País dourado!!

A Birmânia é um antigo inimigo da Tailândia.  O Burma vivia invadindo o Sião (antiga Tailândia) e a rivalidade existe ate hoje. Tipo um Brasil x Argentina, mas com a diferença de que o Myanmar e muito mais subdesenvolvido. Seria mais fácil imaginar um Tailândia x Vietnã  ou Tailândia  x Malásia.  Ninguém na Tailândia entendia porque iriamos para o Myanmar, até nos desencorajavam. Lembro que no início dos anos 90 via videos de desafios do Boxe tradicional da Birmânia contra o Boxe Tailandês em videos lá na academia Chute Boxe da rua Visconde do rio Branco. Por onde passava procurava um lugar para aprender esta forma antiga de combate, mas e muito difícil, pois não e comercializado, não virou um “esporte” como o Muay Thai.

Mandalay não e uma cidade muito atraente. Se já estava dando o adjetivo de empoeirada para outros lugares, aqui e o campeão. As atracões, algumas antigas capitais, ficam ao redor da cidade, e resolvemos fazer com calma, em vez de pegar um carro e ir em todas as cidadezinhas no mesmo dia. Os lugares preferidos foram Amarapura e Sagaing. Na primeira tem diversos monastérios, um lago com um longa ponte de Teca, onde vimos um super por de sol com um passeio de barco. Já Saigang tem uma colina com centenas de estupas, e e uma região famosa para meditação. Fomos sempre de transporte local, o que só em si já era uma aventura. Nos divertíamos com o pessoal. Em Mandalay tem um templo bacana também  daqueles que as mulheres não podem se aproximar do altar principal. Gostamos de visitar um monastério antigo todo feito de Teca, onde a Bibi aproveitou para tirar duvidas sobre Budismo e Meditação com um monge. Ficava numa região com muitos monastérios  então eram dezenas, se não centenas de monges para cima e para baixo. Ao pedir informações acabamos fazendo amizade com um deles que fez questão de nos levar no monastério dele para conhecermos e vermos a hora da meditação e mantras.

Monges e seus mantras

Final de tarde “da queles” em Amarapura

Vista de dentro dos transportes

Sempre cabe mais um!

Andamos bastante de Triciclos também  e desta forma fomos ate um café indicado, para comemorar o aniversario da Bibi. Lugar super descolado, decoração  câmeras de segurança  muito acima da expectativa. Como era um lugar com iluminação indireta, trouxeram um “abajur” para lermos o cardápio  Não e que era um abajur de camelo, em forma de gato, com etiqueta de preço e tudo!!!haha Quase não acreditamos. A Bibi falou que o banheiro não era la estas coisas, e não tinha toalha, só papel higiênico para enxugar as mãos. Mas a comida estava boa, e estão quase la. Haha

Depois de alguns cafés da manha juntos, trocas de informações de viagem, por coincidência estávamos pegando um ônibus junto com os alemães  Desta vez para Pagan, um dos maiores complexos de templos do mundo, com mais de 4000 estupas. Mordemos nossa língua  e acabamos ficando muito amigos do casal, tendo ate ido jantar algumas vezes juntos. Pagan teve seu ápice a quase 1000 anos atras, e sua beleza e unica. Já estávamos de saco cheio de visitar templos (isto que sou chegado num templo, estupa, igreja, mesquita…), e para nossa surpresa eles não eram tao interessante. Deixa eu explicar melhor. Poucos dos quase 4500 templos tem estatuas diferentes, pinturas, pedras entalhadas. Estes são muito interessantes, mas o legal mesmo e pegar uma bicicleta e andar pelo meio deles todos. Montamos dois roteiros para olhar os principais, e nos outros dias foi meio que sem destino. Parava onde dava vontade, repetia os mais legais, e subíamos terraços dos que tinham acesso. Muitos deles por corredores escuros, onde a lanterna foi muito útil.  Isto era a parte mais legal, descobrir um super templo, sem ninguém  para ver o visual e o por de sol. Sempre voltávamos já de noite, pois nos perdíamos no horário devido tamanha beleza. Um dia, na volta para o hotel, fomos surpreendidos por uma lua cheia gigante, amarelada, levantando por trás das estupas ponte agudas. Momento Mastercard!! A Bibi que andava meio triste com a crise dos 30, cantava sem parar, andando de bicicleta com os bracos para o lado e escutando musica…

Rodoviaria de Mandalay

Pagan!!

Um dos mais de 4000 templos

Precisa falar alguma coisa?

!!!

Íamos para outros lugares no Myanmar, mas gostamos tanto que resolvemos ficar mais tempo em Pagam. Pessoas chegavam, iam e nos lá. Tem um boa seleção de restaurantes, e a Bibi podia comer comida italiana, já que não se adaptou a culinária local. Num destes dias, por acaso, encontramos a Marlinda, nossa amiga e companheira de viagem da Indonésia !! Como o mundo e pequeno!! Fizemos vários passeios juntos e jantamos alguns dias também  Legal que ela e psicologa, faz Yoga, se dando super bem com a Bibi, alem de ser largadona, fazer treking, viajar sozinha de mochila, se dando muito bem comigo. Há, alem de pegar no pé da Bibi!!haha Estas coincidências me fez lembrar que em 2001 conheci um americano e um brasileiro em Amsterdam. Semanas depois, por acaso, encontrei o americano na rua em Barcelona. Já o brasileiro, encontrei 8 meses depois, numa festa, em San Diego. O mundo e mesmo pequeno! Fizemos planos de quem sabe encontrar a Marlinda novamente na Índia  alem dos alemães  já que e destino de todos nos, só com chegadas em datas diferentes. Os alemães já passaram 5 meses e meio lá, e estão voltando para mais 2 meses.

Nos com a Marlinda no terraço de um dos templos

Estas estradas de terra nos renderam 2 pneus de bicicleta furados

Nossas “magrelas” ali em baixo

Aqui, antes da chegada do Budismo, todos acreditavam em “Nats”, que são espíritos em formas humanas, mas que podem aparecer em animais, plantas e outras formas. E uma religião  ou crença  muito interessante, mas infelizmente pudemos aprender pouco, devido a falta de informação em inglês  e da fraca comunicação dos devotos. Fomos ate o Mt Popa, montanha com um monastério pendurado no topo. Muito bonito de baixo, mas a vista de cima não e tao bonita, pois a terra e totalmente plana. Este templo e budista, mas assim como na maioria dos lugares, a devoção se mistura com os Nats, tendo imagens de todos. Este e inclusive um dos lugares mais sagrados do Nat. As longas escadarias estavam enfestadas de macacos, e suas respectivas fezes. Vimos algumas engraçadas cenas de macacos roubando comida de turistas desavisados.

