E depois da Índia?

Não sabemos direito para onde viajar depois da Índia, e um grande problema…haha

Podem nos ajudar?

Final da votacao 29.04!
Todos os destinos (menos voltar para casa!!) ja fizeram parte dos planos (que planos?), mas mudamos de ideia e o destino sera outro. O meu queridinho de quando coloquei a pesquisa era Paquistão e Irã, unanimidade de todos que vão para la…

A Índia é foda!!

A Índia é foda! Poderia iniciar o meu primeiro post na Índia de diversas maneiras diferentes. Poderia falar sobra a rica cultura do Hinduísmo, sobre o sistema de castas, a chegada dos portugueses, o domínio linha dura dos ingleses, sobre Gandi, independência e divisão do subcontinente indiano em Paquistão, Índia e Bangladesh. Poderia falar da “nova Índia” (a Índia rica e descolada), de Bollywood ou da fantástica culinária. Ao invés disto inicio com um “A Índia é foda!”. Foda no bom sentido. Existe um (já batido) ditado que diz que ou você ama a Índia ou odeia. Eu não concordo. Conheço muita gente que amou e depois odiou, odiou e depois amou e tem os que amam e odeiam ao mesmo tempo. O sentimento sobre a Índia e algo muito forte. Eu tive uma rápida passagem pela parte norte do país em 2005, numa viagem combinada com Nepal e Tibet. Amei! Uma vez um grande amigo meu me perguntou para qual pais que eu tinha ido e mais gostaria de voltar. A resposta foi muito rápida e precisa: Índia! Pode-se viajar dois, três, seis meses, ou ate um ano pela Índia e ainda terá muita coisa interessante e diferente para conhecer e vivenciar. Em algum momento você pode ate cansar, mas se não for só ódio, com certeza vai voltar.

Chegamos no novo aeroporto de Cochim, no sul da Índia. Escolhi a chegada pelo sul por uma questão logística, clima tica, mas também por um primeiro contato mais fácil para a Bibi. O sul do pais e bem mais tranquilo e o povo mais simpático e menos insistente. Ainda no aeroporto conhecemos um casal de Suíços com quem pegamos um ônibus ate Fort Cochin, a região histórica da cidade. Ao procurar um lugar para ficar, percebi que o povo do sul não era só um pouco mais tranquilo que o do norte, mas muuuito mais tranquilo. Ficamos numa pequena pousada de dois quartos, onde os Suíços nos acompanharam. Todo o estado de Kerala tem uma forte influencia portuguesa. Em Cochim esta a igreja de São Francisco, a primeira construção europeia na Índia, e também onde o Vasco da Gama ficou enterrado por uns anos, antes de ser levado a Portugal. Dentro da igreja tem ate uma flamula do time de futebol do Eurico Miranda. Tem muuita igreja por aqui, mais que templos Hindus e Mesquitas, pelo menos na região histórica. Existem ate alguns nomes de lojas e restaurantes em português. A maioria dos cristãos indianos estão no sul da índia. Existe também uma sinagoga no bairro judeu, onde eles se estabeleceram a centenas de anos. Muitas lojas e turistas por toda a região. Redes de pesca artesanal chinesas dão todo um clima para o lugar, que e dividido em algumas ilhas/penínsulas.

Igreja de São Francisco

Bairro Judeu

Redes de pesca chinesa

Um dia fomos surpreendidos por uma greve geral devido o aumento dos combustíveis. Tudo parou. Kerala foi o primeiro estado (devido a diversidade de línguas são muito autossuficientes) no mundo a eleger um governo comunista. Não preciso nem falar das heranças que este sistema trouxe, ne?! Educação e saúde de dar inveja a qualquer pais emergente, porem a falta de investimento privado trás muitos atrasos para a região. Nossos novos amigos passaram três meses viajando pelo norte da Índia, antes de irem para o sudeste asiático e voltarem para mais dois meses. Estavam descolados para cá, e isto me ajudou bastante. Eu contava para a Bibi que em 2005 comia até na frente da ferroviária e era bom, mas ela insistia que queria tomar mais cuidado, devido a todas as historias que ouvíamos de infecção intestinal. Aqui tem ate nome: “Delhi Belly”. Dizem que e impossível vir para cá e não ter nada. Sempre tem uma vez, fica imune e tudo em ordem. Parenteses: estou a 11 meses na estrada, comendo de tudo, em muitos lugares com as mãos, e ate agora não tive nenhum problema. A segunda refeição que fizemos aqui foi num restaurante estilo “pé sujo”. A Bibi ficou meio de cara, o lugar era quente e não muito agradável. Depois que terminamos a refeição ela já estava mudando. Foi só mais uma visita a um destes restaurantes para ela admitir que a comida era muito melhor que nos outros. A grande vantagem daqui e que tudo e preparado na hora. Havíamos decidido também que para vivenciar mais a cultura indiana nos tornaríamos vegetarianos e não consumiríamos alcool.

O calor estava grande e todos só falavam que iria aumentar nos próximos meses. Ainda bem que o ônibus que pegamos para Allepey, mais ao sul não tinha vidros nas janelas.

Ônibus preparado para o calor…

A cidade em si não e tao interessante, apesar de ter alguns canais cortando o centro, ainda tem cara de uma vila suja. As primeiras vacas começaram a aparecer nas ruas, alem de cores e muvuca. Esqueçam a arquitetura europeia de alguns casarões de Fort Cochi, ali estava com mais cara de Índia mesmo. Demos umas voltas e pesquisamos sobre os passeios de barco disponíveis para as famosas “Back Watters”. Barco a motor, canoa, ferry e barco casa. Difícil de escolher quando cada um fala das diversas vantagens do produto vende. O barco casa parecia mais interessante, apesar de não passar pelos canais menores e do preço mais elevado. Deixamos algumas opções na manga, e na manha que faríamos o passeio eu e o Inri saímos para fazer uma ultima negociação. No caminho encontramos um cara que ofereceu sua casa barco, cortando os intermediários ficaria muito mais barato. Subimos na moto dele e fomos dar uma olhada. Foi aprovada e logo estávamos lá com nossas bagagens navegando calmamente por Backwatter. Tinham 2 quartos para nos, uma sala com tv e dvd e um terraço. Na tripulação tínhamos nos 4, o capitão, o cozinheiro e um ajudante. Comidas maravilhosas (em grande quantidade, não para passarinho como em Halong Bay), frutas, chá. Aquela vida dura, passando por paisagens fantásticas, pequenas vilas, canais, lagos. O programa foi muito, mas muito acima da expectativa. E olha que era bem recomendado. A noite eu estava dormindo na nossa cabine quando acordo e vejo a Bibi sentada na janela. Me assustei e perguntei o que tinha acontecido. Ela respondeu, sem mudar sua expressão, que tinha um rato gigantesco no nosso banheiro, e que decidira fazer xixi pela janela! Hahaha. Conferi e realmente o dito cujo estava lá. Não dava para abrir a porta para ele não vir para o quarto. Rimos muito da situação no dia seguinte, e ele tinha misteriosamente desaparecido do banheiro. Uma das cenas mais hilarias da viagem com certeza foi acordar e ver a Bibi sentada na janela!!!

