País dourado!!

A Birmânia é um antigo inimigo da Tailândia.  O Burma vivia invadindo o Sião (antiga Tailândia) e a rivalidade existe ate hoje. Tipo um Brasil x Argentina, mas com a diferença de que o Myanmar e muito mais subdesenvolvido. Seria mais fácil imaginar um Tailândia x Vietnã  ou Tailândia  x Malásia.  Ninguém na Tailândia entendia porque iriamos para o Myanmar, até nos desencorajavam. Lembro que no início dos anos 90 via videos de desafios do Boxe tradicional da Birmânia contra o Boxe Tailandês em videos lá na academia Chute Boxe da rua Visconde do rio Branco. Por onde passava procurava um lugar para aprender esta forma antiga de combate, mas e muito difícil, pois não e comercializado, não virou um “esporte” como o Muay Thai.

Mandalay não e uma cidade muito atraente. Se já estava dando o adjetivo de empoeirada para outros lugares, aqui e o campeão. As atracões, algumas antigas capitais, ficam ao redor da cidade, e resolvemos fazer com calma, em vez de pegar um carro e ir em todas as cidadezinhas no mesmo dia. Os lugares preferidos foram Amarapura e Sagaing. Na primeira tem diversos monastérios, um lago com um longa ponte de Teca, onde vimos um super por de sol com um passeio de barco. Já Saigang tem uma colina com centenas de estupas, e e uma região famosa para meditação. Fomos sempre de transporte local, o que só em si já era uma aventura. Nos divertíamos com o pessoal. Em Mandalay tem um templo bacana também  daqueles que as mulheres não podem se aproximar do altar principal. Gostamos de visitar um monastério antigo todo feito de Teca, onde a Bibi aproveitou para tirar duvidas sobre Budismo e Meditação com um monge. Ficava numa região com muitos monastérios  então eram dezenas, se não centenas de monges para cima e para baixo. Ao pedir informações acabamos fazendo amizade com um deles que fez questão de nos levar no monastério dele para conhecermos e vermos a hora da meditação e mantras.

Monges e seus mantras

Final de tarde “da queles” em Amarapura

Vista de dentro dos transportes

Sempre cabe mais um!

Andamos bastante de Triciclos também  e desta forma fomos ate um café indicado, para comemorar o aniversario da Bibi. Lugar super descolado, decoração  câmeras de segurança  muito acima da expectativa. Como era um lugar com iluminação indireta, trouxeram um “abajur” para lermos o cardápio  Não e que era um abajur de camelo, em forma de gato, com etiqueta de preço e tudo!!!haha Quase não acreditamos. A Bibi falou que o banheiro não era la estas coisas, e não tinha toalha, só papel higiênico para enxugar as mãos. Mas a comida estava boa, e estão quase la. Haha

Depois de alguns cafés da manha juntos, trocas de informações de viagem, por coincidência estávamos pegando um ônibus junto com os alemães  Desta vez para Pagan, um dos maiores complexos de templos do mundo, com mais de 4000 estupas. Mordemos nossa língua  e acabamos ficando muito amigos do casal, tendo ate ido jantar algumas vezes juntos. Pagan teve seu ápice a quase 1000 anos atras, e sua beleza e unica. Já estávamos de saco cheio de visitar templos (isto que sou chegado num templo, estupa, igreja, mesquita…), e para nossa surpresa eles não eram tao interessante. Deixa eu explicar melhor. Poucos dos quase 4500 templos tem estatuas diferentes, pinturas, pedras entalhadas. Estes são muito interessantes, mas o legal mesmo e pegar uma bicicleta e andar pelo meio deles todos. Montamos dois roteiros para olhar os principais, e nos outros dias foi meio que sem destino. Parava onde dava vontade, repetia os mais legais, e subíamos terraços dos que tinham acesso. Muitos deles por corredores escuros, onde a lanterna foi muito útil.  Isto era a parte mais legal, descobrir um super templo, sem ninguém  para ver o visual e o por de sol. Sempre voltávamos já de noite, pois nos perdíamos no horário devido tamanha beleza. Um dia, na volta para o hotel, fomos surpreendidos por uma lua cheia gigante, amarelada, levantando por trás das estupas ponte agudas. Momento Mastercard!! A Bibi que andava meio triste com a crise dos 30, cantava sem parar, andando de bicicleta com os bracos para o lado e escutando musica…

Rodoviaria de Mandalay

Pagan!!

Um dos mais de 4000 templos

Precisa falar alguma coisa?

!!!

Íamos para outros lugares no Myanmar, mas gostamos tanto que resolvemos ficar mais tempo em Pagam. Pessoas chegavam, iam e nos lá. Tem um boa seleção de restaurantes, e a Bibi podia comer comida italiana, já que não se adaptou a culinária local. Num destes dias, por acaso, encontramos a Marlinda, nossa amiga e companheira de viagem da Indonésia !! Como o mundo e pequeno!! Fizemos vários passeios juntos e jantamos alguns dias também  Legal que ela e psicologa, faz Yoga, se dando super bem com a Bibi, alem de ser largadona, fazer treking, viajar sozinha de mochila, se dando muito bem comigo. Há, alem de pegar no pé da Bibi!!haha Estas coincidências me fez lembrar que em 2001 conheci um americano e um brasileiro em Amsterdam. Semanas depois, por acaso, encontrei o americano na rua em Barcelona. Já o brasileiro, encontrei 8 meses depois, numa festa, em San Diego. O mundo e mesmo pequeno! Fizemos planos de quem sabe encontrar a Marlinda novamente na Índia  alem dos alemães  já que e destino de todos nos, só com chegadas em datas diferentes. Os alemães já passaram 5 meses e meio lá, e estão voltando para mais 2 meses.

Nos com a Marlinda no terraço de um dos templos

Estas estradas de terra nos renderam 2 pneus de bicicleta furados

Nossas “magrelas” ali em baixo

Aqui, antes da chegada do Budismo, todos acreditavam em “Nats”, que são espíritos em formas humanas, mas que podem aparecer em animais, plantas e outras formas. E uma religião  ou crença  muito interessante, mas infelizmente pudemos aprender pouco, devido a falta de informação em inglês  e da fraca comunicação dos devotos. Fomos ate o Mt Popa, montanha com um monastério pendurado no topo. Muito bonito de baixo, mas a vista de cima não e tao bonita, pois a terra e totalmente plana. Este templo e budista, mas assim como na maioria dos lugares, a devoção se mistura com os Nats, tendo imagens de todos. Este e inclusive um dos lugares mais sagrados do Nat. As longas escadarias estavam enfestadas de macacos, e suas respectivas fezes. Vimos algumas engraçadas cenas de macacos roubando comida de turistas desavisados.

Mt Popa

Tava bom, mas tínhamos que voltar. Pegamos as péssimas estradas, e observamos mulheres e jovens  trabalhando pesado ao produzir e carregar cascalho para as novas estradas. No ônibus todo o corredor estava lotado de passageiros, sentados em banquetinhas de plastico. Em Yangon já tínhamos endereço, pois adoramos a hospitalidade do primeiro hotel. O bom daqui, e vários outros lugares que passamos, que se chegar as 4 da manha por exemplo, vai pagar a diária so do dia seguinte. E sempre erly check in.

Corredor do ônibus top de linha.

