Feliz 2002!!!

Em 2002 eu trabalhava numa cidade no interior do Parana (15.000 habitantes, contando a região rural). Até eu assumir a gerência, trabalhava em turnos. Lembro que no ano novo iniciaria a trabalhar as 6 da manha, portanto tinha que acordar 5 e pouco. Foi um ano novo muito sem graça. Por sorte meu amigo Nilceu passou la e me levou ate o calcadão, onde olhei meia duzia de fogos e fui dormir. Como fui um bom menino, Deus resolveu me dar outra chance. Cheguei em Addis Ababa no dia 10 de Setembro, um dia antes do ano novo Etíope. A Etiópia segue o calendário da Igreja Ortodoxa, portanto entraríamos no ano 2002!!!

No dia seguinte as criancas continuavam cantando nas ruas

No dia seguinte as criancas continuavam cantando nas ruas

O Guru trabalhou com uma Etíope na Califórnia, que indicou um amigo para nos hospedar. O nome dele é Samuel. Ele morou 12 anos nos EUA, onde fez faculdade e 3 mestrados em faculdades de ponta. Voltou recentemente para a Etiópia para iniciar negócios e expandir para outros países africanos. Nos recebeu super bem, e logo nos sentimos em casa. Fomos conhecer seu escritório, ja emendamos com happy hour, ate a comemoração do ano novo em um Hotel. Tive contato com muitos Etíopes que moraram nos EUA e retornaram depois de terem se formado em grandes universidades americanas. Economistas, Cientistas Políticos, pessoas ligadas a computação… Muitos filhos de ex ministros, prefeitos, mas outros que cresceram na vida quando tiveram oportunidade de crescer. Foram longas conversas, que se estenderam pelos próximos dias que ficamos em Addis.

Samuel e Mimi

Samuel e Mimi

O ano novo daqui não é nada parecido com o de Copacabana. E bem simples, com algumas fogueiras de palha, musica e muita alegria. Tinham algumas pessoas nas ruas, andando para cima e para baixo, mas as comemorações são mais em lugares fechados. Espalham um capim pelo chão, alem de uma decoração simples. Não conseguimos estender muito noite a dentro, coisa comum, pois estávamos quebrados da longa viagem ate aqui. Não teve problema, pois a vida social continuou por mais alguns dias, eles inclusive não deixavam a gente sair de Addis rumo ao norte, pois sempre falavam que tinha uma atividade que tínhamos que participar.  Foram muitos jantares, almoços, encontros em lugares bacanas, como o bar do Sheraton. Tive que emprestar roupa, pois não viajo com “roupas bonitas” hehe.

Em uma das conversas surgiu ate uma oportunidade para eu trabalhar por aqui, mas acho que esta cedo para eu retornar da minha aposentadoria…hehe

Durante o dia, entre os encontros sociais, deu para rodar um pouco pela cidade, que é um canteiro de obras. Construções por todos os lados. Algumas regiões com avenidas largas, estruturadas mostram um lado desenvolvido, outras regiões mais sujas, com seus taxis “Lada” mostram o lado B. O que chamou atenção é a quantidade de Cafés que existem na cidade. Cada quadra tem diversos, e a população local frequenta sempre. Acho que é a cidade do mundo com maior concentração de cafés. Alias, o cafe etíope é de excelente qualidade. Com tantas opções, passamos algumas horas nestas cafeterias, que sempre servem boa comida também.

Experiencia muito rica, não por estar com a elite de um país, mas pelo que eles pensam, pela vontade de construir, de mudar, de transformar. Foi praticamente um seminário, onde cada roda tinha um tópico diferente.

