Entrevista no Programa do Jô

Fomos entrevistados no Programa do Jô, falando um pouco das nossas andanças pelo mundo e sobre o lançamento do livro “De Cape Town a Muscat: Uma aventura pela África”, é claro

Contando para o Jô sobre nossa viagem.

Mostrando para o Jô o mapa da nossa viagem.

Não vou contar como foi se não perde a graça 😉

O programa vai ao ar na Globo no dia 21 de Maio, e no dia 26 tem reprise dos melhores momentos na GNT.

O vídeo da entrevista será postado junto com as outras reportagens, mas sempre vale a pena var na TV!  https://saiporai.com/midia/

Por falar nisto saiu uma reportagem nossa bem bacana no G1/Globo.com Quem não viu Clique aqui.

G1

G1

Ainda este mês estou saindo para mais uma viagem, e no início de Junho vai teu um lançamento bem bacana em São Paulo. Logo mais detalhes.

 

Em terras Khemer (2004)

Fui para o Camboja em 2004, atravessando a fronteira com a Tailândia.

Chegada no reino do Camboja

Chegada no reino do Camboja

Não foi munto difícil achar um ônibus até a cidade de Siem Reap (referencia a uma vitória sobre o reino do Sião-Tailândia), mas a estrada era esburacada e longa. Paisagens de campos de plantação de arroz pela janela e pessoas interessantes.

Estrada da fronteira até Siam Reap

Estrada da fronteira até Siem Reap

Posto de gazolina

Posto de gasolina

Plantações de arroz

Plantações de arroz

Siam Reap tem crescido desordenadamente. Ainda sobrou uma influência francesa, já que fazia parte da indo-china, que tinha domínio francês. Turistas do mundo inteiro utilizam como base para visitar o fantástico complexo de templos de Angkor. Consegui achar acomodação barata bem fácil. Existem varias formas de visitar Angkor. Pode ir em um transfer, tour,  alugar um tuk-tuk ou até mesmo de bicicleta. O lugar é gigantesco, e o ideal é de passar alguns dias lá para ver com calma.

Angkor Wat

Angkor Wat – Wat significa templo

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Painéis contando histórias do reino e de Buda

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Angkor Wat, sempre cheio de pessoas

..

Cercado de florestas, muitos templos tem macacos perambulando.

A vantagem de tirar alguns dias para conhecer o lugar é que não o dia não fica tão corrido, dá para fugir do calor e dos bandos de turistas.  Achei um cantinho e fiquei curtindo o lugar sozinho, pensando na vida. Acabei até tauando o lugar anos depois.

rostos

rostos

Bayon

Bayon (seculo 12 e 13)

Cada parte do complexo de templos é de uma época e tem uma característica . Existiram reis budistas e hindus, e eles iam modificando culturalmente o lugar. Nos templos Bayon, existem mais de 200 rostos. O rei fez sua imagem parecer com a de Buda, tentando passar a imagem de um semi Deus. Fantástico o lugar!

Natureza retomando território

Natureza retomando território dos templos

Buda

Buda

estatuas

estatuas

No Camboja é fácil se deparar com pessoas mutiladas pela terrível guerra, ou pela herança delas, as minas terrestres. Não vou dizer que não incomoda olhar. O Khemer Rouge promoveu um genocídio ao tentar introduzir uma sociedade comunista. O mais estranho é que em um conflito com o Vietnã, este regime recebeu apoio dos EUA, mostrando que as alianças políticas iam bem além do Comunismo x Capitalismo. Como tinha somente um mês para viajar pela Tailândia e Camboja, acabei deixando para conhecer o sul do país em uma outra viagem.

Era hora de voltar para Bangkok, encarando a terrível estrada novamente. O retorno foi pior, pois o ônibus quebrou trêss vezes, e tive que pegar carona para chegar na fronteira. Muitas imagens, pessoas e lembranças. Só temo pelo crescimento desordenado do turismo na região.

