Precos altos, temperatura ainda mais alta.

Tive diferentes sensações e sentimentos no Djibuti, mas o calor foi com certeza a mais forte…hehe Êta país quente. Pra voçês terem uma ideia, os bancos trabalham das 7 as 10;30 e das 16:30 as 18. Impossivel fazer alguma coisa de tarde. As ruas ficam vazias, e as sombras cheias de gente deitada, mascando chat.

Da fronteira ate o centro da cidade foi relativamente fácil. Difícil foi ficar respondendo todas as perguntas em francês do oficial da imigração, isto que da passar por estas fronteiras não muito utilizadas. No caminho ate a cidade, três check point, onde tínhamos que descer do ônibus, apresentar passaporte a as vezes responder algumas perguntas. Toda esta segurança e porque existe uma grande base americana aqui. O Djibuti e um pequeno pais, e sua capital se chama Djibuti também. Existe um grande e importante porto. Com a base militar, e estrangeiros com salários americanos e europeus consumindo aqui, os preços dispararam. Por isto não foi difícil procurar hotel, já tínhamos a indicação do mais barato e fomos direto para lá.

A cidade tem seu charme, na arquitetura, no estilo. Os franceses capricham neste aspecto. Por outro lado, na nossa primeira saída para jantar, já vimos grupos de gringos bêbados, fazendo bagunça na rua, além de outros entrando em quartos com prostitutas. Dava para ver que o lugar já tinha recebido muita (ma) influencia. Tentamos achar algum restaurante mais barato, mas foi dificil. Então pelo menos arranjamos um com terraço e brisa, para aliviar o calor.

Foram dias muito devagar aqui. Logo nos adaptamos ao ritmo. Rápido mesmo foi tirar o visto para o Iêmen. Em 2 horas ele tava na mão, sem precisar de carta de embaixada nem nada. No mais foi ir ate o porto, descobrir de onde saia o barco para o Iêmen e voltar todos os dias para ver quando teria o próximo barco.

Eu e o Michael saímos para fazer 2 mergulhos. Junto foram 2 oficiais da Marinha Belga, que estão combatendo os Piratas. Alias está cheio de navio de guerra e até submarino para combater os piratas. Eles contaram que tem até um navio russo onde milionários pagam para atirar nos piratas! Vai saber se é verdade…

Navios anti-piratas

Navios anti-piratas

Mergulhamos num super naufrágio. Um navio alemão de 135 metros de comprimento, com mastros e tudo. Tá partido no meio e pudemos atravessar por este local. Muitos peixes e uma boa visibilidade. Agora sim!! Isto que eu esperava do Mar Vermelho!! E água temperatura de banheira, mais de 30 graus…

Equipe!

Equipe!

O outro mergulho foi em corais, com moreias e muitos peixes. Muito bom também. Com certeza foi o ponto alto de Djibuti. E o barco para o Iêmen parecia que não vinha. Perdemos um no primeiro dia, mas tínhamos que conhecer aqui antes. Resolvemos ir no Hotel Palace Kempinski, um super hotel !! Tomamos um caríssimo milk shake, mas com direito a ficar largados na beira da piscina por horas, só batendo papo e lendo.

Estilo...

Estilo…

Um dia fomos jantar com um Somali que estava no nosso hotel. Alias esta cheio de Etíopes e Somalis. Os Somalis são fáceis de reconhecer pois tem a pele bem escura e os olhos bem azuis. Notamos que no final do jantar ele discretamente colou seu nome, numero do quarto e hotel num pedaço de papel. A garçonete recolheu de forma ainda mais discreta. Cidade portuária e isto aí…

Com o passar dos dias fomos aprendendo onde estavam os lugares mais baratos, desta forma não ficou tao pesada a estadia por aqui. Trocar frutas por uma refeição até que foi bom num calor destes.

Mesquitas

Mesquitas

Centao de Djibouti

Centrão de Djibuti

Finalmente um lugar que nao pode!!

Finalmente um lugar que não pode!!

Logo entramos no esquema de dormir de tarde, quando esta quente demais para fazer outra coisa. Foi tudo devagar, mas ótimo para eu organizar as ideias, pensar sobre a viagem até aqui. Afinal de contas, foram mais de 6 meses, muitos lugares, muitas pessoas, muitas emoções. Também comecei a planejar as próximas etapas, e tinha que ver como e onde encontraria a Bibi.  O Michael partiu de trem de volta para a Etiópia, e o Guru segue comigo para o Iêmen, quando o barco chegar… Inshallah como dizem por aqui.

NUNCA MAIS!?!

Never again, o  “nunca mais” já foi dito muitas vezes. A cada catástrofe, cada desgraça é dito novamente. Quando poderemos dar um basta em tantas situações que poderiam ser evitadas e que depois ficamos lamentando? Não quero fazer um texto político, pois sei que vai ficar chato, mas seria interessante refletirmos.

