Filmes na África

Tenho citado alguns filmes nos posts. Resolvi então fazer uma lista com filmes e a referencia dos países onde se passa a historia. Seria legal se participassem, falando qual filme que viram, o que acharam. Caso lembrem de algum que não esta aqui, passem o nome por favor.

  • Os Deuses devem estar loucos – Botsuana (a referencia ao que não precisamos,representada pela garrafa de coca cola, mas passa a ser essencial em nossas vidas e excelente!)
  • Out of Africa – Quênia (Historia real, fomos na casa onde hoje é um museu)
  • O Jardineiro fiel – Quênia (Bom filme)
  • Hotel Ruanda – Ruanda ( Retrata bem a triste historia)
  • Diamantes de Sangue – Serra Leoa ( Utilizei muito o “TIA” -This is Africa- na viagem)
  • Gorilas das montanhas – Ruanda
  • Tsosi – Africa do Sul ( ganhou Oscar, bom hip hop)
  • Pátria proibida – Sudão
  • Mr Bones – Africa do sul ( Comedia, mas vale a pena para quem foi ou vai para a Africa)
  • O ultimo rei da Escócia – Uganda (ganhou Oscar, fala sobre o Idn Amin)
  • Duma-(historia de um menino q adotou um guepardo,paisagens lindas… – Clau)
  • A Sombra e a Escuridão –  Quênia (Val Kilmer e Michael Douglas participam da construção de uma estrada de ferro que passa pelo Rio Tsavo no Quênia e os trabalhadores são apavorados por 2 leoes que matam os trabalhadores….fatos reais.- Viezi)
  • Lagrimas do Sol- Nigéria (Bruce Willis é enviado para resgatar uma medica missionaria na Nigéria.- Viezi)
  • Rei Leão – Quênia –
  • Madagascar- Madagascar –
  • Masai Branca – Quênia (alemã que visita o Quênia e se apaixona por um guerreiro Masai)
  • Minha terra, Africa – (francesa que se recusa abandonar sua plantação de cafe apesar da guerra civil)
  • Sheena, a rainha da selva – Quênia
  • Lugar nenhum na Africa – Quênia
  • Africa dos meus sonhos – Quênia
  • Cheetah- Quênia
  • Em um mundo melhor – Quênia
  • Viagem ao grande deserto – Namíbia
  • Prey – Africa do Sul
  • Darwin’s Nightmare – Tanzânia (Sensacionalista, recebeu muitas criticas)
  • Amor sem fronteiras
  • Mandela, A luta pela liberdade – África do Sul
  • Invictus – África do Sul
  • O Senhor das Armas
  • Um Grito de Liberdade – África do Sul
  • O bater do Tambor – África do Sul
  •  Reporteres de Guerra – África do Sul – baseado em fatos reais sobre o the bang bang club- fotografos que cobriram os conflitos na africa durante o apartheid ( André A)
  •  Em nome da honra – Africa do Sul – baseado em fatos reais, policial branco investiga sul africano suspeito de terrorismo na Africa do Sul durante o apartheid (André A)
  • Maré Negra – África do Sul – filme que foca no popular passeio cage shark, onde turistas mergulham com tubarões protegidos por uma gaiola (André A)
  • Protegendo o Inimigo Africa do Sul – Filme de ação eletrizante rodado em Cape Town com Denzel Washington (André A)
  • The first grader – Quenia- baseado em fatos reais, sobre um ex combatente que decide aprender a ler aos 84 anos (André A)
  • A cor púrpura – teve algumas poucas cenas rodadas no Quênia (Andé A)
  •  Flor do Deserto – baseado em fatos reais sobre a vida da top model Warris Dirie na Somália (André A).

Ajudem a completar a lista.

