Costa Rica, um ótimo lugar para ser turista.

Já faz mais de 60 anos que a Costa Rica não tem exército próprio. Cerca de 20% do território são parques nacionais e áreas protegidas.  Os cardápios são bilíngues em muitos restaurantes. Muitos falam inglês  e outros tantos tentam ou gostariam de falar, pois falam espanhol com sotaque americano. Possuem moeda própria, o Colon, mas o USD é aceito em diversos lugares, sendo possível até sacar no caixa eletrônico.  É um país lindo, onde se pode ir do atlântico até o pacifico em algumas horas. Cheio de praias bonitas, florestas, vida selvagem e vulcões. Um destino com turismo bem desenvolvido. Não é em qualquer lugar do mundo que se pode parar um carro, comprar uma galinha para jogar para crocodilos em baixo da ponte. Fácil de viajar, recebem milhares de turistas em busca dos “animais exóticos”  ou do turismo de aventura. Cheio de coisas para fazer, mas nem tantas para se viver.

Da fronteira com o Panamá, é um pulo até Puerto Viejo de Talamanca. Toda região do caribe costa-riquense se difere bastante do restante do país. Tem uma influencia negra muito forte. Claro que tiveram os escravos que trabalhavam nas plantações de café, mas o numero aumentou consideravelmente no final do seculo 19, com a chegada de trabalhadores jamaicanos, contratados para construir a estrada de ferro. O clima é total relax, pessoal gente boa, num clima de praia-surf-reggae.

Primeiro ficamos numa pousada mais afastada, com varanda com vista para o mato, onde dava para ver bicho-preguiça nas arvores. A negociação foi meio no estilo “pague quanto estiver a fim” coisa que não aconteceu em outros lugares do país. Depois ficamos mais perto do centrinho, onde alugávamos bicicleta para passear e ir para as praias. Punta Uva, uma boa pedalada ao sul foi uma das que mais gostamos para pegar praia. Playa Grande e Punta Manzanillo também é muito bonito. Ao norte da Playa negra (areia vulcânica ) tem o parque nacional Cahuita. Já a praia de Cocles era onde se concentravam a maior parte dos jovens.  Tinha bastante onda, e aproveitei para surfar. As praias daqui, apesar de ser no caribe, tem aquele aspecto mais selvagem, com vegetação fechada, água limpa mas não azul-caribe. Eu acho mais bonito, menos monótono, e passar por bandos de macacos ou escutar seus barulhos enquanto está indo para praia não tem preço.

Praia

Praia

Bibi por ai

Bibi por ai

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Punta uva

Praia Punta uva

É um lugar turístico-rustico, com algumas pousadas melhores e restaurantezinhos para turista. Existem também os Sodas, restaurantes de comida local, que servem o famoso PF. Aqui são chamados de “Casados”, arroz, feijão, salada, banana verde frita e uma carne.  Passamos uns dias de férias pela região, curtindo o que os costa-riquenses chamam de “Pura Vida”.

Canto da praia de Cocles

Canto da praia de Cocles

O lugar tem várias baladas, mas estávamos mais no espírito de acordar cedo para curtir o dia. Só uma noite que saímos no bar Salsa Brava, que fica bem em frente a famosa onda com este mesmo nome. Um luau cheio de rastas, onde era difícil imaginar que não estávamos na Jamaica. Foi muito divertido!

Depois de explorar a região, seguimos para a capital, San José, que uma família de argentinos brincava: “Sim, é legal, tem o palácio do governo, a catedral, a praça, o teatro… como qualquer outra cidade…” Realmente, em geral, as capitais na América central não são muito interessantes.