Construção do genocídio na Ruanda:

  • 1894 – Alemães chegam a região Urundi-Ruanda. Houve uma resistência inicial a colonização, mas sem muito sucesso.
  • 1923 – Belgas assumem o território, apos o fracasso alemão na primeira guerra.
  • 1932 – Belgas classificaram o povo em Tutsis, Hutus e Twa (pigmeus). Qualquer família que tivesse mais de 10 vacas era considerada Tutsi, independente da origem. Virou uma divisão social, mas ate os Twa que protegeram uma rainha Tutsi receberam o titulo de Tutsi. Identificacao feita na carteira de identidade.
  • 1950 – Os Tutsis ja comandavam a região, com os seus ” reis” Mwani.  Passam a ser ainda mais favorecidos (educação, cargos…), em troca de  lealdade aos belgas.
  • Hutus eram 85%, Tutsis 14% e Twa 1% da População. Originavam de tribos que vieram da Etiópia e Sudão, dentre outras regiões. Os hutus já eram o “povo” antes da chegada dos belgas, mas existiam casamentos entre as diferentes “raças”, viviam tranquilamente por centenas de anos.
  • A Igreja apoiava a discriminação, pregando que os Tutsis eram superiores.
  • 1956- Tutsis tentam a Independência, belgas passam a apoiar os Hutus.
  • 1959 – Morre o Mwani (rei Tutsi).
  • 1959-1973- Quase 1milhao de Tutsis vao para o exilio em paises vizinhos.
  • 1962 – Independência forma 2 países, Ruanda, agora comandada por Hutus e Burundi, comandada por Tutsis (que perderam eleições, mas continuaram no poder a forca). Hutus crian cotas para Tutsis.
  • 1972 – Hutus tentam um golpe de estado no Burundi, matam cerca de 1000 Tutsis. Em represália mais de 300.000 Hutus são mortos, num genocídio selecionado. Matam Hutus com educacao, influentes, com bons cargos. Tentam “popularizar” os Hutus novamente.
  • 1973 – Habyarimana derruba o presidente Kayibana na Ruanda, e tenta melhorar o problema dos conflitos.
  • 1986 – Musevini assume o poder na Uganda. Para ganhar a guerra, utiliza muitos refugiados de Ruanda que estavam exilados em Uganda. Paul Kagame (atual presidente da Ruanda) era seu braço direito.
  • 1990 – Ruanda Patriotic Front, Rebeldes Tutsis que viviam no exílio, invadem Ruanda. O exercito de Ruanda recebe o apoio de tropas internacionais, contando com exercito da Franca, Belgica e Congo.
  • Inicialmente milhares de Tutsis e Hutus que colaboraram com a invasão foram massacrados. Muitos presos em estadios de futebol superlotados, sem comida nem agua. Mais Tutsis se refugiam nos países vizinhos. Inicia uma serie de matanças de Tutsis em pequenas cidades.
  • Ministro da Defesa de Ruanda (Coronel Bagarosa) ajuda a treinar a Milícia Interhamwe, forma não oficial de matar os Tutsis. Exercito francês também apoia.
  • 1991- RPF invade novamente a Ruanda, desta vez mais armados e treinados (com o apoio de Uganda). Vão conquistando territórios no norte do pais, ate que em 1993 já estão próximos de Kigali. Os massacres esporadicos contra Tutsis em outras regioes se tornam mais frequentes.
  • 1993- Criam a convencao em Arusha-Tanzania para um cessar-fogo.
  • 1994 – Presidente Habyariama volta da convenção de Arusha junto com  presidente Cypriem do Burundi. Ele discutia uma divisao de poder, mas parecia que conseguira menos que o esperado. Seu aviao estava para aterrisar quando foi derrubado por um missil. Dizem que foram Hutus extremistas, que já estavam com o genocídio planejado, mas muitos Hutus tem explicações claras de porque foram os Tutsis que derrubaram. Ninguem nunca vai saber.
  • Inicia o genocidio. Listas de todos os Tutsis já estavam feitas. Ruas sao bloqueadas e a matanca inicia. A populacao em geral tambem participa. Quem não participa e acusado de traição e e morto também.
  • Facoes, martelos e porretes com pregos foram armas muito utilizadas.
  • Na Igreja em Nyamata, 6 mil pessoas estavam dentro da Igreja, e mais de 4 mil fora. Elas buscaram abrigo la pois em 1992 muitas tinham se salvado la. Algumas pessoas morreram esmagadas quando o tumulto estava acontecendo do lado de fora. Alguns homens se posicionaram na entrada da igreja, para proteger as outras pessoas. O sucesso durou pouco, pois granadas foram lancadas. Todas as marcas dos estilhaços podem ser vistas no chão, paredes, portão e toldo da igreja ate hoje.
  • Historias como as de Nyamata aconteceram as dezenas, por todo o pais. Em alguns locais os próprios padres/pastores colaboraram na execução de seus fieis, ou ate mesmo, executaram.
  • Não adiantava só matar, tinha que ser cruel.
  • Cortavam os tendões para que não pudessem fugir.
  • Homens com Aids estupravam mulheres.
  • Cortavam a barriga de mulheres gravidas para matar as crianças na frente da mãe.
  • Maridos eram obrigados a  matar suas mulheres antes de serem mortos.
  • Mulheres eram obrigadas a matar suas crianças antes de serem mortas.
  • Crianças eram forcadas a participar dos massacres.
  • Vizinhos matavam vizinhos, amigos de anos.
  • No interior era pior, pois todos se conheciam, e sabiam quem deveria morrer.
  • Dados do governo atual (RPF) dizem que 90% dos Hutus participaram do genocídio, 5% ficaram neutros e 5% ajudaram os Tutsis.
  • Pessoas da ONU tentaram avisar o que estava por vir, mas nada foi feito. As pequenas tropas designadas para salvar os estrangeiros ja seriam suficientes para evitar o genocídio, se tivessem outro foco.
  • Na hora de escolher se salvavam os estrangeiros (independente da nacionalidade) ou os Tutsis, não exitaram em deixar os Tutsis para trás.
  • 1994 – 3 meses depois a guerrilha RPF toma Kigali e conquista mais territórios, fazendo com que o exercito e a milicia fujam para o Congo
  • Nos próximos anos os Hutus se tornaram os refugiados. As milicias afirmavam que quem voltasse seria morto por um teorico sentimento de revanche.
  • Interhamwe, milicia hutus,  faziam ataques a partir da fronteira.
  • 1996 – RPF invade as fronteiras do Congo para guerrear com a Milicia. Muitos Hutus que não tinham nada a ver com a milicia retornam ao pais.
  • Muitos responsáveis são julgados, mas alguns conseguem asilo em outros países (alguns presos mais tarde).
  • Os tribunais não dão conta de tantos julgamentos. Reativam as Gacaca, forma tribal de julgar problemas pequenos (tipo tribunal de pequenas causas). Ate hoje são realizadas as Gacaca todas as quinta-feiras de manhã. Se o acusado assumir e contar o que foi feito, pega a pena de trabalho comunitario, devidamente vestido com um macacao rosa. Se não assumir, pode pegar pena de prisão perpetua.
  • So assim algumas familias podem “enterrar” seus parentes.
  • Muitas famílias foram separadas. Milhares de órfãos.  Muitas famílias morreram por inteiro, sem ficar ninguém para contar a historia…
6000 pessoas neste espaco, aguardand para serem mortas...

