Rumo ao norte!!

Eu e a Pati sembre discutimos (no bom sentido) qual e a India verdadeira. A India tradicional, espiritual, historica, que vem na nossa imaginacao e que tenho mostrado aqui ou a “nova India”, a India rica. Abro o jornal e vejo que uma empresa indiana acaba de comprar a Zain telefonica, se tornando uma das cinco maiores do mundo.. Muitos podem falar, ta e daí?! A Zain e uma compania telefonica com atuacao em mais de 15 paises africanos, muito boa por sinal (dava para passar de pais para pais com o mesmo chip, sempre como se o numero fosse local). A Land Rover e Indiana, assim como a Jaguar. Nao preciso comentar que os salarios de Bollywood sao mais altos que os da Globo, nem que os jogadores de cricket ganham mais que os de futebol no Brasil, ne?! Poderia citar outras empresas, e pesquisando um pouco mostrar numeros astronomicos.

A India ta crescendo muito. Ok, tem muito para crescer, pode se comparar com o crescimento que o Brasil teve nos anos 70, quando tinha muito para crescer tambem (claro que ainda tem, mas era o inicio da caminhada). Mas o Brasil desandou por um bom periodo, teve altas inflacoes e estagnou. A India aparenta ter uma economia solida, planejada, e a sequencia de crescimento pode ser diferente da que tivemos (sera que pelos excelentes economistas indianos que lecionam no mundo todo?). A nova India existe, são milhoes e milhoes de pessoas, mas proporcionalmente a populacao ainda e muito, mas muito pequena.

No Brasil as coisas não são muito diferentes. Qual o percentual da populacao brasileira que tem curso superior? 10%? Tudo bem, esta aumentando com a popularizacao de cursos superiores, mas ainda demora para recuperar. Saneamento? Habitacao? Mortalidade infantil? Corrupcao? Infraestrutura? O BRIC fica todo se achando, as novas economias bambambam. Pensem o tamanho das populacoes de Brasil, Russia, India e China, agora no tamanho da area destes paises. Como paises, estao se tornando nacoes poderosas, pois decisoes politicas internacionais contam como um todo, mas se pensarmos bem, estao muito abaixo do potencial. Peguem estes PIBs e dividam pela populacao para ver o PIB per capta, ou ate mesmo pela area dos paises, criando uma nova forma de avaliacao (os paises do BRIC sao top 10 em area e populacao). Piada!  A India, assim como Brasil, Russia e China ainda tem que comer muito feijao ou chapati, arroz, batata, seja la o que for…

Normalmente temos muito poucos planos, e mesmo assim estao sempre mudando, mas desta vez nos superamos. De Tirunavamalai pegamos um onibus comum ate Bangalore, e so la decidimos para onde iamos. Inicialmente seguiriamos para Mysore, onde tem um magnifico palacio, a Bibi ficou seduzida por historias de uma linda e tranquila praia com cultura indiana, chamada Gokarna, e poderiamos seguir tambem direto para Hampi, destino que passariamos com certeza.

Ao nos aproximarmos de Bangalore, já podiamos ver que se tratava de uma grande cidade. Talvez seja a maior representante da “nova India”. Claro que não tem o glamour de Mumbai, mas ali e onde esta o maior custo de vida do pais, inpulssionado pelos altos salarios dos capacitados profissionais de TI. Meu companheiro de viagem na africa, Guru, contava que muitos dos seus amigos estavam largando seus empregos no Vale do Silicio na California para ganhar salarios superiores em Bangalore, com um custo de vida bem mais baixo que o americano.

Quase que passamos pela nossa parada, já que o onibus não ia ate a rodoviaria. Nos avisaram em cima da hora, pulamos do onibus meio desageitados e pegamos um outro onibus urbano ate a rodoviaria. Para evitar um zigue zague, mais mudancas de lugares e para fugir do calor, resolvemos ir direto para Hampi mesmo. O ultimo onibus já estava para sair, mas era um onibus comum e a viagem seria longa. Optamos por pegar um onibus noturno com camas e passar o dia na cidade. Compramos as passagens, largamos as mochilas e fomos ate um “shopping” ali perto que o pessoal que vendeu a passagem recomendou. Estava mais para galeria de centro, nada a ver com a nova India. Acabamos descobrindo qual era um dos shopping descolado da cidade e fomos la. O grande motivo era ter um lugar com ar condicionado para não ficar no calor infernal que estava la fora, mas acabou tendo a desculpa que estariamos vendo um pouco da outra India…