Mt Popa

Tava bom, mas tínhamos que voltar. Pegamos as péssimas estradas, e observamos mulheres e jovens  trabalhando pesado ao produzir e carregar cascalho para as novas estradas. No ônibus todo o corredor estava lotado de passageiros, sentados em banquetinhas de plastico. Em Yangon já tínhamos endereço, pois adoramos a hospitalidade do primeiro hotel. O bom daqui, e vários outros lugares que passamos, que se chegar as 4 da manha por exemplo, vai pagar a diária so do dia seguinte. E sempre erly check in.

Corredor do ônibus top de linha.

Tínhamos que ir no mercado e fomos num que ficava em um shopping. Muito diferente a parte “moderna” deles. A Bibi ficou estudando no hotel e eu fui no YMCA, onde anunciavam aulas de Kick Boxing. Tinha a esperança de que fosse o Burmise traditional boxing. Cheguei la na hora do treino e não tinha ninguém  Aparentemente não teria treino por algum motivo. Peguei o endereço de outro local onde este treinador dava aulas, mas não me pareceu muito profissional. Na saída conheci o Aungpyi, que adorou a historia de eu me interessar pela tradição deles. Me levou na casa dele e me apresentou para a mãe dele. Me presenteou com dvds de diversas lutas profissionais e conseguiu o carro da mãe dele emprestado. Aparentemente representante da classe media daqui, esta terminando o curso de medicina, que segundo ele e muito fraco, mas ele quer ajudar as pessoas. Rodamos para fora da cidade e quando ele contava calorosamente do seu fim de namoro acabou batendo o carro, arrancando o espelho retrovisor do meu lado. Que susto! Me levou sem eu saber no principal campo de treinamento de Burmese traditional boxing. Um galpão aberto, com quatro sacos de pancada, alguns pneus e umas espumas em colunas. Inacreditável que dois dos campeões nacionais saíram desta estrutura. Logo eles chegaram e pude fazer um treino com eles. O treinador super atencioso arranhava um inglês  e discutimos bastante sobre as diferenças para o Boxe Tailandês  alem de me mostrar vários detalhes. Me explicaram que existem poucos centros de treinamento, que a maioria dos campeões vem da região rural, e treinam em família  ou pequenas vilas. Voltei para casa feliz da vida e fomos num bar que vimos por acaso num mapa turístico.  O proprietário e neo zelamdêz, e o bar e impecável.  Difícil entender como que o lugar se paga, pois apesar de caro para os padrões locais, só tínhamos nós (com direito a escutar Bossa Nova!). Uma coisa que e difícil para o povo brasileiro entender e como as cidades grandes ao redor do mundo são seguras. Com todo o tamanho e pobreza de Yangon, nem pensamos em não levar o computador na mochila. Andamos pelas ruas escuras do centro (aqui sempre acaba a energia, daí só fica iluminado os lugares com geradores, o resto só na vela!), para comer a deliciosa pizza. Claro que o WiFi não funcionou…

Burmise traditiona boxing!

Ultimo dia de Yangon tentamos ir num suposto museu na antiga casa de Aun San, mas tava fechado e abandonado. Fomos até um parque onde ficamos sentados conversando no gramado, de gente para o lago com o Palácio flutuante. De la caminhamos ate a Swedagon pagoda, que tínhamos gostado tanto. Fiz amizade com um cara enquanto a Bibi meditava e fiquei tirando duvidas dos Nats e Budismo. Deixamos para trás os trocentos Budas deitados existentes por aqui. Enquanto a Tailândia se orgulha do Buda de Wat Pho, com seus 46 metros de comprimento, aqui eles tem de 40, 60, 90, cento e poucos metros. Mas depois de um tempo chega de Buda…

Palacio flutuante

Acordamos cedo para o nosso voo que era no inicio da manha. Claro que levantaram para preparar o café, mesmo fora do horário tradicional. Um dos funcionários ainda dormia em quatro cadeiras alinhadas, com uma lista telefônica como travesseiro, antes de acordar com um sorriso gigantesco no rosto para nos servir. O povo do Myanmar com certeza entrou para a minha lista dos Top 5 mais simpáticos do mundo, junto com Malawi, Tanzânia, Somalilândia  e Iêmen (menções honrosas para Zâmbia e Uganda). Estes dias o Pedro (meu sobrinho) falou para a Pati que queria estar do Myanmar, e eu, não queria sair sair do Myanmar…

Mission Burma

Existia uma banda punk dos anos 80 chamada Mission of Burma. Acho que foi assim que eu escutei sobre o país a primeira vez. Pode-se pensar que nada em comum tem uma banda punk com um país do sudeste asiático,  mas a revolta daqueles adolescentes é algo bem comum como a oprimida população da “Birmânia”.

A Birmânia assim como tantos outros países, teve seu primeiro contato com os europeus através dos portugueses  mas estes não conseguiram colonizar a região. Após algumas tentativas foram os ingleses que se estabeleceram por aqui. Foi uma colonia bem extrativista, não tendo deixado muita influencia e infraestrutura a não ser alguns casarões e, para variar, uma estrada de ferro. Favoreceram a entrada de indianos e chineses para trabalharem na construção e comercio. O controle era linha dura, e existia muita repressão.  Como sempre os monges estavam a frente dos protestos da população, e sofriam a violência dos britânicos.

Na segunda guerra, um grupo que buscava a independência do pais, teve apoio do Japão  e conseguiu expulsar os ingleses do seu território.  Não contentes com a postura do Japão após esta ação, mudaram de lado no final da guerra e lutaram, junto com os aliados, contra os japoneses. Finalmente a Birmânia se tornou independente. Nas primeiras eleições  o partido de Bogyoke Aung San, líder revolucionário, ganhou a maioria dos votos, mas foi assassinado junto com as pessoas que assumiriam os postos políticos  Paralelo com a independência veio um caos politico não resolvido ate hoje. Na região  moram diferentes etnias, com culturas, línguas  religiões e tradições completamente diferentes. O novo governo iniciou uma serie de perseguições que continuam ate hoje, o que resultou na fuga de algumas etnias para os países vizinhos, como apontei no post da Tailândia.

