Uma viagem pela Argélia

A Argélia não era uma novidade para mim. Desde muito pequeno escutava as histórias deste que é o maior país da África. Meu avô, Professor Bigarella, contava com brilhos nos olhos sobre suas experiências na Árgelia. Na década de sessenta havia sido chamado pelo recém-independente governo para prospectar petróleo. Como cientista, acabou se apaixonando mesmo pelo Saara Argelino, onde considerava ser o lugar mais bonito do mundo. Podem dizer que é entusiasmo de geólogo, mas muitos que conhecem Tassili N´ajjer ou as montanhas Hoggar hão de concordar.

Eu já havia viajado extensamente por países árabes e mais ainda pelo mundo islâmico. É normal que se tenha expectativas e se faça comparações. Talvez por causa disto que minha recente viagem pela Argélia tenha sido tão marcante. Foi completamente diferente do que imaginava. Esqueça referencias como Marrocos e Tunísia, por exemplo. O Marrocos, uma monarquia alinhada com o ocidente desde sempre, ao lado de uma Argélia revolucionária, que dependeu por tanto tempo da URSS, parecem água e vinho. A distinta colonização teve um papel importante no desenvolvimento da cultura e estrutura dos países. A Argélia foi ocupada pela França por mais de 130 anos, tempo significativamente superior a da Tunísia, e mais que o dobro da do Marrocos. A maneira como foram conquistadas e administradas também foi muito diferente. Tratados foram assinados com os governos do Marrocos e Tunísia, transformando-os em uma espécie de protetorado. A Argélia perdeu seu território pela força, e não teve como reconquistá-lo a não ser pela guerra, uma brutal guerra de independência. A França administrava o território argelino como parte integral do país, a chamada Argélia Francesa. Semelhante ao que ocorre com a Guiana Francesa e a Polinésia Francesa hoje em dia. Porém os argelinos tinham direitos diferentes naquela época. Os Pied-Noir (colonos de origem francesa) eram privilegiados em relação aos argelinos nativos.  Inevitável que isto fosse questionado e reivindicado.

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Sempre soube que a Argélia era uma sociedade conservadora. Talvez por isto tenha me surpreendido tanto ao ver mulheres sem nenhum tipo de hijab na minha chegada ao aeroporto de Argel. Longe de ser maioria, mas quando meus anfitriões chegaram para me buscar, notei que ela estava de saia e blusa sem manga. Um mês antes havia publicado um pedido de lugar para me hospedar na casa de anfitriões argelinos através do aplicativo “Couchsurfing”.  Quem conhece a ferramenta sabe que nunca é tão fácil para receber uma resposta. Para minha surpresa, recebi mais de quinze convites em poucos dias, e logo tive que cancelar o pedido para não frustrar as pessoas. Não foi diferente nas outras cidades. Em toda a viagem, me hospedei na casa de argelinos. Médico, vendedor de kebab, estudante, cineasta, desempregado, vendedor de jogos piratas, dentre outros. Quando não era através do aplicativo, recomendavam um parente, amigo ou alguém disposto a ajudar, indo até mesmo me buscar na rodoviária em plena madrugada. Lanchinhos para a viagem e presentes não eram incomuns.

Com tantos contatos feitos antes da minha chegada à Argel, resolvi fazer um encontro para conhecermos o Casbah, deixaria outras atrações para conhecer sozinho.  Pelo menos uma dezena deles compareceu. Bom para o relacionamento e para a segurança também. A decadente parte antiga da cidade, apesar de ser patrimônio da Unesco, não é muito turística. Dizem ser lar de pequenos delinquentes e até ex-terroristas, que se escondem pelos labirintos formados pelas ruelas. Perigoso? Exige cuidados, mas com certeza muito mais seguro que áreas centrais de diversas grandes cidades brasileiras.

