Chegando em Casa

Tinha super pouco tempo para fazer a conexao no aeroporto no Rio de Janeiro, mas deu super certo. Algumas pessoas que eu vim conversando no voo se impressionaram com o tamanho (pequeno) da minha mochila, isto que eu nao tinha nem contado o tempo que eu tava viajando. Era estranho escutar as pessoas ao redor falando portugues, e esta sensacao continuou por mais algumas semanas.

Cheguei em Florianopolis, e tive que esperar so 15 minutos ate o voo da Bibi chegar de Sao Paulo. Os irmaos dela estavam nos esperando, e tivemos a surpresa de varios amigos para comer uma feijoada de recepcao la em Meia Praia (casa do meu sogro). Foi legal encontrar varios dos meus amigos, e ver que ate os que nao se interessavam muito pela viagem antes, escutaram algumas experiencias. Ainda nos reunimos algumas vezes, mas a semana foi bem familia, de readaptacao mesmo. Meus pais vieram no final de semana e nos levaram para Curitiba.

A chegada em Curitiba e no apartamento foi muito estranha. Era como se a semana na praia ainda fosse parte da viagem, e agora era realmente o fim. Sentei no sofa, enquanto a Bibi andava por tudo eu reclamava que ja conhecia o lugar, que nao tinha que negociar, blablabla… arrancando gargalhadas da Bibi.

Para a depressao nao bater, acordamos cedo, fomos caminhar pelo bairro, nos manter ocupados, quase num ritmo de viagem. Mas nao adianta, a tristesa veio com o tempo, ate a Bibi que sonhava com o nosso banheiro na viagem, viu que muito sao coisas idealisadas. Ai veio a ideia que ja estavamos conversando a alguns dias, por que nao viajar mais? Ficamos neste dilema por mais uma semana. Finalmente decidimos, e ja comecamos a buscar umas passagens. Porem nao demorou muito para surgirem outras ciscunstancias, e decidirmos adiar o nosso retorno a estrada.

Mais encontros com amigos, e claro que nem todos foram legais. Da mesma forma que uns supreenderam positivamente, outros foram exatamente o oposto. A briga com o “meio” passou a ser desgastante tambem, e por sorte tinhamos um ao outro para se ajudar. Alias, impressionante o que a viagem fez com nos dois como casal. A sintonia, uniao e cumplicidade que passamos a ter. A Bibi, viajando com aquela mochila pequena, e ate com pantufa pos banho, foi uma suuper companheira de viagem. Pegou como ninguem o “espirito da coisa”.

Por mais que falassemos sobre a viagem, era um tema muito distante para os outros, mas nos dois nos entendiamos. Chegou ate a gerar ciumes de algumas pessoas aqui, como que menosprezassemos a vida do dia a dia. Situacao bem complicada, pois se falassemos defendendo um ponto de vista, poderiam falar que estavamos nos “achando”, se entrassemos no “assunto comum” a cobranca era por nao termos mudado.

Jantares com amigos, convivencia com a familia, acompanhar o dia a dia dos meus sobrinhos maravilhosos, uma rotina gostosa foi comecando. Claro que tem a parte chata, renovar carteira de motorista, plano de saude, numero de celular e a lista segue…

Nao demorou muito para a Bibi voltar a dar aulas, e eu tambem ja estava com compromissos. Nem tivemos como mexer nas fotos, mas comecamos a rever os varios videos para pensar numa edicao.

Marcamos um churrasco com alguns amigos la na chacara, onde o video seria apresentado, para depois colocar aqui!

A volta para casa e o mito da caverna.

Há muitos meses atras estávamos conversando com um casal de amigos nossos no Skype, e veio a famosa pergunta: Como vai ser voltar para a realidade? A resposta foi de bate e pronto, a realidade e aqui! Esta mesma pergunta nos foi feita varias vezes, mas a resposta para mim e bem clara. O que faz a vida no Brasil ser real? Consigo ver muito mais argumentos para dizer que ela não e, que e uma bolha, não pela rotina, mas por outros diversos aspectos, e so e real para quem esta dentro dela, como no filme “O show de Truman”.