Na década de 60 houve um golpe militar de esquerda e o comunismo foi instituído  “congelando” o país ate hoje. A unica coisa que mudou foi o nome, que deixou de ser Birmânia e passou a ser Myanmar. Claro que com o colapso da URSS, seguindo o mesmo rumo de diversos países, o país criou seu próprio estilo de comunismo. Após diversos protestos, e milhares de mortes (novamente os monges estavam a frente da população) , finalmente eleições foram marcadas. O partido da filha do B. Aung San venceu com mais de 85% dos votos, mas não pode assumir os postos pois Aung San Suu Kyi foi presa. Desde então ela e solta e presa de tempos em tempos, e atualmente esta em prisão domiciliar. Foi dada a ela a escolha de ir para o exílio  mas se recusou a deixar seu pais. Foi vencedora do premio nobel da paz em 1991, e deve sair novamente da prisão no final deste ano, logo após novas eleições presidenciais acontecerem. Detalhe que nestas eleições só vai haver um partido, o da atual ditadura. Alguém duvida que não demora muito para ela ser presa novamente? A população local tem certeza disso, e fala que e só um jogo para não haver tanta pressão internacional. A três anos atras a violência se repetiu, e mais centenas de mortes. Algumas filmagens vazaram, e o ocidente pode ver a população fazendo uma barreira humana para proteger os monges politizados, que eram alvos de tiros dos militares. Por que não existe uma ação mais efetiva contra uma ditadura tao brutal? Interesses comerciais da Índia  de matéria prima, drogas para a China, e militar para a Russia. Dos países emergentes BRIC, só o Brasil não esta apoiando. Quem iria se opor?

Na aterrizagem em Yangon, lembro da Bibi falar, “para onde que você ta me levando?”. Realmente a visão é chocante, parecíamos ter entrado numa maquina do tempo. A região ao redor do aeroporto parece uma vila, e vista de cima só da para ver algumas casas de madeira, entre palmeiras e pagodas (templos budistas). O primeiro contato com o povo daqui foi ótimo. Quando vimos que os carregadores de mala e taxistas não são nem um pouco insistentes, já imaginamos que era um lugar tranquilo. Mas quando notamos que alem de tudo eram simpáticos e tentavam nos ajudar, tínhamos certeza que era um povo especial. Ainda no avião me dei conta que, com a correria dos últimos dias da Tailândia  não havia trocado dinheiro suficiente (inicialmente ficaríamos menos tempo no Myanmar). Normalmente saco nos caixas eletrônicos  mas em Myanmar não existem caixas automáticos  e os cartões de credito não são aceitos. La fomos nos para um hotel de luxo, onde fazem uma transação no exterior e fornecem dólar a uma taxa de 7.5%! Fazer o que, nossa unica opção se quisessemos ficar bastante tempo lá.  Fomos para perto do centro onde íamos ficar e o estilo da cidade foi nos conquistando. Esta e a melhor parte de não sobreplanejar uma viagem. Eu sempre leio a respeito de todos os lugares, tenho uma ideia geral dos países muito boa, mas não consigo entender quem vai ate o Google earth para saber o caminho a ser percorrido numa cidade, por exemplo. Pra mim pode servir para matar a curiosidade, mas não para planejar viagem. O efeito surpresa e importante e nesse caso foi ótimo.  Yangon e uma cidade grande, em torno de 7 milhões de habitantes, e tem um estilo próprio.  Casarões antigos e decadentes, monges andando com suas vasilhas para recolher o alimento do dia, procissão hindu. Só faltou encontrar um hotel um pouco mais rápido. Mas isto fez que nos afastássemos um pouco do centro e fracassemos num hotel legal, com pouca experiencia com estrangeiros, o que resultou num tratamento vip. Entramos numa “lua de mel” com o pais, que demoraria muitos dias.

Prédios do centro

Celulares ate existem, mas são caríssimos. O negocio e utilizar os telefones na rua!

Transporte publico

Descobri que a alguns anos Yangon não e mais a capital do pais, e sim Naypyidaw. Confesso que não tinha a menor ideia da mudança  Nossos primeiros dias la foram de caminhada pelas ruas empoeiradas, por prédios históricos, taxis Mazda estilo “pau de arara”, e uma cultura muito diferente. Espremido entre China, Tailândia,  Índia e Bangladesh, com tantas etnias próprias  e colonizados por ingleses, digamos que tiveram muitas influencias, de todos os tipos. Fomos na Swedagon Pagoda, e tivemos a sensação de que não precisamos mais ver templos dourados depois disto. E uma super estupa, com dezenas de outras ao redor, numa região alta da cidade. Lugar de muita fé  e ponto obrigatório de peregrinação dos budistas do Myanmar (que são 90% da população . Templos, estatuas, sinos e devoção  muita devoção.  Para se chegar ao topo existe uma escadaria muito grande, por um “túnel;” de madeira, com desenhos da historia de Buda. A lenda desta Pagoda não e medos interessante. Conta que dois irmãos de Myanmar estiveram em contato com Buda ainda em vida, e que este deu fios de cabelos para ele, e trouxeram para presentear o rei, que construiu a primeira pagoda aqui, e que só foi aumentando. Na ponta da estupa existem mais de 3000 sinos de ouro, 79000 diamantes alem de outras pedras preciosas, que ao anoitecer passam a brilhar e refletir. Um dos grandes negócios do Myanmar são as pedras preciosas, exportadas para o mundo todo. Passamos horas ali, e com certeza a melhor parte foi quando a noite chegou. Estávamos indo embora quando uns aprendizes de monge puxaram papo e acabamos indo jantar com eles(eles não podem comer depois do meio dia, mas tomaram chá).

Jarros com a “água benta budista” na pagoda Sule Paya

Budaworld!

