A Pérola da África

Antes de cruzar a fronteira para a Uganda, atravessamos a linha do Equador. Percebi que já tinha viajado um bocado, pois iniciei bem abaixo do tropico de Capricórnio, além disto, minha viagem estava sendo para o Nordeste e não direto para o norte. Foi uma viagem bem tranquila. Pegamos um ônibus executivo, bem melhor que os da Tanzânia. Tinham so 3 poltronas por fileiras, tipo os nossos ônibus leito, mas as comparações param por aí. A viagem passou super rápido, e fomos apreciando a bonita paisagem.

A Uganda é chamada de Pérola da África, além de diversos outros apelidos. Local onde o turismo tem crescido consideravelmente, mas deve aumentar ainda mais. A estabilidade tem aumentado, mas ainda existem alguns graves problemas na fronteira com o Sudão. Difícil não associarmos a Uganda ao louco do Idi Amim. Para quem não lembra dele, vale ver o filme ” O ultimo rei da Escócia”, o qual fala da historia dele e da Uganda na época. Para se entender um pouco mais, a situação do pais não era melhor antes, e nem ficou melhor nos anos seguintes a esta ditadura. Só perto dos anos 90 que veio a “estabilidade” econômica, mas mesmo assim, o presidente que assumiu, e esta no poder ate hoje, e muito criticado.

Da fronteira seguimos sem paradas para a simpática Jinja. Mais uma daquelas cidades que tentam lançar como meca dos esportes radicais, mas e meio forcado, puro marketing turístico. Uma cidade relativamente pequena, mas com uma boa estrutura. Muitos visitam esta cidade só para fazer Rafting (nivel 5) na  nascente do rio Nilo. Sim uma das nascentes do Nilo, o rio mais longo do mundo, e aqui. O ônibus nos deixou na estrada, pois seguia para a capital, Kampala. Pegamos 2 Boda-Bodas, que nada mais e que uma motocicleta com pequenas adaptações para levar passageiros e bagagem (ta bom, motoboy, hehe), e fomos para um hotel indicado. Não sabíamos que no final de semana em questão estaria acontecendo a maior feira agropecuária do pais, portanto tudo tava lotado. A Bibi ficou cuidando das mochilas enquanto eu dei uma volta para achar algum lugar para ficarmos. Acabei negociando numa mansão, adaptada a hotel, um super quarto. A Bibi ficou bem feliz, e de sobra, a noite teria um casamento muçulmano no jardim, o qual participamos discretamente.

Hotel

Hotel

Casamento

Casamento

No outro dia fomos na tal fonte do rio Nilo, que aparentemente não tem nada de especial, mas tudo mudou, quando sentamos numa pedra, ficamos conversando por horas tomando uma cerveja com o nome de ” Nile Special” ! Íamos passar na feira agropecuária depois, mas já era o ultimo dia e estavam desmontando tudo, alem do mais, como a Bibi e de Chapecó, já ta cansada destas feiras…hehe (não podia perder a piada..!!)

Nile Special!!!!!!! haha

Nile Special!!!!!!! haha

Com o centro compacto, e um ótimo lugar para passear, e existem alguns bons e baratos restaurantes. Ficamos um bom tempo no hotel também, onde fizemos alguns amigos que trabalhavam la. Deu vontade de ficar mais tempo, só por causa das pessoas. Ha, ia esquecendo, quando Gandi morreu, seu corpo foi cremado, e suas cinzas espalhadas por alguns lugares. Parte destas cinzas estão no templo Indu daqui. Alias, alem de templos, tem muito restaurante Indiano (comemos num bem gostoso), e Indianos também. No inicio da década de 70, o Amin tava tao incomodado com os asiáticos, que os expulsou do pais, só com as roupas do corpo. Ele “nacionalizou” o comercio, que grande parte era de Indianos e Chineses.

Pegamos um ônibus para Kampala. Viagem tranquila, nem conversamos muito, ficamos só curtindo o visual. O motorista não nos avisou para descer no local que tínhamos pedido, e acabamos no centrão. Um caos nunca visto antes, impressionante mesmo. E para piorar, não estavam aceitando minha nota, pois tava com um selo raspado. Perdemos um tempinho nesta, mas logo pegamos um daladala para o Hotel que tinham nos recomendado. A Bibi foi indo na frente e minha moto estava lenta. Alguns Km depois, parou completamente. O motorista pediu para eu descer, deitou a moto chacoalhando, e me falou: “Agora chega ate o posto de gasolina”. Claro que no posto ele não tinha dinheiro nem pra colocar combustível. Dizem que não colocam combustível para que a moto/carro não sejam roubados, mas acho que e poque são quebrados mesmo.

Motoboy!!

Motoboy!!

Chegamos no hotel indicado, que era fora do centro. Tinha tentado ligar de Jinja, mas o numero tinha mudado. Resultado, tava lotado. O da frente era bem tranquilo, mas a Bibi não quis ficar porque não tinha banheiro no quarto. Acabamos indo procurar um outro hotel que não encontramos, e seguimos de volta para o centão barulhento. Eu já tava bem irritado nesta hora porque queria ter ficado já no primeiro. Vimos mais um hotel, mas o custo beneficio não parecia ser dos melhores. Para encurtar a historia, dei uma colher de chá pra Bibi, que tava de TPM, e arrumei um hotel melhor (e caro!). Deu tempo de caminhar um pouco pelo caos  desta região ainda antes de dormir.

Kampala...