Mesmas lojas, mesmo padrao, para ser sincero não me atrai muito. Ate tem um ou outro estilo diferente, coisas interessantes para se ver da “cultura pop”, mas fiquei entediado muito rapido. Pelos menos matamos o tempo. Ao pegar o onibus a Bibi cometeu uma grande gafe. Um “piazinho” nos guiava ate onde o onibus estava estacionado, e ela estava encantada com a desenvoltura e firmesa da crianca. Na hora de embarcarmos ela perguntou qual era a idade dele, mostrando com os dedos 5 ou 6 anos. Ele respondeu 22. Ficamos achando que ele não sabia falar ingles direito, que tava tentando falar 12 anos (mesmo parecendo a metade desta idade). O “piazinho” que não era um piazinho e sim um “Cara” que não cresceu, falou irritado que tinha nascido em 88′, so que não tinha crescido. Demoramos um tempo ate acreditar na historia, e o cara saiu bravo…

Chegamos em Hospet pouco antes do inicio da manha, e Hampi fica a um pulo dali. Olhamos umas 3 pousadas ate nos dar conta que os precos e qualidade mudavam muito pouco. A regiao fica no meio de um “bazar” baguncado, com ruas estreitas, pequenas lojas improvisadas, restaurantes e pousadas. A torre do principal templo pode ser vista de toda a regiao. Muitos dos restaurantes estao nos terracos, para proporcionar uma melhor vista.

Bem cedo alugamos uma moto para rodar. Apesar das distancias não serem tao longas, o calor estava muito grande para fazer o percurso de bicicleta. Hampi foi a capital de um imperio que dominou todo o sul da India, e existem incontaveis ruinas desta civilizacao, em diversos estados de conservacao. Alem das obras do homem, a paisagem chama muito a atencao. Uma regiao seca, apesar de algumas “ilhas” verdes de plantacoes de banana e arrozais, com milhares de pedras de diferentes formatos e tamanhos. Muitas destas pedras estao empilhadas, estranhamente equilibradas, como se tivessem sido colocadas desta forma propositalmente. O conjunto da obra do homem e de Deus e realmente espetacular.

Bem no inicio da nossa estadia, fomos num destes restaurantes turisticos pois a Bibi queria mudar o gosto da comida. Resultado, acabou pegando uma infeccao intestinal. Não adianta, restaurante local ta sempre cheio, o giro de pessoas e muito maior, pois obviamente tem mais indianos que turistas, e a comida sempre vai ser mais fresca. Resolvemos esperar passar naturalmente, sem remedio, pois não tinhamos pressa para sair dali. No inicio fiquei cuidando mais dela, pois so podia comer sopa e torradas. Ficou internada no quarto e nas leituras, e com o passar dos dias arriscou umas saidas para ver o por de sol num lugar não muito longe. Sentindo a melhora dela, passei a arriscar passeios mais longos, por mais ruinas, enquanto ela continuava mergulhada nos seus estudos. Com a melhora passamos a gastar horas nos restaurantes a beira do rio, so aproveitando a sombra e agua fresca. Mais passeios pelas interminaveis ruinas, e ate uma volta num “barco cesto”.

Quando se passa bastante tempo num lugar pequeno assim, fica amigo do dono da pousada, pendura a conta no restaurante que vai todo dia, os vendedores nem insistem mais pois sabem que voce não vai comprar, se sente em casa mesmo. Um dia antes da nossa despedida do local, voltando de uma caminhada, descobrimos meio que por acaso um lugar incrivel onde o sol estava se pondo. Na hora certa e no lugar certo!! Foi so deitar na pedra quente e curtir ate a noite cair por completa…

A India e grande, e qualquer viagenzinha demora um bom tempo. Nossa proxima parada, Jalgaon, era a maior distancia que percorreriamos ate agora. Autorickshaw ate Hospet, trem ate Guntakal onde esperariamos por duas horas o trem ate Jalgaon. O compartimento sleeper e simples mas bom por causa da interacao, já que não existem cabines fechadas, mas neste trecho da viagem incomodou um pouco pois praticamente so tinham homens. Linha muito utilizada por pessoas que viajam a trabalho. Nos dois trens estavamos cercados por engenheiros civis, profissao que esta em alta com o grande investimento em infra estrutura no pais. Já se aproximava da metade da tarde e a temperatura so parecia aumentar. A Bibi comparou o vento que vinha da janela do trem como um secador de cabelos, e acreditem, ela não estava exagerando.