6000 pessoas neste espaco, aguardando para serem mortas. Sobraram as roupas…

Nunca mais?

E ossos…

Genocidio

Nunca mais?

Igreja Nyamata

Igreja Nyamata

Tudo bem, tudo acabou, Ruanda esta se reconstruindo, apesar de marcada eternamente.

Foi uma caso isolado? Não acontece nada igual em outros lugares?

Do mesmo jeito que Ruanda era um pequeno pais sem muita importãncia para a comunidade internacional, Dafur/Sudão e só um deserto, correto?!

Haiti, ha, aquele país pequenino. Nigeria, Mali, Libano, Palestina, Chad, Africa central, Costa do Marfin, Congo…

Somalia? Nao deve ter mais jeito, certo?! Iraque e Afeganistão, estes sim são “perigosos” para o Ocidente!! Lá é importante tomarmos uma ação rápida!

Ta bom, guerras são uma realidade muito distante para os brasileiros, mas duvido que ninguém se comovesse ao saber sobre qualquer um destes casos. Se comoveriam, da mesma forma que se comovem ao ver no Jornal Nacional o caso da menina Isabela, brutalmente assassinada pelo pai. Todos pedem justiça e fecham os olhos pelas centenas de outras crianças que são violentadas, mortas também brutalmente pelos seus pais. Qual a diferença? Um esta na televisão, milhares não.

E nos, fazemos o que? Só lamentamos?

Cranios furados co martelada

Cranios furados com martelada

Montanhas, Lagos e Vulcões!!!

O ônibus para Kabale não era ruim para os padrões da África. Era alto, com três poltronas de um lado, duas do outro e sem banheiro (é claro!). Pouco antes de sairmos, um passageiro se levantou e pediu que todos orassem para que Deus iluminasse aquela viagem (a maioria do pais e crista). Nunca imaginamos o quanto aquele ato seria tao importante. Defenitivamente aquele passageiro ja tinha feito aquele trajeto. Entendemos também porque tantas pessoas recomendavam o lento ônibus do correio. O motorista seguiu a toda. No inicio a estrada estava ate boa, e nao dava para perceber tanto. Logo chegamos a partes onde estava em manutencao, e a poeira levantou. A Bibi que estava na janela sentiu bem mais. Eu dormi mas não demorei muito para acordar com o ônibus desviando de buracos e fazendo curvas em “alta” velocidade (para a condição da estrada era rápido, fisicamente falando não era). Pouco antes de amanhecer, muitas pessoas desceram, e ficamos com três poltronas para nos dois. A Bibi finalmente dormiu, e a paisagem desta região montanhosa foi ficando cada vez mais deslumbrante. A medida que íamos subindo as montanhas, o frio ia aumentando proporcionalmente a altitude. O sol foi chegando aos poucos, proporcionando uma vista magnifica. Não muito depois nos avisaram que havíamos chegado na pequena Kabale (o ônibus seguiria viagem). Descemos, a Bibi enrrolada no saco de dormir, e eu so de camiseta e cachecol, corri para abrir a mala que estava no bagageiro para me agasalhar. Tomamos um bom cafe da manha num hotel não muito longe dali. Na ida até o hotel já arranjamos transporte para o Lago Bunyonyi. No curto caminho montanhoso e empoeirado ate o lago a Bibi dormiu, e eu fiquei observando o dia começar nesta pequena região rural ao redor de Kabale. Senhoras quebravam pedras, sentadas no chão com pequenos martelos, perto de algumas pedreiras. Outras carregavam o cascalho sobre a cabeca, montanha acima e abaixo. Ao chegar no lago, optamos por pegar uma canoa, e não um barco a motor, para curtir ainda mais o clima.