Kampala…

Dia seguinte fui dar entrada para meu visto da Etiópia, era melhor esperar em Kampala que em Nairóbi sozinho. Vi que a parte de cima da cidade e totalmente diferente, pelo menos para este lado. Poucas quadras do caos do centrão, estão avenidas largas, com arvores floridas. Se afastando ainda mais começam os bairros residenciais, com muitas casas bonitas e algumas mancões. Kampala fica ao longo de sete colinas, portanto tem uma bela vista, e muda muito de uma região para outra. O visto ficaria para o dia seguinte, e voltei para pegar a Bibi e sair a pé pela cidade. Caminhamos bastante, e nos impressionamos com gigantescos pássaros que sobrevoavam a cidade e faziam ninhos nas praças. Como estávamos longe, voltamos de moto, passando pela parte nobre da cidade. Kampala estava surpreendendo bastante. Para fechar o dia, e comemorar que o visto estava encaminhado, fomos jantar num gostoso restaurante Etíope. Restaurante movimentado, comida boa, mas o mais legal foi ver a Bibi comer com as mãos…

Passaros

Pássaros

Nao tem preco!!

Não tem preço!!

Um dia pela manha, começamos a conversar com o garçom, e a conversa se prolongou por horas. Falamos sobre o dia a dia, sobre cultura, e sobre a época do Amin, e claro. Achava que todos odiavam este homem que fez tantas barbaridades, mas descobri que alguns o defendem, dizendo que tem o outro lado da historia…

Bem, o Achi (garçom) foi mais uma daquelas pessoas que nos encantou. Combinamos de nos encontrar depois do expediente dele. Neste tempo saímos para conhecer mais a cidade e buscar o visto que deveria estar pronto. Deveria, mas não estava. Vieram com aquela historia que brasileiros ganham o carimbo quando chegam no aeroporto. Tive que explicar (novamente) que iria por terra, e que nesta fronteira nao davam o visto (eu explicando para o consulado!). Também, porque alguém em sã consciência iria encarar a dura e longa viagem pelo deserto do norte do Kenya/sul da Etiópia? Bem, o problema era meu, e acabaram emitindo o visto na hora mesmo. Ufa!

Tivemos que ligar para o Achi e remarcar para noite. Neste meio tempo corri para conseguir as passagens para Kabale. Inicialmente íamos no ônibus do correio, que diziam que era mais seguro, mas como e pequeno e para o te, pó todo, optamos por ir em um noturno, que vai mais rápido. No horário combinado o Achi apareceu no hotel (que já não era mais o mesmo do primeiro dia, mas acho que não preciso entrar em detalhes,hehe). Saímos para um barzinho, mas estava muito barulhento. Acabamos num bar de um hotel, onde conversamos por algumas horas. O cara e de uma simpatia que não existe, cheio de sonhos, trabalhador, mais uma daquelas historias de vida. Trabalha um monte, e no final do mês ganha USD35. E eu que me achava malandro quando em parte da viagem gastava só USD7 por dia. E o Achi com aquele sorrisão estampado, falando dos seus planos, de seus sonhos. Mesmo com toda a dificuldade, ele se deu ao trabalho de nos trazer lembranças de Uganda. Algumas provavelmente de sua própria casa, outras talvez compradas. Prometemos que tentaríamos ajudar de alguma maneira. Como a vida e dura! E como alguns, mesmo perdendo os pais, trabalhando um monte, não desanimam, nem perdem a vontade de viver.

Achi

Achi

Ele ainda caminhou com a gente ate o hotel, onde arrumamos as coisa, e antes de sair dei a camiseta do Brasil que tinha acabado de ganhar da mãe/Clau. Logo saímos pois já era perto da meia noite, e tínhamos que pegar o ônibus.

Family Trip 2 – Litoral do Quênia

Até a fronteira, o ônibus aguentou bem, apesar das paradas não esperadas, para um ônibus direto.  Assim que entramos no Quênia, a estrada começou a ficar ruim, e foi piorando. A poeira entrava por tudo, e ate caia da caixa de som. A Bibi já tava com um bico gigante quando o ônibus parou pela primeira vez. Mexeram um pouco e seguiu viagem. Numa outra parada ela decidiu ir ao banheiro, o famoso “bush toilete”.  Como era savana, e a vegetação bem rasteira, tive que segurar uma canga para fazer “cabaninha”. Depois de seguidas paradas, o ônibus quebrou de vez. Me irritei um pouco com as reclamações e falta de espirito de aventura (quando decidimos não esperar para pegar o voo, saíamos do risco), e fui ler dentro do ônibus. Com tanto tempo de Africa, deixo vários detalhes passar. Para enriquecer um pouco mais, vou colocar aqui o e-mail que o Clau mandou para todos da família la no Brasil:

” … saímos de Arusha na Tanzânia para Mombasa no Quênia. Que aventura…Da fronteira da Tanzânia ate a cidade de Voi e uma estrada de terra absolutamente horrível. O ônibus que tomamos nada tem a ver com nosso padrão Marcopolo. Mas ao menos tínhamos poltronas individuais e que reclinavam razoavelmente. Mas a estrada tinha tantas panelinhas que o possante não resistiu e quebrou no meio do nada. Depois de algumas tentativas soubemos que não tinha como seguir viagem nele. Mandariam um outro que chegaria em 5 horas…A solução foi parar o próximo ônibus que apareceu e la fomos nos com todas as malas no corredor sobre sacos de farinha, batata, galinhas, etc… Cada um ficou num assento possível com bagagem no colo e rodeados de tudo o que se possa imaginar. Na minha frente havia uma mulher com uma vasta cesta cheia de ervilhas e aproveitava para debulhar enquanto o ônibus pulava pela estrada de pó. Ao lado uma outra tirou uma panela de barro de um baita saco e pegava as cascas de ervilha pra levar pra casa. Não cabendo nesta panela, tirou uma segunda do fundo do saco e encheu tb de cascas. No final socou tudo saco a dentro. Estava o Gui e eu na ultima fila com montanhas de malas e sacos nos separando da Bibi que estava uns 3 assentos adiante e a Monica que ficara mais pra frente do onibus sentada entre dois passageiros bem perfumados. E com as janelas fechadas. De vez em quando via que a Monica levantava o braco e eu respondia abanando pensando que tava dando tchau. Na terceira vez que levantou o braco vi que a cabeça dela tinha caído. Logo pensamos o Gui e eu que estava vomitando. Pulei por cima dos sacos e das malas do corredor pra chegar ate ela e ver que tinha desmaiado. O passageiro do lado queria abrir a blusa dela pra respirar melhor. Cheguei em tempo de evitar e mandei abrir as janelas pra entrar um pouco de ar. Todos queriam saber o que tinha acontecido. Disse que era problema de pressão baixa. Logo o da frente me passou um cartão de medico de ervas. Neste meio tempo havia entrado no ônibus um camelo que em altos berros apregoava remédios para o nariz, asma, figado, febre amarela, etc… Ate ofereceu um pó pra colocar na boca da Monica. Claro que não aceitei. La atras perguntaram pra Bibi que havia acontecido. Ela disse: She…desmaiou. What? Is she died? No only e fez o gesto com a cabeca caindo pro lado. Enfim depois de algumas horas de peripecias chegamos a Voi. Mas nao sem antes pagar nova passagem no trecho que usamos o segundo onibus. Em Voi pegamos um taxi que nos levou finalmente a Mombasa.”