O longo caminho de Nairobi para Addis Ababa

Tudo já estava agilizado então saímos só 3 horas antes do horário marcado com o motorista do caminhão. O Matatu demorou bastante, ate mandamos mensagem para o motorista para garantir. Acabamos chegando quinze para as quatro da tarde, pouco antes do combinado. O bairro em questão é Isili, bairro Somali de Nairóbi. Chegando lá nos avisaram que teríamos que esperar. Depois de um tempo nos falaram que não teria mais caminhão, mas teria ônibus. O caminhão iria muito mais rápido que o ônibus, portanto insistimos sem sucesso. Nos colocaram numa sala, e falaram para esperarmos la. Estranhamos e depois de um tempo saímos para dar uma olhada. Descobrimos que tinha sim um caminhão indo ate Moyale (fronteira).  Falamos que só iriamos com o caminhão. Nos mudamos para a frente de um bar e ficamos esperando mais um bom tempo. Depois vieram nos falar que era impossível irmos de caminhão, que eles tinham decidido que iriamos de ônibus. Nem adiantou o motorista do caminhão tentar nos ajudar, pois ELES tinham decidido, parecia piada. Pior que o Guru ja tinha pago tudo para garantir o lugar.

Pra piorar era Ramadam, e ninguém vendia comida. Como aqui praticamente so tem Somalis, levam muito a serio. Pra resumir realmente tinha um ônibus, e que surpreendentemente não ia até Isalo, e sim ate Moyale, na fronteira. Estes ônibus são raros, e normalmente tem que se fazer a viagem em etapas.

Depois de comermos, seguimos ate o ônibus que era praticamente um ônibus de linha e não de longa distancia. Milhares de malas, sacolas, caixas no topo, mas levei minha mochila comigo. As 21 hs estávamos saindo, e fui deitado pois sobrara espaço. A alegria não durou muito. Chegando em Isalo, no inicio da madrugada, o ônibus ficou super lotado, inclusive com caixas e bugigangas no corredor. Se olharem no mapa, Isalo não é longe de Nairóbi, tem muito Quênia pela frente, mas é a ultima cidade “estruturada” (na verdade só tem o básico do básico). Dois seguranças devidamente armados subiram no ônibus e passaram a  nos acompanhar ate a fronteira. Ja faz tempo que não existem problemas nesta região, mas as empresas de ônibus parecem se precaver.

Viajamos por horas e horas no meio do nada. O único animal comum aqui e o dik-dik, o menor antílope do mundo, do tamanho de um pequeno cachorro. Paramos poucas vezes, e os locais eram aglomerados de casas, mal da para chamar de vila. Numa das paradas um senhor de idade bastante avançada se aproximou de mim. Era o homem santo da região. Pegou na minha mão, cuspiu levemente e esfregou. Depois passou a mão no meu braco e rosto e me abençoou. Um Queniano traduzia o que ele falava. Falou que homem branco tinha que ser abençoado para passar por aquelas terras, e que eu era uma pessoa do bem. Ele disse que nunca se enganara, e que eu deveria levar a paz comigo… Muito bacana!

A Paisagem já estava bastante desértica ate chegarmos em Marsabit. Pequena região onde existe um parque nacional. Na bera da estrada pudemos ver alguns animais, dentre eles uma manada de elefantes. A paisagem continuou desertica depois deste “oasis” que é Marsabit. Pudemos ver varias crateras de vulcões, que estão espalhadas por esta região. Os Dik-dik foram ficando mais raros, e depois de um tempo só dava para ver alguns camelos, criados por algumas tribos que moram na região. Incrível que por mais inóspita que seja a região, sempre tem alguém se adaptando e sobrevivendo.

Horas e horas de Dida Galgalu, o deserto  de pedra, exatamente 26 hs depois de sairmos de Nairóbi, nos chegamos a Moyale, na fronteira. Procurar um hotel não foi difícil, pq só existem 3 opções. Nem percebi que o banho era frio e de balde, de tanto que estava precisando. Cheguei ate a levar baldes extras para aproveitar bem.