Um ano e meio atras estava escrevendo sobre a dificuldade de sair para viajar, mesmo sendo para realizar um sonho. O mais difícil de tudo, como muitos ja diziam, foi o primeiro passo, o para fora de casa. Deixei mulher, trabalho e toda a vida na bolha, e hoje tenho um sentimento muito contrario, o medo de voltar. A vantagem de uma viagem longa, e que da para se purificar, percorrer caminhos que diversas viagens curtas nunca vão fazer com você, pelo menos não tao a fundo. A perda de diversas aprendizagens  sentimentos, pensamentos e tantas outras coisas, vai acontecer, isto eu já tenho bem claro. Acho muito difícil não se corromper ao entrar em contato com o “sistema”, na verdade impossível  Poderiam dizer que são mundos paralelos. Mas na verdade a bolha esta dentro do mundo real e não ao contrario (o mundo real dentro da bolha) como se pensa, ou se afirma . A luta vai ser tentar se manter são o máximo possível, e lutar para a perda não ser tao grande.

O Mito da Caverna Platão

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o priosioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.


London Calling!

A despedida da Bibi no aeroporto em Roma era a despedida da viagem. Nao tinha mais como se enganar, tinha terminado. Ela iria passar o dia seguinte em Madrid e eu estava indo para pouco mais de 24 horas em Londres. Desta vez nao iria a Londres para nenhuma programacao especifica, mas tinha uma missao importante: conhecer o Dan, noivo da Gi, minha irma mais nova.

Peguei o onibus do aeroporto ate o entro e eles ja estavam me esperando. Nao via a Gi desde o ano novo na Tailandia e foi muito legal. Me dei bem com o Dan e nao demorou muito para eu estar fazendo brincadeiras do tipo, ta faltando a aprovacao do irmao mais velho, e mais tarde, trouxe um papel com datas para voce escolher…

Foi legal de ver que eles tao morando num apartamento bacana, em Highbury, e passaram da fase estudante de se amontoar num apto com um so banheiro e um monte de gente (fase dura, mas muito importante). Minha ultima hospedagem seria um couchsurfing, mas bem mais familiar! Fomos jantar em Stroke Newington, junto com uns amigos deles. Comemos num restaurante turco muuito bom, e Londres pode nao ser tao cara se souber escolher os lugares. Fiquei conversando a maior parte do tempo com o Gustavo, amigo nosso a muito tempo. Esticadinha para um pub e conheci os tal de “Hipsters”, nova moda em Londres. Nao vou passar muito tempo descrevendo os figuras pois a Gi me passou um link, e as imagens valem mais que palavras… Deem uma olhada, muito bizarro!

http://www.latfh.com

Conversei bastante com o Dan, e ele ate preparou um British Breakfast. Tentava falar mais portugues para ele treinar e sabe que ele ta falando bem. Tempo ruim, frio para meus padroes, de depois de um tempo no apto, fomos para outro pub ali ao lado. O dia voou e logo estava me preparando para ir para o aeroporto. Nunca tomo nada para dormir, mas a Bibi tinha me dado um dramin e tomei para garantir o sono, ja que estava ansioso. Acordei e ja estavamos chegando na Cidade Maravilhosa!

Quem tem boca vai a Roma!

A Itália não e Itália a tanto tempo assim. Ate o final do seculo 19 eram diversos reinados, com línguas e costumes diferentes. A região do norte fazia parte do Império Austro-Húngaro, e nem todos deram muita bola quando falamos que tínhamos parentes naquela região. Era como se fosse outro pais. Assim como no Brasil, o norte e o sul são muito distintos, porem aqui e o contrario. Na Itália o sul que e menos desenvolvido, e onde o povo e bem mais simpático e comunicativo. Como esta no hemisfério norte, o sul da Itália e mais quente também. Tudo igual, só que invertido. Já tinha viajado pelo norte da Itália, mas a expectativa era como se fosse um novo pais. A Bibi também tem ascendência italiana, e estava sonhando com a comida. Difícil pensar em outra coisa quando se tem cidades com nomes que lembram Napolitana, Bolonhesa, Calabresa, Milanesa, Siciliana, Toscana, Pesto, Parmesão, e por ai vai…

