Chipre, uma ilha dividida.

A história do Chipre se confunde com a história da humanidade. Existem vestígios de que a ilha era habitada 10 mil anos atrás. Fez parte da Grécia antiga, do Império Romano, Bizantino, foi caminho e conquistado pelos Cruzados, Venezianos e passou um longo período sob domínio Otomano. Caiu nas mãos dos Britânicos, até finalmente conseguirem a independência, já nos anos 60.

A população consistia de uma maioria cipriota grega e uma minoria cipriota turca. O novo governo teve dificuldades em reger o país, muitos conflitos e crises aconteceram, até que em 74 uma junta militar deu um golpe de estado para anexar a ilha à Grécia. A Turquia reagiu imediatamente invadindo o norte da ilha para proteger os turcos cipriotas. Com o final do conflito, criou-se uma zona desmilitarizada chamada linha verde, que divide o Chipre em dois (inclusive sua capital, Nicósia). A parte sul é conhecida como República do Chipre (membro da União européia) e a norte como Republica Turca do Chipre do Norte, país de facto independente mas somente reconhecido pela Turquia.

Eu cheguei pelo aeroporto de Ercan, na parte norte da ilha, entrada considerada ilegal pela República do Chipre. Como tenho passaporte italiano, deixam atravessar para o sul (consideram toda ilha parte da União Européia) mas se tivesse com o brasileiro, poderia circular somente na parte norte (se entrar pelo sul pode ir para o norte e voltar). *Atualizando, o André foi algumas semanas depois que eu e cruzou para o sul com o passaporte brasileiro

Imigração rápida, tive que esperar pouco tempo até meu anfitrião do coushsurfing, Rif, chegar. Já tinha lido sobre a dificuldade de locomoção na parte norte da ilha, portanto foi fundamental a boa vontade do meu amigo em me levar para conhecer toda a ilha. Geograficamente situada no Oriente Médio, é um museu a céu aberto. É possível parar toda hora para visitar sítios arqueológicos. Não demorou muito para eu ver as primeiras igrejas abandonadas e destruídas. Algumas vilas , também semi abandonadas,  onde algumas casas tinham buracos de bala chamaram minha atenção. Quando os cipriotas gregos fugiram para o sul, a Turquia incentivou a ida de turcos para o norte do Chipre, pra repovoar a região. O Rif é filho de turcos, que vieram pós divisão do Chipre. Nascido no Chipre a mais de 30 anos, faz parte de um dos grandes problemas de uma possível reunificação.

Aqueduto

Aqueduto Otomano na beira da estrada

Fomos contornando a linha verde, passando por diversas bases militares e postos de controle. Logo entenderia que todos estes militares turcos acabam sendo grande parte da economia do norte da ilha. Passamos por incontáveis vilas e viajamos sentido  Famagusta, no leste da ilha. Algumas das paradas mais importantes no caminho foram as ruínas da cidade grega de Salamis, as Tumbas Reais e o monastério de St Barnabas (onde ele supostamente está sepultado), um dos lugares mais sagrados do Chipre. O Santo Barnabé é um dos apóstolos, padroeiro do Chipre.

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Salamis, antiga Cidade-Estado grega

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Tumbas Reais

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Monastério Santo Barnabé

Chegando em Famagusta, caminhamos pela cidade velha, toda murada (construída pelos venezianos), conhecemos a Othelo Tower, a catedral de St Nicholas (hoje Mesquita Lala Pasha Mustafa), e outros diversos lugares históricos. Atravessamos o porto até uma bonita praia, que fica ao lado de Varosha, cidade turística (pré-divisão) que ficava de frente para o mar, mas que hoje está parcialmente destruída e isolada, sendo uma verdadeira cidade fantasma. Pessoas pegam praia com prédios bombardeados ao fundo.

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Vista

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Antiga catedral, hoje mesquita, no estilo gótico

 

Pessoas pegando praia com uma cidade fantasma e prédios bombardeados ao fundo.

