Lua de Mel/ Escolinha de Mochila

Cheguei em Dar alguns dias antes da Bibi, para ja ir comprando a passagem para Zanzibar e ir me acostumando com o lugar. O Joska veio comigo e o Samuel ficou pelo caminho. Foi bom que ele ja tinha vindo para ca e deu varias dicas. Rodamos todo o centro, que ate e interessante, depois de passar por todos aqueles suburbios, que parecem com sujas vilas.

Na Tanzânia, ao contrario dos outros países da Africa daqui de perto, não existem tantas línguas assim. Ate existiam, mas apos a independência na década de 60 (Tanganica se associou a Zanzibar e formaram a Tanzânia) foram feitas vilas que funcionavam num sistema de cooperativas. Para evitar a rivalidade entre as tribos, vários lideres tiveram que trabalhar em regiões diferentes de onde moravam. Apesar de fracassado este movimento, surgiu um sentimento nacionalista, e o Kiswahili, língua africana mas de influencia árabe, foi adotada como oficial. O Inglês também é oficial, mas muito pouco falado nas regiões rurais e não turísticas. As minhas aulas de swahili com as crianças no barco do Malawi e com os alemães no Moçambique foram muito importantes.

A Bibi chegou depois de ter alguns problemas no aeroporto. Os relatos dela são muito mais ricos e engraçados que eu poderia colocar, portanto leiam o ” Tambem Sai”. Eu tava nervoso, só esperando ela chegar. Tentei decorar o simples hotel com flores para ela não achar tao ruinzinho. Ate que deu certo. Levei ela para jantar, e ela não gostou de algumas opções que eu achava super boas. Vi que eu teria que ir com calma, ela tinha acabado de despencar no Leste da Africa, e não é tão fácil assim viajar por aqui.

Muito mais fácil seria a ambientação na paradisíaca Zanzibar. Depois de um rápido cafe da manhã, no restaurante onde o Samora e sua Trupe da Frelimo se reuniam para organizar a tomada de Moçambique (estavam no exílio) e consequente expulsão dos portugueses, e pegamos o ferry para Stone Town-Zanzibar. Ficamos na primeira classe, mas sempre via a Bibi de olho nas outras, de olho arregalado com tudo que estava vendo. Era muita informação para pouco tempo de chegada. Batemos papo com outros gringos e trocamos informações e dicas. O jet leg pegou e ela capotou boa parte da viagem. Na chegada na quase medieval StoneTown, seguimos por estreitas ruelas ate chegar ao simpático hotel. Parecia tudo perfeito e ela tinha gostado muito. Logo soubemos que a cidade estava sem luz, e o gerador do hotel estava com problemas. Saímos para caminhar torcendo para que consertassem. Tava tudo movimentado com o “Dhow Festival”, antigo festival de cinema de Zanzibar, mas que agora abrangia musica, arte e muitas outras coisas. Quando me dei conta ela já estava ate experimentando as comidas das barraquinhas de rua (se bem que torceu o nariz quando o cara deu o troco com a mesma mão que preparou a comida). Em poucas horas já tínhamos conversado com uma galera, e todo mundo sabia que eramos do Brasil. De volta ao hotel, ainda não tinha energia. A Bibi já estava se preparando para seu primeiro banho de balde (que seria aquecido) quando escutamos o barulho do motor…. (ufa!!).

Zanzibar - Stone Town

Zanzibar – Stone Town

Ruas estreitas

Ruas estreitas

Porta e Crianca

Porta e Crianca

Mercado Noturno

Mercado Noturno

Porta talhada

Porta talhada

Stone Town é o máximo, e ate adiamos a ida para praia, aproveitando todo o movimento por causa do festival. Se perder pelas ruelas com aquelas portas sensacionais e uma delicia. Vi que a Bibi tava se empolgando com a viagem cada vez mais, e em alguns momentos ate pediu para parar um pouco para escrever, organizar as ideias e algumas vezes se emocionar…

Fomos ate o centro para ver onde era o transporte publico para a primeira praia, mas consegui um ótimo preço com um transfer direto, e achei que era melhor para a Bibi ir se acostumando.

Primeira praia que ficamos foi Jambiane, no leste de Zanzibar. Lembro da Bibi ter ido dar uma olhada enquanto eu esperava e voltando falando: Parece Photoshop… Eu falei: Tipo nordeste? Ela: Não, tipo Maldivas, Thaiti… Bem, não se deve comparar lugares, sei que o mar em Jambiani é show, muito lindo e com várias cores.

