Carnaval em (El) Salvador!

Com a terrível guerra civil em El Salvador, muitos salvadorenhos emigraram para os EUA, principalmente para o estado da Califórnia.  Nos bairros de baixa renda, não foram tão bem recebidos, pois o grande número de pessoas chegando representava uma ameaça aos empregos de outros imigrantes. Marginalizados agruparam-se em uma gangue que foi crescendo e se organizando. Os Mara Salvatrucha, MS-13, passaram a ser respeitados e foram ampliando seu território, e dominando o tráfico de drogas em algumas regiões. Nisto acontece  uma dissidência e surge os Mara-18, que passam a ser rivais dos seus compatriotas. Ambas as gangues recebem também ex-guerrilheiros, e se tornam ainda mais violentas. Como última alternativa, os EUA passaram a deportar os chefes dessas organizações, mas o problema só aumentou. Em El Salvador as organizações cresceram rapidamente e com o dinheiro do tráfico nos EUA se profissionalizaram ainda mais.  Passaram a atuar como milícias, recebendo dinheiro em troca de proteção e exercendo poderes e influência politica cada vez maior.

A situação estava se tornando insustentável, quando no ano passado os líderes do MS 13 e Mara 18, sentaram para conversar dentro do presídio de segurança máxima em San Salvador. O governo deu algumas regalias para esses presos, e com o novo acordo, a violência despencou. Homicídios caíram 32% e sequestros 50%. Escutamos que jovens deixaram de ser recrutados, ou pelo menos criaram uma mínima idade para isto.

Exite um documentário chamado La Vida Loca  muito interessante sobre este assunto.

Ainda na Nicarágua  quando voltei da Costa do Mosquito para encontrar a Bibi em Santo Tomas, pedi a um senhor numa loja ligar para o mesmo taxista que tinha levado ela até o monastério. Seguimos pelas bonitas estradas rurais, e demorou uns 40 minutos até chegar lá. É um mosteiro trapista feminino, aquela ordem do filme “Sobre homens e deuses”. Tinha um padre italiano muito gente boa e outras hospedes, freiras franciscanas missionárias muito divertidas. Fiquei um dia com a Bibi e gostei muito do lugar. Antes de pegarmos a estrada para Leon, antiga capital e reduto dos Liberais no passado (Granada era onde prevaleciam os Conservadores).

Bibi com as missionárias e o padre

Bibi com as missionárias e o padre

Apesar de bonita, a arquitetura de Leon não chega a ser uma Granada, mas é muito mais “viva”. Cheio de estudantes nas ruas, pessoas praticando esportes nas quadras, movimentada. Os painéis pintados nas paredes e muros fazem a revolução parecer ainda mais viva.

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Painéis revulucionários pela cidadew

Painéis revulucionários pela cidadew

No nosso planejamento inicial, não iriamos para El Salvador. Ao longo da viagem fomos amadurecendo esaa ideia  Em Leon descobrimos que o ônibus que vai direto até lá não tem horário fixo, pois vem desde a Costa Rica. Resolvemos pegar os “chiken buses”, afinal em quilômetros não era tão longe. Mas isto quase custou a minha vida, não pelo perigo, mas porque a Bibi queria me esganar!!rsrs

Uma lotação de Leon até Chinandega, outra que já estava saindo até a fronteira em Casaule. Paga uma taxa de 3 USD para sair da Nicarágua e outra de 2 usd para entrar em Honduras (onde foram muito atenciosos). A Bibi quis comer e sem querer acabamos perdendo o ônibus que estava para sair (aí eu que quase a matei!rs). Foram horas pelas estradas abandonadas do sul de Honduras, onde crianças tapavam buracos em troca de moedas jogadas pelo motoristas, e lagartos eram oferecidos como uma nutritiva refeição de proteínas.

Lotação em Honduras

Lotação em Honduras

Chegamos em Somotilo/Guasaule onde fizemos nova imigração agora para El Salvador. Estranhamente não carimbam o passaporte, tem só um controle eletronico. Pegamos um ônibus até San Miguel onde conseguimos pegar outro até San Salvador, capital do país. Ônibus animado, com vendedores de tudo que é tipo de comida. Os saquinhos com bebidas também fazem sucesso por aqui. Saquinhos de água gelada são infinitamente mais baratos que água mineral. Os de água-de-coco gelado, com pedaços de coco dentro, são artesanais (com um nó na ponta), e são uma deliciosa pedida. Al[em dos vendedores ambulantes de tudo, há os cantantes que animavam o belo trajeto.