Explorando as Ilhas Querimbas

Decidimos que não iriamos de ônibus/ caminhão até a recomendada praia de Pangane, para depois pegar o barco para Ibo, voltando para o Sul. Tinha muito mais lógica subir pelas ilhas e depois voltar para o continente. Ok, mas como fazer isto? Na pousada que estávamos falaram que era complicado e tal. Um dia estávamos explorando a cidade baixa de Pemba, e fomos falar com alguns pescadores. Descobrimos um Dhow (tipo de Jangada) que iria levar mantimentos para pequenas ilhas e depois  navegar ate Ibo. Não tivemos duvida, acertamos com o pescador (mais barato que o táxi de Wimbe para Pemba) e a meia noite já estávamos lá, dormindo no Dhow, esperando a mare certa para iniciarmos a viagem.

Aguardando a saida

Aguardando a saida

As 3 da madruga estávamos partindo, em meio a algas verde fluorecentes (pareciam neon), iluminadas pela Lua. Dormimos poucas horas sobre os sacos de arros e varias bugigangas. O sol nascendo foi um momento a parte, assim como os golfinhos que logo apareceram. Tentei dividir uns pães e amendoins que tinha com a tripulação  mas eles não deram muita bola. Logo percebi porque. Acenderam um fogareiro portátil  prepararam um delicioso chá (servido com pimenta) e aqueceram um pão tipo ” sonho”. Depois de um tempo descobrimos que existia um banheiro improvisado, e rimos muito quando o Samuel utilizou. Passamos por diversas ilhas, algumas muito pequenas, e eramos atracão turística.

Banheiro

Banheiro

Dhow igual ao nosso

Dhow igual ao nosso

Pronto para a chuva

Pronto para a chuva

Desde o inicio da viagem, peguei ” chuva” (chuvisco na verdade, suuuper leve), só dois dias. Um em Cape town e outro em Nampula. Claro que Murphy ia aparecer ali. Nuvens pretas começaram a se formar, e nem o lençol improvisado como vela auxiliar foi suficiente para fugirmos da tempestade. Vento forte fez o Dhow disparar, mas logo chegou a chuva. Quem ta na chuva e para se molhar… Não durou mais que uma hora e meia, e deslizamos sobre ondas que aumentaram consideravelmente de tamanho. Passamos por mais ilhas, contornamos um manguezal ate chegarmos em Ibo, principal ilha do arquipélago  Foi paixão a primeira vista. Totalmente isolada, com seus casarões portugueses espalhados pelas largas ruas. Luz só das 18 as 20, e quando tem gasolina para o gerador. Restaurante? Um ou outro a não ser os das duas “luxuosas” pousadas de franceses. Alias, algumas das ilhas são de propriedade de um árabe  que construiu resorts, com pista de pouso e tudo (como que os turistas ricos chegariam la?). Os poucos dias que tínhamos programado para a ilha principal se transformaram em uma semana, ao descobrirmos que o dia de São João estava próximo  e era o Padroeiro da Cidade alem do aniversario da própria  Com isto teríamos que cancelar a recomendada e isolada praia de Pangane, o  que fiz sem do. Praia bonita tem muita no Brasil, mas aquela ilha era um caldeirão cultural, e com a festa que se aproximava estava melhor ainda. Nunca trocaria os papos de final de tarde com o Sr João Batista (de 82 anos, conselheiro da ilha, que estudou muito e trabalhou com os Portugueses) para ficar largado numa praia bonita.

Ibo!!

Ibo!!

Já no primeiro dia preparamos uma Garoupa de 18 Kg. Deu um trabalhão. Fizemos grelhada, frita e ensopado, como não tem geladeira (eletricidade), comemos, demos para os amigos que já tínhamos feito, e almoçamos no dia seguinte. O peixe custou menos de 30 reais, a mais alguns trocados para os temperos e acompanhamentos. Com a falta de restaurantes tivemos que nos virar, mas sempre preparávamos coisas gostosas. Quando dava preguiça  corríamos para o centrinho e comprávamos peixe frito (vinha enrolado em folha de caderno), salgados, doce de amendoim, pé de moleque, tentáculos de polvo, vários tipos de pães e ” sonho” (na verdade e sem recheio). Eu gostava de comprar os tentáculos de polvo, já com molho apimentado, e misturar com arroz. Teve um dia que fiz uma Caranguejada,   sirizada na verdade. Comprei quase 10 kg para 4 pessoas e cada um tinha direito a 4 siris. Imagine o tamanho do bichinho. Se bem que consegui umas patolas extras.