Tínhamos que ir no mercado e fomos num que ficava em um shopping. Muito diferente a parte “moderna” deles. A Bibi ficou estudando no hotel e eu fui no YMCA, onde anunciavam aulas de Kick Boxing. Tinha a esperança de que fosse o Burmise traditional boxing. Cheguei la na hora do treino e não tinha ninguém  Aparentemente não teria treino por algum motivo. Peguei o endereço de outro local onde este treinador dava aulas, mas não me pareceu muito profissional. Na saída conheci o Aungpyi, que adorou a historia de eu me interessar pela tradição deles. Me levou na casa dele e me apresentou para a mãe dele. Me presenteou com dvds de diversas lutas profissionais e conseguiu o carro da mãe dele emprestado. Aparentemente representante da classe media daqui, esta terminando o curso de medicina, que segundo ele e muito fraco, mas ele quer ajudar as pessoas. Rodamos para fora da cidade e quando ele contava calorosamente do seu fim de namoro acabou batendo o carro, arrancando o espelho retrovisor do meu lado. Que susto! Me levou sem eu saber no principal campo de treinamento de Burmese traditional boxing. Um galpão aberto, com quatro sacos de pancada, alguns pneus e umas espumas em colunas. Inacreditável que dois dos campeões nacionais saíram desta estrutura. Logo eles chegaram e pude fazer um treino com eles. O treinador super atencioso arranhava um inglês  e discutimos bastante sobre as diferenças para o Boxe Tailandês  alem de me mostrar vários detalhes. Me explicaram que existem poucos centros de treinamento, que a maioria dos campeões vem da região rural, e treinam em família  ou pequenas vilas. Voltei para casa feliz da vida e fomos num bar que vimos por acaso num mapa turístico.  O proprietário e neo zelamdêz, e o bar e impecável.  Difícil entender como que o lugar se paga, pois apesar de caro para os padrões locais, só tínhamos nós (com direito a escutar Bossa Nova!). Uma coisa que e difícil para o povo brasileiro entender e como as cidades grandes ao redor do mundo são seguras. Com todo o tamanho e pobreza de Yangon, nem pensamos em não levar o computador na mochila. Andamos pelas ruas escuras do centro (aqui sempre acaba a energia, daí só fica iluminado os lugares com geradores, o resto só na vela!), para comer a deliciosa pizza. Claro que o WiFi não funcionou…

Burmise traditiona boxing!

Ultimo dia de Yangon tentamos ir num suposto museu na antiga casa de Aun San, mas tava fechado e abandonado. Fomos até um parque onde ficamos sentados conversando no gramado, de gente para o lago com o Palácio flutuante. De la caminhamos ate a Swedagon pagoda, que tínhamos gostado tanto. Fiz amizade com um cara enquanto a Bibi meditava e fiquei tirando duvidas dos Nats e Budismo. Deixamos para trás os trocentos Budas deitados existentes por aqui. Enquanto a Tailândia se orgulha do Buda de Wat Pho, com seus 46 metros de comprimento, aqui eles tem de 40, 60, 90, cento e poucos metros. Mas depois de um tempo chega de Buda…

Palacio flutuante

Acordamos cedo para o nosso voo que era no inicio da manha. Claro que levantaram para preparar o café, mesmo fora do horário tradicional. Um dos funcionários ainda dormia em quatro cadeiras alinhadas, com uma lista telefônica como travesseiro, antes de acordar com um sorriso gigantesco no rosto para nos servir. O povo do Myanmar com certeza entrou para a minha lista dos Top 5 mais simpáticos do mundo, junto com Malawi, Tanzânia, Somalilândia  e Iêmen (menções honrosas para Zâmbia e Uganda). Estes dias o Pedro (meu sobrinho) falou para a Pati que queria estar do Myanmar, e eu, não queria sair sair do Myanmar…

Mission Burma

Existia uma banda punk dos anos 80 chamada Mission of Burma. Acho que foi assim que eu escutei sobre o país a primeira vez. Pode-se pensar que nada em comum tem uma banda punk com um país do sudeste asiático,  mas a revolta daqueles adolescentes é algo bem comum como a oprimida população da “Birmânia”.

A Birmânia assim como tantos outros países, teve seu primeiro contato com os europeus através dos portugueses  mas estes não conseguiram colonizar a região. Após algumas tentativas foram os ingleses que se estabeleceram por aqui. Foi uma colonia bem extrativista, não tendo deixado muita influencia e infraestrutura a não ser alguns casarões e, para variar, uma estrada de ferro. Favoreceram a entrada de indianos e chineses para trabalharem na construção e comercio. O controle era linha dura, e existia muita repressão.  Como sempre os monges estavam a frente dos protestos da população, e sofriam a violência dos britânicos.

Na segunda guerra, um grupo que buscava a independência do pais, teve apoio do Japão  e conseguiu expulsar os ingleses do seu território.  Não contentes com a postura do Japão após esta ação, mudaram de lado no final da guerra e lutaram, junto com os aliados, contra os japoneses. Finalmente a Birmânia se tornou independente. Nas primeiras eleições  o partido de Bogyoke Aung San, líder revolucionário, ganhou a maioria dos votos, mas foi assassinado junto com as pessoas que assumiriam os postos políticos  Paralelo com a independência veio um caos politico não resolvido ate hoje. Na região  moram diferentes etnias, com culturas, línguas  religiões e tradições completamente diferentes. O novo governo iniciou uma serie de perseguições que continuam ate hoje, o que resultou na fuga de algumas etnias para os países vizinhos, como apontei no post da Tailândia.

Na década de 60 houve um golpe militar de esquerda e o comunismo foi instituído  “congelando” o país ate hoje. A unica coisa que mudou foi o nome, que deixou de ser Birmânia e passou a ser Myanmar. Claro que com o colapso da URSS, seguindo o mesmo rumo de diversos países, o país criou seu próprio estilo de comunismo. Após diversos protestos, e milhares de mortes (novamente os monges estavam a frente da população) , finalmente eleições foram marcadas. O partido da filha do B. Aung San venceu com mais de 85% dos votos, mas não pode assumir os postos pois Aung San Suu Kyi foi presa. Desde então ela e solta e presa de tempos em tempos, e atualmente esta em prisão domiciliar. Foi dada a ela a escolha de ir para o exílio  mas se recusou a deixar seu pais. Foi vencedora do premio nobel da paz em 1991, e deve sair novamente da prisão no final deste ano, logo após novas eleições presidenciais acontecerem. Detalhe que nestas eleições só vai haver um partido, o da atual ditadura. Alguém duvida que não demora muito para ela ser presa novamente? A população local tem certeza disso, e fala que e só um jogo para não haver tanta pressão internacional. A três anos atras a violência se repetiu, e mais centenas de mortes. Algumas filmagens vazaram, e o ocidente pode ver a população fazendo uma barreira humana para proteger os monges politizados, que eram alvos de tiros dos militares. Por que não existe uma ação mais efetiva contra uma ditadura tao brutal? Interesses comerciais da Índia  de matéria prima, drogas para a China, e militar para a Russia. Dos países emergentes BRIC, só o Brasil não esta apoiando. Quem iria se opor?