Deserto Dida Galgalu

Deserto Dida Galgalu

Dia seguinte cedo trocamos o restante do dinheiro e atravessamos a fronteira. Do lado da Etiópia o oficial resmungou que eu tinha um carimbo em cima do visto (na verdade não cobria nada). Falou que eu não podia entrar, que teria que voltar e tal. Sabia que ele não podia estar falando serio, mas fiquei preocupado se ele queria uma grana para me liberar. Final das contas só na conversa ele acabou me liberando.  O segundo problema que enfrentamos é que a imigração só abre as 8 hs, e o ônibus sai as 6. Não poderíamos ficar um dia inteiro de bobeira la, então fomos logo descobrindo onde era a parada dos caminhões para arranjar uma carona. Não demorou muito e descobrimos um que estava indo direto ate Addis Ababa. Melhor que o ônibus, que pararia na metade do caminho. Apos negociarmos tivemos que aguardar carregarem o caminha e partimos. Ao contrario do lado do Quênia, onde as estradas são de terra, no lado da Etiópia são todas asfaltadas. Aquelas retas intermináveis, inicialmente toda plana, mas depois começou a surgir um relevo. Paramos umas 2 vezes para carregar carvão de umas comunidades que vivem próximas da estrada, e depois foi meio direto. Na cabine estava eu, Guru, Motorista e um auxiliar. Meio apertado, mas dava para cochilar e eles eram gente boa. Foram mascando Qat do inicio ao final da viagem (igual ao Mira que comentamos em Lamu). Ate experimentei, por uns 5 min, mas é muito ruim. Para fazer efeito tem que mascar por horas. Com certeza vale mais a pena tomar um cafezao ou um Red Bull!! De qualquer forma era bom, pois o motorista ia dirigir a noite toda.

Carona na Etiopia

Carona na Etiópia

Jantamos uma gostosa macarronada, herança dos italianos que ocuparam a Etiópia no período da Segunda Guerra, mas logo continuamos. Já de noite vimos uma pessoa andando no acostamento, de repente ela sumiu. Era um bêbado, que caiu numa valeta. Na mesma vila vimos outro cara dormindo no meio da estrada. Pelo jeito o pessoal gosta de um “gole” aqui…

Na Boleia

Na Boleia

Dormimos pouco, pois preferimos fazer companhia para o motorista, para que ele não dormisse. Passamo por Shashemene, região dos Rastafaris. Alias, a religião Rastafari iniciou na Jamaica, mas adorando um Rei Etíope. Ras= Rei Ta Faris (vejam a musica get up stand up, do Bob Marley). Foram muito influenciados pelo fato da Etiópia ter sempre sido uma nação independente, nunca foi colonizada (existem outras crenças, que o rei fez chover, mas ele não gostou muito da historia). Ela foi ocupada pelos Italianos na guerra, mas a Franca também foi ocupada pelos alemães, não foi?! No final do seculo 19 a Itália também tentou ocupar a Etiópia, mas perdeu a guerra. A Etiópia sempre foi uma nação com grande potencial, altas taxas de crescimento ate os anos 70, quando iniciou um regime comunista que acabou com o pais.

No outro dia pela manha chegamos em Addis Ababa, capital da Etiópia. Uma grande metrópole, uma das maiores da África. As placas em Amarico, língua que falam aqui (escrevem diferente também) dão um charme para o local. Pastores levavam suas ovelhas no meio das ruas. Logo vimos que a Etiópia tinha um estilo próprio, diferente de tudo que vimos na África.

Nairobi / Extreme Makover 2

A um tempo atrás descobri que tinha um cara (nome dele é Guru) fazendo um roteiro pela África não muito diferente do meu, e que inclusive ficara na casa da mesma pessoa no Burundi e conhecera outras pessoas em comum. Acabamos entrando em contato e combinamos de ir para a Etiópia juntos. Depois dele visitar a vó do Obama, ficou uma semana em Nairóbi me esperando, fazendo couchsurfing num subúrbio. Neste meio tempo ele já agilizou um caminhão para irmos ate a Etiópia. Teria que esperar 2 dias em Nairóbi, e a família fez questão que eu ficasse la também. O Guru e Indiano, radicado nos EUA. Já esta viajando ha 2 anos, e pretende viajar mais 2. O Samuel, anfitrião, foi inclusive me buscar no aeroporto.