Garoupa

Garoupa

Patola

Patola

Quer farinha? Tem que moer mandioca...

Quer farinha? Tem que moer mandioca…

Um dia fomos caminhando na mare baixa para a ilha vizinha, Querimba. Foram duas horas de caminhada, no inicio entre mangues e depois por areia. Na mare cheia fica com 4 metros de profundidade em certas partes. Nas outras ilhas, só 20 % da população fala Português  devido a forte influencia dos árabes  Conhecemos um Moçambicano descendente de Alemão que nos mostrou sua impressionante plantação de cocos (exporta para a Tanzânia  que toma grande parte da ilha. Tomamos água de coco, comemos o doce broto que germina dentro do coco de fomos para as praias. Ele contou das dificuldades de se investir no Moçambique  que não era como no Brasil (que visitou a 20 anos atras) onde tudo funcionava, tinha infraestrutura… Da para acreditar?

Querimba

Querimba

Visual

Visual

Teve dias que fomos para o banco de areia da Ilha Matemo, teve dia que fomos fazer mergulho, com uma suuper visibilidade e direito a ver mais golfinhos.

Banco de areia perto de Matemo

Banco de areia perto de Matemo

Mas gostamos mesmo de nos “perder” em Ibo. Com as festas a ilha tava borbulhando. Cheio de gente de outras ilhas, do continente e alguns turistas. Inclusive encontramos os portugueses novamente alem de outras pessoas que conhecemos no caminho. O dia da festa foi uma atracão a parte. Cedo já tinha musica, danças tipicas, e ate o governador do distrito apareceu para falar no palanque. As crianças engomadinhas, nos seus melhores vestidos de festa, com cabelos devidamente arrumados e penteados. Muitas comidas e a noite colocaram ate um telão com filmes de Bollywood, que era o suprassumo para quem não tem nem tv. Alguns cantores e muita festa e bebedeira antes de pular a fogueira. Na verdade, fora o santo a festa não tem nada a ver com o nosso São João (só algumas bandeirinhas). No dia seguinte, dia da independência de Moçambique  já tava tudo mais calmo. Acho que era a ressaca. Moçambique conquistou a Independência só em 1975, quando as forças revolucionarias (Frelimo) chutaram Portugal do pais. Não foi a mesma moleza que no Brasil.

Dia de Festa

Dia de Festa

Sao Joao

Sao Joao

Corrida de Dhow

Corrida de Dhow

Estilos

Estilos

Ibo tb possui alguns fortes e também foi palco de guerras contra os árabes  local de venda de escravos, e região estratégica para os portugueses. Mas e bem diferente da Ilha de Moçambique.

Dificuldade da Independencia estampada na bandeira

Dificuldade da Independencia estampada na bandeira

Casa de Cha

Casa de Cha

Entardecer em Ibo

Entardecer em Ibo

Aqui nao pode!!!

Aqui nao pode!!!

Aqui pode...

Aqui pode…

Vendedoras com as "comidinhas de rua"

Vendedoras com as “comidinhas de rua”

Achamos um Dhow que iria ate a Tanzânia  em 3 dias de viagem. Acertamos com o proprietário e nos despreocupamos. Menos de 10 horas antes de sair ele nos falou de um problema que teve e cancelou. Estava com o tempo contado para chegar a Dar Es Salam (Tanzânia) para esperar a Bibi (primeira dama). Foi uma correria ate achar um barco que sairia de madrugada, fazer diversas  conexões em cruzamentos, primeiro utilizando pau de arara e depois caçambas de caminhonetes. Esta fronteira e uma das mais desafiadoras da Africa, muito cansativa. Região sem estrutura, de pequenas vilas, de onde o Frelimo veio conquistando território ate chegar em Maputo. No caminho fizemos paradas forcadas devido um problema da ultima caminhonete. Em algumas vilas fui cercado, queriam saber como sabia português, se tinha morado em Angola ou em Moçambique. Quando falava que era do Brasil, alguns nem sabiam onde era, um comentou: América do sul, né?! Perguntavam se estava a trabalho, em busca de ouro. Contei do meu trajeto até ali e dos meus planos para o restante da viagem pela África, quando uma pessoa sabiamente comentou: Ah, você viaja em busca de conhecimento então…

Cacamba

Cacamba

E mais cacamba...

