A cidade imperial e o campo da morte

Fazia tempo que eu ensaiava uma viagem para a Cracóvia. Em 2004 eu troquei o leste europeu por uma viagem ao sudeste asiático. Em 2012, depois do casamento da minha irmã na Inglaterra, queria ir para Ucrânia e Polônia, mas no mesmo período aconteceria a Eurocopa nestes países, então optei por um voo barato para o Marrocos e Saara Ocidental.

Finalmente pude conhecer esta incrível cidade, capital imperial da Polônia no passado, patrimônio da Unesco. Cidade invadida pelos Mongóis (Sim o maior império do mundo chegou até a Europa), Nazistas e Soviéticos. Felizmente não foi destruída na segunda guerra e continua muito bem preservada.

Torre do palácio real

Torre do Castelo de Wawel

Igreja

Igreja de Santa Maria, com suas torres diferentes

Cidade universitária, cheia de jovens

Cidade universitária, cheia de jovens

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Catedral

Catedral

Colorida

Colorida

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Sukiennice, na praça central em Stare Miaste (Cidade Velha)

Comida de rua na Rynek Glowny, uma das maiores praças medievais do mundo - Coração da cidade velha

Comida de rua na Rynek Glowny, uma das maiores praças medievais do mundo – Coração da cidade velha

Torre do relogio

Torre do relógio

Ao sul do castelo, fica o Kazimierz antigo bairro judeu, onde ainda existem algumas Sinagogas dentre outros prédios históricos. Lugar mais calmo, com menos turistas, onde vale a pena dar uma caminhada com calma. Milhares de judeus saíram daqui para o campo de extermínio de Auschwitz. Novamente é bom lembrar o  porquê do leste europeu ter uma população tão grande de judeus. Simplesmente porque foram expulsos de diversos reinos da Europa Oriental! Se hoje o anti semitismo não é tão grande na Europa Ocidental, a xenofobia só vem aumentando. Fácil de se observar isto nas ultimas eleições do parlamento Europeu, onde a extrema direita só vem ganhando espaço.

Hitler disse “Quem fala hoje do extermínio dos Armênios?”. E os erros vão se repetindo ao longo da história. Já visitei diversos locais de guerra,  campos de extermínio, de ataques de armas químicas, como em Halabja no Curdistão iraquiano, locais do genocídio em Ruanda e até mesmo o campo de concentração de Dachau, próximo a Munique-Alemanha. Também já estive em memoriais do Holocausto. O que mais me assusta é a forma sistemática e planejada que tudo aconteceu na segunda guerra.

A morte de negros, homossexuais e Ciganos  não é tão lembrada como deveria, mas também fazia parte do plano de extermínio dos nazistas. Os ciganos continuam sofrendo preconceito e sendo colocados a margem da sociedade europeia até hoje.

Fomos visitar o campo de Auschwitz-Birkenau em Oswiecim, onde aconteceram alguns dos maiores massacres da segunda guerra. Para a Bibi, a visita tinha um significado especial, pois foi onde o Victor Frankl, objeto de estudo dela, comprovou sua teoria de “Busca de sentido”. Aquele clima pesado, onde não entendo pessoas ficarem posando para foto, mas cada um com suas manias. Achei que a longa visita guiada traria informações novas, mas neste sentido não foi tão interessante. Pelo menos para mim, vale mais a reflexão em si.

O trabalho

“O trabalho liberta”

Auchewitz

Auschwitz

 

Ofuscada por gigantes

Com o fim e separação da Tchecoslováquia, através do chamado “Divórcio de Veludo” (1993), a Eslováquia ficou meio esquecida. Sua capital, Bratislava, de certa maneira é ofuscada por Viena-Áustria, que está a somente 65 km de distância. Outras importantes e imponentes cidades também não ficam longe, como Budapeste (Hungria), Praga (Rep Tcheca) e Cracóvia (Polônia).

Em viagens anteriores não tinha ido para lá, mesmo tendo passado tão perto. Desta vez não deixei a oportunidade passar! Eu vinha de carro com meu cunhado, Jony, desde o norte da Eslovênia. Após uma estrada interrompida Eslovênia-Áustria, fizemos um desvio pelo estremo nordeste da Itália, atravessamos toda a Áustria até chegar em Viena, onde encontramos com a Bibi e minha sogra, Mara, que tinham passado a última semana em um congresso de fenomenologia por lá. De Viena seguimos até a Bratislava, onde nos hospedamos num hotel naqueles antigos blocos soviéticos, só que todo colorido.