House Boat parecido com o nosso, mas este não tem terraço…:)

BackWater

Lago em BW

Não tínhamos muitos planos e ficamos na duvida se já íamos para o estado vizinho de Tamil Nadu ou se passávamos na praia de Varkala. Como continuava um calor de 38 graus, e teríamos que ir para outra cidade para pegar um trem de qualquer forma, decidimos pegar uma praia. Varkala fica um pouco mais para o sul ainda. E cercada de falésias vermelhas e tem um estilo alternativo. Cheia de restaurantes, cafés e lojinhas. Bem turística, com muitos mochileiros, mas como era final de semana tinham locais na praia também. No segundo dia observamos que no canto da praia indianos eram barrados por dois policiais, que ficavam apitando a toda hora. Ali só podiam ficar turistas. O primeiro sentimento e de revolta, mas logo vimos que os indianos ficam tirando fotos das gringas na cara dura, alem de ficar olhando fixamente, quase babando. Para preservar o turismo, e o dinheiro que vem com ele, acharam melhor fazer esta separação. Arranjamos um tiozinho de uma venda para cozinhar para a gente. Eu adoro frutos do mar, e tava pegando mais não comer aqueles camarões gigantes, lulas e peixes do que carne. Mas descobri porque e tao fácil de ser vegetariano aqui. As opções são intermináveis, e os temperos também. Sei que muitos não vão acreditar mas comemos um prato de couveflor (cheio de apetrechos) que estava melhor que muito camarão que eu já comi por ai! Acredite se quiser…

Falesias de Varkala

Devido ao trem lotado acabamos ficando um pouco mais que o planejado inicialmente, e deu para irmos num restaurante italiano para a Bibi matar a vontade dela. Os suíços mudaram os planos deles e resolveram pegar o trem com a gente para Mandurai- Tamil Nadu. Na estacão ferroviária fiquei brincando com uma menininha, e logo a mãe dela puxou papo com a Bibi e pintou a testa dela. Antes de virmos para cá já avisava para a Bibi que o melhor da Índia não esta nos templos, fortes, palácios e sim no dia a dia. A classe sleeper e simples, mas barata e permite esta interação. Dormimos e inacreditavelmente durante a noite esfriou, tivemos ate que nos cobrir. Chegamos bem cedo em Mandurai, cidade grande, suja e movimentada. Por sorte os hotéis ficam perto da estacão de trem, e o templo Sri Meenasshi também. Fizemos duas visitas ao templo, uma de dia quando estava muuuito quente e outra a noite, bem mais tranquila. Como tem que tirar os sapatos, tivemos que andar descalços pelas calcadas que pareciam brasas. Um falso professor, falando de um festival e tal, nos convenceu de irmos com ele e quando vimos estávamos dentro de uma loja. O “velho truque índio”!!!haha Pra quem não ta de calca, as lojas emprestam roupas para você entrar no templo, e depois tentam te vender alguma coisa. Tinham alguns turistas, mas muito mais devotos. Algumas regioes eram restritas a hindus. No fechamento do templo, um pequeno ritual com musica deu um extra para o lugar. Imaginava que o bonito portal estaria iluminado a noite, mas estava mais bonito de dia mesmo.

Mandurai

Aqui os elefantas também dão benção…

E cuidam das vacas melhor do que cuidamos de cachorros no Brasil

Ao contrario de tantos lugares que tivemos “early check in”, aqui você pode ficar no hotel 24 horas, independente da hora que chega. Descobrimos isto quando nos ligaram as 6 da manha para perguntar se ficaríamos mais um dia. Resolvemos partir e nos despedimos de nossos amigos que estavam indo para outra direção, rumo as montanhas. Pegamos um ônibus simples que foi ate Tanjore.

Chegamos naquele calor infernal, e os hotéis apesar de serem uma pechincha, eram de baixa qualidade. Rodamos um pouco ate achar um lugar decente. Nosso almoço foi servido em folhas de bananeira e não em pratos, e cada vez descobríamos mais opções gostosas de comida. O templo daqui Brihadishawara completa mil anos este ano. Não e colorido como o de Mandurai e sim só num tom. O silencio e menor numero de pessoas fez com que esquecêssemos o caos da cidade. No templo principal ficamos aguardando numa fila num corredor escuro. Dois músicos tocavam uma especie de corneta e tambor. Num certo momento paravam, um sino tocava e as cortinas la na frente se abriam, onde homens seguravam candelabros e abençoavam os fieis, que levavam suas mãos a cabeça fazendo sinal de saudação. Ritual muito bonito e interessante. Ficamos largados no gramado deste que e patrimônio da Unesco quando algumas famílias foram se aproximando. Quando vimos estávamos cercados de indianos curiosos. Tentávamos superar a barreira da língua, quando apareceu um cara que falava um bom inglês. O Hindi, língua oficial do pais, só e falado como primeira língua por 20% da população. Aqui neste estado são 70 milhões de pessoas que só falam Tamil.

Tanjore

Em Tanjore tem também um palácio, onde estão diversos museus. Na época áurea da região, foram daqui que saíram muitos dos navios que colonizaram parte da Malásia e Indonésia. Estavamos na duvida se seguíamos para outras cidades com templos, as grandes atraçõe do estado ou se íamos para um Ashram (que já tínhamos cancelado a reserva) ou ainda para o norte. Como a Bibi já esta um pouco cansada de viagens, achamos melhor passar no Ashram, que fica ao lado de uma montanha muito sagrada da Índia (Arunashala, onde o deus Shiva se transformou numa coluna de fogo). O trasporte na Índia é muito bom, vai para qualquer canto, mas o problema que as informações as vezes não são tao boas assim. Uns falavam que tinha ônibus direto, outros que tinha que fazer conexão. Nem qual das rodoviárias deveríamos ir souberam nos indicar. Acabou que pegamos horas de ônibus ate uma cidade onde deveria ter um ônibus até Tiruvanamalai, cidade do ashram, mas não tinha. Mais uma conexão ate outra cidade, onde chegamos só no final da tarde e resolvemos ficar. A paisagem era muito bonita, verde e rural, mas teve uma situação um pouco complicada. Vocês devem saber que as vacas são sagradas aqui, e estão por todos os lados. Eu correndo para pegar o ônibus, chutei uma bosta de vaca. Chutei, não pisei. Isto significa que tinha merda entre meus dedos e entre o chinelo e meu pé! So deu para jogar um pouco da nossa água mineral e limpar com um jornal onde estavam enroladas nossas comidinhas para viagens. Que situação! Na nossa parada, fizemos sucesso na cidade. Trocamos emails com um monte de gente e ficamos conversando um monte. Não devem parar muitos estrangeiros por aqui. Incrível como muitas pessoas não tem a menor ideia de onde e o Brasil. Não tem futebol (aqui o Cricket que e famoso), não lembram do Brasil. Sempre me perguntavam o que tinha de famoso no Brasil.

O campo e de futebol, mas o jogo e de cricket!!