Chegando em El Salvador, já estava escurecendo. Muitas pessoas se ofereceram para nos ajudar a chegar aonde queríamos ir. Acabamos pegando um táxi até uma estação de onde saem micro-ônibus direto para a praia. A Bibi tava meio tensa com a história dos “Mara”, mas o pessoal falava que o maior problema era a violência entre eles, além da extorsão (o famoso pagar por proteção). Esperando o micro-ônibus na estação particular, vigiada com câmeras e seguranças fortemente armados, torcíamos para que o pagamento para os Maras tivesse em dia, pois se não estivesse seria uma guerra…rs

Mais quarenta minutos de viagem, agora num confortável ônibus com filme e musica, e nos deixaram na entrada da praia de El Tunco, logo após o porto de La Liberdad. Treze horas de viagem para percorrer menos de 500 km. El Tunco é uma praia famosa pelo surf, cheia de pousadas, portanto não foi difícil achar um lugar bom e barato para ficar. Centro pequeno, com meia duzia de restaurantes e outra meia dúzia de lojinhas. Como é voltado para o turista, os preços eram um pouco acima do que estávamos pagando na viagem, mas nada exorbitante. Apesar de ser considerado um destino onde rolam algumas noitadas, até que não estava muito movimentado fora do final de semana. Mas no sábado a balada era pesada, com muito ragaton e pessoal se esfregando estilo funk. Apesar de ser carnaval, não entramos no embalo. Estávamos em outro ritmo então relaxamos por uns dias, curtindo o final da viagem. Acordava cedo todo dia, para surfar quando o mar ainda não estava lotado. Encontramos o Igor, brasileiro que também estava viajando pela America Central, pela oitava vez, apesar de ter feito um trajeto totalmente diferente do nosso. Ele estava com outra brasileira, Ana, que conheceu em Honduras. Curtimos um clima de praia, comida e cervejinha. Férias da viagem, antes de irmos para San Salvador.

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El Tunco

El Tunco

Segundo aquela ironia, mais uma capital com uma catedral, palácio do governo, teatro, mercado de rua… e nada de mais. Mas queríamos conhecer a catedral para visitar o túmulo do Monseñor Romero, padre conservador, amigo da elite do país, mas que se comoveu com a causa camponesa, e acabou lutando e morrendo por eles e foi assassinado. A guerra civil foi brutal, e enquanto os camponeses estavam lutando, o governo (ditadura) contrarrevolucionário invadia as vilas e matava todas as mulheres e crianças, para abalar os guerrilheiros. Assim como tantos outros lugares que passamos, vimos que a guerra-fria não tinha nada de fria. Se EUA e Russia não tinham coragem de se enfrentar, patrocinavam pessoas para fazer isso por eles, testando seus equipamentos e lucrando com isto. Conseguimos comprar um livro a seu respeito e conversar com algumas pessoas que dizem ter sido curadas por milagres dele. O Padre Oscar Romero foi indicado para o premio Nobel da Paz em 1979, mas perdeu para Madre Tereza de Calcutá  Há quem diga que ele só foi não foi o vencedor por interferência direta dos EUA e da própria Igreja Católica. Nunca vamos saber. Gosto muito de uma frase dele, “o verdadeiro pecado é a injustiça”.

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San Salvador

San Salvador

Ainda tínhamos uma viagem até Tegucigalpa, capital de Honduras. Honduras é o país mais desigual das Amáricas (seguido de Guatemala e Brasil). Pegamos pela primeira vez o ônibus de alto padrão TICA bus, que circula por todas as capitais da América Central. Confortável,  mais rápido, mas sem graça. Uma viagem passa a ser somente um deslocamento, sem nenhum aspecto cultural. O turismo em Honduras se concentra no norte, basicamente nas ilhas Rotam e nas ruínas mayas Copan. Desta vez não teríamos tempo para visitar, mas numa próxima  viagem pelos países mais ao norte, com certeza estarão no nosso roteiro. De qualquer maneira, andando pelas estradas de Honduras,  nos deu vontade de viajar pelo interior do país, aleatoriamente descobrindo seus “segredos”. Tegucigalpa está no topo da lista das cidades mais violentas do mundo, onde grande parte dessa lista são cidades latino-americanas. Se alguém tem medo de ir para lá, vale lembrar que Maceió também está no topo de qualquer lista. Varias outras cidades brasileiras figuram as listas de mais perigosas do mundo, inclusive Curitiba.

A cidade não tem atrações em si. Se o Rio de Janeiro tem o Cristo redentor, Tegucigalpa tem o Cristo del Picacho. Se bem que este é bem menor e vistoso. O que não são menores são as favelas, que se espalham por toda a cidade, sendo difícil identificar onde termina um bairro e onde inicia uma favela. Talvez tudo seja uma mistura dos dois, sem contar com a pequena e milionária elite. Na frente do aeroporto um shopping moderno contrastava com o cenário. O pequeno aeroporto (maior aeroporto não fica na capital, e sim próximo as áreas turísticas) cobra uma taxa de saída caríssima, o que me deixou revoltado.