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O Casbah fica numa colina que desce até o mar, onde existem casarões escondidos atrás de portas decoradas e pouco lembra as Medinas do Marrocos e da Tunísia. Na ocupação francesa não havia muito espaço para a cultura argelina, então Medinas e outros símbolos nacionais foram destruídos.  Alias, “Medinas” mesmo, antigas cidades muradas, praticamente inexistem no país. Uma grande exceção talvez seja o vale M´zab, já bem adentro do Saara. Cinco cidades fortificadas (Ghardaia é a principal delas) preservam arquitetura, cultura e até religião própria. Mesmo os árabes tem dificuldade em se estabelecer por lá. Os Mozabites são berberes, praticam uma vertente do islamismo chamada Ibadismo e tem um conjunto de leis que regem a sociedade bem especifico. Árabes que vivem na região às vezes se revoltam, e conflitos são inevitáveis, causando muita dor de cabeça ao governo. Governo, aliás, que é muito impopular, mas visto como única opção. Insatisfação impulsionada pela crise econômica de um país que depende quase que exclusivamente da exportação de gás natural e petróleo, taxados por preços internacionais. O valor do Dinar Argelino é 60% menor no mercado negro. Dizem que o próprio governo acaba especulando e se beneficiando com isto, na espera de uma alta do petróleo para reestabelecer a economia. Pude observar diversos prédios, às vezes cidades inteiras que estavam em construção e foram abandonadas. Ao perguntar o porquê da Argélia não ter tido uma “Primavera Árabe” a resposta era sempre a mesma. Tivemos os “(anos) 90`s negros, esta foi a nossa Primavera Árabe”, referencia a guerra civil argelina que durou uma década. Na época, logo após o colapso da URSS, o partido de oposição, Frente Islâmica de Salvação, ganhava as eleições. O governo não deixou que assumissem e a oposição se organizou para uma luta armada. Estima-se que 200 mil pessoas foram mortas, grande parte civis.

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Hoje o país está bem mais calmo, somente algumas regiões no extremo sul da Argélia devem ser evitadas. Sim, mesmo depois da anistia, alguns terroristas continuam em atividade e até juraram lealdade a Al-Qaeda, mas estamos falando de regiões a dois mil quilômetros desde a capital Argel. A Argélia é cheia de atrações, tem um inimaginável potencial turístico. Dezenas, talvez centenas de ruínas romanas. Mesmo nas mais impressionantes delas, como Timgrad, Djemila ou Tipaza, provavelmente você será o único visitante. Se sobram pontos de interesse, falta informação e infraestrutura para o turismo.

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Nas montanhas, não é difícil de se encontrar argelinos fazendo piquenique. Ghoufi, com suas fortificações berberes ao longo do cânion estava repleto de famílias passeando. Mais próximo do mediterrâneo é onde a vida pulsa. Se por um lado os argelinos reclamam das opções de lazer, por outro improvisam quando tem tempo livre. A infraestrutura nessa região também é muito melhor, tendo inclusive uma excelente autoestrada que corta o país de leste a oeste.

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Próxima do Mediterrâneo, a cidade de Constantina não tem praia, mas nem por isto falta vida. Apesar de ser a terceira maior do país, é uma cidade muito acolhedora.  Um clima de cidade pequena em uma metrópole. Lá se toma café em vez de chá, bebida que era mais popular no interior do país. Diversas boulangeries onde se pode parar para ver o dia-a-dia e admirar as belas pontes que ligam a cidade velha, pendurada na beira do penhasco. O arquiteto brasileiro Oscar Nyemeier projetou alguns monumentos na Argélia, mas provavelmente o mais famoso seja a Universidade de Constantina.

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Minha despedida do país foi em Annaba, cidade onde viveu e morreu Santo Agostinho, um dos maiores filósofos do cristianismo.  Visitei a imponente basílica no topo da colina, logo acima das ruínas da cidade de Hipona. Aproveitei a praia, tomei banho de mar e a noite discuti o dia-a-dia dos meus anfitriões tomando duas garrafas de vinho argelino. Durante todo o período da viagem, não conseguia parar de pensar como não adianta somente ler e estudar sobre um país, porque a nossa capacidade imaginativa tem limites. É preciso experimentar. A Argélia talvez seja uma das maiores provas disto.