Caminhando por lugares não muito bonitos, mesmo na beira do rio Danúbio, a Bibi me questionou por quê tínhamos ido para lá. Tudo bem, a Bratislava não é daqueles lugares imperdíveis, mas foi só nós chegarmos no centro velho que ela mudou rapidinho de opinião. Um centro movimentado, bonito, com um grande calçadão, cheio de cafés e restaurantes. Prédios históricos (chegou a ser a capital do império Húngaro, quando Budapeste foi invadida pelos otomanos) se misturam com um estilo mais industrial, além de construções mais bizarras da época do comunismo. Tudo isto junto dá um estilo para o lugar. Para quem está pela região, com certeza vale conhecer!

Cafes

Cafes na praça principal

Castelo

Castelo Bratislava

Ponte Suspensa

Ponte suspensa como o “OVNI”Comunista

Cinza

Cinza

Bratislava

Centro antigo

Igrejas e viadulos

Igreja e viaduto

Gostaria de ter explorado mais o interior da Eslováquia, a região leste, mais rural, as montanhas (Montes Tatras) e pequenas vilas devem ser bem interessante. Mas infelizmente não tínhamos tempo, era uma viagem curta. De qualquer forma deu para aproveitar um pouco o caminho até a Polônia e quando era possível, saíamos da estrada principal cara conhecer um lugar ou outro.

Castelo em Trancin

Castelo em Trencin, pouco mais de 100 km ao norte da Bratislava

 

 

Eslovênia, uma grata surpresa!

A Eslovênia sempre foi a região mais rica da Iugoslávia. Era uma nação bastante industrializada, o que contrastava com a Macedônia por exemplo, que era basicamente rural na época. Com a crise dos anos 80, estas diferenças foram ficando mais marcantes. Sem a figura do Tito como lider e com a Sérvia querendo cada vez mais centralizar o poder (além da queda do comunismo no mundo todo), o futuro da Iugoslávia estava marcado. A Eslovênia foi a primeira a se declarar independente e conseguiu o feito com certa facilidade. Foi também a primeira das ex-republicas da Iugoslávia a entrar para a União Européia.  Fácil de entender porquê, o país é impecável, deve agradar os mais exigentes, até mesmo aqueles que só viajam pela Europa Ocidental.

Vinhamos de carro por uma fronteira secundária com a Croácia. Paisagens rurais, com pequenas cidades e igrejinhas no topo de montes davam todo um charme. Chegando em Liubliana, capital do país, não foi difícil ir até o nosso hostel.  Mesmo sendo a capital do país, sua população não chega a 300 mil habitantes.

Interior da Eslovênia

Interior da Eslovênia

Ficamos hospedados no Metelkova Mesto, um bairro, ou melhor uma pequena  “cidade” (Mesto)  independente. Tudo começou com o a independência da Eslovênia da Iugoslávia, quando um quartel do exercito iugoslavo abandonado foi invadido. Anarquistas criaram um centro cultural autônomo, com regras e leis próprias. Existem galerias de arte, estúdios, escritórios e muitos bares. No local onde era a cadeia hoje fica um hostel, muito bom por sinal! Não ficamos nos quartos com grades pois eram mais caros, mas estão lá para quem quiser ter a experiência!

Metelkova

Janelas de Metelkova Mesto

Ansiosos, saímos de noite mesmo para o centro histórico, sem mapa nem nada. Impossível de se perder, com um castelo no alto de uma colina, que pode ser visto de toda a cidade. A região antiga, impecável, com luzes no chão na sua praça principal (Preseren). As famosas três pontes refletindo no canal, a igreja de São Francisco e o castelo iluminado, dão todo um clima para a cidade.

Três pontes vistas de longe

Três pontes e igreja de São Francisco a noite

De dia deu para ter uma outra perspectiva. Ao lado das pontes e prédios históricos, muito grafite, arte de rua. Jovens andando de bicicleta, cafés e fios de luz com muitos tênis pendurados. A cidade é charmosa, muito simpática. Apesar do estilo moderninha, me pareceu que falta um pouco de vida, sei lá. De qualquer forma uma delícia de caminhar e explorar a pequena cidade. Encontramos com uma amiga da minha irmã que mora lá, e fomos tomar um café no terraço de um prédio. Vista incrível  para toda a cidade, o castelo e os Alpes Julianos do outro lado.