Jambiani

Jambiane

Jambiani 2

Jambiane 2

O lugar e meio isolado, calmo. Já sabia, e achava que era o ideal para começarmos, tendo bastante tempo junto, tranquilo, podendo botar o papo em dia e se curtir, a uns 4 metros da areia. A pequena vila e meio sem graça, sem grandes atracões como mercados ou simplesmente cultura local. O tempo não ajudou, ficando nublado quase todos os dias, saindo sol só de vez em quando. Uma pena. Aproveitei para achar uma pessoa para lavar todas minhas roupas. Comemos bem todos os dias e na lua cheia tomamos uma cerva num bar de Rastafáris.

Partimos de Dala-Dala (transporte local, tipo lotação) para a próxima praia,  Paje. Lugar já mais estruturado, com um chalezinho mais simpático que a pousada de Jambiani. O lugar do cafe da manha era “na cara do gol”, quase no mar quando a mare tava cheia.  Lugar bem gostoso, alto astral, mas o tempo ainda não tava perfeito. Ficamos muito amigos de uma família espanhola que tínhamos conhecido antes, e saímos ate para jantar juntos.

Paje

Paje

Inicialmente nem iriamos para a parte norte da ilha, e seguiríamos para Lushoto, entre Dar e Arusha. Como teríamos 50 dias para viajar antes da Bibi voltar, decidimos ficar mais por aqui e ir para Kendua.  Voltamos para STown so para fazer conexão para Nuongui, e descemos um pouco antes, na estradinha que vai para a turística Kendua. Uma família Tcheca deu carona para a Bibi e Mochilas, e eu segui na pernada, mas nem era muito longe. Ficamos num chalé bem bacana, e a Bibi adorou. E um lugar mais cara de ferias, estruturado, cheio de jovens turistas.

Jovens europeus em Kendua

Jovens europeus em Kendua

E eu nao podia estar mais feliz...

E eu não podia estar mais feliz…

De noite pegamos ate uma baladinha, onde jovens europeias dançavam junto com guerreiros Masai (que vendem artesanato aqui). Viva a globalização!!! Haha, mas tava hilario, e entramos no embalo e dançamos muito hip-hop, eletrônico e anos 80 juntos. Como não tínhamos reservado a pousada, só pudemos ficar um dia nesta cara pousada. Como nada acontece por acaso, não demorei muito tempo para achar um lugar bem legalzinho por menos da metade do preço. A Bibi fez massagem um dia, e em pouco tempo já tava super amiga de muçulmanas, que ficavam sem véu e abracavam e beijavam ela. Figura…

E a Bibi, ne...

E a Bibi, ne…

Fim de tarde em Kendua

Fim de tarde em Kendua

Tinha um restaurante local bem gostoso, e comemos sempre la. Fui treinando mais ainda o kiswahili, e ganhando descontos e amigos com isto. Infelizmente tínhamos que partir, pois meus pais voariam para Nairobi, e nos encontraríamos em Arusha. Zanzibar foi uma Lua de Mel, com praias lindíssimas, sem ter muito o que fazer, só ficar largado. Stone Town, com suas portas entalhadas, ruas que pareciam corredores de tão estreitas, e todo o mundo Swahili foi fantástico… Seguimos então para Dar onde pegaríamos o ônibus para Arusha. Ops, não tao fácil assim. Hehe

Tinham me recomendado de pegar o Catamarã noturno. Isto seria ideal, pois se esperássemos o da manha, não chegaríamos a tempo te pegar o ônibus “executivo” da Scandinavian Express. Os outros ônibus a Bibi poderia ainda não estar preparada (e não queríamos perder um dia em Dar)… Bem, sabia que apesar de ser primeira classe no Catamarã, não seria tao tranquilo assim, pois os colchoes seriam jogados no chão, entre os sofás. Mas como sempre carrego um lençol e um saco de dormir, achei que taria tudo bem.

Bem, para reduzir a historia, que sera contada pela Bibi com muita mais entusiasmo e  emoção (além do lado feminino), apelidamos esta viagem de “Barco do Terror”.

Barco do terror, ainda de dia...