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*Texto que escrevi para o Estadão Internacional a convite do Jornalista Guga Chacra.

 

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O Irã moderno e a revolução

Olhamos novas revoluções acontecendo no Oriente médio  e logo se fala em democracia. Aparentemente o ocidente apoia a democracia, mas sera que e bem assim? Para quem realmente e interessante a democracia  A ditadura do Egito era apoiada pelos países ocidentais. O que os fez mudar de lado e apoiar uma “democracia”? Será que a população de muitos destes países estão lutando por democracia ou só protestando por difíceis condições de vida. Mas o mais importante e pensar, o que o povo local quer, ou  que outros países pensam que eles precisam? Nem sempre algo que for bom para um país, vai ser bom para o outro.

Pouco após a primeira guerra, o Irã se aproximou do ocidente, que estava bastante interessado nas gigantescas reservas de petróleo  O governo que foi se formar, buscava rapidamente a modernização, e era ultra repressivo.

Mohammad, um excelente advogado, foi eleito democraticamente primeiro ministro no Irã. Teoricamente isto e bom, mas não para a Inglaterra, que controlava a binacional que explorava petróleo na região  Com medo de uma renegociação de contratos, a CIA fez uma operação de dentro da embaixada americana em Teran,  depôs o primeiro ministro iraniano, e com isto os EUA passaram a poder explorar o petróleo também. Moral da historia, a democracia só e importante se for possível ter ganhos com ela. As ditaduras parecem ser interessantes pelos mesmos motivos.. Mas detalhes sobre a operação estão em  www.payk.net .

Anos passaram, novos problemas com petróleo surgiram, e o Sha (rei, mas que assumiu o poder a forca) não parecia mais ser tão importante para os Estados Unidos. Protestos surgiram, tanto do lado dos conservadores como dos que queriam reformas mais rápidas  Ayatolla Kumeinni, que estava no exílio voltou ao pais, e foi recebido  como um herói  O EUA ainda tentou mudar de lado, mas membros da embaixada foram presos e deportados, e logo se formou a republica Islâmica do Irã. A família do Sha fugiu, assim como muitas pessoas que apoiavam seu regime, mas a maioria esmagadora apoiava a teocracia que estava se formando.

O problema de uma revolução  e saber o que vai vir depois dela. O ocidente esta apoiando a revolução na Libia, mas o governo que vai se formar, pode gerar ainda mais problemas. A revolução Islâmica foi apoiada no Irã pois o povo é profundamente religioso, mas as regras e sistema de governo e muito rígidos e duro. Uma coisa e seguir algo porque você acredita que e certo, outra por imposição.

Chegamos a pensar em nem ir para Teerã  O Irã parecia grande demais, com tantas coisas interessantes para gastar tempo lá. Mas como tínhamos novos amigos lá, e tínhamos que dar entrada no visto do Turcomenistão, decidimos passar por lá. Apesar de não ser nosso maior interesse, não deixa de ser interessante ver como uma grande metrópole reagiu com as regras de uma republica islâmica.

A cidade e gigantesca, cheia de auto pistas, anéis e engarrafamentos quilométricos. É uma São Paulo, ou Los Angeles. Como não poderia ser diferente, a maioria dos iranianos modernos moram aqui (na verdade os mais modernos fugiram do pais). Mulheres usam calcas capri e lenços coloridos, que só cobrem o rabo de cavalo. Todas na moda, cheio de estilo. Tivemos a oportunidade de conviver mais com a personalidade de dentro de casa destes iranianos. Nada de véu  e muita bebida alcoólica  Vocês acham que só porque e proibido eles não bebem? Bebem regularmente, algumas vezes por semana. A maior parte do tempo passamos dentro de casa, batendo papo sobre a historia e dia a dia no Irã. Nossos anfitriões eram diretor de cinema, professor de arte, com amigos empresários  Papo de qualidade, quase sempre se estendia ate quase de manhã.