Tínhamos a dúvida se iriamos para Montezuma, na península Nicoya, já no pacífico. Como havíamos tirado umas “ferias” na costa do caribe, resolvemos pular esta. Na nossa lista também estava o parque nacional Corcovado, muito bem recomendado,que fica perto da fronteira com o Panamá, mas do lado pacífico. Como estávamos indo para o norte, por uma questão logística, achamos melhor ir direto para Santa Elena/Monteverde. Cidadezinha nas montanhas, com vista para o pacífico, e cercada por florestas tropicais. Muito vento, que trás a umidade do caribe que se condensa pela altitude. Não chegava a chover muito, mas a nebrina passando muitas vezes chegava a molhar. O vento era fortíssimo e muitas vezes nos acordou a noite, parecendo que  a pousada ia levantar vôo.

vista

vista

A região proporciona caminhadas e diversos “brinquedos para adultos” no melhor estilo aventura. Fizemos a tirolesa, com diversos cabos, alguns com mais de 120 metros de comprimento. Primeiro entre as arvores e depois por cima delas. A Bibi encarou bem, e cada vez tem menos medos. Se bem que ela dispensou o “balanço do Tarzan”, que é uma queda livre…hehe

Tirolesa

Tirolesa

Santa Elena

Santa Elena

O Monteverde Cloud Foreste tem diversas trilhas, pontes suspensas, ótimo lugar para caminhadas. Floresta muito bonita, com arvores impressionantes. Conseguimos pegar uma carona na volta, o que nos evitou de ter que esperar o ônibus que só passa de tempos em tempos.

Monteverde CF

Monteverde CF

A cidadezinha de Santa Elena é toda voltada para o turismo, o que torna difícil ter experiências mais autenticas. Mas foi muito interessante ver uma missa lá, com a igrejinha lotada e cheio de pessoas cantando musicas em espanhol. Ao lado da pequena igreja tinha uma lanchonete onde tomamos suco de abacaxi com água de arroz e de canela com aguá de arroz.

Cantantes

Cantantes

De Santa Elena pegamos um transporte até o lago Arenal, um barco, e outro transporte até La Fortuna. Do lago já dava para avistar o vulcão arenal, com o topo encoberto por nuvens, maior atração da região. O turismo se desenvolveu por ali pois era possível ver erupções e explosões de lava até não tanto tempo atrás. Mas o vulcão deu uma acalmada. Região com diversas opções de hotéis e restaurantes, dezenas de “agências de turismo” tentando te vender todo o tipo de “esporte de aventura”. Mais um lugar onde se pode ter uma boa experiencia turística, fazer coisas, mas  nada autentico.

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Laguna Arenal

Laguna Arenal

Teve um dia que alugamos bicicletas e fomos montanha acima até uma cachoeira. Como tudo por aqui, tem que pagar para entrar, e não é barato. Alias, Costa Rica não é nem um pouco barata. A cachoeira é muito bonita, queda alta, cercada de vegetação. Tomamos banho gelado, mas o mais legal aconteceu por acaso. Nós estávamos andando pela trilha, quando ouvimos um barulho, como se fosse um grito, e ago caiu de uma arvore na nossa frente. Era uma cobra, que acabava de pegar um sapo na nossa frente. O sapo berrava, enquanto a cobra se firmava e logo saiu para fora da trilha com o ele esperneando.  Ia escrever que vimos uma cobra comendo uma perereca, mas achei que poderiam interpretar de forma errada…rs

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Cachoeira

Cachoeira

Vulcão Arenal visto de La Fortuna

Vulcão Arenal visto de La Fortuna

No nosso caminho até a Nicarágua, pela Ruta Nacional 4, passaríamos perto do Rio Celeste, em outro parque nacional. Um lindo rio azul, em um parque com vulcão. Acabamos optando por não ir. Achamos que o tempo poderia ser gasto de uma maneira melhor em um lugar mais autentico.  Pode ser somente um estado de espirito, mas apesar da beleza do país, a Costa Rica não tinha nos cativado.

Estrada rural

zona rural

Depois de diversas paradas em pequenas cidades, chegamos na principal estrada da América Central (Panamericana HWY), que corta o continente de norte a sul, já perto da movimentada fronteira de Peñas Blancas. Depois disto foi só atravessar a fronteira, e se apaixonar pela Nicarágua!