Não foi fácil ver a Mãe assim. Sei que ela tem pressão baixa, já vi ela assim varias vezes, mas assusta. Alguns detalhes que o Clau não mencionou: O táxi, depois de carregado, não funcionou, por problemas de bateria. Ao pararmos para comprar bebidas, o motorista retirou rapidamente os adesivos da lataria do carro, pois não tinha autorização para sair do município.

Mombasa surpreendeu. Cidade festeira, cheia de Matatus (os dala-dala daqui) coloridos, com neons e dvds. Mesmo sendo de maioria Muçulmana, noitadas que seguem até o amanhecer. Entendi porque o Dimitri, francês que morava em Ibo-Moçambique, de vez em quando atravessava toda a Tanzânia só para chegar ate aqui. Gostaria de ter passado mais tempo por aqui, terra que também já foi dos portugueses. Seguimos pela costa ate Malindi, passando por diversas praias que mais parecem um pedacinho da Itália. Não, não é por causa do visual, e sim pela quantidade de italianos que veraneiam aqui. Tudo que e placa e escrita em italiano, e ate os guardadores de carro falam italiano para se comunicar com os turistas. De lá pegamos um Voo para Lamu. Inicialmente queria atravessar a África da Africa do Sul ate Djibuti por terra, sem pegar avião. A estrada não era longa, mas era pior que a que passamos. Como não estava mais sozinho, tinha que ser responsável. De qualquer maneira faria uma volta pelos países do Leste da Africa e retornaria a Tanzânia, e subiria tudo de novo por terra.

Ainda no “aeroporto”, comecei a conversar com um senhor alemão que puxou papo. Ele se interessou pela minha viagem, meus antigos empregos , minha formação, dentre outras coisas. Falou que era consultor de hotéis, e que também lidava com o mercado imobiliário. Contei das minhas novas empreitadas junto com o Geraldo, e até falamos de preços e oportunidades no Brasil. Chegando na pequena pista de pouso, ele contou que já havia vendido mais de 600.000 casas/terrenos durante a vida dele. Achei meio forcado, mas seguimos juntos ate Lamu, que fica em outra ilha. O barco estava o esperando, com toda uma comitiva. Ele nos deixou num bom hotel e falou que recomendava. Nos convidou para ir ate a casa dele em algum dos dias que estivéssemos por ali.

Chegada em Lamu

Chegada em Lamu

No hotel colocamos a negociação/choradeira para funcionar. Depois de espremer no preço, pediram para ligar para o dono para ver se era possível. Não e que o tal do aleãao que era o dono!!!

A chegada em Lamu e impressionante, cidade mais medieval que a Stone Town de Zanzibar. Alias, tentam comparar as duas ilhas que não tem nada a ver. Lamu e meio parada no tempo, sem carros, pequena, não tao turística , [praticamente sem praias também]. Cultura kiswahili borbulhando. Tem 25000 abitantes e 500 jegues, que são o transporte local. A primeira caminhada, já com o entardecer mostrou que não seria difícil se apaixonar por aquele lugar. Construções antigas, portas talhadas, pessoas andando de jegues nas ruas super estreitas, todas aquelas mulheres com seus véus negros e os homens mascando miraa e conversando. Fácil de entender porque era um patrimônio da Unesco.

Mediaval...

Medieval…

Pela rua

Pela rua

Mercado

Mercado

Ficamos alguns dias, mas eu poderia ter ficado semanas para explorar todo o arquipélago. Algumas ilhas mais distantes pareciam super interessantes. Todas as ilhas estão muito próximas do continente, e se estendem ate a divisa com a Somália.

Um dia na praia...

Um dia na praia…

Um dos dias fomos ate a vila e praia de Shela. Falavam que era até mais medieval que Lamu. Mentira!! (mais um furo do Lonely Planet e de seus seguidores…) Até podia ser no passado, mas hoje quase tudo foi derrubado. No lugar, ricos e famosos construíram casas se baseando na arquitetura local, mas muito estranho e artificial. Alguns deles: os donos da Olimpics, os da Peugeot, o príncipe de Mônaco, modelos e mafiosos italianos. O pessoal gostou, mas eu fiquei decepcionado. A praia também não tinha nada de mais. Fica o ponto alto para o momento que estávamos conversando na areia e passaram alguns Dromedários. O restaurante que almoçamos também tava delicioso (que novidade, todos os restaurantes são muito bons!!).

"de quem e este jegue..."

“de quem e este jegue…”

Sai da freente!!!

Sai da frente!!!