Curti Nairobi de uma forma diferente. Sempre íamos para o centro para fazer coisas praticas, mas passamos muito tempo dentro dos Matatus. Matatus daqueles originais, escuros dentro, com luzes piscando, telão com videoclipe. A casa dele ficava em Kayolo, subúrbio ao leste de Nairobi, a duas horas do centro. Casa simples, com banheiro fora, comunitário para varias casas. Chão de terra. Casa com 2 quartos, sala e cozinha. Não tinha água encanada, mas bem cuidadinha e com simples decorações. Me chamou atenção que um miolo de rolo de papel higiênico era utilizado para deixar a cortina aberta. Fiquei num quarto com cama, mas ele não tinha janelas, só uma telha transparente para entrar luminosidade. Eles adoram ver filmes. O Samuel falou que queria ver alguns filmes de noite. Na minha cabeça passaríamos numa locadora, certo?! Não, passa num camelô e compra, é tão baratinho. Nem existe aluguel. Outro dia resolvemos ir para Westlands, área rica de Nairobi. Fomos num shopping e depois almoçar num restaurante indiano que é considerado o melhor do Leste da Africa. Muito bom.

Um final de tarde quando voltávamos para casa e o transito estava infernal. O Matatu que estavamos ia pela calçada so para ganhar poucos metros. Um bom tempo depois chegamos a um acidente. Para controlar o transito, um policial, ou segurança particular, empunhava uma AK47 em uma mão e um chicote na outra. Na Índia ja tinha visto policiais distribuírem varetadas, mas um super chicote destes foi novidade para mim.

A família que nos hospedou era super simples, mas faziam questão de nos servir comida todas as refeições, e tentar aprender sobre os nossos países e cultura em geral. Foi uma super experiencia, com pessoas maravilhosas.

Kayole/Nairobi

Kayole/Nairobi

Não cortava meu cabelo desde que cheguei na Africa, então resolvi fazer outro extrem makeover. Querendo ou nao, este é o corte local. O pessoal na barbearia, que ficava perto da casa do Samuel, se divertiu um monte.

Ainda com cabelo

Ainda com cabelo

Careca

Careca

Despedida

Ok, tinhamos que voltar para Tana. Uma esticada de um dia inteiro de viagem. Chegariamos tarde, mesmo se acordassemos cedo. Tinha que pegar barco, passar no caixa automatico para sacar dinheiro e percorrer a bela estrada novamente. O dia voou, nem sentimos que estavamos viajando tanto, porem so ate escurecer. Depois, sem poder ver a paisagem, so dormindo, o que era impossivel com tantas curvas.

Nos sentimos em casa

Nos sentimos em casa

 

Barco

Barco

 

Menina na escada

Menina na escada

 

Canion

Canion

 

Criancada

Criancada

 

Madagascar rural

Madagascar rural

 

Madagascar Urbano

Madagascar Urbano

 

Pela janela

Pela janela

 Resumindo a historia, como fizemos as devidas paradas para as refeicoes, e nos enrolamos para sair, chegamos em Tana so as 4 da manha. Depois de tanto viajar resolvemos ficar em outro hotel, mas procurar a esta hora era loucura. Fomos num que eu tinha visto, mas era so um pouco melhor e muito mais caro. Resolvemos arriscar um com cara de caro, que de fora  nao parecia nada de mais. Entramos e na hora vimos que este era nosso descanso merecido. Hotel boutique, todo descolado, com decoracao asiatica, e para nossa sorte tudo na metade do preco!!! Quase nao acreditamos, e ao ficar mais uma noite, vimos que cobraram so uma diaria, pois segundo eles tinhamos chegado cedo…

Aproveitamos para conhecer Tana melhor. Tem uma regiao cheia de joalherias, e nao muito longe ficam as galerias de arte, cafes, e lojas que fizeram a Bibi querer comprar tudo. Ha, tinham bolangeries bacanas onde dava para tomar um café e um sorvete. De noite rolou um jantar de despedida com a tchurma, e tava muito legal.

Mas nao tinhamos visto os Indri ainda, o maior dos Lemurs, entao outro dia cedo fomos para o parque de Antasibe ao leste de Tana. Fica na floresta tropical, e logo dava para ver porque em ingles chamam Rain Forest. O tempo ficou meio fechado, chuviscando, e apesar de nao ser tao longe de Tana, demorou para chegar de tantas curvas e sobe e desce.