Pessoas pegando praia com uma cidade fantasma e prédios bombardeados ao fundo.

Encontramos com um amigo do Rif e fomos fazer uma das atividades preferidas da Ilha, comer. Comer está diretamente ligado com a cultura dos cipriotas turcos, e posso dizer que se come muito bem! Foi bom para fugir do calor intenso que fazia e colocar minha lista de perguntas em dia.

Aperitivo

Aperitivo

Descanso merecido e discussões interessantíssimas, pegamos estrada para o extremo norte da ilha, na Península Karpaz. Região mais isolada de todo o Chipre, somente algumas vilas, muitas delas bem tradicionais e conservadoras. Me surpreendeu ao encontrar cipriotas gregos vivendo em Dipkarpaz, uma raridade no Chipre do Norte, já que muitos fugiram para o sul abandonando suas casas. Bonitas praias, um parque nacional com jegues selvagens, o monastério do Apostolo Andreas de frente para o mar e finalmente chegamos ao cabo apostolo, no extremo norte da ilha.

Golden Beach

Golden Beach

Monastério

antigo Monastério Apostolo Andreas

Cabo Apostolo

Cabo Apostolo

Foram mais algumas horas de viagem até chegar na vila onde os pais do Rif moram. Apesar do Rif ter uma vida relativamente moderna, os pais dele são bastante conservadores. Eu brincava que o pai dele sentava na mesa como um leão – um rei da selva – que queria ser servido. Ele não falava uma palavra em inglês, no inicio me olhava com desconfiança, mas nos entendemos muito bem. A mãe se empenhava na cozinha e amigos apareceram junto com os irmãos para um longo e divertido jantar. Apesar de um clima bem seco, semi-árido, algumas arvores frutíferas davam um clima para a mesa montada do lado de fora da casa. Alias, a casa onde eles moram estava abandonada desde os conflitos nos anos 70, eles simplesmente tomaram posse do lugar, coisa muito comum em toda a região.

O "Chefe"

O “Chefe”

Os dias foram muito proveitosos, acordávamos cedo e rodávamos bastante, sempre em companhia de mais algum amigo. O calor era intenso e o sol fortíssimo. Em Girne (também chamada de Kyrenia) pude conhecer a parte mais turística do Chipre do Norte. Dezenas de hotéis, restaurantes, boates e cassinos. Wi-fi gratuito nas praças, um porto bem charmosinho com um castelo Bizantino ao lado. No topo da montanha tem um bonito monastério, Bellapais, onde tem uma ótima vista de toda a região.

Porto

Porto Girne

Monastério

Monastério Bellapais

Vista

Vista Girne

O oeste do Chipre do Norte tem uma paisagem  diferente, talvez um pouco menos árida, com grandes plantações de cítricos. Muitas igrejas, como a de São Mamas, mas a grande atração da região de Morphou (fundada pelos espartanos) é Soli, com um teatro romano e mosaicos de uma antiga basílica, onde dizem que São Marcos foi batizado. Isto sem contar na bela costa e pequenos restaurantes na beira do mar.

Mosaicos

Mosaicos em Soli

Litoral

Litoral em Morphou

A Família do Rif fazia com que me sentisse em casa. Extremamente hospitaleiros, já estava amigo até do vizinho, que produzia pães frescos para toda a vila. Depois de rodar boa parte do norte da ilha, havia chegado a hora de conhecer a capital, Nicósia, e atravessar para o sul, na República do Chipre. Nicósia é toda murada (pelos venezianos), em forma de estrela, com grandes portões de acesso.

