Panamá, muito mais que um canal.

Não adianta, quando se fala do Panamá, a primeira coisa que vem na cabeça é o famoso Canal do Panamá, que liga o oceano atlântico ou pacífico. Construído no final do seculo 19, acabou ficando pronto só em 1914. Fans de grandes obras de engenharia podem discordar, mas ao chegar na Cidade do Panamá, não teve uma pessoa que visitou o canal que estava empolgada com o que viu. O conjunto da obra e sua importância é muito mais interessante do que o que se vê. O Panamá tem muito mais para oferecer.

Chegando no Panamá, fomos direto para Casco Viejo, a parte antiga da cidade. Uma das poucas partes da cidade que tem ainda tem certa autenticidade. Quando pesquisei sobre a Cidade do Panamá, li muito sobre mini-Dubai, Mini-Miami e outras comparações. Realmente existem prédios super modernos no centro, tem muito dinheiro rolando, mas a desigualdade é grande, basta passar por bairros como El Chorrillo, para ver que ainda tem muita pobreza.

O Casco Viejo esta sendo revitalizado. Como o palácio do presidente (Palacio de las Garzas) fica por ali, a região é fortemente policiada. Alguns prédios históricos reformados, e muitos caindo aos pedaços, não tem meio termo. A Bibi gostou bastante da região, eu não posso dizer que me encantei, mas com certeza melhor que a parte moderna da cidade, onde só é “mais uma cidade”.

Igreja no Casco Viejo com o coreto da praça

Igreja no Casco Viejo com o coreto da praça

Parte moderna da Cidade do Panamá

Parte moderna da Cidade do Panamá

Bem próximo de Casco Viejo, está o mercado de peixe, melhor lugar que mais gostei da Cidade do Panamá. Não muito diferente de tantos outros mercados de peixe, mas com diversas barraquinhas vendendo vários tipos de ceviche com preços de 1 a 3 USD. No Panamá, utiliza-se o USD, mas as moedas são de Balboa (moeda de dólar também são aceitas). Mas voltando as comidas, as barraquinhas ficam cheias de panamenhos, comendo, escutando musica e tomando cerveja. Não se assuste se um vendedor ambulante te oferecer ovos de tartaruga. Eles são muito apreciados por aqui. Muito temperados e apimentados, tem uma consistência estranha. Você tem que rasgar a casca, que é mole e sugar a gema e a clara. Vai se sentir um lagarto!

Ovos de tartaruga

Ovos de tartaruga

Nosso maior interesse no Panamá era o arquipélago de San Blas, na região autônoma de Kuna (Guna) Yala. Até poucos anos atrás, para chegar lá só de avião ou encarando um longo dia de viagem por estradas enlamaçadas. Agora com o asfalto, está tudo bem mais fácil. Não existe transporte público até lá, então você vai ter que entrar em contato com uma das diversas agencias para se esquematizar. É possível acertar só o transporte ou fazer um pacote completo.

Acabamos fechando com a Lam Tours. Passaram para nos pegar bem cedo, mas fomos levados para um escritório superlotado de turistas e me deu um desespero. Alta temporada, tava cheio de gente, todos tentando escolher a ilha que ficariam, querendo fazer festa. Achei que não teria sossego e me deu um grande mau humor. Será que não teria tranquilidade? Mas uma enrolação para fazer compras no mercado, levamos muitos galões de água, já que pretendíamos ficar alguns dias por lá.

Estrada bonita, com mata fechada ao lado, cheia de curvas e sobe e desce. O estilo montanha russa faz com que a viagem, apesar de não tão distante, demore umas quatro horas. Um posto de controle mostrava que estávamos entrando na comarca de Kuna Yala. Como é uma região autônoma  a partir dali o que vale são as leis indígenas. Um pouco mais para frente um rápido controle de passaportes e logo chegamos no local onde saem os barcos. São 365 ilhas, mas nem todas são habitadas. As mais próximas do continente têm vilas, mas muitas outras são habitadas somente por uma ou duas famílias.

America_centra_2013l 143_resize America_centra_2013l 144_resize America_centra_2013l 157_resize

Nós tínhamos arranjado tudo para ficar na ilha Diablo. Apenas uma parada para abastecer em uma ilha-vila e seguimos viagem pelas águas transparentes do caribe. Ficamos muito contentes com nossa ilha, muito bonita e calma. O problema é que era uma das com menos infraestrutura, a Bibi chegou a pensar que não ficaríamos tanto tempo quanto queríamos, mas logo entrou no esquema. Se inicialmente não acertar direto com o “dono”da ilha, uma dica é de falar que vai ficar somente um ou dois dias, depois estender a sua estada. Nós fizemos isto e conseguimos o preço de camping para ficar em uma cabana que tinha até cama, um luxo! hehe “Pousada” literalmente pé na areia, já que não tem piso, desce da cama pisando na areia. Fica a poucos metros do mar azul cristalino, com uma rede na frente.