Chegamos cedo em Bari, e teríamos que esperar algumas horas para pegar o trem, para fazer conexões ate Napoli e de la ate Sorrento. Parecia perda de tempo. Resolvemos ir ate a saída da imigração dos carros e esticar uma plaquinha que dizia: “Siamo due brasiliani che cherchamo una corsa per Napoli!” A maioria dos carros estavam lotados, com famílias inteiras, bicicletas, barco e cachorros. Os poucos carros vazios iam para outra direção. Nao deu nem tempo de pensar em um plano B e parou um carro com dois italianos que estavam indo para Pompei, ainda mais perto de Sorrento que Napoli. Fomos conversando e a viagem foi rápida, apesar de um pequeno problema com o carro. Em Pompei fomos conhecer os pais dele e não tivemos como escapar de um delicioso almoço. Ao nos referirmos da família como italiana logo fomos corrigidos, Napolitana, não italiana! Macarrão com frutos do mar, muzzarella de bufala, vinho, licor e expresso! Excelente recepção na Itália (ou melhor, na região de Napoli)! Nem todos falavam Inglês, então logo colocamos o Portulhano para funcionar, e deu certo!

Os bonus de pegar carona!

Já havia escutado muito sobre Pompeia, quando era pequeno, e a historia me impressionava. Para ser sincero não havia planejado esta etapa da viagem, e apesar de saber que Pompeia estava no sul da Itália, não estava nos planos. Ha 1900 anos atras o vulcão Vesúvio entrou em erupção (ele e ativo ate hoje) e suas cinzas com altíssimas temperaturas cobriram a cidade, matando todos os moradores, e petrificando as coisas. Desta maneira ate hoje o local esta bem conservado, sendo possível observar em detalhes como eram as cidades romanas da época. E muito bonita, grande, impressiona ate quem já viu dezenas de ruínas romanas, pois deve ser uma das principais delas. Mesmo Sorrento não estando longe, decidimos dormir num camping por ali mesmo, e pegar um trem urbano no dia seguinte.

Ruas de Pompeia

Pessoas petrificadas

A região de Sorrento e toda uma península, e seguimos a dica do nosso amigo napolitano e tentamos ficar um pouco mais afastados. Acabou sendo uma roubada. Caminhamos um monte, tava tudo cheio, e o custo beneficio do que estava disponível não era nem um pouco bom. Voltamos para o trem, e fomos para Sorrento mesmo, que apesar de mais turístico, tem bem mais opções. Não procuramos muito, e apesar do nosso hotel não ser uma pechincha, achamos um ótimo custo beneficio. Saímos para andar pela cidade e logo paramos para comer. De barriga cheia e com um vinhote, não deu para ir muito longe depois. hehe

Passear pela costa amalfitana de ônibus não da, ou melhor, não tem graça, então alugamos uma scooter. Fiquei meio decepcionado em ser uma Honda e nao uma Vespa, mas fazer o que. Andamos por toda a península, e depois pela Costa Amalfitana propriamente dita. E uma estrada cheia de curvas, na beira de penhascos, com o mar mediterrâneo la embaixo. Não conseguíamos nos conter e cantávamos “ Quel mazzolin di fiori” o caminho todo. Existem varias cidadezinhas, que dão todo o charme para o lugar. Nosso passeio virou uma rota gastronômica. Em cada lugar achava um restaurante ou cafe gostoso para comer. Num dia acertamos em cheio na comida, tava maravilhosa!! Alem do lugar super gostoso. Nem deu para reclamar que o preço tava salgado. Mas empolgados com o feito do dia anterior, erramos feio num outro dia. Tava bom, mas o preço não compensava, alem de ser pouca comida. Para balancear comemos um pizza grande de 3 euros no jantar!hehe

Já estávamos ate decorando as curvas, sabíamos onde tinha o melhor visual. Arriscamos um banho de mar, que para descansar e bom, mas mesmo a água sendo azul, não e o forte da região. O bom e passear, curtir a paisagem e comer. Complicado e ta de moto e lidar com o vinho. Logo decidi que não precisaria ficar com a moto tanto tempo assim…