Cuba, o país das contradições.

Antes de ir para Cuba tentei pesquisar várias informações sobre o país, através da internet e guias de viagem, conversas com viajantes que já tinham ido para lá, com um brasileiro estudante de medicina que mora em Havana e, cubanos. Queria fazer uma viagem autentica, mas logo desisti. Cuba é extremamente turística  e o fato de não existir Casas Particulares em todas as cidades te impede de sair da rota turística, que é bem delimitada.

Havana

Havana

Por outro lado, Cuba “acontece” em todos os lugares, e o melhor do país não pode ser recomendado ou planejado, aparece ao acaso, entre as atrações turísticas  Acabei limitando o tempo na ilha com medo dos custos, mas me arrependi. Para quem não fica indo de atração turística em atração turística a ilha não é cara. Com menos de duas semanas, resolvemos nos limitar em Havana e a província de Pinar del Rio, deixando o centro e leste do país para outra viagem.

Chegamos somente de madrugada, havíamos reservado uma Casa Particular na Rua Industria, Centro Havana. Poucas indicações do local, acabamos acordando os vizinhos antes da dona da casa: Sra Gudelia. Ela com seu roupão, cabelo desarrumado e cara amassada de sono, disse que acabou dando nosso quarto para duas russas, portanto estava lotado e fechou a porta na minha cara. Olhei para a cara da Bibi quase que não acreditando e toquei a campainha novamente. Falei que eu não teria problema em dormir na rua, ou ali mesmo no saguão do prédio, mas que estava com minha esposa, tinha reserva e blablabla. Acho que ela acordou nesse meio tempo, e nos convidou para entrar. Pediu para sentarmos e disse que resolveria a situação. Saiu de roupão tocando em todas as casas particulares que conhecia para ver se tinha lugar para nós,  mas em vão. Logo após o Natal, altíssima temporada, tudo estava lotado. A Bibi já queria buscar um hotel, mas concordou quando falei para dormir no sofá.  Eu esperei sentado se teria uma solução, mas já imaginava que o sofá cama seria a melhor saída  Quando a Sra Gudélia voltou sem achar lugar para nós, preparamos o sofá cama, e a Bibi, para desespero da Gudélia,  ainda decidiu que iria tomar banho. Eu já me acomodei na parte do sofá que estava inclinada pelo menos uns vinte graus e capotei.

Uma das coisas que estava na minha lista para conhecer em Cuba era a Santeria, religião afro-americana que tem um parentesco com o Candomblé. Grande foi minha surpresa ao acordar com diversos rostos, potes e bonecos ao lado de onde eu estava dormindo! Uma coisa a menos para eu ter que sair procurando. Já no café da manhã, enquanto a Gudélia se desculpava pela noite anterior (que não nos cobrou, é claro) eu já a bombardeava com perguntas sobre a Santeria, prática que ela era adepta e conhecia muito bem.

Santeria

Santeria

Os copos de água são espíritos.

Os copos de água são espíritos.

Resumindo a história, tudo estava lotado, e acabamos ficando no quarto dela, que foi dormir no quarto do filho. Uma senhora muito simpática, que logo nos sentimos muito próximos. Saímos para caminhar por Havana Vieja, com seus prédios históricos reformados e ruas lotadas. Se Cuba choca muitos estrangeiros num primeiro momento, não pudemos dizer que o mesmo aconteceu com a gente. Realmente tudo é uma questão de parâmetro.  Depois de ter viajado para tantos países pouco desenvolvidos, Havana não se destacava no quesito pobreza. O que mais chamava a atenção eram os carros antigos e construções, dando aquela sensação de viagem no tempo.