Colinas de Tegucigalpa

Colinas de Tegucigalpa

Tanto tempo de viagem pela América Central e agora um curto voo de volta para a Cidade do Panamá, onde dormiríamos uma noite antes de voltar para o Brasil.

Sandinista!

A Nicarágua é um dos países que mais vezes foi invadido pelos EUA. É também um dos poucos países onde os EUA admitem que perderam uma guerra. Uma das primeiras invasões foi pelo Mercenário americano Willian Walker. Com a proibição da escravidão nos EUA, ali a prática poderia ser rentável. Com a corrida do ouro, muito americanos navegavam pelo rio San Juan até o lago Nicarágua, atravessavam os poucos quilômetros de terra até o porto, onde pegavam um navio até a Califórnia. Era muito mais rápido, fácil e menos perigoso que atravessar os EUA por terra. Primeiramente ali pensaram em construir um canal transoceânico, mas depois de verem a atividade dos vulcões ao redor, acabaram transferindo para o Panamá.

A figura histórica mais importante do país é o Augusto C. Sandino, guerrilheiro nacionalista que lutou contra as interversões americanas e ditaduras instaladas. Acabou sendo assassinado após ter assinado um tratado de paz, pelo então ditador Somoza. A dinastia Somoza dominou o país com mãos de ferro por décadas e possuíam mais da metade das terras da Nicarágua. Como se o fantasma do Sandino tivesse voltado para prestar conta com os Somozas, surge a FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional). Em épocas de guerra fria, não era mais uma guerrilha somente nacionalista, mas também comunista (quem negaria o apoio da URSS tendo um inimigo em comum?). Para o povo sofrido com tantos anos de ditadura isto pouco importava, queriam era mudanças. Estudantes e camponeses aderiram a luta da FSLN, e finalmente acabaram com a ditadura. Parecia tudo terminado, mas o então presidente americano Reagan, decide apoiar a antiga guarda nacional do Samoza, e cria os “Contras”. Uma brutal guerra civil por mais quase dez anos, até que  assinam uma tratado de paz. Finalmente uma democracia. A FSLN perde a eleição, e existe uma sequencia de governos extremamente corruptos. Uma coalizão da FSLN com o ex-lider dos Contra assume o poder anos mais tarde, mas a corrupção não muda.

Toda a instabilidade do passado e dificuldades do presente, fez com que o turismo não tenha se desenvolvido tanto na Nicarágua. Com isto a região nos pareceu muito mais autentica, povo simpático e cultura melhor preservada. Mas tudo isto tende a mudar, o NY Times recomendou o país como um dos destinos para ser visitado em 2013: (Clique aqui).

Na movimentada fronteira de Peñas Blancas, pagamos a taxa de 13 usd (não precisa de visto, mas tem que pagar esta taxa) e pegamos um táxi junto com duas holandesas. De ônibus teríamos que fazer algumas conexões, seguir ao norte até Rivas para depois voltar. Fui batendo papo com o motorista que era muito gente boa, e os preços também eram bem convidativos. Não demoramos muito para chegar a San Juan del Sur, um balneário movimentado para o padrão das praias nicaraguenses, com sua praia em forma de ferradura e diversos barcos ancorados. Os preços eram menos da metade que os da Costa Rica.

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Por do sol em San Juan del Sur

Por do sol em San Juan del Sur

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De lá aproveitamos para visitar as outras praias da região. Para chegar na Playa Hermoza, não existe transporte publico, mas algumas vezes ao dia sai um caminhão pau-de-arara para levar o pessoal. Depois de trafegar por estradas de terra e passar por diversos portões de fazenda, chega-se à praia. Longa, boa para o surf, com petras para quebrar a monotonia do horizonte. Somente uma pequena pousada e um restaurantezinho.  Água gelada do pacifico para refrescar os sol que estava fortíssimo, e ainda tivemos a surpresa de ver pequenas tartarugas dando seus primeiros passos sentido ao mar.

Tartaruga

Tartaruga

Já a praia de Maderas já é mais da “galera”. Pequena, boas ondas, musica e publico jovem. A Bibi acabou fazendo aulas de surf e nos divertimos bastante. Ela surfando e eu vendo ela levar uns tombos!rs Ficamos amigos de umas norueguesas que também estavam fazendo aula de surf, e acabamos saindo em San Juan para comemorar o aniversário de uma delas. A balada é pesada por ali. Toca algumas musicas tradicionais e internacionais, mas o foco mesmo é o regatone. Antes de sair demos uma passada no desfile da miss Nicaragua, que estava acontecendo em um palco montado na praia. Super simples, mas tava divertido de ver, principalmente pela reação do publico.