Lake Bunyonyi

Lake Bunyonyi

A paisagem é algo sensacional, todas aquelas montanhas, com terraços cultivados, envolvendo o lago. Um lugar calmo, muito astral e magico. Fomos ate a ilha Buchara. Existem dois tipos de acomodação, chales e barracas. São aquelas barracas tipo exercito, já montadas, que tem cama e da para ficar em pé dentro. Achei que podia ser uma boa oportunidade para a Bibi aprender a “acampar”. De qualquer forma a qualquer momento poderíamos mudar para um chale, se necessário.

Acampando? Mais ou menos...

Acampando? Mais ou menos…

Foram dias bem relax, sem fazer muita coisa. A Bibi meditava com frequência, e eu saia para andar pela ilha, que era bem pequena. Em menos de 15 min dava a volta na ilha. As vezes dava uns mergulhos também.

OoOoooo...!!!

OoOoooo…!!!

Fomos no comentado mercado Kyevu (todos os sabados), que nao ficava muito tempo de barco a motor da Ilha Buchara. Este mercado foi de muita importância nos anos 70, época do Amin, pois e na divisa com a Ruanda, e muitas trocas de mercadorias eram realizadas. Tivemos azar que bem no dia que fomos tinha um velório ali perto, e não formaram muitas barracas por este motivo. Comemos a comida tipica deles que e uma mistura de Batata doce, um tipo de aipim, banana e feijão, tudo cozido junto, na mesma panela, e envolto de folhas de bananeira. Um porcento da população de Ruanda e de pigmeus, e alguns destes estavam lá. Parecem “hominhos”. Tentamos uma interação, mas o povo ali era “meio do mato”, e não teve muita conversa.

Comidinha caseira!

Comidinha caseira!

Kyevu market

Kyevu market

A ilha que estávamos era de propriedade da Igreja Anglicana. Alias, as igrejas cristãs são super atuantes em toda a Uganda. Na ilha tinham viajantes, mas também encontramos alguns missionários. A Bibi gostou da barraca e acabamos nem nos mudando para os chales. Todos os horários eram programados. Depois da janta se escolhia o café da manha e falava o horário que queria que fosse servido, depois do cafe, escolhíamos o almoço e o horário, e assim sucessivamente. Ha, o banho também tinha hora marcada, e vinham abastecer o recipiente do chuveiro com água (quente) com um balde.

Ainda dormimos uma noite em  Kabale e depois  seguimos pela montanhosa e empoeirada estrada para Kisoro. Como não tinha transporte local saindo regularmente, pegamos um táxi “comunitário”. O motorista coloca quantos passageiros couberem para que todos paguem menos. Sei que em certa etapa da viagem tinham 3 na frente e 4 atrás, na verdade 5, pois um passageiro estava com uma criança não muito pequena no colo. Dava para ver a cara de desespero da Bibi. Alem disto, muita poeira, buracos e paisagens exuberantes…

Kisoro e uma cidade muito empoeirada, sem muitas atrações. E ponto de partida para ver os Gorilas da Montanha do lado de Uganda. Existem diversos hotéis simples e muito baratos, do estilo que ficamos em Kabale, mas como a TPM da Bibi virou TM, tive que arranjar algo melhor. Depois de muito procurar, encontramos um lugar muito agradável, onde os proprietários nos trataram como filhos. Foi bom ficar num lugar mais estruturado, pois no dia seguinte fui subir um vulcão, e fiquei tranquilo de deixar a Bibi descansando.

Sensacao de estar em casa.

Sensação de estar em casa.

Tinha combinado com um Bodaboda de passar me pegar as 6 da manha, e este não apareceu. Sai para a cidade ainda escuro, em busca de outro transporte. Depois de um tempinho achei um motoboy que não falava uma palavra em inglês, mas aqui eles também falam Kiswahili. Negociei para ir ate o parque, e antes disto passamos no posto de gasolina, pois e claro que tava sem combustível. Fomos seguindo desviando todos aqueles buracos, e ainda a certa distancia da entrada do parque a moto quebrou. Segui a pé, andando rápido, pois se me atrasasse não deixariam eu subir o vulcão. Cheguei bem atrasado, mas viram que eu não teria problemas de completar o percurço antes de anoitecer, e liberaram minha subida. Subi eu, um guia e um guarda devidamente armado de um AK47. O parque nacional de Maharinga (Uganda) e a continuação do parc nacional des Virungas (Congo), e parc nacional des Volcans (Ruanda). São diversos vulcões que se estendem um ao lado do outro, cruzando fronteiras e se estendendo por um vasto territorio. Escolhi subir o Muhavura (4127 mts) o mais alto dos 3 vulcões deste parque da Uganda (O Pico da Neblina, mais alto do Brasil tem 2994 mts). Pra mim sempre os primeiros 30 min são os piores, depois parece que engrena. A subida e bem íngreme, e ia em zig-zag. Alguns metros para a esquerda, outros para a direita. So mais perto do cume que tivemos que circundar para chegar ao topo, e encontrar um pequeno lago na cratera. Infelizmente o tempo estava totalmente encoberto. Toda a vista dos outros vulcões e países não foi possível. Que pena!!! Fiquei com aquela sensação de quero mais, mas fazer o que. Como eu tinha subido rápido, tive mais tempo la em cima para esperar para ver se o tempo abria, mas não adiantou, não era meu dia. Iniciamos a descida com cuidado, pois escadas improvisadas tinham pregos enferrujados e estrutura suspeita. O bom e que na vinda era subida o tempo todo, e não volta só descida, sem oscilações. Chegando la embaixo olhei para cima, tamanha não foi minha surpresa ao notar que a montanha não estava mais encoberta! O parque fica numa região bem remota, e foi interessante passar por todos aqueles vilarejos. Alguns deles estavam com falta de água, e  pessoas formavam longas filas para abastecer galoes com água trazida da cidade.