Placa na fronteira

Placa ao lado da “fronteira, que fica no meio de Nicósia

Vinha observando muitas bandeira da RT do Chipre do Norte ao lado de bandeiras turcas, e o mesmo acontecia em Nicósia. Os mastros mais altos e bandeiras maiores, quem sabe para que os cipriotas gregos pudessem observar. A cidade é dividida por um muro e tem um ponto onde é possível atravessar, depois dos devidos controles de passaporte. Antigamente este tramite era bem mais complicado, mas desde a entrada do Chipre (sul) na União europeia, estão facilitando tudo. Mesmo os cipriotas turcos ganharam o direito de entrar na porção sul da ilha e até trabalhar lá. Que consegue provar a origem cipriota pode tirar até o tão sonhado passaporte da União Européia. O grande problema agora está com os turcos, que foram relocados para o Chipre do Norte. Eles não podem passar para o sul e são acusados de serem o motivo do Chipre estar dividido. A questão é um pouco mais complicada, no ultimo plebiscito, os próprios cipriotas gregos não aceitaram que a ilha se reunificasse, No sul, as bandeiras da Republica do Chipre estão ao lado das da Grécia.

Fronteira

Próximo à “fronteira”. Tirei a foto de longe para não ter problemas

A parte sul de Nicósia me pareceu bem mais moderna e menos interessante. Claro que valeu a pena conhecer e me perder pelas pequenas ruas, ver todas as ativas igrejas e cafés, tudo pareceu muito animado, cara de festa, principalmente próximo à avenida Macarius, área descolada da cidade.  Mas não adianta, gostei mesmo da parte norte, com um belo caravansarai (Buyuk Han -The great inn), os banhos turcos,  a imponente  Selimiye mosque além das casas Samanbace do período otomano. Até a região da moda, Dereboyu, me pareceu mais autentica que Macarius.

Bandeiras Gregas

No sul da ilha, muitas bandeiras Gregas

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Confeitarias e restaurantes bem mais caros na parte sul.

 

Marcas da guerra

Buracos de bala – marcas da guerra e de um Chipre dividido

Caravansarai

Caravansarai no Norte de Nicósia

Apesar da situação aparentemente ser mais simples do que muitos outros “países que não existem”, a divisão do Chipre não parece que se resolverá logo, principalmente por causa dos turcos que nasceram e vivem lá a tanto tempo. Os cipriotas gregos poderiam dar uma aliviada também (já que agora não querem reunificar), mas existem muito ressentimento e desconfiança dos dois lados. Quem sabe no futuro, quando a Turquia realmente ponha todas suas fichas para entrar na união européia, esta questão seja resolvida, e o Chipre volte a ser um só país.

Acordou as 2 das manha para fazer marmita

A mãe do Rif acordou cedo todos os dias para preparar café da manhã, inclusive no dia que fui embora, ás 2 das manhã

 

Kosovo: Não-País ou Quase-País?

Dos países com reconhecimento parcial, Kosovo tem uma posição privilegiada. Digamos que está mais para um Quase-País do que para um Não-País. Tem o reconhecimento de 108 estados membros da ONU (Só perde para a Palestina, que tem o reconhecimento de 134 membros, além de ser Estado Observador da ONU), faz parte do FMI, do Banco Mundial dentre outras associações internacionais. Sua grande força é que a maioria dos membros da União Européia o reconhecem como país (somente 5 não reconhecem). Para o governo brasieirol, se você for para o Kosovo, estará indo para a Sérvia, que já não tem nenhum controle sobre a região.

O Kosovo proclamou independência no início de 2008. Os albaneses, maioria da população do Kosovo, vinham sendo massacrados pelos Sérvios, comandados pelo louco do Milosevic. O Exército de libertação do Kosovo já foi taxado de terrorista pelo ocidente no passado, mas em uma espécie de nova guerra fria (Servia tinha a Russia como grande aliada), EUA e a OTAN (se sentindo culpados por terem deixado os Sérvios massacrarem os Bósnios anos antes), resolveram apoia-los. Com os bombardeios da OTAN, as forças Sérvias recuaram e desde então a região tem autonomia e busca o reconhecimento como país. Para conseguir o feito existem algumas barreiras. A Russia, membro do conselho de segurança é extremamente contra. Países europeus, querem a garantia de que minorias servias na região sejam protegidas e tem medo do sentimento de vingança que os kosovares-albaneses possam ter, já que  milhares de albaneses foram expulsos de suas terras (quase 1 milhão de refugiados) e tiveram suas famílias massacradas (tentaram fazer uma limpeza étnica).