Na aterrizagem em Yangon, lembro da Bibi falar, “para onde que você ta me levando?”. Realmente a visão é chocante, parecíamos ter entrado numa maquina do tempo. A região ao redor do aeroporto parece uma vila, e vista de cima só da para ver algumas casas de madeira, entre palmeiras e pagodas (templos budistas). O primeiro contato com o povo daqui foi ótimo. Quando vimos que os carregadores de mala e taxistas não são nem um pouco insistentes, já imaginamos que era um lugar tranquilo. Mas quando notamos que alem de tudo eram simpáticos e tentavam nos ajudar, tínhamos certeza que era um povo especial. Ainda no avião me dei conta que, com a correria dos últimos dias da Tailândia  não havia trocado dinheiro suficiente (inicialmente ficaríamos menos tempo no Myanmar). Normalmente saco nos caixas eletrônicos  mas em Myanmar não existem caixas automáticos  e os cartões de credito não são aceitos. La fomos nos para um hotel de luxo, onde fazem uma transação no exterior e fornecem dólar a uma taxa de 7.5%! Fazer o que, nossa unica opção se quisessemos ficar bastante tempo lá.  Fomos para perto do centro onde íamos ficar e o estilo da cidade foi nos conquistando. Esta e a melhor parte de não sobreplanejar uma viagem. Eu sempre leio a respeito de todos os lugares, tenho uma ideia geral dos países muito boa, mas não consigo entender quem vai ate o Google earth para saber o caminho a ser percorrido numa cidade, por exemplo. Pra mim pode servir para matar a curiosidade, mas não para planejar viagem. O efeito surpresa e importante e nesse caso foi ótimo.  Yangon e uma cidade grande, em torno de 7 milhões de habitantes, e tem um estilo próprio.  Casarões antigos e decadentes, monges andando com suas vasilhas para recolher o alimento do dia, procissão hindu. Só faltou encontrar um hotel um pouco mais rápido. Mas isto fez que nos afastássemos um pouco do centro e fracassemos num hotel legal, com pouca experiencia com estrangeiros, o que resultou num tratamento vip. Entramos numa “lua de mel” com o pais, que demoraria muitos dias.

Prédios do centro

Celulares ate existem, mas são caríssimos. O negocio e utilizar os telefones na rua!

Transporte publico

Descobri que a alguns anos Yangon não e mais a capital do pais, e sim Naypyidaw. Confesso que não tinha a menor ideia da mudança  Nossos primeiros dias la foram de caminhada pelas ruas empoeiradas, por prédios históricos, taxis Mazda estilo “pau de arara”, e uma cultura muito diferente. Espremido entre China, Tailândia,  Índia e Bangladesh, com tantas etnias próprias  e colonizados por ingleses, digamos que tiveram muitas influencias, de todos os tipos. Fomos na Swedagon Pagoda, e tivemos a sensação de que não precisamos mais ver templos dourados depois disto. E uma super estupa, com dezenas de outras ao redor, numa região alta da cidade. Lugar de muita fé  e ponto obrigatório de peregrinação dos budistas do Myanmar (que são 90% da população . Templos, estatuas, sinos e devoção  muita devoção.  Para se chegar ao topo existe uma escadaria muito grande, por um “túnel;” de madeira, com desenhos da historia de Buda. A lenda desta Pagoda não e medos interessante. Conta que dois irmãos de Myanmar estiveram em contato com Buda ainda em vida, e que este deu fios de cabelos para ele, e trouxeram para presentear o rei, que construiu a primeira pagoda aqui, e que só foi aumentando. Na ponta da estupa existem mais de 3000 sinos de ouro, 79000 diamantes alem de outras pedras preciosas, que ao anoitecer passam a brilhar e refletir. Um dos grandes negócios do Myanmar são as pedras preciosas, exportadas para o mundo todo. Passamos horas ali, e com certeza a melhor parte foi quando a noite chegou. Estávamos indo embora quando uns aprendizes de monge puxaram papo e acabamos indo jantar com eles(eles não podem comer depois do meio dia, mas tomaram chá).

Jarros com a “água benta budista” na pagoda Sule Paya

Budaworld!

Mau gosto também tem por aqui! Budas com luzes piscando…

Novos amigos

Myanmar não e um pais pequeno, e a condição das estradas faz com que viagens (de ônibus  de 300 km possam levar mais que 10 horas. Existe as alternativas de voos domésticos (que já não somos muito fans), de trens (que seria muito bacana) e uma região até de barco, mas como todos estes transportes são controlados pelo governo ditatorial, décimos “fazer na nossa parte” e boicotar, dando o dinheiro para o povo, que precisa mais. A rodoviária  bem afastada do centro e caótica  e muuito empoeirada. O primeiro destino seria Inle Lake. Os primeiros km de estrada surpreenderam, e percebemos que tinha alguma coisa estranha quando passamos por um “moderno” pedágio e logo após teve um controle de documentos/passaportes. Chegamos numa cidade com ruas largas, modernas, iluminadas ate demais. Lojas de pedras preciosas, resorts e ate campos de golf. Ate praça com chafariz! Estávamos na nova capital, construída só para o governo. Ate as embaixadas foram obrigadas a ficar em Yangon, e as casas aqui tem que seguir um tamanho e padrao pre-determinado. Nada de comercio pé de chinelo. Nada funciona sem autorização  e parceria.do governo. Muito pouco depois de cidade, inicia a realidade. A estrada fica esburacada, ate virar estrada de terra. Em um momento vira ate estrada de mão unica, sem acostamento. Como Inle Lake fica na região das montanhas, as curvas iniciam e não param mais. Chegamos de madrugada, e tava muito frio. Da parada do ônibus ainda tivemos que arranjar transporte para os próximos 13 km, ate chegar em Nyaungshwe, onde ficaríamos.

Aqui é só para comprar a passagem, ainda no centro. A rodoviária fica mais afastada, e bem mais caótica!

Ficamos numa pousada muito legal, com pessoas simpaticíssimas  Para se ter uma ideia, toda vez que chegávamos no final de tarde, batiam na porta e nos traziam uma limonada. A região e calma, rural, e muito bonita. Fizemos passeio de canoa por pequenos canais ate rustico monastério para ver o por de sol, e rodamos muito a região de bicicleta, primeiro com mapas e depois sem destino. Como estávamos perto de um grande lago, nada melhor para conhecer a região que um barco. Saímos cedo, passando por canais ate chegar ao lago propriamente dito. Grande, cercado de montanhas, com uma nevoa devido ao horário  Lugar muito bonito e de uma paz incrível.  Pescadores com suas redes e armadilhas, naquela que era só mais uma segunda-feira para eles. A região funciona como um WaterWorld. As casas são sobre palafitas, onde só se chega de barco. As plantações são em elevados no meio do lago. Voltamos a terra firme, numa vila onde acontecia o mercado do dia. Carnes, verduras, mantimentos e flores, muitas flores. Alguns vendedores de artesanatos nos fizeram lembrar que eramos estrangeiros. Rodamos km e km ao sul, passando por mais vilas suspensas  alem de jardins flutuantes, onde cultivam as flores. Alguns monastérios  sendo que em um deles as mulheres não podem se aproximar do altar principal. Existem algumas paradas que são para turista ver, como fabrica de cigarro local, tecido feito de resina de uma planta local, fabricarem barcos, etc. Algumas coisas ate são interessantes, mas e tudo montado com uma loja junta. Perdemos a ilusão de que Myanmar era perfeito, ideia que tínhamos até então. Passamos por uma loja de a artesanato das “mulheres girafas” que com certeza não estão em melhor situação que as refugiadas na Tailândia.  Voltamos cansados para o hotel, depois de um longo e produtivo dia. Inle Lake fica no estado de Shan. Shan e um povo que tem nesta região  cruza a fronteira e tem em boa parte do norte da Tailândia  Queria muito poder voltar para a Tailândia por terra, mas as áreas são controladas, e o governo marca direitinho onde os estrangeiros podem ir. Ao norte do estado de Shan, existem diversos conflitos. Shan com o exercito do governo, com guerrilhas Mon, Mon com o governo. Meio terra de ninguém.  Aparentemente conflitos étnicos  mas na verdade financiados por carteis de Opio e Heroína.