Crianças

olhares

Bicicleta

Bicicleta, meio de transporte oficial da região

carona? ok, mas tem espaço?

Carona? ok, mas tem espaço?

Plantações

O dia está para peixe?

chegando na fronteira

chegando na fronteira, crianças pediam para serem fotografadas

Caminho das índias (2005)

Quando estava indo para o Nepal fiz escala no antigo aeroporto de Delhi (hoje bem moderno), onde tive meu primeiro contato com a Índia: dezenas de pessoas dormindo no chão, outras comendo… eu sabia que a experiencia seria intensa. Tinha tido um aperitivo de caos nos festivais do Nepal, mas tudo havia se tranquilizado bastante nas montanhas do Tibet.

Agora chegava na Índia em um dos lugares mais intensos, Varanasi. A cidade é um dos lugares mais sagrados da Índia, onde tudo acontece ao longo do rio Ganges. Uma confusão de sensações, cheiros de tempero se misturavam com o fedor de bosta. Muita gente, animais, autorickshas… Não foi um choque cultural porque eu amei desde o início, estava mais para um sonho. Olhava tudo aquilo e não conseguia esconder o sorriso do meu rosto. Com o lábio rachado dos ventos gelados do himalaias, muitas pessoas sabiam que eu vinha das montanhas, e o bate papo fluía nos gaths (escadarias) na beira do Ganges. Muitas pessoas se banhando, cerimonias, pessoas lavando até a boca na água onde passavam restos de corpos. A lenha é cara, e nem todas as famílias conseguem garantir uma cremação completa. Entrei timidamente no rio, me joguei água, mas não tive coragem de mergulhar. Talvez fosse demais para um primeiro dia.

Na beira do Ganges

Na beira do Ganges

Cores da India

Cores da India

Conheci a cidade, rodei aleatoriamente, visitei os crematórios, o bairro muçulmano e diversos templos hindus. Passeei de barco pelo Ganges para ver o sol nascer. Fui até Darnath, local onde Buda deu o seu primeiro sermão. Sentei embaixo da mesma arvore, mas num país com 1 bilhão de pessoas não tinha ninguém para conversar comigo. Bom, pois precisava de um tempo. Aproveitei para curtir o silencio, que foi muito bem vindo, já tinha até esquecido como que era. Crianças se aproximaram vendendo pequenas estatuetas de barro de Buda por poucos paise (centavos de Rupia). A miséria na Índia é algo chocante, e incomoda. Comprei uma estatueta, mas me peguei virando o rosto tantas vezes para não ver coisas que me “incomodavam” que passei a ter um conflito interno.

Crianças muçulmanas

Crianças muçulmanas

Darnath

Darnath

Horas mais tarde conheci um senhor, que me apresentou um templo jainista. Seu fundador, Mahavira, foi um contemporâneo de Buda. Dizem que Buda sempre o desafiou para embates filosóficos, mas ele sempre evitou o confronto. As figuras das estatuas até que são parecidas e existem outras semelhanças entre estas religiões. Praticantes da não violência  os mais “radicais” andam com uma vassoura para limpara o caminho, evitando pisar em algum inseto. Foi muito bacana e proveitoso o bate papo

Arrisquei comprar uma passagem de trem na última hora pois sempre sobram uns lugares. Vagão sleeper simples, facilitava a interação, e eu estava conhecendo um dos programas que mais gosto de fazer quando vou para a Índia, andar de trem! Viajei a noite toda e cheguei em Agra antes do sol nascer.

Rostos da India

Rostos da India

Esperando o Trem

Esperando o Trem

Agra não é uma cidade muito agradável. O fato de milhares de turistas visitarem o Taj Mahal faz com que ao caminhar por lá te olhem como um caixa eletrônico ambulante. Mas estava com muito bom humor, e levei tudo na brincadeira. Conheci um casal de ingleses e um australiano no trem, e decidimos só passar o dia por ali. Corremos para ver o dia nascer atrás do Taj Mahal, único lugar calmo que encontramos em Agra, com o visual do rio. Depois encaramos o empurra-empurra para comprar os bilhetes inflacionados, com grande diferença para indianos e turistas. Lembro que paguei cerca de 15 usd, bem mais do que vinha gastando por dia com todas as atividades, incluindo hotel, comida e transporte.