America_centra_2013l 192_resize

America_centra_2013l 159_resize

Para dar uma volta na ilha não demoram muitos minutos, inclusive o banheiro ficava lá do outro lado. Tinha uma cabana de palha mais próxima onde tomávamos banho. Tinha um buraco com água doce onde pegávamos água com uma jarra para encher o balde.

A ilha ao lado, numa distancia onde era possível nadar, tinha um barco afundado, somente com a proa para for a. No caminho também tem uns corais com seus devidos peixinhos. Na ilha tinham poucas pessoas, e logo ficamos muito amigos, principalmente dos hermanos argentinos, muito gente boa! Altos bate papo no final de tarde. Pessoas vinham e iam, e nós fomos ficando. Um dia chegou um barco cheio de gente, e a ilha ficou lotada. Não foi só o clima que mudou, mas a qualidade da comida. Para quem tinha comido lagosta, ficar só no peixinho foi triste. rs

America_centra_2013l 257

America_centra_2013l 150_resize

America_centra_2013l 146_resize

O barco da ilha saia todos os dias para passeios, algumas vezes ilhas próximas e outras mais longe. Lugares para fazer snorkling, ou somente para curtir uma outra praia. Algumas enseadas estava lotadas com barcos a vela, alguns inclusive com bandeiras brasileiras.

Antes de ir embora teria que ter um grand finale. Um festival estava para acontecer, onde iriam dar o nome para duas jovens Kuna. Fomos em uma das ilhas principais, já mais perto do continente (utilizam o continente para agricultura), nada de praias bonitas. Barreiras com pedras para evitar que a água avance, e uma casa ao lado da outra, um super aproveitamento do espaço. Corredores entre as casas de madeira, conhecemos a ilha com a tradução de um holandês que casou com uma local.

America_centra_2013l 194_resize

America_centra_2013l 201_resize

O festival acontece em um galpão central, que estava muito cheio. As mulheres, assim como nas ilhas pequenas, estavam com suas roupas típicas. Já os homens vestiam roupas comuns. Toda uma cerimonia  com homens para um lado e mulheres para o outro. Um senta e levanta, com chefes Kuna levando podes de Chincha (bebida local feita de cana de açúcar destilada e café) para frente e para trás, oferecendo para as pessoas alinhadas lateralmente. Eles também fumavam charutos de palha e baforavam a fumaça na cada de todos, inclusive de nós. Uma festa que dura cinco dias e se bebe muito. Algumas vezes passavam distribuindo presentes, que não tem nada de tradicional, pacotes com bala e cigarros.

Caminhando pela ilha pedi para tirar uma foto de uma senhora, ela levantou o dedo indicador, e eu disse, sim, só uma foto. Tirei a foto e ela falou, um dólar. Problemas de comunicação! Eles não são muito chegados em fotos, e isto já virou um comércio.

America_centra_2013l 204_resize

Infelizmente fomos embora antes da musica começar, não sem antes aprender a história dos Kuna e sua relação com os EUA durante a construção do canal, o que posteriormente ajudou a conquista da autonomia da região. Chamou a atenção a quantidade de lixo plastico, como já havíamos observado em outras regiões onde o tradicional tem contato com a industrialização de uma maneira brusca. Uma pena.

Volta para a Cidade do Panamá, onde descansaríamos e depois de tantos dias tomamos um banho em um chuveiro! Saímos com nossos amigos argentinos e como estávamos com tempo sobrando, demos uma passada no Canal do Panamá. Mas foi somente um pit-stop para recarregar as energias e seguir viagem. Depois de uma noite bem dormida e um dia tranquilo, pegamos um ônibus noturno até a cidade de Almirante e depois um barco para Bocas del Toro. Estávamos na dúvida se íamos para lá ou não. É uma ilha conhecida pelo surf e pelas festas, achávamos que poderia estar cheia demais. Sabe que até que não estava. As festas rolavam madrugada a dentro, mas para quem estava em outro ritmo não chegava a atrapalhar. Só faltava ter uma bandeira da argentina proclamando território deles. Incrível a quantidade de argentinos que encontramos nesta viagem, em todos os países. Pelo menos uns 50 argentinos pera cada brasileiro.

Bocas del Toro tem mais um clima selvagem, com mangues ao redor, mato. O primeiro lugar que fomos foi para a praia das estrelas, ainda na ilha Colon. Ônibus até Bocas del Drago e uma gostosa caminhada pela areia, contornando a ilha. Mas ao chegar lá tinha uma farofada, isopores, churrasquinho, barulho… Não tínhamos nos dado conta que era domingo, e tava meio piscinão de Ramos.

Também não demos muita sorte com o tempo lá, tirando o primeiro dia de sol, os outros estavam nublados e com bastante chuva.