Mau gosto também tem por aqui! Budas com luzes piscando…

Novos amigos

Myanmar não e um pais pequeno, e a condição das estradas faz com que viagens (de ônibus  de 300 km possam levar mais que 10 horas. Existe as alternativas de voos domésticos (que já não somos muito fans), de trens (que seria muito bacana) e uma região até de barco, mas como todos estes transportes são controlados pelo governo ditatorial, décimos “fazer na nossa parte” e boicotar, dando o dinheiro para o povo, que precisa mais. A rodoviária  bem afastada do centro e caótica  e muuito empoeirada. O primeiro destino seria Inle Lake. Os primeiros km de estrada surpreenderam, e percebemos que tinha alguma coisa estranha quando passamos por um “moderno” pedágio e logo após teve um controle de documentos/passaportes. Chegamos numa cidade com ruas largas, modernas, iluminadas ate demais. Lojas de pedras preciosas, resorts e ate campos de golf. Ate praça com chafariz! Estávamos na nova capital, construída só para o governo. Ate as embaixadas foram obrigadas a ficar em Yangon, e as casas aqui tem que seguir um tamanho e padrao pre-determinado. Nada de comercio pé de chinelo. Nada funciona sem autorização  e parceria.do governo. Muito pouco depois de cidade, inicia a realidade. A estrada fica esburacada, ate virar estrada de terra. Em um momento vira ate estrada de mão unica, sem acostamento. Como Inle Lake fica na região das montanhas, as curvas iniciam e não param mais. Chegamos de madrugada, e tava muito frio. Da parada do ônibus ainda tivemos que arranjar transporte para os próximos 13 km, ate chegar em Nyaungshwe, onde ficaríamos.

Aqui é só para comprar a passagem, ainda no centro. A rodoviária fica mais afastada, e bem mais caótica!

Ficamos numa pousada muito legal, com pessoas simpaticíssimas  Para se ter uma ideia, toda vez que chegávamos no final de tarde, batiam na porta e nos traziam uma limonada. A região e calma, rural, e muito bonita. Fizemos passeio de canoa por pequenos canais ate rustico monastério para ver o por de sol, e rodamos muito a região de bicicleta, primeiro com mapas e depois sem destino. Como estávamos perto de um grande lago, nada melhor para conhecer a região que um barco. Saímos cedo, passando por canais ate chegar ao lago propriamente dito. Grande, cercado de montanhas, com uma nevoa devido ao horário  Lugar muito bonito e de uma paz incrível.  Pescadores com suas redes e armadilhas, naquela que era só mais uma segunda-feira para eles. A região funciona como um WaterWorld. As casas são sobre palafitas, onde só se chega de barco. As plantações são em elevados no meio do lago. Voltamos a terra firme, numa vila onde acontecia o mercado do dia. Carnes, verduras, mantimentos e flores, muitas flores. Alguns vendedores de artesanatos nos fizeram lembrar que eramos estrangeiros. Rodamos km e km ao sul, passando por mais vilas suspensas  alem de jardins flutuantes, onde cultivam as flores. Alguns monastérios  sendo que em um deles as mulheres não podem se aproximar do altar principal. Existem algumas paradas que são para turista ver, como fabrica de cigarro local, tecido feito de resina de uma planta local, fabricarem barcos, etc. Algumas coisas ate são interessantes, mas e tudo montado com uma loja junta. Perdemos a ilusão de que Myanmar era perfeito, ideia que tínhamos até então. Passamos por uma loja de a artesanato das “mulheres girafas” que com certeza não estão em melhor situação que as refugiadas na Tailândia.  Voltamos cansados para o hotel, depois de um longo e produtivo dia. Inle Lake fica no estado de Shan. Shan e um povo que tem nesta região  cruza a fronteira e tem em boa parte do norte da Tailândia  Queria muito poder voltar para a Tailândia por terra, mas as áreas são controladas, e o governo marca direitinho onde os estrangeiros podem ir. Ao norte do estado de Shan, existem diversos conflitos. Shan com o exercito do governo, com guerrilhas Mon, Mon com o governo. Meio terra de ninguém.  Aparentemente conflitos étnicos  mas na verdade financiados por carteis de Opio e Heroína.

Andando de canoa

Final de tarde

Muita paz de espirito

Flores no mercado

Congestionamento para chegar em terra firme!

Mundo Aquático!!

Anos de perseguição

Vista de quem anda de bicicleta por aqui…

O aniversario da Bibi se aproximava, e ainda tínhamos que seguir outra longa estrada para Mandalay, antiga capital. Não vou nem citar o “antiga capital” novamente, pois ao redor de Mandalay fui para diversas outras “antigas capitais”. No ônibus passavam vídeo clips de bandas locais que faria qualquer “Emo” se suicidar. Nada de aparecer os cantores, só historias de amor, muitas delas com finais trágicos. Filmagens totalmente amadoras, e alguns dos passageiros cantando baixinho junto. De mais!! Ficamos indignados com um alemão que se levantou e fechou as janelas sem perguntar para os passageiros. Depois pediu para não reclinarmos tanto os bancos, pois estavam atrás de nos. Foi estranho dividir um táxi ate o hotel com eles, acabar ficando no mesmo hotel, e até tomar café da manha na mesma mesa, por falta de lugar.

De férias com a família!

A Tailândia e um pais que desperta muito exotismo para os brasileiros. Ao se falar que vai para este destino, a imaginação das pessoas vai longe. O que não se sabe, e que a Tailândia e um destino bem preparado para o turismo. Para um europeu, ir para a Tailândia, e a mesma coisa que para alguém do sul/sudeste do Brasil ir para o Nordeste. Ta bom, a diferença cultural e bem maior, mas a dificuldade de se viajar e a mesma, ou seja, nula. A Tailândia caiu no gosto dos turistas. Barata, cultura exótica, com boa culinária, belas praias alem de animais como elefantes e tigres ao seu alcance. Enquanto as outras nacionalidades já acham que a época de sudeste asiático já está passando (hoje acham que America do Sul que é o máximo), os brasileiros (com o Real forte) estão descobrindo este destino.

Nosso voo para Bangkok foi apenas de conexão, pois tínhamos que ir para Puket para encontrar minha família que chegaria no dia seguinte. Passamos algumas horas no aeroporto, e chegamos em Puket só de noite. Resolvemos pegar um ônibus para o centro, onde passaríamos a noite, para poder arrumar meu computador no dia seguinte, que ainda não estava ok. No final das contas acabamos no hotel que foi filmado “A Praia”. Hotel simples, mas bem melhor que no filme, e sem ninguém se matando no quarto ao lado. Tinha ate algumas passagens do filme escritas na parede. Dia seguinte tava na loja para ver o problema e misteriosamente o computador funcionou. A mulher da loja nem acreditou que tava estragado. Que raiva! Então fomos pegar o ônibus para praia de Kata, mas depois de uma negociação,um taxista nos levou pelo mesmo preço só porque paramos rapidamente numa loja que ele ganha vale combustível. Fiquei no hotel combinado andando de um lado para o outro esperando todos chegarem. Atrasaram um pouco, mas logo tava Mãe, Clau, Pati, Nuno e meus queridos sobrinhos Pedro e Luíza. Achei que a Luíza poderia me estranhar, pois ela só tem 1 ano e 2 meses, mas já veio no meu colo sem cerimonia. Almoço família, aquela bagunça. Que saudades que tava de todos!! Piscina de tarde, brincando com o Pedro e conversando com o Nuno. Dava aquela sensação de que não conseguia aproveitar todo mundo. Mas tudo bem, teria tempo. Depois do jantar ainda esperamos a Gi chegar de Londres, e acompanhamos ela p/ jantar e tomarmos uma cerveja. Ficamos sabendo de todas as novidades em primeira mão.
Pegamos um barco para Ko Phi Phi (Don), que tava bem lotado. Eu a Gi e o Pedro ficamos no deck superior jogando baralho. O Pedrinho tava se sentindo meio isolado pois era o único de uma multidão que não tinha tatuagem, então desenhamos varias tatoos nele. Muito divertido.

