Botsuana

A Botsuana é um país com uma população ainda menor que a da Namíbia  País que possui um sistema educacional, de saúde, econômico e político super desenvolvido, de dar inveja a qualquer outro país na Africa (além das ótimas carnes!!). O deserto do Kalahari toma boa parte do território, enquanto o Okavango delta é a principal atração ao norte. Entre 15 e 20 anos atrás, a Botsuana vem desenvolvendo um turismo exclusivo, de baixo impacto. Tem funcionado super bem e a procura é muito grande, apesar dos altíssimos preços. Um Lodge custa no minimo 700, 800 USD por dia para duas pessoas. Os mais refinados passam de 5000 USD por dia (com direito a safári aéreo!). Sendo assim, são muito poucas opções para quem não está disposto a gastar todo este dinheiro. Para nós, que carregamos tudo que precisamos, não é um problema, e é possível se virar bem, a custos bem baixos. Para manter o baixo impacto, mesmo com pessoas que viajam como nós, restringem o numero de acampamentos dentro dos parques para Camp sites. Excelente, ótimo acampar sem vizinhos. Ah, e parecem ter escutado as minhas reclamações dos campings nos grandes parques. Os daqui são super simples, sem estrutura e sem muros ou cercas, deixando os animais passarem livremente, inclusive no acampamento. A Botsuana é um pais com a vida selvagem super bem conservada. Aqui precisa se preocupar mais em não ser atacado por um leão ou pisoteado por um elefante do que ser assaltado. Só se tem acesso aos parques com 4×4, e se pode ate reservar algumas rotas, onde só passa um carro por dia.

Ao cruzar a pequena fronteira, que parecia um portão de fazenda, seguimos por pequenas e arenosas estradas. Mudamos um pouco nossa rota para passar por uma vila de Bushman. Estes não vivem conforme todas as tradições antigas (caçadores nômades , mas são relativamente isolados. A recepção foi super boa, e no inicio estranhamos o fato de pegarem nas nossas mãos e nos levarem para passear de mãos dadas. Era dia de festa, tinha musica e muitos estavam bêbados  Descobrimos que o time de futebol do exército da fronteira estava lá, para um jogo. Curtimos muito esta parada, dia de celebridade. Descobrimos que o caminho que estávamos indo estava intransitável, mesmo para 4 x 4, e voltamos para o plano original. No caminho a porta traseira de Landy se abriu sem que percebêssemos  dentre algumas coisas, caiu minha “day pack” com dinheiro, cartões  fotos, etc. Rodamos uns 10 km ate percebermos que tinha caído. Ao dar meia volta acabou o dísel e tivemos que pegar do galão de reserva. Neste meio tempo só passou só uma caminhonete no sentido contrário. Ao voltarmos, estava tudo lá, jogado no meio da estrada. Ufa!!

San people

San people

Maun

Maior cidade da região  onde muitos organizam seus safáris  Ficamos um tempo aqui para descansar mesmo, alem de lavar roupas e organizar o equipamento. As ultimas semanas tinham sido de muita correria. Ficamos no Old Bridge Backpackers. Lugar com um bom bar/restaurante, de frente para o rio, com almofadas e sofás espalhados, onde ficamos largados escutando jazz e lounge. De noite todas as mesas com velas, num super astral. Tinha ate uma piscina, pois no rio as vezes aparece um crocodilo ou um hipopótamo.

Old Bridge Backpackers

Old Bridge Backpackers

Moremi

Imaginem um parque onde:

–  3 vezes tivemos que parar o carro e ficar em silêncio, pois estávamos cercados por manadas de elefantes (mais de 50 elefantes cada!!)

– Corremos de um hipopótamo quando estávamos vendo o por de sol e este não gostou. No caminho no camping cruzamos com Antílopes correndo em outra direção  mas nem nos importamos e desviamos uma cobra Puff Adder (se não morrer com a picada, perde a perna) pouco antes da barraca.