Em Lamu existem 2 museus (alem de outros menores), passeios de barco, dentre outras coisas,  no entanto o mais gostoso mesmo era caminhar sem rumo, só olhando o dia a dia deles. Lugar magico mesmo. Talvez um dia ainda tenha todas aquelas lojas e estrutura da Stone Town de Zanzibar, mas hoje ainda e bem isolada, ainda bem!

Porta

Porta

Um dia recebemos um telefonema do alemão, para irmos na sua casa. Uma bela casa, provavelmente uma das maiores da ilha. Fomos la bater papo, quando descobrimos que se tratava de um bilionário. Mostrou (de forma não muito humilde) folders de diversos empreendimentos, contou que era dono de Hotéis, campos de golf, cavalos de corrida, agencias de moda, cervejarias, Spas, condomínios… ha, ele não bebia porque voava o seu próprio avião quando estava na Europa. Fora as horas que parecia que era um professor de Deus, o papo foi legal, e passou por assuntos diversos e chegou ate a religião, telepatia, energia…

Porta estilo Lamu

Porta estilo Lamu

Tiveram varias “figuras” que fizeram parte da nossa hospedagem em Lamu. Um deles era o Charlie. O cara e um “doente”. Com uma voz de locutor, toda hora que nos via abria um sorriso e corria para arranjar uma flor para a Bibi e para minha mãe. Derrubou minha mochila no mar na nossa chegada, e um verdadeiro “chupeta”. Aquelas lendas urbanas, sabe?!

Masha, Eu e o "Doente" do Charlie

Masha, Eu e o “Doente” do Charlie

Já o Masha, nosso guia, historiador, amigo, RP do Hotel… Um cara que trabalha 16 horas por dia, sete dias por semana, e ta sempre com um sorriso na cara, super simpático. Mora numa casa junto com os outros funcionários do hotel, só vê a família a cada  60, 90 dias, e e uma pessoa super feliz. Aquelas lições de vida mesmo. Felicidade realmente e um estado de espirito.

"IAV, e nois ae..."

“IAV, e nois ae…”

Foi difícil deixar Lamu para trás. Olhávamos a pequena cidade quando atravessávamos o canal para a pista de pouso e já batia um gostoso saudosismo. A Bibi já em lagrimas, me fez ter certeza que apesar das reclamações que ela faz as vezes, ela esta no lugar certo, e muito feliz com todas as experiencias que esta tendo.

Saudades..!

Saudades..!

Voamos para Nairóbi, popularmente chamada de Nairobery. Comparam muito Nairóbi com Joanesburgo, pois e o centro econômico do leste da Africa, alem de ser uma grande cidade. Achei uma injustiça o que fazem com a cidade, pois mesmo não tendo tantas atracões, e uma cidade legal. Caminhamos pelo centro, e longe de termos qualquer problema. A cidade pareceu surpreendente limpa e moderna em algumas regiões. Claro que tem todos os tipos de bairros, e níveis de limpeza, mas isto acontece em qualquer grande cidade.

Tivemos que nos despedir da Mãe e do Clau. Nossa, muito difícil. Impressionante como com o passar dos anos nossos pais se tornam amigos e também grandes companheiros. Eles voaram para o Brasil, via Africa do Sul, e nos seguimos para Uganda…

Family Trip – Safáris

Chegamos em Arusha na noite anterior da chegada dos meus pais. Deu tempo de arranjar um hotel bacana para a recuperação da Bibi e terminar de negociar o Safári, que estava engatilhado em varias agencias, mas faltava bater o martelo.

Hotel ajeitado, safári negociado, partimos para o aeroporto de Kilimanjaro (entre Arusha e Moshi) para receber a Mãe e o Clau, que não sabiam que iriamos. Foi uma surpresa legal, e a distancia do aeroporto ate a cidade foi boa para ficarmos grudados e batendo papo. Coisas ja no hotel, caminhamos ate o gostoso cafe Via-Via onde ficamos conversando por horas. Dia seguinte ja sairíamos para o Safári, onde ficaríamos toda hora juntos, podendo matar ainda mais a saudades.

Primeiro dia fomos para o Lake Manyara Nat. Park. Parque bem bacana, com uma vegetação alta, cheio de arvores, diferente das savanas. Logo vimos Zebras, Wild Beast, Girafas, Hipopótamos, Elefantes, Babuínos e ate uma família de Leões. Tava fácil de mais. Nem tinha graça. Impressionante algumas nuvem de moscas/mosquitos, que faziam um barulho muito alto, mesmo ao longe. No final do dia um Lodge bacana, com uma vista sensacional, em cima do Rift Valley.

Lake Manyara NP

Lake Manyara NP

Segundo dia fomos ate o Serengeti, passando rapidamente pelo Ngorongoro (deu para sentir o que nos esperava), e por uma vila Masai. Paramos nesta vila ” tradicional” Masai. Legal, mas bem coisa pra turista. Paga para entrar, dai pode tirar fotos, entende como funciona tudo, vê as danças, cantos e tentam te vender (pressionam mesmo) artesanato. Enquanto a Bibi tava com as mulheres, eu fiquei junto com os “Guerreiros Masais”. Tem aquela competição de quem pula mais alto, enquanto ficam ” cantando”. Claro que o Masai pulava bem mais alto que eu. Mas depois ele te pergunta algo que traduzindo seria: “Ta cansado?” Eu respondia que não, e continuava pulando. Ficamos assim um tempinho, quando eu passei a perguntar para ele. Pra encurtar, o Masai desistiu, e todos os outros riram dele. Foi divertido, mas coisa pra Europeu ver…

Quem pula mais alto?

Quem pula mais alto?

Masai Bianca

Masai Bianca

No Serengeti vimos Cheeta e Leopardo, que eu não tinha visto em meses de africa. Nosso motorista e outros foram totalmente politicamente incorretos e saíram da estrada (o q e proibido) para ir perto da Cheetas. Pediu para não contar para ninguém, mas tava feliz por ter nos ” Agradado”. Fiquei pensando: Por que mesmo que existem os parques nacionais? Para nos divertirmos ou para conservação?

