Etosha

Então, meio difícil escrever sobre o Etosha. E um grande zoológico  com todas as qualidades e defeitos destes. É um parque gigantesco, área suficiente para diversas espécies viverem muito bem, e conservadas de forma natural. Não é como um Kruger, mas não deixa de ser extremamente  comercial, com seus lodges refinados, piscinas e restaurantes. Claro que e um excelente lugar para ver a vida “ selvagem”, principalmente perto de vc. Os animais não se assustam, e existem os Waterholes, onde vc pode ficar tomando uma cerveja e eles vem beber água. Estes parques são meio artificiais para o meu gosto, mas talvez seja a única forma de ficar a 4 ou 5 metros de um leão.

Bota camuflagem nisto

Bota camuflagem nisto

Ta olhando o que?

Ta olhando o que?

Centenas de zebras

Centenas de zebras

Claro que agente continuou acampando, e cozinhando na fogueira, para escapar das altas taxas cobradas para estrangeiros. Um parque muito legal, totalmente recomendado, mas não é a Africa selvagem e intocada. A emoção de ver a vida selvagem livre nem se compara, mas requer tempo e paciência.

Africa!!

Africa!!

Procuramos alguns geo cache, “tesouros escondidos” com coordenadas em um site da internet. Achamos uma caixa de plastico com lembranças pessoais , alem de um caderno para colocar nome e contato. Bem divertido, pois normalmente escolhem lugares bem bonitos mas de difícil acesso.

Um elefante incomoda muita gente...

Um elefante incomoda muita gente…

Etosha depois da temporada de chuvas

Etosha depois da temporada de chuvas

Saindo do parque acampamos não muito longe, no dia seguinte paramos em Tsumeb para uma revisão no carro, comprar mantimentos e seguimos para a fronteira. Desistimos de ir pelo Caprivi, pois deveria estar alagado devido a pesada temporada de chuvas deste ano. Pena pois tem toda uma influencia de Angola que queria ver, mas acabamos passando e acampando em uma área dos San (Bushman), os primeiros habitantes do sul da África.

Foram mais de 3000 km de Namíbia, sendo que mais de 95% em Estrada de terra, e finalmente chegamos na fronteira com a Botsuana. Parecia uma porteira de fazenda, onde não passam mais que 50 pessoas por mês. Ao mostrar o passaporte Brasileiro, o Kaka foi lembrado imediatamente.

Dorp System e outras praticas

Como a África do Sul dominou a Namíbia ate 1990, exportou o regime do Apartheid para cá. Em ambos os países existiu uma prática chamada Dorp System, em que os fazendeiros e outros empregadores, pagavam parte do salario em bebidas alcoólicas  Uma forma muito clara de controlar os empregados e impedir o desenvolvimento destes. A pratica funcionou muito bem, e a herança e terrível. O alcoolismo é um grave problema, e mesmo o dorp system não existindo mais, grande parte da população menos favorecida passa todo o final de semana embriagada. Chegamos em algumas cidades na sexta feira e a fila na loja de bebidas era gigantesca.

Outra pratica legalizada no passado- e que apesar de proibida hoje- e amplamente difundida- e a punição física nas escolas. Não se comportou bem? Toma umas ripadas. Desobedeceu? Não fez lição de casa? Se atrasou? Da ate medo de pensar se na minha época fosse assim!!

4000 KM depois

Depois de rodar mais de 4000 km na África do Sul, cheguei ao parque Kalagadi, na tríplice fronteira  A.Sul-Botsuana-Namíbia. Ficamos alguns dias fazendo Games (Safaris) e logo vimos que não era tao fácil ver os principais animais. Tem que ter muito paciência, principalmente nestes parques grandes onde não tem uma superpopulação de animais.

Kalagadi Park

Kalagadi Park

Entramos na Namibia pela fronteira Mata-Mata, e após rodar alguns KM, acampamos ao lado da estrada mesmo.

Camping na estrada

Camping na estrada

Atravessamos o que restava do Kalahari, todo o deserto do Karoo acampando onde dava, pois praticamente não tinham cidades. A Namíbia é um pais muito grande, com uma população de pouco mais de 2 milhões de habitantes. As poucas cidades que tinham, eram minúsculas, portanto não podia fazer nenhum contato com o Brasil, o que me deixou preocupado.

O deserto do Karoo é um plato, onde o horizonte se perde em todas as direções, e que muda muito ao se aproximar do deserto da Namibia, todo montanhoso e com dunas.  Já no deserto da Namíbia acampamos o mais perto possível de Sossiusvlei, um dos cartões postais mais famosos da Namíbia, com suas dunas vermelhas intermináveis. Show de bola!!!

Dunas

Dunas

Dunas

Dunas

Depois de passar um tempo nesta região, saímos rumo a Swakopomund, mas a Landy estragou novamente (estava indo tão bem…) perto de Solitaire (procurem no Google Earth). Uma “cidade” com umas 5 casas, um Lodge, um posto de gasolina e uma padaria. Tinha uma lua cheia incrível, e não foi tao ruim ficar no Deserto mais uma noite.

Lua Cheia em Solitaire

Lua Cheia em Solitaire

Agoniado pois não tinha como passar notícias para a Bibi, pensei em abandonar a “expedição” pela primeira vez, tinha decidido que se não saíssemos no dia seguinte (parecia um problema sério) seguiria de carona, pois não tinha transporte coletivo. Inacreditavelmente deu tudo certo, o que surpreendeu até ao Piter.

Landy funcionando!!!

Passamos por uns Pass muito bonitos, e chegamos a uma reta interminável, totalmente plana, mas ainda com estrada de terra. Rodamos muitos KM até chegarmos em Swakopomund. Os ventos gelados do atlântico sul, ao encontrarem com o deserto, causam um fog muito forte. Ficou tudo nublado, e  frio, parecendo o leste europeu em Janeiro.

Mas as coincidências não param por aí. Até a primeira guerra mundial, a Namíbia era parte da Alemanha, e se chamava German South West Africa (ficou sob o domínio da Af. do Sul depois disto até a independência em 1990), portanto possui incríveis semelhanças com a Alemanha. Entendi plenamente o que o Lula quis dizer  ” … Nem parece Africa,” quando se referia a Namíbia.

Arquitetura toda europeia, ruas todas limpas, tudo organizado. Claro que nao se pode generalizar ” Africa ” como um todo, mas muitas cidades aqui parecem com a Europa e não com a Africa. Ou vcs acham que Blumenau é a cara do Brasil?

Swakopomund

Swakopomund

Dizem que Luderitz e ainda mais tradicional, mas acabamos não passando por lá. Foi de lá que Almyr Klink saiu com seu barco a remo para atravessar o atlântico (Cem dias entre o céu e o Mar).

Termino este post com uma frase dele, inspiração para qualquer viajante:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”
Amyr Klink