Pulamos do trem na rapida parada na estacao de Jalgaon, e já tinham pessoas perguntando se queriamos dividir um carro para os passeios a Ajanta e Ellora, que tambem tinham acabado de chegar e tal. Eram 3 refugiados tibetanos, que moram aqui na India e estavam em perigrinacao para as “cavernas” Budistas da regiao. Eles foram com a gente ate o hotel que escolhemos e acabamos combinando de fazer o passeio, ou parte dele juntos, pois o aluguel de um carro seria praticamente o mesmo preco que as diversas passagens de onibus somadas.

A distancia ate Ajanta não era grande, mas a viagem não e tao rapida assim. O nosso amigo tibetano foi recitando mantras boa parte da viagem, e logo notamos que seria uma experiencia muito interessante. As cavernas de Ajanta foram esculpidas na rocha por monges, que la fizeram seu local de estudos e devocao. Pilares para a sustentacao foram deixados, alem de algumas esculturas e muitas pinturas. Na epoca que era ativa, no chao existia uma fina camada de agua, que funcionava como um espelho natural para iluminar as impressionantes pinturas. Diz a lenda que os monges daqui estudavam magia e eram capazes de coisas incriveis. Levitacao era uma das praticas mais simples…

As fotos de Ajanta desapareceram do cartao de memoria, junto com a maioria das fotos de Ellora. Espero conseguir recuperar!

A cada caverna nossos amigos seguiam o script do ritual tibetano, com gestos, mantras e muita paixao. O lugar que e mais visitado por sua beleza, teve um extra pela devocao não muito comum nem esperada por aqui.

Mais uma esticada ate Ellora, onde pretendiamos ficar e so visitar as cavernas no dia seguinte. De ultima hora acabamos decidindo visitar com os tibetanos e aproveitar a volta ate Jalgaon. Se em Ajanta, fora a construcao das cavernas, eram as pinturas que impressionavam, em Ellora eram as esculturas. As cavernas eram ainda muito mais impressionantes que as de Ajanta. Aqui as cavernas não são so budistas, mas existem janeistas e hinduistas tambem. Algumas partes das rochas foram totalmente esculpidas, deixando de ser cavernas, e passando a ser um templo solido, feito so de uma rocha, sem encaixes. Lembram das igrejas de Lalibela na Etiopia? Mesmo estilo (a cidade de Petra na Jordania tambem e assim). A principal delas e magnifica, inacreditavel como conseguiram esculpir aquela beleza, daquele tamanho, na rocha. Tiraram 250000 metros cubicos de rocha. Para se ter uma base de comparacao, um container que eu exportava carregava 50 metros cubicos de madeira. Seriam o o equivalente a 5000 destes containeres que vcs veem na estrada indo para os portos, tudo feito na mao. Vimos os templos janeistas juntos com os tibetanos, mas depois eles foram direto para os budistas enquanto nos gastamos tempo nos hinduistas.

Pilares esculpidos

Templo inteiro escavado na pedra

Esculturas

No inicio eu e a Bibi ficavamos falando um para o outro, olha isto, olha aquilo, inacreditavel, mas depois de um tempo o silencio nos tomou. Circulavamos de boca aberta, observando cada detalhe. A luz do final de tarde batia de frente e tudo ficou ainda mais bonito. Ate esquecemos de tirar fotos, que com certeza ficaram faltando, mas o momento e que vale, não e?! De qualquer forma a beleza do lugar não caberia numa foto… Terminamos nas cavernas budistas, e mesmo o horario de visitas já tendo terminado nos deixaram ficar mais, pois estavamos com os devotos. Saimos de la já era noite, e alem dos segurancas, so haviam macacos e nos. Muito gostoso das 6 as 7, quando ainda estava claro, e o lugar vazio, todo so para nos.