O ultimo ônibus até Tiruvanamalai foi tranquilo. Alem de já estarmos perto engatamos numa conversa com dois irmãos muçulmanos e o tempo passou super rápido. Ela era super simples, não falava quase nada de inglês, mas era muito curiosa. Conversamos sobre muitas diferenças culturais, como casamentos arranjados, religião, o pagamento do dote por parte da família da noiva e por ai vai. Ela me perguntava assustada por que eu deixava minha mulher trabalhar fora. Se eu não queria que ela cozinhasse para mim todos os dias. Ao olhar o braco bronzeado da Bibi perguntou porque ela não adotada as roupas locais, pois aqui o sol era muito forte. O ocidente tem um preconceito muito grande com chadors, sem pensar na funcionalidade delas. Ela sugeriu que ate um Sari indiano ajudaria (não era uma sugestão religiosa, e sim pratica). Não conseguimos ficar no dormitório do ashram, mas arranjamos um lugar ali bem perto. Teoricamente funcionava com doações, mas quando falamos o quanto queríamos pagar, o cara não gostou muito. Aceitou, mas falou para não contarmos para ninguém e tal. Fizemos amizade com um casal Russo/americano que passou pela mesma historia, e estavam pagando menos que a gente. O ashram e do Ramana Maharish, um “santo” hindu que meditou por aqui durante muitos anos ate encontrar suas respostas. A Bibi vai escrever com mais detalhes sobre ele( www.tambemsai.wordpress.com ). Não tinha uma programação muito certa no ashram, como Yoga e meditação. Tinham as atividades diárias, e participava quem queria. Vários estrangeiros e tudo que e tipo de gente. Lugar bonito, nos pés do monte Arunashala, com pavoes e macacos espalhados por todos os lados. Ficamos mais amigos dos Russos de NYC, e passamos um tempo com eles. Muito gente boa eles. Fui ate fazer Ditxa, uma pratica de troca de energia “divina”. Novamente deixarei a Bibi explicar isto, pois poderá falar com muito mais propriedade. Subimos o Monte Arunashala, mas não ate o topo, pois o calor tem começado cedo. Fomos ate uma das cavernas onde o Ramana Maharish meditou. De la tinha uma bela vista da cidade, com um bonito lago de um lado e o grande templo aos pés da montanha. Durante minha estada ali, lembrava da minha avo em muitos momentos, já que e praticante de yoga a uns 45 anos e grande estudiosa de energias e afins (tanta coisa que não saberia nem explicar). Alias, foi em algum verão em Caioba, quando devia ter uns 4 anos que vi yoga pela primeira vez. Eu e a Pati acordávamos correndo quando ouvíamos minha vó fazer as respirações, esticávamos as esteiras e tentávamos imitar. Ao descobrir que teria um festival importante no grande templo da cidade lembrei na hora que ela chamaria de “milagre” (coincidências não ao acaso, não necessariamente um milagre religioso). Fomos no templo ainda de tarde, e não parava de chegar gente.

Devocao

Paineis feitos de sal colorido

Quase na hora

Filas iam se formando, devotos preparavam velas e mosaicos. Saris coloridos por todos os lados, musica, elefante dando benção. Um dos pontos altos foi quando lavavam o touro, transporte do Shiva, com leite. Os fieis iam a loucura. Novamente fizemos muito sucesso, praticamente não conseguíamos ficar sozinhos. Principalmente crianças vinham conversar e cada vez juntava mais gente. Uma super experiencia, mas na saída, com aquele empurra empurra para passar nos estreitos corredores deu aquele receio. Fácil de imaginar aquelas tragedias onde dezenas (ou centenas) de pessoas são pisoteadas. Mas estávamos celebrando o dia em que Shiva dançou no topo do monte Kailash, momento especial, de muita energia segundo eles, e os deuses estavam conosco…

2.000.000.000 Kg de bombas!!! / Despedida do Sudeste Asiático

Dois bilhões de kg de explosivos foi a quantidade de bombas que os EUA jogaram no Laos durante a chamada de Guerra Secreta, que ocorreu entre 1964 e 1973. Teoricamente os EUA não estavam em guerra com o Laos, estavam somente atacando os norte vietnamitas que cruzaram a fronteira para se esconder nas matas do Laos (imaginem se a Inglaterra bombardeasse o sul do Brasil para acertar Argentinos que estivessem cruzado a fronteira para se esconder), e acabar com uma das rotas do Ho Chi Min. Isto faz com que o Laos seja ate hoje o pais mais bombardeado da historia.Foram diversas missões, com gastos de alguns milhões de usd por dia para os cofres americanos. Mas o custo maior foi para o povo do Laos, não só na época mas ate hoje. Em torno de 30% das bombas não detonaram na sua queda, mas muitas delas continuam explodindo. O Laos e um pais muito pobre, e a população rural vê as bombas não detonadas como uma oportunidade de ganhar dinheiro, vendendo o metal como sucata. As principais vitimas são as crianças! Neste período também existia uma disputa de poder interna, e o bombardeio americano só fez com que a população apoiasse cada vez mais o lado comunista, que em 1975 assumiu o poder, que mantem ate hoje. O pais se manteve fechado por muitos anos, mas tem tentado seguir o caminho “comunista mas ganhando dinheiro” de seus vizinhos China e Vietnã, mas ainda esta engatinhando, e ainda deve demorar muitos anos para colher os resultados. A primeira resposta já veio: o turismo tem aumentado significativamente.