No Topo!!

No Topo!!

Lago na cratera do vulcao

Lago na cratera do vulcão

Escadas

Escadas

O desafio visto de baixo

O desafio visto de baixo

Dia seguinte seguimos (novamente por uma estrada esburacada e empoeirada) até a fronteira de Ruanda.

A Pérola da África

Antes de cruzar a fronteira para a Uganda, atravessamos a linha do Equador. Percebi que já tinha viajado um bocado, pois iniciei bem abaixo do tropico de Capricórnio, além disto, minha viagem estava sendo para o Nordeste e não direto para o norte. Foi uma viagem bem tranquila. Pegamos um ônibus executivo, bem melhor que os da Tanzânia. Tinham so 3 poltronas por fileiras, tipo os nossos ônibus leito, mas as comparações param por aí. A viagem passou super rápido, e fomos apreciando a bonita paisagem.

A Uganda é chamada de Pérola da África, além de diversos outros apelidos. Local onde o turismo tem crescido consideravelmente, mas deve aumentar ainda mais. A estabilidade tem aumentado, mas ainda existem alguns graves problemas na fronteira com o Sudão. Difícil não associarmos a Uganda ao louco do Idi Amim. Para quem não lembra dele, vale ver o filme ” O ultimo rei da Escócia”, o qual fala da historia dele e da Uganda na época. Para se entender um pouco mais, a situação do pais não era melhor antes, e nem ficou melhor nos anos seguintes a esta ditadura. Só perto dos anos 90 que veio a “estabilidade” econômica, mas mesmo assim, o presidente que assumiu, e esta no poder ate hoje, e muito criticado.

Da fronteira seguimos sem paradas para a simpática Jinja. Mais uma daquelas cidades que tentam lançar como meca dos esportes radicais, mas e meio forcado, puro marketing turístico. Uma cidade relativamente pequena, mas com uma boa estrutura. Muitos visitam esta cidade só para fazer Rafting (nivel 5) na  nascente do rio Nilo. Sim uma das nascentes do Nilo, o rio mais longo do mundo, e aqui. O ônibus nos deixou na estrada, pois seguia para a capital, Kampala. Pegamos 2 Boda-Bodas, que nada mais e que uma motocicleta com pequenas adaptações para levar passageiros e bagagem (ta bom, motoboy, hehe), e fomos para um hotel indicado. Não sabíamos que no final de semana em questão estaria acontecendo a maior feira agropecuária do pais, portanto tudo tava lotado. A Bibi ficou cuidando das mochilas enquanto eu dei uma volta para achar algum lugar para ficarmos. Acabei negociando numa mansão, adaptada a hotel, um super quarto. A Bibi ficou bem feliz, e de sobra, a noite teria um casamento muçulmano no jardim, o qual participamos discretamente.

Hotel

Hotel

Casamento

Casamento

No outro dia fomos na tal fonte do rio Nilo, que aparentemente não tem nada de especial, mas tudo mudou, quando sentamos numa pedra, ficamos conversando por horas tomando uma cerveja com o nome de ” Nile Special” ! Íamos passar na feira agropecuária depois, mas já era o ultimo dia e estavam desmontando tudo, alem do mais, como a Bibi e de Chapecó, já ta cansada destas feiras…hehe (não podia perder a piada..!!)

Nile Special!!!!!!! haha

Nile Special!!!!!!! haha

Com o centro compacto, e um ótimo lugar para passear, e existem alguns bons e baratos restaurantes. Ficamos um bom tempo no hotel também, onde fizemos alguns amigos que trabalhavam la. Deu vontade de ficar mais tempo, só por causa das pessoas. Ha, ia esquecendo, quando Gandi morreu, seu corpo foi cremado, e suas cinzas espalhadas por alguns lugares. Parte destas cinzas estão no templo Indu daqui. Alias, alem de templos, tem muito restaurante Indiano (comemos num bem gostoso), e Indianos também. No inicio da década de 70, o Amin tava tao incomodado com os asiáticos, que os expulsou do pais, só com as roupas do corpo. Ele “nacionalizou” o comercio, que grande parte era de Indianos e Chineses.

Pegamos um ônibus para Kampala. Viagem tranquila, nem conversamos muito, ficamos só curtindo o visual. O motorista não nos avisou para descer no local que tínhamos pedido, e acabamos no centrão. Um caos nunca visto antes, impressionante mesmo. E para piorar, não estavam aceitando minha nota, pois tava com um selo raspado. Perdemos um tempinho nesta, mas logo pegamos um daladala para o Hotel que tinham nos recomendado. A Bibi foi indo na frente e minha moto estava lenta. Alguns Km depois, parou completamente. O motorista pediu para eu descer, deitou a moto chacoalhando, e me falou: “Agora chega ate o posto de gasolina”. Claro que no posto ele não tinha dinheiro nem pra colocar combustível. Dizem que não colocam combustível para que a moto/carro não sejam roubados, mas acho que e poque são quebrados mesmo.