Taj

Taj

O local é fantástico, e fui apresentado para a arquitetura Mughal que passei a admirar tanto. Não se tem paz lá dendro, lotado de turistas estrangeiros e e indianos. O calor também estava pegando, mas deu para passear e sentar em uma sombra para admirar a grandeza do Taj e das mesquitas ao lado. Ainda passamos no Agra Fort, outro magnífico monumento da lista da Unesco, antes de pegar outro trem noturno, desta vez para Jairpur no Rajastão.

Dividi um quarto de hotel com o casal de ingleses e me assustei com a dor de barriga que ele teve de noite. Se retorcia e teve que ir até o hospital. Eu tinha tido desarranjo no Tibet, e parecia que meu corpo já estava “vacinado”. Acabaram indo para Delhi, e voltei a ficar sozinho.

Desafiando a teoria de que indianos eram dinheiristas, peguei muitas caronas e circulei por varias atrações só na “amizade”. Claro que surgiram aquelas armadilhas para turistas. Um dia fui no cinema, parecia um teatro, com cortinas abrindo e intervalo. Na saída dois jovens se aproximaram e pediram para praticar o inglês. Eu que adoro uma interação fiquei batendo papo. Perguntaram onde estava indo e falei de lugares que queria conhecer. Se ofereceram para me levar, e como já tinha conseguido algumas caronas fui na boa. No meio do caminho falou de um tio que tinha lojas de pedras, que poderia ser um bom presente, ou até negócio. Eu educadamente disse que não queria, mas insistiram. Eu neguei mais firme e depois de uma insistência, pararam o carro, esconderam o sorriso e cordialidade, e me mandaram sair na hora. Eu sai me fazendo de bobo e segui conhecendo a bonita cidade rosa. O palácio da cidade, o palácio dos ventos, o Amber Fort e o incrível observatório astrológico/astronômico Jantar Mantar. Legal andar nas ruas e ver encantadores de cobras, mesmo que seja para ganhar uns trocados dos turistas. Muitos macacos e charretes de camelos carregando tijolos faziam parte das cenas do dia a dia nas partes menos turísticas da cidade. Não pretendia fazer muitas compras, mais os mercados também são bem bacana de se passear.

Mais cores

Mais cores

Pelas ruas

Pelas ruas

Filme com intervalo e cortinas

Filme com intervalo e cortinas

A viagem se aproximava do final e peguei outro trem, desta vez para a capital, Delhi. Fiquei num quarto escuro no camelódromo Pahaganj, em frente a estação de trem. Como tinha poucos dias comecei pelas atrações mais manjadas, antes de me “perder” pela cidade. O magnífico Red Fort, ofereceu sombra nos seus jardins. O caos do Chandni Chowk me apresentou para tantas novas comidas de rua. A imponente mesquita Jama Masjid me apresentou para o islamismo, religião que passei a admirar muito. Conversei por horas com curiosos fiéis. Também fui ao templo Bahai, conhecer mais uma religião (além do Budismo, Jainismo, Hinduísmo, Islamismo…).  Existem alguns lugares para “ver” como o Qtab Minar, minarete que representa a chegada do islamismo na Índia e o Gandhi Smriti, onde o Gandhi foi assassinado. Gostei muito de passear pelo Humayun Tomb, com arquitetura fantástica, belos e silenciosos jardins. Troquei uns livros e passeei por Connaught Place na minha última noite.

Templo Bahai

Templo Bahai

Minarete Q

Minarete Qtab

Tomb

Humayum Tomb

Me despedi da Índia sabendo que iria voltar. O país mais diverso que eu já havia conhecido até ali. De quebra, qual o país que é possível se hospedar na capital por 3 usd?

