Lua de Mel/ Escolinha de Mochila

Cheguei em Dar alguns dias antes da Bibi, para ja ir comprando a passagem para Zanzibar e ir me acostumando com o lugar. O Joska veio comigo e o Samuel ficou pelo caminho. Foi bom que ele ja tinha vindo para ca e deu varias dicas. Rodamos todo o centro, que ate e interessante, depois de passar por todos aqueles suburbios, que parecem com sujas vilas.

Na Tanzânia, ao contrario dos outros países da Africa daqui de perto, não existem tantas línguas assim. Ate existiam, mas apos a independência na década de 60 (Tanganica se associou a Zanzibar e formaram a Tanzânia) foram feitas vilas que funcionavam num sistema de cooperativas. Para evitar a rivalidade entre as tribos, vários lideres tiveram que trabalhar em regiões diferentes de onde moravam. Apesar de fracassado este movimento, surgiu um sentimento nacionalista, e o Kiswahili, língua africana mas de influencia árabe, foi adotada como oficial. O Inglês também é oficial, mas muito pouco falado nas regiões rurais e não turísticas. As minhas aulas de swahili com as crianças no barco do Malawi e com os alemães no Moçambique foram muito importantes.

A Bibi chegou depois de ter alguns problemas no aeroporto. Os relatos dela são muito mais ricos e engraçados que eu poderia colocar, portanto leiam o ” Tambem Sai”. Eu tava nervoso, só esperando ela chegar. Tentei decorar o simples hotel com flores para ela não achar tao ruinzinho. Ate que deu certo. Levei ela para jantar, e ela não gostou de algumas opções que eu achava super boas. Vi que eu teria que ir com calma, ela tinha acabado de despencar no Leste da Africa, e não é tão fácil assim viajar por aqui.

Muito mais fácil seria a ambientação na paradisíaca Zanzibar. Depois de um rápido cafe da manhã, no restaurante onde o Samora e sua Trupe da Frelimo se reuniam para organizar a tomada de Moçambique (estavam no exílio) e consequente expulsão dos portugueses, e pegamos o ferry para Stone Town-Zanzibar. Ficamos na primeira classe, mas sempre via a Bibi de olho nas outras, de olho arregalado com tudo que estava vendo. Era muita informação para pouco tempo de chegada. Batemos papo com outros gringos e trocamos informações e dicas. O jet leg pegou e ela capotou boa parte da viagem. Na chegada na quase medieval StoneTown, seguimos por estreitas ruelas ate chegar ao simpático hotel. Parecia tudo perfeito e ela tinha gostado muito. Logo soubemos que a cidade estava sem luz, e o gerador do hotel estava com problemas. Saímos para caminhar torcendo para que consertassem. Tava tudo movimentado com o “Dhow Festival”, antigo festival de cinema de Zanzibar, mas que agora abrangia musica, arte e muitas outras coisas. Quando me dei conta ela já estava ate experimentando as comidas das barraquinhas de rua (se bem que torceu o nariz quando o cara deu o troco com a mesma mão que preparou a comida). Em poucas horas já tínhamos conversado com uma galera, e todo mundo sabia que eramos do Brasil. De volta ao hotel, ainda não tinha energia. A Bibi já estava se preparando para seu primeiro banho de balde (que seria aquecido) quando escutamos o barulho do motor…. (ufa!!).

Zanzibar - Stone Town

Zanzibar – Stone Town

Ruas estreitas

Ruas estreitas

Porta e Crianca

Porta e Crianca

Mercado Noturno

Mercado Noturno

Porta talhada

Porta talhada

Stone Town é o máximo, e ate adiamos a ida para praia, aproveitando todo o movimento por causa do festival. Se perder pelas ruelas com aquelas portas sensacionais e uma delicia. Vi que a Bibi tava se empolgando com a viagem cada vez mais, e em alguns momentos ate pediu para parar um pouco para escrever, organizar as ideias e algumas vezes se emocionar…

Fomos ate o centro para ver onde era o transporte publico para a primeira praia, mas consegui um ótimo preço com um transfer direto, e achei que era melhor para a Bibi ir se acostumando.