Motoboy!!

Motoboy!!

Chegamos no hotel indicado, que era fora do centro. Tinha tentado ligar de Jinja, mas o numero tinha mudado. Resultado, tava lotado. O da frente era bem tranquilo, mas a Bibi não quis ficar porque não tinha banheiro no quarto. Acabamos indo procurar um outro hotel que não encontramos, e seguimos de volta para o centão barulhento. Eu já tava bem irritado nesta hora porque queria ter ficado já no primeiro. Vimos mais um hotel, mas o custo beneficio não parecia ser dos melhores. Para encurtar a historia, dei uma colher de chá pra Bibi, que tava de TPM, e arrumei um hotel melhor (e caro!). Deu tempo de caminhar um pouco pelo caos  desta região ainda antes de dormir.

Kampala...

Kampala…

Dia seguinte fui dar entrada para meu visto da Etiópia, era melhor esperar em Kampala que em Nairóbi sozinho. Vi que a parte de cima da cidade e totalmente diferente, pelo menos para este lado. Poucas quadras do caos do centrão, estão avenidas largas, com arvores floridas. Se afastando ainda mais começam os bairros residenciais, com muitas casas bonitas e algumas mancões. Kampala fica ao longo de sete colinas, portanto tem uma bela vista, e muda muito de uma região para outra. O visto ficaria para o dia seguinte, e voltei para pegar a Bibi e sair a pé pela cidade. Caminhamos bastante, e nos impressionamos com gigantescos pássaros que sobrevoavam a cidade e faziam ninhos nas praças. Como estávamos longe, voltamos de moto, passando pela parte nobre da cidade. Kampala estava surpreendendo bastante. Para fechar o dia, e comemorar que o visto estava encaminhado, fomos jantar num gostoso restaurante Etíope. Restaurante movimentado, comida boa, mas o mais legal foi ver a Bibi comer com as mãos…

Passaros

Pássaros

Nao tem preco!!

Não tem preço!!

Um dia pela manha, começamos a conversar com o garçom, e a conversa se prolongou por horas. Falamos sobre o dia a dia, sobre cultura, e sobre a época do Amin, e claro. Achava que todos odiavam este homem que fez tantas barbaridades, mas descobri que alguns o defendem, dizendo que tem o outro lado da historia…

Bem, o Achi (garçom) foi mais uma daquelas pessoas que nos encantou. Combinamos de nos encontrar depois do expediente dele. Neste tempo saímos para conhecer mais a cidade e buscar o visto que deveria estar pronto. Deveria, mas não estava. Vieram com aquela historia que brasileiros ganham o carimbo quando chegam no aeroporto. Tive que explicar (novamente) que iria por terra, e que nesta fronteira nao davam o visto (eu explicando para o consulado!). Também, porque alguém em sã consciência iria encarar a dura e longa viagem pelo deserto do norte do Kenya/sul da Etiópia? Bem, o problema era meu, e acabaram emitindo o visto na hora mesmo. Ufa!

Tivemos que ligar para o Achi e remarcar para noite. Neste meio tempo corri para conseguir as passagens para Kabale. Inicialmente íamos no ônibus do correio, que diziam que era mais seguro, mas como e pequeno e para o te, pó todo, optamos por ir em um noturno, que vai mais rápido. No horário combinado o Achi apareceu no hotel (que já não era mais o mesmo do primeiro dia, mas acho que não preciso entrar em detalhes,hehe). Saímos para um barzinho, mas estava muito barulhento. Acabamos num bar de um hotel, onde conversamos por algumas horas. O cara e de uma simpatia que não existe, cheio de sonhos, trabalhador, mais uma daquelas historias de vida. Trabalha um monte, e no final do mês ganha USD35. E eu que me achava malandro quando em parte da viagem gastava só USD7 por dia. E o Achi com aquele sorrisão estampado, falando dos seus planos, de seus sonhos. Mesmo com toda a dificuldade, ele se deu ao trabalho de nos trazer lembranças de Uganda. Algumas provavelmente de sua própria casa, outras talvez compradas. Prometemos que tentaríamos ajudar de alguma maneira. Como a vida e dura! E como alguns, mesmo perdendo os pais, trabalhando um monte, não desanimam, nem perdem a vontade de viver.

Achi

Achi

Ele ainda caminhou com a gente ate o hotel, onde arrumamos as coisa, e antes de sair dei a camiseta do Brasil que tinha acabado de ganhar da mãe/Clau. Logo saímos pois já era perto da meia noite, e tínhamos que pegar o ônibus.