Barco do terror, ainda de dia…

Quando tava tudo bem, perfeito, a Bibi começou a reclamar de pequenas baratinhas que apareceram na primeira classe. Eu, baseado naquele filme do Will Smith, Em busca da felicidade, comecei a falar que eram só besourinhos africanos (hehe). Ate me irritei com a ” frescura dela”. Deitamos e logo dormimos. Acordamos com uma Sra “vomitando as tripas”, devido ao balanco do barco que só aumentava. Ela levantava a cabeça, vomitava, e voltava a dormir, segurando o saquinho. O marido dela nem acordava, para a revolta da Bibi. Logo a Bibi começou a ficar enjoada. Pediu para ir para o deck, pegar um ar. Vcs viram o filme ” Ensaio sobre a cegueira”? Pois e, o corredor da classe que levava ate o deck era igual ao do filme. Pessoas vomitando ou dormindo (algumas com a cara no chão) segurando um saquinho de vomito. Sinnniiiiistro. Total filme de terror, trash mesmo!!! Bem, no ” tambem sai” vcs vão ler detalhes mais ricos de todos estes momentos. Depois de sobrevivermos ao ” Barco do Terror”, pegamos o ônibus a tempo, e seguimos na longa viagem ate Arusha (A Bibi só tomava sopa nestas alturas).

Lake Niassa

O Lago Malawi era chamado originalmente de lago Niassa, nome que até hoje é utilizado no Moçambique e Tanzânia. Este país ficou famoso quando a Madona tentou adotar uma criança de la. Alias, criança é o que não falta. Existia uma taxa de mortalidade altíssima, e nos últimos anos, tem melhorado muito (ainda é  terrível). Isto esta fazendo com que a população infantil aumente consideravelmente. Mesmo com todos estes avanços, ainda morre uma criança a cada 30 segundos só de malária no país.

Pegamos o barco que era para demorar não mais que 40 horas para ir ate Monkey Bay, mas acabou demorando bem mais. Até Likoma Island fomos no deck, topo do barco, pois tava muito lotado. La ficamos trocando figurinhas com outros mochileiros. Daria ate para montar a barraca, mas com um céu lindo, e lua cheia, não tinha porque. Só o saco de dormir era mais que suficiente. Percebemos que todas as paradas não tinham porto. Vinham barcos pegar os passageiros e mercadorias. Muitos galoes e madeiras era simplesmente jogados no lago para que as ondas levassem para a costa. Muito lento os descarregamentos, o que atrasou bastante a viagem. Depois de Likoma Island fomos de segunda classe. Dois longos bancos com uma mesa no meio. Como ficou vazio, cada um ficou com seu próprio banco. Muito bom para dormir, ler, passar o tempo. Bem mais fácil de interagir. Encontrei umas pessoas que falavam português, pois o barco chegou a parar para desembarque no lado de Moçambique. Brincamos com algumas crianças ao lado que nos ensinaram um pouco de swahili. Passamos a frequentar o restaurante da terceira classe, e conquistamos a amizade de muita gente com isto, alem de economizar uma grana, e comer muito mais.

Lua Cheia no Deck

Lua Cheia no Deck

Onde esta Wally?

Onde esta Wally?

Por de sol 2nd classe

Por de sol 2nd classe

Carga e descarga

Carga e descarga

Em Monkey Bay teve um controle de imigração inesperado, e queriam que eu pagasse por uma extensão do visto (que não era necessária). Dormimos no barco atracado, e o oficial ficou com meu passaporte. No dia seguinte cedo, depois de muita conversa me safei. Depois de toda hospitalidade, nunca imaginávamos encontrar corrupção aqui, mas o Graham teve que pagar uma grana para se livrar por ter apresentado o passaporte errado. De Monkey Bay fomos na caçamba de uma caminhonete para Cape Mc Clear, antiga Meca mochileira. Com todos os problemas econômicos do Zimbabwe, está meio abandonado, e a rota da Zâmbia está mais popular, indo para Nikata. O lugar é super tranquilo, vilas de pescadores, lago tranquilo com montanhas, ilhas, super visual. Encontrei um casal da Africa do Sul que já tinha encontrado na Botsuana e na Zâmbia. Eles vão ate a Etiópia, então tem chance de encontrarmos de novo. Sai para andar pelas vilas, bater papo com o pessoal local. Recebemos convite para dormir numa sala onde apresentam os filmes na vila. Sempre primeiro um americano, depois um musical e depois um nigeriano.