Ficamos quase uma semana em Havana. Aproveitamos  bem o lugar. Adotamos o ônibus  bom e barato, como forma de transporte e uma vez ou outra pegávamos os táxis coletivos junto com outros cubanos. Conversamos com muitos em restaurantes, ônibus ou até mesmo na rua. Um simples pedido de informação se transformava em longas conversas, que até sentávamos para não cansar. E assim fomos perguntando a opinião das pessoas sobre o regime, as mudanças, as idéias, sonhos…

Praça de Revolução

Praça de Revolução

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Alteramos as atrações mais óbvias com longas caminhadas, deixando que o acaso nos apresentasse a Ilha. Até ônibus errado pegamos! Pena não ter conseguido ir nos treinamentos de Boxe. Levam o esporte a sério aqui, com uma população vinte vezes menor que a do Brasil, o quadro de medalhas é de dar inveja.

Consegui ver os centros organopônicos – plantações de hortaliças. Não aqueles em cima dos prédios, mas muito interessante uma cidade do tamanho de havana quase conseguir se abastecer de hortaliças produzidas localmente.

Véspera de ano novo, Centro Havana estava inacreditável. A movimentação das pessoas, carrinhos de mão onde transportavam porcos amarrados, toda a preparação da ceia, comércio lotado e caixas e mais caixas de cerveja e rum. Tínhamos combinado de pegar uma balada com o pessoal do Couchsurfing, mas a Bibi se assustou quando um vizinho nosso disse que o lugar era baixo nível, que nós iriamos nos estressar.

Iemanjá também é muito adorada pela Santeria. Na virada do ano, as pessoas jogam água pela janela. Baldes de água  não só na rua como em quem passa. Muito divertido. Fizemos uma ceia com a Gudélia e um vizinho órfão, que ela meio que adotou.

O único ponto baixo de Havana foi que tivemos nossa câmera roubada de dentro do quarto. Não só pela máquina em si, mas por todas as fotos. Inspirado no livro do Banksy, tinha tirado várias fotos das pinturas revolucionárias nos muros e outdoors da cidade, sem falar nas fotos dos carros, construções e pessoas. Bem, como diz a mãe de um amigo meu, só acontece com quem viaja. Tenho quase certeza que foi o filho da Gudélia. Pior ainda é saber que ele não precisa. A mãe, com a casa particular, onde aluga três quartos a 20-25 CUC cada, o Irmão vende roupas e ganha cerca de 300 CUC/mês, e o pai mora no exterior e manda dinheiro para eles. Só descobrimos quando estávamos de saída para Viñales, em Pinar Del Rio. Sabíamos que perderíamos o dia na Delegacia, e acabamos deixando para a volta, caso não aparecesse.

Pinar del Rio é a província mais a oeste de Cuba, região rural onde se planta grande parte do tabaco cubano. Viñales é uma cidadezinha bem gostosa, no meio de uma paisagem de montanhas maravilhosa. É bastante turística, pelo menos umas 300 casas particulares, mas é uma ótima base para explorar a região. Passeios voltados para o turista são caros, alugar cavalos ou até mesmo bicicletas, mas a região vale a pena. Exploramos fazendas, conversamos com camponeses e fumamos charuto, é claro. As fazendas são muito bacanas, auto-suficientes  todas planejadas, com suas hortas, arvores frutíferas (flores também são plantadas para atraírem os insetos), criação de animais, além do tabaco, é claro. Mas o produtor de carne de vaca não pode consumir nem um quilo sequer do seu produto, e tem que avisar se uma vaca morrer. Carne de gado é consumida somente por enfermos, velhos e crianças. Pode parecer indignante, mas se pensarmos que das milhões de crianças que morrem de fome, nenhuma esta em Cuba, mostra que é somente mais uma contradição.

Viñales

Viñales

vista

vista

Fomos a um show de musica a noite na praça na frente da igreja, cheio de gente, cubanos e turistas. Nada de musica cubana e sim hip-hop e ragatone. Mesmo nas pequenas cidades existem as Casas da Cultura, com atrações a preços acessíveis para os cubanos. Alias os cubanos são muito ligados a Cultura. Sempre prestigiam a musica e arte em geral. Fora de Havana não vi muitos, mas na capital existem incontáveis cinemas e teatros.