Pouco depois do sol nascer já estávamos pegando um pequeno barco para atravessar o rio e fazer a imigração no Laos. Não sou muito chegado a uma embaixada e sempre que e possível tirar o visto só na fronteira opto por isto. No caso do Laos foi meio roubada. Como todo pais comunista era uma burocracia gigante, e a fila de estrangeiros não era muito menor. Um oficial olhava os passaportes e separava em pilhas, enquanto batia alguns dados na maquina de escrever, outro preenchia os vistos um a um e colava no passaporte, enquanto outro ainda separava o papel da imigração. Não, depois de tudo isto não estava pronto! Tinha que ir no guichê ao lado para ganhar o carimbo. Depois de uma boa espera fomos comprar uns mantimentos e ir ate o barco. Na parada num restaurante onde estavam organizando tudo, nos alertaram que a cidade onde pararíamos para dormir (seguiríamos por 2 dias de barco ate Lung Prabang) era muito pequena, e com pouquíssimas opções. Contaram de pessoas que ficaram sem hospedagem no passado e tal. Sabia que estavam exagerando, mas mesmo normalmente não reservando com antecedência, decidimos garantir para não nos preocuparmos, ate porque o preço estava ok pela qualidade do hotel. Assim que chegamos no barco onde passaríamos os próximos dois dias, arranjamos um banco, que alem de não ser muito confortável, não tinha muito espaço para os pés. A medida que o barco foi ficando super lotado, ficamos gratos de ter pelo menos um banco desconfortável. Umas duas duzias de pessoas tiveram que setar no chao. Houve um inicio de revolta para conseguir outro barco, e novos passageiros se recusaram a entrar. Alguns poucos se levantaram do chao e foram para fora, mas a maioria ficou. Inacreditavelmente surgiu outro barco, e os corajosos revoltos foram bem folgados. Não vi nenhum colete salva vidas, portanto não seria o numero de pessoas que causaria uma tragedia. Sabia que o nível do rio Mekong estava baixo, mas não imaginava que estaria tao seco. Logo percebemos que caso o barco afundasse não passaria do nível do beiral do barco, e não duvido que pudéssemos sair andando. Em muitos momentos o barco raspava no fundo de areia. Fomos navegando por bonitas paisagens, grande parte por matas intocadas. Confesso que achava que seria um barco mais “local” e não praticamente só com turistas. Vimos ate uma família simples do Laos ter que se levantar para dar lugar aos turistas. Já chegando o final da tarde o barco atracou, e nos falaram que teríamos que seguir por terra, pois não passaria pela parte rasa que tinha a frente. Subimos as dunas com as mochilas e la em cima tinha uma caminhonete esperando. No caminho presenciamos um senhor discutindo com um cara do Laos que tinha carregado sua bagagem e estava cobrando mais que o combinado, inclusive tentando levar a mala de volta. O preço da caminhonete estava bem acima do justo, e todo mundo foi andando mesmo. Eles falavam que demoraria de uma a duas horas e tal. Depois de uma certa negociação, eles vendo que não teriam passageiros, acertamos um preço justo para o trajeto. A caçamba foi lotada, principalmente com o pessoal mais velho. Umas 4 ou 5 subidas e descidas íngremes, não mais que 10 minutos na desconfortável caçamba (com um cara sendo segurado pela cinta para não cair) pararam falando que havíamos chegado. Quando percebemos vimos que chegamos juntos com o pessoal que veio a pé. Apontavam em direção ao rio e la fomos nos. Eu tentava perguntar onde era a pousada que tinha reservado e só me falavam que era bem mais para frente, pelo menos uma hora de barco. No caminho um senhor de mais de 70 anos caiu ao descer os íngremes barrancos. Passei a ajuda-lo e carregar sua mochila também. Chegando na praia muitas fogueiras, musica alta e algumas barraquinhas de comida com luzes improvisadas. Tinham esteiras espalhadas pelo chão e todos já iam se acomodando. Fui perguntar sobre o barco e falaram que só sairíamos no dia seguinte, pois não dava para navegar no escuro. A Bibi ficou revoltada quando descobriu que teríamos que dormir ali. Fui falar com um cara que parecia que estava organizando a “festa” e ele não foi nem um pouco simpático. Falei do hotel reservado, e da situação do senhor que tinha caído 3 vezes e tal. Ele gostou menos ainda e passou a gritar comigo, falando que tínhamos sorte de ter comida, água e fogo blablabla. Mantive a calma e falava para ele relaxar, falar feito gente mas não dava certo. Discuti bastante com ele a partir disto. Tentei ganhar o apoio de um pessoal que já estava se deitando e tomando uma cerveja para boicotar o lugar (já tinham boicotado a caminhonete por achar injusto), mas para minha surpresa um cara mandou eu ficar na minha e aproveitar a cerveja. O que nos revoltou e que aquilo tudo tinha claramente sido planejado, tipica armadilha para turista. Prepararam tudo para vender comidas e bebidas a preços de turista. Depois de ter dormido no deserto entre Somalilândia e Djibuti com o carro encalhado, e também na beira da estrada na parte mais selvagem do Moçambique com o transporte quebrado, não tive como ficar quieto. Não me prorroguei na discussão com o “fazido” europeu, só o chamei de “cool hippie” e para ele aproveitar a “super aventura” dele. Não sei se ele entendeu, mas ficou quieto ao ver o senhor que tinha se machucado ser xingado e até empurrado ao ir reclamar. Tínhamos ouvido maravilhas do povo do Laos, de pessoas que viajaram por muitos países, mas provavelmente o aumento do turismo esta trazendo problemas também. Arranjamos um lugar numa das esteiras, próximo a uma fogueira. Comemos numa das diversas opções de refeições e tomamos uma gelada cerveja. Isto que estávamos no meio do nada, a vilazinha mais próxima que passamos tinha meia duzia de casas de madeira. Estranho não?! Crianças passavam recolhendo garrafas e restos, quando passei a brincar com eles. Primeiro mostrando as tatuagens, que eles adoram, e depois com aquela brincadeira do tapa na mão, que tem que tirar antes do outro acertar. Juntou mais de uma duzia e eu ficava desafiando todos, fazendo caretas e barulho de monstro. Ate amarrei uma faixa nos olhos para jogar de olhos vendados. Arranquei varias gargalhadas e eles amaram, mesmo não conseguindo se comunicar, pelo menos não por linguagem. Como teríamos que acordar junto com o sol, a Bibi já foi se agasalhando e se cobrindo com uma fina manta que temos. As mochilas foram usadas como travesseiro. O orvalho da madrugada aumentou a sensação de frio, que so terminou com a vinda do sol. Uma pequena cachoeira ao nosso lado fazia o único barulho da noite.

Rio Mekong

Subindo as dunas

Boa noite!!

De manha pegamos outro barco até Pak Beng onde estava nosso hotel. Pedimos para nos esperarem e fomos tentar pegar o dinheiro de volta. Chegando la falaram que não era culpa deles, e que poderíamos ficar la aquela noite, mas que não dariam o dinheiro de volta. Eu e um outro cara pedimos com uma super simpatia, insistindo e implorando, dizendo que não estava certo. Chegou um gordão e falou para irmos embora que não ganharíamos nada. Quando ele falou que estava la no “acampamento” no dia anterior nos revoltou. Realmente era bem perto, ele pode ir la ganhar dinheiro dos “troxas” e nos não podíamos ir ate o hotel. Falamos que íamos colocar na internet, que era tudo planejado e tal. O cara ficou louco e veio para cima de mim gritando. Eu peitei ele e gritei de volta quando ele me perguntou: “Vai fazer o que agora, boxear comigo?” Eu respondi no maior espirito filme de hollywwod: “ Isto seria uma tarefa muito fácil para mim, mas hoje so vou levar o dinheiro…” haha Como falou que não tinha dinheiro, sugeri que nos desse alguma coisa do bar/restaurante. Ele liberou 5 itens, independente do valor, mas que e claro que era menos que metade do que pagamos. Peguei 5 garrafas grandes de cerveja, por ser o produto mais caro. De volta ao barco, trocamos duas cervejas por refeições, bebidas e salgadinho. Não tinha mais o que fazer e tomamos as outras 3. Quentes? Claro que não, negociei de trocar por geladas e eles ficarem com o casco. Assim passou mais um dia navegando, por paisagens ainda mais bonitas. Ficamos batendo papo com um pessoal que tínhamos conhecido na noite anterior e fazendo novas amizades. Uma forte chuva veio, coisa que fazia tempo que não víamos. Foi o tempo de colocar as lonas na lateral do barco para já passar. Nas margens as poucas pessoas que víamos estavam ou estendendo redes de pesca ou garimpando. Alias vimos muitos garimpeiros, mas não consegui entender se era ouro ou alguma pedra preciosa.

Chegamos em Luang Prabang já no inicio da noite, e foi só achar um hotel para um merecido descanso. As vezes acho que a Bibi implica um pouco com um ou outro lugar que ficamos, mas tive que tirar o chapéu para ela. A revolta de dormir numa esteira (sorte que ela agora tem um colchonete de yoga), sem nem barraca foi a primeira reação, mas quando viu que não teria outra saída, encarou super na boa. Não foi a primeira vez que percebo isto.