E mais cacamba…

Ta com fome?

Ta com fome?

Depois de mais de 12 hs e viagem, chegamos a Mocimboa da Praia. Recebemos o convite que uma pessoa da caminhonete para dormir na casa dele. Ficamos na sala, numa estera de palha. Dia seguinte, perto das 4 já estávamos recolhendo gente na Land Cruise para seguir pela difícil estrada ate a fronteira. Em um momento contei 28 pessoas na caminhonete. Não dava para se mexer. A estrada de terra virou arreia, e foi uma longa viagem. Na hora de carimbar a saída quase tivemos problemas com os guardas (novamente), mas conseguimos se safar. Dai foi só pegar um barco e atravessar para a Tanzânia  Dormimos não muito longe dali, e logo seguiríamos pelo sul da Tanzânia até chegar em Dar Es Salam

Barco na fronteira Moz x Tanzania

Barco na fronteira Moz x Tanzania

Em terra de cego

Algumas fronteiras na África são distantes entre si, e e o caso do Malawi e Moçambique, onde existe alguns KM de ” Terra de ninguém”.  Para percorrer estes km fomos na garupa de bicicletas, com nossas mochilas, apostando corrida. Muito divertido. Os Alemães iam subir o Malawi por terra (depois de ter descido de barco),  mas quando me conheceram viram uma oportunidade de viajar comigo, por falar português. Viajar no norte do Moçambique já não é fácil  sem saber a língua fica tudo ainda mais difícil  O Moçambique e praticamente dividido em dois países  O sul e mais ” moderno” com muita influencia da Africa do Sul. Muitos sul-africanos tem negócios lá, casa de veraneio nas bonitas praias. Lá que ficam as industrias e tem uma relativa boa estrutura. Já o norte ( e ate dividido fisicamente pelo rio Zanbezi) e selvagem, isolado.  Em toda a minha estadia, não tomei banho nem um dia com água encanada. Só de balde! Transporte? Carona, Caçamba de caminhão e poucas ” lotações  sempre bem cedo, saindo entre 3:30 e 4 da manha. A expectativa era muito grande, primeiro pais estrangeiro que visito podendo falar português.

Ainda antes da fronteira encontramos um casal, Todd- Americano, e Eva- Espanhola, super legais,  que seguiram viagem com a gente. Apos uma pequena conexão em Mandimba seguimos para Cuamba. Poucas horas de viagem e o pneu furou, e não tinha estepe. Ficamos um tempo perto de umas casas, num lugar super isolado, ate arrumarem o pneu. Neste lugar elogiaram meu português  e queriam saber onde aprendi. hahaha Comedia. Conversando com um senhor que trabalha no Correio Moçambicano  perguntei sobre um boné da ” Vale” que ele usava. Contou que estavam investindo muito no Moçambique  e que ele ganhou um premio do correio e foi para o Brasil. Perguntei se tinha ido para o Rio, e ele me respondeu que não, que tinha ido para Curitiba. Mundo pequeno!!!! Foi até no Bar do Alemão no Largo da Ordem!!!! Seguimos viagem e algumas horas depois estourou o pneu, desta vez sem conserto. Como ja estava meio tarde, não passou mais ninguém na estrada, e tivemos que dormir por ali. Eu, Graham, Todd e Eva tínhamos barracas, mas o restante das pessoas tiveram que se abrigar num barracão de pau a pique que deveria ser um mercado. Comemos batata doce, unica comida disponível  No outro dia cedo já passou uma caminhonete e seguimos para Cuamba. Cidade no meio do nada, pequena, com um certo charme, ruas largas e algumas casas com arquitetura portuguesa. Parecia abandonada no tempo. Tomamos um bom “mata-bixo” (cafe da manha) e arrumamos uma pousada. Achei que depois de tanto tempo dormiria numa cama, mas para dividir custos acabei ficando no chão mesmo (a pousada era bem ruinzinha, e acho que o saco de dormir era melhor que a cama). O banho era de balde, mas aqueciam um recipiente com uma fogueira, então o banho era quente!

