gigantescos na cabeça das pessoas que perambulavam pelas ruas das pequenas vilas que paramos no caminho. A medida que fomos descendo, e nos aproximando do Lago Tanganika, a temperatura foi aumentando, aumentando, ate ficar muito quente. A Bibi ficou de papo com uma guria que tava sentado no bando da frente. Eu também troquei e-mails com um Sr que e técnico Agro-florestal…

Chegando em Bujumbura foi aquele choque, pois vinhamos da bonita Kigali, se bem que esperávamos depois de tantos anos de guerra. O Samson, nosso anfitrião do Couchsurfing estava nos esperando. Muito gente boa, comunicativo, nos levou para almoçar e depois da ciesta (levada a serio aqui) passamos rapidamente na imigração onde em 2 minutos conseguimos o visto de transito, somente 3 dias. Tudo bem, não iriamos explorar o pais, só passar um tempo na capital e seguir para Tanzânia – Kigoma.

Bujumbura

Bujumbura

O cara tinha tudo programado, super anfitrião  mas com o tempo incomoda um pouco. Como viajamos de forma independente, não e fácil se prender a programas, horários e tal, parece quase um tour. Mas valeu pelo contato de uma pessoa local.

Como o Samson tinha acabado de se mudar, sua casa não tinha nem banheiro, então ofereceu para ficarmos na casa do irmão dele, soldado das Nações Unidas. Homem, 25 anos, morando sozinho já viu… Era uma casa super simples, num subúrbio  lugar que no Brasil chamaríamos de favela. Poucos metros antes da casa tinha uma barraca do exercito, onde soldados garantiam a segurança do local. Uma arvore na frente da avenida que vinha do centro chamava a atenção pela quantidade de morcegos gigantes pendurados. Casa simplérrima  e meio sujinha, e a Bibi já torceu o nariz. Não dava para falar que não íamos ficar, pois ele tava sendo super gente boa. Teríamos um quarto só para nos, relativamente grande e com internet.

Morcegos

Morcegos

Fomos até um subúrbio mais afastado, onde o Samson construía sua casa. Era quase no limite com a região rural, área de predominância Hutu, e portanto muito afetada nos anos de guerra. Muitas casas em ruínas apresentavam diversos buracos de bala. Mais barracas do exercito para garantir a segurança  Depois de conhecer a esposa e os filhos, fomos para um barzinho ali perto junto com alguns amigos. No canto do bar tinha um bode pendurado com uma churrasqueira ao lado. Se pedisse o espetinho, o churrasqueiro abanava as moscas, cortava a carne, espetava, assava e servia. Tomamos umas cervejas, mas estavam quente. Andamos um bom caminho de volta (ate pegarmos o transporte), pelas ruas sem iluminação da região.  A população se surpreendia em ver os Muzungos andando por ali. Alem de estarmos com os locais, o Samson conhece todo mundo, parece vereador. Cumprimentava os soldados e policiais que encontrávamos  além de metade da população  Ele e muito conhecido pois trabalha com projetos sociais e vive só de doações da comunidade. No período de guerra, existia o toque de recolher, e depois que escurecia as ruas ficavam vazias. Com o fim da guerra em 2004/2005 foram estendendo o horário ate chegar a meia-noite. Hoje teoricamente não existe mais toque de recolher, mas como o transporte publico para cedo, existe um toque de recolher teórico  pelo menos para quem não tem transporte próprio  Para os que tem, Bujumbura possui uma grande seleção de lugares para sair, que variam desde simples bares ate danceterias e restaurantes. São os resquícios de uma geração que achou que ia morrer e agora quer curtir ate a morte…

Buracos de bala

Buracos de bala

Barracas do exercito para garantir a seguranca

Barracas do exercito para garantir a segurança

Chegando na casa vimos que não ficaríamos mais no quarto grande e sim num minusculo. A Bibi demorou para dormir, e ficamos parcialmente protegidos pela tela mosquiteira e pelo ventilador. Fazia muuito calor e os mosquitos estava por todo lado. A certa altura da madrugada, acordamos com uma mulher, nossa vizinha, chorando. Não demorou muito e a energia acabou, nos deixando cozinhando ali dentro. Um maldito mosquito entrou dentro da tela e nos azucrinou. Eu com a lanterna tentando matar, abrindo a porta para ventilar e tentando acalmar a Bibi que ja chorava nestas alturas. Final das contas deu tudo certo. Dia seguinte arrumamos todas as coisas e abri a porta p/ arejar a casa quando o galo entrou e deu um trabalhão para tocar o maldito para fora. Quando o Samson chegou falei que nos mudaríamos porque a Bibi estava naqueles dias, precisava tomar vários banhos, e não se sentia muito a vontade. Tudo tranquilo. Fomos para a cidade, demos uma geral caminhando e depois fomos para a casa do Samson onde sua esposa nos esperava com um belo almoço.  Depois do almoço pegamos as coisas e não demoramos muito para achar um hotel. Encontramos com a amiga da Bibi do ônibus  um Polonês que ficaria na casa do Samson (tínhamos encontrado ele em Nyamata-Ruanda), e junto com o Samson fomos até uma praia do lago Tanganika.