– Acordamos de noite com rugidos de leões e depois com hienas.

– De manha tivemos o acampamento invadido primeiro por pequenos macacos, depois por Babuínos  que “tocaram” os macacos de lá e tomaram posse ate do carro.

Tudo isto em 24hs.

Que e que manda neste acampamento?

Quem é que manda neste acampamento?

Pathfinder

Puff Adder

Elephant Xing

Elephant Xing

Os 40 km que separam o Moremi do Chobe não são nem um pouco menos selvagens. Muito pelo contrario. Avistamos muito mais animais nesta região que nos parques. Quando estávamos fazendo um lanche numa sombra, apareceu um elefante que veio se aproximando com cara de que não gostou, e saímos um disparada. Acampamos pouco antes da entrada do parque Chobe, e pegamos muita lenha para fazer fogo suficiente para a noite toda. Criamos a linha da vida, que era a linha da luz. Onde estava escuro representava perigo. Pouco antes de dormir, subimos na Landy com holofotes  e vimos uma hiena a menos de 10 metros das barracas, só de olho. Pouco depois um hipopótamo passou por ali também.  De noite mais rugidos de leões  e uma hiena curiosa veio cheirar a barraca. Eu tive até pesadelo com tanto barulho a noite.

Africa...

Africa…

Que bela cagada!! (havaianas numero 43!!)

Que bela cagada!! (havaianas numero 43!!)

Alguem sabe qual e o lado da frente e o de tras do formigueiro?

Entrando no Chobe não muito longe dali, avistamos 7 leoas, que provavelmente foram as responsáveis pela barulheira da noite anterior. No parque do Chobe além de fazer mais safári  subimos uma pequena montanha, que e raridade na Botsuana, que é praticamente toda plana. Lá existem algumas pinturas rupestres muito antigas.

A noite em volta da fogueira, escutamos um barulho de animal a poucos metros de nós. Todos correram para o carro, e eu fiquei parado por segundos com uma cadeira de praia na mão para me defender (haha) até correr para o carro. Quando passam 3 Honey Badgers. Pequenos animais (pouco maior que um gamba), que são valentes, mas não atacam, só se defendem. Caímos na risada.

Arte

Arte

Okavango Delta

Okavango Delta

Mais Okavango

Mais Okavango

Leoas

Leoas

Restante do trajeto foi 4×4, nao passando de 25, 30 km por hora, ate chegar numa estrada asfaltada de ótima qualidade e seguirmos para Kasane, já quase fronteira com a Zâmbia. Em Kasane eles não tem muitos cachorros vira lata, mas no lugar tem Javalis largados na rua.

Seguindo para o ferry para a Zâmbia pude perceber que a Off Road Trip tinha terminado. Toda a natureza e isolamento seria trocado por caminhões, ônibus carros, gente, muita gente e diversas cores.

Etosha

Então, meio difícil escrever sobre o Etosha. E um grande zoológico  com todas as qualidades e defeitos destes. É um parque gigantesco, área suficiente para diversas espécies viverem muito bem, e conservadas de forma natural. Não é como um Kruger, mas não deixa de ser extremamente  comercial, com seus lodges refinados, piscinas e restaurantes. Claro que e um excelente lugar para ver a vida “ selvagem”, principalmente perto de vc. Os animais não se assustam, e existem os Waterholes, onde vc pode ficar tomando uma cerveja e eles vem beber água. Estes parques são meio artificiais para o meu gosto, mas talvez seja a única forma de ficar a 4 ou 5 metros de um leão.

Bota camuflagem nisto

Bota camuflagem nisto

Ta olhando o que?

Ta olhando o que?

Centenas de zebras

Centenas de zebras

Claro que agente continuou acampando, e cozinhando na fogueira, para escapar das altas taxas cobradas para estrangeiros. Um parque muito legal, totalmente recomendado, mas não é a Africa selvagem e intocada. A emoção de ver a vida selvagem livre nem se compara, mas requer tempo e paciência.