amigos

Um dia fomos numa festa, na casa de final de semana, que ficava nas montanhas ao norte da cidade. Muitos amigos, musica, Dj, comidas e claro, muita vodka, wiskey…

As mulheres chegavam todas cobertas, iam para um quarto e voltavam de saia, regata como em qualquer lugar do mundo. Apesar de algumas musicas estrangeiras, a maioria era musica iraniana. O estilo das danças também variavam, e muitas vezes eram bem sensuais. Todos reclamavam do sistema, e uma jovem universitária afirmava que estava se preparando para experimentar álcool e homem. Haha achei engraçado o “experimentar homem”. Mas não sejam maliciosos, praticamente todas ainda casam virgens. O experimentar e ter um namorado.

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Já tínhamos visto muitos iranianos tocando instrumentos musicais nas ruas, e quando vimos, a festa deu uma reviravolta, e estavam todos tocando instrumentos típicos e cantando com empolgação.

Livros de poetas persas como Saadi, Hafes, Ferdosi, talvez sejam mais famosos que o próprio Corão no Ira. Não estranhamos tanto assim quando passaram a declamar os poemas cantando. A festa tava no seu auge, quando inicia um corre-corre. A policia tinha chegado no portão  e as mulheres voavam para trocar de roupa e colocar seus lenços.  Todos falavam tanto para não nos preocuparmos que percebemos que a coisa podia ser seria. Mas nada que eles não tivessem acostumados. Disseram que a policia sempre passa para pegar um dinheiro. Neste dia pegaram 100 dólares  e deram 15 minutos para terminar a festa. Voltando para casa, descobrimos que um dos amigos deles tinha sido preso com 7 garrafas de wiskey. Sua pena era de 6 meses de prisão e uma porcão de chibatadas. Pagou 3 mil dólares e foi liberado. Lugar perigoso para brincar com a lei, não?!

Jantares

Saímos também para ver museu, arquitetura, mas como outras regiões do pais são muito mais interessantes, nos concentramos no dia a dia mesmo. Comidas e sorvetes típicos, jantares, festas e muito bate papo. Acabamos ficando na cidade muito mais tempo que imaginávamos  e não nos deixavam ir embora.

Claro que a região norte da cidade, a mais rica e moderna, e totalmente contra o governo. Mas eles mesmos falavam que a oposição não e tão grande assim, provavelmente menos de 10% da população  Como o povo e muito religioso  eles conseguem fazer um controle e manipulação muito forte sobre as pessoas, dizendo o que e certo e errado. Tipo, não proteste pois você esta indo contra Deus. O Ayatolla e o representante dos Imams na terra, seria como o Papa para os Católicos.  Se lembrarmos um pouco da idade media da para imaginar o que acontece quando politica e religião se misturam.

No inicio do ano tiveram novos protestos, que a oposição tentou chamar de “movimento verde”. A verdade e que muito poucas pessoas apoiam a oposição,  que já esteve no poder antes e não era nada melhor. As pessoas que foram para as ruas estavam protestando contra o sistema, mas sem ter uma opção.  Podem trocar de presidente quantas vezes quiserem, pois vai ser só mais um marionete.

O poder econômico do Irã na região só aumentou após as invasões americanas do Afeganistão e Iraque. No dia em que os EUA anunciaram a data de retirada das tropas do Iraque, lá estava um ministro do Irã para fechar negócios com o seu antigo inimigo eterno. Se o mundo árabe balançou nos últimos meses, o persa parece estar ainda bem firme.

A hospitalidade Árabe.

