Road Trip 2? Não, Off Road!!

Inicialmente eu e o Grahan iríamos comprar um carro velho e vender na Zâmbia ou quem sabe na Tanzânia  Por causa da burocracia nas fronteiras, desistimos da idéia. Um pouco depois conheci o Piter, um sul-africano que ia via jar com sua namorada por alguns países e buscava cia para dividir custos. Perfeito!! Era o que precisávamos para viajar pela Namíbia e Botsuana, onde não existe muito transporte público nas áreas de maior interesse. O Tomas que vinha viajando com agente desde Coffee Bai iria junto. Encontramos o Piter em  Joburg e fomos direto para Klerksdorp, cidade pouco jurística, mas que pudemos observar o way of life dos Africaners. Esperamos 2 dias até a Land Rover ano 71 sair da oficina, e enquanto isto compramos os mantimentos. Tudo pronto, e no dia que iriamos sair, o carro não funcionou. Não seria fácil.

Antes de Sair

Antes de Sair

Road Trip

Minha idéia inicial era de sair de CT e seguir pela Garden Route, até uma praia bacana, e ficar largado até a hora de ir para a Namíbia  Não tinha muito tempo, pois minha carona sairia logo. O Grahan insistiu para alugarmos um carro e eu acabei cedendo. Conseguimos um bom negocio, e para aproveitar decidimos rodar bastante.

Rodamos mais de 2500 km.

Lugares Preferidos:

Nature Valleys, Garden Route.

Como o nome já diz, um vale, parque nacional, na beira da praia, com direito a cachoeiras, lagos, rios. Trilhas bacanas, braia bonita, e um Backpacker rústico, bonito, com um ótimo astral e uma vista inacreditável. Muito bom para quem quer tranquilidade. Bastante gente natureba, batendo papo em volta da fogueira.

Cafe na Varanda

Cafe na Varanda

Cintsa, Wild Cost.

Lugarzinho de frente para a praia, somente com uma lagoa na frente. Lembra a vista da casa do Liberato no Rosa. Pena que estava ventando de mais. Ao lado tem um balneário com umas casas mais estruturadas. Tem que seguir por uma pequena estrada de terra, o que não foi muito comum nesta viagem. Chegamos a noite e nos perdemos um pouco. Lugar para passar um bom tempo, curtir uma temporada.

Vista do Quarto

Vista do Quarto

Coffee Bai, Wild Cost.

Este é meu cantinho. No meio de montanhas, meio isolado, junto a uma comunidade Xhosa. Praias lindas, rios que desembocam no mar, ondas, montanhas, cliffs. Dizem que fica cheio de gente, mas tava super tranquilo. Lugar bem rústico, até com poucas opçães para comer. Mas pela manhã já se pode separar uma dúzia de ostras para comer ao forno depois…

Caminhadas pela comunidade, ou até o “buraco na parede”, que é muito bonita. Infelizmente o contato do turismo com a pobreza faz com que qualquer criança de 1 ano já saiba estender a mão para pedir esmola.

Coffe Bai!!!

Coffe Bai!!!

Inthewall

Sani Pass, Drakensberg

Nas montanhas, divisa com o Poderoso reino do Lesoto. A vista é totalmente diferente do que estávamos acostumados. Outono de verdade, com folhas mudando de cor, frio. Muito astral. No Backpacker que ficamos, tinha uma vaca, que qualquer um podia ordenhar. Free Milk! hehe

Não me deixaram entrar no lesoto sem visto, que custaria caro e não era emitido na hora, nem na fronteira. Para um dia de hiking nao valeria a pena. No início fiquei meio puto, mas quando soube que não deixaram filmar “O Senhor dos Aneis” lá, vi que não era pessoal… Acabei fazendo treking por ali mesmo, 5 horas de caminhada e quase fui picado por uma cobra, por muito pouco.

Outono em Sani Pass

Outono em Sani Pass

Dberg

Rodamos muito, mas muito mesmo. Perecia meus cunhados João e o Marco indo para a Patagonia. Para passar o tempo mais rápido, pegávamos caroneiros das comunidades locais. Muito divertido, ficávamos tentando aprender a falar Xhosa, e rimos muito.

Em Coffe Bai um outro Brasileiro passou a viajar com agente. O Grahan conheceu ele no festival de Jazz de Cape Town.

Depois de Sani Pass, e de uma esticada de 600 km, chegamos a Jburg, já depois da meia noite. No radio começou a tocar: para pa pa pa pa… funk do tropa de elite, mixado, no estilo do popero dos townships. Nos divertimos…haha Tivemos ainda que achar a casa onde nos ofereciam sofá, e não foi fácil…

Pra variar, outro sul-africano apaixonado pelo Brasil.

Cape Town

Difícil saber por onde começar. Cape town é linda, uma cidade cosmopolita, cheia de lojas e cafés boutique, moderna sem perder o charme de estar na África.  Ao lado de lojas descoladas estão mercados de rua fascinantemente.  O novo e o cultural misturados. O povo parece tentar superar as dificuldades do Apartheid, e é super comunicativo.

Long St. at night

Long St. at night

Como nao existe muito transporte coletivo, andei muito estes dias. Ganhei até umas bolhas como companheiras de viagem. Table Mountain está para a Cidade do Cabo assim como o Pão de Açúcar está para o Rio, apesar de não ter encontrado nenhuma outra semelhança entre as duas cidades, ao contrário do que dizem as revistas de turismo. Subi de teleférico e desci pela trilha. Show de bola a caminhada, com um visual incrível da cidade. O centro, a cidade, cheia de vida, é uma atração a parte.