Africa!!

Africa!!

Procuramos alguns geo cache, “tesouros escondidos” com coordenadas em um site da internet. Achamos uma caixa de plastico com lembranças pessoais , alem de um caderno para colocar nome e contato. Bem divertido, pois normalmente escolhem lugares bem bonitos mas de difícil acesso.

Um elefante incomoda muita gente...

Um elefante incomoda muita gente…

Etosha depois da temporada de chuvas

Etosha depois da temporada de chuvas

Saindo do parque acampamos não muito longe, no dia seguinte paramos em Tsumeb para uma revisão no carro, comprar mantimentos e seguimos para a fronteira. Desistimos de ir pelo Caprivi, pois deveria estar alagado devido a pesada temporada de chuvas deste ano. Pena pois tem toda uma influencia de Angola que queria ver, mas acabamos passando e acampando em uma área dos San (Bushman), os primeiros habitantes do sul da África.

Foram mais de 3000 km de Namíbia, sendo que mais de 95% em Estrada de terra, e finalmente chegamos na fronteira com a Botsuana. Parecia uma porteira de fazenda, onde não passam mais que 50 pessoas por mês. Ao mostrar o passaporte Brasileiro, o Kaka foi lembrado imediatamente.

Dorp System e outras praticas

Como a África do Sul dominou a Namíbia ate 1990, exportou o regime do Apartheid para cá. Em ambos os países existiu uma prática chamada Dorp System, em que os fazendeiros e outros empregadores, pagavam parte do salario em bebidas alcoólicas  Uma forma muito clara de controlar os empregados e impedir o desenvolvimento destes. A pratica funcionou muito bem, e a herança e terrível. O alcoolismo é um grave problema, e mesmo o dorp system não existindo mais, grande parte da população menos favorecida passa todo o final de semana embriagada. Chegamos em algumas cidades na sexta feira e a fila na loja de bebidas era gigantesca.

Outra pratica legalizada no passado- e que apesar de proibida hoje- e amplamente difundida- e a punição física nas escolas. Não se comportou bem? Toma umas ripadas. Desobedeceu? Não fez lição de casa? Se atrasou? Da ate medo de pensar se na minha época fosse assim!!

Norte da Namibia

Ah Namíbia, que país encantador. Uma nova surpresa a cada Km rodado.

Saindo de Swakop, seguimos norte, por uma estrada que beirava a Skeleton Cost. Visual desértico, na beira do mar, com diversos destroços de navios e outras embarcações menores ao longo da costa (por isto do nome).

Skeleton Cost

Skeleton Cost

O gelado vento sudoeste derrubava a temperatura assim que o sol se punha (lembram que não temos janela na parte de trás?!) Andando pela costa, observamos muitas ossadas de animais também. Com certeza não e um lugar onde Robson Crusoe gostaria de naufragar. Com um lugar tao inóspito aos nossos pés, decidimos acampar!!! Posicionamos a Landy de frente para o vento, e pela primeira vez acampamos somente com 2 barracas, para que pudessem ficar protegidas do vento.

Acampando na SC

Acampando na SC

Neve na Namibia? Nao, sal!!

Neve na Namíbia? Não, sal!!

Pouco antes de chegar a Tora bay, viramos sentido ao interior, pois logo se tornaria área restrita. A paisagem lunar começou a mudar, e diversas “ Table Mountains” e outras que parecem cones passaram a surgir no horizonte. Parecia que estávamos sendo transportados a milhões de anos atrás, na era dos dinossauros.

onde estao os dinossauros?

onde estao os dinossauros?

Passando pela pequena cidade de Bergsig, por sorte fomos forcados a parar, devido a um problema na embreagem. Sim, por sorte, pois uma cidade minuscula, que apenas passaríamos abanando, foi uma experiencia sensacional.

Logo que paramos, diversas curiosas criancas apareceram. Timidade inicial vencida, já estávamos batendo altos papos, brincando e rindo muito tentando aprender a língua Damara (quase todos falam Inglês, Africaner e a língua local).