Almoco

Almoço

Amigos

Amigos

Praia no Tanganika

Praia no Tanganika

Lago Tanganika

Lago Tanganika

O Lago Tanganika e o segundo maior da Africa, ficando atras somente do Lago Victoria. Este lago também e o segundo mais profundo do mundo, chegando a ter inacreditáveis 1400 metros de profundidade!!! Chegamos de DalaDala e o tempo não tava muito bom. Sentamos na beira da praia para tomar uma cerveja. Era uma praia estruturada, não com o aspecto selvagem como as do Malawi, mas era bonita também  Ventava tanto que tinha ate pequenas ondas.Ficamos batendo papo, tipo clube do bolinha, mulheres para um lado, homens do outro. O polonês esta fazendo a viagem inversa da minha. Veio do norte (desde o Egito) indo para o sul, então tínhamos muitas dicas e informações para trocar. Tiramos umas fotos e de repente apareceu um pia com uma câmera pedindo se ele podia tirar fotos. Não fui eu que falei com ele, ate achei que era conhecido. Tiramos algumas fotos e este pia tirou uma impressora HP da sua velha mochila, colocou o cartão de memoria e imprimiu rapidamente as fotos!!! Haha eu chorava de rir tamanho era meu espanto.

Impressora HP na praia

Impressora HP na praia

Voltamos para o hotel e a Bibi tinha convidado as 2 amigas para jantar. Só não sabíamos que aqui quem convida e quem paga. Gentilmente pedimos desculpas pelo mal entendido e explicamos que não tínhamos entendido. Acabamos indo jantar só eu e a Bibi. Aqui, assim como na Ruanda, não da para sacar dinheiro em caixas automáticos  então tem que ter uns dólares para trocar nas milhares casas de cambio. Como era noite, pegamos um táxi para o restaurante, mesmo sendo poucas quadras. Conversando com o gerente do restaurante, ele fez questão de na volta nos acompanhar a pé para mostrar o quanto Bujumbura era segura a noite.

Paz!!!

Paz!!!

No Burundi, assim como na Uganda e na Ruanda, esta uma das nascentes do Rio Nilo. Não muito impressionante, mas talvez a mais longa. Existe também a discussão se foi aqui ou na Tanzânia que a expedição do Stanley encontrou o Dr Livingstone, missionário desaparecido a muitos anos (talvez o maior explorador da Africa, depois comentarei mais sobre ele).

Bem cedo, antes do sol nascer, estávamos pegando uma van para a Tanzânia  A Bibi me questionava se não tinha ônibus  mas o pior e que não tinha. Encontramos 2 estudantes de medicina irlandeses, que também viajariam para Kigoma-Tanzânia. Os irlandeses e o polonês foram os únicos brancos que vimos em todo o Burundi, mesmo na rua.

Para fechar o porta malas o cobrador dava uns chutes. Foi bem cheia a van, mas dentro do limite de pessoas. A saída ao sul me chamou atenção  Ao invés de bananeiras como na entrada do pais, passamos por diversas cruzes, num cemitério improvisado. Passamos por muitas barreiras do exercito, que nos paravam, conferiam todos os itens de segurança  inclusive limpador de para-brisas e pisca, antes de nos liberar. Se nos outros países nos acostumamos com AK-47, aqui eram aquelas surpreendentes metralhadoras com tripe que estavam por todos os lados. A estrada foi piorando, quando bem para o sul passamos por dois resorts, no meio do nada. Fácil de entender pela beleza do lugar, difícil de entender quando e porque foi construído ali.

Olha a cor da agua

Já perto da fronteira as curvas começaram  assim como o sobe desce. O asfalto terminou, e numa pequena vila paramos para fazer a imigração  numa casa que mais parecia residencial. Um sr me chamou tirando sarro para ir comer com eles. Comiam Ugali (polenta deles) e peixes muito pequenos (uns 2 cm) com cebola. Agradeci, sentei e comi junto com eles, amassando o ugali com a mão  assim como eles fazem. Eles riram da cena e nos divertimos muito.

Andamos mais um pouco ate a imigração da Tanzânia  O processo foi meio lento e tivemos que comprar outros vistos, o que não estava correto de acordo com o tratado da comunidade do Leste da Africa. Uma outra van, caindo aos pedaços  nos esperava a não muitos metros dali. Todos os passageiros que estavam na outra van, alem de outros estavam la. Estava apertado, eu com duas mochilas no colo que serviram de encosto para a Bibi, porque o banco dela tava sem encosto. Cachos de banana, galinha e caixa com pintinhos também faziam parte da carga. O cobrador não conseguiu fechar a porta, então fechou por fora e se lançou pela janela, onde ficou com o corpo totalmente para fora durante as horas que seguiram pela empoeirada estrada. Varias vezes coloquei empoeirada estrada nos meus posts, mas esta ganhava de todas, e de lavada… Sabe aquela terra roxa do norte do Parana? Então  aquele estilo. A poeira entrava pelas janelas, frestas, buracos. A estrada era terrível  e todos se mantinham de olhos fechados ou com lenços na cabeça. A Bibi ria sem parar, mostrando que desenvolveu um ótimo senso de humor desde o inicio da viagem.

Conforto?!

Conforto?!

Depois de algumas horas, a poucos Km de Kigoma, a Van para. Passam a descarregar toda a mercadoria que estava abarrotada no teto. Haviam ate parado para comprar uma corda para amarrar tudo, mas agora tava tudo no chão  Ofereceram o equivalente a uns 30 centavos de real para 2 passageiros seguirem a pé  Eles prontamente aceitaram e seus lugares foram preenchidos com as mochilas e mercadorias. Nem 500 metros depois fomos parados pela policia, que conferiu se tava tudo em ordem. Logo chegamos em Kigoma, e parecia que estávamos fantasiados.