Cheeta no Serengueti

Cheeta no Serengueti

Terceiro dia mais Serengeti. Mais alguns leões, que são muito comuns aqui. Mais comuns só o “Bicho Turista”. Para cada animal tem mais de uma duzia de Land Cruisers. Uma hora contamos 18. Os animais já tão acostumados que nem se importam. São varias gerações de animais que já nasceram dentro do parque. Vimos ate um leão usando um carro para se esconder das zebras antes da cacada. Não e necessário fazer silencio pois não se assustam com a gente. Não precisa se preocupar que eles são praticamente inofensivos. Legal ver tantos leões e outros bichos, mas muito artificial para meu gosto. Deu saudades da Botsuana…

Casal

Casal

Noite chegamos no Lodge da Ngorongoro Crater. Todo de vidro, com vista para a imponente cratera do vulcao extinto. Friozinho para dar o charme, devido a altitude. Ficamos conversando com a Mãe e Clau, excelentes companhias, e tomando uma cerveja.

Mae e Clau no Ngorongoro

Mãe e Clau no Ngorongoro

Quarto dia Ngorongoro. No cafe, com aquela vista já dava a expectativa. Depois, descendo  pela estreita estrada, dava para ver aquelas nuvens escorrendo pelos paredões do extinto vulcão. São 600 metros de paredão, e em torno de 20 km se traçarmos uma diagonal. Que lugar incrível!!!! Mesmo vendo muitos animais (ate o raro rinoceronte negro), confesso que esperava mais do safári la dentro, mas só o visual em si já vale a pena. Vale muito a pena. Um dos lugares mais bonitos que já vi.

Ngorongoro

Ngorongoro

Ngorongoro 2

Ngorongoro 2

Quinto dia foi no simpático Tarangire NP, com todas suas Baobab e vários elefantes. Muito bacana, mas o highlight ficou para o  visual também. Para quem viu tantas manadas de elefantes, parecia um zoológico. De qualquer forma muito legal ficar bem pertinho, observando.

Tarangire NP

Tarangire NP

Sexto dia- Arusha NP. Já na chegada houve um mal estar, pois todos estavam acostumados com os bons lodges que estávamos ficando e este era uma simples cabana. Nestas horas a gente tem que se adaptar ao ” grupo”.

O Parque e legal, mas principalmente para montanhistas. O Imponente Mt Meru saiu de trás das nuvens algumas vezes. De alguns pontos deu para ver o Kilemanjaro (Montanha mais alta de toda a África). Também passamos por outra cratera de vulcão, mas esta não podia descer.

Fizemos um “Walking Safari”, que deve ter sido projetado para os mesmos turistas europeus que amam a visita aos Masais. Caminhamos com um guia devidamente armado (no parque não tem leões) e passamos por búfalos, javalis e uma girafa. Caminhada gostosa, ao pé da montanha, mas acredito que o tempo poderia ter sido melhor aproveitado em outro lugar.

Walking Safari

Walking Safari

Kmjaro!

Kmjaro!

De volta em Arusha, mais algumas visitas aos caixas eletrônicos (tivemos vários problemas para sacar dinheiro, mesmo sendo um lugar bem turístico) e nos preparamos para ir para Mombasa. Para voar teríamos que ir para Nairóbi e de la pegar outro voo para Mombasa. Levaria tempo, e de qualquer forma não tinha voo disponível para o dia seguinte. Decidimos ir de ônibus mesmo. Via Tanga a estrada e boa, mas a distancia fica o dobro. Fomos por Voi, e teríamos que enfrentar alguns km de estrada ruim da fronteira ate a estrada principal. Para ajudar não tinha o ônibus Executivo… Ainda bem que a decisão não foi só minha!!!

Lua de Mel/ Escolinha de Mochila

Cheguei em Dar alguns dias antes da Bibi, para ja ir comprando a passagem para Zanzibar e ir me acostumando com o lugar. O Joska veio comigo e o Samuel ficou pelo caminho. Foi bom que ele ja tinha vindo para ca e deu varias dicas. Rodamos todo o centro, que ate e interessante, depois de passar por todos aqueles suburbios, que parecem com sujas vilas.

Na Tanzânia, ao contrario dos outros países da Africa daqui de perto, não existem tantas línguas assim. Ate existiam, mas apos a independência na década de 60 (Tanganica se associou a Zanzibar e formaram a Tanzânia) foram feitas vilas que funcionavam num sistema de cooperativas. Para evitar a rivalidade entre as tribos, vários lideres tiveram que trabalhar em regiões diferentes de onde moravam. Apesar de fracassado este movimento, surgiu um sentimento nacionalista, e o Kiswahili, língua africana mas de influencia árabe, foi adotada como oficial. O Inglês também é oficial, mas muito pouco falado nas regiões rurais e não turísticas. As minhas aulas de swahili com as crianças no barco do Malawi e com os alemães no Moçambique foram muito importantes.

A Bibi chegou depois de ter alguns problemas no aeroporto. Os relatos dela são muito mais ricos e engraçados que eu poderia colocar, portanto leiam o ” Tambem Sai”. Eu tava nervoso, só esperando ela chegar. Tentei decorar o simples hotel com flores para ela não achar tao ruinzinho. Ate que deu certo. Levei ela para jantar, e ela não gostou de algumas opções que eu achava super boas. Vi que eu teria que ir com calma, ela tinha acabado de despencar no Leste da Africa, e não é tão fácil assim viajar por aqui.