America_centra_2013l 208_resize

Logo na frente da ilha Colon, na ilha Bastimentos tem a praia Red Frog, local onde pode se hospedar ou simplesmente fazer um passeio. Com sorte vai ver estes sapos vermelhos. Se não conseguir ver, terão crianças te oferecendo para tirar fotos por uns trocados. Uma boa pedida para comer ou beber algo é o Bibi’s on the beach, na ilha Carenero, onde também tem um ótimos Surf. Acabamos não indo para Cayos Zapattilas, já que seu estilo é mais parecido como de San Blás.

Como para ir para as outras ilhas, para surfar ou qualquer programa tem que ir de taxi-barco, com chuva, não adiantava insistir muito e resolvemos seguir viagem. A fronteira de Saxiola, não esta muito longe. É possível pegar o barco de volta para o continente e fazer algumas conexões de ônibus ou acertar com um transfer/minivan direto. A pequena fronteira não é muito movimentada, e depois de atravessar a pé a antiga ponte com trilhos de trem, chegamos na Costa Rica.

Atravessando a ponte para a Costa Rica (carregando a mochila da Bibi também!)

Atravessando a ponte para a Costa Rica (carregando a mochila da Bibi também!)

Cuba: Céu ou Inferno?

As pessoas gostam de fantasiar  e Cuba virou uma assunto onde as idéias e vontades das pessoas são transferidas para o país. Claro que a mídia tem sua culpa, seja ela a Carta Capital ou a Folha de São Paulo. Querem tornar a ilha em um lugar perfeito ou em um lugar terrível, quando na verdade está em algum lugar no meio disto, nada fantasioso, bem real.

Até ai tudo bem, tão querendo vender o seu peixe, mas triste é ver que as pessoas compram o pacote, e não perdem tempo para raciocinar, pensar sobre o assunto.

Vejo muitas discussões onde a “classe média alta ” brasileira, aqueles ricos que tem salários para ser elite em qualquer lugar do mundo dizem: “Se Cuba é bom, se mude para lá”.

Pode ter certeza que para milhões de pessoas Cuba daria uma condição de vida muito melhor do que elas tem. Tudo é uma questão de parâmetro  Milhões de pessoas no mundo tem salário parecidos com os cubanos, mas não tem nenhum auxilio, educação, saúde, cultura, moradia ou até a livreta para uma semana de comida. Isto não torna a vida lá menos difícil.

Os EUA queriam ser donos de Cuba, tentaram colonizar, comprar, invadir, instalaram ditadura, fizeram atentados mas não conseguiram. Existem duas levas de imigrantes cubanos nos EUA. Os que saíram na Revolução, e os que foram saindo depois,  por questões econômicas  Os contra revolucionários  só voltariam para Cuba com outro governo/sistema. Mas o sonho da imensa maioria de cubanos que vivem no exterior, é de se aposentar com salários em dólar e voltar a viver em Cuba ,mesmo da forma que está. Encontramos diversos cubanos que moram no exterior de férias na ilha, curtindo e viajando com a família, loucos para chegar a hora de voltar.

Se as taxas de analfabetismo, mortalidade infantil e expectativa de vida dão inveja a qualquer outro país das Américas, ficando somente atrás do Canada, os comunistas não podem se vangloriar disto. O cubano tem que se virar para sobreviver, conseguir dinheiro, empreender, receber dinheiro do exterior. Só com o sistema do governo isto não seria nem perto de possível. Existe um senso comunitário, onde todos se ajudam, mas também existe um capitalismo forte, onde para cada pequeno serviço ganha-se um dinheirinho. Isto se chama “lucro”. Agora com as empresas privadas, direito não só de ter, mas de se vender as propriedades, Cuba vai se afastando rapidamente do que sobrava do comunismo. Vai se tornando apenas Cuba, sem os preconceitos criados de quem é a favor ou contra algo.

O poder é centralizado, e isto nunca é bom, mesmo se tiver o apoio da maioria, pois a minoria vai se sentir oprimida e um país deve ser para todos. Os fantasmas da Guerra Fria devem ser esquecidos, e a liberdade de expressão é algo básico em qualquer sociedade. A violação dos direitos humanos não são aceitáveis nem em período de guerra, portanto as ameaças a Cuba não são nenhuma desculpa.

As disputas sobre o tema “Cuba” São muito chatas, vide a blogueira Yoani Sanches. Perguntei sobre ela diversas vezes em Cuba, e só faltavam falar: Yoani quem? Ela não representa quase nada em Cuba, nem para o bem nem para o mal, enquanto aqui ela se torna heroína ou vilã.

Não é em uma curta viagem que se vai entender Cuba, tão pouco morando lá. Vale a mesma verdade que me falaram sobre o Oriente Médio, o certo e o errado não está dividido por uma linha fina, mas por uma longa faixa, e Cuba está nesta faixa.

A  resposta para a pergunta do titulo é óbvia, nem céu nem inferno, simplesmente terra, com todas suas qualidades e imperfeições.