Aproveitamos um pouco mais a cidade e também fomos para a ilha de Capri. Dizer que toda esta região e muito turística é pouco, é extremamente turística. Nos irritamos profundamente ao descer do barco e ter que enfrentar filas para comprar passagens de ônibus, e lutar por um pequeno espaço com tanta gente. Nossa visita a ilha acabou se resumindo a um banho de mar. Chegamos a pensar em não ir, mas todo mundo falava, “veio até Sorrento e não vai para Capri? Tem que ir…” Tem que ir nada!! Se arrependimento matasse…

Pegamos o trem para Napoli, deixamos as bagagens num guarda volumes para passarmos so um dia la. Ate pensamos em ficar mais tempo (e valeria a pena), mas Roma seria nosso ultimo destino e queríamos ir com calma. Caminhamos pela cidade, e logo de inicio ja associávamos bastante com o Brasil. Se falávamos que os italianos do sul eram simpático, conhecemos algumas outras especies, os grossos. Tem bastante por aqui. Não por maldade, pelo jeito de ser mesmo. Napoli e bonita (apesar de muito suja), com um centro histórico bacana. Andamos um monte por casarões, praças, monumentos e igrejas. Estávamos em contato com o Augusto, que havia nos dado carona dias antes, ele viria de Pompeia para almoçar com agente. Acabou demorando um monte e fomos ate uma tratoria recomendada. Nos empenhamos um monte para achar e chegar la, e na porta tinha um bilhete, “finalmente de ferias!!”. Iria reabrir somente dois dias depois. A saída foi achar uma pizzaria que também tinham nos indicada, e comer uma pizza napolitana, mesmo que o sabor fosse outro. O Augusto não chegou para o almoço, mas nos encontramos depois e ele mostrou mais a cidade. Algumas regiões legais, todas bem explicadas, já que os Napolitanos são extremamente orgulhosos, e não entendem como a cidade não e mais visitada. Unica coisa que não gostamos foi que ele insistiu em irmos num castelo, que não estávamos nem um pouco a fim. Final das contas quase nos atrasamos para pegar o trem. Descemos correndo do ônibus, fomos retirar a bagagem, e entramos no vagão três minutos antes de sair. Existem trens metropolitanos que são relativamente baratos, cinco vezes menos que os trens nacionais (mas não se pode comprar estas passagens na internet).

Napoli

A viagem e um pouco mais lenta, mas o trem e confortável. A Thaisa, ex flatmate da Bibi em Floripa mora em Roma, e foi nos buscar com o namorado (Rafaelli), que e de Roma. O apartamento deles e bem gostoso, na parte norte da cidade. Ja era tarde, e ficamos conversando madrugada a dentro, coisa que se repetiu todos os dias que ficamos la.

Com Rafaeli e Thaisa

Já no primeiro dia, pegando um ônibus para o centro, nos surpreendemos com a cidade, que parece um museu a céu aberto. Se por um lado nos encantávamos com a arquitetura, monumentos, piazzas, por outro questionávamos o nosso final de viagem. E esta sensação se repetiu por todos os dias. Adoramos Roma, mas é um destino de ferias, não um lugar para se terminar uma jornada como a nossa. Estávamos toda hora ocupados, vendo coisas, fazendo planos. Claro que parávamos para tomar aquele cafe, comer uma torta ou um sorvete, mas não tínhamos o tempo necessário para nos mesmos. Teatro Marcelo, Gueto, Pantheon, Victtorio, Coliseu, Foro, Palatino, Campidoglio,Villa Borgghese, Basilicas, parques, Banhos, praças, vias, fontes, (…) só para ver o “básico” de Roma se gasta um tempo (imagine se ainda for em museus!). Tiramos um dia para visitar o Vaticano, que e o menor pais do mundo. Alem da imponente Basílica de São Pedro (a praça eu achava que seria maior), gastamos um bom tempo no museu, que possui obras muito bonitas. São intermináveis corredores, mas não adianta, a Capela Sistina e com certeza o ponto alto. Pena que tava lotada e o pessoal sem noção fazia muito barulho. As pinturas parecem que tem terceira dimensão, as vezes tem que esfregar o olho para ter certeza que não e uma escultura, tamanha e a sensação de profundidade. O tal Michelangelo mandou bem mesmo. Alias, tem obras dele em tudo que e canto de Roma, sejam praças, fontes, esculturas…

Roma!