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Liubliana e seus canais

O castelo e o centro histórico

O castelo e o centro histórico

De Liubliana passamos rapidamente pela pequena Skofia Loka,  evitamos novamente as auto estradas, subimos as montanhas, atravessamos passes e pequenos vilarejos até chegar no Lago Bohinj, no Parque Nacional Trigav. Paramos em diversos pontos, caminhamos pelo bosque que tinha um tapete de folhas. Lugar lindo, calmo, somente com patos e algumas canoas para dar algum movimento para a paisagem. Poucos quilômetros dali fica Bled, uma das maiores atrações do país. É praticamente um cartão postal, uma pintura que saiu de um livro de conto de fadas. Um lago, onde tem uma ilha com uma igreja. Um penhasco com um castelo no topo. Tudo isto cercado por montanhas nevadas. Uma paisagem perfeita! Claro que um lugar destes vai atrair muitos turistas, tem uma boa infraestrutura, mas ainda é possível percorrer trilhas para ter uma vista incrível de cima da montanha sozinho!

Ponte em Skofia Loka

Ponte em Skofia Loka

Bohini

Bohinj

É possível dar a volta completa no lago, apreciando por todos os ângulos, subir no castelo e ir até a ilha. Mas o melhor visual vai ser de cima mesmo (trilha ao lado do camping é ótima, acho que é a #6). Além disto, ainda tem outras grandes atrações na região, como Vintgar Gorge. São quase dois quilômetros de passarelas estreitas ao longo de uma fenda na rocha, com corredeiras. Muito legal!!

Paisagem perfeita de Bled

Paisagem perfeita de Bled amanhecendo

Vintgar Gorge

Corredeiras e passarelas de Vintgar Gorge

Uma noite fomos jantar e com um inglês macarronico a garçonete perguntou de onde eramos. Ao responder, ela falou o obvio: “Brazil?! Cool, football!” e saiu. Choramos de dar, risada. Com influencia da boa cerveja eslovena foi muito mais engraçado.

A Eslovênia não terminou por aí. Como o país é pequeno, é bem rapidinho de ir de um lugar para outro. Fomos até Kranjska Gora, estação de esqui já ao lado da fronteira com a Áustria e Itália. Depois de intermináveis curvas e um zigue-zague, chegamos ao topo do passe, com uma excelente vista dos Alpes Julianos.  Pessoas subiam as montanhas com esquis na costas para depois aproveitar o remanescente de neve que ainda tem. Passamos por campos floridos e lindos lagos até chegar na fronteira com a Áustria que pretendíamos utilizar. Estava fechada devido a obras na pista. Tivemos que fazer um pequeno desvio via Itália, quinze quilômetros para frente, onde deixamos este lindo país!

Montanhas

Alpes Julianos

Montanhas

Montanhas e campos floridos

 

Lago em Kranjska Gora

Lago em Kranjska Gora

Reencontro com a Croácia

Quando surgiu a oportunidade de eu voltar para os Bálcãs, meu foco era Sérvia e Eslovênia, os países que eu não tinha viajado anteriormente. Pensava em pegar um trem ou ônibus direto de Belgrado para Liubliana. Como meu cunhado Jony, também estava viajando por aquela região, tentamos unir os roteiros. Ele estava de carro, então não foi tão difícil de inverter a sequencia da sua viagem e marcamos de nos encontrar em Zagreb, capital da Croácia. Na minha ultima viagem pela Croácia, tinha estado basicamente pelo sul/litoral do país (clique aqui).

Peguei um ônibus noturno de Belgrado para Zagreb (trens só durante o dia) e acabou demorando bem mais que o esperado. Atravessei a porção sul da província autônoma de Volvodina até chegar na imigração, que foi bem demorada, mesmo de noite. Cheguei só na manha seguinte, o que não foi ruim. Como já estava claro, pude pegar um tram direto para o centro antigo, onde tinha combinado de encontrar o Jony na frente da catedral.

Rodoviaria

Autobusni

Jovens bêbados caminhavam pela rua e tentavam roubar frutas na feira que estava sendo montada. Pelo jeito a noitada havia sido longa! Caminhei aleatoriamente pela cidade até achar um pequeno café aberto. Fiquei batendo papo com um Croata que apostava fortemente na sua seleção na copa do mundo. Avisou para tomarmos cuidado, senão seríamos surpreendidos. Conversamos um pouco de Zagreb, Croácia, Tito e Iugoslávia, mas já estava na hora de eu encontrar com meu cunhado. Mesmo sem estarmos com celular, tudo ocorreu perfeitamente como o combinado. Demos mais algumas voltas pela cidade e já pegamos a estrada sentido Plitvice, uns 150 km dali.