Muito mais fácil seria a ambientação na paradisíaca Zanzibar. Depois de um rápido cafe da manhã, no restaurante onde o Samora e sua Trupe da Frelimo se reuniam para organizar a tomada de Moçambique (estavam no exílio) e consequente expulsão dos portugueses, e pegamos o ferry para Stone Town-Zanzibar. Ficamos na primeira classe, mas sempre via a Bibi de olho nas outras, de olho arregalado com tudo que estava vendo. Era muita informação para pouco tempo de chegada. Batemos papo com outros gringos e trocamos informações e dicas. O jet leg pegou e ela capotou boa parte da viagem. Na chegada na quase medieval StoneTown, seguimos por estreitas ruelas ate chegar ao simpático hotel. Parecia tudo perfeito e ela tinha gostado muito. Logo soubemos que a cidade estava sem luz, e o gerador do hotel estava com problemas. Saímos para caminhar torcendo para que consertassem. Tava tudo movimentado com o “Dhow Festival”, antigo festival de cinema de Zanzibar, mas que agora abrangia musica, arte e muitas outras coisas. Quando me dei conta ela já estava ate experimentando as comidas das barraquinhas de rua (se bem que torceu o nariz quando o cara deu o troco com a mesma mão que preparou a comida). Em poucas horas já tínhamos conversado com uma galera, e todo mundo sabia que eramos do Brasil. De volta ao hotel, ainda não tinha energia. A Bibi já estava se preparando para seu primeiro banho de balde (que seria aquecido) quando escutamos o barulho do motor…. (ufa!!).

Zanzibar - Stone Town

Zanzibar – Stone Town

Ruas estreitas

Ruas estreitas

Porta e Crianca

Porta e Crianca

Mercado Noturno

Mercado Noturno

Porta talhada

Porta talhada

Stone Town é o máximo, e ate adiamos a ida para praia, aproveitando todo o movimento por causa do festival. Se perder pelas ruelas com aquelas portas sensacionais e uma delicia. Vi que a Bibi tava se empolgando com a viagem cada vez mais, e em alguns momentos ate pediu para parar um pouco para escrever, organizar as ideias e algumas vezes se emocionar…

Fomos ate o centro para ver onde era o transporte publico para a primeira praia, mas consegui um ótimo preço com um transfer direto, e achei que era melhor para a Bibi ir se acostumando.

Primeira praia que ficamos foi Jambiane, no leste de Zanzibar. Lembro da Bibi ter ido dar uma olhada enquanto eu esperava e voltando falando: Parece Photoshop… Eu falei: Tipo nordeste? Ela: Não, tipo Maldivas, Thaiti… Bem, não se deve comparar lugares, sei que o mar em Jambiani é show, muito lindo e com várias cores.

Jambiani

Jambiane

Jambiani 2

Jambiane 2

O lugar e meio isolado, calmo. Já sabia, e achava que era o ideal para começarmos, tendo bastante tempo junto, tranquilo, podendo botar o papo em dia e se curtir, a uns 4 metros da areia. A pequena vila e meio sem graça, sem grandes atracões como mercados ou simplesmente cultura local. O tempo não ajudou, ficando nublado quase todos os dias, saindo sol só de vez em quando. Uma pena. Aproveitei para achar uma pessoa para lavar todas minhas roupas. Comemos bem todos os dias e na lua cheia tomamos uma cerva num bar de Rastafáris.

Partimos de Dala-Dala (transporte local, tipo lotação) para a próxima praia,  Paje. Lugar já mais estruturado, com um chalezinho mais simpático que a pousada de Jambiani. O lugar do cafe da manha era “na cara do gol”, quase no mar quando a mare tava cheia.  Lugar bem gostoso, alto astral, mas o tempo ainda não tava perfeito. Ficamos muito amigos de uma família espanhola que tínhamos conhecido antes, e saímos ate para jantar juntos.

Paje

Paje

Inicialmente nem iriamos para a parte norte da ilha, e seguiríamos para Lushoto, entre Dar e Arusha. Como teríamos 50 dias para viajar antes da Bibi voltar, decidimos ficar mais por aqui e ir para Kendua.  Voltamos para STown so para fazer conexão para Nuongui, e descemos um pouco antes, na estradinha que vai para a turística Kendua. Uma família Tcheca deu carona para a Bibi e Mochilas, e eu segui na pernada, mas nem era muito longe. Ficamos num chalé bem bacana, e a Bibi adorou. E um lugar mais cara de ferias, estruturado, cheio de jovens turistas.

Jovens europeus em Kendua

Jovens europeus em Kendua

E eu nao podia estar mais feliz...

E eu não podia estar mais feliz…

De noite pegamos ate uma baladinha, onde jovens europeias dançavam junto com guerreiros Masai (que vendem artesanato aqui). Viva a globalização!!! Haha, mas tava hilario, e entramos no embalo e dançamos muito hip-hop, eletrônico e anos 80 juntos. Como não tínhamos reservado a pousada, só pudemos ficar um dia nesta cara pousada. Como nada acontece por acaso, não demorei muito tempo para achar um lugar bem legalzinho por menos da metade do preço. A Bibi fez massagem um dia, e em pouco tempo já tava super amiga de muçulmanas, que ficavam sem véu e abracavam e beijavam ela. Figura…

E a Bibi, ne...

E a Bibi, ne…

Fim de tarde em Kendua

Fim de tarde em Kendua

Tinha um restaurante local bem gostoso, e comemos sempre la. Fui treinando mais ainda o kiswahili, e ganhando descontos e amigos com isto. Infelizmente tínhamos que partir, pois meus pais voariam para Nairobi, e nos encontraríamos em Arusha. Zanzibar foi uma Lua de Mel, com praias lindíssimas, sem ter muito o que fazer, só ficar largado. Stone Town, com suas portas entalhadas, ruas que pareciam corredores de tão estreitas, e todo o mundo Swahili foi fantástico… Seguimos então para Dar onde pegaríamos o ônibus para Arusha. Ops, não tao fácil assim. Hehe

Tinham me recomendado de pegar o Catamarã noturno. Isto seria ideal, pois se esperássemos o da manha, não chegaríamos a tempo te pegar o ônibus “executivo” da Scandinavian Express. Os outros ônibus a Bibi poderia ainda não estar preparada (e não queríamos perder um dia em Dar)… Bem, sabia que apesar de ser primeira classe no Catamarã, não seria tao tranquilo assim, pois os colchoes seriam jogados no chão, entre os sofás. Mas como sempre carrego um lençol e um saco de dormir, achei que taria tudo bem.