Quato de 150 Rupia em Delhi

Quarto de 150 Rupia em Delhi

PS-  Voltaria para a Índia mais duas vezes, onde passaria mais de 4 meses.

Family Trip 2 – Litoral do Quênia

Até a fronteira, o ônibus aguentou bem, apesar das paradas não esperadas, para um ônibus direto.  Assim que entramos no Quênia, a estrada começou a ficar ruim, e foi piorando. A poeira entrava por tudo, e ate caia da caixa de som. A Bibi já tava com um bico gigante quando o ônibus parou pela primeira vez. Mexeram um pouco e seguiu viagem. Numa outra parada ela decidiu ir ao banheiro, o famoso “bush toilete”.  Como era savana, e a vegetação bem rasteira, tive que segurar uma canga para fazer “cabaninha”. Depois de seguidas paradas, o ônibus quebrou de vez. Me irritei um pouco com as reclamações e falta de espirito de aventura (quando decidimos não esperar para pegar o voo, saíamos do risco), e fui ler dentro do ônibus. Com tanto tempo de Africa, deixo vários detalhes passar. Para enriquecer um pouco mais, vou colocar aqui o e-mail que o Clau mandou para todos da família la no Brasil:

” … saímos de Arusha na Tanzânia para Mombasa no Quênia. Que aventura…Da fronteira da Tanzânia ate a cidade de Voi e uma estrada de terra absolutamente horrível. O ônibus que tomamos nada tem a ver com nosso padrão Marcopolo. Mas ao menos tínhamos poltronas individuais e que reclinavam razoavelmente. Mas a estrada tinha tantas panelinhas que o possante não resistiu e quebrou no meio do nada. Depois de algumas tentativas soubemos que não tinha como seguir viagem nele. Mandariam um outro que chegaria em 5 horas…A solução foi parar o próximo ônibus que apareceu e la fomos nos com todas as malas no corredor sobre sacos de farinha, batata, galinhas, etc… Cada um ficou num assento possível com bagagem no colo e rodeados de tudo o que se possa imaginar. Na minha frente havia uma mulher com uma vasta cesta cheia de ervilhas e aproveitava para debulhar enquanto o ônibus pulava pela estrada de pó. Ao lado uma outra tirou uma panela de barro de um baita saco e pegava as cascas de ervilha pra levar pra casa. Não cabendo nesta panela, tirou uma segunda do fundo do saco e encheu tb de cascas. No final socou tudo saco a dentro. Estava o Gui e eu na ultima fila com montanhas de malas e sacos nos separando da Bibi que estava uns 3 assentos adiante e a Monica que ficara mais pra frente do onibus sentada entre dois passageiros bem perfumados. E com as janelas fechadas. De vez em quando via que a Monica levantava o braco e eu respondia abanando pensando que tava dando tchau. Na terceira vez que levantou o braco vi que a cabeça dela tinha caído. Logo pensamos o Gui e eu que estava vomitando. Pulei por cima dos sacos e das malas do corredor pra chegar ate ela e ver que tinha desmaiado. O passageiro do lado queria abrir a blusa dela pra respirar melhor. Cheguei em tempo de evitar e mandei abrir as janelas pra entrar um pouco de ar. Todos queriam saber o que tinha acontecido. Disse que era problema de pressão baixa. Logo o da frente me passou um cartão de medico de ervas. Neste meio tempo havia entrado no ônibus um camelo que em altos berros apregoava remédios para o nariz, asma, figado, febre amarela, etc… Ate ofereceu um pó pra colocar na boca da Monica. Claro que não aceitei. La atras perguntaram pra Bibi que havia acontecido. Ela disse: She…desmaiou. What? Is she died? No only e fez o gesto com a cabeca caindo pro lado. Enfim depois de algumas horas de peripecias chegamos a Voi. Mas nao sem antes pagar nova passagem no trecho que usamos o segundo onibus. Em Voi pegamos um taxi que nos levou finalmente a Mombasa.”