Uma noite fomos jantar no Trastevere bairro boêmio da cidade. E ali que fica uma das igrejas mais antigas de Roma, e estavam cantando e tocando órgão quando chegamos, muito bonito.

Vaticano

Fomos muito bem recebidos, e fora os altos papos que eles tiveram com a gente, ainda nos levaram para passear pela cidade em lugares que não tínhamos ido durante os dias. Nos sentimos acolhidos, e com tantas programações os dias passaram voando. A Bibi achou uma injustiça, mas devido ao preço da passagem, teríamos que voltar para o Brasil por outros destinos, portanto viajaríamos separados. Ela ficaria um dia a mais com a Thaisa, e eu iria encontrar minha irmã em Londres, e finalmente conhecer meu cunhado (o ultimo da família a conhecer). Assim nos despedimos, e depois de tanto tempo 24 horas grudados, nos separaríamos, para se encontrar novamente só no Brasil.

Pela (ex)Iugoslavia.

Lá na Bósnia! Quem já não usou esta expressão para se referir a algo que esta muito longe? Virou referencia para a faculdade que era longe, o trabalho ou o lugar que alguém morava. A gíria surgiu nos anos 90, quando teve a guerra na região.  Não tínhamos muita informação (ou não buscávamos , eram questões complicadas que poucos tentavam esclarecer ou entender. Pareciam ser coisas terríveis,  genocídio, campo de concentração (a poucos anos do seculo 21!), mas tudo parecia estar muito distante, lá na Bósnia…

Mapa da Ex-Iugoslavia

De Kotor fomos acompanhando a magnifica bahia e algum tempo depois estávamos na imigração.  O oficial da Bósnia-Herzegovina recolheu passaportes de todos e ao olhar o meu me pediu o visto. Eu falei que não precisava, e ele mandou eu o acompanhar. Já devia ser mais de meia noite, e só me faltava dar algum problema. Ele foi ate uma salinha, e me mandou esperar do lado de fora. Depois de um tempo voltou e me mandou para o ônibus.  Os passaportes foram distribuídos novamente quando chamaram o “brasila” para ajudar a identificar os dados no meu passaporte. Ufa, deu tudo certo!

Muitas curvas e dava para ver um pouco de mato no meio da escuridão da estrada. Tinham bancos sobrando e deu para se esticar para dormir. Chegamos quase de manha na rodoviária  que e longe do centro de Sarajevo. Não tivemos outra opção a não ser pegar um táxi. Uma discussão quando nos levaram num albergue onde estavam indo os noruegueses, e o lembrei de que o acordo era outro. Quando nos afastávamos do centro velho, resolvemos mudar de ideia – para desespero do motorista- e pedimos para nos deixar no centro que nos viraríamos  Muita gente deve achar loucura ir procurar lugar para ficar as seis da manha. Ok, concordo que os quinze minutos de caminhada foram perrengue, mas se vissem o quarto que achamos (sorte ou faro?) qualquer um ia querer trocar seu hotel ou albergue por ele!! Muito show, uma casa antiga 4 quadras do centrinho, quarto gigante, tudo limpo, muito bacana.

Ja na nossa chegada nos encantamos por Sarajevo. Que cidade bonita, que estilo (mistura de prédios Otomanos e Austro-Hungaros só podia sair algo único!). Difícil imaginar que 15 anos atrás estava em ruínas. A guerra foi feia por aqui, e a cidade ficou sob estado de sitio por quase 3 anos. Um gigantesco túnel foi cavado para que alimento e água pudesse chegar a cidade, pessoas saíssem e soldados se movimentarem. Muita coisa já foi reconstruída, mas os buracos de bala em muitos prédios mostram que as feridas dentro das pessoas ainda estão abertas, muito abertas.