Apesar de ser uma das grandes atrações do país, parte do trajeto é feito por estradas bem simples (apesar de boas), cortando o interior do país. Belas paisagens fizeram o tempo voar. O tempo não estava dos melhores, mas pelo menos não estava chovendo. De certa maneira ajudou a não ter tenta gente no parque, que normalmente é lotado.

Plitvice

Lindas cachoeiras

Existem diversas trilhas, para rodar todo o parque demora cerca de 4 horas. Devido as chuvas fortes que caíram na região, algumas partes das trilhas estavam interditadas, pois a água passava por cima da passarela.

Passarelas

Passarelas

São incontáveis cachoeiras e lagos. O mais legal é que a água corre no meio das arvores e plantas e não só por pedras. Isto da todo um clima para a região. Lindo o parque, que é patrimônio da Unesco. Mais no final das nossas trilhas fomos brindados com o sol, que saiu de trás das nuvens! Os lagos, com suas águas límpidas, não chegaram a dar aquele tom azulado, mas a beleza do lugar é tão grande, que independe disto.

Plitvice

Plitvice

Lago e água escorrendo entre as arvores.

Missão cumprida, tínhamos que pegar estrada para mais uma esticada, agora até Liubliana, capital da Eslovênia. Mas não sem antes parar para comer alguma coisa. Diversas placas mostravam um animal, que não conseguíamos identificar, espetado em um rolete. Estávamos ansiosos para experimentar algo novo. Mas no final das contas era só ovelha e porco. No lugar que paramos já tinha até acabado a ovelha, então não tivemos muita opção. De qualquer maneira a comida estava saborosa e a refeição custou cerca de 5 Eur por pessoa, junto com bebida.

Optamos por não pegar a estrada principal,  e cortamos caminho pelas secundárias. Apesar de mais perto, tornaria a viagem um pouco mais longa, por outro lado bem mais bonita. Não nos arrependemos!! Não demorou muito para chegarmos na pequena fronteira com a Eslovênia.

 

 

Eslavos do Sul

As nações da região dos Bálcãs, ficavam bem no meio da encruzilhada oriente x ocidente, sempre sob domínio de grandes impérios (ficava bem no meio do Império Austro-Húngaro e Otomano).  No final do seculo 19 começaram a ter certa autonomia, mas depois das grandes guerras que seu futuro mudou drasticamente. Após a primeira guerra mundial, conquistaram territórios dominados pelos Otomanos e formaram o Reino dos Servos, Croatas e Eslovenos, mais tarde alterado para Reino da Iugoslávia, que significava “Reino dos eslavos do sul”. Foram invadidos por Nazistas e Fascistas na segunda guerra e sua força de resistência liderada pelo Josip Tito, os Partisans, instaurou uma republica socialista após os Nazi-Fascistas serem derrotados.

A figura de Tito se mistura com a da Iugoslávia. Quando ele era vivo, o país formado por diversas nações, era unido e tinha importância no senário mundial. Lembram aquela história do mundo ser dividido entre primeiro mundo e comunistas, além do terceiro mundo que não era alinhado com ninguém? Pois é, a Iugoslávia era um dos países que lideravam o “Terceiro mundo”ou países não alinhados (mesmo sendo comunista).

Com a morte do Tito, iniciaram vários movimentos nacionalistas, e os Sérvios, centro do poder e com minorias em diversas nações foram cruéis. A Iugoslávia ainda se manteve por uma década, mas com o fim do comunismo, novas guerras sanguentas acontecerem e ela foi se despedaçando ao longo da década de 90. O líder da Sérvia Milosevic foi acusado de diversos crimes de guerra e genocídio e Belgrado foi bombardeada elos sérvios terem desafiado até a ONU. Na minha ultima viagem pela região (clique aqui) não não fomos para Sérvia. Já não tínhamos muito tempo (passagem para o Brasil comprada) e naquela época brasileiros precisavam de visto para entrar no país. Facinado pela região dos Bálcãs, quando a Bibi decidiu participar de um congresso em Viena-Áustria, não tive duvida em marcar meu voo para Belgrado, para só depois encontrar com ela.

No aeroporto de Belgrado, um taxista simpaticíssimo me levou até o Hostel. Em meio a conversas sobre Tito e a Iugoslávia, ao saber que eu era brasileiro, me mostrou um adesivo no carro  escrito “AS”. Ele tinha acabado de voltar de Ímola, onde foi prestar homenagens no aniversário da morte de Ayrton Senna. Não era um fanático por F1, era um fanático por Ayrton Senna! Não preciso nem dizer que a conversa sobre a Iugoslávia-Tito se encerraram…

Nas notícias eu lia que a Sérvia passava por uma das maiores enchentes dos últimos tempos. Quando cheguei a chuva não estava pesada e para minha sorte a previsão era de dar uma trégua. Por causa do mau tempo o hostel estava vazio. Nada mal ter um quarto só para você por 12 EUR com café da manhã!