Na entrada do parque tomamos café da manha, e ja vimos uns lemurs ali mesmo, praticamente fora do parque. Iniciamos a caminhada por uma trilha que estava molhada e escorregadia. Logo avisaram nosso guia onde estava uma familia de Lemur, e fomos direto ao encontro deles. Ja estavamos satisfeitos com tantos lemurs que haviamos visto, e ainda por cima tao de perto, mas os Indri nos surpreenderam. Sao grandes (quase um metro) e sem cauda. Estes sim parecem nossos primos. Eles dao uns pulos muito longe de uma arvore para outra. Muito legal, ficamos um bom tempo com eles, e tambem pudemos observar de perto. Valeu muito a pena ter vindo!!

Indri

Indri

 

Casal

Casal

 Resolvemos passer os ultimos dias ainda mais ao leste, em Ankanin Nofi, que faz parte de uma serie de canais que segue paralelamente ao mar. Era o destino ideal para quem buscava tranquilidade, e ainda mais a Bibi que estaria voltando para o Brasil enquanto eu seguiria viagem. Para chegar em Manambato, onde pegariamos um barco para o hotel, tivemos que percorrer a parte final do trajeto em estrada de terra. Chegando la tivemos problemas em conseguir um barco e lugar num hotel. Descobrimos que tudo nesta regiao funciona com pacotes. Tivemos que dormir nesta praia mesmo, para so ir no dia seguinte. Na outra manha o tempo tava ruim, e pensamos ate em voltar para Tana. Nao deu certo, pois o barco depois de ter atrasado, chegou. Ja que tinhamos que ir, resolvemos almocar la, ver se era tudo aquilo que diziam, e se nao gostassemos voltariamos no mesmo dia e emendariamos a estrada ate Tana. O tempo continuava ruim, chegamos na pousada que fica numa pequena praia e eramos os unicos hospedes. Falamos que nao sabiamos se ficariamos, mas fomos bem recepcionados com drinks de boas vindas. Nem precisou chegar a cerveja que pedi, para a Bibi ficar meio tonta. Ficamos curtindo, batendo papo, almocamos, quando o tempo comecou a abrir e tudo mudou. Que diferenca faz o sol!!! Decidimos ficar, curtimos uma praia e depois voltamos para nossa cadeira espreguicadeira com uma super vista. Nao e que de repente algo pula numa mesa ao lado. Nos assustamos e logo vimos que era um pequeno lemur, que em seguida pulou no parapeito a nossa frente e em seguida no colo da Bibi. Ficamos meio sem saber o que fazer, se era domesticadado ou o que, quando ele comecou a lamber o dedo da Bibi. Ficou um tempo ali, e saiu pulando para as arvores. No jantar muito camarao e sossego. Ficamos curtindo aquela praia so para nos, mas logo tinhamos que voltar para Tana.

Bibi com a nova amiguinha

Bibi com a nova amiguinha

 

Pegamos barco e depois a estrada, que foi mais demorada que imaginavamos. Chegamos em Tana e nao quisemos fazer muita coisa, pois no dia seguinte ja pegariamos o voo. De noite fomos jantar e resolvemos ficar no bar do hotel pra curtir um pouco. Tava rolando uma festinha que logo fomos convidados para participar. Era dos donos do hotel, que foram com nossa cara e resolveram pagar as bebidas. Isto que e despedida!! Ficamos batendo papo com eles e depois sozinhos.