Andando de canoa

Final de tarde

Muita paz de espirito

Flores no mercado

Congestionamento para chegar em terra firme!

Mundo Aquático!!

Anos de perseguição

Vista de quem anda de bicicleta por aqui…

O aniversario da Bibi se aproximava, e ainda tínhamos que seguir outra longa estrada para Mandalay, antiga capital. Não vou nem citar o “antiga capital” novamente, pois ao redor de Mandalay fui para diversas outras “antigas capitais”. No ônibus passavam vídeo clips de bandas locais que faria qualquer “Emo” se suicidar. Nada de aparecer os cantores, só historias de amor, muitas delas com finais trágicos. Filmagens totalmente amadoras, e alguns dos passageiros cantando baixinho junto. De mais!! Ficamos indignados com um alemão que se levantou e fechou as janelas sem perguntar para os passageiros. Depois pediu para não reclinarmos tanto os bancos, pois estavam atrás de nos. Foi estranho dividir um táxi ate o hotel com eles, acabar ficando no mesmo hotel, e até tomar café da manha na mesma mesa, por falta de lugar.

A ilha “católica” e a outra ali do lado com dragões de verdade!

Apesar de quase toda a Indonésia ter sido colonizada pela Holanda, uma ilha no seculo 16 foi território português. Encantados com a beleza do lugar, os portugueses chamaram de “Flores”. O domínio português não durou, e o controle passou para os holandeses, que mantiveram o catolicismo. Até hoje Flores é uma ilha Católica, apesar de suas crenças serem bem peculiares.

Tivemos sorte que eu sou neurótico com a questão de horários. Chegamos cedo no aeroporto e nosso voo tinha sido adiantado uma hora. Imagine se chegasse só uma hora antes do horário marcado e o avião não estivesse mais la! Dentre diversas ilhas que sobrevoávamos, não muito tempo depois de ter levantado voo, passaram a aparecer vulcões que saiam diretamente do mar. Uma destas “ilhas vulcões” tinha um belo lago dentro. Por mais que fossem esperadas, as belezas naturais da Indonésia surpreendiam a cada etapa da viagem. Não demorou muito e chegamos a Labunbajo, na costa oeste de Flores. Rápido transporte para a pequena cidade, e fomos procurar hotel para ficarmos. Logo percebemos que a qualidade das poucas opções da cidade eram inferiores as que estávamos ficando, e os preços não acompanhavam a queda da qualidade.

Vulcão no mar, visto do avião

Achamos um lugar agradável, e a Bibi ficou lendo e escrevendo enquanto eu fui rodar a cidade. Percorri a rua principal, fui no mercado de peixes e parei na frente do pequeno porto, onde tinha vista para a baia, cercada de ilhas com diversas montanhas. Tentei descobrir mais sobre o transporte na região, e voltei para conversar com a Bibi sobre nossa programação para os próximos dias. Final de tarde fomos para um dos dois restaurantes para turistas, onde tem Wi Fi. Era só para tomar alguma coisa curtindo o por de sol mas acabamos nos empolgando com o Skype e jantamos por ali mesmo.

Labbjo

Na ilha existem dois tipos de transporte. O ônibus comum, estilo pau-de-arara, que só sai quando cheio (lotado) e vai parando toda hora, e um micro ônibus, um pouco mais ajeitado, que passa ate para pegar você no hotel se agendar com antecedência. Decidimos pela segunda opção e bem cedo já estávamos saindo. Engana-se quem esta imaginando um ônibus para turista, com ar condicionado e tal. Ônibus com bagageiro lotado em cima, diversas caixas no corredor, viajando com as 2 portas abertas para ventilar (apesar dos dois ventiladores de teto).

Viagem longa, quase 10h, com direito a pequena parada para almoço. As curvas iniciaram logo na saída e seguiram por todo o trajeto. Impressionante, e um sobe e desce e curvas toda hora, por paisagens deslumbrantes. Acho que por poucas vezes tivemos 100 a 200 metros de reta. E uma montanha ao lado da outra. No mesmo ônibus estava um casal de canadenses, Rob e Natasha, com quem no final da viagem começamos a conversar e dividir ideias sobre o melhor roteiro em Flores. As vezes o mato fechado se abria e era possível avistar algum vulcão ou o mar. Chegamos em Bajawa e pegamos um transporte até o hotel indicado. Como estávamos nas montanhas, a temperatura baixou bastante, o que foi comemorado por todos. Eu e o Rob fomos vendo como faríamos para visitar os lugaras que queríamos, e descobrimos que se alugássemos um carro, o preço seria quase o mesmo que o do transporte publico. Final de tarde conhecemos a Marlinda, Holandesa, que se juntou a nós. Alem de ter ficado mais barato, conseguimos otimizar o tempo. Com transporte publico viajaríamos um dia, faríamos uma atividade em outro, e poderíamos viajar só no terceiro dia. Com o carro tudo ficaria mais agilizado(apesar de perder o contato com as pessoas). Como tínhamos prorrogado a saída da Indonésia, eu e a Bibi tínhamos tempo, mas o outro pessoal tava com os dias contados. Jantamos todos juntos para acertar os detalhes, e de manha cedo estávamos indo conhecer as vilas da região.

A primeira vila era bem na base de um vulcão. Um pequeno aglomerado de casas tipicas e não muita gente. Enquanto os homens construíam novas casas para a vila, as mulheres cuidavam do dia a dia da vila. Tinham poucas crianças, e os jovens não moravam mais ali, pois se mudavam para a cidade para estudar. Eles tem o costume de enterrar as pessoas importantes da vila e colocar suas lapides no meio dela. Já tínhamos notado que mesmo nas cidades as vezes enterravam os parentes no quintal. A Natasha distribuiu balas para as crianças, o que me revoltou muito. Depois de ter passado por tantos lugares, uns turísticos e outros não, é fácil de ver o que um simples e “inocente” ato destes vai gerar. Uma geração de pedintes. Os próximos turistas que forem lá, vão ser cercados por crianças pedindo balas, mais para frente dinheiro… Cria-se uma cultura de pedir, mesmo o que não precisa. Passam a pedir qualquer coisa, independente da necessidade. Um lugar que e extremamente agradável se tornara algo insuportável. Turismo irresponsável. Não sou do perfil que fala as coisas, ainda mais por ter achado eles muito gente boa.

As lapides na vila e o vulcão ao fundo

Em algumas casas da vila tinham Posters de Jesus. Sim, esta vila tradicional era “Católica”. Bem, Católica da sua maneira, pois apesar do cristianismo estar presente, tem uma maneira bem peculiar. Eles continuam seguindo tradições de sacrifícios de animais para comemorar o nascimento ou morte de alguém, termino de uma casa, inicio ou fim do período de colheita e assim vai. No centro da vila tem construções de madeira que representam os antepassados. Todos este rituais amenistas andam lado a lado com o catolicismo por aqui, muito interessante.