Estrada...

Estrada…

Banho de balde, mas agua quente.

Banho de balde, mas água quente.

Compramos algumas coisas num mercado de rua, e comemos por lá mesmo. Um prato de arroz, feijão e carne, na feira custava menos de meio dólar  Tinham me falado que o Moçambique era meio caro, mas depende aonde vc vai. Se bem que os preços das pousadas eram bem caros em relação a qualidade oferecida. As 5 saia o “Comboio” (trem) sentido Nampula.

Colocam até um ou outro carro nos vagões  de tao ruim que são as estradas. Pegamos uma cabine para nos 6, com 2 triliches.  O ” Comboio” e lento, mas passa por paisagens exuberantes. Vilas remotas, com dezenas de vendedores de tudo, galinha viva, assada, mandioca, bolos, frutas… O comboio quebrou, e esperamos algumas horas ate vir uma outra locomotiva. Passamos por lindas montanhas, e deu vontade de parar numa das pequenas vilas e explorar a região  Pena que ainda existam tantas minas terrestres, herdadas dos tantos anos de ” Guerra civil”, que terminou a 15 anos. Guerra Civil entre parenteses, pois a Renamo, apoiada pelos EUA e Africa do sul, era uma guerrilha mercenária, que atuava em diversos países.

Comboio quebrado

Comboio quebrado

Vendedores

Vendedores

Chegamos em Nampula ja de noite. Ao procurar um hotel, encontramos com 4 oficiais do exercito moçambicano, devidamente armados. Sabia que teríamos problemas, e rapidamente andei na direção deles e simpaticamente pedi informações  Enquanto falava com um deles, outro já foi recolhendo os passaportes, falando que teríamos que acompanha-los e blablabla. A corrupção da policia moçambicana e famosa. Depois de eu contar algumas historias tristes, que tínhamos sido roubados, que não tínhamos nem cartão de credito, acabamos sendo liberados. Ficamos num hotel, mas novamente dividimos um quarto e continuei sem dormir em cama.

Aha-Uhu, Moz e nosso!!

Aha-Uhu, Moz e nosso!!

ta em casa!

ta em casa!

Nampula é uma cidade bonita, relativamente “moderna”, não tem cara de vila. Mas quando descobri que e a terceira maior cidade do Moçambique  descobri a dificuldade que o norte do pais passa. Pegamos um” Machimbombo” (ônibus) para Ilha de Moçambique  com direito a ver camelos darem um corridão em policiais. Na viagem conheci um simpático casal de portugueses  que estão morando em Maputo (capital) e estavam de ferias. Conversamos todo o longo trajeto, e me segurei pra não contar nenhuma piada de português…hehe

Não acampamos propriamente na ilha, mas sim de frente para esta, que tinha uma praia mais bonita. Para a ilha, era só caminhar pela estreita ponte, curtindo todo o visual. A Ilha e um museu a céu aberto. Patrimônio da Unesco, já foi a capital dos territórios portugueses na africa. Devido as frequentes guerras com os Árabes  imponentes fortificações foram construídas.  Posteriormente, estes fortes foram utilizados para aprisionar os escravos, antes de serem levados da África e mais recente como prisão  na época da independência e da guerra civil. Para construir os fortes, utilizaram pedras da própria ilha, o que fez com que uma parte seja muito mais baixa, como se fosse um buraco mesmo.

Ilha de Mocambique

Ilha de Moçambique

Mais Ilha de Moz

As ruas são super estreitas, e e uma pena que as construções estejam em péssimo estado de conservação  salvo algumas exceções  Os locais reclamam que devido o isolamento não recebem muitos turistas, e os que vem, ficam pouco tempo, não deixando muito dinheiro. O potencial do lugar e incrível, mas tem muito ainda a ser feito.