A hospitalidade Árabe e notória. Em poucos países se é tão bem recebido como nos países Árabes. No inicio da viagem, passamos a sonhar com o Oriente Médio, do Egito ate a Turquia, mas depois parecia que não teríamos tempo para isto. Quando ficamos em duvida sobre onde ir depois da Índia, voltou a ideia. Teríamos que pegar voo, mas por outro lado, seria uma região muito mais fácil de viajar, o que facilitaria pois a Bibi já estava meio cansada. Acabamos achando uma passagem barata para Amã, na Jordânia, e o Egito ficaria para uma próxima vez. Fomos muito bem recebidos, escutamos “Bem vindos a Jordânia!!” durante toda a nossa estadia. Aqueles lugares que você faz amigos na rua, pede informação e te colocam no carro para te levar onde você quer ir, ganha presente e comida. O Brasil voltou a ser lembrado como pais do futebol, e receber apoio de todos para a Copa 2010 (apesar da previsão de alguns que a Argentina sera campeã! Eca!rs). Dizem que esta hospitalidade toda vem da época que os árabes eram povos nômades, e viviam em regiões inóspitas. Desta forma tratavam bem qualquer um que chegasse na sua região, pois em uma próxima vez, poderia ser ele numa longa jornada, e precisaria de ajuda. Não sei se esta historia e verídica (para os Beduínos com certeza!), mas e fato que nos sentimos em casa e muito acolhidos!!

Pegando o avião em Nova Delhi, pediram minha passagem de volta. Falei que não tinha. Perguntaram para onde iria depois, e eu respondi Síria. “Quero ver a passagem para a Síria”. Não tenho, respondi, vou por terra. Mostrei todos os carimbos nos nossos passaportes, mas fizeram eu assinar um termo para que se eu fosse barrado na chegada, a Cia Aérea não teria nenhuma responsabilidade. Apesar de já ter viajado “one way” diversas vezes, não vou dizer que não causou uma certa apreensão. Resumindo a historia, chegamos e fomos super bem recebidos, carimbaram nossa entrada rapidamente. Como passaríamos por Amã depois, resolvemos ir direto a Wadi Musa, cidade ao lado de Petra (considerada uma das sete maravilhas do mundo). Ônibus do aeroporto até a estacão norte, outro ate a estacão sul, e já estávamos numa calorosa e amigável discussão religiosa com o motorista, que adorava o Brasil. Ônibus ali parado e só nos três batendo papo. No micro-ônibus para Wadi Musa não paramos de falar ate la, pois parecia entrevista. Na parada nos pagavam chá, falafels e se recusavam a aceitar dinheiro.
A Jordânia e estruturada, e depois de vir da Índia, suas qualidades foram ainda mais acentuadas, alem do fato de não ter tanta gente, transito e calor. Claro que tem seu preço, e o custo para se manter ali era mais caro. Ate existem algumas opções baratas, mas nos lugares mais turísticos os preços são jogados la para cima. Sabia que Wadi Musa era a cidade de apoio para visitar Petra, mas não que era tao perto, o que facilitou as coisas.
O primeiro dia que fomos ate Petra, acordamos umas seis e pouco para chegar cedo, antes das dezenas de ônibus de turismo. Deu certo, chegamos logo quando estavam abrindo, e se o lugar não era só nosso, pelo menos estávamos dividindo com poucos. Tem que dar uma caminhada ate o Siq, uma falha geológica causada por um terremoto, que resultou num corredor estreito. Se caminha por este corredor por um bom tempo, e a expectativa só vai aumentando. De repente se chega no Treasure, um dos principais e mais bonitos monumentos. Acho que o filme Indiana Jones e a ultima Cruzada fizeram o lugar ficar ainda mais famoso.

Primeira vista de Petra pelo Siq

Seguimos por um caminho com mais monumentos esculpidos na pedra; teatro romano e templos/monumentos em diversos estados de conservação. O que impressiona não são tanto os detalhes, mas as dimensões e quantidade das obras. Os Nabateans, povo que dominava a região cobrava pedágio desta que era uma importante rota comercial. Não sobrou muito do que era a cidade, mas ainda existem diversas ruínas.