Conversamos um pouco mais sobre as tradições do local, quando vimos uma senhora sentada na varanda de uma das casas. Fomos tirar uma foto e ela mascava uma folha com uma nos dentro. E o estimulante local. Eu e a Bibi mascamos, e logo estávamos com aquele liquido marrom e amargo na boca que não se pode engolir. Ate que da um efeito leve, se ficar o dia todo mascando deve acabar com o cansaço mesmo.

Caminhamos ate uma outra vila, esta bem maior. Ela não era tao legal quanto a outra, mas bem interessante. Tinha um pessoal tocando musica, mas como o lugar era maior, a interação não foi tao grande. O ponto positivo era um lugar com vista fenomenal no final da vila. De la fomos almoçar e pegamos estrada para Moni. Estrada continuava maravilhosa, e com suas curvas e sobe e desce. Paramos para caminhar um trecho perto de plantações de arroz. E muito interessante a primeira reação das crianças, que fogem da gente. Beiramos o mar e as praias com areia preta devido a atividade de vulcões e passamos por Ende, com seus vulcões, antes de continuar a viagem. Moni e uma agradável cidadezinha nas montanhas, com temperatura amena, e pouca estrutura.

Praia próxima a Ende, com vulcões ao fundo

Criançada indo para a escola

Acordamos cedo para subir o Kewlimutu. Queriamos estar lá em cima antes do céu nascer. São três crateras, todas com lagos coloridos. Duas delas tinham lagos verdes e uma preto. As cores mudam de acordo com os minerais liberados, e as vezes tem lago azul, vermelho, dentre outras cores. Muito bonito o lugar e surpreendentemente vazio. Alem do nosso grupo tinham só 2 estrangeiros, além de um senhor que vendia chá e café quente, bem apreciado por nós. Isto que se trata de uma das maiores atracões de toda a ilha de Flores. Interessante que aqui, se fala pouco Bahasa Indonésio, a língua oficial do pais, imaginem então o inglês. Para se pedir um simples café não e tarefa fácil. Na Indonésia falam mais de 700 línguas. Quando perguntam do Brasil e temos que responder que só se fala o português (ok, mais ou menos), dentre tantas outras línguas que existiam, que percebemos o assassinato cultural que ocorreu no nosso pais.

Lago verde

Lago preto

O bom de acordar tao cedo e que o dia rende. Já pegamos estrada para voltar para Bajawa. No caminho vimos uma van com muitas galinhas penduradas, bodes e cachorros amarrados no teto. Fiquei brincando que seria nosso almoço, pois cachorro e um prato muito apreciado por aqui.

Distribuidora de carne!

Muitas horas de viagem e chegamos em Bajawa. Estávamos mortos de fome e as meninas foram comer no restaurante em frente a pousada enquanto eu e o Rob fomos conferir o tao apreciado “prato tipico”. Chegamos no restaurante e pedimos cachorro para comer. O cara tirou uns pedaços do freezer e começou a preparar. Na espera para ficar pronto, para a van da estrada e entrega algumas galinhas e os dois cachorros pulguentos dentro de sacos. Não foi nada agradável, e a consciência começou a pesar. Logo chegou nosso prato. Pedaços de carne com ossos numa tigela, e arroz e verduras em outra. Experimentei o primeiro pedaço e me surpreendi. Carne macia como um corte nobre de carne de boi. Ta certo que o fato de estar perto do osso ajuda, mas tava muito bom, e o molho também. O que atrapalhou um pouco foram uns pelos nojentos que vinham junto. Tentava lembrar que em feijoada tem pedaços de carne com pelo também, mas não adianta, o psicológico pega. Cortava as gorduras com pelo para comer só a carne. Deixei só um pedaço, mas não foi a melhor experiencia que já tive. O dia todo ficava lembando dos pobres cachorros sarnentos em cima da van…

De estomago cheio e “ arrotando cachorro”, fomos para umas águas termais que não ficavam muito longe dali. Estrutura simples, uma piscina natural e o rio quente ao lado. Água bem quente, acentuada ainda mais pela fina chuva que caia. Ficamos la largados, aproveitando o único banho quente que tomamos em toda a ilha de Flores.

A volta para Labuanbajo, novamente com transporte publico, foi longa, não muito confortável mas muito prazerosa. Ao chegar tivemos que ficar em outro hotel, pois o que havíamos ficado antes estava lotado com um grupo de estudantes indonésios. Jantamos todos juntos como despedida, pois não encontraríamos mais o Rob e Natasha. A Marlinda iria junto com a gente para o Parque Nacional de Komodo.

As intermináveis montanhas

Pegamos um barco cedo sentido Rinca, uma das ilhas do parque nacional. Não e muito perto, e demora um tempinho para chegar lá. A Bibi e a Marlinda, psicologas, engataram num papo e não pararam mais. Eu arranjei um lugar na proa do barco e fiquei só curtindo o visual de mar azul, ilhas e montanhas. Chegamos numa pequena bahia, onde atracamos na ilha. Andamos pelo trapiche e poucos metros dali estava o primeiro Dragão de Komodo. Não muito grande, pois ainda era um filhote. O cara do barco, com um pedaço de pau em forma de forquilha, não muito maior que uma vassoura, falou que não tinha problema, que seguraria o “Dragão” com seu bastão. Caminhamos receosos pelo caminho ate o centro de informações. Pegamos as entradas e fomos ate um alojamento encontrar com nosso guia. Em baixo dos alojamentos, entre as palafitas, já tinham muitos dragões, que são atraídos pelo cheiro de peixe da cozinha. Tava muito quente, bem mais que Labunbajo, que já era difícil. A vegetação aqui também era totalmente diferente, e muito mais seco. Impressionante como pode mudar tanto de uma ilha tao perto da outra. Com este calor todo muitos dos dragões estavam imoveis. Os que andavam eram assustadores. Eles não rastejam como crocodilos, e sim caminham com uma considerável altura do chão. Depois de convencer a Bibi a passar entre duas casas cheias de dragões em baixo, iniciamos nossa trilha. O senhor que era nosso guia também carregava uma vara, que falava que era magica para proteger contra ataques. Durante um bom tempo de caminhada ficamos escutando casos de ataques a humanos, desde um guarda atacado dentro do alojamento ate turistas ao irem no banheiro sozinhos no mato. Acho que e um pouco de folclore, e querem dar um “clima” para o lugar. Se bem que se quisessem, seriamos presas fáceis. Os Dragões de Komodo passam de 3 metros de comprimento, e pesam algumas centenas de quilos. Correm relativamente rápido, os pequenos sobem em arvores, e nadam ate 500 metros da praia (as fortes corrente fazem com que não consigam ir para outras ilhas). Uma maquina de caçar, mas sua especialidade e outra. Eles atacam grandes presas, como veados e búfalos. No caso de búfalos, muitas vezes dão só uma mordida e recuam, para não serem feridos. A sua saliva possui tantas bactérias que a mordida causa uma grande infecção. O Dragão segue a vitima durante dias, ate que esteja tao debilitada que não possa mais reagir. A infecção passa a exalar um cheiro podre, que atrai mais dragões, que juntos atacam a vitima.