A Ilha já não tem muitas praias, e as que tem, são usadas como banheiro pelos locais. Uma pena. Ate vi alguns mais higiênicos andando com suas pás para enterrar as necessidades… Hilário!!

Ilha de Moz

Camping que ficamos

Perto do camping tinha uma pequena vila, onde descobrimos um mercado noturno. Comemos frutos do mar, batata doce, mandioca, salgados  e pães, tudo por menos de 1 us$. Os locais riam muito, pois eramos brancos e estávamos comendo com a mão  sentados no chão  e eu falava ate português. Muitos vinham conversar e ficamos um bom tempo la.Tínhamos que fazer uma conexão em Namialo, para pegar o Machimbombo que saia cedo de Nampula para Pemba. O problema era que as lotações param a cada km, e provavelmente não chegaríamos a tempo. Decidimos alugar um caminhão só para gente, e para reduzir custos, acertamos que só pararíamos quando quiséssemos  e o dinheiro seria para abater o que pagamos. Deu certo, chegamos a tempo, pagando um preço razoável. Seguimos para Pemba, importante cidade portuária da região norte.  Da cidade pegamos carona ate um cruzamento e outra com um motorista de van da Universidade Católica ate a praia de Wimbe. Inacreditavelmente não tivemos que pagar, coisa incomum aqui. A bonita praia de Wimbe já tem alguns Resorts, mas ficamos mais no canto sul, onde e mais isolado e calmo.

Wimbe

Lake Niassa

O Lago Malawi era chamado originalmente de lago Niassa, nome que até hoje é utilizado no Moçambique e Tanzânia. Este país ficou famoso quando a Madona tentou adotar uma criança de la. Alias, criança é o que não falta. Existia uma taxa de mortalidade altíssima, e nos últimos anos, tem melhorado muito (ainda é  terrível). Isto esta fazendo com que a população infantil aumente consideravelmente. Mesmo com todos estes avanços, ainda morre uma criança a cada 30 segundos só de malária no país.

Pegamos o barco que era para demorar não mais que 40 horas para ir ate Monkey Bay, mas acabou demorando bem mais. Até Likoma Island fomos no deck, topo do barco, pois tava muito lotado. La ficamos trocando figurinhas com outros mochileiros. Daria ate para montar a barraca, mas com um céu lindo, e lua cheia, não tinha porque. Só o saco de dormir era mais que suficiente. Percebemos que todas as paradas não tinham porto. Vinham barcos pegar os passageiros e mercadorias. Muitos galoes e madeiras era simplesmente jogados no lago para que as ondas levassem para a costa. Muito lento os descarregamentos, o que atrasou bastante a viagem. Depois de Likoma Island fomos de segunda classe. Dois longos bancos com uma mesa no meio. Como ficou vazio, cada um ficou com seu próprio banco. Muito bom para dormir, ler, passar o tempo. Bem mais fácil de interagir. Encontrei umas pessoas que falavam português, pois o barco chegou a parar para desembarque no lado de Moçambique. Brincamos com algumas crianças ao lado que nos ensinaram um pouco de swahili. Passamos a frequentar o restaurante da terceira classe, e conquistamos a amizade de muita gente com isto, alem de economizar uma grana, e comer muito mais.

Lua Cheia no Deck

Lua Cheia no Deck

Onde esta Wally?

Onde esta Wally?