Podem reconstruir, mas marcas vão ficar…

Sarajevo já foi chamada de Jerusalém da Europa, por ter as três religiões monoteístas bem representadas ali. Cristãos Ortodoxos e Católicos, Muçulmanos e Judeus. Os Judeus foram acolhidos quando esta região ainda fazia parte do Império Otomano, e haviam sido expulsos dos reinados cristãos de Portugal e Espanha. Viveram pacificamente com as outras crenças ate a segunda guerra mundial, quando fascistas croatas passaram a persegui-los, e com o domínio da Alemanha tudo se desandou, e vocês sabem a triste historia. Hoje existe uma pequena comunidade judaica, mas muito reduzida considerando o tamanho que já foi. Andamos pelo antigo bairro judeu, sinagogas, que ficam quase ao lado das Igrejas e Mesquitas. Alias as mesquitas são a maioria, e os minaretes dão todo um charme para o lugar. O centro velho e formado por calçadões, lotados de cafés, restaurantes e lojas. Em muitas paredes a foto do Tito, ex-líder da Iugoslávia, era exposta com orgulho e saudosismo, mostrando que assim como nos outros países da região, ele e muito querido. A continuação da Ferhadija, um dos principais calçadões, e a Tita, onde já iniciam as lojas e cafés mais moderninhos. Tava muito movimentado, cheio de turista (até demais), cidade muito viva. Mas algumas cenas nos chocavam. Num entardecer vimos algo refletir no topo das colinas verdes ao redor da cidade, e ao repararmos melhor, eram varias criptas! Tudo virou cemitério. Qualquer metro quadrado serviu para enterrar alguém. No centro, em uma praça publica, crianças jogavam bola entre as tumbas. Inacreditável!  Incompreensível!!

Cristãos

Judeus

Muçulmanos

Que a nova geração seja mais tolerante!

Sarajevo sempre foi uma cidade pobre, estava tentando se erguer, inclusive com os jogos olímpicos de inverno de ’84, mas ai tudo se desandou de vez nos anos 90. Agora, finalmente parece ter achado seu caminho, mas as marcas continuam. Estávamos ali no primeiro dia de Ramadam. Fomos a uma mesquita no anoitecer, para ver o final do jejum diário, e acabamos ganhando doces também. ( A Bibi escreveu um artigo muito legal sobre o Islamismo.  http://tambemsai.wordpress.com/2010/07/10/compreendendo-o-islamismo/ )

Todos estes povos que lutaram na guerra civil, Bósnios-sérvios (cristãos ortodoxos); Bósnios-Croatas (cristãos católicos) e Bósnios-Muçulmanos são da mesma “raca”, os Eslavos. Portanto esta historia de limpeza étnica quando os sérvios mataram os muçulmanos e a maior balela! Foi uma guerra ou politica ou religiosa, com cristãos massacrando muçulmanos em plenos anos 90, inclusive com campos de concentração!  Se um louco muçulmano mata gente por algum motivo e por causa da religião,  mas se e um cristão, sempre tem que inventar outro motivo. Não estou defendendo que todas são guerras religiosas, muito pelo contrario, mas não se pode usar dois pesos e duas medidas. Porque todos lamentam só o 11 de setembro e não o que aconteceu na Bósnia?

A Bósnia respira conflitos, e foi ali que se iniciou a primeira guerra mundial, apos o assassinato do Franz Ferdinand (não a banda!) herdeiro do império Austro-Húngaro, a guerra foi declarada contra a Servia e a partir dai as alianças da WWI foram se formando. No exato local do disparo fizeram um pequeno museu a respeito da época Austro-Hungara de Sarajevo. Caminhamos bastante pela cidade, que e relativamente pequena. A rotina de sorvete e o prato tipico que parece um pão com linguiça e cebola estava incorporada ao nosso dia a dia.

Nosso próximo destino ficava na parte Herzegovina do pais. Fomos de trem, pelas belas e muito verdes montanhas. O trem e cedo, mas vale o esfôrço de sair da cama ao amanhecer. São curvas e tuneis intermináveis  numa super paisagem ate chegar em Mostar. A cidade ficou famosa por uma bonita ponte, que foi destruída nos conflitos, dividindo a cidade entre Bósnios-Croatas e Bósnios-Muçulmanos (eles lutaram lado a lado no inicio da guerra contra os Bósnios-Sérvios, mas depois acabaram guerreando entre si). Cada um para um lado da cidade. Se por acaso estivesse do lado errado, azar o teu, ficaria assim por anos, ate o conflito acabar. A cidade foi posta ao chão, mas assim como a ponte, foi reconstruída. O turismo (a proximidade com a Croácia facilita) tem trazido dinheiro para a região, mas o assunto da guerra ainda e um tabu. Novamente obtivemos poucas respostas para nossas perguntas.