Não foi fácil ver a Mãe assim. Sei que ela tem pressão baixa, já vi ela assim varias vezes, mas assusta. Alguns detalhes que o Clau não mencionou: O táxi, depois de carregado, não funcionou, por problemas de bateria. Ao pararmos para comprar bebidas, o motorista retirou rapidamente os adesivos da lataria do carro, pois não tinha autorização para sair do município.

Mombasa surpreendeu. Cidade festeira, cheia de Matatus (os dala-dala daqui) coloridos, com neons e dvds. Mesmo sendo de maioria Muçulmana, noitadas que seguem até o amanhecer. Entendi porque o Dimitri, francês que morava em Ibo-Moçambique, de vez em quando atravessava toda a Tanzânia só para chegar ate aqui. Gostaria de ter passado mais tempo por aqui, terra que também já foi dos portugueses. Seguimos pela costa ate Malindi, passando por diversas praias que mais parecem um pedacinho da Itália. Não, não é por causa do visual, e sim pela quantidade de italianos que veraneiam aqui. Tudo que e placa e escrita em italiano, e ate os guardadores de carro falam italiano para se comunicar com os turistas. De lá pegamos um Voo para Lamu. Inicialmente queria atravessar a África da Africa do Sul ate Djibuti por terra, sem pegar avião. A estrada não era longa, mas era pior que a que passamos. Como não estava mais sozinho, tinha que ser responsável. De qualquer maneira faria uma volta pelos países do Leste da Africa e retornaria a Tanzânia, e subiria tudo de novo por terra.

Ainda no “aeroporto”, comecei a conversar com um senhor alemão que puxou papo. Ele se interessou pela minha viagem, meus antigos empregos , minha formação, dentre outras coisas. Falou que era consultor de hotéis, e que também lidava com o mercado imobiliário. Contei das minhas novas empreitadas junto com o Geraldo, e até falamos de preços e oportunidades no Brasil. Chegando na pequena pista de pouso, ele contou que já havia vendido mais de 600.000 casas/terrenos durante a vida dele. Achei meio forcado, mas seguimos juntos ate Lamu, que fica em outra ilha. O barco estava o esperando, com toda uma comitiva. Ele nos deixou num bom hotel e falou que recomendava. Nos convidou para ir ate a casa dele em algum dos dias que estivéssemos por ali.

Chegada em Lamu

Chegada em Lamu

No hotel colocamos a negociação/choradeira para funcionar. Depois de espremer no preço, pediram para ligar para o dono para ver se era possível. Não e que o tal do aleãao que era o dono!!!

A chegada em Lamu e impressionante, cidade mais medieval que a Stone Town de Zanzibar. Alias, tentam comparar as duas ilhas que não tem nada a ver. Lamu e meio parada no tempo, sem carros, pequena, não tao turística , [praticamente sem praias também]. Cultura kiswahili borbulhando. Tem 25000 abitantes e 500 jegues, que são o transporte local. A primeira caminhada, já com o entardecer mostrou que não seria difícil se apaixonar por aquele lugar. Construções antigas, portas talhadas, pessoas andando de jegues nas ruas super estreitas, todas aquelas mulheres com seus véus negros e os homens mascando miraa e conversando. Fácil de entender porque era um patrimônio da Unesco.

Mediaval...

Medieval…

Pela rua

Pela rua

Mercado

Mercado

Ficamos alguns dias, mas eu poderia ter ficado semanas para explorar todo o arquipélago. Algumas ilhas mais distantes pareciam super interessantes. Todas as ilhas estão muito próximas do continente, e se estendem ate a divisa com a Somália.

Um dia na praia...