 

Para pesquisar:

* Com poucas publicações em português, vale a pena ler sobre René Gonzales e cia (Cuban Five).  Antes de ir para Cuba tinha lido somente um livro a respeito “Os últimos soldados da guerra fria”, mas lá tem diversos livros e até museu.

* De uma maneira geral, pessoas ligadas ao turismo de luxo falam mal do sistema para que se comovam e deem uma gorjeta maior.

* De uma maneira geral, pessoas ligadas ás casas particulares e paladares conseguem uma licença por terem bons contatos, e não querem perder esta oportunidade. Tendem a falar bem do governo.

* Se tem curiosidade sobre a Yoni Sanchez, leiam a entrevista que o professor da Sorbone-França, Salim Lamrani fez com ela.

* Outros grupos de oposição cubana: Damas de Branco, Oswaldo Paya (morto ano passado) e o MCL, Oscar Elias Bicet…

* Grupos terroristas anti-castro em Miami: Omega 7, Brothers to the Rescue , Alpha 66…

* Vale pesquisar diretamente os dados da ONU, Unicef, Organização internacional de direitos humanos…

 

Cuba, o país das contradições.

Antes de ir para Cuba tentei pesquisar várias informações sobre o país, através da internet e guias de viagem, conversas com viajantes que já tinham ido para lá, com um brasileiro estudante de medicina que mora em Havana e, cubanos. Queria fazer uma viagem autentica, mas logo desisti. Cuba é extremamente turística  e o fato de não existir Casas Particulares em todas as cidades te impede de sair da rota turística, que é bem delimitada.

Havana

Havana

Por outro lado, Cuba “acontece” em todos os lugares, e o melhor do país não pode ser recomendado ou planejado, aparece ao acaso, entre as atrações turísticas  Acabei limitando o tempo na ilha com medo dos custos, mas me arrependi. Para quem não fica indo de atração turística em atração turística a ilha não é cara. Com menos de duas semanas, resolvemos nos limitar em Havana e a província de Pinar del Rio, deixando o centro e leste do país para outra viagem.

Chegamos somente de madrugada, havíamos reservado uma Casa Particular na Rua Industria, Centro Havana. Poucas indicações do local, acabamos acordando os vizinhos antes da dona da casa: Sra Gudelia. Ela com seu roupão, cabelo desarrumado e cara amassada de sono, disse que acabou dando nosso quarto para duas russas, portanto estava lotado e fechou a porta na minha cara. Olhei para a cara da Bibi quase que não acreditando e toquei a campainha novamente. Falei que eu não teria problema em dormir na rua, ou ali mesmo no saguão do prédio, mas que estava com minha esposa, tinha reserva e blablabla. Acho que ela acordou nesse meio tempo, e nos convidou para entrar. Pediu para sentarmos e disse que resolveria a situação. Saiu de roupão tocando em todas as casas particulares que conhecia para ver se tinha lugar para nós,  mas em vão. Logo após o Natal, altíssima temporada, tudo estava lotado. A Bibi já queria buscar um hotel, mas concordou quando falei para dormir no sofá.  Eu esperei sentado se teria uma solução, mas já imaginava que o sofá cama seria a melhor saída  Quando a Sra Gudélia voltou sem achar lugar para nós, preparamos o sofá cama, e a Bibi, para desespero da Gudélia,  ainda decidiu que iria tomar banho. Eu já me acomodei na parte do sofá que estava inclinada pelo menos uns vinte graus e capotei.

Uma das coisas que estava na minha lista para conhecer em Cuba era a Santeria, religião afro-americana que tem um parentesco com o Candomblé. Grande foi minha surpresa ao acordar com diversos rostos, potes e bonecos ao lado de onde eu estava dormindo! Uma coisa a menos para eu ter que sair procurando. Já no café da manhã, enquanto a Gudélia se desculpava pela noite anterior (que não nos cobrou, é claro) eu já a bombardeava com perguntas sobre a Santeria, prática que ela era adepta e conhecia muito bem.

Santeria

Santeria

Os copos de água são espíritos.

Os copos de água são espíritos.

Resumindo a história, tudo estava lotado, e acabamos ficando no quarto dela, que foi dormir no quarto do filho. Uma senhora muito simpática, que logo nos sentimos muito próximos. Saímos para caminhar por Havana Vieja, com seus prédios históricos reformados e ruas lotadas. Se Cuba choca muitos estrangeiros num primeiro momento, não pudemos dizer que o mesmo aconteceu com a gente. Realmente tudo é uma questão de parâmetro.  Depois de ter viajado para tantos países pouco desenvolvidos, Havana não se destacava no quesito pobreza. O que mais chamava a atenção eram os carros antigos e construções, dando aquela sensação de viagem no tempo.