Novos amigos

Novos amigos

Apesar de ser um problema simples no carro, decidimos ficar uns dias pois o ambiente era muito simpático. Manha seguinte ao acordar vimos que as crianças estavam não mais que 30 metros das nossas barracas, só nos esperando para brincar. Decidimos subir uma montanha para curtir o visual, e a piazada foi junto, de pés descalços, apesar da relativa dificuldade da escalada. Gastamos um bom tempo la no topo, com uma vista magica.

Gregorius, o unico que subiu de tenis

Gregorius, o unico que subiu de tenis

Ao retornarmos, descobrimos a preocupação de todos, pois nas noites anteriores, algumas Cheetas haviam atacado as cabras, e fugido naquela direção. Esta região de Damaraland e Kaokoland (quase Angola) e tida como uma das ultimas áreas selvagens da região Sul da Africa (na Africa do sul por exemplo, vida selvagem somente nos parques nacionais e fazendas particulares). Descobrimos que os raros Elefantes do deserto (so restam alguns na Namíbia e em Mali) haviam passado por ali 3 dias antes, e fomos atras deles, com auxilio de uma pessoa do local. Depois de certa dificuldade devido a ausência de estradas, avistamos o grupo de elefantes ao longe. Estes animais não são acostumados com seres humanos, e como o vento soprava na direção deles, perceberam nossa presença, e se posicionaram para defender os filhotes. Já estava ficando tarde, e decidimos voltar no dia seguinte. De volta a cidade, compramos uma bola pra piazada e ficamos jogando futebol. (O comercio da cidade se restringe a um bar, que vende de tudo)

No dia seguinte, não obtendo sucesso em ver os elefantes novamente (ficamos sabendo de uma revista que demorou 3 meses para localizar estes elefantes), seguimos pela estrada, agora novamente ao norte. Avistamos Zebras, Girafas e bem ao longe Leões, todos soltos, sem cercas ou portões de parques, como deveria ser, como era no passado. Parávamos e perdíamos um bom tempo observando, hipnotizados.

Ao longe, a primeira girafa que avistamos

Ao longe, a primeira girafa que avistamos

Seguimos até Ongongo, onde acampamos a 30 metros de uma cachoeira de agua quente, entre montanhas, num vale super alto astral.

Cachoeira de agua quente!

Cachoeira de agua quente!

Região muito bonita, mas com um pequena comunidade muito pobre. Ao passarmos, muitas crianças corriam em direção ao carro, tentando vender artesanato ou lenha. Nada custava mais que 1 USD, que para eles era muito dinheiro. Todas sem roupas, com um olhar triste, de mão estendida. Sim, na Namíbia também tem miséria, e me cortou o coração.

Viajamos todo o dia por estradas parecidas com as de perto da chácara (pra quem não sabe, Tangua-Almirante Tamandare) tentando chegar ate Opuwo, mas já estava noite e decidimos acampar na estrada mesmo. Já estava acostumado com o barulho dos Chacais a noite, mas confeco que fiquei um pouco assustado ao ouvir leões. Não queria ver a natureza? Entao tome!!!rsrs

Em Opuwo (100 km de Angola) encontramos varias pessoas da tribo Himba, que ainda mantem suas tradições, e muito poucos falam Inglês. Foi uma pena não passarmos mais tempo la, mas tivemos que seguir viagem.

Himba no mercado de rua

Himba no mercado de rua

Himba Tribe

Himba Tribe

Que tal um churasco hj a noite?

Que tal um churasco hj a noite?

Ficamos surpresos ao encontrar uma estrada (muito boa) de asfalto, coisa que praticamente não havíamos visto por aqui ( existem somente entre as principais cidades), e seguimos em direção ao sul agora, rumo a Kananjab, pois estávamos ao lado do Parque Nacional do etosha, e não era permitido o acesso por ali, então teríamos que contornar o parque.

Heraras

Heraras