Por de sol 2nd classe

Por de sol 2nd classe

Carga e descarga

Carga e descarga

Em Monkey Bay teve um controle de imigração inesperado, e queriam que eu pagasse por uma extensão do visto (que não era necessária). Dormimos no barco atracado, e o oficial ficou com meu passaporte. No dia seguinte cedo, depois de muita conversa me safei. Depois de toda hospitalidade, nunca imaginávamos encontrar corrupção aqui, mas o Graham teve que pagar uma grana para se livrar por ter apresentado o passaporte errado. De Monkey Bay fomos na caçamba de uma caminhonete para Cape Mc Clear, antiga Meca mochileira. Com todos os problemas econômicos do Zimbabwe, está meio abandonado, e a rota da Zâmbia está mais popular, indo para Nikata. O lugar é super tranquilo, vilas de pescadores, lago tranquilo com montanhas, ilhas, super visual. Encontrei um casal da Africa do Sul que já tinha encontrado na Botsuana e na Zâmbia. Eles vão ate a Etiópia, então tem chance de encontrarmos de novo. Sai para andar pelas vilas, bater papo com o pessoal local. Recebemos convite para dormir numa sala onde apresentam os filmes na vila. Sempre primeiro um americano, depois um musical e depois um nigeriano.

Fiquei amigo de um cara, Steve, que me convidou para jantar na casa dele. Claro que sendo um lugar muito pobre, dei uma grana para ele comprar peixe, arroz. Ele tinha pato e “polenta” (sima). Convidei o Grahan e 2 alemães que passaram a viajar com a gente desde o barco. Foi muito legal, intercambio cultural mesmo. Todos muito empolgados com nossa presença. Comida foi preparada no chão, na parte de fora da casa, enquanto ficamos na pequena sala escutando musica e conversando. Dava para ver a felicidade dos filhos dele, com aquele super jantar, que com certeza não era comum.

Steve e familia

Steve e familia

Cape Mclear

Cape Mclear

(Malawi) KFC

(Malawi) KFC

Algumas caçambas e micro-ônibus depois, estávamos saindo do Malawi, sentido Moçambique.

Cuidado para não ficar encalhado no Malawi

Quando estava indo para o Malawi escutava muita gente falando para tomar cuidado para não ficar ” encalhado” la. Logo entendi porque. O Malawi é carinhosamente apelidado de ” coração caloroso da Africa” (odeio estas traduções) e faz jus ao apelido.

É um país pobre, muito pobre. Um dos mais pobres da Africa, e consequentemente do mundo. Sofreu uma das ditaduras mais longas, do então ” presidente ” Banda. Um cara que proibiu mulheres de usar mini saias e calças compridas. Os homens foram proibidos de ter cabelos compridos, dentre outras coisas. A censura era muito grande em vários aspectos, mas mesmo assim, o Papa e a Margaret Thacher visitaram o país e não falaram nada contra este sistema, muito pelo contrario.  Hoje os tempos são outros e houve uma inversão de valores daquela época. O clima é super amistoso e existem rastafaris por todos os lados.

Vindo da fronteira da Zâmbia, arranjamos transporte ate uma pequena cidade  e de lá, junto com meia duzia de zambianos, acertamos com um ônibus para nos levar ate Lilongwe. Ao entrar no velho ônibus estilo escola americana peguei no sono rapidamente. Acordei não muito tempo depois, e nem havia percebido que algumas jovens haviam entrado em alguma parada no caminho. O dia estava amanhecendo e elas cantavam musicas locais, estilo coral. Eu meio confuso pela falta de sono, com o dia nascendo e aquela musica maravilhosa, que durou as próximas horas. Entendi claramente aquela expressao: ” De chorar!”

A entrada em Lilongwe parecia um pós guerra. Muitas pilhas de lixo sendo queimadas, naquela parte antiga da cidade, com uma nevoa,  que apesar de ser crista, possui algumas torres de mesquitas que se destacam ao céu. A estação de ônibus é hilaria. Uma bagunça, nem parece uma capital. Só passamos no caixa eletrônico e já pegamos um ônibus para o Lago Malawi.

rodo

O lago Malawi é o terceiro maior da Africa é o sétimo maior do mundo. Tentaram apelidar de lago calendário, mas não pegou. São 365 milhas de comprimento (dias no ano), por 52 milhas de largura (semanas no ano) e 12 rios que desembocam nele (meses no ano) e e o sétimo maior lago do mundo (dias da semana). Água transparente, no maior clima de praia.