Ficamos quase uma semana em Havana. Aproveitamos  bem o lugar. Adotamos o ônibus  bom e barato, como forma de transporte e uma vez ou outra pegávamos os táxis coletivos junto com outros cubanos. Conversamos com muitos em restaurantes, ônibus ou até mesmo na rua. Um simples pedido de informação se transformava em longas conversas, que até sentávamos para não cansar. E assim fomos perguntando a opinião das pessoas sobre o regime, as mudanças, as idéias, sonhos…

Praça de Revolução

Praça de Revolução

America_centra_2013l 048_resize

Alteramos as atrações mais óbvias com longas caminhadas, deixando que o acaso nos apresentasse a Ilha. Até ônibus errado pegamos! Pena não ter conseguido ir nos treinamentos de Boxe. Levam o esporte a sério aqui, com uma população vinte vezes menor que a do Brasil, o quadro de medalhas é de dar inveja.

Consegui ver os centros organopônicos – plantações de hortaliças. Não aqueles em cima dos prédios, mas muito interessante uma cidade do tamanho de havana quase conseguir se abastecer de hortaliças produzidas localmente.

Véspera de ano novo, Centro Havana estava inacreditável. A movimentação das pessoas, carrinhos de mão onde transportavam porcos amarrados, toda a preparação da ceia, comércio lotado e caixas e mais caixas de cerveja e rum. Tínhamos combinado de pegar uma balada com o pessoal do Couchsurfing, mas a Bibi se assustou quando um vizinho nosso disse que o lugar era baixo nível, que nós iriamos nos estressar.

Iemanjá também é muito adorada pela Santeria. Na virada do ano, as pessoas jogam água pela janela. Baldes de água  não só na rua como em quem passa. Muito divertido. Fizemos uma ceia com a Gudélia e um vizinho órfão, que ela meio que adotou.

O único ponto baixo de Havana foi que tivemos nossa câmera roubada de dentro do quarto. Não só pela máquina em si, mas por todas as fotos. Inspirado no livro do Banksy, tinha tirado várias fotos das pinturas revolucionárias nos muros e outdoors da cidade, sem falar nas fotos dos carros, construções e pessoas. Bem, como diz a mãe de um amigo meu, só acontece com quem viaja. Tenho quase certeza que foi o filho da Gudélia. Pior ainda é saber que ele não precisa. A mãe, com a casa particular, onde aluga três quartos a 20-25 CUC cada, o Irmão vende roupas e ganha cerca de 300 CUC/mês, e o pai mora no exterior e manda dinheiro para eles. Só descobrimos quando estávamos de saída para Viñales, em Pinar Del Rio. Sabíamos que perderíamos o dia na Delegacia, e acabamos deixando para a volta, caso não aparecesse.

Pinar del Rio é a província mais a oeste de Cuba, região rural onde se planta grande parte do tabaco cubano. Viñales é uma cidadezinha bem gostosa, no meio de uma paisagem de montanhas maravilhosa. É bastante turística, pelo menos umas 300 casas particulares, mas é uma ótima base para explorar a região. Passeios voltados para o turista são caros, alugar cavalos ou até mesmo bicicletas, mas a região vale a pena. Exploramos fazendas, conversamos com camponeses e fumamos charuto, é claro. As fazendas são muito bacanas, auto-suficientes  todas planejadas, com suas hortas, arvores frutíferas (flores também são plantadas para atraírem os insetos), criação de animais, além do tabaco, é claro. Mas o produtor de carne de vaca não pode consumir nem um quilo sequer do seu produto, e tem que avisar se uma vaca morrer. Carne de gado é consumida somente por enfermos, velhos e crianças. Pode parecer indignante, mas se pensarmos que das milhões de crianças que morrem de fome, nenhuma esta em Cuba, mostra que é somente mais uma contradição.

Viñales

Viñales

vista

vista

Fomos a um show de musica a noite na praça na frente da igreja, cheio de gente, cubanos e turistas. Nada de musica cubana e sim hip-hop e ragatone. Mesmo nas pequenas cidades existem as Casas da Cultura, com atrações a preços acessíveis para os cubanos. Alias os cubanos são muito ligados a Cultura. Sempre prestigiam a musica e arte em geral. Fora de Havana não vi muitos, mas na capital existem incontáveis cinemas e teatros.

Andando de bicicleta, conhecemos um camponês que tinha uma caverna na sua propriedade. A tal caverna 8. Existem algumas cavernas na região que já tem iluminação, toda estruturada. Esta foi uma caminhada para chegar, e lá dentro só na tocha feita com uma garrafa e querosene. Tínhamos uma lanterna que nos possibilitou tomar banho no rio subterrâneo alem de seguir dentro da água até diversos salões. Os medos da Bibi estão ficando pela estrada!

Mesmo sabendo das maravilhosas praias de Cuba, eu não tinha vontade de conhecer. Achava que existiam coisas mais interessantes para fazer. Mas como não estou viajando sozinho, atendi o pedido da Bibi e fomos para Cayo Jutias. Praia maravilhosa, mar lindo, apenas com um restaurante. Nada daqueles resorts, mas não mudei minha opinião sobre as prioridades. Para mim o que mais valeu foi a conversa com o motorista, que trabalhou anos como engenheiro, antes de virar motorista. Se dizia ultra-capitalista, que faria qualquer trabalho para ganhar dinheiro. Isto não mudava seu sentimento nacionalista e até admiração pelo Fidel. Admiração pela revolução e liderança, não pelo comunismo. Não conhecemos nenhuma pessoa que disse que na época do Batista (antigo ditador) era melhor. Um país que da uma educação de qualidade, porem não cria meios para aplicar o conhecimento produzido.