Bem, para reduzir a historia, que sera contada pela Bibi com muita mais entusiasmo e  emoção (além do lado feminino), apelidamos esta viagem de “Barco do Terror”.

Barco do terror, ainda de dia...

Barco do terror, ainda de dia…

Quando tava tudo bem, perfeito, a Bibi começou a reclamar de pequenas baratinhas que apareceram na primeira classe. Eu, baseado naquele filme do Will Smith, Em busca da felicidade, comecei a falar que eram só besourinhos africanos (hehe). Ate me irritei com a ” frescura dela”. Deitamos e logo dormimos. Acordamos com uma Sra “vomitando as tripas”, devido ao balanco do barco que só aumentava. Ela levantava a cabeça, vomitava, e voltava a dormir, segurando o saquinho. O marido dela nem acordava, para a revolta da Bibi. Logo a Bibi começou a ficar enjoada. Pediu para ir para o deck, pegar um ar. Vcs viram o filme ” Ensaio sobre a cegueira”? Pois e, o corredor da classe que levava ate o deck era igual ao do filme. Pessoas vomitando ou dormindo (algumas com a cara no chão) segurando um saquinho de vomito. Sinnniiiiistro. Total filme de terror, trash mesmo!!! Bem, no ” tambem sai” vcs vão ler detalhes mais ricos de todos estes momentos. Depois de sobrevivermos ao ” Barco do Terror”, pegamos o ônibus a tempo, e seguimos na longa viagem ate Arusha (A Bibi só tomava sopa nestas alturas).

Explorando as Ilhas Querimbas

Decidimos que não iriamos de ônibus/ caminhão até a recomendada praia de Pangane, para depois pegar o barco para Ibo, voltando para o Sul. Tinha muito mais lógica subir pelas ilhas e depois voltar para o continente. Ok, mas como fazer isto? Na pousada que estávamos falaram que era complicado e tal. Um dia estávamos explorando a cidade baixa de Pemba, e fomos falar com alguns pescadores. Descobrimos um Dhow (tipo de Jangada) que iria levar mantimentos para pequenas ilhas e depois  navegar ate Ibo. Não tivemos duvida, acertamos com o pescador (mais barato que o táxi de Wimbe para Pemba) e a meia noite já estávamos lá, dormindo no Dhow, esperando a mare certa para iniciarmos a viagem.

Aguardando a saida

Aguardando a saida

As 3 da madruga estávamos partindo, em meio a algas verde fluorecentes (pareciam neon), iluminadas pela Lua. Dormimos poucas horas sobre os sacos de arros e varias bugigangas. O sol nascendo foi um momento a parte, assim como os golfinhos que logo apareceram. Tentei dividir uns pães e amendoins que tinha com a tripulação  mas eles não deram muita bola. Logo percebi porque. Acenderam um fogareiro portátil  prepararam um delicioso chá (servido com pimenta) e aqueceram um pão tipo ” sonho”. Depois de um tempo descobrimos que existia um banheiro improvisado, e rimos muito quando o Samuel utilizou. Passamos por diversas ilhas, algumas muito pequenas, e eramos atracão turística.

Banheiro

Banheiro

Dhow igual ao nosso

Dhow igual ao nosso

Pronto para a chuva

Pronto para a chuva

Desde o inicio da viagem, peguei ” chuva” (chuvisco na verdade, suuuper leve), só dois dias. Um em Cape town e outro em Nampula. Claro que Murphy ia aparecer ali. Nuvens pretas começaram a se formar, e nem o lençol improvisado como vela auxiliar foi suficiente para fugirmos da tempestade. Vento forte fez o Dhow disparar, mas logo chegou a chuva. Quem ta na chuva e para se molhar… Não durou mais que uma hora e meia, e deslizamos sobre ondas que aumentaram consideravelmente de tamanho. Passamos por mais ilhas, contornamos um manguezal ate chegarmos em Ibo, principal ilha do arquipélago  Foi paixão a primeira vista. Totalmente isolada, com seus casarões portugueses espalhados pelas largas ruas. Luz só das 18 as 20, e quando tem gasolina para o gerador. Restaurante? Um ou outro a não ser os das duas “luxuosas” pousadas de franceses. Alias, algumas das ilhas são de propriedade de um árabe  que construiu resorts, com pista de pouso e tudo (como que os turistas ricos chegariam la?). Os poucos dias que tínhamos programado para a ilha principal se transformaram em uma semana, ao descobrirmos que o dia de São João estava próximo  e era o Padroeiro da Cidade alem do aniversario da própria  Com isto teríamos que cancelar a recomendada e isolada praia de Pangane, o  que fiz sem do. Praia bonita tem muita no Brasil, mas aquela ilha era um caldeirão cultural, e com a festa que se aproximava estava melhor ainda. Nunca trocaria os papos de final de tarde com o Sr João Batista (de 82 anos, conselheiro da ilha, que estudou muito e trabalhou com os Portugueses) para ficar largado numa praia bonita.

Ibo!!

Ibo!!