Fiquei amigo de um cara, Steve, que me convidou para jantar na casa dele. Claro que sendo um lugar muito pobre, dei uma grana para ele comprar peixe, arroz. Ele tinha pato e “polenta” (sima). Convidei o Grahan e 2 alemães que passaram a viajar com a gente desde o barco. Foi muito legal, intercambio cultural mesmo. Todos muito empolgados com nossa presença. Comida foi preparada no chão, na parte de fora da casa, enquanto ficamos na pequena sala escutando musica e conversando. Dava para ver a felicidade dos filhos dele, com aquele super jantar, que com certeza não era comum.

Steve e familia

Steve e familia

Cape Mclear

Cape Mclear

(Malawi) KFC

(Malawi) KFC

Algumas caçambas e micro-ônibus depois, estávamos saindo do Malawi, sentido Moçambique.

Cuidado para não ficar encalhado no Malawi

Quando estava indo para o Malawi escutava muita gente falando para tomar cuidado para não ficar ” encalhado” la. Logo entendi porque. O Malawi é carinhosamente apelidado de ” coração caloroso da Africa” (odeio estas traduções) e faz jus ao apelido.

É um país pobre, muito pobre. Um dos mais pobres da Africa, e consequentemente do mundo. Sofreu uma das ditaduras mais longas, do então ” presidente ” Banda. Um cara que proibiu mulheres de usar mini saias e calças compridas. Os homens foram proibidos de ter cabelos compridos, dentre outras coisas. A censura era muito grande em vários aspectos, mas mesmo assim, o Papa e a Margaret Thacher visitaram o país e não falaram nada contra este sistema, muito pelo contrario.  Hoje os tempos são outros e houve uma inversão de valores daquela época. O clima é super amistoso e existem rastafaris por todos os lados.

Vindo da fronteira da Zâmbia, arranjamos transporte ate uma pequena cidade  e de lá, junto com meia duzia de zambianos, acertamos com um ônibus para nos levar ate Lilongwe. Ao entrar no velho ônibus estilo escola americana peguei no sono rapidamente. Acordei não muito tempo depois, e nem havia percebido que algumas jovens haviam entrado em alguma parada no caminho. O dia estava amanhecendo e elas cantavam musicas locais, estilo coral. Eu meio confuso pela falta de sono, com o dia nascendo e aquela musica maravilhosa, que durou as próximas horas. Entendi claramente aquela expressao: ” De chorar!”

A entrada em Lilongwe parecia um pós guerra. Muitas pilhas de lixo sendo queimadas, naquela parte antiga da cidade, com uma nevoa,  que apesar de ser crista, possui algumas torres de mesquitas que se destacam ao céu. A estação de ônibus é hilaria. Uma bagunça, nem parece uma capital. Só passamos no caixa eletrônico e já pegamos um ônibus para o Lago Malawi.

rodo

O lago Malawi é o terceiro maior da Africa é o sétimo maior do mundo. Tentaram apelidar de lago calendário, mas não pegou. São 365 milhas de comprimento (dias no ano), por 52 milhas de largura (semanas no ano) e 12 rios que desembocam nele (meses no ano) e e o sétimo maior lago do mundo (dias da semana). Água transparente, no maior clima de praia.

Senga Bay foi nosso primeiro destino, pegamos ônibus + caçamba de caminhonete para chegar la. Acampamos de frente para o lago. Lugar muito tranquilo, bonito e não tinham outros estrangeiros, o que deu um charme ao lugar. O lago era lindo, mas foi o povo que chamou a atenção neste lugar. Todos paravam, conversavam, te levavam para cima e para baixo. Ninguem te pede dinheiro ou algo assim. Te levam para os lugares porque querem companhia, praticar o inglês, receber bem as pessoas.  É difícil de acreditar, pois a região é muito pobre. No início estranhei, pois as vilas de pescadores pareciam favelinhas, mas adorei andar pelas ruelas, me perder sem me preocupar. Um dia compramos algumas coisas no mercado de rua, alugamos uma canoa, e remamos ate uma ilha relativamente próxima para fazer um piquenique lá. Em pouco tempo ja tinhamos muitos amigos, e as criancas nos adoravam. Vinham, andavam de mãos dadas, brincavam. Algumas pequenas choravam ao nos ver. Os Muzungus (homem branco) sao assustadores para elas. Tinha um figura, bêbado conhecido, que é nascido no Moçambique. Ele adorou falar portugues comigo, e falava bem alto que nos dois eramos da mesma tribo. Descobri que na região que ele morava, na província do Niassa, ele era orador, encarregado de fazer os anúncios oficiais. Encontrei ele outras vezes e sempre me diverti. Arrumei um restaurante local que tinha arroz e feijão, e comi quase todas as refeiçoes lá. A proprietaria ficou suuuper feliz, e eu tambem. Comida boa pelo menos 4 vezes mais barata que no camping.  Numa noite tinham algumas casas passando filmes de DVD. Num era musical, no outro era Duro de Matar 2. Incrível!! Esta era minha piada favorita quando morava em Sengés, que os lançamentos na locadora eram Titanic e Duro de matar, e aqui era realidade!!!