Luang Prabang e uma pequena cidade, muito charmosa na beira do rio Mekong. E patrimônio da Unesco e tem dezenas de casarões franceses antigos (lembram que Laos era parte de Indochina, colonia francesa?) alem de muitas estupas e templos budistas misturados. O centrinho e super astral, mas minusculo. Existem também diversas cachoeiras e cavernas nos arredores da cidade. Não posso dizer que fizemos muito por la a não ser pular de café em café, ate chegar hora de um happy hour e por ai vai. Durante os dias encontrávamos algumas pessoas do barco, batíamos papo, trocávamos informação e o tempo ia passando. A Bibi curtiu umas lojinhas e cidade apesar de pequena já tem uma boa estrutura para estrangeiros. Tem um mercado noturno com varias opções de comidas, e a influencia francesa deixou muitos sanduíches feitos com baguetes. Achamos curioso que existe um toque de recolher a meia noite. Todas as pousadas fecham as 23 horas. Os viajantes mais festeiros não gostaram muito da ideia. Existe uma lei que você não pode fazer sexo com outra pessoa que não seja casado, seja ela do Laos ou estrangeira. Esta inclusive escrito nas regras dos hotéis, pregadas atras das portas. Diz a lenda que teve gente que já foi presa por isto.

No Laos o Budismo e muito forte também. Um dia eu acordei as 5 e maia da manha para ver as famílias oferecerem comida para os monges. Eles vem caminhando em pequenos grupos com suas vasilhas, recebendo as comidas. Quando param para pegar, diferentes grupos vão se encontrando, formando longas filas. E assim e o inicio das manhas, com monges indo para cima e para baixo. Em alguns lugares vi eles abençoando as famílias com mantras. Muito astral, e o lugar da um super clima.

Clima diferente tinha a nossa próxima parada, Vang Vieng, a algumas horas ao sul dali. Outra cidade ao lado de um rio, mas o clima ali e de festa. O famoso toque de recolher do pais não funciona direito, e duvido que a gringarada se preocupe com as outras leis também. No primeiro café que paramos, cheio de almofadas para ficar largado, veio o cardapio de bebidas e outro de drogas. Pode-se escolher opio, maconha, chá de cogumelo e por ai vai. Para estranheza do garçom, a Bibi pediu um shake de banana com café e eu um de melancia. Um pouco mais ao lado tinha uma placa colorida com uma seta apontando para onde seria “neverland”, a terra do nunca. Encontramos um escocês gente boa do barco que estava por ali uns dias e foi nos contando como que funcionava tudo. Deixou bem claro que era uma loucura. Ainda era estranho para nos imaginar, pois as ruas estavam vazias, e nos estávamos numa pousada tranquila de frente para belíssimas montanhas estilo as de Halong Bay. Mas sabia da reputação do lugar já a um bom tempo. Final de tarde o pessoal começou a voltar do rio onde fazem “Tubing”, e grupos de pessoas pintadas, enfaixadas, cantando, ficaram mais frequentes.

Vang Vieng o estilo e outro. São casas e pousadas simples, com diversos bares, cafés, restaurantes baratos e agencia de viagens. Entramos no clima e fomos pegar uma noite num dos bares mais famosos, ate porque era aniversario do escocês. Musica alta, galera dançando e bastante doidões. A bebida principal e um baldinho de wiskey, que pode vir com coca, energético e outros acompanhamentos. Tomamos nosso primeiro baldinho e nem achamos forte. Depois que ficamos amigos de um casal sueco, e eles completaram nosso segundo baldinho com wiskey que a coisa começou a desandar. Uma pista de dança que mais parecia um palco passou a ter nossa presença, e cantamos e dançamos abracados com nossos novos amigos. Não preciso nem dizer que dormimos a manhã seguinte inteira, né?!

Bibi e seu “baldinho”!

O inicio já tinha sido pesado, e nem tínhamos ido ao “Tubing”. Ficamos na duvida se íamos só no rio ou se pegávamos as boias para descer o rio. Resolvemos pegar as boias para fugir da muvuca. Pra quem acha que o Tubing e que nem descer o rio Nundiaquara de boia esta muito enganado. Fomos de tuk tuk ate o ponto de partida, onde já dava para ver a primeira dezena de bares. Te recebem com uns shots de bebida gratuita (que e claro que negamos depois da noitada). Cada bar com um deck, um tipo de musica a todo volume, e cheio de gente. Existe cordas onde o pessoal se balança para cair no rio, escorregadores adaptados alem de outros “brinquedos”. Logo entendemos o alto índice de pessoas enfaixadas e machucadas na rua…

Tubing!

Pulamos logo na água para fugir dali, mas tentávamos ser pescados a cada bar que passávamos. Eles jogam uma corda para você ser puxado para o bar. Tubing e basicamente isto, ir descendo o rio, e bebendo de bar em bar. Se não parar demora entre uma e duas horas, mas a maioria passa o dia inteiro, passando por todos os bares, e ate perdendo a boia na hora de voltar. Fomos sem parar em nenhum, aproveitando de outra maneira. O lugar e belíssimo, impressionante mesmo. Podem nos chamar “velhos”, “casadões” mas não voltamos nenhum dia para praticar o Tubing como ele deve ser feito, nem para os barzinhos. Não por acharmos que não valia a pena, nem por achar perigoso ou algo do tipo. Simplesmente porque arranjamos outras coisas para fazer. Arranjamos um lugar belíssimo em uma parte tranquila do rio onde passamos um dia todo e em outro fomos caminhar pela parte rural ate algumas das cavernas. A Bibi já tinha ido em cavernas estruturadas, com iluminação, corrimão, mas nunca numa caverna selvagem. Estas cavernas foram muitos utilizadas em guerras no passado, e nos com lanternas rastejamos por vãos, nos espremendo por passagens ate grandes salões. Difícil foi explicar para a Bibi que não daria para sair, e teríamos que voltar todo o longo caminho. Entendi quando ela resolveu me esperar do lado de fora. Meu “guia” era uma criança de não mais que 12 anos, que andava dentro das cavernas como se estivesse no seu playground. Voltamos por aquelas estradinhas de terra, cercadas de montanhas, com aquela ótima sensação de ter feito exercício e estar num lugar tao bonito.

Ainda demos uma saidinha de noite para nos despedirmos do local. Parece que tinham mais loucos, tinha ate gente dando cambalhota. Descobrimos que o escocês não saiu no dia do seu aniversario porque tomou um chá de cogumelo e a cara das pessoas passou a derreter na frente dele. Depois disto foi seu intestino que derreteu e ele passou as 3 primeiras horas do seu aniversario curtindo uma diarreia no banheiro da sua pousada… Tomamos só uma cervejinha, então estávamos totalmente fora do ambiente. Vieram umas loucas falar com a gente e tivemos que despistar e fugir para o hotel…haha comedia!

Quando estava pagando a pousada para ir embora, vi o dono com uma camiseta de futebol do Laos. Perguntei se ele não queria trocar por uma do Brasil e ele aceitou na hora. Batemos papo ate a hora de eu sair e perguntei quem era o jogador numero 4, a camisa que agora era minha. Ele respondeu sorridente que era ele, pois era camisa do time local, não da seleção…haha

Com o “camisa 4”!!!