Na volta para Jalgaon, o tibetano pediu para sua esposa traduzir que tinhamos muita sorte de ter estado ali com eles, que o lugar e incomum e Buda nos traria muita felicidade. Eu apenas sorri, e pensava: sera que e possivel ser mais feliz do que sou? E segui a viagem em silencio, escutando o motorista cantar suas musicas indianas favoritas e o tibetano recitar seus interminaveis mantras no banco de tras…

Mission Burma

Existia uma banda punk dos anos 80 chamada Mission of Burma. Acho que foi assim que eu escutei sobre o país a primeira vez. Pode-se pensar que nada em comum tem uma banda punk com um país do sudeste asiático,  mas a revolta daqueles adolescentes é algo bem comum como a oprimida população da “Birmânia”.

A Birmânia assim como tantos outros países, teve seu primeiro contato com os europeus através dos portugueses  mas estes não conseguiram colonizar a região. Após algumas tentativas foram os ingleses que se estabeleceram por aqui. Foi uma colonia bem extrativista, não tendo deixado muita influencia e infraestrutura a não ser alguns casarões e, para variar, uma estrada de ferro. Favoreceram a entrada de indianos e chineses para trabalharem na construção e comercio. O controle era linha dura, e existia muita repressão.  Como sempre os monges estavam a frente dos protestos da população, e sofriam a violência dos britânicos.

Na segunda guerra, um grupo que buscava a independência do pais, teve apoio do Japão  e conseguiu expulsar os ingleses do seu território.  Não contentes com a postura do Japão após esta ação, mudaram de lado no final da guerra e lutaram, junto com os aliados, contra os japoneses. Finalmente a Birmânia se tornou independente. Nas primeiras eleições  o partido de Bogyoke Aung San, líder revolucionário, ganhou a maioria dos votos, mas foi assassinado junto com as pessoas que assumiriam os postos políticos  Paralelo com a independência veio um caos politico não resolvido ate hoje. Na região  moram diferentes etnias, com culturas, línguas  religiões e tradições completamente diferentes. O novo governo iniciou uma serie de perseguições que continuam ate hoje, o que resultou na fuga de algumas etnias para os países vizinhos, como apontei no post da Tailândia.

Na década de 60 houve um golpe militar de esquerda e o comunismo foi instituído  “congelando” o país ate hoje. A unica coisa que mudou foi o nome, que deixou de ser Birmânia e passou a ser Myanmar. Claro que com o colapso da URSS, seguindo o mesmo rumo de diversos países, o país criou seu próprio estilo de comunismo. Após diversos protestos, e milhares de mortes (novamente os monges estavam a frente da população) , finalmente eleições foram marcadas. O partido da filha do B. Aung San venceu com mais de 85% dos votos, mas não pode assumir os postos pois Aung San Suu Kyi foi presa. Desde então ela e solta e presa de tempos em tempos, e atualmente esta em prisão domiciliar. Foi dada a ela a escolha de ir para o exílio  mas se recusou a deixar seu pais. Foi vencedora do premio nobel da paz em 1991, e deve sair novamente da prisão no final deste ano, logo após novas eleições presidenciais acontecerem. Detalhe que nestas eleições só vai haver um partido, o da atual ditadura. Alguém duvida que não demora muito para ela ser presa novamente? A população local tem certeza disso, e fala que e só um jogo para não haver tanta pressão internacional. A três anos atras a violência se repetiu, e mais centenas de mortes. Algumas filmagens vazaram, e o ocidente pode ver a população fazendo uma barreira humana para proteger os monges politizados, que eram alvos de tiros dos militares. Por que não existe uma ação mais efetiva contra uma ditadura tao brutal? Interesses comerciais da Índia  de matéria prima, drogas para a China, e militar para a Russia. Dos países emergentes BRIC, só o Brasil não esta apoiando. Quem iria se opor?