Cidade e bem pequena, com um bairro antigo legal, mas muitas lojinhas e muita gente. O calor tava grande e fomos tomar banho de rio (que e gelado!) bem próximo a ponte histórica. Ha, não preciso nem falar que conseguimos uma casa super legal, né?! Caminhamos só mais pelo final de tarde, quando o sol já estava mais fraco. Apesar da altura, alguns locais pulam da ponte em troco de algumas moedas. Jantamos de frente para o rio, tentando entender muita coisa que aconteceu ali, mas como nos falaram, só quem estava ali para saber, pois por mais detalhes que se tenha, e impossível de imaginar.

A destruição da ponte na foi só física, mas simbólica. Que a reconstrução também seja!

Mostar

Nosso ônibus era de Mostar para Split-Croácia, mas parou uma hora em Medugorje, um pouco mais ao sul. Cidade de grande peregrinação cristã, pois supostamente Nossa Senhora apareceu para algumas crianças ali nos anos 80. Assim como nas cidades de Lourdes e Fátima, a Igreja Católica ainda não confirma a aparição. Os fieis só aumentaram com a guerra, pois mesmo estando na área de conflito, a região foi surpreendentemente muito pouco afetada.

Na fronteira com a Croácia foi rapidinho e logo estávamos passando por lagos no meio de montanhas ate chegar no famoso litoral croata. A estrada ia beirando o mar, num relevo todo recortado ate chegarmos a Split. Rodoviária, estação de trem e porto são todos juntos. Desistimos de passar a noite ali ao ver o calor, a muvuca e os preços não muito amigáveis. Tinha alguns nomes de ilhas, mas o planejamento final ainda estava para ser feito.

A Croácia e a sensação do verão europeu. Escutamos de varias pessoas que a Grécia e coisa do seculo passado, que já faz 10 anos que todo mundo só quer vir para a Croácia (imaginem com a crise e os protestos atuais da Grécia). Deu para perceber, tava tudo lotado, ferry cheios (principalmente italianos), cartazes de festas. O barco que passa em diversas ilhas durante uma semana estava descartado. Queríamos achar um lugar sossegado, então foi fácil descobrir as ilhas que não iriamos – as das festas e Djs. Algumas horas navegando entre as ilha croatas, já anoitecia quando chegamos a Korcula. Tínhamos ouvido falar bem da ilha, mas ainda não tinha a paz que buscávamos. Tinham me recomendado duas ilhas mais afastadas, bem para dentro do Mar Adriático. O mesmo barco estava indo para uma delas, Lastovo (a outra era Bisevo), e ao confirmarmos as informações sobre a ilha com um jovem casal italiano, seguimos viagem. O tempo passou rápido pois fomos conversando com o casal, que ate tentou arranjar uma casa com a pessoa que tinha alugado para eles. Não deu certo, mas na frente do porto tinha um centro de informação, que com um telefonema arranjou um apartamento de frente para o mar, e com um precinho especial! Trocamos contatos com os italianos e depois de jantar, fomos dormir sem colocar despertador para o dia seguinte!

