O Aquário.

No meu retorno ao  Brasil da ultima vez, escrevi sobre “ A volta para casa e o mito da caverna” (clique aqui). O post gerou certa polemica,e foi até assunto de saudáveis discussões . A figura que utilizei para representar “casa” também teve um bom impacto.

Eu e a Bibi passamos a utilizar o termo “aquário” seguidamente entre nossas conversas, e ele definitivamente passou a ter um sentido e fazer parte do nosso “dicionário”.

Então agora, voltando para casa (estou escrevendo do Amapá, minha passagem por Curitiba foi relâmpago), nada melhor que escrever sobre o aquário.

O aquário é ruim? Claro que não, muito pelo contrario. O aquário tem a temperatura controlada, tem a ração favorita dos seus peixes, tem os peixes da família, os peixes amigos. No aquário sabemos (ou achamos que sabemos) onde estão os peixes que não são amigos, e onde é perigoso. No aquário tudo é controlado.

O nosso aquário e a Caverna de Platão têm muitas semelhanças. Ilusão? Talvez não. Digamos que Platão estava errado e as pessoas da caverna corretas. Afinal de contas, a água do aquário é tão água quanto a água do oceano. Mas também não se pode negar que o oceano é maior que qualquer “água”, e que qualquer “água” vai acabar no oceano, seja pelos rios ou pelas chuvas…

A parede de vidro do aquário, a mesma que da proteção aos “peixinhos dourados”, separam a água do oceano. Este vidro espesso, também distorce as coisas de fora do aquário, na mesma proporção que protege.

Não existe nada de errado em viver dentro do delicioso aquário, desde que não se ignore o que esta fora dele, e nunca se esquecer de que o aquário não é representativo. Um dia os tsunamis da vida podem fazer com que os “peixinhos dourados” acabem no oceano, acabando com a temperatura controlada e ração predileta.

Obs- Este post é dedicado as pessoas que nunca saíram do aquário (ou saíram, junto com uma suuper bolha protetora), que são doutores de coisas que não sabem e me perguntaram coisas como:

“vocês foram para algum lugar legal, ou tudo uma merda?”

“Eu nunca faria uma viagem que nem a de vocês”

“viajar para passar mal, to fora…”

“você deveria guardar dinheiro para teu futuro”

dentre outras pérolas…

Chegando em Casa

Tinha super pouco tempo para fazer a conexao no aeroporto no Rio de Janeiro, mas deu super certo. Algumas pessoas que eu vim conversando no voo se impressionaram com o tamanho (pequeno) da minha mochila, isto que eu nao tinha nem contado o tempo que eu tava viajando. Era estranho escutar as pessoas ao redor falando portugues, e esta sensacao continuou por mais algumas semanas.

Cheguei em Florianopolis, e tive que esperar so 15 minutos ate o voo da Bibi chegar de Sao Paulo. Os irmaos dela estavam nos esperando, e tivemos a surpresa de varios amigos para comer uma feijoada de recepcao la em Meia Praia (casa do meu sogro). Foi legal encontrar varios dos meus amigos, e ver que ate os que nao se interessavam muito pela viagem antes, escutaram algumas experiencias. Ainda nos reunimos algumas vezes, mas a semana foi bem familia, de readaptacao mesmo. Meus pais vieram no final de semana e nos levaram para Curitiba.

A chegada em Curitiba e no apartamento foi muito estranha. Era como se a semana na praia ainda fosse parte da viagem, e agora era realmente o fim. Sentei no sofa, enquanto a Bibi andava por tudo eu reclamava que ja conhecia o lugar, que nao tinha que negociar, blablabla… arrancando gargalhadas da Bibi.

Para a depressao nao bater, acordamos cedo, fomos caminhar pelo bairro, nos manter ocupados, quase num ritmo de viagem. Mas nao adianta, a tristesa veio com o tempo, ate a Bibi que sonhava com o nosso banheiro na viagem, viu que muito sao coisas idealisadas. Ai veio a ideia que ja estavamos conversando a alguns dias, por que nao viajar mais? Ficamos neste dilema por mais uma semana. Finalmente decidimos, e ja comecamos a buscar umas passagens. Porem nao demorou muito para surgirem outras ciscunstancias, e decidirmos adiar o nosso retorno a estrada.

Mais encontros com amigos, e claro que nem todos foram legais. Da mesma forma que uns supreenderam positivamente, outros foram exatamente o oposto. A briga com o “meio” passou a ser desgastante tambem, e por sorte tinhamos um ao outro para se ajudar. Alias, impressionante o que a viagem fez com nos dois como casal. A sintonia, uniao e cumplicidade que passamos a ter. A Bibi, viajando com aquela mochila pequena, e ate com pantufa pos banho, foi uma suuper companheira de viagem. Pegou como ninguem o “espirito da coisa”.

Por mais que falassemos sobre a viagem, era um tema muito distante para os outros, mas nos dois nos entendiamos. Chegou ate a gerar ciumes de algumas pessoas aqui, como que menosprezassemos a vida do dia a dia. Situacao bem complicada, pois se falassemos defendendo um ponto de vista, poderiam falar que estavamos nos “achando”, se entrassemos no “assunto comum” a cobranca era por nao termos mudado.

Jantares com amigos, convivencia com a familia, acompanhar o dia a dia dos meus sobrinhos maravilhosos, uma rotina gostosa foi comecando. Claro que tem a parte chata, renovar carteira de motorista, plano de saude, numero de celular e a lista segue…

Nao demorou muito para a Bibi voltar a dar aulas, e eu tambem ja estava com compromissos. Nem tivemos como mexer nas fotos, mas comecamos a rever os varios videos para pensar numa edicao.

Marcamos um churrasco com alguns amigos la na chacara, onde o video seria apresentado, para depois colocar aqui!

E depois da Índia?

Não sabemos direito para onde viajar depois da Índia, e um grande problema…haha

Podem nos ajudar?

Final da votacao 29.04!
Todos os destinos (menos voltar para casa!!) ja fizeram parte dos planos (que planos?), mas mudamos de ideia e o destino sera outro. O meu queridinho de quando coloquei a pesquisa era Paquistão e Irã, unanimidade de todos que vão para la…