Praias lindas, mas cultura mais interessante

Praias lindas, mas cultura mais interessante

De uma madeira geral, os mais velhos, que lutaram a Revolução, disseram que muitas vidas foram perdidas para simplesmente abandonar a causa. Os “um pouco” mais novos, lutaram a guerra de Angola, e também tem um sentimento forte com o país. Os camponeses, grandes apoiadores da Revolução, e beneficiados direto pela reforma agrária, de uma maneira geral apoiam bastante o regime, mas fazem suas críticas. Já os jovens são bem mais contestadores, não pelo sistema, mas pelas suas privações. Muitos acreditam nas mudanças, só acham que elas são muito lentas.

O sistema eleitoral, com os “delegados”, é uma espécie de parlamentarismo. Ninguém precisa estar ligado ao partido comunista para se candidatar. As eleições são bem democráticas, mas por outro lado, vai ter uma centralização total em cima dos Castros. Vai entender…

Região Rural

Região Rural

Nos despedimos dos carros de bois, das fazendas estruturadas e autossuficientes  daquele clima tranquilo e das montanhas para voltar para Havana. Depois do ocorrido, não nos hospedamos na casa da Gudélia novamente, mesmo sabendo que ela não tinha nada a ver com a história.

Caldo de cana, 8 centavos de Real

Caldo de cana, 8 centavos de Real, Pão com tomate, 24 centevos, Pão com salsicha, 40 centavos

Sabíamos que uma ida a delegacia nos tomaria grande parte do dia, mas resolvemos encarar. Mesmo sabendo que dificilmente recuperaríamos nossa câmera. Assim fizemos nossa parte, e ainda tivemos outra experiencia cultural. Foram cerca de sete horas gastas com a policia, desde a nossa apresentação e identificação, passando pelo longo interrogatório, feito por uma policial de mini saia curtíssima (eu nem tinha notado, a Bibi que comentou!). Toda a burocracia, relatos do dia a dia desde que chegamos, identificação de fotografias até a visita na casa da Gudélia, acompanhado de investigadores no seu Lada branco.

Os CDRs (Comitê de defesa da Revolução) podem ser o seu melhor amigo ou pior inimigo. É como se a cada numero X de quadras tivesse um síndico, e as pessoas se reunissem para tomar conta do bairro. A ideia é excelente, e dizem que funcionava muito bem até os anos 80. Mas hoje, com tantos problemas, ninguém da conta de resolver brigas de vizinhos, buracos na rua, dentre outros problemas do dia a dia. Imagine os problemas maiores. Todos se conhecem, e a fofoca corre solta. Portanto não é difícil descobrir as coisas que acontecem. Cerca de 80% dos cubanos estão inscritos nos CDRs. Encontramos inclusive cubanos contra o comunismo inscritos. Eles alegavam que a revolução era popular, e não comunista. Que se quisessem mudar algo, precisavam participar. Falavam que as mudanças estavam acontecendo, mas que tudo demorava pelo menos uns vinte anos para ser atendido…

Para o nosso ultimo dia ainda tínhamos uma visita a fazer. Uma professora, que da aula de história na Universidade de Havana há 40 anos. A filha dela mora em Paris, e é amiga de uma grande amiga da minha mãe. Fomos até sua casa no bairro de Santo Soares onde vive com seu neto. Fechamos com chave de ouro. Pudemos discutir todas nossas impressões e idéias com ela. Esclarecer situações e aprender muitas coisas. Ela não é cubana, mas mora em Cuba ha mais de 40 anos, pois casou com um cubano. Tem duas filhas morando na Europa, seu marido mora no México, mas ela se recusa a sair. Ama o país, e disse que em nenhum lugar no mundo valorizam um professor como em Cuba. Não achem que é uma comunista, muito pelo contrário. Não poupou duras criticas dentre os muitos elogios que fez ao país. Mesmo com a ótima qualidade de ensino, a infraestrutura é péssima, e falta até papel. Seria como agravar a situação dos problemas das Universidades Federais brasileiras varias vezes.

Enquanto jantávamos, um amigo do neto, colega de universidade, chegou com uma mochila cheia de eletrônicos. Ele tem passaporte espanhol e viaja para os EUA para trazer eletrônicos e fazer um dinheiro extra. Disse que vende tudo com muita facilidade.

Nossa anfitriã nos confidenciou que estava com câncer. Disse que recebeu tratamento de qualidade durante um bom tempo, mas que devido ao embargo, não existem peças de reposição para os aparelhos. Chegou a fazer alguns tratamentos em Paris, mas não quer abandonar sua vida em Havana.