Pedro tatuado!!

Chegamos na ilha e procura a bagagem numa pilha de mochilas, pega um barco menor e vai ate o hotel, que fica no canto da praia. Chales no morro, com uma vista espetacular. Água azul e aquelas pedras saindo direto do mar. Ko Phi Phi Leh bem ali na frente. Hotel muito legal, com uma praia praticamente particular.
Resolvemos ir para Phi Phi não no melhor dia, mas a ansiedade de todos acho que era grande. A praia tava lotada, com todos os tipos e tamanhos de barcos. Achamos um cantinho para mergulharmos e logo estavam todos na água. Só nos revesávamos para alguém ficar com a Luíza no barco. No mesmo passeio fomos em outras enseadas, praias ao redor de Phi Phi. Muito bonito e o snorkling tava ótimo.

Olha a cor da água

A noite de ano novo iniciou cedo, com uma ceia oferecida pelo hotel. Boa comida, danças tipicas e demonstrações que iam de malabares com fogo ate Muay Thai antigo. Logo dezenas de baloes estavam subindo, e muitos outros sendo distribuídos. Fogos de artificio e isto que não era nem meia noite. Teve luta do pessoal do hotel num “pau de sebo” em cima da piscina no inicio da noite, e dos bêbados no final da noite. Digamos que a Gi e a Bibi puxaram esta turma…

Balões

Família reunida! Só faltou a Luíza, que tava tirando a foto…

Final de noite!

A celebração foi diferente mas tava muito legal. Ponto alto para o Pedrinho fazendo malabares com uns mini sinalizadores e pulando o circulo de fogo escondido da Pati.
Praia, praia, praia e um dia fomos fazer mergulho de cilindro. A Bibi se empolgou e foi fazer o batismo. Fiquei todo orgulhoso. Fomos ate Phi Phi. O mergulho foi bom, mas não espetacular. Espetacular foi ta eu, Bibi, Gi, Clau, Nuno e Pati de baixo d’água!!! Um momento memorável!!! Todos de mãos dadas levantadas em baixo d’água. A Gi e Nuno repetiram a dose no outro dia, mas como eu e a Bibi temos mais oportunidades deixamos passar e fomos fazer outro passeio de barco para ilhas e praias.

Não e uma cena do “Tomb Raider”, é a Bianca S. Soprana Canever!!

Pra ficar na memoria!

Comemos muito bem e nos divertimos, mas o tempo passou voando e logo estávamos num barco de volta a Puket, para pegar voo para Bangkok e fazer uma conexão para Chiang Mai. Teve atraso e por pouco não perdemos o voo. Na hora de passar a bagagem teve ainda problema com a mochila de mão da Bibi, que continha sinalizadores do ano novo, que ela nem lembrava.
Chiang Mai eu conhecia bem. Foi meu primeiro contato com a Tailândia em 2004. Sabia que seria diferente daquela vez, nem tinha como ser igual. Como um amigo meu expressou bem, eram “ propostas” de viagem diferentes. Aquela época o aeroporto ainda não tinha sido reformado, e fui direto para a parte rural da cidade, onde passei um período treinando Muay Thai de 7 a 8 horas por dia. Acordando antes do sol nascer, correndo pelas montanhas passando por monges, e me alimentando por menos de 30 centavos de dólar por refeição. Quando me mudei para a cidade, fiquei na parte velha, bem central. Desta vez ficamos um pouco mais afastados. Um hotel tranquilo, e que tinha transfer para o centro. Primeiro dia que fomos para Tha Pa Gate, no coração da cidade, fui conferir se a pousada que fiquei ainda estava la. E tava, com o mesmo ambiente, musica, jardim. Deu um saudosismo. Andamos de Tuk-Tuck, primeira introdução verdadeira de Asia para Mãe/Clau/Gi. Eles adoraram. Assim como eu lembrava, os templos são o máximo. O Pedrinho se sentava de pernas cruzadas em posição de meditação sem ninguém falar nada para ele. Um monge ate mostrou para ele como que era. A Bibi teve uma aula de meditação, e quando o monge não conseguia explicar em inglês, ligava para alguém e passava o celular para ela.

Templos

Pedro meditando. Foto – http://www.coisasdemae.wordpress.com

Seguimos o circuito turístico e fomos ver o show de elefantes que pintam e jogam bola, antes de passearmos em cima deles. O Pedro se deliciava e dava cana e bananas na tromba dos elefantes. Nos venderam a ideia de que estes elefantes eram usados na guerra e para arrastar toras, mas que hoje eram bem mais cuidados. Acreditamos, mas depois do passeio vimos eles acorrentados e deu aquele peso na consciência. Sera que estávamos fazendo a coisa certa?

Pintura

Passamos pelo Tiger Kindom, um zoológico cheio de tigres, de diversos tamanhos. Você chega e escolhe num “ cardápio” com qual você quer ficar e por quanto tempo. Eu fiquei vendo de camarote a cara da Bibi com o tigrão e depois levando choque na cerca elétrica!!

Pena não ter foto da hora da cerca elétrica também…haha

Fomos também numa “cooperativa agrícola” onde existem representantes de algumas minorias étnicas, dentre elas as “Mulheres Girafas”. Representantes da tribo Karen, são originários do Myanmar, hoje refugiados na Tailândia. Mais ao norte da Tailândia, em Mae Hong Son, existe um maior numero, talvez podendo ser chamado de “tribo”. Aqui são bem poucos representantes, a fácil acesso, para matar a curiosidade dos estrangeiros. A cooperativa e impecável, cercas bem feitas, caminhos bonitos, tudo arrumado, limpo. Se paga uma entrada e claro que existem diversos artesanatos expostos para a venda. Há quem fale que parece um zoológico de humanos, mas acho que e uma boa forma de ajudar os refugiados.