Caminhada morro acima para o Monastério, talvez o maior de todos os monumentos. Uma grande vista da região. Alem da obra do homem, a obra de Deus impressionou muito, pois a região e belíssima!!! Primeiro dia ficamos umas 10 horas la, com direito a descanso na hora do sol forte e claro!!! Como fica longe da entrada, não da para ir e voltar para o hotel. Na volta resolvemos sair pelo sentido oposto de Petra, e fomos ate uma vila construída pelo governo para os Beduínos (algumas famílias ainda vivem nas cavernas da região) e de la pegamos carona ate Wadi Musa. Só deu tempo de comer, tomar um merecido banho quente (a noite a temperatura cai) e capotar!

Monastério

Dia seguinte eu fui sozinho cedo, e a Bibi me encontrou na parte da tarde. Aproveitei para fazer caminhos alternativos e que exigiam mais esforço. Entrei por um Wadi antes do caminho principal, ainda mais estreito que o Siq.

Wadi bem estreito

Dei a volta por fora, subindo a montanha e tive uma excelente vista de cima, alem de passar por lugares de interesse. O melhor de tudo e que estava sozinho, e dava para sentir mais o lugar. Sentei numa pedra na beira da montanha e fiquei apreciando a beleza, me perdendo no tempo.

Valeu a pena!!



Explorei as regiões altas e desci para mais uma pequena volta. O sol tava pegando, e arranjei uma sombra numa caverna para descansar. Como estava de volta no caminho principal, crianças me cercaram para vender cartões postais. Ao ver que eu não compraria nada, foram se acalmando e sentando ao meu redor. Passamos a conversar e eles me ensinavam árabe enquanto eu português. Não demorou muito para a Bibi chegar, e fomos para outras regiões altas, como o “ High Place of Sacrifice”. Mais caminhadas, passando por belos lugares e um merecido descanso la em cima admirando o local. Tivemos a companhia de um simpático suíço, que ficou junto com a gente ate o final do dia, e nos deu carona ate o hotel. Acabamos ate jantando juntos. Neste segundo dia acabei ficando 12 horas em Petra, e quando saímos já não tinha ninguém, super calmo. Outro clima!!!
Decidimos ficar mais um dia pois não tínhamos pressa. Dia calmo, e teve um churrasco no topo do hotel onde estávamos, e pudemos trocar informações com outros viajantes.
Pegamos um ônibus ate Wadi Rum, deserto mais ao sul. O bom da Jordânia e que o pais e pequeno, então as viagens são curtas (muito curtas pra quem vem da Índia). Nada de passeio de camelo desta vez. Fomos de caminhonete pelo deserto, passando por paisagens fantásticas, alem de alguns pontos históricos da Revolta Árabe, quando ajudados pelos britânicos (e depois traídos) se livraram do domínio Otomano. Não e o tipo de deserto só com areia, mas com varias rochas, que vão mudando de cor a medida que o sol vai se pondo. Passamos por algumas tendas de beduínos que nos davam chá e café árabe, alem de uma ótima sombra. Dormimos num acampamento, mas nem utilizamos a barraca, pois arrastamos os colchoes para fora para dormir sob o céu estrelado.

Wadi Rum!!

Beduino

 

Que deserto!