Vista da Table Mountain

Vista da Table Mountain

Acabei saindo do “Backpacker” que eu estava – assim como na Austrália e NZ, aqui chamam os albergues de Backpakers – e tive minha primeira experiencia Couch surfing. Oficial é claro, pois já fiquei em muitos sofás por aí. A Pravania e o Kapil moram num apartamento bacana no subúrbio  e tinham 3 sofás para eu escolher. Muito bom ter o ponto de vista de alguém que mora na cidade, pois basicamente estava em contato com outros viajantes.

Flamenguista na Africa do sul? So o que me faltava!!! Couchsurfing

Flamenguista na Africa do sul? Só o que me faltava!!! Couchsurfing

Fui para o Cabo da boa Esperança de trem. Tive uma certa dificuldade para chegar até lá de Simons Town, mas nada que não pudesse ser superado com espirito de aventura e criatividade. O lugar e muito bonito, alias toda a natureza aqui impressiona, mesmo vindo do Brasil. Pena que o tempo não estava muito bom. A linha de trem passa a 3 metros da areia, e o senário e fabuloso. Não consegui sair da janela do trem. Na volta fui parando em algumas pequenas cidades, prensadas entre a montanha e a praia. Em Kalk Bay acabei descobrindo um restaurante, Olympia Cafe, que estava muito movimentado, e me chamou atenção. Almocei lá e estava simplesmente alucinante. Recomendo para todos que forem para CT. O cardápio muda diariamente, e o ambiente e muito bacana. Andei ate Muzimberg, acompanhando as placas de aviso de perico de tubarão para o surf…

Em um outro dia fui para um township, que era o único lugar que os negros podiam morar na época do Aparthaid. Nos guias falam que vc tem que ir com um guia, ou com um negro que conheça o local. Acabei indo junto com um canadense que conheci no Couchsurfing e um Inglês, que mora aqui. Fomos de lotação, socados numa van que saia de uma estação de trem. Muitas pessoas brincavam com a gente, mas todos muito amigáveis nos deram as direções. Existe este lugar chamado Mazolis, que e um açougue, onde escolhemos nossas carnes, levamos por um corredor ate churrasqueiras, e ficamos no puxadinho ao lado tomando uma cerva, ate vir a carne pronta numa bacia. Como e época de eleição presidencial, o lugar estava bombando, com musica e tal. Tinham outros estrangeiros, que foram indo embora com o entardecer. Nos ficamos ate o final da festa, com vários amigos novo e telefones e e-mails trocados. Andamos ali por perto, e não vou negar que recebemos olhares estranhos as vezes, mas estes mudava apenas com um sorriso.

Mzoli's

Mzoli’s

Cada dia tem sido mais intenso, mais cheio de coisa, que fica difícil escolher o que contar.

Crise? Eleição? Não, Futebol!

Estes dias tava comendo um Fish Roll, baguete com verduras e peixe, enrolado ” to Go” quando puxei papo com um cara ao lado. Tentei falar da crise, das eleições que estavam por vir, mas o papo não fluía. Quando ele soube que eu era brasileiro, passei até vergonha, pq queria discutir a escalação do Brasil, se o Ronaldinho Gaúcho era melhor que o Kaka e daí pra frente. Mesmo querendo entender mais a eleição da Africa do Sul, passei a utilizar o futebol como assunto e funcionou!!!

Todo mundo aqui torce pra um time da Inglaterra. Coisa de colonizado! Assim como muitos em Curitiba nao torcem para a dupla Atletiba para torcer para times de SP. Povinho…

A seleção vai ter um apoio muito grande aqui, pq é o time de muitos, depois da Africa do Sul e o Brasil.

O assunto e futebol!

O assunto é futebol!

A Chegada

O Voo de SP para Joanesburgo atrasou 30 minutos, então eu teria somente 40 para passar na imigração, despachar a bagagem e embarcar para Cape Town.  Após me darem carimbo para 90 dias, o oficial da alfândega me parou e tive que abrir a mochila. Depois de me perguntar se estava empregado, e se estava a passeio ou trabalho, ele queria saber quanto tempo eu ficaria na Africa do Sul. Respondi que uns 20 dias, e ele me olhou assustado e disse: ” mas não e pouca roupa?”. Eu respondi que quando sujava eu lavava… (Elementar meu caro Watson)

Mais atrasado ainda, sai eu correndo para embarcar. Furei fila num guichê last minute e inacreditavelmente consegui pegar o voo, coisa que muitos não conseguiram, inclusive minha bagagem. Cheguei em CT no final da manha, e esperei mais 2 horas para ver se minha mochila vinha no vôo seguinte, mas não veio. Fiz a ocorrência e segui para Long St, que é a região mochileira, assim como Karsanroad em Bangkok e Thamel em Katmandu. Região com hospedagem, comida, cerveja (e) baratas.

Já com lugar para dormir, liguei para a SAA para ter notícias, mas nem sinal da mochila. Aproveitei para deixar o endereço e o fone da onde eu estava, pois se achassem não me encontrariam.

Com Jet Lag  de 5 horas, bagagem perdida, e o empenho de ter que ficar ligando para a SAA, não pude aproveitar muito o dia.

Lição numero 1: Desapego

Quem me conhece sabe que não sou muito apegado a coisas materiais, mas com minha mochila tinha um apego sentimental. Preferia ela velha que uma novinha. Sorte que sempre levo uma cueca extra na bagagem de mão, assim como escova de dente e desodorante.

No jantar, depois de ter dado uma cochilada, já estava recuperado, jurando que não precisava de 50% do que estava na mochila.