Family Trip 2 – Litoral do Quênia

Até a fronteira, o ônibus aguentou bem, apesar das paradas não esperadas, para um ônibus direto.  Assim que entramos no Quênia, a estrada começou a ficar ruim, e foi piorando. A poeira entrava por tudo, e ate caia da caixa de som. A Bibi já tava com um bico gigante quando o ônibus parou pela primeira vez. Mexeram um pouco e seguiu viagem. Numa outra parada ela decidiu ir ao banheiro, o famoso “bush toilete”.  Como era savana, e a vegetação bem rasteira, tive que segurar uma canga para fazer “cabaninha”. Depois de seguidas paradas, o ônibus quebrou de vez. Me irritei um pouco com as reclamações e falta de espirito de aventura (quando decidimos não esperar para pegar o voo, saíamos do risco), e fui ler dentro do ônibus. Com tanto tempo de Africa, deixo vários detalhes passar. Para enriquecer um pouco mais, vou colocar aqui o e-mail que o Clau mandou para todos da família la no Brasil:

” … saímos de Arusha na Tanzânia para Mombasa no Quênia. Que aventura…Da fronteira da Tanzânia ate a cidade de Voi e uma estrada de terra absolutamente horrível. O ônibus que tomamos nada tem a ver com nosso padrão Marcopolo. Mas ao menos tínhamos poltronas individuais e que reclinavam razoavelmente. Mas a estrada tinha tantas panelinhas que o possante não resistiu e quebrou no meio do nada. Depois de algumas tentativas soubemos que não tinha como seguir viagem nele. Mandariam um outro que chegaria em 5 horas…A solução foi parar o próximo ônibus que apareceu e la fomos nos com todas as malas no corredor sobre sacos de farinha, batata, galinhas, etc… Cada um ficou num assento possível com bagagem no colo e rodeados de tudo o que se possa imaginar. Na minha frente havia uma mulher com uma vasta cesta cheia de ervilhas e aproveitava para debulhar enquanto o ônibus pulava pela estrada de pó. Ao lado uma outra tirou uma panela de barro de um baita saco e pegava as cascas de ervilha pra levar pra casa. Não cabendo nesta panela, tirou uma segunda do fundo do saco e encheu tb de cascas. No final socou tudo saco a dentro. Estava o Gui e eu na ultima fila com montanhas de malas e sacos nos separando da Bibi que estava uns 3 assentos adiante e a Monica que ficara mais pra frente do onibus sentada entre dois passageiros bem perfumados. E com as janelas fechadas. De vez em quando via que a Monica levantava o braco e eu respondia abanando pensando que tava dando tchau. Na terceira vez que levantou o braco vi que a cabeça dela tinha caído. Logo pensamos o Gui e eu que estava vomitando. Pulei por cima dos sacos e das malas do corredor pra chegar ate ela e ver que tinha desmaiado. O passageiro do lado queria abrir a blusa dela pra respirar melhor. Cheguei em tempo de evitar e mandei abrir as janelas pra entrar um pouco de ar. Todos queriam saber o que tinha acontecido. Disse que era problema de pressão baixa. Logo o da frente me passou um cartão de medico de ervas. Neste meio tempo havia entrado no ônibus um camelo que em altos berros apregoava remédios para o nariz, asma, figado, febre amarela, etc… Ate ofereceu um pó pra colocar na boca da Monica. Claro que não aceitei. La atras perguntaram pra Bibi que havia acontecido. Ela disse: She…desmaiou. What? Is she died? No only e fez o gesto com a cabeca caindo pro lado. Enfim depois de algumas horas de peripecias chegamos a Voi. Mas nao sem antes pagar nova passagem no trecho que usamos o segundo onibus. Em Voi pegamos um taxi que nos levou finalmente a Mombasa.”

Não foi fácil ver a Mãe assim. Sei que ela tem pressão baixa, já vi ela assim varias vezes, mas assusta. Alguns detalhes que o Clau não mencionou: O táxi, depois de carregado, não funcionou, por problemas de bateria. Ao pararmos para comprar bebidas, o motorista retirou rapidamente os adesivos da lataria do carro, pois não tinha autorização para sair do município.

Mombasa surpreendeu. Cidade festeira, cheia de Matatus (os dala-dala daqui) coloridos, com neons e dvds. Mesmo sendo de maioria Muçulmana, noitadas que seguem até o amanhecer. Entendi porque o Dimitri, francês que morava em Ibo-Moçambique, de vez em quando atravessava toda a Tanzânia só para chegar ate aqui. Gostaria de ter passado mais tempo por aqui, terra que também já foi dos portugueses. Seguimos pela costa ate Malindi, passando por diversas praias que mais parecem um pedacinho da Itália. Não, não é por causa do visual, e sim pela quantidade de italianos que veraneiam aqui. Tudo que e placa e escrita em italiano, e ate os guardadores de carro falam italiano para se comunicar com os turistas. De lá pegamos um Voo para Lamu. Inicialmente queria atravessar a África da Africa do Sul ate Djibuti por terra, sem pegar avião. A estrada não era longa, mas era pior que a que passamos. Como não estava mais sozinho, tinha que ser responsável. De qualquer maneira faria uma volta pelos países do Leste da Africa e retornaria a Tanzânia, e subiria tudo de novo por terra.

Ainda no “aeroporto”, comecei a conversar com um senhor alemão que puxou papo. Ele se interessou pela minha viagem, meus antigos empregos , minha formação, dentre outras coisas. Falou que era consultor de hotéis, e que também lidava com o mercado imobiliário. Contei das minhas novas empreitadas junto com o Geraldo, e até falamos de preços e oportunidades no Brasil. Chegando na pequena pista de pouso, ele contou que já havia vendido mais de 600.000 casas/terrenos durante a vida dele. Achei meio forcado, mas seguimos juntos ate Lamu, que fica em outra ilha. O barco estava o esperando, com toda uma comitiva. Ele nos deixou num bom hotel e falou que recomendava. Nos convidou para ir ate a casa dele em algum dos dias que estivéssemos por ali.