De la para Vietane são mais um punhado de horas. A capital do Laos e minuscula, e não tao interessante como Luang Prabang. Ate o rio que deveria dar um charme estava seco e estão fazendo um aterro ou algo assim. Como já tivemos overdose de templos não fomos nem visitar os principais. Demos uma caminhada pelo centro e fomos ate o centro de reabilitação, onde tem uma exposição bem interessante sobre os bombardeios americanos, alem de diversos videos. As bombas se abriam e dentro continham centenas de bombas menores, cada uma com um poder de destruição de um raio de ate 30 metros. O numero de bombas jogado foi maior que a população do Laos na época. No ritmo que estão levando para limpar as áreas com bombas não detonadas, ainda vai demorar centenas de anos para que a região fique segura e não ocorram mais acidentes. Muito, mas muito triste…

De Vietiane pegamos um voo para Kuala Lumpur. Ficaríamos 24 horas la ate pegar o voo para a próxima etapa da viagem, então fomos ate a querida Chinatown. Interessante que KL foi nossa porta de entrada do Sudeste Asiático, e acabou sendo também a de saída, gracas aos preços baixíssimos das passagens da Air Asia. A Bibi teve uma reação alérgica, provavelmente de uma cera de depilação e ficou toda inchada. Já tínhamos conseguido remédios, mas como estávamos com tempo depois do check in no aeroporto resolvemos ir ate o ambulatório. Como o medico estava no outro aeroporto, nos levaram de ambulância ate la. Tudo ok, só novos remédios que fizeram o rosto e as mãos desincharem.

Quase 4,5 meses tinham se passado, e estávamos saindo do sudeste asiático. Um lugar muito gostoso, com um leque de coisas totalmente diferentes para se fazer. Culturas e comidas fantásticas! No geral bastante turístico, mas isto não significa que não existam varias regiões para serem exploradas. Como foi bom descobrir que a Indonésia e ainda mais legal que eu imaginava, reencontrar com a Tailândia e descobrir um novo pais “daqueles” como o Mianmar! A beleza natural do Laos, os Orangotangos e mergulhos em Borneo, cultura e beleza do Vietnã e a modernidade de Singapura. Saímos com a certeza de que voltaríamos, não só porque ficaram lugares para conhecermos, (sem contar países inteiros, perdão Filipinas), mas para voltar para os mesmos deliciosos lugares que estivemos.

Assim como os portugueses fizeram a mais de 500 anos, estávamos a caminho das índias…

Ano novo chines na terra dos livres.

A Tailândia, passou por diversas guerras e invasões no passado, quando ainda era chamada de reino do Sião. Eram batalhas com o Império Kremer, hoje Cambodja, e com a Birmânia, alem dos chineses. Tudo isto, junto com a grande esperteza do rei, fez com a Tailândia moderna nunca fosse colonizada por países europeus, ao contrario de todos os seus vizinhos. Não e a toa que e chamada de terra dos livres (Thai + Land). Com isto, a cultura do pais e unica, e não segue os padrões ocidentais.

Existe uma grande tolerância para as diferenças, e um fato muito interessante e a integração dos LadyBoys na sociedade. O país é o numero um na cirurgia de troca de sexo, e os ladyboys atendem nos restaurantes, caixas e em qualquer cargo publico ou privado, sem nenhuma discriminação.

O rei, que com sua hábil negociação, cedeu algumas terras para um, fez acordos com outros, e foi se acertando com todo mundo. Depois de mais de 60 anos no poder ele continua quase uma unanimidade. Na verdade existe uma oposição, mas a massa o adora e existem posteres e quadros dele em qualquer biboquinha. Teoricamente ele só tem um poder figurativo, assim como a rainha do Reino Unido, mas na pratica não e bem assim. Em 2006 o exercito deu um golpe de estado, derrubando o primeiro ministro, que não se acertava muito com o rei. Adivinhem quem comanda o Exercito? Pode não ser algo muito democrático, mas que todos os tailandeses devem muito a vossa majestade, devem, e eles sabem disto.

O voo de Yangon era para Bangkok, mas só faríamos uma conexão seguindo para Chiang Mai. A espera no aeroporto acabou sendo muito prazerosa, pois encontramos o Vicente, sócio da Pati na Pulp e nosso amigo ha muuitos anos. Ele estava vindo do Vietnã, rumo a Hong Kong e deu tempo de almoçarmos juntos e batermos papo. Nos meus links da para ir direto para os videos de viagem da Pulp, que são muito legais, cliquem la.

Nos com o Vicente almoçando no aeroporto de BKK

Em Chiang Mai, do aeroporto ate a pousada foi tranquilo, pois já era a terceira vez que chegava na cidade. Ficamos na mesma pousada que fiquei em 2004, com um super jardim e musica ambiente. A pousada e bacana, uma quadra do Thapa Gate. Um ponto desagradável, mas curioso, foi que um rato roeu a mochilinha da Bibi para pegar comida que tinha dentro. Quando a Bibi foi reclamar para o dono ele falou que tinha ratos sim, devido tanto mato no jardim, mas a linha do Budismo que ele seguia, fazia com que não pudesse praticar nenhum mal contra os animais. Contou que antes tinham cobras, e ele tinha que conversar com elas para irem embora.

Foram dias tranquilos, aproveitando o Festival das Flores que estava acontecendo, e com isto a feirinha de final de semana estava muito maior, e tinha ate um palco com apresentação de danças. As comidas da feirinha são algo a parte. Dezenas de pratos diferentes a preços baixíssimos. A partir de 30 centavos de real já dava para comer alguma coisa. Aproveitei para ir em mais uma luta de Muay Thai, mas não era num ginásio próprio, e sim no meio de bares, onde turistas bebiam e se preparavam para a noitada. Nesta região de bares vi os insetos fritos para vender, que degustei na primeira vez que vim para cá. Se engana quem acha que tem em tudo que e canto. O lugar mais fácil de achar e justamente onde estão os estrangeiros bêbados, provavelmente os maiores comedores de insetos da Tailândia!!

Comida boa!

Comida de bêbado!

Mais Muay Thai

Tínhamos vindo pra Chiang Mai para dar entrada no visto para a Índia, pois o consulado aqui era bem mais tranquilo que a Embaixada em Bangkok. Mesmo o motorista do tuk tuk tendo se perdido com a mudança de endereço do consulado, conseguimos chegar cedo la e encaminhar tudo. Demoraria 5 dias uteis, portanto uma semana. Pegamos o primeiro ônibus que conseguimos para Pai, um cidadezinha mais ao norte do pais, já próxima da tríplice fronteira (Tailândia-Myanmar-Laos). Pai já foi um daqueles segredos, cidadezinha super gostosa no meio das montanhas, mas foi descoberta, e esta crescendo bastante. Hoje e bem turística, mas preserva seu charme. Muitos estrangeiros vem para cá e ficam, portanto virou meio que um lugar Hippie. Muitos vivem de pintura, musica, artesanato e por ai vai. Cada um se vira como pode e vai ficando. Lojinhas descoladas estão surgindo aos montes, e os padrões dos hotéis também estão aumentando com o fluxo de turismo. O ponto alto do lugar e a natureza, pois o visual e incrível. Todos vem para fazer treking, rafting, visitar vilas de minorias étnicas, cachoeiras, etc. Nos tínhamos outros planos. Eu já tinha entrado em contato com o campo de treinamento de Muay Thai e ficaria treinando boa parte do dia. A Bibi ia fazer yoga e para não ficar entediada arranjamos uns cursos para ela. Meu dia a dia era treinar, descansar e treinar de novo. O da Bibi era Yoga e curso de culinária tailandesa, Yoga e curso de massagem tailandesa, ou Yoga e mais Yoga. Claro que de noite dávamos umas voltas pelo centrinho, que e todo movimentado, mas nada de dormir tarde. O treino era bom, mas bem menos puxado que os que fiz da outra vez, mas mesmo assim passava de cinco horas de treino diarios. São vários treinadores, sendo que o principal já foi campeão no Lumpinee em Bkk. Tinha desde iniciantes que estavam tendo o primeiro contato com o Boxe Tailandês, ate lutadores profissionais que vieram aprimorar suas técnicas. Claro que eu não tava na melhor forma física, pois na viagem não pratico nenhum esporte regular, mas me empenhei. Pra ser sincero depois de uns dias, com os muculos todos doloridos, e já sem os pelos na canela, pensei: Porque estou me empenhando tanto se poderia só me preocupar com a parte técnica? Até dei uma relaxada depois disto. No sábado é dia de sparring, coisa que não e muito comum nos treinos tailandeses (pois eles lutam muito e não podem estar machucados), mas devido ao grande numero de estrangeiros que tem por aqui. Fui lá e foi bacana. Só teve um lutador francês que quis “ver o lado”, e posso dizer que ele ganhou o que queria…haha Comecei a soltar o jogo e o pessoal elogiou bastante. Ponto alto para quando derrubei o treinador ex-campeão duas vezes. Recebi uma proposta firme para ficar dando aula de MMA e BJJ ali, mas recusei. Mandei um email para alguns amigos no Brasil, para ver se alguém se candidata, mas ate agora nada. Não sabem o que estão perdendo…