Diferenças culturais

Parte das noites foram no Night Bazar, com as centenas de camelos e lojas, alem da boa e barata comida da praça de alimentação. Em uma noite que estávamos num outro restaurante, fomos surpreendidos por um elefante no portão. O dono estava vendendo bananas para quem quisesse tirar fotos, mas não deixa de ser um elefante no meio de uma das maiores cidades do pais! Durante o dia também vimos um elefante no meio da rua, mas não entendemos o que ele estava fazendo la.
Deixamos para o ultimo dia a visita ao Doi Suthep, templo em cima de uma montanha. O tempo tava ruim, garoando, e foi muito estranho. A cinco anos atras, visitei este bonito templo como rotina dos meus 10-12 km de corrida matinal. Te digo que a montanha não e pequena, e la em cima tava tudo calmo, magico mesmo. Eu tava numa paz de espirito inigualável, muito feliz. O templo continua bonito, mas tava cheio, mas bota cheio de gente. Nada de paz de espirito. Pegamos ate um elevador/teleférico para chegar ao topo, que eu nem sei se existia aquela época ou se não tinha visto. Há um tempo, dei dicas de viagem para um amigo meu que veio para a Tailandia, e ele me alertou na volta que o lugar estava muito comercial, com maquinas de cartão de credito para receber doação, ou vender “santinho”. Confesso que estava curioso para saber se estava mesmo da forma que ele falou ou se ele estava exagerando. O pior e que as maquinas estavam la…
Como na minha outra viagem eu tinha ido para Ayuthaya, ruinas da antiga capital, desta vez queria ir para Sukothai, ruínas de outra capital do reino do Siam. Todos concordaram mas tínhamos que acertar a questão logística, pois não tinham muito tempo. Primeiro pensamos em ir de trem, mas pararia em Phitsanulok que ainda esta a certa distancia de Sukotai. Acabamos alugando uma super van, onde coube todo mundo alem da bagagem, que não e pequena. Paramos no parque de Sukotai (faz parte da Unesco) bem na frente de um bicicletário gigante. Estava se desenhando o segundo momento memorável destas férias com a família. Alugamos bicicletas e saímos pedalando para conhecer a região. Templos, Budas, ruínas, alguns deles com lagos cheio de flor de lótus refletindo a imagem. O Pedro tinha sua própria bicicleta, e a Luíza ia numa cadeirinha, segurando no guidão da bicicleta do Nuno. Todo mundo junto, naquele lugar fantástico, realmente inesquecível!!

Sukothai

Momento eterno!

Que lugar!

A Mãe e o Clau pararam depois do primeiro circuito, mas as “crianças” ainda deram uma segunda volta por sítios um pouco mais distantes. De noite um hotel super bacana para um merecido descanso. Dia seguinte la estávamos nos na estrada, sentido Bangkok. Apesar de ser longa, passou rápido, pois a estrada era boa e ficamos assistindo um filme. Passamos por cidades fora do circuito turístico, que mesmo sendo grandes, não tinham nem um letreiro ou placa no nosso alfabeto. Lembro que da outra vez que vim para ca, carregava um papel com as cordeadas e nomes dos lugares em tailandês, para me informarem para onde ir e qual ônibus pegar. Muito divertido.
Já nos primeiros dias de Bangkok tivemos que nos despedir da Gi, que teve que voltar para seu novo emprego em Londres. Logo vimos que não teríamos como fazer todas as coisas juntos. Eu e a Bibi tínhamos que visitar a embaixada para encaminhar nosso visto para o Myanmar, alem de arrumar o computador (sim, desta vez deu certo!).
Fomos na Kao San Road (rua dos mochileiros), que esta crescendo cada vez mais. Os baratos hotéis já são poucos, e também não existem mais muitos restaurantes com telões exibindo os últimos lançamentos de hollywood pirateados. Novos prédios, e restaurantes mais ajeitados estao surgindo. Mas não adianta, KSR já e referencia. As ruas ao redor tomaram o lugar e oferecem pulguentas opcoes bem baratinhas. Dezenas de agencias de turismo fazem com que ninguém precise pensar para viajar. A KSR é pop art, e dita moda. Suas dezenas de camelos mostram as tendencias da temporada. Quem quer ficar de fora do modismo, só resta ficar em Chinatown. Pegamos um tuk-tuk em 5 mais o Pedro e a Luíza. Viramos atracão turística, todo mundo olhando e tirando foto. Tava muito engraçado!!
Fomos separados no Grand Palace, mas todos gostamos muito. Nosso hotel era muito legal, e com uma piscina no terraço com vista para a cidade. Andamos bastante de Sky trem, alem de pegar barco pelo rio, e claro. Fomos no mercado Chatuchak, e andamos pelas ruas.
Numa das noites eu fiquei cuidando das crianças para que todos pudessem ir no Ping Pong Show. Eu incentivei bastante, pois tinha achado muito legal da outra vez que vi. E um puteiro… , não não e um puteiro, e uma casa de espetáculos, onde as Sras artistas (primas) fazem diversos shows. Dentre os mais impressionantes estão estourar baloes com uma zarabatana, arremessar bananas, cortar bananas, fumar charuto, tirar longas cordas com giletes de dentro delas, apagar velas, e e claro, arremessar bolas de ping pong em um copo. Não, elas não fazem tudo isto com a boca. Bem, eles foram caminhando pois a região não ficava longe do hotel. Fugindo de um strip comum, e buscando o show pin-pong, acabaram entrando num lugar super decadente. Tinha um show mal feito por mulheres mais decadentes ainda. Tinham poucos turistas e perceberam que ocorria problemas com todo mundo na hora da saída. A Bibi pode contar melhor porque tava la, só sei que eles foram os últimos a sair, trancaram todos la, tentando extorquir dinheiro. Tentaram acertar o Clau, o Nuno quase brigou, maior baixaria. A Bibi deve contar mais detalhes, mas não deve ter sido fácil. No hotel todos riam da porta fechada com mulheres nuas trancando a saída, mas deve ter sido um desespero. Ainda mais sem saber o que elas podiam tirar de dentro delas…hahaha

Pedro pronto para a luta!