Cores...

Cores…

Amigos

Amigos

Um dois, feijao com arros...

Um dois, feijao com arroz…

Costurando o Ziper da Barraca e comendo ovo

Costurando o Ziper da Barraca e comendo ovo

Decidimos ir para Nikata Bay, mais ao norte. A diversão começava.  Uma caçamba de pick up ate Salina (com um freezer novamente), mini ônibus, mais uma caçamba de caminhão e outro microonibus. Numa das viagens tinha um senhor, todo alinhado, de terno e gravata, com um galo na sacola. Pena que este (e muitos outros) momentos não da para tirar foto, pois quebra totalmente o clima, eles te veem com outros olhos.

Difícil de acreditar que não estávamos no litoral. Total clima de praia. O proprio lago formava uma baía que parecia um mar azul esverdeado. Existem alguns morros e chales pendurados entre estes e o lago. Muita gente do mundo inteiro, encalhados no Malawi. Viajantes que chegaram para alguns dias, e acabaram ficando semanas, ou meses. Aqui encontramos alguns insistentes vendedores de artesanato, o que não estávamos acostumados. No final das contas ate fizemos bons negocios com roupas velhas. Nunca pensei que uma camiseta desbotada do Che seria tao disputada. Tem um rasta figura que alem de vender bonitas pinturas, tem um “restaurante”. Na verdade são algumas cadeiras, mesa, num puxadinho atras da barraquinha dele, tudo com um super visual, tochas e velas. Ficamos encalhados ali por uns dias também, nadando, pegando sol,tomando cerveja barata, comendo peixe, de bobeira esperando o barco que ia para o sul. Um dia preparei uma caipirinha, com cachaça mesmo (não, não é brasileira), e fez o maior sucesso. Acabaram tomando 2 litros, no sistema “tubão”, passando de um para o outro. O cara do bar, que lembrava o saudoso Musum, ficou emocionado (era aniversario de 55 anos dele). Um dos dias Fizemos um mergulho bacana. Parecia um aquario com muitos peixinhos coloridos. Um chamou atenção. Quando se sente ameaçado, coloca todos os filhotes na boca para proteger.

Nikata Bay

Nikata Bay

Mercado de rua

Mercado de rua

Vida dura!!!

Vida dura!!!

Rastaman

Rastaman

Cape Town

Difícil saber por onde começar. Cape town é linda, uma cidade cosmopolita, cheia de lojas e cafés boutique, moderna sem perder o charme de estar na África.  Ao lado de lojas descoladas estão mercados de rua fascinantemente.  O novo e o cultural misturados. O povo parece tentar superar as dificuldades do Apartheid, e é super comunicativo.

Long St. at night

Long St. at night

Como nao existe muito transporte coletivo, andei muito estes dias. Ganhei até umas bolhas como companheiras de viagem. Table Mountain está para a Cidade do Cabo assim como o Pão de Açúcar está para o Rio, apesar de não ter encontrado nenhuma outra semelhança entre as duas cidades, ao contrário do que dizem as revistas de turismo. Subi de teleférico e desci pela trilha. Show de bola a caminhada, com um visual incrível da cidade. O centro, a cidade, cheia de vida, é uma atração a parte.

Vista da Table Mountain

Vista da Table Mountain

Acabei saindo do “Backpacker” que eu estava – assim como na Austrália e NZ, aqui chamam os albergues de Backpakers – e tive minha primeira experiencia Couch surfing. Oficial é claro, pois já fiquei em muitos sofás por aí. A Pravania e o Kapil moram num apartamento bacana no subúrbio  e tinham 3 sofás para eu escolher. Muito bom ter o ponto de vista de alguém que mora na cidade, pois basicamente estava em contato com outros viajantes.