Na aterrizagem em Yangon, lembro da Bibi falar, “para onde que você ta me levando?”. Realmente a visão é chocante, parecíamos ter entrado numa maquina do tempo. A região ao redor do aeroporto parece uma vila, e vista de cima só da para ver algumas casas de madeira, entre palmeiras e pagodas (templos budistas). O primeiro contato com o povo daqui foi ótimo. Quando vimos que os carregadores de mala e taxistas não são nem um pouco insistentes, já imaginamos que era um lugar tranquilo. Mas quando notamos que alem de tudo eram simpáticos e tentavam nos ajudar, tínhamos certeza que era um povo especial. Ainda no avião me dei conta que, com a correria dos últimos dias da Tailândia  não havia trocado dinheiro suficiente (inicialmente ficaríamos menos tempo no Myanmar). Normalmente saco nos caixas eletrônicos  mas em Myanmar não existem caixas automáticos  e os cartões de credito não são aceitos. La fomos nos para um hotel de luxo, onde fazem uma transação no exterior e fornecem dólar a uma taxa de 7.5%! Fazer o que, nossa unica opção se quisessemos ficar bastante tempo lá.  Fomos para perto do centro onde íamos ficar e o estilo da cidade foi nos conquistando. Esta e a melhor parte de não sobreplanejar uma viagem. Eu sempre leio a respeito de todos os lugares, tenho uma ideia geral dos países muito boa, mas não consigo entender quem vai ate o Google earth para saber o caminho a ser percorrido numa cidade, por exemplo. Pra mim pode servir para matar a curiosidade, mas não para planejar viagem. O efeito surpresa e importante e nesse caso foi ótimo.  Yangon e uma cidade grande, em torno de 7 milhões de habitantes, e tem um estilo próprio.  Casarões antigos e decadentes, monges andando com suas vasilhas para recolher o alimento do dia, procissão hindu. Só faltou encontrar um hotel um pouco mais rápido. Mas isto fez que nos afastássemos um pouco do centro e fracassemos num hotel legal, com pouca experiencia com estrangeiros, o que resultou num tratamento vip. Entramos numa “lua de mel” com o pais, que demoraria muitos dias.

Prédios do centro

Celulares ate existem, mas são caríssimos. O negocio e utilizar os telefones na rua!

Transporte publico

Descobri que a alguns anos Yangon não e mais a capital do pais, e sim Naypyidaw. Confesso que não tinha a menor ideia da mudança  Nossos primeiros dias la foram de caminhada pelas ruas empoeiradas, por prédios históricos, taxis Mazda estilo “pau de arara”, e uma cultura muito diferente. Espremido entre China, Tailândia,  Índia e Bangladesh, com tantas etnias próprias  e colonizados por ingleses, digamos que tiveram muitas influencias, de todos os tipos. Fomos na Swedagon Pagoda, e tivemos a sensação de que não precisamos mais ver templos dourados depois disto. E uma super estupa, com dezenas de outras ao redor, numa região alta da cidade. Lugar de muita fé  e ponto obrigatório de peregrinação dos budistas do Myanmar (que são 90% da população . Templos, estatuas, sinos e devoção  muita devoção.  Para se chegar ao topo existe uma escadaria muito grande, por um “túnel;” de madeira, com desenhos da historia de Buda. A lenda desta Pagoda não e medos interessante. Conta que dois irmãos de Myanmar estiveram em contato com Buda ainda em vida, e que este deu fios de cabelos para ele, e trouxeram para presentear o rei, que construiu a primeira pagoda aqui, e que só foi aumentando. Na ponta da estupa existem mais de 3000 sinos de ouro, 79000 diamantes alem de outras pedras preciosas, que ao anoitecer passam a brilhar e refletir. Um dos grandes negócios do Myanmar são as pedras preciosas, exportadas para o mundo todo. Passamos horas ali, e com certeza a melhor parte foi quando a noite chegou. Estávamos indo embora quando uns aprendizes de monge puxaram papo e acabamos indo jantar com eles(eles não podem comer depois do meio dia, mas tomaram chá).

Jarros com a “água benta budista” na pagoda Sule Paya

Budaworld!

Mau gosto também tem por aqui! Budas com luzes piscando…

Novos amigos

Myanmar não e um pais pequeno, e a condição das estradas faz com que viagens (de ônibus  de 300 km possam levar mais que 10 horas. Existe as alternativas de voos domésticos (que já não somos muito fans), de trens (que seria muito bacana) e uma região até de barco, mas como todos estes transportes são controlados pelo governo ditatorial, décimos “fazer na nossa parte” e boicotar, dando o dinheiro para o povo, que precisa mais. A rodoviária  bem afastada do centro e caótica  e muuito empoeirada. O primeiro destino seria Inle Lake. Os primeiros km de estrada surpreenderam, e percebemos que tinha alguma coisa estranha quando passamos por um “moderno” pedágio e logo após teve um controle de documentos/passaportes. Chegamos numa cidade com ruas largas, modernas, iluminadas ate demais. Lojas de pedras preciosas, resorts e ate campos de golf. Ate praça com chafariz! Estávamos na nova capital, construída só para o governo. Ate as embaixadas foram obrigadas a ficar em Yangon, e as casas aqui tem que seguir um tamanho e padrao pre-determinado. Nada de comercio pé de chinelo. Nada funciona sem autorização  e parceria.do governo. Muito pouco depois de cidade, inicia a realidade. A estrada fica esburacada, ate virar estrada de terra. Em um momento vira ate estrada de mão unica, sem acostamento. Como Inle Lake fica na região das montanhas, as curvas iniciam e não param mais. Chegamos de madrugada, e tava muito frio. Da parada do ônibus ainda tivemos que arranjar transporte para os próximos 13 km, ate chegar em Nyaungshwe, onde ficaríamos.