Já no primeiro dia preparamos uma Garoupa de 18 Kg. Deu um trabalhão. Fizemos grelhada, frita e ensopado, como não tem geladeira (eletricidade), comemos, demos para os amigos que já tínhamos feito, e almoçamos no dia seguinte. O peixe custou menos de 30 reais, a mais alguns trocados para os temperos e acompanhamentos. Com a falta de restaurantes tivemos que nos virar, mas sempre preparávamos coisas gostosas. Quando dava preguiça  corríamos para o centrinho e comprávamos peixe frito (vinha enrolado em folha de caderno), salgados, doce de amendoim, pé de moleque, tentáculos de polvo, vários tipos de pães e ” sonho” (na verdade e sem recheio). Eu gostava de comprar os tentáculos de polvo, já com molho apimentado, e misturar com arroz. Teve um dia que fiz uma Caranguejada,   sirizada na verdade. Comprei quase 10 kg para 4 pessoas e cada um tinha direito a 4 siris. Imagine o tamanho do bichinho. Se bem que consegui umas patolas extras.

Garoupa

Garoupa

Patola

Patola

Quer farinha? Tem que moer mandioca...

Quer farinha? Tem que moer mandioca…

Um dia fomos caminhando na mare baixa para a ilha vizinha, Querimba. Foram duas horas de caminhada, no inicio entre mangues e depois por areia. Na mare cheia fica com 4 metros de profundidade em certas partes. Nas outras ilhas, só 20 % da população fala Português  devido a forte influencia dos árabes  Conhecemos um Moçambicano descendente de Alemão que nos mostrou sua impressionante plantação de cocos (exporta para a Tanzânia  que toma grande parte da ilha. Tomamos água de coco, comemos o doce broto que germina dentro do coco de fomos para as praias. Ele contou das dificuldades de se investir no Moçambique  que não era como no Brasil (que visitou a 20 anos atras) onde tudo funcionava, tinha infraestrutura… Da para acreditar?

Querimba

Querimba

Visual

Visual

Teve dias que fomos para o banco de areia da Ilha Matemo, teve dia que fomos fazer mergulho, com uma suuper visibilidade e direito a ver mais golfinhos.

Banco de areia perto de Matemo

Banco de areia perto de Matemo

Mas gostamos mesmo de nos “perder” em Ibo. Com as festas a ilha tava borbulhando. Cheio de gente de outras ilhas, do continente e alguns turistas. Inclusive encontramos os portugueses novamente alem de outras pessoas que conhecemos no caminho. O dia da festa foi uma atracão a parte. Cedo já tinha musica, danças tipicas, e ate o governador do distrito apareceu para falar no palanque. As crianças engomadinhas, nos seus melhores vestidos de festa, com cabelos devidamente arrumados e penteados. Muitas comidas e a noite colocaram ate um telão com filmes de Bollywood, que era o suprassumo para quem não tem nem tv. Alguns cantores e muita festa e bebedeira antes de pular a fogueira. Na verdade, fora o santo a festa não tem nada a ver com o nosso São João (só algumas bandeirinhas). No dia seguinte, dia da independência de Moçambique  já tava tudo mais calmo. Acho que era a ressaca. Moçambique conquistou a Independência só em 1975, quando as forças revolucionarias (Frelimo) chutaram Portugal do pais. Não foi a mesma moleza que no Brasil.

Dia de Festa

Dia de Festa

Sao Joao

Sao Joao

Corrida de Dhow

Corrida de Dhow

Estilos

Estilos

Ibo tb possui alguns fortes e também foi palco de guerras contra os árabes  local de venda de escravos, e região estratégica para os portugueses. Mas e bem diferente da Ilha de Moçambique.

Dificuldade da Independencia estampada na bandeira

Dificuldade da Independencia estampada na bandeira

Casa de Cha

Casa de Cha

Entardecer em Ibo

Entardecer em Ibo

Aqui nao pode!!!

Aqui nao pode!!!

Aqui pode...

Aqui pode…

Vendedoras com as "comidinhas de rua"

Vendedoras com as “comidinhas de rua”

Achamos um Dhow que iria ate a Tanzânia  em 3 dias de viagem. Acertamos com o proprietário e nos despreocupamos. Menos de 10 horas antes de sair ele nos falou de um problema que teve e cancelou. Estava com o tempo contado para chegar a Dar Es Salam (Tanzânia) para esperar a Bibi (primeira dama). Foi uma correria ate achar um barco que sairia de madrugada, fazer diversas  conexões em cruzamentos, primeiro utilizando pau de arara e depois caçambas de caminhonetes. Esta fronteira e uma das mais desafiadoras da Africa, muito cansativa. Região sem estrutura, de pequenas vilas, de onde o Frelimo veio conquistando território ate chegar em Maputo. No caminho fizemos paradas forcadas devido um problema da ultima caminhonete. Em algumas vilas fui cercado, queriam saber como sabia português, se tinha morado em Angola ou em Moçambique. Quando falava que era do Brasil, alguns nem sabiam onde era, um comentou: América do sul, né?! Perguntavam se estava a trabalho, em busca de ouro. Contei do meu trajeto até ali e dos meus planos para o restante da viagem pela África, quando uma pessoa sabiamente comentou: Ah, você viaja em busca de conhecimento então…

Cacamba

Cacamba

E mais cacamba...

E mais cacamba…

Ta com fome?

Ta com fome?

Depois de mais de 12 hs e viagem, chegamos a Mocimboa da Praia. Recebemos o convite que uma pessoa da caminhonete para dormir na casa dele. Ficamos na sala, numa estera de palha. Dia seguinte, perto das 4 já estávamos recolhendo gente na Land Cruise para seguir pela difícil estrada ate a fronteira. Em um momento contei 28 pessoas na caminhonete. Não dava para se mexer. A estrada de terra virou arreia, e foi uma longa viagem. Na hora de carimbar a saída quase tivemos problemas com os guardas (novamente), mas conseguimos se safar. Dai foi só pegar um barco e atravessar para a Tanzânia  Dormimos não muito longe dali, e logo seguiríamos pelo sul da Tanzânia até chegar em Dar Es Salam

Barco na fronteira Moz x Tanzania

Barco na fronteira Moz x Tanzania