Casa em Havana

Trocamos presentes, e ela nos deu uma cópia do ótimo filme “Habanastation”. Quando estávamos saindo ela nos disse uma frase que caiu como uma luva sobre a nossa impressão da ilha: “Cuba é o país das contradições”.

As duas moedas, preços e as novas mudanças em Cuba.

Antes de escrever sobre nossas impressões e relatos, resolvi falar sobe as duas moedas utilizadas em Cuba e seus mitos, alguns custos, além das ultimas mudanças nas regras da economia local.

Nos anos noventa, com o aumento do fluxo de turismo, o dólar americano foi legalizado na ilha. A moera local era o CUP, Peso Cubano. Passou a existir o CUC, Peso convertível  equivalente ao dólar americano, mas inicialmente pouco utilizado. Devido as restrições dos EUA, que com o embargo dificultava o governo cubano em trocar a moeda, desde 2004 o dólar saiu de circulação. Ele foi desvalorizado na troca, sendo que hoje é muito mais interessante para quem vai para Cuba levar Euros.

Existe um mito que o Peso Cubano é para os Cubanos e o CUC para turista, mas isto não é verdade. No passado cubanos tinham restrições de frequentar lugares para turistas, que cobravam em CUC, mas até mesmo nas lojas do governo existem produtos vendidos em CUC. Qualquer cubano pode utilizar esta moeda e trocar livremente nos bancos. Inclusive cubanos em missões no exterior  como médicos, por exemplo, recebem parte dos seus salários em CUC. Estrangeiros também podem utilizar o Peso Cubano livremente.

São duas moedas, uma para produtos básicos, essenciais, outra para os de “luxo”. Uma moeda “forte”e outra “fraca”, para produtos e serviços distintos.

CUC- Peso convertível  se pronuncia “Cu”. Placas onde aceitam CUC muitas vezes apontam como “Divisa”. É a moeda forte. Também chamado informalmente de “Chavito”.

Moedas de ce

Moedas de 1 e 5 centavos de CUC. Não tem referencia dizendo que é CUC, portanto não se confundam com os centavos de Peso Cubano. São moedas muito mais novas.

CUP- Peso Cubano, chamado somente de Peso ou Moneda Nacional. Vale 24 vezes menos que o CUC. Aproximadamente 4 centavos de USD, mas lembrem-se que somente se você trocar EURO, se não vai valer 10%  menos.

CUP, Peso Cubano, ou Moeda Nacional.

CUP, Peso Cubano, ou Moeda Nacional. A moeda no meio vale menos de meio centavo de Real.

Para quem viaja num turismo estilo “Resort e táxi , Cuba vai ser um destino caro. Já que os preços vão se equivaler ao Dólar. Se misturando a população local, os preços vão cair bastante, mas devido a algumas restrições, nunca vai ser super barato para o estrangeiro.

As duas questões que aumentam o custo de quem viaja por Cuba são transporte e hospedagem. Atrações também são caras para o estrangeiro. (somente possível pagar em CUC)

Desde a abertura da ilha para o turismo, algumas famílias passaram a hospedar turistas em troca de uns trocados. Era uma coisa informal mas não ilegal. O governo percebeu a oportunidade e resolver regularizar, não sem pegar sua parcela. Desde 1997 existem as Casas Particulares, onde estas famílias recebem turistas, pagando uma licença mensal para o governo por isto ( além dos “Paladares” restaurantes familiares). Os preços destes quartos variam entre 15 a 30 CUC por quarto, independente do numero de camas. Se hospedar com uma família fora das casas particulares se tornou ilegal, inviabilizando a prática de Couchsurfing por exemplo (existem alguns meios, mas precisa de um visto familiar).

Dividindo os quartos em duas pessoas, o preço não é alto, mas em perspectiva sim. Já o transporte entre cidades, teoricamente (por lei) os estrangeiros só podem utilizar uma linha de ônibus específica, e cara. Ninguém vai te impedir de subir num caminhão estilo “Pau de Arara”ou Ônibus cubano. O cobrador pode até pedir para você descer antes de chegar o ponto final para evitar problemas. Você vai pagar umas 50 vezes menos, mas será um transporte demorado, lotado e com muitas conexões.

O que dificulta é que não existem Casas Particulares em todas as cidades, então pode ser que fique “preso”em um lugar sem transporte e lugar para dormir (legalmente).

Existem taxistas que cobram o preço do valor do ônibus + valor do táxi até a rodoviária  para te levar até a outra cidade. Muito mais rápido e fácil que pegar os ônibus de turistas. Na verdade não são ônibus somente para turistas, são ônibus de luxo, pagos em CUC, onde alguns cubanos também viajam.

Dentro da cidades estrangeiro pode utilizar os ônibus livremente.