Eu já havia visitado todos os vizinhos do Kosovo, inclusive ensaiado uma ida para lá. Nunca escondi meu interesse pelos Bálcãs, na minha opinião uma das regiões mais interessantes da Europa! Depois de uma noite (mal) dormida no aeroporto de Istambul, cheguei em Pristina, capital do Kosovo. O avião sobrevoou  as belas montanhas, todas enrugadas, como se buscasse um vale para poder pousar. Depois da imigração, revistaram toda a minha mochila, fizeram algumas perguntas e perguntaram quanto dinheiro eu tinha. Acostumado com oficiais corruptos, fiquei com medo mostrar muito dinheiro, mas não era o caso. Eles acharam pouco, ainda perguntaram um “mas você tem um cartão de crédito pelo menos, né?!” antes de me liberarem e solar um “somente rotina, bem vindo ao Kosovo!”

Tinha sido alertado sobre a “síndrome do carro branco”, referencia à cor dos carros da ONU, que fazem o preço dos produtos e serviços subir consideravelmente devido à presença de expatriados com altos salários. Como não existe transporte público do aeroporto para o centro, o jeito foi atravessar a saguão do aeroporto desviando dos taxistas, passar por outro grupo deles lá fora e ficar parado como se esperasse alguém. Ofereceram táxi e eu disse que já tinha um pré agendado. Apos uns minutos disse que iria com um deles se cobrassem o valor que eu já havia combinado (com o táxi que não existia), 30% do valor que estavam pedindo. Aceitaram na hora!

O aeroporto não era tão perto e deu para conversar bastante com o motorista no caminho. Ele não falava inglês muito bem, mas era comunicativo e foi bastante proveitoso. Conheceria Pristina depois, meu foco naquele momento era Prizren, cidade cerca de duas horas de distância. Na verdade não fica muito longe, mas a estrada passa por pequenas vilas e muitas curvas entra as montanhas. Ótimo para ver o dia a dia pela janela alem de poder bater papo com os outros passageiros. Os kosovares estão acostumados com estrangeiros, que normalmente estão a trabalho lá, então não iniciam tanto as conversas, mas se você puxa papo, não param de falar! Como eu já havia viajado pela região albanesa da Macedônia (Tetovo) além da Albânia, eles me viam com bastante curiosidade e tínhamos bastante assunto.

Interior

Interior

Prizren foi uma antiga capital do reino da Servia. Tem sua maioria esmagadora da população kosovar-albanesa, sendo que os poucos sérvios que moravam lá fugiram após o conflito. A cidade velha está muito bem preservada, somente o bairro sérvio e as igrejas que foram bastante destruídos. Mas os tempos de guerra ficaram para trás e quem quer reconhecimento interacional tem que buscar outra postura. Com muita ajuda internacional, o lugar estava pulsando. Cheio de turistas, muitos deles do próprio Kosovo mas também bastante estrangeiros, se espalhavam nos cafés ao redor do Shadervan, antiga fonte de água em um calçadão. Cheguei em pleno festival de filme da cidade e o dia a dia parecei ainda mais vivo.

Centro

Centro

Prizren

Cidade velha com a cidadela ao fundo

Prizren

Prizren

Longas caminhada entre os diversos prédios históricos, mesquitas e igrejas eram intercaladas com repouso em algum café para olhar o movimento e a viada acontecer ao redor. Uma cidade muito gostosa, adorei o tempo gasto por ali. A quantidade de gente, que por um lado dava vida ao local, com o tempo irritou um pouco, queria ter sentido o lugar em um dia comum também. Para compensar isto caminhei bastante por bairros um pouco mais afastados. Comi um delicioso Tave e tomei uma bebida tipica chamara Boza, feita do milho.