Nos surpreendemos ainda mais no dia seguinte, quando pudemos desfrutar da vista do lugar! Fantástico! Na frente da onde estávamos não tinha praia, só uma “lage” com as pedras e aquele mar azul. Aproveitamos bastante ali, e não tínhamos horário para nada. Um dia fui caminhar para uma vila ali perto, onde já tinha um movimento um pouco maior, mas que mesmo assim se restringia a umas casas, um hotel e uma duzia de barcos. Um final de tarde incrível, e com o sol se pondo na frente da nossa janela. Caminhamos também para o outro lado, onde tem uma enseada calma, no final de uma pequena trilha. Encontramos com os italianos para um happy hour com o sol se pondo e combinamos de passear um dia. Fomos no ponto mais alto da ilha, com vista para toda a região e ilhas. Passamos por enseadas tao fechadas que ate pareciam lagos. Todas elas tem pelo menos um barco a velas. Íamos parando e mergulhando, gastando mais tempo nas que gostávamos mais. A noite resolvemos fazer um peixe na grelha e camarão com macarrão e a festa foi ate tarde. Estávamos de ferias, e nossa maior preocupação do dia a dia era ir ate o mercado para comprar alguma coisa para comer. O tempo ia passando devagar, cada dia íamos para uma praia diferente, mergulhávamos das pedras, caminhávamos e o tempo foi passando. Nos despedimos dos nossos amigos italianos, e nos incomodávamos com o fato de que a viagem estava no final. Algumas vezes quando caminhava vinha o filme da viagem na cabeça, e pensava, “porque voltar”?! Conversamos um pouco sobre o assunto também. Por mais que tentássemos curtir o presente, a proximidade da data nos atrapalhava.

Vista do quarto, da varanda ainda tinha outra!

Ok, acho que deu para ter uma ideia da “nossa” ilha..!

Bibi com barquinho que alugamos!! hehe

Ficamos muito contentes com a nossa ilha. Era bem o que buscávamos. Alugamos uma scooter e percorremos as poucas estradas que existem lá. Bahias e lagoas azuis, muitas delas desertas. O que é a paisagem da Croácia…

Nossa ida para Dubrovnik não foi tao simples como imaginávamos, pois não tinha ferry direto para la. Tivemos que ir para Vela Luka, esperar os poucos ônibus e muitas curvas ate Korcula, atravessar de ferry até Orebic e seguir pela península, e bonita costa toda recortada ate Dubrovnik. Mesmo a viagem não sendo curta, o corredor do ônibus estava lotado de pessoas viajando a pé. Na rodoviária tinham varias pessoas oferecendo quartos, mas logo vimos que muitos deles eram bem afastados. Conseguimos um num casarão antigo, muito gostoso e com o quarto todo reformado. Estrategicamente entre a cidade velha e o ferry que pegaríamos para ir para a Itália. Temos visto muitas cidades velhas, mas Dubrovnik e muito linda! Murada, na beira do mar, realmente impressionante. Ainda tivemos a sorte de ser lua cheia na segunda noite que fomos la. Andamos pelas ruazinhas meio que sem direção, tomamos sorvetes para aliviar o calor e curtimos uma musica ao vivo. O lugar tava cheio de gente, mas lotado mesmo. Tava tendo um festival de verão, com atrações, musica e programações diferentes. Fomos numa exposição fotográfica chamada War Photo Limited  (  http://www.warphotoltd.com/ ), que achávamos ser sobre a guerra dos Balcãs. Na verdade também era, tinha uma cobertura super boa sobre os tristes eventos da região (Servia X Bósnia e Croácia, MacedôniaXAlbania…), mas era ainda mais completa. Tinham bonitas e horríveis fotos sobre Paquistão, Afeganistão, Iraque, Líbano X Israel, Palestina X Israel, Sudão, Serra Leoa, Uganda (e outros lugares com crianças soldados), Maoistas da Índia, tudo com as informações dos pontos de vista dos fotojornalistas que acompanharam estes eventos. Muito impressionante e chocante.

Lua cheia em Dubrovnik

Mais alguns cafés, cervejas e restaurantes e estávamos nos despedindo de Dubrovnik. Embarcamos no ferry para Bari, na Itália, e a oficial da imigração fez até piada com o passaporte da Bibi, que já ta com todas as folhas lotadas (eu fiz um novo na Malásia), e tem que procurar lugar para estampar. Ficamos no deck, alem de mais barato, as cabines já estavam lotadas mesmo. A Bibi capotou no chão, entre um banco e uma mesa, só com um cobertor e lençol, e eu tive que acorda-la na hora que chegamos. O que um bom tempo de viagem não faz!!!haha. Eu acordei um pouco antes, com o nascer do sol, e fiquei tomando um cafe e olhando nossa lenta aproximação até a Itália!!

Confortável!