treino duro

Lugar astral

Rango da hora!!

Sera que aprendeu?

No meio das montanhas…

Etapa treino superada, os deliciosos chás de gengibre que sempre tomávamos a noite foram trocados por geladas cervejas. Voltamos pelas dezenas de curvas ate Chiang Mai, para o Ano Novo Chines. E o terceiro ano novo que passo em menos de cinco meses (ano novo etíope, o nosso e agora o chines). O ano novo chines tem calendário móvel, pois e baseado nas fases da lua. A Tailândia segue outro calendário, mas devido o grande numero de imigrantes e descendentes chineses, comemoram o evento aqui também. Nosso visto para a Índia ficou pronto e deu para se despedir da comida tailandesa com as trocentas opções da feirinha. Ficamos mais um dia para eu ver dois dos meus companheiros de treino lutarem. Em tantas lutas que tinha assistido aqui, ainda não tinha apostado nenhuma vez, pratica muito comum. Já tinha gastado um dinheirinho em cerveja quando decidi recuperar numa aposta na luta principal da noite. Quando não tava colocando dinheiro, estava acertando todos os palpites, baseado na aparência dos lutadores e pelo primeiro round. Na ultima luta conhecia o irlandês, que lutaria com um tailandês. Não que achasse ele um super lutador, mas tinha nocauteado nas suas duas ultimas. Apostei nele só por ter treinado junto, e perdi!! A cerveja que eu queria “recuperar” acabou saindo o dobro…haha Como a Bibi citou o livro da Elizabet Gilbert “Comer rezar e amar”, não tive como não lembrar do livro “versão masculina” “Beber, jogar e foder”. Depois que o cara descobre que e corno vai para a Irlanda para beber, Las Vegas para jogar e Tailândia para o resto. Mal ele sabia que poderia fazer os três na Tailândia!!hahaha

Muvuca na rua

Se não tivéssemos que pegar o visto para a Índia, poderíamos ter ido direto de Pai para o Laos já que era pertinho. De qualquer forma não estávamos muito longe, e pegamos um ônibus até a fronteira, onde passaríamos a noite.

País dourado!!

A Birmânia é um antigo inimigo da Tailândia.  O Burma vivia invadindo o Sião (antiga Tailândia) e a rivalidade existe ate hoje. Tipo um Brasil x Argentina, mas com a diferença de que o Myanmar e muito mais subdesenvolvido. Seria mais fácil imaginar um Tailândia x Vietnã  ou Tailândia  x Malásia.  Ninguém na Tailândia entendia porque iriamos para o Myanmar, até nos desencorajavam. Lembro que no início dos anos 90 via videos de desafios do Boxe tradicional da Birmânia contra o Boxe Tailandês em videos lá na academia Chute Boxe da rua Visconde do rio Branco. Por onde passava procurava um lugar para aprender esta forma antiga de combate, mas e muito difícil, pois não e comercializado, não virou um “esporte” como o Muay Thai.

Mandalay não e uma cidade muito atraente. Se já estava dando o adjetivo de empoeirada para outros lugares, aqui e o campeão. As atracões, algumas antigas capitais, ficam ao redor da cidade, e resolvemos fazer com calma, em vez de pegar um carro e ir em todas as cidadezinhas no mesmo dia. Os lugares preferidos foram Amarapura e Sagaing. Na primeira tem diversos monastérios, um lago com um longa ponte de Teca, onde vimos um super por de sol com um passeio de barco. Já Saigang tem uma colina com centenas de estupas, e e uma região famosa para meditação. Fomos sempre de transporte local, o que só em si já era uma aventura. Nos divertíamos com o pessoal. Em Mandalay tem um templo bacana também  daqueles que as mulheres não podem se aproximar do altar principal. Gostamos de visitar um monastério antigo todo feito de Teca, onde a Bibi aproveitou para tirar duvidas sobre Budismo e Meditação com um monge. Ficava numa região com muitos monastérios  então eram dezenas, se não centenas de monges para cima e para baixo. Ao pedir informações acabamos fazendo amizade com um deles que fez questão de nos levar no monastério dele para conhecermos e vermos a hora da meditação e mantras.

Monges e seus mantras

Final de tarde “da queles” em Amarapura

Vista de dentro dos transportes

Sempre cabe mais um!

Andamos bastante de Triciclos também  e desta forma fomos ate um café indicado, para comemorar o aniversario da Bibi. Lugar super descolado, decoração  câmeras de segurança  muito acima da expectativa. Como era um lugar com iluminação indireta, trouxeram um “abajur” para lermos o cardápio  Não e que era um abajur de camelo, em forma de gato, com etiqueta de preço e tudo!!!haha Quase não acreditamos. A Bibi falou que o banheiro não era la estas coisas, e não tinha toalha, só papel higiênico para enxugar as mãos. Mas a comida estava boa, e estão quase la. Haha

Depois de alguns cafés da manha juntos, trocas de informações de viagem, por coincidência estávamos pegando um ônibus junto com os alemães  Desta vez para Pagan, um dos maiores complexos de templos do mundo, com mais de 4000 estupas. Mordemos nossa língua  e acabamos ficando muito amigos do casal, tendo ate ido jantar algumas vezes juntos. Pagan teve seu ápice a quase 1000 anos atras, e sua beleza e unica. Já estávamos de saco cheio de visitar templos (isto que sou chegado num templo, estupa, igreja, mesquita…), e para nossa surpresa eles não eram tao interessante. Deixa eu explicar melhor. Poucos dos quase 4500 templos tem estatuas diferentes, pinturas, pedras entalhadas. Estes são muito interessantes, mas o legal mesmo e pegar uma bicicleta e andar pelo meio deles todos. Montamos dois roteiros para olhar os principais, e nos outros dias foi meio que sem destino. Parava onde dava vontade, repetia os mais legais, e subíamos terraços dos que tinham acesso. Muitos deles por corredores escuros, onde a lanterna foi muito útil.  Isto era a parte mais legal, descobrir um super templo, sem ninguém  para ver o visual e o por de sol. Sempre voltávamos já de noite, pois nos perdíamos no horário devido tamanha beleza. Um dia, na volta para o hotel, fomos surpreendidos por uma lua cheia gigante, amarelada, levantando por trás das estupas ponte agudas. Momento Mastercard!! A Bibi que andava meio triste com a crise dos 30, cantava sem parar, andando de bicicleta com os bracos para o lado e escutando musica…

Rodoviaria de Mandalay

Pagan!!