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Ponte de pedra com a mesquita ao fundo

Minaretes

Minaretes

Igrejas destruídas e protegidas com arame farpado

Igrejas destruídas e protegidas com arame farpado

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Acabei nem indo para Peje, cidadezinha mais ao norte do Kosovo, pois acabaria ficando muito corrido. Segui pela mesma estrada de volta para Pristina, passando pelos diversos memoriais de guerra e pela bandeiras do Kosovo ao lado das da Albânia.

Apesar de ser a capital, Pristina não tem tantas atrações. É um lugar movimentado, com tantos estrangeiros e ajuda interacional acabou desenvolvendo uma série de opções de lugares para sair e comer. Um contraste de lugares sofisticados com apartamentos em forma de blocos da era comunista. Um enorme calçadão, chamado Madre Teresa, é uma das regiões mais movimentadas da cidade.

Blocos

Blocos

Calçadão Madre Teresa

Calçadão Madre Teresa

A Madre Teresa nasceu em Skopje, que hoje fica na Macedônia mas na época fazia parte do Kosovo, uma subdivisão do Império Otomano. Existe um grande santuário para ela no centro de Pristina, na esquina das avenidas George Bush com Bill Clinton.

Santuário

Santuário Madre Teresa

Pode parecer estranho um antigo país comunista, de maioria muçulmana, ter esta proximidade com os EUA, mas ela é visível por todos os lados. Bandeiras americanas ao lado das albanesas e do Kosovo sã bem comuns. Eles se mostram muito agradecidos pela decisão dos EUA liderarem a Otan no ataque contra os Sérvios (contrariando a ONU). Pertinho da loja “Hilary Clinton” pude ver a estátua que ergueram em homenagem ao Bill Clinton, no minimo curioso.

Estatua Bill Clinton

Estatua Bill Clinton

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Outdoor

Mesquitas e igrejas

Mesquitas e igrejas

Depois de explorar bem a cidade, tanto a parte nova como a antiga, estava pronto para seguir viagem. Seguiria minha jornada pelos #PaísesQueNãoExistem com a certeza de que o Kosovo não só existe, como já foi descoberto pelos turistas!

Visto para o Azerbaijão

As regras do visto para o Azerbaijão tem mudado nos últimos anos. É possível fazer um visto eletrônico também, o E-Visa, mas isto envolve uma reserva de hotel com agencias de lá. Optei por tirar na embaixada mesmo. Comercialmente Brasil e Azerbaijão tem se aproximado, quem sabe logo não sai um acordo bilateral.

Para tirar o visto em Brasília não é mais tão complicado. Estão dispensando a “Carta convite”, que antes era necessária. Não que a carta convite dificulte, mas com certeza aumenta a burocracia e os custos, pois terá que pagar uma agencia para emitir o convite, ou encontrar alguém lá disposto a te convidar.

Como tirei o visto:

Pagina da Embaixada do Azerbaijão em Brasília: azembassy.org.br

1- Preenchi o formulário de solicitação do visto, e mandei escaneado junto com a reserva de hotel e a primeira página do passaporte para o seguinte e-mail: consular@azembassy.org.br

Visto Azerbaijão

Visto Azerbaijão

2- Depois que recebi a confirmação que estava tudo ok, fui no Banco e depositei 50USD em reais, utilizando a cotação do dia.

Conta da embaixada do Azerbaijão:

Banco do Brasil

Ag- 1606-3

Cc 73.835-2

3- Depois disto você precisa mandar o recibo do depósito, o passaporte e o formulário (com duas fotos) e a passagem. Não aceitaram minha solicitação pois não tinha mandado a passagem. Tive que enviar por e-mail.

4- A dificuldade é que alguém precisa ir pessoalmente na embaixada, não aceitam que envie pelo correio. Neste caso você precisa ter uma alma caridosa que more em Brasilia ou pagar um serviço com alguma destas empresas de despachantes.