Primeira praia que ficamos foi Jambiane, no leste de Zanzibar. Lembro da Bibi ter ido dar uma olhada enquanto eu esperava e voltando falando: Parece Photoshop… Eu falei: Tipo nordeste? Ela: Não, tipo Maldivas, Thaiti… Bem, não se deve comparar lugares, sei que o mar em Jambiani é show, muito lindo e com várias cores.

Jambiani

Jambiane

Jambiani 2

Jambiane 2

O lugar e meio isolado, calmo. Já sabia, e achava que era o ideal para começarmos, tendo bastante tempo junto, tranquilo, podendo botar o papo em dia e se curtir, a uns 4 metros da areia. A pequena vila e meio sem graça, sem grandes atracões como mercados ou simplesmente cultura local. O tempo não ajudou, ficando nublado quase todos os dias, saindo sol só de vez em quando. Uma pena. Aproveitei para achar uma pessoa para lavar todas minhas roupas. Comemos bem todos os dias e na lua cheia tomamos uma cerva num bar de Rastafáris.

Partimos de Dala-Dala (transporte local, tipo lotação) para a próxima praia,  Paje. Lugar já mais estruturado, com um chalezinho mais simpático que a pousada de Jambiani. O lugar do cafe da manha era “na cara do gol”, quase no mar quando a mare tava cheia.  Lugar bem gostoso, alto astral, mas o tempo ainda não tava perfeito. Ficamos muito amigos de uma família espanhola que tínhamos conhecido antes, e saímos ate para jantar juntos.

Paje

Paje

Inicialmente nem iriamos para a parte norte da ilha, e seguiríamos para Lushoto, entre Dar e Arusha. Como teríamos 50 dias para viajar antes da Bibi voltar, decidimos ficar mais por aqui e ir para Kendua.  Voltamos para STown so para fazer conexão para Nuongui, e descemos um pouco antes, na estradinha que vai para a turística Kendua. Uma família Tcheca deu carona para a Bibi e Mochilas, e eu segui na pernada, mas nem era muito longe. Ficamos num chalé bem bacana, e a Bibi adorou. E um lugar mais cara de ferias, estruturado, cheio de jovens turistas.

Jovens europeus em Kendua

Jovens europeus em Kendua

E eu nao podia estar mais feliz...

E eu não podia estar mais feliz…

De noite pegamos ate uma baladinha, onde jovens europeias dançavam junto com guerreiros Masai (que vendem artesanato aqui). Viva a globalização!!! Haha, mas tava hilario, e entramos no embalo e dançamos muito hip-hop, eletrônico e anos 80 juntos. Como não tínhamos reservado a pousada, só pudemos ficar um dia nesta cara pousada. Como nada acontece por acaso, não demorei muito tempo para achar um lugar bem legalzinho por menos da metade do preço. A Bibi fez massagem um dia, e em pouco tempo já tava super amiga de muçulmanas, que ficavam sem véu e abracavam e beijavam ela. Figura…

E a Bibi, ne...

E a Bibi, ne…

Fim de tarde em Kendua

Fim de tarde em Kendua

Tinha um restaurante local bem gostoso, e comemos sempre la. Fui treinando mais ainda o kiswahili, e ganhando descontos e amigos com isto. Infelizmente tínhamos que partir, pois meus pais voariam para Nairobi, e nos encontraríamos em Arusha. Zanzibar foi uma Lua de Mel, com praias lindíssimas, sem ter muito o que fazer, só ficar largado. Stone Town, com suas portas entalhadas, ruas que pareciam corredores de tão estreitas, e todo o mundo Swahili foi fantástico… Seguimos então para Dar onde pegaríamos o ônibus para Arusha. Ops, não tao fácil assim. Hehe

Tinham me recomendado de pegar o Catamarã noturno. Isto seria ideal, pois se esperássemos o da manha, não chegaríamos a tempo te pegar o ônibus “executivo” da Scandinavian Express. Os outros ônibus a Bibi poderia ainda não estar preparada (e não queríamos perder um dia em Dar)… Bem, sabia que apesar de ser primeira classe no Catamarã, não seria tao tranquilo assim, pois os colchoes seriam jogados no chão, entre os sofás. Mas como sempre carrego um lençol e um saco de dormir, achei que taria tudo bem.