Senga Bay foi nosso primeiro destino, pegamos ônibus + caçamba de caminhonete para chegar la. Acampamos de frente para o lago. Lugar muito tranquilo, bonito e não tinham outros estrangeiros, o que deu um charme ao lugar. O lago era lindo, mas foi o povo que chamou a atenção neste lugar. Todos paravam, conversavam, te levavam para cima e para baixo. Ninguem te pede dinheiro ou algo assim. Te levam para os lugares porque querem companhia, praticar o inglês, receber bem as pessoas.  É difícil de acreditar, pois a região é muito pobre. No início estranhei, pois as vilas de pescadores pareciam favelinhas, mas adorei andar pelas ruelas, me perder sem me preocupar. Um dia compramos algumas coisas no mercado de rua, alugamos uma canoa, e remamos ate uma ilha relativamente próxima para fazer um piquenique lá. Em pouco tempo ja tinhamos muitos amigos, e as criancas nos adoravam. Vinham, andavam de mãos dadas, brincavam. Algumas pequenas choravam ao nos ver. Os Muzungus (homem branco) sao assustadores para elas. Tinha um figura, bêbado conhecido, que é nascido no Moçambique. Ele adorou falar portugues comigo, e falava bem alto que nos dois eramos da mesma tribo. Descobri que na região que ele morava, na província do Niassa, ele era orador, encarregado de fazer os anúncios oficiais. Encontrei ele outras vezes e sempre me diverti. Arrumei um restaurante local que tinha arroz e feijão, e comi quase todas as refeiçoes lá. A proprietaria ficou suuuper feliz, e eu tambem. Comida boa pelo menos 4 vezes mais barata que no camping.  Numa noite tinham algumas casas passando filmes de DVD. Num era musical, no outro era Duro de Matar 2. Incrível!! Esta era minha piada favorita quando morava em Sengés, que os lançamentos na locadora eram Titanic e Duro de matar, e aqui era realidade!!!

Cores...

Cores…

Amigos

Amigos

Um dois, feijao com arros...

Um dois, feijao com arroz…

Costurando o Ziper da Barraca e comendo ovo

Costurando o Ziper da Barraca e comendo ovo

Decidimos ir para Nikata Bay, mais ao norte. A diversão começava.  Uma caçamba de pick up ate Salina (com um freezer novamente), mini ônibus, mais uma caçamba de caminhão e outro microonibus. Numa das viagens tinha um senhor, todo alinhado, de terno e gravata, com um galo na sacola. Pena que este (e muitos outros) momentos não da para tirar foto, pois quebra totalmente o clima, eles te veem com outros olhos.

Difícil de acreditar que não estávamos no litoral. Total clima de praia. O proprio lago formava uma baía que parecia um mar azul esverdeado. Existem alguns morros e chales pendurados entre estes e o lago. Muita gente do mundo inteiro, encalhados no Malawi. Viajantes que chegaram para alguns dias, e acabaram ficando semanas, ou meses. Aqui encontramos alguns insistentes vendedores de artesanato, o que não estávamos acostumados. No final das contas ate fizemos bons negocios com roupas velhas. Nunca pensei que uma camiseta desbotada do Che seria tao disputada. Tem um rasta figura que alem de vender bonitas pinturas, tem um “restaurante”. Na verdade são algumas cadeiras, mesa, num puxadinho atras da barraquinha dele, tudo com um super visual, tochas e velas. Ficamos encalhados ali por uns dias também, nadando, pegando sol,tomando cerveja barata, comendo peixe, de bobeira esperando o barco que ia para o sul. Um dia preparei uma caipirinha, com cachaça mesmo (não, não é brasileira), e fez o maior sucesso. Acabaram tomando 2 litros, no sistema “tubão”, passando de um para o outro. O cara do bar, que lembrava o saudoso Musum, ficou emocionado (era aniversario de 55 anos dele). Um dos dias Fizemos um mergulho bacana. Parecia um aquario com muitos peixinhos coloridos. Um chamou atenção. Quando se sente ameaçado, coloca todos os filhotes na boca para proteger.

Nikata Bay

Nikata Bay

Mercado de rua

Mercado de rua

Vida dura!!!

Vida dura!!!

Rastaman

Rastaman