Na manha que pegariamos o voo, acordamos dancando e cantando, coisa que era meio comum quando tinhamos som- pareciamos 2 sem nocao. No embarque tudo certo, so um contratempo na hora de trocar dinheiro. Chegando em Nairobi fiquei com a Bibi ate ela embarcar para Dar. Ja tinha sido dificil me despedir dela no Brasil, mas agora, da nova Bibi foi pior ainda…

A Praia

Vi o filme “A praia”, a muito tempo atras. Quando fui para a Tailândia em 2004 vi mais umas 10 vezes, pois como o filme se passa la, muitos restaurantes exibem o filme continuamente. La li o livro, que e muito legal, tem algumas historias que não estão no filme. Me deram o livro, depois que eu li tinha que colocar o nome e passar para frente. Estou fazendo o mesmo com os livros que leio aqui. O filme tem algumas partes meio doideira demais, mas no geral mostra bem a comunidade de viajantes, que vai fazendo amizades, curtindo e tentando descobrir novos lugares fantásticos inexplorados, o famoso ” Universo Paralelo”.

Quando chegamos a Touliar já tínhamos decidido que iriamos pegar o barco e ir para o sul em vez de seguir por estrada para o norte. Anakao parecia mais atrativa, devido ao meio isolamento. Por estradas demorava quase um dia de viajem, apesar da pouca distancia. De barco não mais que uma hora. Ao chegarmos no local onde pegaríamos o barco, já estavam nos esperando.Colocamos as bagagens numa carroça de boi e fomos numa outra. Os carros de boi nos levaram ate o pequeno barco que não estava longe. Contornamos um pequeno porto antes de seguir paralelamente a praia ate chegar em Anakao. Passamos por águas rasas e deu para sentir o que nos esperava, pois a água era impressionantemente azul. Em algumas barreiras de coral dava para ver que teria onda, e com boa formação.  O barco parou bem no meio da bela praia. Um francês veio oferecer um chale mas fomos conferir a pousada indicada pelo pessoal do barco. Pousada bacana, meio isolada, mas estruturada. Resolvemos procurar outra para comparar custo beneficio, alem de conhecer a do francês. Mochilas nas costas e caminhada pela areia. Eu e o Gaku fomos na frente para dar uma olhada. A pousado do francês são só dois chales e um estava ocupado. O nosso teria 2 quartos e era de frente para a praia. O restaurante era um pouco mais para cima, com uma vista fantástica. La era a casa do francês e sua nova família malagaci. Já engatamos num papo na varanda e logo nos sentíamos em casa. Caminhamos para conhecer a pequena vila que não é tão atraente, mas possui vários restaurantezinhos e todos aqueles barcos coloridos. Tentamos achar outra pousada pois na nossa só tinha um banheiro e portas cortina, mas nenhuma tinha o custo beneficio da nossa (existem pouquíssimas opções). Toda hora ofereciam lagosta, por preços que quase não acreditávamos. Fiquei sabendo que tinha um barco com sulafricanos que vieram só para pegar onda, então já tratei de arranjar uma prancha para alugar para o dia seguinte. Na verdade fechei com um barco para surfar enquanto a Bibi e o resto do pessoal iam ver umas baleias. Depois todos iriamos para Nosi Ve pegar praia, comer lagosta e mergulhar.

Carro de boi

Carro de boi

Cores

Cores

Voltamos para a pousada e descobrimos que a comida era maravilhosa. Isto fez com que nem comêssemos em outros lugares, apesar da pousada ser mais cara. O lugar era simplesmente demais.