Grand Palace

Luíza no restaurante japonês

Piscina do hotel, com vista para BKK

Os jantares de despedida foram no Blue Elephant. Primeiro com a Pati e Nuno, quando não sabíamos do padrão do restaurante e eu e o Nuno fomos de bermuda. Tiveram que nos emprestar calcas na recepção para poder entrar, alem de fazerem cara feia mas depois liberar de eu entrar de chinelo. Restaurante muito bom, até por isto repetimos a dose com a Mãe e Clau. Ri por dentro quando a salada orgânica veio cheio de formigas e tiveram que trazer outro prato e se desculpar. Restaurante chinelo…haha (brincadeira)
Na terça a noite fomos ver lutas de muay thai no Lumpini. O Lumpinee esta para o Muay thai assim como o Maracanã esta para o futebol. Existem outros ginásios mais modernos, com arcondicionado, cadeiras e tal, mas não tem o mesmo prestigio. As lutas de terça tendem a ser as melhores “casadas”, e realmente estavam boas. A Mãe e Pati ficaram com a Luíza no night bazar ao lado e o resto da tropa foi comigo. Não muito depois de eu falar que não aconteciam muitos nocautes, um tailandês acerta um chute na cabeça do outro e completa com uma cotovelada “apagando” o lutador, que sai de maca. No geral todos gostaram, principalmente por causa dos rituais, musica, vendo que não e uma violência gratuita. Acharam muito legal a empolgação dos apostadores, que gritavam muito no calor das lutas. Para quem não sabe, parece uma bolsa de valores. Bati papo com um cara que quando soube que eu era brasileiro logo falou do Leo (Amendoim) e do Cosmo Alexandre. O Amendoim e um lutador de São Paulo que saiu ainda relativamente desconhecido do Brasil, mas esta fazendo uma carreira bem bacana na Tailândia. Já o Cosmo (também de SP) já e uma realidade. Ultimo aniversario do rei, ele nocauteou 3 tailandeses na mesma noite, todos de forma muito contundente. Me fez lembrar que eu era córner do Luiz Sorriso quando ele nocauteou o Cosmo num campeonato em Curitiba. Coisas do destino, mas hoje o Cosmo faz parte do “time” dos meus amigos Mauricio Veio e Andre Dida.
Depois das lutas não sei quem tava mais empolgado na loja da Twins, se era eu ou o Pedro. O Pedrinho com seus 6 anos já tem calção, luva, kruang, camiseta, e treinou toda noite comigo. Na verdade me encheu de porrada porque eu não podia acertar ele…haha

No “templo” do Muay Thai

Sempre fui próximo do Pedro, principalmente nos domingos na chácara ou quando eu levava ele para os jogos do coxa, além das férias. Desta vez foi mais ainda, até porque depois que a Gi viajou, ele passou a ficar no quarto comigo e a Bibi. Me fez lembrar de como eu era próximo dos meus tios maternos Nicolau e Laertes. Eles me levavam ainda pequeno para fazer “aventuras”, que eram subir montanhas, explorar cavernas, nadar em cachoeiras. Dormíamos na “casa do morro” em Caiobá, que já virou estacionamento de prédio a mais de 25 anos. Saudades desta época!!!

Separacao

Pois e, foi bastante tempo juntos, dividindo o mesmo espaco, mas eu e a Bibi decidimos que era melhor cada um ficar na sua. Foi uma ideia que amadureceu com o tempo, e iniciamos 2010 separados!!!

Claro que estou falando do Blog!!haha

O TambemSai iniciou como uma pagina, sem muitas pretensoes. Sabemos que era bem melhor juntos, lado masculino/feminino, a visao e percepcao de cada um, mas a mudanca foi meramente tecnica. A pagina nao suportava mais textos nem fotos.

Agora terao que entrar em dois enderecos. Ja coloquei o link do blog dela no Saiporai para facilitar a vida de todos. Da mesma forma existe o link do Saiporai no blog da Bibi, TambemSai.

Divirtam-se!!!

 www.tambemsai.wordpress.com

 Sei que estou atrasado com os Posts, mas logo atualizo colocando tudo que aconteceu no Vietna. Ou pensaram que so voces teriam ferias?!?

Good morning Vietna

A reunificação do Vietnã aconteceu ha 35 anos atras, mas o norte e o sul do pais continuam bastante distintos. As diferenças vem desde a temperatura, que e bem mais baixa no norte, passa pela estrutura das cidades e se consolida na diferença do povo. No sul as pessoas são mais workaholics, enquanto no norte pode-se encontrar a cultura vietnamita mais facilmente. Em Hanoi ainda se encontra vestígios do “socialismo”. Conversei com varias pessoas e questionei se não tinham a intenção de mudar o sistema, transitar para uma democracia. Me falaram que o Socialismo era só um nome para um governo autoritário, que tinha suas próprias regras. Me apontaram fatos e dados para mostrar que estava muito bem assim. Democracia? No futuro, eles falavam. Antes o país tem que transitar de agrícola para industrial, alem de ampliar a infraestrutura. Uma pessoa me falou que o povo vietnamita é muito paciente, pois é descendente de pescadores (que esperam o peixe morder a isca) e agricultores (que esperam a semente germinar e o produto crescer).

HCM

Propaganda!

“garota comunista diz que eu sou capitalista mas eu gosto muito dela…”

Chegamos em Hanoi bem cedo, e e claro que o pessoal do ônibus já nos levou direto num hotel deles. Como a região do Old Quarter e onde tudo acontece, foi fácil de achar um lugar para ficar. A Bibi ficou descansando e eu fui levar o computador para arrumar, sem me dar conta que era domingo!! Bem, valeu o passeio, e já me localizei na região. Como estamos bem para o norte, estava bem frio. Busquei a Bibi e saímos para rodar a cidade, visitar templos, ver a catedral com decoração de natal. A cidade e muito bacana, com casarões antigos (mas descendentes), ruas arborizadas. A unica semelhança com HCMC são as milhares de motocicletas, se não poderia ser outro país.