Normalmente peço um numero de dias superior a minha estadia. Como era basicamente uma parada em transito, vou ficar somente 3 dias em Baku, não pedi mais que isto. Me mandaram exatamente os dias que eu solicitei. Se a viagem for mais flexível, vale a pena pedir um mês ou algumas semanas.

Visto Azerbaijão

Visto Azerbaijão

 

Para saber mais sobre a necessidade de vistos Clique aqui

Para ver alguns vistos e carimbos da minha coleção Clique aqui

Novo projeto: Países que não existem

Um novo projeto está em fase de planejamento, se chama “Países que não existem”. O nome é um tanto provocativo, pois é claro que eles existem! Muitos deles tem autonomia total do território, presidente, moeda, passaporte dentre outras coisas. O que falta é basicamente o reconhecimento internacional.

Países "De Facto"independentes mas que ainda não tem o reconhecimento internacional

Países “De Facto”independentes mas que ainda não tem o reconhecimento internacional

Na pagina onde falo sobre por onde andei (Clique aqui) questiono um pouco sobre o que são países.

Para o direito internacional está bem claro, para ser um país precisa:

1- População permanente

2- Território definido

3- auto-governo

4- se relacionar com outros países

Mas a questão não é tão simples. Na antiguidade os estados se formavam por ocupação ou por conquista. As regras foram mudando ao longo dos seculos e só após as barbaridades da Segunda Guerra, os estados tentaram se organizar e criar regras (até mesmo para guerras). Com o tempo surgiu a ONU, “Organizações das Nações Unidas”. O problema é que para se tornar independente agora, teoricamente não poderia lesar um estado membro da ONU. Existem as declarações unilaterais, onde os novos países buscam reconhecimento dos estados membros da ONU, mas é um processo longo e complicado.

A ONU reconhece 193 países, além do Estado observador do Vaticano. Recentemente a Palestina também foi elevada ao titulo de Estado Observador da ONU. Pelo menos 10 Estados são “de facto” independentes (alguns falam em 14).

São eles:

1- Palestina – Estado Observador da ONU, membro da Unesco, reconhecido por 134 países da ONU

2- Saara Ocidental – Também chamado de Republica Árabe Sarauí, membro da União Africana, reconhecido por 84 países da ONU.

3- Kosovo – Somente três dos cinco estados membros do conselho de segurança da ONU votaram a favor da independência (Qualquer um tem direito a veto), no entanto é reconhecido por 109 países membros da ONU

4- Somalilândia – Controla seu território desde 1991, tem presidente, exercito, moeda própria, visto de entrada, escritórios de representação, mas não é reconhecida por nenhum país.

5- Transnístria – Reconhecida somente por três estados não membros da ONU

6- Norte do Chipre – Reconhecido somente por um estado membro da ONU

7- Abkhazia – Reconhecida por quatro países da ONU e três não membros

8- Ossétia do Sul – Reconhecida por quatro países da ONU e três não membros

9- Nagorno-Karabakh – Reconhecido somente por três estados não membros da ONU

10- Taiwan – Inacreditavelmente reconhecido somente por 21 países da ONU.

Alguns destes países são de mais fácil acesso, outros tem fronteiras fechadas e vistos complicados de se conseguir. Vamos ver quais eu consigo visitar. Se alguém de uma embaixada que não reconhece algum destes países estiver lendo, não se preocupem que não farei nada ilegal 😉

Gostaria de fazer filmagens, para depois lançar meus vídeos de viagem (Clique aqui). Se tiver bastante conteúdo quem sabe não lanço em episódios ou um Vlog. Se alguma produtora se interessar é só entrar em contato! 😉

Agora vem a parte que os leitores podem colaborar! Estou disponibilizando 100 cópias do meu ultimo livro, De Istambul a Nova Délhi: Uma Aventura pela Rota da Seda” por 30 reais cada. Valido até dia 15/Ago. É um desconto de 25% no preço que as livrarias estão cobrando (Clique aqui). Valor com postagem para todo o Brasil.