Dragão de Komodo

Embaixo da casa

Vimos alguns dragões pela trilha, inclusive duas fêmeas em buracos cuidando de seus ovos. Eles são canibais, e se a fêmea não proteger, outros dragões comem os ovos. A própria fêmea come alguns filhotes depois que nascem, por isto eles tem que se virar sozinhos desde pequenos. Pode parecer estranho, mas a mãe natureza sabe o que faz. A população de dragões de komodo é estável, não aumenta nem diminui a anos. Depois de um rápido almoço tivemos que nos despedir desta fantástica ilha com a certeza que dragões não soltam fogo nem voam, mas que existem, existem.

Na volta fomos até uma ilha para mergulhar. Ate la o papo de psicologia e astrologia rolou solto…

Chegamos na ilha, e já tinham vários barcos. Era uma sexta-feira, final de semana para os muçulmanos, e tinham muitas pessoas curtindo o dia livre. Muita musica e banho de mar de roupa. Na hora que a Marlinda e a Bibi foram ficar de bikini, todos olharam para elas. Fiz a Bibi entrar de shorts na água. Água azul, muito limpa, transparente. Tínhamos levado mascara, e deu para ver bastante coisa, mesmo com o fundo de areia, apenas com poucas pedras e corais. Na hora de sair, a areia parecia uma arquibancada, de tanta gente esperando as estrangeiras saírem da água de bikini. Para desespero geral, elas resolveram ir até o barco pela água e eu fui buscar as coisas na areia.

Entardecer em Labumbajo

De volta a Labumbajo passada rápida no hotel e fomos jantar no nosso restaurante preferido. Duas ratazanas passaram entre as mesas, mas nem ligamos pois o lugar era muito charmoso e a comida deliciosa. Passagens para o ferry compradas, fomos dormir pois o dia seria longo. Não e que no meio da noite acaba a eletricidade e o ventilador para de funcionar. O calor estava insuportável, estava muito abafado. Resolvemos abrir a porta e passamos a ser atacados por muitos mosquitos. A Bibi tratou de extermina-los a toalhada. Noite mal dormida, rápido café e fomos para o porto, de onde saria nosso ferry.

A ilha Hindu no pais Muçulmano.

A Indonésia, devido a sua grande população, e o maior pais muçulmano do mundo. Aqui o Islamismo e um pouco diferente dos outros países. Apesar dos princípios básicos serem os mesmos, foi muito influenciado pelos costumes locais, alem de outras religiões que já estavam presentes nas ilhas antes da chegada do Islamismo. Praticas amenistas são muito comuns e se misturam com as religiões. Uma ilha, o antigo reino de Bali, conseguiu conservar a religião Hindu, e toda uma cultura e tradições tipicas desta ilha.

Chegamos Dempasar  (capital de Bali) já tarde, e não tinha transporte publico para Ubud. O americano e a alemã que tínhamos conhecido no ônibus decidiram mudar seus planos e em vez de ir pra praia primeiro, iriam com a gente. Desta forma dividimos um táxi, que eu negociei ate ter um preço justo. A partir deste momento passei a dar dicas de negociação para o casal, que não imaginavam que os preços podiam ser tao mais barato que o primeiro preço ofertado. Ubud não fica longe, Bali e uma ilha pequena. Chegamos la sob uma chuva torrencial, para não esquecermos que estamos na temporada chuvosa. Procurar hotel tarde, debaixo de água, não foi muito agradável. Na segunda opção conseguimos um lugar bem bacana, cercado de plantações de arroz, mesmo na cidade. Quartos decorados, alem de um cafe da manha que mudava todos os dias. Se eles já estavam impressionados com a negociação, desta vez passaram a me idolatrar…

De noite já tínhamos achado o lugar descolado, apesar de estar quase tudo fechado quando chegamos, mas de dia nos impressionamos com o lugar. Tínhamos a referencia do lugar como uma vila, centro da cultura balinesa. Na verdade não e uma vila, e super desenvolvida, mas sem perder o charme. Nada de grandes construções, mas muitas lojas, tanto de artigos locais como de marcas internacionais. Uma ampla opção de restaurantes e cafés, para todos os gostos. Passamos o dia inteiro andando para cima e para baixo. A Bibi ficou louca com as lojas. No meio da tarde teve uma parada, que se repetiu no dia seguinte, mas ninguém conseguiu nos explicar direito o que era. A noite jantamos com nossos novos amigos num restaurante descolado e ficamos batendo papo e tomando uma cerveja.

Comemoração, não souberam explicar do que

Como não sou nem um pouco de loja, enquanto a Bibi passeava eu já aluguei uma scooter. Desta forma bem cedo já pudemos sair cedo para explorar a região. Ubud esta crescendo bastante, e os arredores já estão cheio de lojas de artesanato. Mas não demora muito para ficar uma estrada totalmente vazia, com paisagens que variam de terraços de arroz a mata mais fechada. Por todo o caminho postes enfeitam a região. Pequenas vilas, tao perto do turismo e parece que seus moradores nem se envolvem. Levam aquela vida calma… Pequenos templos por todos os lados, alem de decorações e oferendas com flores.

Terraços de Arros

Quase não vimos o tempo passar e logo estávamos de frente para o vulcão Batur. Muito legal, pois estávamos numa estrada fechada pelas arvores, de repente estávamos numa parte alta, com o vulcão e um grande lago ao lado. Tudo em volta do vulcão ainda esta queimado, devido a sua ultima erupção em 99. Descemos ate o lago, passando por pequenos povoados, e tivemos uma vista de outro angulo. Ficamos conversando com um cara que queria nos levar para sua vila onde não enterram os mortos, mas penduram numa arvore que não da cheiro. Achamos meio macabro e resolvemos pular esta atividade…

Vulcão Batur

Escolhemos um lugarzinho para ficar tomando alguma coisa e curtindo o visual, ate cansar e resolver voltar. Na volta fomos parando em algumas vilas. Era final do horário de escola, e as ruas estavam cheias de crianças com seus uniformes e chapéus típicos. Sobrou tempo para a Bibi ver mais algumas lojas, mas eu adotei a tática do “te encontro mais tarde” para não ter que acompanhar toda a hora. Aproveitei para ver como que iriamos para as outras ilhas.

Rua decorada e a criançada

De noite teve um apagão, mas conseguimos achar um bom e barato restaurante. A falta de luz só aumentou o numero de velas, que já são utilizadas diariamente.

Ubud e aquele lugar que e difícil de ir embora, então mesmo sem ter muitos planos, resolvemos ficar mais, para curtir o lugar. Ficar de bobeira por ali, não e nem um pouco difícil. Final de tarde num cafe, conhecemos uma Ucraniana que puxou papo com a gente. Aos 35 anos, largou emprego, vendeu casa, e saiu para viajar, sem data para voltar. Eu achei ela meio mala, mas a Bibi se deu bem, pois dentre psicologia, astrologia e espiritualidade se entenderam. Acabamos indo jantar juntos.