Aqui é só para comprar a passagem, ainda no centro. A rodoviária fica mais afastada, e bem mais caótica!

Ficamos numa pousada muito legal, com pessoas simpaticíssimas  Para se ter uma ideia, toda vez que chegávamos no final de tarde, batiam na porta e nos traziam uma limonada. A região e calma, rural, e muito bonita. Fizemos passeio de canoa por pequenos canais ate rustico monastério para ver o por de sol, e rodamos muito a região de bicicleta, primeiro com mapas e depois sem destino. Como estávamos perto de um grande lago, nada melhor para conhecer a região que um barco. Saímos cedo, passando por canais ate chegar ao lago propriamente dito. Grande, cercado de montanhas, com uma nevoa devido ao horário  Lugar muito bonito e de uma paz incrível.  Pescadores com suas redes e armadilhas, naquela que era só mais uma segunda-feira para eles. A região funciona como um WaterWorld. As casas são sobre palafitas, onde só se chega de barco. As plantações são em elevados no meio do lago. Voltamos a terra firme, numa vila onde acontecia o mercado do dia. Carnes, verduras, mantimentos e flores, muitas flores. Alguns vendedores de artesanatos nos fizeram lembrar que eramos estrangeiros. Rodamos km e km ao sul, passando por mais vilas suspensas  alem de jardins flutuantes, onde cultivam as flores. Alguns monastérios  sendo que em um deles as mulheres não podem se aproximar do altar principal. Existem algumas paradas que são para turista ver, como fabrica de cigarro local, tecido feito de resina de uma planta local, fabricarem barcos, etc. Algumas coisas ate são interessantes, mas e tudo montado com uma loja junta. Perdemos a ilusão de que Myanmar era perfeito, ideia que tínhamos até então. Passamos por uma loja de a artesanato das “mulheres girafas” que com certeza não estão em melhor situação que as refugiadas na Tailândia.  Voltamos cansados para o hotel, depois de um longo e produtivo dia. Inle Lake fica no estado de Shan. Shan e um povo que tem nesta região  cruza a fronteira e tem em boa parte do norte da Tailândia  Queria muito poder voltar para a Tailândia por terra, mas as áreas são controladas, e o governo marca direitinho onde os estrangeiros podem ir. Ao norte do estado de Shan, existem diversos conflitos. Shan com o exercito do governo, com guerrilhas Mon, Mon com o governo. Meio terra de ninguém.  Aparentemente conflitos étnicos  mas na verdade financiados por carteis de Opio e Heroína.

Andando de canoa

Final de tarde

Muita paz de espirito

Flores no mercado

Congestionamento para chegar em terra firme!

Mundo Aquático!!

Anos de perseguição

Vista de quem anda de bicicleta por aqui…

O aniversario da Bibi se aproximava, e ainda tínhamos que seguir outra longa estrada para Mandalay, antiga capital. Não vou nem citar o “antiga capital” novamente, pois ao redor de Mandalay fui para diversas outras “antigas capitais”. No ônibus passavam vídeo clips de bandas locais que faria qualquer “Emo” se suicidar. Nada de aparecer os cantores, só historias de amor, muitas delas com finais trágicos. Filmagens totalmente amadoras, e alguns dos passageiros cantando baixinho junto. De mais!! Ficamos indignados com um alemão que se levantou e fechou as janelas sem perguntar para os passageiros. Depois pediu para não reclinarmos tanto os bancos, pois estavam atrás de nos. Foi estranho dividir um táxi ate o hotel com eles, acabar ficando no mesmo hotel, e até tomar café da manha na mesma mesa, por falta de lugar.