Jula, Jula, Pakistan!!

Rawalpindi fica ao lado da moderna capital Islamabad. Rawalpindi é a parte movimentada, viva da cidade. Rodamos os bazares  tentamos visitar o local onde pintam os caminhões  mas estava tudo fechado. Era o ultimo dia de Ramadan. Se todos iam festejar, nos também fomos. Pegamos um autoricksha ate Islamabad. Cidade planejada, com avenidas largas e rápidas  Bem estilo Brasilia. Alguns bairros com muitos casarões mostravam a parte rica do Paquistão  que ainda não tínhamos conhecido. Demoramos um pouco para achar a casa de carnes que procurávamos  mas valeu a pena. Estava muito bom!!! Demos uma volta pelo shopping, que era todo no térreo  todo espalhado. Na volta passamos para ver a mesquita Sha Faisal toda iluminada e pegamos um engarrafamento interminável  Tava todo mundo na rua, tinha iniciado o Eid al-Fitr, feriado depois do Ramadan, onde se come durante dias!

Cabine do caminhao

Mesquita sha Faisal

Ficamos receosos de não conseguir transporte para Lahore neste período  mas acabou dando tudo certo. Não foi com a melhor companhia de ônibus  mas na beira da estrada conseguimos parar para comer alguma coisa. A estrada não era boa, era excelente, mas o calor estava infernal. Para ajudar, nada de ar condicionado nem das janelas abrirem.

Chegamos fácil no hotel que pretendíamos ficar, mas era um pulgueiro. A segunda opção estava fechada e depois de bater bastante a cabeça  acabamos apelando para o “eu mereço . Pegamos um hotel bom, numa região mais tranquila, e que acabou nem saindo tao caro. Ok, para os preços que estávamos pagando era caro, mas em reais ainda era bem barato. Se para mim o “eu mereço”  não cola, o “paguei para minha tranquilidade” me consola haha!!!

Acabou sendo um refugio. Tava muito quente, e com o feriado, as ruas estavam lotadas. Fomos no belo forte da cidade, na imponente mesquita Badshahi. Falamos com muitas pessoas, e tiraram bastante fotos de nos. Chegamos perto da mesquita Wazir Khan, no meio de uma confusão com autorickshas, carros, cavalo, camelo e crianças brincando e muitos vendedores. Musica alta, buzinas, um verdadeiro caos. Todos queriam correr para o hotel, mas ainda me acompanharam para ver a decadente, mas muito bonita mesquita. Também nos surpreendeu o numero de igrejas em Lahore. Muitos cristãos vieram farar com a gente e dizem ter uma vida super tranquila. O conflito entre Sunistas e Xiitas e bem maior que o de Muçulmanos e Cristãos   Em Lahore tem o bairro descolado de Gulberg, que no fim das contas acabamos não indo, mas quem quer um restaurante tipico simples mas muito bom, recomendamos o Tabaq, que passou no teste com louvor!!!

Forte de Lahore

Mesquita Badshahi

mesquita Wazir Khan

Um programa que nao podia faltar era ver a retirada da bandeira na fronteira com a India. Eu e o Marco compramos camisetas da seleção de cricket especialmente para a ocasião  A fronteira não fica longe, mas com o feriado tava todo muno na rua, então demorou bastante. Chegamos e as arquibancadas estavam lotadas. Homens para a direita, mulheres para a esquerda. Como estrangeiros teríamos acesso a tribuna de honra. Entramos pela rua, entre as arquibancadas, como se fosse uma passarela. Quando fomos notados a multidão foi se levantando, todos com sorrisos no rosto, gritavam aleatoriamente e tiravam fotos. Quase simultaneamente o Marco tascou um beijo na camiseta do Paquistão e eu acenei para a galera levantar. O barulho foi ensurdecedor, parecia um gol na final de campeonato. AaaAAAAAHHHHH!!!! Com o braco para cima e punhos cerrados, puxamos um Pakistan, Pakistan que ecoou por minutos. Os indianos do outro lado do portão não entendiam o que estava acontecendo, pois o show ainda não tinha começado  Logo vieram os “Pakistan, zindabad!” (vida longa ao Paquistão).

Torcida masculina

Torcida feminina

Logo iniciou o desfile, os gritos e provocações. Ano passado tinha visto do lado indiano da fronteira (Clique aqui), e comentei que estava chateado de não seguir por terra para o Paquistão e Ira. Mal eu imaginava que faria o caminho contrario (na verdade um pouco mais longo) e colocaria estes dois países na lista dos meus favoritos.

Se na India achei o show um pouco longo, este participamos como verdadeiros paquistaneses. As diferenças do show em si são bem pequenas. Basicamente do lado indiano tem danças  e no paquistanês animadores de torcida e tambores. Com o final da cerimonia, filas de pessoas se formaram para falar conosco e tirar fotos. Fomos celebridades muito simpáticas e atenciosas, atendendo a cada pedido. Só os pedidos de homens tirarem fotos com a Bibi eram negados. Eu sempre falava rindo, vocês deixariam eu tirar fotos com a tua mulher, irma ou mãe haha?! O guarda teve que pedir para sairmos, pois só estávamos nos e nossos “fãs”. No caminho ate o carro a cena se  repetiu dezenas de vezes, e famílias inteiras pediam para tirar fotos. Com o feriado muitas pessoas de pequenas vilas ou cidades distantes estavam ali. Encontramos com os franceses e acabamos indo jantar juntos. Tivemos discussões calorosas sobre o respeito a cultura local e diferenças entre ocidente e oriente.

Pakistan!

Volta para Lahore

posamos para fotos e mais fotos

Na manha seguinte acordamos cedo e fomos para a mesma fronteira. Desta vez não para ver nada, mas para atravessar para a India. Não tinha uma alma, estava completamente vazia. Isto não fez com que o processo fosse agilizado. No balcão um jornal dizia que três soldados paquistaneses tinham sido mortos sem motivo em uma das fronteiras com a India. A relação entre os dois países realmente não e nada amigável  Caminhamos entre as arquibancadas vazias, nos despedimos de soldados que participaram da cerimonia no dia anterior, mas que estavam cumprindo o dever naquele dia.

Do outro lado já não foi mais rápido   Não que tenha demorado um monte, mas não tinha niguém, poderia ter sido mais rápido  Saindo da imigração ofereceram uma cerveja e o Marco aceitou, pois estava ha um mês sem beber nada . Na verdade em Lahore um senhor deu alguns copos de wiskey (ilegal, portanto caríssimo  para ele depois de um papo rápido na rua. O rapaz da cerveja voltou, e cobrou três vezes o preço oficial marcado na garrafa. Caiu a ficha, estávamos na India!