Andando de bicicleta, conhecemos um camponês que tinha uma caverna na sua propriedade. A tal caverna 8. Existem algumas cavernas na região que já tem iluminação, toda estruturada. Esta foi uma caminhada para chegar, e lá dentro só na tocha feita com uma garrafa e querosene. Tínhamos uma lanterna que nos possibilitou tomar banho no rio subterrâneo alem de seguir dentro da água até diversos salões. Os medos da Bibi estão ficando pela estrada!

Mesmo sabendo das maravilhosas praias de Cuba, eu não tinha vontade de conhecer. Achava que existiam coisas mais interessantes para fazer. Mas como não estou viajando sozinho, atendi o pedido da Bibi e fomos para Cayo Jutias. Praia maravilhosa, mar lindo, apenas com um restaurante. Nada daqueles resorts, mas não mudei minha opinião sobre as prioridades. Para mim o que mais valeu foi a conversa com o motorista, que trabalhou anos como engenheiro, antes de virar motorista. Se dizia ultra-capitalista, que faria qualquer trabalho para ganhar dinheiro. Isto não mudava seu sentimento nacionalista e até admiração pelo Fidel. Admiração pela revolução e liderança, não pelo comunismo. Não conhecemos nenhuma pessoa que disse que na época do Batista (antigo ditador) era melhor. Um país que da uma educação de qualidade, porem não cria meios para aplicar o conhecimento produzido.

Praias lindas, mas cultura mais interessante

Praias lindas, mas cultura mais interessante

De uma madeira geral, os mais velhos, que lutaram a Revolução, disseram que muitas vidas foram perdidas para simplesmente abandonar a causa. Os “um pouco” mais novos, lutaram a guerra de Angola, e também tem um sentimento forte com o país. Os camponeses, grandes apoiadores da Revolução, e beneficiados direto pela reforma agrária, de uma maneira geral apoiam bastante o regime, mas fazem suas críticas. Já os jovens são bem mais contestadores, não pelo sistema, mas pelas suas privações. Muitos acreditam nas mudanças, só acham que elas são muito lentas.

O sistema eleitoral, com os “delegados”, é uma espécie de parlamentarismo. Ninguém precisa estar ligado ao partido comunista para se candidatar. As eleições são bem democráticas, mas por outro lado, vai ter uma centralização total em cima dos Castros. Vai entender…

Região Rural

Região Rural

Nos despedimos dos carros de bois, das fazendas estruturadas e autossuficientes  daquele clima tranquilo e das montanhas para voltar para Havana. Depois do ocorrido, não nos hospedamos na casa da Gudélia novamente, mesmo sabendo que ela não tinha nada a ver com a história.

Caldo de cana, 8 centavos de Real

Caldo de cana, 8 centavos de Real, Pão com tomate, 24 centevos, Pão com salsicha, 40 centavos

Sabíamos que uma ida a delegacia nos tomaria grande parte do dia, mas resolvemos encarar. Mesmo sabendo que dificilmente recuperaríamos nossa câmera. Assim fizemos nossa parte, e ainda tivemos outra experiencia cultural. Foram cerca de sete horas gastas com a policia, desde a nossa apresentação e identificação, passando pelo longo interrogatório, feito por uma policial de mini saia curtíssima (eu nem tinha notado, a Bibi que comentou!). Toda a burocracia, relatos do dia a dia desde que chegamos, identificação de fotografias até a visita na casa da Gudélia, acompanhado de investigadores no seu Lada branco.