Um dia na praia…

Um dos dias fomos ate a vila e praia de Shela. Falavam que era até mais medieval que Lamu. Mentira!! (mais um furo do Lonely Planet e de seus seguidores…) Até podia ser no passado, mas hoje quase tudo foi derrubado. No lugar, ricos e famosos construíram casas se baseando na arquitetura local, mas muito estranho e artificial. Alguns deles: os donos da Olimpics, os da Peugeot, o príncipe de Mônaco, modelos e mafiosos italianos. O pessoal gostou, mas eu fiquei decepcionado. A praia também não tinha nada de mais. Fica o ponto alto para o momento que estávamos conversando na areia e passaram alguns Dromedários. O restaurante que almoçamos também tava delicioso (que novidade, todos os restaurantes são muito bons!!).

"de quem e este jegue..."

“de quem e este jegue…”

Sai da freente!!!

Sai da frente!!!

Em Lamu existem 2 museus (alem de outros menores), passeios de barco, dentre outras coisas,  no entanto o mais gostoso mesmo era caminhar sem rumo, só olhando o dia a dia deles. Lugar magico mesmo. Talvez um dia ainda tenha todas aquelas lojas e estrutura da Stone Town de Zanzibar, mas hoje ainda e bem isolada, ainda bem!

Porta

Porta

Um dia recebemos um telefonema do alemão, para irmos na sua casa. Uma bela casa, provavelmente uma das maiores da ilha. Fomos la bater papo, quando descobrimos que se tratava de um bilionário. Mostrou (de forma não muito humilde) folders de diversos empreendimentos, contou que era dono de Hotéis, campos de golf, cavalos de corrida, agencias de moda, cervejarias, Spas, condomínios… ha, ele não bebia porque voava o seu próprio avião quando estava na Europa. Fora as horas que parecia que era um professor de Deus, o papo foi legal, e passou por assuntos diversos e chegou ate a religião, telepatia, energia…

Porta estilo Lamu

Porta estilo Lamu

Tiveram varias “figuras” que fizeram parte da nossa hospedagem em Lamu. Um deles era o Charlie. O cara e um “doente”. Com uma voz de locutor, toda hora que nos via abria um sorriso e corria para arranjar uma flor para a Bibi e para minha mãe. Derrubou minha mochila no mar na nossa chegada, e um verdadeiro “chupeta”. Aquelas lendas urbanas, sabe?!

Masha, Eu e o "Doente" do Charlie

Masha, Eu e o “Doente” do Charlie

Já o Masha, nosso guia, historiador, amigo, RP do Hotel… Um cara que trabalha 16 horas por dia, sete dias por semana, e ta sempre com um sorriso na cara, super simpático. Mora numa casa junto com os outros funcionários do hotel, só vê a família a cada  60, 90 dias, e e uma pessoa super feliz. Aquelas lições de vida mesmo. Felicidade realmente e um estado de espirito.

"IAV, e nois ae..."

“IAV, e nois ae…”

Foi difícil deixar Lamu para trás. Olhávamos a pequena cidade quando atravessávamos o canal para a pista de pouso e já batia um gostoso saudosismo. A Bibi já em lagrimas, me fez ter certeza que apesar das reclamações que ela faz as vezes, ela esta no lugar certo, e muito feliz com todas as experiencias que esta tendo.

Saudades..!

Saudades..!

Voamos para Nairóbi, popularmente chamada de Nairobery. Comparam muito Nairóbi com Joanesburgo, pois e o centro econômico do leste da Africa, alem de ser uma grande cidade. Achei uma injustiça o que fazem com a cidade, pois mesmo não tendo tantas atracões, e uma cidade legal. Caminhamos pelo centro, e longe de termos qualquer problema. A cidade pareceu surpreendente limpa e moderna em algumas regiões. Claro que tem todos os tipos de bairros, e níveis de limpeza, mas isto acontece em qualquer grande cidade.