Chegada em Lamu

Chegada em Lamu

No hotel colocamos a negociação/choradeira para funcionar. Depois de espremer no preço, pediram para ligar para o dono para ver se era possível. Não e que o tal do aleãao que era o dono!!!

A chegada em Lamu e impressionante, cidade mais medieval que a Stone Town de Zanzibar. Alias, tentam comparar as duas ilhas que não tem nada a ver. Lamu e meio parada no tempo, sem carros, pequena, não tao turística , [praticamente sem praias também]. Cultura kiswahili borbulhando. Tem 25000 abitantes e 500 jegues, que são o transporte local. A primeira caminhada, já com o entardecer mostrou que não seria difícil se apaixonar por aquele lugar. Construções antigas, portas talhadas, pessoas andando de jegues nas ruas super estreitas, todas aquelas mulheres com seus véus negros e os homens mascando miraa e conversando. Fácil de entender porque era um patrimônio da Unesco.

Mediaval...

Medieval…

Pela rua

Pela rua

Mercado

Mercado

Ficamos alguns dias, mas eu poderia ter ficado semanas para explorar todo o arquipélago. Algumas ilhas mais distantes pareciam super interessantes. Todas as ilhas estão muito próximas do continente, e se estendem ate a divisa com a Somália.

Um dia na praia...

Um dia na praia…

Um dos dias fomos ate a vila e praia de Shela. Falavam que era até mais medieval que Lamu. Mentira!! (mais um furo do Lonely Planet e de seus seguidores…) Até podia ser no passado, mas hoje quase tudo foi derrubado. No lugar, ricos e famosos construíram casas se baseando na arquitetura local, mas muito estranho e artificial. Alguns deles: os donos da Olimpics, os da Peugeot, o príncipe de Mônaco, modelos e mafiosos italianos. O pessoal gostou, mas eu fiquei decepcionado. A praia também não tinha nada de mais. Fica o ponto alto para o momento que estávamos conversando na areia e passaram alguns Dromedários. O restaurante que almoçamos também tava delicioso (que novidade, todos os restaurantes são muito bons!!).

"de quem e este jegue..."

“de quem e este jegue…”

Sai da freente!!!

Sai da frente!!!

Em Lamu existem 2 museus (alem de outros menores), passeios de barco, dentre outras coisas,  no entanto o mais gostoso mesmo era caminhar sem rumo, só olhando o dia a dia deles. Lugar magico mesmo. Talvez um dia ainda tenha todas aquelas lojas e estrutura da Stone Town de Zanzibar, mas hoje ainda e bem isolada, ainda bem!

Porta

Porta

Um dia recebemos um telefonema do alemão, para irmos na sua casa. Uma bela casa, provavelmente uma das maiores da ilha. Fomos la bater papo, quando descobrimos que se tratava de um bilionário. Mostrou (de forma não muito humilde) folders de diversos empreendimentos, contou que era dono de Hotéis, campos de golf, cavalos de corrida, agencias de moda, cervejarias, Spas, condomínios… ha, ele não bebia porque voava o seu próprio avião quando estava na Europa. Fora as horas que parecia que era um professor de Deus, o papo foi legal, e passou por assuntos diversos e chegou ate a religião, telepatia, energia…

Porta estilo Lamu

Porta estilo Lamu

Tiveram varias “figuras” que fizeram parte da nossa hospedagem em Lamu. Um deles era o Charlie. O cara e um “doente”. Com uma voz de locutor, toda hora que nos via abria um sorriso e corria para arranjar uma flor para a Bibi e para minha mãe. Derrubou minha mochila no mar na nossa chegada, e um verdadeiro “chupeta”. Aquelas lendas urbanas, sabe?!

Masha, Eu e o "Doente" do Charlie

Masha, Eu e o “Doente” do Charlie

Já o Masha, nosso guia, historiador, amigo, RP do Hotel… Um cara que trabalha 16 horas por dia, sete dias por semana, e ta sempre com um sorriso na cara, super simpático. Mora numa casa junto com os outros funcionários do hotel, só vê a família a cada  60, 90 dias, e e uma pessoa super feliz. Aquelas lições de vida mesmo. Felicidade realmente e um estado de espirito.

"IAV, e nois ae..."

“IAV, e nois ae…”

Foi difícil deixar Lamu para trás. Olhávamos a pequena cidade quando atravessávamos o canal para a pista de pouso e já batia um gostoso saudosismo. A Bibi já em lagrimas, me fez ter certeza que apesar das reclamações que ela faz as vezes, ela esta no lugar certo, e muito feliz com todas as experiencias que esta tendo.

Saudades..!

Saudades..!

Voamos para Nairóbi, popularmente chamada de Nairobery. Comparam muito Nairóbi com Joanesburgo, pois e o centro econômico do leste da Africa, alem de ser uma grande cidade. Achei uma injustiça o que fazem com a cidade, pois mesmo não tendo tantas atracões, e uma cidade legal. Caminhamos pelo centro, e longe de termos qualquer problema. A cidade pareceu surpreendente limpa e moderna em algumas regiões. Claro que tem todos os tipos de bairros, e níveis de limpeza, mas isto acontece em qualquer grande cidade.

Tivemos que nos despedir da Mãe e do Clau. Nossa, muito difícil. Impressionante como com o passar dos anos nossos pais se tornam amigos e também grandes companheiros. Eles voaram para o Brasil, via Africa do Sul, e nos seguimos para Uganda…