Os CDRs (Comitê de defesa da Revolução) podem ser o seu melhor amigo ou pior inimigo. É como se a cada numero X de quadras tivesse um síndico, e as pessoas se reunissem para tomar conta do bairro. A ideia é excelente, e dizem que funcionava muito bem até os anos 80. Mas hoje, com tantos problemas, ninguém da conta de resolver brigas de vizinhos, buracos na rua, dentre outros problemas do dia a dia. Imagine os problemas maiores. Todos se conhecem, e a fofoca corre solta. Portanto não é difícil descobrir as coisas que acontecem. Cerca de 80% dos cubanos estão inscritos nos CDRs. Encontramos inclusive cubanos contra o comunismo inscritos. Eles alegavam que a revolução era popular, e não comunista. Que se quisessem mudar algo, precisavam participar. Falavam que as mudanças estavam acontecendo, mas que tudo demorava pelo menos uns vinte anos para ser atendido…

Para o nosso ultimo dia ainda tínhamos uma visita a fazer. Uma professora, que da aula de história na Universidade de Havana há 40 anos. A filha dela mora em Paris, e é amiga de uma grande amiga da minha mãe. Fomos até sua casa no bairro de Santo Soares onde vive com seu neto. Fechamos com chave de ouro. Pudemos discutir todas nossas impressões e idéias com ela. Esclarecer situações e aprender muitas coisas. Ela não é cubana, mas mora em Cuba ha mais de 40 anos, pois casou com um cubano. Tem duas filhas morando na Europa, seu marido mora no México, mas ela se recusa a sair. Ama o país, e disse que em nenhum lugar no mundo valorizam um professor como em Cuba. Não achem que é uma comunista, muito pelo contrário. Não poupou duras criticas dentre os muitos elogios que fez ao país. Mesmo com a ótima qualidade de ensino, a infraestrutura é péssima, e falta até papel. Seria como agravar a situação dos problemas das Universidades Federais brasileiras varias vezes.

Enquanto jantávamos, um amigo do neto, colega de universidade, chegou com uma mochila cheia de eletrônicos. Ele tem passaporte espanhol e viaja para os EUA para trazer eletrônicos e fazer um dinheiro extra. Disse que vende tudo com muita facilidade.

Nossa anfitriã nos confidenciou que estava com câncer. Disse que recebeu tratamento de qualidade durante um bom tempo, mas que devido ao embargo, não existem peças de reposição para os aparelhos. Chegou a fazer alguns tratamentos em Paris, mas não quer abandonar sua vida em Havana.

Casa em Havana

Trocamos presentes, e ela nos deu uma cópia do ótimo filme “Habanastation”. Quando estávamos saindo ela nos disse uma frase que caiu como uma luva sobre a nossa impressão da ilha: “Cuba é o país das contradições”.

Nova entrevista – Momento IBPEX

A Bibi foi entrevistada pela Professora Magda Branco, leitora aqui do blog, para o “Momento IBPEX”.

Ficou muito legal a entrevista, vale a pena conferir!

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E o livro, será que sai?

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Saiporai na Tv

Nesta segunda-feira participamos de uma entrevista ao vivo no programa Revista Curitiba, do canal Ótv.

Foi uma boa experiência, apesar a sensação de que poderíamos ter falado mais e aprofundado os assuntos. Mas programas ao vivo são dinâmicos ,  e aprendemos para as próximas oportunidades. De qualquer forma sempre é bom falar da viagem.

Segue o link para a entrevista completa:

http://www.otv.tv.br/video/revista-curitiba-01-de-outubro-de-2012/

Comidas e viagens

Viagens e comidas tem tudo a ver. Eu particularmente adoro experimentar coisas novas durante as viagens.

Existem comidas diferentes e outras MUITO diferentes. A Lista é grande, insetos, cachorro, crocodilo, pombo, camelo, porquinho da índia, cérebro de bode e por ai vai…

O Beto Madalosso, Chef dos restaurantes Madalosso, Famiglia Fadanelli e Forneria Copacabana, também gosta muito de viagens.  Não o conheço pessoalmente, mas sei que já fez várias viagens legais, sendo algumas de bicicleta e até já foi para o Alaska de moto.

Ele está lançando uma revista chamada Tutano, e tem uma matéria  nossa na a primeira edição.

Revista Tutano

matéria sobre comidas de Kashgar

O lançamento oficial é semana que vem, mas como estarei viajando achei legal já dividir com vocês. A viagem foi cancelada, então vou no lançamento.