Bibi surfando

Bibi surfando

Mas apesar da vida noturna movimentada, de dia o lugar parecia uma pequena vila. Ficamos numa pequena pousada bem gostosa e aproveitamos bastante a região. No mercado tinha uma seleção de frutas diferentes para experimentar, mas nem por isto abandonei os galo-pinto (feijão com arroz) feito com tanto carinho pela dona da pousada para o café da manhã.

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As distâncias enganam um pouco por aqui, em quilometragem tudo é perto, mas em tempo de viagem demorado. Pegamos um ônibus (estilo “onibus-galinha”, antigos ônibus escolares dos EUA) até Rivas, outro até o pequeno porto, de onde pegamos um barco. Carregaram o barco com tudo que era possível, e fomos no topo, para curtir o visual. O lago é gigante, se perde no horizonte, mas a ilha de Ometepe, em forma de oito, com seus dois vulcões se destaca.

Vulcão Concepcion

Vulcão Concepcion

Com o vento o lago estava agitado, balançou bastante, mas não demorou tanto assim para chegarmos no porto de Moygalpa. Deu tempo de se esticar um pouco, comer alguma coisa e pegar o último ultra-lotado ônibus até Santa Cruz, do outro lado da ilha. De lá ainda queríamos ir até a pequena vila de Balque, região bem rural. Não tinha mais transporte e seria uma longa caminhada. Fomos andando para ver se encontrávamos algum outro lugar para ficar quando passou um furgão antigo. Conseguimos pegar carona, e por sorte, eles estavam indo para a mesma fazenda que nós. Um casal de americanos que estava viajando com dois cachorros, pretendendo ir dos EUA até a argentina. O dia tinha se passado, mas deu tempo de ver o por de sol da varanda da antiga casa da fazenda de café, com o lago e vulcões para dar o clima.

Vista da varanda

Vista da varanda

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A ilha proporciona diversas atividades. A mais óbvia é subir um dos vulcões, claro. Existem cachoeiras, gravuras rupestres, trilhas e o próprio lago. Um dia alugamos uma scooter para dar uma circulada mais longe, mas outros dias a própria bicicleta quebrou o galho. Nosso quarto na fazenda de café parecia um galpão onde tinham colocado uma cama. De manhã bem cedo já acordávamos com os barulhos dos pássaros e dos macacos que gritavam nas arvores ali ao lado.

em algum lugar da ilha

em algum lugar da ilha

Antes de ir embora decidimos ficar na praia de Santo Domingo, de onde seria mais fácil para pegar transporte. Fomos tomar banho nas piscinas naturais , rodamos, curtimos o visual do lago com bois tomando água e se banhando com o vulcão ao fundo e no final do dia fui caminhar pelo Sendero Peña Inculta. Já na chegada um grupo de macacos me recepcionou. Foram me acompanhando não de muito longe. Ao caminhar no meio do mato se espera silencio, mas não ali. Com a chegada do final de tarde, pássaros cantavam alto, macacos berravam, arvores chacoalhavam com o vento, dentre diversos outros sons que eu não conseguia identificar. Sentei, fechei os olhos e fiquei curtindo o lugar.

animais tomando agua e vulcão Madero ao fundo

animais tomando água e vulcão Madero ao fundo

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Tem varias coisas para se fazer na ilha Ometepe, mas o mais legal é o lugar em si, o clima rural da região, a simpatia do povo, as fazendas de café e seus casarões com os vulcões ao fundo. O tempo passa devagar por ali. Existe um barco que atravessa o lago Nicarágua de ponta a ponta, onde poderíamos ir diretamente para a cidade de Granada. Mas como ele só passa duas vezes por semana, tivemos que pegar um barco para Rivas e de lá uma ônibus “escolar” para Granada, uma das cidades mais antigas de toda a América.

De volta a escola?

De volta a escola?

Ps- “Sandinista!” também é o nome de um disco (ou seriam três?) de uma das maiores bandas de todos os tempos, The Clash.

Nova entrevista – Momento IBPEX

A Bibi foi entrevistada pela Professora Magda Branco, leitora aqui do blog, para o “Momento IBPEX”.

Ficou muito legal a entrevista, vale a pena conferir!

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Video completo – com audio

Segue o link do video com a sequencia da viagem, agora com audio.

 

http://www.vimeo.com/15878300