Para quem não comprou, é uma ótima oportunidade para adquirir o seu! Pode comprar para dar de presente para aquele amigo que gosta de viajar, pode encomendar vários para colaborar com o projeto e desfrutar de estórias e fotografias no blog, sem custo nenhum 😉

Capa

Capa

Fiquem de olho no blog, na pagina do Facebook e no Instagram para saber como anda a parte burocrática pré-viagem.

Primavera em Praga

Em 1968, uma serie de reformas na antiga Checoslováquia, foi chamada de Primavera de Praga. Os soviéticos não gostaram nada do estilo moderninho do partido comunista local e mandaram milhares de soldados e tanques, esmagando qualquer manifestação, além de ocupar o país. Primavera de 2014, muito tempo se passou, até mesmo da democratização da região, que alias agora se tornaram dois países, Rep. Tcheca e Eslováquia. A unica invasão que agora é possível observar é a de turistas. Milhares, deles por todos os cantos. Dominaram Praga, tomaram conta!! Fácil de entender porque. É uma cidade linda, cheia de atrativos. O Acordo de Munique, firmado entre as potencias europeias da época, entregou a Checoslováquia para os nazistas e por isto Praga foi polpada durante a invasão alemã. É a cidade da moda para os jovens europeus festarem. Terra de cerveja (a região se chama Bohemia), vimos diversos grupos cantando alto ou até fazendo “jogos” de despedida de solteiro no meio da rua.

O castelo visível de toda a cidade

O castelo de Praga, visível de toda a cidade

Primavera EM Praga - Invasão de turistas!

Primavera EM Praga – Invasão de turistas!

 

Telhados

Telhados

Gargulas na Catedral

Gargulas na imponente Catedral gótica de São Vito

No bairro judeu, além da Sinagoga Old-New (uma das mais antigas da Europa), existe um antigo cemitério. Lá se pode observar uma lapide ao lado da outra, todas amontoadas, pois faltava espaço para enterrar os corpos.

Sinagoga Velha-Nova

Sinagoga

Uma das grandes atrações de Praga  é o relógio astronômico. Antes de chegar em Praga, passamos por toda o Morávia (região leste da Rep Checa). Na cidade de Olomouc (famosa pela coluna da Santíssima Trindade) tem um relógio parecido, mas os comunistas  trocaram as figuras religiosas que aparecem nas janelas de hora em hora por camponeses e operários.

Orloj - Relógio astronômico

Orloj – Relógio astronômico

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Uma agradável surpresa foi o Monastério Strahov no alto da colina, com suas bibliotecas de Teologia e Filosofia . São mais de 130 mil livros (muitos deles antiquíssimos), distribuídos em salões com os o tetos todos decorados.

Biblioteca

Mosteiro Strahov: Bibliotecas de Filosofia e Teologia

Cerca de uma hora de Praga está a cidade Kutná Hora (patrimônio da Unesco). Estávamos na dúvida se iriamos até lá, mas valeu bastante a pena! Chegamos antes dos ônibus de excursão e trens, então estava tudo muito calmo. Clima de interior, uma delícia, depois das hordas de turistas na capital. O templo de Santa Barbara, no seu estilo gótico, é tão bonito quanto a catedral de São Vito de Praga! A catedral da Assunção de Nossa Senhora, todo o centro antigo despertando pela manhã eram um charme.

Torres góticas

Torres góticas do templo de Santa Barbara

Vista para Kutna Hora

Vista para Kutna Hora

Uma atração que chama bastante a atenção na região é o Ossário de Sedlec , com 40 mil esqueletos. Dizem que um abade trouxe um pouco de terra santa de Jerusalém e por isto as pessoas preferiam ser enterradas ali. A capela medieval pode não agradar algumas pessoas, com seu estilo de arte um pouco “forte”, mas ela só mostra o mais obvio, a temporalidade da vida! Lustres, cálices, cruzes, tudo feito com ossos.

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