Melhor opção para viajar pela ilha parando e dormindo onde quiser, sem se preocupar, seria viajar de bicicleta e acampando, provavelmente a melhor forma de conhecer o país.

Alguns preços em CUP, Moeda nacional que eu vi. (1 peso cubano = 4 centavos de dólar).

Pizza ou sanduíche de rua- 4 a 15 pesos

Ônibus simples – 0,20 Pesos ( 1,6 centavos de Real)

Metrobus (biarticulado) – 0,40 pesos

Café – 1 peso

Garrafa de Rum- 70 a 150 Pesos

Taxi compartilhado (carros antigos, não lotação) – 10 a 12 Pesos

Sabão – 6 Pesos

Cerveja – A partir de 15 Pesos. “Bruxa”é a mais barata…hehe

Papel higiênico (4 unidades) – 8 Pesos

Caldo de Cana- 1 Peso

Marmita popular ( arroz, feijão, Frango)- 20 a 25 pesos.

Pão com tomate- 3 Pesos

Paella mista no Bairro chines de Havana – 75 Pesos

Refrigerante local – 10 a 20 Cup

O salário de muitos cubanos ligados ao governo é de 350 a 600 Pesos. Tem também habitação, serviços básicos subsidiados (telefone, água  luz, gás) e a famosa Livreta, que deveria fornecer comida para o mês, mas que hoje dura muito menos (pouco mais de uma semana). Arroz, Feijão,pasta, açúcar  Sal, café, azeite, sabão, papel higiênico  Cerca de 30 itens. Alguns deles dependem da disponibilidade, como frango e peixe. Ouvimos muita reclamação de que falta peixe para os cubanos mas nunca para os turistas.

Crianças e doentes tem direitos especiais, como um numero X de litros de leite além de carne de vaca. Existem lojas que vendem o restante dos produtos que uma pessoa precisa em pesos, mas alguns deles vão estar disponíveis somente em CUC.

Em Cuba vivem cerca de 11 milhões de pessoas, e pelo menos 10% desta quantidade no exterior. Se pensarmos que um “ núcleo familiar” é em média de, sei lá, cinco pessoas, pode se imaginar que todos tem algum parente próximo fora do país. Existe grandes envios de dinheiro, legal e ilegal, que sustentam uma economia informal. Além das pessoas ligadas ao turismo que, no final do mês acumulam gorjetas muito maiores que seus salários, existe uma classe alta sustentada pelos envios do exterior, coisa que eu nunca imaginaria. Igualitária no sentido Sócio-cultural, mas não no econômico.

Dentre os serviços informais, estava a venda de roupas vindas de fora. O governo legalizou, cobra uma taxa, e virou uma profissão. O governo não precisa pagar salário para esta pessoa, e ainda recebe, além de formalizar uma prática já existente. Assim vão acontecendo as mudanças em Cuba, lentamente. Conversamos longamente com um jovem casal que teve autorização para vender roupas (sapatos precisa de outra autorização). Eles estão empolgados, ganhando cerca de 300 CUC por mês.

Outra pratica muito comum que acabou de ser legalizada é a venda de casas. Antes as vendas e trocas eram feitas com documentos e advogados, mas não tinham um valor legal, era como a famosa “posse”no Brasil. Além dos imóveis, entrava dinheiro nas negociações. Agora a venda foi legalizada, e as placas de venda estão em varias janelas, cartazes pregados em postes. Conversamos com uma senhora no bairro de Vedado, que trocou seu apartamento, grande, com vista para o mar, por duas casas. Mora em uma e aluga a outra para estudantes de medicina latino-americanos. E assim as mudanças vão acontecendo.

Vendedor de bananas na rua, com seu carrinho de mão, tem licença para trabalhar. Um agente que arruma passageiros para taxis coletivos  tem licença para trabalhar, e paga um imposto por isto. A iniciativa privada ainda é pequena, mas vai surgindo aos poucos. Me falaram que já passou dos 25%. Muitos taxistas, agora com seus próprios carros, não trabalham mais para o governo.

Mesmo saudosistas da época pré-período especial (colapso da URSS e aperto ao embargo feito pelos EUA gerou o Período Especial e muitas restrições) me falaram que as mudanças devem acontecer, mas com calma, para não gerar grandes problemas como os ocorridos na Russia ou China.

Repito a dica que me foi dada, corram para Cuba!

Vídeo Rota da Seda

Praticamente um ano após o nosso retorno, finalmente terminamos o vídeo da Rota da Seda. Uma viagem da Turquia para o Curdistão e Norte do Iraque, Irã, Turcomenistão, Uzbequistão e Republica Karakolpak, Cazaquistão, Quirguistão, China/Xinjiang, Paquistão e Índia e Caxemira.

A ideia era fazer um lançamento em um telão, ou fazer uma reunião para a primeira exibição. Alguns fatores inviabilizaram isto no momento, e de qualquer forma, acredito que os leitores do blog devem ser os primeiros a ver.  Quem nos acompanha com frequência merece!

Espero que gostem…