Infelizmente tínhamos que partir. Já tínhamos ate trocado nossa passagem de saída da Indonésia, pois a chuva não estava atrapalhando em nada a viagem, e tínhamos muita coisa para ver. Fomos para Kuta, no litoral, centro do turismo em Bali. Chegamos naquela muvuca, e tentamos ficar o menos tempo possível. Deixei a Bibi numa internet com as mochilas e fui arrumar um carro. Em 40 minutos estava com um Susuki, que aluguei por menos de 8 usd por dia. Foi só olhar o mapa e se mandar dali, para as praias mais calmas da península. Paramos em Dreamland, praia famosa para o surf, que ate pouco tempo tinha vários warungs e barzinhos estilosos de frente para praia, mas infelizmente agora tem um resort estilo “elefante branco”. Praia legal, com água verde, mas nada de onda, pois não e a época certa.

Dreamland. Infelizmente agora parte de um resort

Mergulhamos, pegamos praia, mas logo apareceram umas nuvens escuras. A chuva não veio, mas fez com que saíssemos da praia para procurar um lugar para ficar. Rodamos um pouco, para se localizar na região. Tudo e perto, e com carro, não importava muito onde ficaríamos. Não achamos o sonhado lugar de frente para a praia, mas arranjamos uma pousada super legal, em cima das falésias, com uma piscina infinita, e uma super vista. Ficamos tomando banho de piscina ate tarde. Apareceu um Neo Zelandês que deu umas dicas sobre o surf da região, e deu a boa noticia que um Swell estava entrando, portanto teríamos ondas no dia seguinte. Indicou um ótimo restaurante ali perto, que conferimos e aprovamos.

Não e um trabalho fácil, mas alguém tem que fazer…

Para não perder tempo indo de praia em praia, fomos direto para Uluwatu, onde o surf era garantido. Estacionamos e la de cima dava para ver as linhas das ondas. O mar tava bom! Descemos entre as dezenas de surfshop e restaurantes, comemos alguma coisa e eu já aluguei uma prancha. Coitada da Bibi, pois na verdade quase não tem praia. A pequena faixa de areia fica quase toda escondida por pedras. Tem uns 5 metros entre pedras que e onde entra no mar. Me joguei e a correnteza puxou para o lado. Remadeira básica ate chegar no pico. Passei um tempo meio de lado, sentindo o lugar. Tinha um tamanho ali, quase 2 metros. Peguei uma, outra e com isto confiança. Resolvi remar para o “pico”, onde tinham ondas maiores. Não demorou muito para eu conhecer os corais de perto. E muito raso!! Mas tranquilo, segurei um pouco o impeto e curti bastante.

Uluatu

Sai da água cançado e feliz da vida. Ficamos num dos warungs e decidimos ir para outra praia. Os vendedores arranham um pouco de português, de tanto turista que vem para cá. Chegamos em “impossibles”, onde também tem que descer por entre as pedras. Esta tem uma praia com um pouco mais de areia, com algumas pessoas largadas, entre elas alguns brasileiros. Tava tendo onda pro lado esquerdo do morro, indo pra Padang Padang. Ondas bonitas, mas muito raso, quase só gente de body board. Eu tava tranquilo, então fiquei com a Bibi na areia. Depois repetimos a dose piscina e restaurante gostoso.

nosso carro na frente de ” impossibles”

Não sei se o swell inverteu, mas não teve muita onda no outro dia. O negocio foi curtir piscina e depois praia em Impossibles. Mesmo sem onda um pessoal se amontoava para esperar uma ou outra que vinha na serie. Ainda deu tempo de passar em Jimbadam Bay para tomar um suco e conhecer a praia e região. Fomos para Kuta e tivemos que procurar um lugar pra ficar antes de devolver o carro. Um stress, transito, engarrafamento, muvuca de gente. Parava o carro e a Bibi ia dar uma olhada nos hotéis. Ela arranjou um, que só depois fomos ver que não funcionava as coisas direito. Na verdade um muquifo. Na pressa e com óculos de sol ela acabou resolvendo ficar, talvez pelo jardim, unica coisa boa do hotel. Fomos ate a praia, cheia de adolescentes (outros nem tanto) bêbados esperando o por de sol. Mesmo na teoricamente baixa temporada, tudo estava lotado, cheio de gente. Demos umas voltas, mas não da para dizer que curtimos muito o lugar. Tentamos aproveitar da forma que deu. Noite sem balada, pois tínhamos que acordar cedo para pegar o voo para ilha de Flores.

Borneo, a Malásia que eu queria!

Para muitos o Borneo deve lembrar a infância, naqueles jogos de tabuleiro WAR, que acompanharam tantos dias de chuva. O Borneo era a porta de entrada para conquistar a Oceania. Para outros, aquela imagem de uma selva tropical fechada, cheia de tribos (aqui os Head-Hunters não eram caca talentos!) e animais. Na verdade não e mais bem assim.

Assim como alguém que vai para a Amazônia brasileira, chegando em Manaus vai ter que se distanciar bastante para ver a selva, na Malásia, muito mais desenvolvida que a região norte do Brasil, e preciso percorrer um longo caminho.

Chegamos em Kota Kinabalu, capital de Borneo, ja tarde da noite. Os ônibus não estavam mais operando e teríamos que pegar um táxi. Logo conhecemos um casal que estava na mesma situação que a gente, e dividimos o táxi. Ele e do Zimbábue e ela da Índia, mas os dois moram faz algum tempo na Inglaterra. Acabamos procurando hotel juntos e nos encontrando para jantar e tomar uma cerveja. Eles tiraram um tempo para dar a volta ao mundo, e chegamos a pensar em viajar com eles por aqui, portanto combinamos de tomar cafe da manha juntos para discutir sobre Borneo. Falando sobre os roteiros vimos que eles estavam com um pouco mais de tempo, e tinham interesses um pouco diferentes, apesar de alguns lugares em comum. Resolvemos não viajar juntos, mas tínhamos a impressão que acabaríamos nos encontrando em algum lugar.

Kota K é uma cidade moderna, super bem estruturada. Não estávamos com vontade de ficar em cidade, portanto já pegamos um barco para a ilha Mamutik, uma das 5 ilhas que ficam logo a frente de KK e fazem parte de um parque nacional. Areia branca, alguma estrutura e um local muito bom para fazer snorkling. Ficamos largados na praia ate o final do dia, quando pegamos o ultimo barco de volta para KK.  Em KK me informei sobre o ônibus que iria ate Sandankan, nosso próximo destino. Eu queria pegar o ônibus cedo, mas depois de um longo cafe da manha, e discutirmos sobre pontos da viagem, saímos só próximo do almoço. Caminhamos até a rodoviária, e as blusinhas coloridas da Bibi (que ela não tinha levado para a Africa) fizeram um peso desgraçado. Ou vocês achavam que ela que carregaria a bagagem extra?

No trajeto passamos pelo monte Kinabalu, um paredão de rocha de mais de 4000 m. Queria escalar, mas demoraria alguns dias, e não daria tempo desta vez. A Bibi também ficaria meio sem ter o que fazer. Passamos por muitas plantações de palmeiras, que são utilizadas para extrair óleo, e esta incentivando muito o desmatamento por aqui…

Em Sandankan, chegamos na rodoviária que fica longe da cidade, pratica muito comum por aqui. Fomos para o centro e pegamos um hotel sem pesquisar muito.  Caminhando pela cidade a noite, descobrimos outra opção melhor e mais barata, alem do ônibus que levaria ate Sepilok. Saímos cedo para Sepilok, onde fica um centro de reabilitação para Orangotangos. La treinam Orangotangos órfãos a se alimentar, se locomover, se readaptar a floresta. Vimos muitos macacos, somente dois Orangotangos, um deles bem rapido. O que ficou mais tempo, chegou a subir na passarela que estávamos. E um animal muito tranquilo e inteligente. Tinham muitos, mas muitos turistas. Nem a chuva que deu um clima ainda maior para a “floresta tropical”, incomodou o pessoal. Não tivemos muita sorte. Falamos com outras pessoas depois que viram muito mais Orangotangos. Tem um clima meio de zoológico, mas como eu já sabia, não me decepcionei. Impressionante como os Orangutans (pessoas de floresta) são parecido com os Humanos, sendo muito mais inteligentes que muitas pessoas…

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Lembram de piada do Morangotango?