O pessoal decidiu que iria ver as baleias e ir para a ilha em outro dia, então eu acordei que só eu que iria, e só para surfar. O barqueiro falava francês quase que nem eu (nada!) e acabou dando uma confusão. Por sorte o dono da pousada tava junto e viu o final do acordo.Tinha combinado de sair as 6 hs, e 5 e pouco já tava tomando cafe e preparado. Tava ventando, o que eu queria evitar ao acordar cedo. No horizonte se formava um arco iris, e uma tempestade. O cara demorou um monte e quando chegou queria que todo mundo fosse, se não não ia. Fiquei puto, e depois de discutir um monte acabei acertando com um amigo dele. Não teria como convencer o pessoal de ir na chuva. Sai, de bermuda, camiseta, capa de chuva,e prancha. Era uma canoa com motor, com aqueles apoios laterais para dar estabilidade. Fomos indo mar a dentro em direção a barreira de coral onde as ondas se formam. Não demorou muito para eu ver o barco dos sul-africanos do lado de uma espumeira branca, mas estava muito longe para ver as condições. Chovia relativamente bastante, e o mar tava meio bagunçado. Só quando chegamos mais perto que vi que realmente tinha onda. Deu aquele friozinho gostoso na barriga. Passei a jaqueta para o barqueiro e me joguei na água. Estava do lado de onde estava quebrando as ondas, e logo a corrente me jogou para traz. Vi que seria “remadeira. E foi, não dava para parar de remar, se não ficava de fora do ” pico”. Tinham 6 sul-africanos, mas  para minha sorte não mais que 3 ao mesmo tempo na água. A chuva foi diminuindo ate parar. O vento demorou um pouco mais, mas logo parou e o tempo abriu. Logo as ondas tomaram formas perfeitas e um tamanho considerável. Foram horas de excelentes ondas, dividindo somente com 2 ou três outras pessoas. No inicio fui meio devagar, pois o coral não e muito fundo. Também tentava não lembrar que as águas de Madagascar são infestadas de tubarões. Nunca teve ataque, mas vai que mudam a dieta bem quando eu to ali. Não posso dizer que peguei muita onda. Devido a remadeira cansei rápido. Achei que minha performasse seria melhor, devido a qualidade das ondas, mas deu para curtir bastante. Ultima vez que tinha surfado foi em Coffe Baii, na Africa do Sul. Lá também tinha tido sorte, pois tinha onda e tava tendo WQS (campeonato mundial seg div) em Durban, e dividi as ondas só com um australiano.

Esperando o barco com este visual

Esperando o barco com este visual

Crawde em Anakao

Crawde em Anakao

Muita onda, pouca gente!

Muita onda, pouca gente!

Voltei para a pousada tarde, com aquele sorrisão na cara, quando o braco já não respondia, e estava sozinho na água. Deu tempo comer alguma coisa e ficar largado de frente para a praia com a Bibi. Crianças nos cercaram para vender de tudo. Como não compramos nada, resolveram cantar para pedir dinheiro. Percebemos a malandragem, e cada musica que cantavam, nos cantávamos de volta. Final das contas nos divertimos, mas nem deu para conversar ou ler. No jantar tínhamos encomendado lagosta. O prato tava delicioso e tinha “só” três lagostas para cada um. Ficamos conversando, tomando uma cerveja e jogando.

Outro dia pegamos uma canoa/jangada. Não era com motor e sim com vela, mas um sistema diferente das Dhow do Leste da africa. Fomos ate a pequena ilha que fica logo a frente de Anakao, Nosy Ve. Na chegada na ilha nem falávamos, de tao hipnotizados que estavamos com o vizual. Que praia!!

Chegando em Nosy Ve

Chegando em Nosy Ve

E uma ilha sagrada, portanto não tem construções. A Bibi e a Koku ficaram tomando sol e eu e o Gaku fomos dar a volta na ilha. Algumas especies endêmicas de pássaros e praias paradisíacas. Difícil de saber qual o lado mais bonito da ilha. No mais só ficar largado e curtir a praia, onde só tínhamos nos. Chato, né?! O lugar e tao bonito que a gente fica ate meio bobo. Encontramos o espanhol que tava na mesma pousada que agente. Ele foi ver as baleias com uma francesa e ela teve que voltar, ele ficou para ir com a gente.

Praia de fora

Praia de fora

Praia de dentro

Praia de dentro

Na volta ventou muito. A Bibi foi quem mais se molhou. tivemos que fazer uma triangulação para conseguir pegar o vento próprio para voltar, e quando isto aconteceu decolamos. Chegando tomamos banho e fomos para um barzinho na vila, para fazer a nossa despedida da praia.

Anakao não e “A Praia”, já ta “popular” demais para isto, mas curtimos o nosso ” Universo Paralelo” la.

Ps- Depois acabamos sabendo de uma praia, bem mais longe, isolada, e bonita que Anakao. Falaram que deixa Anakao no chinelo. Não tivemos tempo de ir (só soubemos quando estávamos em Tana), mas se algum se habilitar estamos vendendo o Mapa!!