Hanoi

Perto de Hanoi, no litoral, fica a principal atração do Vietnã, Halong Bay. Iamos conhecer o lugar, passar uma noite la e voltar, mas acabamos ficando 2 noites. São dezenas de barcos, de diferentes níveis que saem sentido a Halong Bay. Os horários de refeição são estrategicamente marcados, parece cronometrado. Terminamos o almoço estávamos chegando nas cavernas (dentro daquelas pedras), primeira parada não muito longe da costa. Muito grandes, impressionantes, e devidamente preparadas para receber milhares de pessoas, com suas passarelas e luzes coloridas. Infelizmente em vez de explicarem a historia do lugar, ou da formação geológica, ficavam mostrando o que as estalactites pareciam. Era olha um coelho, uma águia, blablabla. Parecia que estávamos olhando para nuvens e imaginando coisas. O mesmo aconteceu quando fomos visitar as cavernas de Ubajara no Ceara.
A partir dali passamos a navegar entre as pedras, que formavam as baías. Que lugar impressionante!!! Fácil de entender porque e a atração numero um do país. Sentei numa parte do deck do barco e fiquei um tempo só curtindo a paisagem. Um dos lugares mais bonitos do mundo, com certeza. São mais de 3000 ilhas com aquelas pedras saindo direto do mar. Pena que o tempo não ajudou, pois estava nublado. Paramos numa das baías e ainda deu tempo de dar uma volta de caiaque, apesar do frio. Existem casas flutuantes e fomos dar uma olhada como estas pessoas vivem. Após o jantar iniciaram um karaoke. Não nos enturmamos muito com o pessoal, e passamos mais tempo com umas Sras alemãs divertidas que com os mais jovens. Nossa cabine era ajeitada e pequena, mas o banheiro tinha ate água quente.

Halong Bay

Produto nacional!

No outro dia fomos para Cat Island, a unica ilha habitada. Subimos uma montanha em um parque nacional antes de ir para o hotel. Muita gente foi para a Monkey Island, mas achamos que era roubada e preferimos alugar uma moto para rodar a região.  Andamos por diversas estradinhas, mas o ponto alto foi quando pegamos uma que contornava uma parte da ilha. A cidadezinha surpreendentemente e “grande” e achamos ate um Café para reaquecermos depois de tanto vento gelado. Final da tarde fiquei jogando peteca com os pés (tipo embaixadinha) junto com um pessoal que tava na frente do hotel. Nos enturmamos com algumas das pessoas e o bate papo depois do jantar foi longe. A volta para o continente foi por outro trajeto, passando por mais ilhas, tao impressionantes quanto as da ida. Algumas horas de ônibus e estávamos de volta a Hanoi. Desta vez não ficamos por ali. Andamos um pouco para conhecer mais o lugar e fazer hora, pois a noite pegávamos um trem para Lao Cai.
Chegamos na estação ferroviária com certa antecedência, e logo conhecemos nossos companheiros de cabine. Jimi e Marta, são um casal espanhol, desculpem Bascos, Ele de San Sebastien e ela de Pamplona. Cinco minutos depois estávamos tomando uma cerveja e dando risada juntos. Eu fui dormir logo que o trem saiu, mas a Bibi ficou junto com eles ate tarde. Chegamos em Lao Cai antes do sol nascer, e todos juntos fomos para Sapa.
Sapa e uma cidadezinha nas montanhas. Tem um super estilo, com restaurantes, cafés e ruazinhas estreitas. Ao redor vivem diversas minorias étnicas do Vietnã. Representantes destas minorias estão aos bandos, com suas roupas coloridas,  para vender artesanato ou para se abastecer de mantimento nos mercados. Não gosto de comparações, mas vendo estes povos, não teve como não lembrar dos nossos queridos países vizinhos, Peru e Bolívia.

Sapa!!

Diferentes etnias

Ficamos em hotéis separados, mas sempre dávamos um jeito de nos encontrar com nossos amigos Bascos. Passamos ate a noite de natal juntos. Tínhamos combinado, acabamos nos desencontrando e depois nos achamos por acaso. Jantamos num restaurante muito gostoso, com direito a vinho e lareira para escapar do frio que fazia a noite. Natal longe de casa sempre da aquela saudades, mas por acaso acabamos passando num lugar super simpático.
O natal e celebrado por aqui, e tinha ate presépio na igreja. Crianças com seus trajes típicos faziam apresentações no patio da paroquia. Um pouco bizarro, mas grande parte destas minorias étnicas foram convertidas ao cristianismo, devido ao grande numero de missionários que atuou na região.
Durante os dias andamos muito pelas ruazinhas, praça, lago. Conversamos bastante e curtimos o lugar. Teve dia que alugamos moto e fomos aproveitar o visual de montanha, alem de ir ate algumas das vilas da região.

Pelas montanhas

Plantacoes

Algumas delas se paga até entrada, o que faz parte do “socialismo Vietnamita”. Por sorte acabamos indo numa vila mais rural, e não no centrinho. Encontramos uma senhora muito simpática que se ofereceu para mostrar a região para nos, se comprássemos algum artesanato depois. Como estávamos com fome fizemos a contra proposta dela cozinhar para a gente. Acabamos tendo um banquete, acho que foi a vez que mais comemos em toda a viagem. Tinha um porco defumando em cima do fogão a lenha, alem de noodles, arroz, ovos, verduras… Ficamos batendo papo e cada vez aparecia mais gente. Depois de tanta comilança ainda tomamos um chá para digerir melhor, antes de ir embora. A casa era simples, um quarto e sala cozinha com chão batido. As paredes eram feitas de tabuas com frestas enormes. Um poster do Ho Chi Min enfeitava uma das paredes. Pegamos o contato dela e prometemos recomendar a todos nossos amigos que forem a Sapa. Passamos pelo centrinho da vila, mas depois da super experiencia cultural que tínhamos tido não era a mesma coisa.

O “rango” sendo preparado

Cha digestivo

Em Sapa e difícil de saber se existem mais artesanatos a venda ou jaquetas falsificadas (lideradas pela North Face). Juram que são originais, que as fabricas são aqui e que os preços são mais baratos porque não tem impostos.
No trem de volta para Hanoi tinha somente um Vietnamita na nossa cabine. Oficial do exercito, foi abandonado pela mulher, e criava o filho sozinho. Comprou duas garrafas de vinho e fez questão que tomássemos com ele. Tomamos e tentamos nos comunicar, mas nem sempre funcionava. Depois de um tempo nos já estávamos ate falando vietnamita…haha Pelo menos assim conseguimos dormir sem problemas.

Chegando em Hanoi

De volta a Hanoi fomos para algumas regiões que ainda não tínhamos ido ainda. Andamos um monte ate chegar no Mausóleo do HCM. O coitado queria ser cremado e construíram um prédio horrível para ele!! Lojas, museu, muita caminhada e novamente estávamos no hotel arrumando as coisas, pois dia seguinte cedo iríamos para a Tailândia.

Maosoleu do HCM