Flamenguista na Africa do sul? So o que me faltava!!! Couchsurfing

Flamenguista na Africa do sul? Só o que me faltava!!! Couchsurfing

Fui para o Cabo da boa Esperança de trem. Tive uma certa dificuldade para chegar até lá de Simons Town, mas nada que não pudesse ser superado com espirito de aventura e criatividade. O lugar e muito bonito, alias toda a natureza aqui impressiona, mesmo vindo do Brasil. Pena que o tempo não estava muito bom. A linha de trem passa a 3 metros da areia, e o senário e fabuloso. Não consegui sair da janela do trem. Na volta fui parando em algumas pequenas cidades, prensadas entre a montanha e a praia. Em Kalk Bay acabei descobrindo um restaurante, Olympia Cafe, que estava muito movimentado, e me chamou atenção. Almocei lá e estava simplesmente alucinante. Recomendo para todos que forem para CT. O cardápio muda diariamente, e o ambiente e muito bacana. Andei ate Muzimberg, acompanhando as placas de aviso de perico de tubarão para o surf…

Em um outro dia fui para um township, que era o único lugar que os negros podiam morar na época do Aparthaid. Nos guias falam que vc tem que ir com um guia, ou com um negro que conheça o local. Acabei indo junto com um canadense que conheci no Couchsurfing e um Inglês, que mora aqui. Fomos de lotação, socados numa van que saia de uma estação de trem. Muitas pessoas brincavam com a gente, mas todos muito amigáveis nos deram as direções. Existe este lugar chamado Mazolis, que e um açougue, onde escolhemos nossas carnes, levamos por um corredor ate churrasqueiras, e ficamos no puxadinho ao lado tomando uma cerva, ate vir a carne pronta numa bacia. Como e época de eleição presidencial, o lugar estava bombando, com musica e tal. Tinham outros estrangeiros, que foram indo embora com o entardecer. Nos ficamos ate o final da festa, com vários amigos novo e telefones e e-mails trocados. Andamos ali por perto, e não vou negar que recebemos olhares estranhos as vezes, mas estes mudava apenas com um sorriso.

Mzoli's

Mzoli’s

Cada dia tem sido mais intenso, mais cheio de coisa, que fica difícil escolher o que contar.

O Sonho

Menos de uma semana para partir, e parece que ainda não caí na real.  Não sei bem quando iniciou minha paixão por viagens, talvez seja até genético, pois toda minha família sempre teve o costume de viajar muito. Desde pequeno sempre encarei as viagens como algo muito normal e ao mesmo tempo necessário.

A idéia de ” dar a volta ao mundo” é bem mais recente. No meu primeiro mochilão para a Europa descobri que viajar podia ser ainda mais barato que imaginava, desde que alguns cuidados fossem tomados. Mas, foram nas minhas viagens para a Ásia, que eu fui me dar conta que o mundo era muito maior e mais interessante que eu imaginava. Nesta época já estava formado, construindo uma carreira promissora. As viagens anuais não me contentavam. Os 25 dias/1 mês  que eram muito para o mundo coorporativo passavam num piscar de olhos para mim. Conheci pessoas que estavam viajando por longos períodos, super tranquilas  de que quando voltassem para casa, teriam sua vida normal de volta. Pessoas interessante, que não estavam viajando por uma fuga ou porque não deram certo profissionalmente, mas por opção. A semente estava plantada, definitivamente eu estava com a ” Travel Bug”.

O próximo passo foi deixar o trabalho, planejar tudo com a minha então namorada – hoje primeira dama – para darmos a tão sonhada ” volta ao mundo”. Na contramão vieram propostas irrecusáveis de emprego (mais tarde descobriria que sempre aparecem nestas horas), e acabamos adiando a viagem. Cada ano que passava, nossas carreiras iam se solidificando, o que nos fazia cada vez mais adiar a data de partida. Dizem que quando você quer muito alguma coisa, o universo inteiro conspira ao seu favor. Comigo não foi diferente. Como um golpe do destino, a empresa que trabalhava foi vendida. As propostas irrecusáveis apareceram novamente, mas desta vez eu estava preparado para negá-las (valeu pelos conselhos Pati!). Já tinham me falado que numa viagem destas o mais difícil era partir, mas eu não imaginava o quão difícil seria.