Tivemos que nos despedir da Mãe e do Clau. Nossa, muito difícil. Impressionante como com o passar dos anos nossos pais se tornam amigos e também grandes companheiros. Eles voaram para o Brasil, via Africa do Sul, e nos seguimos para Uganda…

Lake Niassa

O Lago Malawi era chamado originalmente de lago Niassa, nome que até hoje é utilizado no Moçambique e Tanzânia. Este país ficou famoso quando a Madona tentou adotar uma criança de la. Alias, criança é o que não falta. Existia uma taxa de mortalidade altíssima, e nos últimos anos, tem melhorado muito (ainda é  terrível). Isto esta fazendo com que a população infantil aumente consideravelmente. Mesmo com todos estes avanços, ainda morre uma criança a cada 30 segundos só de malária no país.

Pegamos o barco que era para demorar não mais que 40 horas para ir ate Monkey Bay, mas acabou demorando bem mais. Até Likoma Island fomos no deck, topo do barco, pois tava muito lotado. La ficamos trocando figurinhas com outros mochileiros. Daria ate para montar a barraca, mas com um céu lindo, e lua cheia, não tinha porque. Só o saco de dormir era mais que suficiente. Percebemos que todas as paradas não tinham porto. Vinham barcos pegar os passageiros e mercadorias. Muitos galoes e madeiras era simplesmente jogados no lago para que as ondas levassem para a costa. Muito lento os descarregamentos, o que atrasou bastante a viagem. Depois de Likoma Island fomos de segunda classe. Dois longos bancos com uma mesa no meio. Como ficou vazio, cada um ficou com seu próprio banco. Muito bom para dormir, ler, passar o tempo. Bem mais fácil de interagir. Encontrei umas pessoas que falavam português, pois o barco chegou a parar para desembarque no lado de Moçambique. Brincamos com algumas crianças ao lado que nos ensinaram um pouco de swahili. Passamos a frequentar o restaurante da terceira classe, e conquistamos a amizade de muita gente com isto, alem de economizar uma grana, e comer muito mais.

Lua Cheia no Deck

Lua Cheia no Deck

Onde esta Wally?

Onde esta Wally?

Por de sol 2nd classe

Por de sol 2nd classe

Carga e descarga

Carga e descarga

Em Monkey Bay teve um controle de imigração inesperado, e queriam que eu pagasse por uma extensão do visto (que não era necessária). Dormimos no barco atracado, e o oficial ficou com meu passaporte. No dia seguinte cedo, depois de muita conversa me safei. Depois de toda hospitalidade, nunca imaginávamos encontrar corrupção aqui, mas o Graham teve que pagar uma grana para se livrar por ter apresentado o passaporte errado. De Monkey Bay fomos na caçamba de uma caminhonete para Cape Mc Clear, antiga Meca mochileira. Com todos os problemas econômicos do Zimbabwe, está meio abandonado, e a rota da Zâmbia está mais popular, indo para Nikata. O lugar é super tranquilo, vilas de pescadores, lago tranquilo com montanhas, ilhas, super visual. Encontrei um casal da Africa do Sul que já tinha encontrado na Botsuana e na Zâmbia. Eles vão ate a Etiópia, então tem chance de encontrarmos de novo. Sai para andar pelas vilas, bater papo com o pessoal local. Recebemos convite para dormir numa sala onde apresentam os filmes na vila. Sempre primeiro um americano, depois um musical e depois um nigeriano.

Fiquei amigo de um cara, Steve, que me convidou para jantar na casa dele. Claro que sendo um lugar muito pobre, dei uma grana para ele comprar peixe, arroz. Ele tinha pato e “polenta” (sima). Convidei o Grahan e 2 alemães que passaram a viajar com a gente desde o barco. Foi muito legal, intercambio cultural mesmo. Todos muito empolgados com nossa presença. Comida foi preparada no chão, na parte de fora da casa, enquanto ficamos na pequena sala escutando musica e conversando. Dava para ver a felicidade dos filhos dele, com aquele super jantar, que com certeza não era comum.

Steve e familia

Steve e familia

Cape Mclear

Cape Mclear

(Malawi) KFC

(Malawi) KFC

Algumas caçambas e micro-ônibus depois, estávamos saindo do Malawi, sentido Moçambique.