Algumas regiões não são conectadas por transporte publico, então complicava um pouco. Na volta, conseguimos pegar um ônibus turístico ate a estrada, onde esperamos um transporte que fosse mais para o norte. Não passava nenhum ônibus e a temperatura ia aumentando. Tentávamos nos distrair com as duas muçulmanas com seus filhos, mas o sol tava de rachar!! Depois de certa espera decidimos ir para o plano B, e também pedir carona. Não demorou muito e parou um caminhão. Ele não falava muito inglês, mas nos comunicamos da forma que dava. Ele deixou bem claro que “no money”, contrariando algumas pessoas que cobram o preço da passagem de ônibus. Batemos papo da forma que dava, viajando pela paisagem que não mudava da Desert Highway. Ele nos deixou na entrada de Maaan, já na metade do caminho para onde íamos.
Fomos tomar alguma coisa num restaurante para ver como iriamos ate a rodoviária no meio da cidade. Já conhecemos um senhor, que vendia salgados nos bares e restaurantes da região, e alem de nos dar comida, nos levou de carro ate a rodoviária, que não era nada perto. Curta viagem e estávamos chegando em Dana, cidade medieval do seculo XV, com poucas casas, todas de pedra. Ela fica pendurada na beira de um bonito cânion, que faz parte de um parque nacional. Te digo que foi difícil sair dali! Varias trilhas, super paisagem e vida beem devagar.

Mesquita de pedra em Dana

 

Playground!

Curtimos muito o lugar, e de noite fazia ate um friozinho, devido a altitude. Conhecemos varias pessoas que estão viajando pela Jordânia. Dentre eles um casal de italianos que matou a vontade da Bibi de comer queijo parmesão, e um grupo muito gente boa de israelenses que conversamos ate tarde da noite pegando dicas sobre Israel/Palestina. Definitivamente Dana, Wadi Hasa e Wadi Mujib junto com Wadi Rum mostram que as belezas naturais da Jordânia são espetaculares, e quem vem para cá só para Petra ta perdendo muita coisa.
Acabamos saindo de la numa sexta-feira, que e o domingo para os muçulmanos, portanto o transporte era bem infrequente. Fizemos uma conexão em Tafila, e seguimos pela Kings HWY (antiga estrada romana) ate Karak, cidade que tem um castelo da época das Cruzadas, e que teve épicas batalhas, inclusive com o Saladim. Ficamos bem pertinho do castelo, e deu para rodar tudo com calma, pois passamos a noite ali. Estes castelos das Cruzadas foram construídos numa linha que vinha desde o sul da Turquia ao Sul da Jordânia, para proteger Jerusalém e as terras reconquistadas dos muçulmanos. Um interessante museu mostrava a linha histórica da região, alem de apontar as dezenas de citações bíblicas que estão na Jordânia.

Castelo em Karak

Não nos surpreendemos quando no dia seguinte ao pedir informação sobre ônibus para Amã, nos colocaram num carro e levaram ate la. E viva a hospitalidade Árabe!!!
Amã e uma cidade interessante. Já não sobrou muito da parte antiga, o que de certa forma perde um pouco o charme, mas existem bairros modernos ao lado de uma sociedade conservadora. Uma mistura no minimo interessante. Na cidade velha, perto do simpático hotel que ficamos fomos na Citatel, com uma ótima vista para as colinas da cidade, andamos ate o teatro romano e a Mesquita King Hussem. Aqui os taxistas falam, se não quiser pagar não precisa, uma pequena diferença dos motoristas de autorickshaw da India…haha!!

Ruínas romanas em Amman

Queríamos muito ir para Israel/Palestina, mas tínhamos alguns receios. Como o estado de Israel não e reconhecido por muitos países muçulmanos, não poderíamos ir para a Síria e Líbano depois. A solução era pedir para carimbarem num pedaço separado de papel, o que parecia tranquilo pois muita gente já fez. No entanto, algumas pessoas nos assustavam dizendo que as vezes carimbam no passaporte mesmo se você pedindo. Na internet falavam de longas horas para atravessar a fronteira, com entrevistas e revistas que seguiriam por horas. Mas tínhamos que ver com os nossos olhos, e se algo desse errado, só teríamos que mudar nosso roteiro, quem sabe indo para o sul, cruzando para o Egito. O risco com certeza valeria a pena, pois poderíamos conhecer mais da cultura judaica, alem do berço do cistianismo.