Bem, para reduzir a historia, que sera contada pela Bibi com muita mais entusiasmo e  emoção (além do lado feminino), apelidamos esta viagem de “Barco do Terror”.

Barco do terror, ainda de dia...

Barco do terror, ainda de dia…

Quando tava tudo bem, perfeito, a Bibi começou a reclamar de pequenas baratinhas que apareceram na primeira classe. Eu, baseado naquele filme do Will Smith, Em busca da felicidade, comecei a falar que eram só besourinhos africanos (hehe). Ate me irritei com a ” frescura dela”. Deitamos e logo dormimos. Acordamos com uma Sra “vomitando as tripas”, devido ao balanco do barco que só aumentava. Ela levantava a cabeça, vomitava, e voltava a dormir, segurando o saquinho. O marido dela nem acordava, para a revolta da Bibi. Logo a Bibi começou a ficar enjoada. Pediu para ir para o deck, pegar um ar. Vcs viram o filme ” Ensaio sobre a cegueira”? Pois e, o corredor da classe que levava ate o deck era igual ao do filme. Pessoas vomitando ou dormindo (algumas com a cara no chão) segurando um saquinho de vomito. Sinnniiiiistro. Total filme de terror, trash mesmo!!! Bem, no ” tambem sai” vcs vão ler detalhes mais ricos de todos estes momentos. Depois de sobrevivermos ao ” Barco do Terror”, pegamos o ônibus a tempo, e seguimos na longa viagem ate Arusha (A Bibi só tomava sopa nestas alturas).

Anúncios

9 comentários em “Lua de Mel/ Escolinha de Mochila

  1. Hey Guilherme!
    habari za safari?
    i hope the east african community treats you well… call if you’re getting around mbeya, iringa or dar sometimes…
    any news of graham?

    sam

    • Hello Sam!!

      First foreigner to write here!! Have you received my sms? Thanks for the kiswahili classes, they are helping a lot! Have you seen your picture at the boat (taking a shit?!)? I’m in Uganda right now, and will discuss about our return to Dar later. Will keep you informed.

      Salama,

  2. Oi Gui!!!
    Que gostoso ler vc escrever e viajar junto…Mesmo no tal “Barco do Terror”, afinal a “Vida é Bela”.
    Voce é ótimo!
    A relação que vc faz com filmes, lugares, no relato é realmente única…
    Vcs me fazem lembrar o filme “Debi & Loide”!kkkk
    Bjs
    Mara

  3. hi, queridos
    Ah que curtição ler e se emocionar, rir e se envolver, participar em imaginação e se encantar com a diferentes visões de cada um sobre um mesmo assunto.. que viajona! e ainda tão adoravelmente comentada, registrada e fotografada! O Senior magno, J J B está organizando um arquivo especial sobre tudo que vcs mandaram em termos de fotos e textos – boa parte já está pronta, Vai dar um livro.! Saudades, os Seniores Magnos J e I

    • Vo e Vo, que saudades de vcs dois!
      Ta tudo muito legal, e nao se preocupem pois somos cuidadosos.
      Fiquei sabendo de Vila Velha, que legal…
      Uma viagem assim tem que ser documentada. To com o diario em dia, muito mais completo q o blog.

      Bjs para vcs dois.

  4. Cumpadreee….saudades de vcs!!!que otimos seus relatos!!!Fotos lindíssimas e uma experiencia impar…Estou acompanhando a viagem de vcs tbém.
    Brother, fiquem com Deus e aproveitem!!!
    Grande abraço

  5. Pingback: Onde ir com crianças? Os 5 lugares da minha Wish List | COISAS DE MÃE I Patrícia Papp

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s