Um dos mais de 4000 templos

Precisa falar alguma coisa?

!!!

Íamos para outros lugares no Myanmar, mas gostamos tanto que resolvemos ficar mais tempo em Pagam. Pessoas chegavam, iam e nos lá. Tem um boa seleção de restaurantes, e a Bibi podia comer comida italiana, já que não se adaptou a culinária local. Num destes dias, por acaso, encontramos a Marlinda, nossa amiga e companheira de viagem da Indonésia !! Como o mundo e pequeno!! Fizemos vários passeios juntos e jantamos alguns dias também  Legal que ela e psicologa, faz Yoga, se dando super bem com a Bibi, alem de ser largadona, fazer treking, viajar sozinha de mochila, se dando muito bem comigo. Há, alem de pegar no pé da Bibi!!haha Estas coincidências me fez lembrar que em 2001 conheci um americano e um brasileiro em Amsterdam. Semanas depois, por acaso, encontrei o americano na rua em Barcelona. Já o brasileiro, encontrei 8 meses depois, numa festa, em San Diego. O mundo e mesmo pequeno! Fizemos planos de quem sabe encontrar a Marlinda novamente na Índia  alem dos alemães  já que e destino de todos nos, só com chegadas em datas diferentes. Os alemães já passaram 5 meses e meio lá, e estão voltando para mais 2 meses.

Nos com a Marlinda no terraço de um dos templos

Estas estradas de terra nos renderam 2 pneus de bicicleta furados

Nossas “magrelas” ali em baixo

Aqui, antes da chegada do Budismo, todos acreditavam em “Nats”, que são espíritos em formas humanas, mas que podem aparecer em animais, plantas e outras formas. E uma religião  ou crença  muito interessante, mas infelizmente pudemos aprender pouco, devido a falta de informação em inglês  e da fraca comunicação dos devotos. Fomos ate o Mt Popa, montanha com um monastério pendurado no topo. Muito bonito de baixo, mas a vista de cima não e tao bonita, pois a terra e totalmente plana. Este templo e budista, mas assim como na maioria dos lugares, a devoção se mistura com os Nats, tendo imagens de todos. Este e inclusive um dos lugares mais sagrados do Nat. As longas escadarias estavam enfestadas de macacos, e suas respectivas fezes. Vimos algumas engraçadas cenas de macacos roubando comida de turistas desavisados.

Mt Popa

Tava bom, mas tínhamos que voltar. Pegamos as péssimas estradas, e observamos mulheres e jovens  trabalhando pesado ao produzir e carregar cascalho para as novas estradas. No ônibus todo o corredor estava lotado de passageiros, sentados em banquetinhas de plastico. Em Yangon já tínhamos endereço, pois adoramos a hospitalidade do primeiro hotel. O bom daqui, e vários outros lugares que passamos, que se chegar as 4 da manha por exemplo, vai pagar a diária so do dia seguinte. E sempre erly check in.

Corredor do ônibus top de linha.

Tínhamos que ir no mercado e fomos num que ficava em um shopping. Muito diferente a parte “moderna” deles. A Bibi ficou estudando no hotel e eu fui no YMCA, onde anunciavam aulas de Kick Boxing. Tinha a esperança de que fosse o Burmise traditional boxing. Cheguei la na hora do treino e não tinha ninguém  Aparentemente não teria treino por algum motivo. Peguei o endereço de outro local onde este treinador dava aulas, mas não me pareceu muito profissional. Na saída conheci o Aungpyi, que adorou a historia de eu me interessar pela tradição deles. Me levou na casa dele e me apresentou para a mãe dele. Me presenteou com dvds de diversas lutas profissionais e conseguiu o carro da mãe dele emprestado. Aparentemente representante da classe media daqui, esta terminando o curso de medicina, que segundo ele e muito fraco, mas ele quer ajudar as pessoas. Rodamos para fora da cidade e quando ele contava calorosamente do seu fim de namoro acabou batendo o carro, arrancando o espelho retrovisor do meu lado. Que susto! Me levou sem eu saber no principal campo de treinamento de Burmese traditional boxing. Um galpão aberto, com quatro sacos de pancada, alguns pneus e umas espumas em colunas. Inacreditável que dois dos campeões nacionais saíram desta estrutura. Logo eles chegaram e pude fazer um treino com eles. O treinador super atencioso arranhava um inglês  e discutimos bastante sobre as diferenças para o Boxe Tailandês  alem de me mostrar vários detalhes. Me explicaram que existem poucos centros de treinamento, que a maioria dos campeões vem da região rural, e treinam em família  ou pequenas vilas. Voltei para casa feliz da vida e fomos num bar que vimos por acaso num mapa turístico.  O proprietário e neo zelamdêz, e o bar e impecável.  Difícil entender como que o lugar se paga, pois apesar de caro para os padrões locais, só tínhamos nós (com direito a escutar Bossa Nova!). Uma coisa que e difícil para o povo brasileiro entender e como as cidades grandes ao redor do mundo são seguras. Com todo o tamanho e pobreza de Yangon, nem pensamos em não levar o computador na mochila. Andamos pelas ruas escuras do centro (aqui sempre acaba a energia, daí só fica iluminado os lugares com geradores, o resto só na vela!), para comer a deliciosa pizza. Claro que o WiFi não funcionou…

Burmise traditiona boxing!

Ultimo dia de Yangon tentamos ir num suposto museu na antiga casa de Aun San, mas tava fechado e abandonado. Fomos até um parque onde ficamos sentados conversando no gramado, de gente para o lago com o Palácio flutuante. De la caminhamos ate a Swedagon pagoda, que tínhamos gostado tanto. Fiz amizade com um cara enquanto a Bibi meditava e fiquei tirando duvidas dos Nats e Budismo. Deixamos para trás os trocentos Budas deitados existentes por aqui. Enquanto a Tailândia se orgulha do Buda de Wat Pho, com seus 46 metros de comprimento, aqui eles tem de 40, 60, 90, cento e poucos metros. Mas depois de um tempo chega de Buda…

Palacio flutuante

Acordamos cedo para o nosso voo que era no inicio da manha. Claro que levantaram para preparar o café, mesmo fora do horário tradicional. Um dos funcionários ainda dormia em quatro cadeiras alinhadas, com uma lista telefônica como travesseiro, antes de acordar com um sorriso gigantesco no rosto para nos servir. O povo do Myanmar com certeza entrou para a minha lista dos Top 5 mais simpáticos do mundo, junto com Malawi, Tanzânia, Somalilândia  e Iêmen (menções honrosas para Zâmbia e Uganda). Estes dias o Pedro (meu sobrinho) falou para a Pati que queria estar do Myanmar, e eu, não queria sair sair do Myanmar…