Belgrado não é um grande centro turístico, mas é uma cidade agradável, daquelas que você vai descobrindo e vai gostando cada vez mais. É uma cidade grande, movimentada e está se reinventando. Famosa por sua vida noturna, dizem que a cidade bombardeada está “Bombando”.

Da para percorrer boa parte da cidade a pé, mas se cansar o tram 2 faz um circulo na parte mais central (compre o bilhete antes de entrar). Caminhei muito, já no primeiro dia de viagem estava com bolhas no pé. Fui conhecer a cena independente que está florescendo na cidade. O BIGZ, antigo prédio, daqueles blocos gigantes comunistas, foi invadido e hoje tem artistas, pequenos espaços para shows e até um centro cultural brasileiro. Incrível como a pratica do Squat é popular na Europa. Com paredes todas pichadas,  difícil de acreditar que atrás das portas tenham lojas, artistas, pequenos empreendedores e até jazz no terraço. O mesmo acontece atrás das portas metálicas da região de Savamala.

Grafites

Grafites

A gigantesca catedral ortodoxa de St Sava, é muito bonita por fora, mas quem quer observar os ícones ortodoxos deve passar pela St Mark’s Chunrch, pois St Sava ainda esta em obras no seu interior. Caminhando pela avenida Kneza Milosa, onde estão as embaixadas, você vai dar de cara com prédios bombardeados, que foram propositalmente deixados no meio da cidade reconstruída. Independente da terrível posição/ação da Sérvia nos conflitos com seus vizinhos, numa guerra muitos inocentes vão morrer e isto também aconteceu em Belgrado.

Catedral ortodoxa

Catedral ortodoxa

Prédios bombardeados

Prédios bombardeados

A larga avenida Kralja Milana te leva de volta para o centro histórico, Stari Grad, com a praça da república, o museu e o teatro nacional no seu limite. No calçadão Kneza Mihaila, lojas, muita gente e até uma exposição apresentando as cidades sede da Copa do Mundo no Brasil.

#vaitercopa

#vaitercopa

Mas a grande coroa de Belgrado é o parque Kalemegdan, com vista para o encontro dos rios Danúbio e Sava. O antigo forte, uma grande Cidadela, possui diversos monumentos, belos portões, torres, museus e  igrejas. Os locais gostam de passear por ali e se misturam com os turistas. Barraquinhas vendendo velharias, crianças brincando e pessoas fazendo exercício mostram que a vida diurna da cidade também é intensa.

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Clock Gate e tower

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Kalemegdan

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St Petka

Se o tempo tiver bom, vale alugar uma bicicleta ao lado da academia do tenista Djokovic, um pouco para fora do estremo norte do parque. Dá para percorrer as ciclovias até a região de Zenun. Como o tempo não estava dos melhores, resolvi ir de ônibus mesmo (ônibus 84, perto de Mc Donalds). É um alívio andar pelas calmas ruas de pedra ao redor da Millenium tower. Só não ache que vai conseguir informação fácil perguntando por este nome. Só quando falei “Gardosu”é que as pessoas na rua entendiam onde eu queria ir. Aquele clima mais de bairro, com senhoras ortodoxas com lenço na cabeça, parecia interior, mesmo estando na capital do país.

ruas de pedra

ruas de pedra em Zenun

Torre

Torre Gardosu

Construída ainda no final do seculo 19, em cima de fortificações mais antigas. A região é habitada há pelo menos 7000 anos! De cima da torre tem uma bela vista para Belgrado e os rios Sava/Danúbio. Ótimo lugar para um final de tarde.

vista

Vista para o Danúbio

Nas minhas andanças pela cidade acabei perdendo o horário e não fui no mausoléu do Tito e no Museu da Iugoslávia, que fecha as 16hs. Uma pena! (É só pegar o tram 41 em frente ao parque dos estudantes).

Gostei de Belgrado, cidade acolhedora, comida boa e barata (um Pljeskavica custa pouco mais que 1 EUR), fácil de se locomover. Pena o pessoal do Couchsurfing não ter aparecido na minha ultima noite, antes de eu pegar o ônibus para Zagreb. Achei um barzinho/restaurante bem bacana, com um jardim interno e cobertores para espantar o frio e o tempo passou voando, até a hora de  eu caminhar para a rodoviária e embarcar para meu próximo destino.

Pa-pa (até logo) Belgrado!