Na volta conhecemos um casal australiano, já na terceira idade, que estava viajando a quase 3 anos no seu pequeno veleiro. Fiquei com vontade de pedir carona ate as ilhas ao sul mas acabou não dando certo. De volta a Sandakan, acertamos de ir para o rio Sungai Kinabatangan, onde finalmente teríamos a oportunidade de ver um pouco da floresta original de Borneo. No dia seguinte, quilometros de asfalto, depois um pouco de estrada de terra ate chegar nos simples chales de frente para o rio. Placas já nos avisavam sobre o perigo de deixar as coisas a vista, devido a quantidade de macacos na região. Os macacos estavam lá, só de olho, e se desse mole, entravam ate no restaurante. Final de tarde saímos de barco pela região, e um casal de franceses nos acompanhou. Rio bonito, com mata fechada, e o primeiro bicho que vimos foi um Orangotango, no topo de uma arvore bem alta, espichando seus longos bracos para alcançar mais folhas. Alguns pássaros, mas nada comparado com o pantanal, alias nem perto. Falaram que tem muitos crocodilos, mas nesse dia não estavam a vista. Vimos também muitos macacos comuns, além dos exóticos  Probocis Monkeys, macacos endêmicos desta região, barrigudos e narigudos. Sempre estavam em bandos, e conseguimos ver vários grupos. Muito bacana, totalmente diferentes e com tracos e cores bem marcantes. O por de sol no rio tava muito bom também.

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Macaco “narigudo”!

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Linha do dia/noite

De volta ao chale, um banho de balde para lembrar da Africa. Que delicia! Não pelo banho, e claro, mas pelos lugares que estes banhos representam. Depois do jantar uma caminhada noturna, tipo engana turista. Tava incluso, mas acho que só vimos um sapo!haha De manha, antes do cafe saímos para o rio novamente. Não existem estradas para entrar na floresta, portanto o rio e o melhor meio de locomoção. Não tivemos tenta sorte como no dia anterior, mas vimos mais macacos probocis.

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Rio

Tínhamos que ir ate o cruzamento da estrada principal para pegar o ônibus la. Sorte que tínhamos arranjado tudo antes, pois chegamos atrasados, mas o ônibus tava la nos esperando. Fomos até Semporna, cidade meio sem graça, mas porta de partida para varias ilhas, dentre elas Sipadan. Sipadan e uma ilha vulcânica, com alguns paredões consecutivos de mais de 600 mts de profundidade, chegando a 2000 metros. Um dos melhores lugares do mundo para se mergulhar. Infelizmente e preciso se inscrever com uma boa antecedência, pois o numero de mergulhadores e controlado.

Tínhamos ficado bem amigos dos franceses, que tpossuíam planos parecidos com os nossos. Em Semporna ficamos buscando a melhor opção de hospedagem, que variavam desde hotéis simples com passeios diários, ate super resorts em cima da água. Como eu era o único que ia mergulhar, todos acharam melhor ficar numa ilha, onde teriam mais liberdade, e não em hotéis em cima de palafitas. Acertamos com um lugar na ilha Mabul, mas o transfer seria só no outro dia cedo. Como tinha tempo ainda, fomos ate uma opção barata de resort sobre a água, e acertamos de ir neste dia e voltar cedo para ir para a ilha.

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No meio do mar!

Chegamos naqueles chales sobre água transparente, vendo corais e peixas no fundo, e tínhamos certeza de que valeria a pena. Ainda deu tempo de fazer um snorkling numa piscina natural cheia de peixes, antes de curtir um por de sol, com água por todos os lados. De noite estávamos prontos para comemorar o aniversario do francês, quando começou mais uma tempestade tropical, com ventos, muita chuva e ondas. Tivemos que correr para o quarto e ficar la. Todo mundo mudou de opinião sobre ficar só neste lugar, mas tudo ja estava agendado para a ilha de Mabul.

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Bibi com os “peixinhos”

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Final de tarde

A ilha de Mabul fica um pouco mais longe, e deu para curtir o visual do lugar. Incrível como em qualquer pedaço de terra, ou coral mais raso, constroem casas ou resorts sobre palafitas. Nossa ilha não era diferente. Muitos resorts, alguns muito sofisticados, contrastavam com casebres tipo “favelinha” logo ao lado, pertencentes aos pescadores. Acho que o dinheiro do turismo ta indo para outro lugar…

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Ilha Mabul

Nosso hotel era totalmente orientado para mergulhadores. Chegamos, deixamos as coisas e já saímos, sem nem nos afastarmos do barco. O mergulho foi show! O melhor que já fiz, dez a zero do mar vermelho. Paredões com corais e esponjas de tudo que e tipo, cores, tamanhos. Muitos peixes, todos eles diferentes. Aproveitei muito e a água tava quente e com uns 15 m de visibilidade. Pra Bibi e o pessoal que fez snorklling, talvez não fosse o melhor lugar, devido a profundidade.  De volta ao hotel, tivemos que esperar o check in, pois teoricamente estaria fazendo o segundo mergulho. Eu pulei este e deixei para fazer outro so de tarde. Estrutura do lugar boa, mas cheio de piazada europeia fazendo estilo…

De tarde fiz outro mergulho, muito bom também. Este foi mais perto da ilha, e a visibilidade não tava tao boa. Muitos corais, mas nada comparado com o primeiro mergulho. Desta vez foram mais peixes, alem de 7 tartarugas, peixe escorpião, até começar o banquete: Muitas lulas, Lagosta, Camarões… Hehe

Lugar bem legal, com redes, lugar para leitura, e ate um bar. No jantar conhecemos um casal de belgas bem gente fina, que passou a gastar um tempo com a gente e com os franceses. Como não íamos mergulhar de manha, ficamos só nos conversando, com todo o salão vazio.

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Tchurma

De manha fiz snorkling com a Bibi e franceses. Ali na frente do hotel era bem melhor que o lugar que levaram eles de barco. A Bibi parecia que mergulhava a tempo, e ficou mais de uma hora na água. Voltando para o quarto, encontramos os ingleses, que fizeram outro trajeto mas acabaram por aqui também. Difícil era escutar as historias do pessoal que mergulhou em Sipadam, junto com uns 20 tubarões, alem de tudo o que é imaginável num mergulho.

Voltamos para Semporna no final de tarde, onde passaria pouco tempo, aguardando o ônibus noturno de volta para KK. Quando comprei a passagem só tinham 5 lugares, foi por pouco. Ate que dormimos bem no ônibus, apesar do ar condicionado geladíssimo. Eta costume de m…! Chegamos bem cedo e pegamos um hotel, onde acertaríamos algumas coisas da viagem e passaríamos o dia ate pegar o voo para a Indonésia.